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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

BRASIL: Decisão provisória da Justiça mantém ‘Deus seja louvado’ no Real

 Ele, porém, respondeu: “Eu vos digo: se eles se calarem, as pedras gritarão” (Lucas 19,40).


Um pouco de bom senso e certa sensibilidade e inteligência para saber que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa! Parabéns, dra. Diana Brunstein, por negar o pedido de antecipação de tutela feito pelo Ministério Público Federal solicitando que a União e o Banco Central retirassem, no prazo de 120 dias, a expressão “Deus seja louvado” de todas as cédulas a serem impressas. 

Estado laico não é Estado ateu. Estado laico é aquele que não permite que qualquer religião se intrometa - a não ser enquanto parte da sociedade e em igual posição com todos os demais segmentos - nos assuntos de Estado. O Estado que bane Deus (ou qualquer assunto religioso) da vida pública, e às vezes até da privada, é o Estado ateu. O Brasil, em que pesem opiniões em contrário, ainda é um Estado laico. 

Quem sabe, agora, o sr. Jefferson Aparecido Dias aprenda alguma coisa sobre Direito e Legislação, sobretudo acercad da Constituição Federal, e pare de jogar dinheiro público - NOSSO - fora!

Decisão provisória da Justiça mantém ‘Deus seja louvado’ no Real


Justiça Federal negou pedido de antecipação de tutela.
MPF entrou com ação solicitando retirada da frase no início de novembro.


A 7ª Vara de Justiça de São Paulo negou na quinta-feira (29) pedido de antecipação de tutela feito pelo Ministério Público Federal solicitando que a União e o Banco Central retirassem, no prazo de 120 dias, a expressão “Deus seja louvado” de todas as cédulas a serem impressas.

A juíza federal Diana Brunstein argumenta na decisão que “não foi consultada nenhuma instituição laica ou religiosa não cristã que manifestasse indignação perante as inscrições da cédula e não há notícia de nenhuma outra representação perante o Ministério Público neste sentido. Entendo este fato relevante na medida em que a alegação de afronta à liberdade religiosa não veio acompanhada de dados concretos, colhidos junto à sociedade, que denotassem um incômodo com a expressão ‘Deus’ no papel-moeda”.

A decisão é provisória, e o processo segue agora os trâmites normais. Não há previsão de quando a ação será julgada. O que foi negado nesta quinta-feira foi o pedido de antecipação de tutela, pois a Justiça interpretou não se tratar de algo urgente.

Um dos principais argumentos apresentados pela Procuradoria da República no Estado de São Paulo pedindo a retirada da frase é que o Estado brasileiro é laico e, portanto, deve estar completamente desvinculado de qualquer manifestação religiosa.

Uma das teses da ação é que a frase “Deus seja louvado” privilegia uma religião em detrimento das outras. Como argumento, o texto cita princípios como o da igualdade e o da não exclusão das minorias.

Para a juíza da 7ª Vara Federal, “a menção a expressão Deus nas cédulas monetárias não parece ser um direcionamento estatal na vida do indivíduo que o obrigue a adotar ou não determinada crença, assim como também não são os feriados religiosos e outras tantas manifestações aceitas neste sentido, como o nome de cidades, exemplificativamente”.

Desde 1986


A inclusão da expressão nas cédulas aconteceu em 1986, por determinação do então presidente José Sarney, de acordo com informações do Ministério da Fazenda passadas à procuradoria. Em 1994, com o Plano Real, a frase foi mantida pelo ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, supostamente por ser “tradição da cédula brasileira”, apesar de ter sido inserida há poucos anos, diz.

Um dia depois de o MPF entrar com a ação na Justiça, Sarney criticou a situação. "Eu acho que é uma falta do que fazer, porque, na realidade, precisamos cada vez mais ter a consciência da nossa gratidão a Deus por tudo o que ele fez por todos nós humanos e pela criação do universo. Nós não podemos jamais perder o dado espiritual. Eu tenho pena do homem que na face da terra não acredita em Deus", disse o presidente do Senado.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

REQUIEM: Recordando meu pai

Recordando meu pai

Esvai-se o tempo e mais e mais me lembro do que,
para olvidar, luto com afinco,
de um vinte e nove sinistro de novembro,
- mil novecentos e oitenta e nove!
Não consigo esquecer por um momento,
daquele dia que bem longe vai...
em que um vento de morte e de tormento,
para bem longe transportou meu pai!

Assim é a vida: um báratro profundo,
onde o homem se afoga e,
quase louco, se perde nas mentiras deste mundo,
que tanto nos promete e dá tão pouco!
E neste mundo assim, de falso brilho,
guardo a lembrança que de mim não sai:
- de um homem bom que me chamou de filho e,
enternecido, eu o chamei de Pai!


Desconheço o autor deste poema que eu achei em um papel velho, no meio de outros tantos, enviado para descarte. Tomei a liberdade de mudar a data - está em vermelho - pela do ano em que meu pai faleceu. Quem souber o autor, por favor, me informe!
Por gentileza, leitor que por aqui passa no dia de hoje, 29 de Novembro, reze comigo uma oração (abaixo) pela alma de meu querido e amado pai. Muito obrigada. 

Giulia d'Amore di Ugento

  Rèquiem aetèrnam,
dona eis, Domine,
et lux perpètua lùceat eis.
Requiéscant in pace.
Amen.

(Latim)

L'eterno riposo, 
dona loro, o Signore,
e splenda ad essi la Luce Perpetua.
Riposino in pace.
Amen.
(Italiano)

Dai-lhes, Senhor, 
o descanso eterno
E a luz perpétua os ilumine
Descansem em paz.
Amém.
(Português)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

DOM WILLIAMSON: UM BISPO INCONVENIENTE

Um Bispo Inconveniente: A Verdade Sobre Richard Williamson

por Edwin Faust


A Igreja tornou-se cada vez mais solícita com sua imagem pública. Os meios de comunicação aplaudiram o Papa João XXIII, que queria abrir as janelas da Igreja para deixar entrar o ar do mundo moderno. Mas a Igreja pagou um preço alto pela aprovação de curta duração da mídia, e a brisa da modernidade foi varrida junto aos volúveis ventos da opinião pública.

Seja qual for a diferença que Dom Williamson possa estar tendo com a liderança da Fraternidade São Pio X, qualquer avaliação honesta acerca de sua definitiva expulsão da FSSPX teria que principiar pelo incidente que fez com que o seu Superior o removesse do Ministério público e o isolasse.

Mons. Williamson é da opinião de que as câmaras de gás não foram utilizadas no extermínio de Judeus perpetrado pelos Nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial. Ele aceita as conclusões de um disputados estudo científico conhecido como “Relatório Leuchter” [PDF (em Italiano)]. Consequentemente, Sua Excelência entende que o número de Judeus mortos nos campos de concentração possa estar mais perto de um milhão e meio, ao invés de seis milhões [Para a Cruz Vermelha, teriam sido 300.000, segundo um relatório de 66 páginas feito em 1948 e que vasou no site WikiLeaks]. Ele disse isso durante uma entrevista para a televisão sueca realizada [ardilosamente] na Alemanha.

Foi esta opinião que realmente fez com que Richard Williamson se tornasse um problema para a FSSPX e seus adeptos que querem um acordo com o Vaticano. Mons. Williamson foi julgado e considerado culpado pelo crime de Negação do Holocausto, segundo a lei Alemã. Ele foi extraoficialmente considerado culpado de ser inconveniente pela FSSPX e a Santa Sé.

A expulsão de Sua Excelência da FSSPX foi consumada em Outubro. E foi imediatamente seguida por um anúncio por parte das autoridades do Vaticano de que as negociações com a FSSPX não haviam chegado ao fim ou a uma paralisação, como pensado anteriormente, mas que era necessário paciência e esperança para uma reconciliação ainda demasiado viva. Coincidência?
 
Organizações judaicas que mantêm relações com o Vaticano denunciaram o levantamento das excomunhões dos Bispos da FSSPX, fazendo notar que um “negador do Holocausto” estava entre eles. O porta-voz do Papa disse que o Santo Padre não sabia dos comentários de Mons. Williamson na época do decreto, o que implica que tal conhecimento, se houvesse existido, poderia ter afetado o levantamento das excomunhões.

Sem analisar o mérito da opinião de Mons. Williamson sobre o “Relatório Leuchter”, não seria pertinente perguntar o que tal opinião tem a ver com a Fé católica? É preciso subscrever uma específica versão da História para ser qualificado a praticar um ministério episcopal no seio da Igreja Católica? Poderíamos também perguntar: Em que medida autoridade eclesiástica foi estendida, de fato, aos tribunais alemães, às organizações judaicas e aos meios de comunicação populares?

Mons. Williamson foi removido de seu cargo de reitor do Seminário da FSSPX da América do Sul e exilado em Wimbledon, não por transgressão a uma lei de sua fraternidade sacerdotal, não por qualquer infração ao direito canônico, não por qualquer dissenso, público ou privado, acerca da doutrina dogmática da Igreja. Mons. Williamson foi destituído de seu ministério e escondido da vista do público por ser um problema de relações públicas.

Se Dom Williamson tivesse se retratado de sua opinião, pedido desculpas a todos os que foram ostensivamente ofendidos por ela, pago sua multa ao tribunal e feito seu mea culpa perante seu Superior, tudo poderia estar bem. O problema é: Ele é um homem honesto.

Ele não foi convencido de que está errado em sua opinião, e ele sabe que não transgrediu qualquer disciplina ou doutrina da Igreja. Ele continuou falando sua opinião através de seu blog. E ele foi sincero em afirmar a sua posição em relação a um acordo entre a FSSPX e o Vaticano: Ele entende que ainda não tenha chegado o momento para que a FSSPX possa confiar na ortodoxia e nas boas intenções das autoridades romanas.

Ele se opõe aos esforços nesse direção de seu Superior, mons. Fellay, e tem apelado por uma nova liderança na FSSPX. Se isso merece a sua expulsão da Fraternidade é uma pergunta que é melhor deixar para os membros da fraternidade. Mas a eliminação do Bispo Williamson certamente alivia a FSSPX de um problema de relações públicas e facilita qualquer possível acordo que possa estar em  andamento com uma Cúria Romana fortemente sensível à mídia. Naturalmente, aqueles que aprovam a expulsão de Dom Williamson podem não perceber que a acusação de antissemitismo continuará a ser dirigida à Igreja Católica sob qualquer pretexto possível, uma vez que é a própria Fé que muitos Judeus acham ofensiva.

Qualquer pessoa que conheça Dom Williamson percebe que sua integridade é inquestionável, assim como sua caridade. Não importa quão impopulares sejam suas opiniões, elas não são formadas por maldade, mas por uma honesta convicção. Ele pode ser julgado excêntrico, e até mesmo imprudente. Mas ele é Católico até a alma. E isso pode ser o cerne do problema. Chegou a hora de reconhecê-lo.

Fonte: Fátima.org
Tradução: Giulia d'Amore

LER TAMBÉM: FSSPX: O VERDADEIRO PROBLEMA!

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NEO-SANTOS DA NEO-IGREJA: A vez de Paulo VI.

BEATIFICAÇÃO DE PAULO VI?

 

- Carta aos Cardeais -

 

Eminência Reverendíssima:

Li na Imprensa que, em 11 de Dezembro[1], os Cardeais e os Bispos, ultrapassado o obstáculo dos teólogos, darão o seu “sim” à beatificação de Paulo VI, apesar de não ter tido, durante a sua vida, fama de santidade e de ter sido, para muitos, o primeiro responsável pelos problemas atuais da Igreja, isto para não dizer que o seu Pontificado foi, na realidade, catastrófico!

Então, seja-me concedido citar o que foi relatado, em letras garrafais, na revista “Avvenire” de 19 de Março de 1999, página 17, acerca de Mons. Montini: “Ruini[2] traça o perfil do Papa [Paulo VI] que mudou a Igreja”.

Certíssimo!... Já o havíamos demonstrado com a nossa “Trilogia Montiniana”[3], nunca tida nem como falsa nem pouco fiável pelos meus opositores, limitando-se a graçolas e insultos, sem nunca denunciarem em público o “como”, o “onde”, o “porquê” de os nossos argumentos e documentos serem contrários à verdade.

IGREJA: Mais neo-Santos para a neo-Igreja

Fiquei apenas com uma dúvida: que tradicionalista concordaria com a canonização de uma filocomunista? Ou da religiosa de Calcutá? Penso que o blogueiro se refira aos mais conservadores entre os modernistas...

Uma proposta equivocada

Mesmo entre católicos que se dizem tradicionalistas encontrei quem considera justa a canonização de católicos com extrema simpatia pelo comunismo, apenas porque ajudaram os pobres. Caso em tela, a proposta de canonização da uma americana filocomunista, Dorothy Day, pela socialista USCCB. Ela acreditava nesta contradição em termos chamada por ela de "comunismo católico"; e dizia que o ideal comunista era o ideal do bem comum, o ideal de São Tomás More, de Santo Tomás de Aquino e dos primeiros Cristãos. Não se discute a fé - o que é bastante estranho entre tradicionalistas, para dizer o mínimo - ou em que realmente acreditavam esses supostos canonizáveis. Não; tudo se resume a analisar o que fizeram essas pessoas para minorar o sofrimento dos outros. É esta vida que importa, não a eterna; é o homem que importa, não Deus. Madre Teresa de Calcutá é o modelo dessa gente. Foi um apostolado realmente frutuoso, esse de Madre Teresa, que não pretendia converter ninguém e gabava-se de não tê-lo feito; sintoma de uma fé já minada pelo naturalismo. Há uma caridade na Igreja, mas essa caridade se funda na verdade católica; está portanto subordinada a um valor maior e não visa à construção de um paraíso na terra, ideal de que todo católico deveria desconfiar ou até mesmo se afastar. A função da Igreja não é primordialmente ajudar os pobres, mas santificar as pessoas, ajudá-las a chegar ao Céu; assim como o Comunismo não é simplesmente uma "opção pelos pobres", como se propaga para enganar e atrair os católicos mal catequizados, mas ateísmo/naturalismo organizado, ódio militante a Deus travestido de filosofia política, uma pseudo-religião secular, com a qual não é possível realizar nenhuma síntese. Assim é que Dietrich von Hildebrand está certo ao dizer que aquele que se preocupa mais com as prosperidades terrenas da humanidade que com a sua santificação perdeu a visão cristã do universo; e que qualquer santo glorifica mais a Deus do que todos os melhoramentos de bem-estar terrestres.

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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Quando montar e desmontar a Árvore de Natal e o Presépio?

Sobre a origem destas simpáticas e piedosas tradições natalinas, releiam o artigo Curiosidades Natalinas.  Sobre a polêmica - mais uma - levantada por BXVI acerca da presença de animais no presépio, leiam o artigo "Deixe o boi e o burro em paz, Sua Santidade!". 




* * *


Quando montar a Árvore de Natal e o Presépio?







Não há uma norma a respeito de quando e como fazer a decoração dos lares para as festas natalinas, isto depende dos costumes de cada país e de cada família. Se os seus se perderam pelo desuso que os tempos modernos incentivam, pode criar sua própria tradição e, com base na liturgia católica de sempre, começar a montagem da árvore e do Presépio, bem como toda a decoração, no Primeiro Domingo do Advento.  

A árvore e o Presépio podem ser montados completamente no primeiro dia do Advento ou, principalmente se tiver crianças em casa, podem ser completados aos poucos, durante as quatro semanas, que são, para nós Católicos, um tempo de preparação para o Natal. Será uma forma de catequese bem agradável e útil. 

Sobre a origem da árvore de Natal e do Presépio podem ler aqui. Vale a pena lembrar que nenhum dos dois é de origem protestante ou pagã, como os modernos gostam de espalhar na internet. São tradições absolutamente católicas, e podem e devem ser incentivadas e enriquecidas ano a ano. 

A árvore pode ser montada acompanhando a liturgia, a cada domingo mais enfeites e orações. Contar uma história de natal ou, melhor, ler uma passagem das Escrituras referente a este grande evento pode coroar esta preciosa e piedosa atividade dominical familiar. 

A montagem do Presépio pode seguir a mesma linha da preparação da árvore de Natal. Monta-se a gruta, coloca-se os animais e os pastores; desejando, se pode colocar um pouco de neve feita de algodão. Mas próximo à noite de Natal, coloca-se A Virgem Maria e São José, deixando para a noite do Natal, após a Missa do Galo, a colocação do Menino Jesus na manjedoura.  






FSSPX: O VERDADEIRO PROBLEMA!

O VERDADEIRO PROBLEMA


De um religioso que vive no exterior:

“(...) quero fazer um aporte que me parece sumamente valioso: O problema entre Mons. Williamson e os líderes da FSSPX, o cerne do problema gira em torno do livro escrito pelo Padre Álvaro Calderón com a ajuda de Mons. Williamson: ‘Prometeo ― La religión del hombre (Ensayo de una hermenéutica del Concilio Vaticano II)’. Uma verdadeira obra-prima tomista que desmascara todos os documentos do Vat-II e as intenções da nova religião humanística que foi criada. Este é o pomo da discórdia. Quando perguntamos ao Padre Pfluger e ao Padre Nely sobre este livro, os dois responderam a mesma coisa: ‘Este livro é bom, mas não podemos segui-lo, porque se o seguirmos não poderemos conversar com Roma’. Incrível!!! Mas esta foi a resposta que nos deram. Eles não aceitam a doutrina de Mons. Williamson porque se a aceitassem não poderiam discutir com Roma e fazer uma ‘reconciliação’. Este é o cerne do problema, e é por isso que não quiseram traduzir o livro nem para o Francês, nem para o Inglês”.

Recebido por e-mail.

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LEFEBVRE: O Dever da Desobediência

Operação Memória: para quem ainda tem dúvida sobre o que seja a verdadeira obediência, nada melhor do que ouvir um homem de Igreja.

O DEVER DA DESOBEDIÊNCIA

Dom Marcel Lefebvre


Tendo o Reitor do Seminário de Ecône,  Padre Lorans, pedido que eu colaborasse na redação deste número da “Lettre aux Anciens”, pareceu-me útil relembrar o que escrevi em 20 de janeiro de 1978, sobre algumas objeções que nos fizeram, relativas à nossa atitude face aos problemas que a atual situação da Igreja levanta.

Uma das perguntas era: ‘Como o senhor concebe a obediência ao Papa?’ Eis a resposta dada há dez anos: “Os princípios que determinam a obediência são conhecidos e são tão conformes com a razão e com o senso comum que podemos perguntar como é que pessoas inteligentes podem afirmar que ‘preferem enganar-se com o Papa do que estar na Verdade contra ele’.".

Não é isso que nos ensinam a lei natural e o Magistério da Igreja.

A obediência supõe uma autoridade que dá uma ordem ou decreta uma lei. As autoridades humanas, mesmo sendo instituídas por Deus, apenas têm autoridade para atingir o fim determinado por Deus, e não para dele se desviarem. Quando uma autoridade usa o seu poder em oposição à lei pela qual esse poder lhe foi dado, não tem direito à obediência, e devemos desobedecer-lhe.

Essa necessidade de desobediência é aceita em relação ao pai de família que encoraja a filha a prostituir-se, ou em relação à autoridade civil que obriga os médicos a provocarem abortos e a matarem inocentes. Porém, a autoridade do Papa é aceita a qualquer preço, como se o Papa fosse infalível no seu governo e em todas as suas palavras. É desconhecer a história e ignorar o que é, na realidade, a infalibilidade.

Já São Paulo teve que dizer a São Pedro que ele "não andava direito segundo a verdade do Evangelho" (Gal. II,14). E o mesmo São Paulo encorajou os fiéis a não lhe obedecerem se lhe acontecesse pregar um Evangelho diferente daquele que lhes tinha ensinado anteriormente (Gal. I,8).

São Tomás, quando fala da correção fraterna, alude à resistência de São Paulo face a São Pedro e comenta-a assim: "Resistir na cara e em público ultrapassa a medida da correção fraterna. São Paulo não o teria feito em relação a São Pedro se não fosse de algum modo o seu igual (...). No entanto, é preciso saber que, caso se tratasse de um perigo para a Fé, os superiores deveriam ser repreendidos pelos inferiores, mesmo publicamente. Isso ressalta da maneira e da razão de agir de São Paulo em relação a São Pedro, de quem era súdito, de tal forma, diz a glosa de Santo Agostinho, que 'o próprio Chefe da Igreja mostrou aos superiores que, se por acaso lhes acontecesse abandonarem o reto caminho, aceitassem ser corrigidos pelos seus inferiores’" (S. Tomás., Sum. Theol. IIa-IIae, q. 33, art. 4, ad 2m).

O caso evocado por São Tomás não é ilusório pois aconteceu, por exemplo, em relação a João XXII. Esta Papa julgou poder afirmar que as almas dos eleitos só gozariam a visão beatífica depois do Juízo Final. Emitiu essa opinião pessoal em 1331, e, em 1332, pregou uma opinião semelhante sobre o castigo dos condenados. Queria impor essa opinião à Igreja por um decreto solene.

Mas as vivíssimas reações dos Dominicanos – principalmente os de Paris – e dos Franciscanos fizeram com que renunciasse a essa opinião em favor da tese tradicional, definida pelo seu sucessor Bento XII em 1336.

E eis o que diz o Papa Leão XIII na sua encíclica Libertas praestantissimum[1], de 20 de junho de 1888: "Suponhamos, pois, uma prescrição de um poder qualquer que estivesse em desacordo com os princípios da reta razão e com os interesses do bem público” (e, com mais razão ainda, com os princípios da Fé): “ela não teria nenhuma força de lei...". E, um pouco adiante: "Quando faltar o direito de mandar, ou quando a ordem for contrária à razão, à lei eterna, à autoridade de Deus, então é legítimo desobedecer – queremos dizer: aos homens – para obedecer a Deus." 

Ora a nossa desobediência é provocada pela necessidade de conservar a Fé Católica. As ordens que nos foram dadas exprimem claramente que o foram para nos obrigar à submissão sem reservas ao Concílio Vaticano II, às reformas pós-conciliares e às prescrições da Santa Sé, ou seja, a orientações e a atos que minam a nossa Fé e destroem a Igreja, e a isso é impossível aderirmos.

Colaborar na destruição da Igreja é atraiçoar a Igreja e Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ora, todos os teólogos dignos desse nome ensinam que, se o Papa pelos seus atos destrói a Igreja, não lhe podemos obedecer e deve ser repreendido, respeitosa mas publicamente. (Vitoria, Obras..., pp. 486-487; Suarez, De fide, disp. X, sec.VI, no. 16; São Roberto Bellarmino, De Rom. Pont., lib. II, c. 29; Cornelius a Lapide, Ad. Gal. 2, 11; etc.).

Os princípios da obediência à autoridade do Papa são os mesmos que os que ordenam as relações entre uma autoridade delegada e os seus súditos. Eles só não se aplicam à autoridade divina, que é sempre infalível e indefectível e, portanto, não supõe qualquer falha.

Na medida em que Deus comunicou a sua autoridade ao Papa, e na medida em que o Papa entende usar essa infalibilidade – cujo exercício implica em condições bem determinadas – não pode haver falha.

Mas fora desses casos, a autoridade do Papa é falível, e, por isso, os critérios que obrigam a desobediência aplicam-se aos seus atos. Não é, pois, inconcebível que haja um dever de desobediência em relação ao Papa.

A autoridade que lhe foi conferida foi-lhe conferida para fins determinados e, em definitivo, para glória da Santíssima Trindade, de Nosso Senhor Jesus Cristo, e para salvação das almas.

Tudo o que for realizado pelo Papa em oposição a esse fim não terá qualquer valor legal, nem qualquer direito à obediência e, mais ainda, obriga à desobediência para permanecer na obediência a Deus e na fidelidade à Igreja.

É o que acontece relativamente a tudo o que os últimos Papas ordenaram em nome da liberdade religiosa e do ecumenismo, desde o Concílio: todas as reformas feitas a esse respeito são desprovidas de qualquer direito e de qualquer obrigação. Os Papas usaram da sua autoridade contrariamente ao fim para o qual essa autoridade lhes foi dada. Têm, pois, direito à nossa desobediência.

A Fraternidade S. Pio X e a sua história manifestam publicamente essa necessidade de desobediência para permanecermos fiéis a Deus e à Igreja. Os anos 74-75-76 trazem à memória essa incrível disputa entre Ecône e o Vaticano, entre o Papa e eu próprio.

O resultado foi a condenação, a suspensão “a divinis”, nula de pleno direito, pois o Papa abusou tiranicamente da sua autoridade para defender suas leis contrárias ao bem da Igreja e ao bem das almas.

Esses acontecimentos são uma aplicação histórica dos princípios do dever de desobediência.

Foram motivo de afastamento de certo número de padres amigos e de alguns membros da Fraternidade que, assustados por essa condenação, não compreenderam o dever de desobediência em determinadas circunstâncias.

Ora, doze anos se passaram; oficialmente, a condenação mantém-se; as relações com o Papa são tensas, tanto mais que as consequências do ecumenismo se aproximam da apostasia, o que nos obrigou a reações veementes.

No entanto, o anúncio de uma consagração episcopal feita em 29 de junho de 1987 alvoroçou Roma, que, finalmente, decidiu aceder ao nosso pedido de uma visita apostólica e enviou, em 11 de novembro, o Cardeal Gagnon[2] e Mons. Perl[3].

Tanto quanto nos foi dado saber pelos discursos e comentários dos visitadores, o seu julgamento foi dos mais favoráveis, e o Cardeal não hesitou em assistir à Missa Pontifical de 8 de dezembro, celebrada pelo prelado suspenso “a divinis”.

Que concluir de tudo isto, a não ser que a nossa desobediência dá bons frutos, frutos reconhecidos pelos enviados da autoridade à qual desobedecemos?

E eis-nos perante novas decisões a tomar. Estamos mais do que nunca animados a dar à Fraternidade os meios de que precisa para continuar a sua obra essencial: a formação de verdadeiros padres da Santa Igreja Católica Romana, isto é, dotar-me de sucessores no Episcopado.

Roma compreende esta necessidade, mas aceitará o Papa que os bispos sejam oriundos da Tradição? Para nós não pode ser de outro modo. Qualquer outra solução seria sinal de que nos querem alinhar à Revolução Conciliar, e, nesse caso, o nosso dever de desobediência surge imediatamente.

As conversações estão em curso, e em breve conheceremos as verdadeiras intenções de Roma. Elas decidirão o futuro. Temos de continuar a rezar e a velar. Que o Espírito Santo nos guie por intercessão de Nossa Senhora de Fátima!

Ecône, 29 de março de 1988
+ Marcel Lefebvre

Fontes: Permanência e FSSPX/Brasil.

Nota da Permanência ao publicar a declaração.
Dentro do trabalho de defesa da fé que empreendemos há cinco anos aqui no site da Capela faltavam algumas explicações sobre a delicada questão da obediência ao Papa. Iniciamos hoje com algumas explicações de Dom Lefebvre num texto que tem um valor histórico extraordinário. Ele foi escrito dois meses antes da assinatura do famoso protocolo de intenções, entre o Vaticano e Dom Marcel Lefebvre, de 5 de maio de 1988 (cf. Tradição versus Vaticano, ed. Permanência, 2001). Como sempre costumamos fazer, daremos ênfase às explicações doutrinárias, aos fundamentos claros e objetivos tirados da fé católica, da prática bi-milenar da Igreja, mais do que a questões de opinião pessoal. Que nossos críticos saibam responder com argumentação tão criteriosa quanto a nossa.



[1] Noda do blog: Libertas Praestantissimum, vide aqui.
[2] Nota do blog: Édouard Gagnon (1918-2007) foi um cardeal canadense, presidente do Pontifício Conselho para a Família (1983-1990). Tornou-se cardeal em 1985, por João Paulo II.
[3] Nota do blog: Camille Perl (1938) é um prelado beneditino luxemburguês que esteve – de 2008 a 2009 – na vice-presidência da Ecclesia Dei. De sensibilidade tradicional, trabalhou para o Cardeal Paul Augustin Mayer na Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Ele assumiu o “caso da FSSPX”, em 1988, com os Cardeais e Antonio Innocenti e Angelo Felici. Ele trabalhou na preparação de documentos relacionados com a liberalização do rito tridentino, do Summorum Pontificum, com o Cardeal Castrillon Hoyos. Após a união da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei à Congregação para a Doutrina da Fé, pelo Motu Proprio "Ecclesiae unitatem", 02 de julho de 2009, o seu compromisso com dita comissão terminou. Wikipédia.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Deixe o boi e o burro em paz, Sua Santidade!

A última polêmica vaticana: Não há boi nem burro! 

Por Giulia d'Amore 

Natividade (detalhe) - Frá Angélico
Recentemente, foram divulgados trechos do novo livro[1] do Papa, dos quais se destacou o fato de que a presença de animais no Presépio não consta das Escrituras, o que me leva a crer que Sua Santidade segue a teologia da Sola Scriptura, tendo em vista que, mais uma vez, faz questão de ignorar tanto a Tradição da Igreja quando a tradição popular que, humilde e alegremente, vem transmitindo, há séculos, o costume de enfeitar o presépio com um boi e um asno, assim como fez São Francisco de Assis, o "idealizador" dessa encenação natalina que é uma verdadeira catequese. 

Natividade - Frá Angélico
Além disso, há toda uma tradição artística que está sacramentada em inúmeras obras, das mais famosas às mais anônimas, que pelos séculos afora, desde Belém, vêm retratando este dois fieis escudeiros do Santo Menino.Há, sim, uma profusão de anjos, há a Estrela de Belém, há os (nobres) Rei Magos e os (pobres) pastores com suas ovelhas (que também são animais), mas há também e sobretudo o burro e o boi, sempre próximos ao seu Senhor! 

Em uma breve e rápida pesquisa, colhi estes excertos que podem nos ajudar a compreender porque Bento XVI errou.

“Um burro e um boi: Os animais representam a simplicidade do local onde Jesus nasceu. ‘Jesus não nasceu em palácios, nem em lugares luxuosos, mas sim no meio dos animais’.” (Wikipédia. As figuras do presépio.) O texto entre aspas está em referências.

PADRE HEWKO: A semente de mostarda

Aguardei por uma tradução e como, apesar da boa vontade de alguns, apenas encontrei traduções na base do Google Translator e muitos erros no texto, eis-me aqui, em pleno domingo, me encarregando de mais esta tarefa. GdA.


Sermão do Padre Hewko, no dia 18 de Novembro de 2012.


Hoje é o 25° Domingo depois do Pentecostes. A Epístola foi retirada da Missa do 6° Domingo depois da Epifania, da carta de São Paulo para os Tessalonicenses, Capítulo 1:

Irmãos, não cessamos de dar graças a Deus por todos vós, e de lembrar-vos em nossas orações. Com efeito, diante de Deus, nosso Pai, pensamos continuamente nas obras da vossa fé, nos sacrifícios da vossa caridade e na firmeza da vossa esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, sob o olhar de Deus, nosso Pai. Sabemos, irmãos amados de Deus, que sois eleitos. O nosso Evangelho vos foi pregado não somente por palavra, mas também com poder, com o Espírito Santo e com plena convicção. Sabeis o que temos sido entre vós para a vossa salvação.

E vós vos fizestes imitadores nossos e do Senhor, ao receberdes a palavra, apesar das muitas tribulações, com a alegria do Espírito Santo. De sorte que vos tornastes modelo para todos os fiéis da Macedônia e da Acaia. Em verdade, partindo de vós, não só ressoou a palavra do Senhor pela Macedônia e Acaia, mas também se propagou a fama de vossa fé em Deus por toda parte, de maneira que não temos necessidade de dizer coisa alguma. De fato, a nosso respeito, conta-se por toda parte qual foi o acolhimento que da vossa parte tivemos, e como abandonastes os ídolos e vos convertestes a Deus, para servirdes ao Deus vivo e verdadeiro, e aguardardes dos céus seu Filho que Deus ressuscitou dos mortos, Jesus, que nos livrou da ira vindoura”.

O Santo Evangelho, retirado de São Mateus, Capítulo 13:

Naquele tempo, Jesus falou à multidão esta parábola: O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. É esta a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, torna-se um arbusto maior que todas as hortaliças, de sorte que as aves do céu vêm aninhar-se em seus ramos. Disse-lhes, por fim, esta outra parábola: o Reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou e misturou em três medidas de farinha, até ficar tudo fermentado. Tudo isto disse Jesus à multidão em forma de parábola. De outro modo não lhe falava, para que se cumprisse a profecia: abrirei a minha boca para ensinar em parábolas; revelarei coisas ocultas desde a fundação do mundo”.

Portanto, essas são as palavras do Santo Evangelho.

Depois da missa, haverá um banquete, todos são bem vindos.

Meu nome é Padre David Hewko. Estive nos últimos sete anos em Siracusa, na Academia e Paroquia da Bem-aventurada Virgem Maria[1]. Conta com cerca de 700 ou 400 almas. É uma escola que está crescendo. Agora estou em Kentucky, com os sacerdotes que estão resistindo ao liberalismo que invade a Fraternidade São Pio X, o qual é um acontecimento muito triste, esta crise de nossa querida Fraternidade. Assim, isto me trouxe aqui, para ajudar esses sacerdotes, colocando-nos nas mãos de Nossa Senhora, para que ou a Fraternidade faça um giro de 180º e continue com os princípios e a luta de Monsenhor Lefebvre e os grandes Papas pré-conciliares, ou, se é a vontade de Deus, começamos de novo, mantendo os princípios de nosso Santo Fundador. Rezem por isso, rezem pelos sacerdotes, por todos os sacerdotes, e para que o Papa consagre a Rússia. Essa é verdadeira solução. Porém, se o Papa ignora Nossa Senhora, não podemos fazer outra coisa que rezar por ele.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém.

Nosso Senhor compara a Igreja com a semente de mostarda, esta semente é a Fé Católica, que é implantada em nossas almas quando somos batizados. Quero leva-los a um grande acontecimento da história, muito similar aos nossos tempos, e foi quando a Espanha, no final do século VII, foi totalmente invadida pelos mulçumanos que vieram da África do Norte. Eles invadiram muito rapidamente vilas, cidades, arrancando os sinos das igrejas, destruindo os crucifixos, e assassinando muitíssimas mulheres, crianças, sacerdotes e homens. Essa invasão se espalhou muito rapidamente e, no início do século VIII, a Espanha era basicamente mulçumana. Somente nas regiões do norte, nas montanhas, nas montanhas de Astúrias, restaram uns poucos católicos liderados por Pelágio[2], que foi um amigo e discípulo de um grande santo monge que viveu nessas montanhas, numa caverna. Hoje em dia essa caverna é conhecida como Covadonga, é uma caverna magnífica; na realidade, há um mosteiro que foi construído por ali. Estive lá com alguns sacerdotes, e nos rezamos a Missa no altar em que Santo Antônio Maria Claret rezou uma Missa nessa mesma caverna. Pelágio foi um grande general que resistiu (ele foi enterrado lá) e está nas montanhas. Debaixo da caverna, há uma enorme cachoeira, na qual tenho certeza que os soldados tiveram bons momentos, mergulhando e nadando durante sua estadia lá. Então, esse santo monge viu a Virgem Maria. A Virgem lhe disse que Sua proteção estava sobre eles e que com Sua ajuda venceriam muitas batalhas. E, por isso, lá se venera a Virgem de Covadonga, com a magnífica estátua de Nossa Senhora vestida com belos trajes.

Então, Pelágio juntou todos; uns dizem que era um pequeno grupo de soldados, outros acham que eram mais de mil, outros ainda que eram cerca de trezentos. Mas qualquer que fosse o número, não era muito grande. E os mulçumanos estavam ameaçando vir e invadir. Pelágio recebeu a visita do Bispo Opas[3]. Opas foi um perfeito “Bispo do Vaticano II”. Ele chegou e disse ao general Pelágio, gritou a Pelágio, na entrada da caverna, ele disse “Pelágio”, ele gritou seu nome “Pelágio!”. Pelágio conhecia esse bispo e disse: “Sim, Bispo Opas, o que o senhor quer?”. E o Bispo Opas disse: “Veja, o País todo é muçulmano, toda a cidade se rendeu, salve sua vida, salve seus soldados e apenas faça um tratado de paz com esses mulçumanos e tudo ficará bem”.

Pelágio respondeu com essas palavras: “E o senhor tentará nos convencer, com suas vergonhosas palavras, de abandonar nossa posição e aproveitar de vários benefícios junto com os mulçumanos? Toda a Espanha deve ser Católica. Nós nunca iremos aceitar uma Espanha pagã ou um compromisso com os infiéis. Como o senhor pôde ser tão audacioso a ponto de pensar que nós poderíamos confiar no senhor quando o senhor já traiu o estandarte Católico, a causa Católica?”.

Bispo Opas, o conciliador, disse a Pelágio, ele disse: “Não se preocupe, a luta é inútil. Você poderá se dar muito bem, baixe suas armas. Como você espera ganhar com um punhado [de soldados] contra 60.000 soldados mulçumanos treinados? Você vai perder, Pelágio”.

Pelágio, então, se referiu ao Evangelho da missa de hoje. Ele disse: “O senhor não leu nas Escrituras que a Igreja do Senhor é como uma semente de mostarda, a qual tão pequena como é cresce mais do que qualquer outra pela graça da misericórdia de Deus?”

O Bispo Opa lhe respondeu: “Mas você deve imitar aqueles que se submeteram e escaparam da escravidão e morte. Você pode viver. Salve sua vida”.

Pelágio disse essas grandes palavras, as quais ainda ecoam daquela caverna hoje: “Nossa esperança está em Jesus Cristo. Dessa montanha virá a salvação da Espanha e dos Godos. A misericórdia de Cristo nos libertará dessa multidão. Vá para casa, Dom Opas e leve essa mensagem para o inimigo de Deus”.

O bispo retornou a sua cidade e disse: “Bem, eu não posso convencer esse fanático, rabugento, velho, doutrinário Pelágio, aquele monge e seus soldados”.

Isto ocorreu em Maio do ano de 722, e, de fato, os mulçumanos invadiram, e a Bendita Virgem Maria os ajudou. Ela fez com que uma chuva forte viesse dos céus, e os soldados mulçumanos não estavam acostumados a lutar nas montanhas, nem em matos, e especialmente sob chuvas torrenciais. Assim, as descrições da batalha[4] são de que os soldados de Pelágio correram com suas espadas, correram a pé, lançando-se sobre as colinas e montanhas, enquanto os mulçumanos em seus cavalos eram derrubados deles e eram abatidos, sendo levados para longe nas torrentes das chuvas. Desta maneira, Pelágio, após essa batalha, uma grande batalha de dois dias, e, através da Virgem Maria, teve a vitória. E ele foi coroado rei da Espanha[5]. Isto começou no ano de 722 e foi até 1492: setecentos anos da grande história da Reconquista, para tornar a Espanha Católica novamente. Nosso País ainda é jovem, e nossa luta é muito fresca.

Deste modo, podemos comparar isso ao nosso querido Arcebispo Lefebvre, o qual, quando viu, durante o Concílio Vaticano II, o sequestro da Santa Igreja Católica pelos inimigos de Jesus Cristo, sendo testemunha ocular de expressões dos bispos liberais, de seus sussurros, de suas risadas; quando o Cardeal Ottaviani tentava falar, eles desligaram seu microfone e ele chorava, suplicando os padres conciliares: “Não vão nessa direção; será a destruição da Fé”. E o Arcebispo Lefebvre viu esses ratos, essas hienas, somente causar estragos na Igreja. Mas como eles fizeram isso?

Não houve uma luta. Não houve derramamento de sangue na Basílica São Pedro. Isso foi feito com uma caneta astuta, pela astúcia de uma terminologia ambígua. E nós, Sacerdotes e Bispos da Fraternidade, nós todos temos sido advertidos, nós todos fomos formados por Santo Pio X e por nosso fundador Arcebispo Lefebvre, para nunca usar a linguagem do inimigo.

Nós sabemos, como os soldados da Marinha[6], que há certo padrão no inimigo, e você nunca deve imitá-lo.

Nós temos sido preparados e temos sidos avisados – não devemos jamais usar suas terminologias. E, ainda assim, temos visto recentemente termos ambíguos sendo usados. Vemos linguagens que podem ser interpretadas de duas maneiras diferentes, a “luz da tradição”, “o concílio é limitado”, e a “liberdade religiosa é limitada”, “o concílio não é tão ruim”. Eu não vou comentar todas essas citações, mas vocês podem procurá-las por vocês mesmos. É muito, muito alarmante para nós Católicos, porque a linguagem é muito importante para proteger a doutrina Católica. Nós temos que entender, queridos fiéis, que a luta é por causa da Fé. Não se trata de alguma troca legalista– é a Fé que está em jogo. O Arcebispo Lefebvre entendeu isso, e é por isso que ele, sozinho contra todos os bispos, mais de 2300 bispos, e Monsenhor de Castro Mayer com ele, mais tarde, se levantou e disse: “Nós não podemos cooperar na destruição da Santa Igreja Católica Romana”. E agradeço ao Bom Senhor pelo Arcebispo Lefebvre, que inspirou grande padres como o Padre Hannifin[7], que foi seu pastor aqui há muitos anos, e o Padre Snyder[8], que conhecia pessoalmente, e também por tantos padres em todo o mundo que mantiveram a Fé, e pelos fiéis que mantiveram a Fé, graças a Monsenhor Lefebvre.

Ele morreu em 1991, e nossa amada Fraternidade tem sido pilotada por Monsenhor Fellay. Mons. Fellay costumava falar muito claramente. Costumava nos dizer: “Nós não podemos nunca fazer um falso acordo com Roma. Isso seria nossa destruição”.

Ele advertiu Campos no ano de 2003: “Não façam um falso acordo com Roma. Isto será seu desastre. Isto será a destruição para você”.

Mons. Rifan[9] caiu, ele assinou o compromisso e agora eles têm a nova missa, agora eles aceitam o Vaticano II. Agora é uma bagunça. Isso é muito triste. E bons padres… Dr. White[10] nos disse que viu bons padres batalhando pela Fé. E, quando o acordo aconteceu, antes mesmo do acordo, isso foi preparado, os padres já estavam aceitando: “Nós temos que nos submeter a Roma, nós temos que nos unir a Roma”. Eles fizeram a destruição de sua Fé... Por quê? Por que eles esqueceram a grande distinção feita pelo nosso santo Fundador, o qual, por sinal, foi o maior teólogo nos últimos 150 anos. Mons. Lefebvre fez essa distinção muito simples, a qual não está mais sendo ouvida pela cúpula de nossa amada Fraternidade. E qual é essa distinção? Que Roma, agora, é modernista, Roma agora é a igreja Conciliar. É uma nova religião que nós nos recusamos a seguir porque queremos nos manter Católicos. Então, a Roma modernista, a igreja Conciliar, deve ser distinguida da Eterna Roma, a Igreja Católica de todos os tempos. E é por isso que não devemos nos preocupar, como Monsenhor disse: “Nós não estamos preocupados de ficarmos fora da Igreja. Nós não estamos fora da Igreja”. Você mantém a mesma Fé que nossos pais. Você mantém a mesma doutrina, os mesmos sacramentos, as mesmas devoções, e isso não pode mudar.

Mesmo que os Católicos, disse Santo Atanásio, fossem reduzidos a um punhado, eles continuariam a ser a Verdadeira Igreja de Jesus Cristo. E como a Virgem, em La Salette, nos advertiu que esses dias estarão próximos quando a Fé será encontrada somente em pequenos pontos em todo o mundo: casas rurais, famílias, pequenas missões, pequenas paróquias... E nós vemos, vemos como isso é possível agora. Vemos essa orientação completamente nova desde Julho deste ano, que nossos queridos líderes querem fazer esse acordo. Eles estão dizendo que isso não acontecerá agora, que não vai acontecer ainda, mas eles querem, e é isso que está errado. Nós não podemos desejar um acordo de paz com os inimigos de Jesus Cristo. Eles estão destruindo a Fé e levando milhões de almas para o Inferno por estarem nas mãos de bispos e padres, e, com muita, muita tristeza, pelo próprio Papa. O Santo Papa deve manter alta a luz da Fé Católica, mas o que ele fez em Assis há apenas um ano? Vocês sabem o que ele fez. Diante de todo o mundo, ele convidou um ateu, com todos esses budistas, muçulmanos, anglicanos, vocês o nomeiem, eles estavam todos lá. Vuduístas, satanistas. Um ateu que publicamente disse: “Eu quero agradecer o Papa Bento XVI por me convidar a Assis para representar os não-crentes”.

Como pôde o Papa, se ele tem a Fé Católica e conhece o Primeiro Mandamento, vocês, meninos que servem a Missa, vocês, garotos e crianças lá fora, qual é o Primeiro Mandamento? Vocês sabem – ‘Há um só Deus, e não terás outros deuses além de mim’. E quando nós vemos o próprio Papa, com seus colegas Cardinais e Bispos, permanecendo em silêncio e pisoteando a Deus Todo Poderoso, ao Primeiro Mandamento, todo o mundo Católico deveria reagir contra isso, especialmente a Fraternidade São Pio X! Mas houve uma reação débil, que diz que há algo seriamente errado lá em cima.

Eu farejo a Maçonaria. Deus sabe.

Eles estão dizendo que Bento XVI está mudando. Eles estão dizendo que as coisas em Roma estão diferentes de como eram em 1988. Eles estão dizendo que não podemos fazer do Vaticano II uma super-heresia. Portanto, temos que fazer três perguntas:

Em primeiro lugar, porque a Fraternidade São Pio X foi fundada? Porque ela existe?

Segunda pergunta: qual é a diferença entre Roma e a Fraternidade São Pio X, e porque houve a chamada separação que agora tem 42 anos?

Terceira pergunta: Roma realmente mudou?

Resposta à primeira pergunta.

Primeiramente, porque existe a Fraternidade São Pio X? Porque existimos? É para proteger, conservar essa semente de mostarda em nossas almas, para que você possa salvar sua alma e não ir para o Inferno. E qual é o primeiro ataque do Vaticano II? É um ataque nas bases, a própria Fé é atacada. Não se trata apenas de modificar as vestes e mudar o rumo da Missa para voltar-se para as pessoas. Embora isso seja ruim o bastante. Mas é a Fé, Jesus Cristo, Sua Divindade, Sua Realeza, toda a Fé está sendo atacada. E é por isso que Mons. Lefebvre disse que nós não podemos nos juntar a isso, e vocês podem, digo, lhes suplico, não basta ler a grande Declaração de 1974. Não basta lê-la, rezem-na. Meditem-na. Tenham-na no sangue. Porque ela é nossa defesa. É nossa declaração de guerra contra os inimigos de Cristo. Eu citarei um pouco dela abusando de paciência:

Nós aderimos de todo o coração e com toda a nossa alma à Roma católica, guardiã da fé católica e das tradições necessárias para a manutenção dessa fé, à Roma eterna, mestra de sabedoria e de verdade.

“Pelo contrário, negamo-nos e sempre nos temos negado a seguir a Roma” (aqui está a distinção) “de tendência neomodernista e neoprotestante que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II, e depois do Concílio em todas as reformas que dele surgiram[11].

E ele segue descrevendo essas reformas enraizadas na filosofia moderna, no liberalismo condenado há muitos anos por São Pio X e Pio IX. E ele prossegue dizendo: “Nenhuma autoridade”, porque naquela época se dizia aos sacerdotes e aos fiéis “você deve obedecer”, e os pastores mais obedientes a seus bispos diziam aos fiéis: “Eu não gosto dessa nova missa, eu não gosto dela, mas eu tenho que obedecer”. E eles obedeciam, e pela obediência eles destruíram muitas almas, e muitos Católicos perderam sua Fé, por falsa obediência. Quantas freiras, quantos padres, porque eles foram obedientes, perderam sua Fé, mudaram seus costumes, jogaram fora seus rosários e crucifixos e juntaram-se ao mundo?

Nenhuma autoridade, nem mesmo a mais alta na Hierarquia, pode nos forçar a abandonar ou diminuir nossa Fé Católica, tão claramente expressada e professada pelo Magistério da Igreja por dezenove séculos”.

E citando o grande São Paulo: “Se ocorresse que eu mesmo ou um anjo do céu vos ensinasse outra coisa distinta do que eu vos ensinei, seja anátema[12].

Que ele seja condenado. Se um sacerdote, um bispo, ou até mesmo o Papa, prega uma doutrina diferente da tradição Católica, não deem ouvido a ele. Mantenham a Fé e se oponham. E se forem chamados de desobedientes, rebeldes e inconformados: “Benditos sejais vós”. Diz Nosso Senhor: “quando vos injuriarem por causa de Mim”[13]. Vocês, pais, que querem educar seus filhos e manter a Fé, e vocês, boas mães, devemos lutar. Nós não temos escolha. Deus nos colocou agora, nesses dias, e é por isso que esses sacerdotes, esses poucos sacerdotes, cerca de trinta ou mais, em todo o mundo na Fraternidade São Pio X estão resistindo, estão se manifestando, porque vemos essa terrível calamidade na Fraternidade. A Fraternidade São Pio X é o ultimo bastião da Fé. É a ultima estrutura que se mantém de pé. É a ultima coluna de soldados lutando e se ela desmoronar, veremos fogos do Céu muito em breve.

Cito novamente o Arcebispo, a Declaração de 1974:

Não é isto o que nos repete hoje o Santo Padre? E se se manifesta uma certa contradição nas suas palavras e nos seus atos, assim como nos atos dos dicastérios, então elegeremos o que sempre foi ensinado e seremos surdos ante as novidades destruidoras da Igreja”.

E continua, e ele diz, bem no meio, o que devemos fazer, o que nosso querido Dom Fellay deveria estar pregando em todo lugar que ele visita; ele deve estar repetindo essas palavras repetidamente. Aqui estão elas:

“A única atitude de fidelidade à Igreja e à doutrina católica, para bem da nossa salvação, é uma negativa categórica à aceitação da Reforma”.

E isso significa também que, qualquer acordo de palavras ambíguas, nos levará a fazer um acordo para nos submeter a esses destruidores da Fé. Mons. Fellay costumava falar fortemente. Talvez não tenhamos santificado nossas almas o bastante, talvez não tenhamos feito penitências o suficiente para evitar que isso acontecesse a nossos líderes. Então, porque a FSSPX? A Fé em primeiro lugar. Depois o sacerdócio, então a salvação da verdadeira Missa, e em seguida a salvação de vossas almas.

Resposta à segunda pergunta.

Então, a segunda pergunta: qual a diferença entre Roma e a FSSPX que fez com que tivesse essa separação por 40 anos? Bem, está bem claro, o Arcebispo falou ao Cardeal Ratzinger, que agora é o Papa, em palavras bem claras. Ele não tentou usar uma linguagem ambígua para fazer Roma sorrir e pensar que pensamos como eles. Ele foi bem claro. Eis o que ele disse ao Cardeal:

Vocês estão trabalhando pela descristianização da sociedade”, estão trabalhando para destronar Cristo Rei e entronizar a pessoa humana na Igreja, “enquanto nós trabalhamos para a cristianização. E nós” – a Fraternidade São Pio X e os Católicos tradicionais em todo mundo – “estamos trabalhando pela cristianização. Não podemos nos entender. Roma perdeu a Fé, meus queridos amigos, Roma está na apostasia. Não estou falando palavras vazias, essa é a verdade[14].

E a prova da perda da Fé de Roma nos chega quase toda semana, este Papa visitou uma mesquita; em 2006, virado para a Meca, não fez o sinal da cruz, tirou os sapatos e virou para Meca, rezando com os mulçumanos. Um terrível escândalo, entrar em uma mesquita, ir a sinagogas, rezando com judeus, que recusam Jesus Cristo. Os judeus rejeitam Jesus Cristo. E nós não podemos rezar pelos judeus; nós devemos rezar para que os judeus se convertam a Jesus Cristo. Este Papa, com todos seus esforços em direção ao ecumenismo: Assis III, é claro! Que foi um desastre, pior do que Assis I e Assis II, porque ele aparece como o “Papa conservador” e engana a muitos. E muitos pensam, porque “liberou” a Missa Tridentina, que ele é conservador e que está fazendo gestos [positivos] para a Tradição. Isso não é verdade. Isso é muito sutil, muito sorrateiro. Ele expressou no início de seu pontificado – como John Vennari publicou em seu “Catholic Family News” esta citação em suas manchetes – que ele tem feito, com sucesso, comunidades tradicionais cair no Vaticano II. E eles estão trabalhando para nos causar a divisão, para causar dissensão, pela terminologia ambígua, levando os líderes em direção ao seu falso acordo. E Roma não quer a Fé neste momento. Ela não mudou. Roma não mudou. Em nome da liberdade religiosa, eles arrancaram de países católicos – da Colômbia, da Espanha, da Irlanda, de Filipinas (em 1992), da Itália (em 1984) – Jesus Cristo das constituições. E isso promovido pelo próprio Vaticano. E então, faz um ano em outubro, duas semanas após Assis, o Vaticano pediu por um único governo mundial, uma única autoridade mundial, um único sistema bancário mundial. Com o que isto se parece? Santo Pio X disse, há cem anos, que o Anticristo não está muito longe. E quando os homens da igreja se preparam para ele é muito assustador.

Resposta à terceira pergunta.

Então, a diferença é a Fé. Isso é o que nos separa da Roma modernista. Queremos manter a Fé Católica; eles querem destruí-la. E nada mudou. Roma mudou? Absolutamente não.

Este é Dom Fleichman, um beneditino no Brasil, um amigo de Dom Tomás de Aquino. Ele disse essas palavras: “Disse, em 1988, a Dom Gérard, o que repito hoje aos senhores: milhares de fiéis esperam ansiosos que o senhor, Dom Gerard” (o qual fez um compromisso e acordo com Roma em 1988 e eles aceitaram a nova missa cinco anos depois). “os confirmem na fé católica, no combate que nos é exigido pela Divina Providência, sem se deixar levar pelo cansaço, pela fraqueza, pelo canto da sereia da legalidade comprometida. O que Nosso Senhor exige é o martírio gota a gota e a límpida e clara profissão de fé católica, sem pacto com os modernistas do Vaticano.

O Papa, sim, a legalidade jurídica, sim. Porém, antes de tudo, responder ao nítido chamado de Deus para o combate pela Fé. No dia em que o Papa se converter de verdade, isso aparecerá mais claramente do que a luz do sol. Evidentemente, não é beijando o Alcorão e indo rezar numa mesquita que ele nos mostra essa conversão” [15].

E nós esperamos, nós rezamos, nós lutamos pela conversão de Roma. Isso não aconteceu. E está longe, muito longe disso, e é por isso que agora, queridos fiéis e sacerdotes da Fraternidade, devemos falar. E a Virgem Maria se queixou em Quito, ela nos alertou acerca desses dias:

E a luz do Sacrário se apagará quando a Fé esteja perdida nos mais altos postos da Igreja, e muitíssimas almas se perderão, e a virgindade e a pureza serão quase desconhecidas”, ela disse. Sacerdotes serão mundanos e não falarão contra os erros. Ela disse isso em três momentos durante as aparições: “Os sacerdotes não falarão quando deveriam fazê-lo”. E os Bispos.

Esta é nossa situação agora. Devemos falar contra o falso compromisso. Devemos falar por todos os Papas da Tradição. Nós, sacerdotes, somos obrigados por nosso Juramento Anti-Modernista[16] a falar, a apoiar a posição do nosso amado Fundador contra esse compromisso enganoso e os passos para alcançá-lo.

Já o silenciamento está ocorrendo. Poucos sermões são predicados contra o Vaticano II, contra o modernismo, contra o liberalismo. As ovelhas estão sendo invadidas pelos lobos. De quem será a culpa? Será dos sacerdotes que não se manifestaram.

E vocês, queridos fiéis, seu lugar não é pregar dos púlpitos, eu sei. Mas vocês, pais, ensinem em suas casas. Promovam a Fé, primeiro através de exemplos, através do amor e da estima por vossa querida esposa: não fale com ela, de cima para baixo, como a um tapete. Mantenham-na no alto, e vocês ensinarão a seus filhos como respeitar e como amar corretamente à mulher, a qual está sendo jogada na lama hoje em dia. O pai tem que dar esse exemplo. [ Falando às mulheres:] A boa mãe é você, promova a Fé em sua casa pela obediência amorosa, pelo seu ensino alegre da Fé nas menores coisas. João machuca o joelho, ensine-lhe o segredo para a santidade das crianças de Fátima: ofereça isso a Deus pelas almas. Tão simples. E ver tudo com os olhos da Fé. Faca da Missa o coração das nossas vidas, e ensine o Catecismo, porém não de uma forma aborrecida, mas de um jeito próprio para cada criança, adaptando-o para que elas o compreendam, absorvam e memorizem, e o levem em seu coração e seu sangue.

E assim, voltemo-nos para a Virgem Maria para oferecer-lhe o jardim de nossas almas, para ela eliminar os nossos pecados, para nos ajudar a desenraizá-los e, especialmente, para nos proteger contra as falsas ideias, as falsas ideias liberais. Por isso que vocês devem ler os escritos de Monsenhor Lefebvre. Leiam as encíclicas dos grandes Papas, para que a semente de mostarda cresça em nossas almas. Em suas almas devem crescer a virtude e a caridade de Deus. A Igreja, a Igreja Católica, reviverá de novo após o que quer que Deus desencadeie como castigo neste mundo perverso que zomba dEle. A Igreja reviverá. Esta pequena semente de mostarda que estão guardando e cuidando agora, florescerá de novo, e a Igreja Católica florescerá de novo com seus mártires, com seus santos, e com boas e santas mães, pais e filhos.

Mantenhamos o nosso Rosário todos os dias. Essa é nossa arma nesses dias.

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.
Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.

Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, amém.

Fonte: Non Possumus.
Tradução: Giulia d'Amore di Ugento.


[1] Blessed Virgin Mary Academy and parish.
[2] Pelágio (em baixo-latim Pelagius, galego e castelhano Pelayo) foi o fundador e rei do Reino das Astúrias (718-737). Após a ocupação da península Ibérica pelos muçulmanos, Dom Pelágio e outros nobres Visigodos foram presos (716) por ordem de Munuza, o wali (governador provincial muçulmano) das Astúrias, e enviados para a sede do reino em Córdoba. Pelágio conseguiu fugir, voltou para as Astúrias e refugiou-se nas montanhas de Cangas de Onís. Em 718, reuniu um grupo de seguidores e iniciou a resistência ao invasor islamita, inicialmente com pequenas escaramuças contra os destacamentos nas vilas. Em 722, o wali Ambasa enviou um grande contingente militar contra os resistentes cantábricos. Apesar do contingente numericamente muito inferior, Pelágio venceu nas montanhas de Covadonga. Ao final da batalha sobreviveram apenas 10 soldados. Esta batalha foi considerada, pela historiografia tradicional, como o ponto de partida da Reconquista cristã (também referenciada como Conquista cristã), que foi o movimento cristão que, no início do século VIII, visava à recuperação pelos Visigodos cristãos das terras perdidas para os muçulmanos, durante a invasão da península Ibérica. O wali Munuza, que era de etnia berbere muçulmana, organizou outra força para confrontar o exército rebelde. Próximo a Proaza, Pelágio venceu novamente, e Munuza morreu. Pelágio foi aclamado rei e fundou o Reino das Astúrias, embrião dos outros reinos cristãos ibéricos responsáveis pela reconquista da Península. Pelágio, então, instalou sua corte em Cangas de Onís. Segundo a Crónica Albeldense, casou-se com Gaudiosa, que lhe deu dois filhos: Fávila (Rei das Astúrias de 737 a 739) e Ermesinda, que viria a casar com Afonso I das Astúrias, filho de Pedro, Duque da Cantábria.
[3] Opas (ou Oppas) foi um Arcebispo de Sevilla, que morreu por volta de 710. Era meio irmão do Rei Witiza de Toledo (pai de Ágila II, de moralidade perversa, uma vez que promoveu costumes escandalosos, dissolveu concílios e fechou canônicas, viria a matar Fávila, Duque de Cantábria e pai de Pelágio). Com a morte de Witiza, o governador de Bética, Rodrigo (ou Roderico), subiu ao trono, o que o levou a defender os interesses do sobrinho Ágila II. Para tanto, pediu ajuda aos berberes muçulmanos de Magreb. Durante o desembarque do general Táriq ibn Ziyad em Gibraltar, marchou até o sul e se juntou ao exército de Dom Rodrigo. Durante a Batalha de Guadalete (711), a tropa que estava sob seu comando, ao sinal combinado, mudou de lado e atacou as tropas Godas cristãs, traindo seu próprio exército e o lado cristão. Assim, Opas, conseguiu de volta seu título de Arcebispo metropolitano, que manteve até sua morte. Segundo a lenda, serviu como um mediador antes da Batalha de Covadonga, em 722, com Don Pelayo, sem outra intenção que manter seus privilégios. Depois deste episódio, desaparece da história da Hispânia visigótica.
[4] A Batalha de Covadonga foi a primeira grande vitória das forças militares Cristãs na Hispânia a seguir à invasão árabe em 711. Uma década depois, provavelmente no verão de 722, a vitória de Covadonga assegurou a sobrevivência da soberania Cristã no Norte da Península Ibérica, e é considerada por muitos autores como o início da Reconquista. Tudo começou quando, sete anos após a invasão árabe na Hispânia, Pelágio das Astúrias, um nobre descendente dos monarcas visigodos, conseguiu expulsar um governador provincial, Munuza, do distrito das Astúrias, no noroeste da Península. Conseguiu segurar o território contra inúmeras investidas dos árabes para o recuperar, e depressa estabeleceu o Reino das Astúrias, que viria a se transformar na região cristã de soberania contra a expansão islâmica. Pelágio, embora incapaz de conter os muçulmanos em muitas situações, sobrevivia e dinamizava o movimento para a Reconquista. Munuza envia, então, o general Alqama acompanhado por Opas, irmão do antigo rei visigodo Witiza e Arcebispo de Sevilha, para negociar a rendição dos Asturianos. Após o fracasso das negociações, os muçulmanos, em maior número e melhor organizados, perseguem Pelágio e seus homens. Os asturianos levam lentamente os árabes ao coração das montanhas até atingirem Covadonga, num estreito vale de fácil defesa, quando apenas restavam 300 homens. No auge da batalha, Pelágio encabeça os seus homens e desce para o vale. Os invasores, incapazes de manobrarem naquele local, decidem retirar-se, mas um grupo de asturianos corta a saída. Presos no fundo do vale, Alqama e muitos de seus homens morrem no decorrer da luta. Os cronistas afirmam que, apesar da vitória asturiana, somente dez homens sobreviveram. No entanto, numerosos aldeões pegaram em armas e atacaram o resto das tropas árabes. Durante dois dias e duas noites, os árabes percorreram cerca de 50 km a pé em altitudes situadas entre os 1200 e 1500 metros, sofrendo diversas emboscadas durante o caminho. Munuza, tendo conhecimento da situação, enviou reforços para recolher os sobreviventes. Após essa batalha, os muçulmanos minimizaram o poder das forças asturianas sobreviventes, assim como o impacto dessa batalha. No entanto, o reino das Astúrias tornar-se-ia o berço de partida da Reconquista, e a própria batalha marca o seu início simbólico. Atribuindo a vitória à proteção de Maria, Pelágio manda construir em sua honra um santuário nas grutas batizadas Cova dominica, que viriam a se chamar Covadonga. Munuza, reconhecendo a derrota, organizou outra força e reuniu os sobreviventes de Covadonga. Mais tarde, iria confrontar Pelágio e o seu exército, agora aumentado, perto de Proaza. Novamente Pelágio vence, e Munuza morre na batalha.
[5] Na verdade, foi o primeiro Rei das Astúrias.
[6] “Navy Seals soldiers”. Os Navy Seals são a principal força de operações especiais da Marinha dos Estados Unidos e parte do Comando Naval de Operações Especiais (NSWC) como também um componente marítimo do Comando de Operações Especiais (USSOCOM). A sigla da unidade é derivada de sua capacidade em operar no mar (sea), no ar (air) e em terra (land).
[7] Padre Francis M. Hannifin. Nascido em Hartford, EUA, foi ordenado sacerdote para a Arquidiocese de Louisville, em 24 de fevereiro de 1945, e aposentou-se como o pastor da Igreja de São Miguel, em Fairfield nas proximidades, em 1973, devido à liberalização da arquidiocese. Tendo comemorou seu jubileu de ouro sacerdotal em 1995, foi para a sua recompensa eterna no domingo, 14 de janeiro, 2001, atendido por seus próprios filhos espirituais, Padres Timóteo e José Pfeiffer. Regina Coeli Report. Revista do Distrito Norte-Americano. Fevereiro 2010.
[8] Padre Urban Snyder. Dom Williamson dedicou-lhe uma Carta do Reitor, por ocasião de sua morte, em 25 de janeiro de 1995, aos 82 anos de idade.
[9] Dom Fernando Arêas Rifan é um bispo brasileiro, atual ordinário da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, Bispo titular de Cedamusa. Foi ordenado sacerdote em 8 de dezembro de 1974, e juntou-se à União Sacerdotal São João Maria Vianney, fundada por D. António de Castro Mayer quando da saída da diocese em 28 de Agosto de 1981. Em 1991, Castro Mayer morre e sucede-lhe Licínio Rangel, que foi ordenado bispo por 3 dos 4 bispos consagrados a 30 de Junho de 1988 por Monsenhor Marcel Lefebvre. Quando da peregrinação conjunta a Roma, da USSJMV e da FSSPXX, em 2000, por ocasião do Jubileu, iniciaram-se contatos com a Santa Sé para a resolução do problema. A 18 de Janeiro de 2002 foi criada a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney. D. Licínio Rangel, devido a problemas de saúde, pede ao Papa João Paulo II que nomeie um bispo auxiliar, que lhe sucederia como Administrador Apostólico. O padre Rifan, que era Vigário-Geral da recém-criada instituição, é nomeado bispo titular de Cedamusa e coadjutor do Administrador Apostólico Licínio Rangel. A ordenação episcopal foi a 18 de Agosto de 2002, com o Cardeal Castrillón Hoyos como consagrante principal, assistido por D. Licínio e pelo Arcebispo Alano Maria Pena, de Niterói. Dom Licínio Rangel morreu a 16 de Dezembro de 2002 e D. Fernando sucedeu-lhe automaticamente como Administrador Apostólico.
[10] Dr. David Allen White. Ele escreveu “An Open Letter to the priests of the Campos diocese“.
[12] (Gal. 1, 8).
[13] “Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim” (Mateus, 5,11).
[14] Retiro sacerdotal dado em Ecône em 01/09/1987. Fideliter 66, 1988. Vide trecho aqui.
[15] Dom Lourenço Fleichman, OSB. Carta Aberta aos Padres de Campos. Niterói, 30 de outubro de 2001. Em Inglês: Open Letter to the Priests of Campos. Aqui, Pe. Hewko se confunde, ao dizer que Dom Lourenço é amigo de Dom Tomás de Aquino.
[16] Juramento Anti-Modernista, vide aqui

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ABORTO - O GRITO SILENCIOSO

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