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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

14 de novembro: Santo Estanislau Kostka

14 de novembro


Santo Estanislau Kostka

 

Romae sancti Stanislai Kostka; Poloni, novitii e Societate Jesu et Confessoris;qui, consummatus in brevi, per angelicam vitae innocentiam explevit tempora multa (Martyrologio Romano, 1856, Agosto, pag. 18.) 


”Ajoelha-te, ajoelha-te; vê que Santa Bárbara, acompanhada de dois Anjos, traz-me a Comunhão”, exclamou Estanislau moribundo no leito, dirigindo-se a seu preceptor, quando estudante no colégio jesuíta de Viena.

E o preceptor completa sua narração com as seguintes palavras: “E levantando-se, pôs-se de joelhos na cama. Depois disse três vezes: ‘Senhor, eu não sou digno…’ Abriu a boca… e estendeu a língua com profundíssima humildade”.(1) Mas não foi ainda desta vez que Estanislau morreria.  

Esse episódio é emblemático da vida inteiramente excepcional deste Santo, cuja festa comemora-se a 13 de novembro, dia em que seu corpo foi exumado e encontrado sem nenhuma forma de corrupção.  


Das mais nobres famílias da Polônia  

Estanislau nasceu em 1550 no castelo de Rostkow, de uma família das mais nobres da Polônia, que se “distinguia pela invariável fidelidade à antiga fé católica, diante das tempestades luteranas e renascentistas”.(2) Seus pais foram João Kostka, Senador do Reino, e Margarida Kriska, de estirpe não menos ilustre que o marido.  

Estanislau foi dessas almas que parecem ter, desde o berço, correspondido a todas as graças especialíssimas com que Deus as cumula, percorrendo em pouco tempo, na santidade, uma carreira que muitos levam a vida inteira para atingir.  

De uma pureza extrema, qualquer palavra mais livre fazia o menino enrubescer e até mesmo perder os sentidos. Quão diferente da perversão infantil que grassa em nossos dias! “Falemos doutra coisa, costumava dizer o velho pai, senão o nosso Estanislauzinho levantará os olhos ao céu, para dar em seguida com a cabeça no chão”.(3) A par dessa extrema delicadeza de consciência, o menino foi, desde cedo, também modelo de sabedoria e honestidade.  

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Sermão sobre o Santo Estanislau Kostka

Sermão do Beato Estanislau Kostka, de Padre Antônio Vieira





Da Companhia de Jesus,
Pregado na língua italiana, em Roma, na Igreja de Santo André do Monte Cavallo, Noviciado da mesma Companhia.
Ano de 1674.

Beatus venter qui te portavit. [1]

§1

Louvar o filho pela mãe, ou engrandecer a mãe pelo filho, invento não vulgar de uma eloqüência do vulgo. A tríplice geração de Cristo e a tríplice geração de Estanislau. Assunto do sermão: um filho bem-aventurado, beatificado em três mães, e três mães bem-aventuradas e beatificadas em um filho.

Louvar o filho pela mãe, ou engrandecer a mãe pelo filho, invento foi não vulgar de uma eloqüência do vulgo. Assim disse quem não tinha aprendido a bem falar na língua própria, e assim o farei eu na estranha. Hei de falar de um beato, e não posso deixar de beatificar o ventre de que nasceu: Beatus venter qui te portavit (Lc. 11, 27). - Esta é a obrigação de louvar o filho, e esta a necessidade de não poder louvar juntamente a mãe. Mas qual mãe? O filho é Estanislau; e, quando eu ponho os olhos neste bendito filho, vejo uma, duas, e três mães, cada uma das quais o quer por seu. Não basta aqui a espada de Salomão, porque são mais de duas as que litigam.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Tratado do amor de Deus por São Francisco de Sales

Da languidez amorosa do coração ferido de dileção

É coisa bastante conhecida que o amor humano tem a força não somente de ferir o coração, mas de tornar o corpo doente até à morte, de vez que, assim como a paixão e temperamento do corpo tem muito poder para inclinar a alma e puxá-la atrás de si, assim também os afetos da alma têm uma grande força para revolver os humores e mudar as qualidades do corpo.

Mas, além disso, quando o amor é veemente, leva tão imperiosamente a alma à coisa amada, e ocupa-a tão fortemente, que ela falta a todas as suas outras operações, tanto sensitivas quanto intelectuais, de tal sorte que, para nutrir esse amor e secundá-lo, parece que a alma abandona qualquer outro cuidado, qualquer outro exercício, e ainda a si mesma. Donde haver Platão dito que o amor era pobre, roto, nu, descalço, franzino, sem casa, deitando-se fora no chão das portas, sempre indigente. É pobre, porque faz deixar tudo pela coisa amada; é sem casa porque faz sair a alma do seu domicílio para seguir sempre aquele que é amado; é franzino, pálido, magro e desfeito, porque faz perder o sono, o beber e o comer; é nu e descalço porque faz deixar todos os outros afetos para tomar o da coisa amada; deita-se ao de fora no chão, porque faz ficar a descoberto o coração que ama, fazendo-o manifestar suas paixões por suspiros, queixas, louvores, suspeitas, ciúmes; fica todo estendido como um mendigo às portas, porque faz com que o amante esteja perpetuamente atento aos olhos e a boca da pessoa a quem ama, e sempre preso aos seus ouvidos para lhe falar e mendigar favores, dos quais nunca é saciado: ora, os olhos, os ouvidos e a boca são as portas da alma. E enfim é sua vida o ser sempre indigente; pois, se uma vez ele é saciado, já não é ardente, e, por conseguinte já não é amor.

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