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domingo, 20 de agosto de 2023

Como confessar. De São Francisco de Sales

Exemplo de como confessar um pecado





(Na confissão) "Não deixe de acrescentar o que é necessário para fazer bem compreender o tipo de pecado, como o motivo que o(a) fez ficar com raiva ou o(a) fez aceitar o vício de alguém.  

Por exemplo, se um homem de quem não gosto me provoca com algumas palavras levianas, por brincadeira, eu levo mal e fico com raiva: coisa que se a tivesse feito outra pessoa de quem gosto teria aceitado mais tranquilamente, mesmo que esta tivesse exagerado na brincadeira. Esclarecerei, portanto, com clareza ao confessor: deixei-me levar pela raiva contra uma pessoa porque levei a mal o que ela me disse, não pelas palavras em si, mas porque não gosto de quem as disse".

São Francisco de Sales.

Tradução: Giulia d'Amore para o blog Pale Ideas. 

       

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Não julgai!


Não julgai! 


“Uma vez que a bondade de Deus é tão grande que basta um momento para pedir e obter a Sua graça, como sabemos se alguém que era pecador ontem o seja ainda hoje? O dia precedente não nos autoriza a julgar o dia presente, e o dia presente não nos autoriza a julgar o dia passado. Somente o último dia os classificará a todos.” 

São Francisco de Sales

domingo, 15 de julho de 2018

Nosso Senhor não nos deixa sós nas tentações




Nosso Senhor não nos deixa sós nas tentações 


(...) Magnífica também a história do combate de Santa Catarina de Sena, sempre sobre o mesmo tema. Eis-la aqui, brevemente: 

O espírito maligno recebera de Deus a licença para atacar a castidade daquela santa virgem com toda a raiva que quisesse, contanto que não a tocasse. Se pôs, então, à obra, insinuando-lhe no coração todo tipo de obscenidades e, para criar nela uma emoção ainda mais forte, se-lhe apresentou, com todos os seus diabos com aparência de homens e mulheres, os quais se exibiam diante dela, em todo tipo de obscenidade e de indecências, e com palavras e convites indecentes; não obstante todas aquelas manifestações fossem exteriores, contudo, por meio dos sentidos, penetravam muito profundamente no coração da jovem mulher; o coração estava saturado daquilo. Livre dessa tormenta de obscenidades e de prazeres carnais, lhe restava apenas a sutil e pura vontade superior.  

Isso tudo durou por muito tempo; até que um dia lhe apareceu Nosso Senhor. Logo lhe perguntou: “Onde estavas, meu doce Senhor, quando o meu coração estava tão cheio de trevas e de feiuras?”. Respondeu o Senhor: “Filha minha, Eu estava em teu coração”. “E como”, replicou ela, “podias habitar em meu coração, onde havia tantas obscenidades? Tu habitas em lugares tão vergonhosos?”. Respondeu-lhe Nosso Senhor: “Me diga, aqueles pensamentos sujos do teu coração te davam prazer ou tristeza, amargura ou deleite?”. E ela: “Grande amargura e tristeza”. Replicou-lhe o Senhor: “Quem colocava aquela grande tristeza e amargura no teu coração se não eu que me mantinha escondido na profundeza de tua alma? Creia-me, filha minha, se Eu não estivesse presente, aqueles pensamentos que premiam ao redor de tua vontade sem a poder dobrar, sem mim a teriam vencido e nela teriam penetrado, e o teu livre arbítrio os teria acolhido com prazer, e assim teria dado à morte a tua alma; mas, como Eu estava nela, inculcava desgosto e resistência ao teu coração, de modo que com todas as forças não cedesse à tentação. Não podendo aniquilar a tentação, como teria gostado, provava um desgosto ainda maior e um ódio mais profundo contra ela e contra si mesma; e assim aqueles tormentos eram um grande mérito e uma grande vitória para ti, um grande crescimento de tua virtude e de tua força”. 

São Francisco de Sales, Filotéia ou a Introdução à Vida Devota, Parte IV, Capítulo 4: Avisos necessários contra as tentações mais comuns: Dois belos exemplos sobre este assunto (tentação). 

sábado, 26 de novembro de 2016

Santificação Mutua entre o Homem e Mulher

S. Paulo deixa como incumbência às mulheres o governo da casa; e por isso muitos seguem esta verdadeira opinião que a sua devoção é mais frutuosa para a família que a dos maridos, que, não tendo uma residência tão continuada entre os domésticos, não pode por conseguinte encaminhá-los tão facilmente para a virtude. Segundo esta consideração, Salomão, nos seus provérbios, faz depender a felicidade de toda a sua casa do cuidado e esmero da mulher forte que descreve. 

Diz-se no Gênesis que Isaac, vendo a esterilidade de sua esposa Rebeca, rogou ao Senhor por ela: ou segundo o texto hebraico, rogou ao Senhor em frente dela, porque um orava de um lado do oratório e outro do outro lado; e a oração do marido feita deste modo foi ouvida. A maior e mais frutuosa união do marido e da mulher é a que se faz na devoção, à qual se devem exercitar à porfia um ao outro.  

Frutos há, como o marmelo, que, pela aspereza do seu suco, não são agradáveis senão quando postos de conserva. Há outros que, pela sua brandura e delicadeza, não se podem conservar senão também postos em doce, como as cerejas e os damascos: assim as mulheres hão de desejar que os seus maridos estejam de conserva no açúcar da devoção; porque o homem sem devoção é um animal severo, áspero e duro. E os maridos devem desejar que as suas mulheres sejam devotas; porque, sem a devoção, a mulher é extremamente frágil e sujeita a cair ou embaciar a sua virtude.  

sexta-feira, 4 de março de 2016

Diferença entre as amizades vãs e as verdadeiras

"Vou te ensinar agora um aviso importantíssimo e uma regra geral. O mel de Heracléia, de que já falei, e que é um veneno muito destrutivo, assemelha-se muito ao mel ordinário, que é tão saudável, e há grande perigo de tomar um pelo outro ou de tomar uma mistura de ambos, porque a utilidade de um não impede a malignidade do outro. Também quanto às amizades é preciso muito cuidado, para não nos enganarmos, principalmente tratando-se de uma pessoa de sexo diverso, por melhores que sejam os princípios que nos unam a ela; pois o demônio tapa os olhos aos que se amam.

Começa-se por um amor virtuoso; mas, se não se tomarem precauções prudentes, o amor frívolo se vai misturando e depois vem o amor sensual e por fim o amor carnal. Sim, mesmo no amor espiritual não se está livre do perigo, se não se sabe premunir-se de desconfiança e vigilância, conquanto o engano aqui não seja tão fácil, porque a inocência perfeita do coração descobre imediatamente tudo o que se pode ajuntar aí de impuro, assim como as manchas aparecem muito mais sobre o branco.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

MEDITAÇÕES PARA A QUARESMA: DA TENTAÇÃO

DA TENTAÇÃO

por São Francisco de Sales


Michelangelo: Pecado Original
Capela Sistina - A serpente personificada
 

Fazei de conta que pretende certo perverso abalar a fidelidade de jovem princesa, extremosamente amada do esposo, e manda-lhe infame emissário para tão execrando fim. Começa o alcoviteiro por declarar à princesa o intento do amo; agrada-lhe, então, à princesa, ou lhe desagrada o recado, e finalmente o aceita ou repele.

O mesmo se dá nas tentações; oferece o pecado Satanás, ou o mundo, ou a carne, à alma desposada do Filho de Deus; logo ele apraz à alma ou a desgosta, e por fim ou [a alma] rejeita-o ou nele consente. Estes são como os degraus da iniquidade: tentação, deleitação, consentimento; e, embora mais confusas em alguns pecados, estas três coisas são de muito fácil observação, nos mais graves.

Por mais que dure uma tentação, nem que fosse a vida toda, não nos pode tornar odiosos à divina Majestade logo que não nos agrade e que não a consintamos, porquanto não é ato nosso a tentação que apenas sofremos.

Por muito tempo perseguiram São Paulo os estímulos da carne, e com eles glorificava a Deus, tão longe estava de desagradar-Lhe.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

1º DOMINGO DA QUARESMA

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Primeiro Domingo de Quaresma


Estação de S. João de Latrão

 

EPÍSTOLA (IICor. 6,1-10)

Irmãos: Nós vos exortamos que não recebais em vão a graça de Deus. Porque Ele diz: Eu te ouço em tempo propício, e te socorri no dia da salvação. Eis agora o tempo propício: eis agora o dia da salvação. A ninguém façamos ofensa alguma, para que não seja censurado o nosso ministério, porém em tudo mostremo-nos como ministros de Deus, com muita paciência das aflições, nas necessidades, nas angústias, nos açoites, nas prisões, nas revoltas, nos trabalhos, nas vigílias, nos jejuns, pela castidade, pela ciência, pela longanimidade, pela benignidade no Espírito Santo, por uma caridade não fingida, pela palavra da verdade, no poder de Deus, pelas armas de justiça à direita [espada para agredir; do original] e à esquerda [escudo para defender; do original]; entre a glória e a ignomínia, entre a infâmia e o bom nome; julgados como enganadores e todavia sinceros; por ignorados, mas bem conhecidos; como moribundos, e eis que vivos; como castigados e não mortos; como tristes, mas sempre alegres; como pobres, porém enriquecendo a muitos; como nada tendo e entretanto possuindo tudo. Deo gratias.  


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

SÃO FRANCISCO DE SALES

29 de janeiro

São Francisco de Sales 

Bispo, Confessor e Doutor 


François de Sales (1567-1622), São Francisco de Sales, foi um sacerdote católico, Bispo de Genebra. Foi declarado Doutor da Igreja, e é titular e patrono da família salesiana (fundada por São João Bosco - memória 31 de janeiro). Era famoso pela direção espiritual e pela sabedoria dos seus escritos. Ele e Santa Joana Francisca de Chantal (memória 21 de agosto), de quem foi diretor espiritual, criaram a Ordem da Visitação, uma ordem religiosa contemplativa. Foi também diretor espiritual de São Vicente de Paulo (memória 19 de julho).  

Tornou-se uma figura líder da Contrarreforma Católica. Em 1609, seus escritos (cartas, pregações) foram reunidos e publicados com o título Introdução à Vida Devota ou Filotéia, que é a sua obra mais importante e que é editada até hoje. Outra obra ainda editada é o Tratado do Amor de Deus, fruto de sua oração e trabalho. Estes dois livros são considerados clássicos espirituais. Além destes livros, a coletânea de cartas, pregações e palestras alcança 50 volumes.  

domingo, 11 de janeiro de 2015

Uma perna bem empregada nos levará mais depressa ao Céu do que a mais sã do mundo!!!

Da paciência nas operações dolorosas.


Conceda-vos Nosso Senhor o Seu Santo Espírito para sofrerdes tudo segundo a Sua santa vontade. 


Refiro-me à vossa perna doente, que convém operar, e não será sem grandes dores. Mas, meu Deus!, que provas que nos dá a Vossa vontade nestas ocasiões! Oh! Coragem! Pertencemos a Jesus Cristo; eis que Ele nos envia a Sua vestimenta. Suponde que o ferro que atravessará as vossas carnes é um dos cravos que trespassou os pés de Nosso Senhor. Oh! Que felicidade! Escolheu para Si estes favores e amou-os tanto que os levou ao Paraíso e eis que agora vos faz deles participante.  

sábado, 15 de novembro de 2014

Sobre o matrimônio cristão


O casamento é um grande sacramento, eu digo, em Jesus Cristo e na sua Igreja, é honroso para todos, em todos, e em tudo, isto é, em todas as suas partes. Para todos: porque as próprias virgens o devem honrar com humildade. Em todos: porque é tão santo entre os pobres como é entre os ricos. Em tudo: porque a sua origem, o seu fim, as suas vantagens, a sua forma e matéria são santas. É o viveiro do Cristianismo, que enche a terra de fiéis, para tornar completo no Céu o número dos eleitos: de sorte que a conservação do bem do casamento é sobremaneira útil para a República; porque é a raiz e o manancial de todos os seus arroios. Prouvera a Deus que o seu Filho muito amado fosse chamado para todas as bodas como o foi para a de Caná; nunca faltaria lá o vinho das consolações e das bençãos; porque se não as há senão um pouco ao princípio, é porque, em vez de Nosso Senhor, se fez vir a elas Adônis e, em lugar de Noss Senhora, se faz vir a Vênus. Quem quer ter cordeirinhos bonitos e malhados, como Jacó, precisa como ele apresentar às ovelhas, quando se juntam para conceber, umas lindas varinhas de diversas cores; e quem quer ser bem-sucedido no casamento, deveria em suas bodas representar a si mesmo a santidade e dignidade deste Sacramento; mas, em lugar disso, dão-se aí mil abusos e excessos em passatempos, festins e palavras. Não é pois de admirar que os efeitos sejam desordenados.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Meditação do Dia: Sobre os Lobos



É espantosa a quantidade de "católicos" tradicionalistas que simplesmente cerram seus ouvidos, estabelecem seus dogmas, dão tranquilamente as costas a verdade e, flertando com os lobos de todos os gêneros, continuam suas vidas como se tudo estivesse na mais perfeita normalidade, porque é mais conveniente. E assim aplacam suas consciências e fica mais fácil dormir. 

Não! Os fins não justificam os meios! Não! Não existem dois pesos e duas medidas! Graças a Deus a verdade não é uma questão de "opinião".

Tudo deve ser feito para maior glória de Deus e a salvação das almas. Catecismo básico da Doutrina Cristã.

Ave Maria Puríssima, Sem pecado Concebida! 

Carla d'Amore




PS: O post foi caridosamente republicado para sossegar a inquietação de alguns de nossos fiéis leitores que amavelmente se preocuparam com o número correto do capítulo do texto do livro de São Francisco de Sales.  

Espero que desta vez aproveitem o conteúdo da meditação e a leitura do livro como um todo, que pode ser encontrado no excelente e recomendado site Alexandria Católica.

Assim que o tempo me permitir, postarei mais meditações breves e interessantes.




terça-feira, 15 de janeiro de 2013

SALES: Método para conhecer a vontade de Deus

Breve método para conhecer a vontade de Deus


São Basílio diz que a vontade de Deus nos é manifestada por Suas ordens ou mandamentos, e que então nada há que deliberar; porque se deve fazer com simplicidade aquilo que é ordenado; mas que, quanto ao mais, na nossa liberdade está o escolhermos a nosso gosto o que bem nos parecer, embora não se deva fazer tudo o que é lícito, mas só o que é conveniente; e que, enfim, para bem discernir o que é conveniente, deve-se ouvir o conselho do prudente pai espiritual.

Mas, Teótimo advirto-vos de uma tentação aborrecida que múltiplas vezes sobrevém às almas que têm grande desejo de em tudo seguir aquilo que é mas conforme à vontade de Deus; pois em todas, as ocorrências o inimigo as põe em dúvida sobre se é a vontade de Deus que elas façam uma coisa de preferência a outra; como, por exemplo, se é vontade de Deus que elas comam com o amigo ou não comam, que usem roupas cinzentas ou pretas, que jejuem na sexta-feira ou o sábado, que vão à recreação ou que dela se abstenha coisa em que elas consomem muito tempo; e, enquanto se ocupam e embaraçam em querer discernir o que melhor, perdem inutilmente o tempo de fazer vários bens, cuja execução daria mais glória a Deus do que poderia dá-la o discernimento do bom e do melhor em que elas se distraíram.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Denunciar os lobos é obra de caridade

O DEVER DE DENUNCIAR OS LOBOS


“a Sagrada Escritura compara muitas vezes, e com muita razão, a língua maldizente a uma navalha, porque, ao julgar o próximo, se deve prestar tanta atenção, como um hábil cirurgião que corta entre os nervos e os tendões. É preciso que o golpe que eu der seja tão certeiro e justo, que não diga nem mais nem menos do que é. Enfim, censurando algum defeito, devemos poupar a pessoa tanto quanto podemos. É verdade que se pode falar abertamente dos pecadores públicos reconhecidos como tais, mas deve ser em espírito de caridade e compaixão, e não com arrogância ou presunção por um certo prazer que se ache nisso; este último sentimento denotaria um coração baixo e vil. Excetuo somente os inimigos de Deus e da Igreja, porque a estes devemos combater quanto pudermos, como são os chefes de heresias, cismas etc. É uma caridade descobrir o lobo que se esconde entre as ovelhas, em qualquer parte onde o encontramos”.
(São Francisco de Sales, Filotéia. Petrópolis: Vozes, 2004. p.311)


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Entendeu, ou quer que eu desenhe?

domingo, 16 de setembro de 2012

Da Paciência

A Paciência

Por São Francisco de Sales


Padroeiro dos apologistas, dos escritores,
rogai por nós!
A paciência, diz o Apóstolo, vos é necessária para que, fazendo a vontade de Deus, alcanceis o que Ele vos tem prometido. Sim, nos diz Jesus Cristo, possuireis vossas almas pela paciência.

O maior bem do homem consiste, Filotéia, em possuir seu coração e tanto mais o possuímos quanto mais perfeita é nossa paciência; cumpre, portanto, aperfeiçoarmos nesta virtude. Lembra-te também que, tendo Nosso Senhor nos alcançado todas as graças da salvação pela paciência de Sua vida e de Sua morte, nós também no-las devemos aplicar por uma paciência constante e inalterável nas aflições, nas misérias e nas contradições da vida.

Não limites a tua paciência a alguns sofrimentos, mas estende-a universalmente a tudo o que Deus te mandar ou permitir que venha sobre ti. Muitas pessoas há que de boa mente querem suportar os sofrimentos que têm um certo cunho de honroso: ter sido ferido numa batalha, ter sido prisioneiro ao cumprir seu dever, ser maltratado pela religião, perder todos os seus bens numa contenda de honra, da qual saíram vencedores, tudo isso lhes é suave; mas é a glória e não o sofrimento o que amam.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Tratado do amor de Deus por São Francisco de Sales

Da languidez amorosa do coração ferido de dileção

É coisa bastante conhecida que o amor humano tem a força não somente de ferir o coração, mas de tornar o corpo doente até à morte, de vez que, assim como a paixão e temperamento do corpo tem muito poder para inclinar a alma e puxá-la atrás de si, assim também os afetos da alma têm uma grande força para revolver os humores e mudar as qualidades do corpo.

Mas, além disso, quando o amor é veemente, leva tão imperiosamente a alma à coisa amada, e ocupa-a tão fortemente, que ela falta a todas as suas outras operações, tanto sensitivas quanto intelectuais, de tal sorte que, para nutrir esse amor e secundá-lo, parece que a alma abandona qualquer outro cuidado, qualquer outro exercício, e ainda a si mesma. Donde haver Platão dito que o amor era pobre, roto, nu, descalço, franzino, sem casa, deitando-se fora no chão das portas, sempre indigente. É pobre, porque faz deixar tudo pela coisa amada; é sem casa porque faz sair a alma do seu domicílio para seguir sempre aquele que é amado; é franzino, pálido, magro e desfeito, porque faz perder o sono, o beber e o comer; é nu e descalço porque faz deixar todos os outros afetos para tomar o da coisa amada; deita-se ao de fora no chão, porque faz ficar a descoberto o coração que ama, fazendo-o manifestar suas paixões por suspiros, queixas, louvores, suspeitas, ciúmes; fica todo estendido como um mendigo às portas, porque faz com que o amante esteja perpetuamente atento aos olhos e a boca da pessoa a quem ama, e sempre preso aos seus ouvidos para lhe falar e mendigar favores, dos quais nunca é saciado: ora, os olhos, os ouvidos e a boca são as portas da alma. E enfim é sua vida o ser sempre indigente; pois, se uma vez ele é saciado, já não é ardente, e, por conseguinte já não é amor.

sábado, 16 de julho de 2011

Há ainda um resto de amor na alma que perdeu a Caridade

Santa caridade e amor imperfeito


De um certo resto de amor que muitas vezes
fica na alma que perdeu a santa caridade



Certamente a vida de um homem que, todo desfalecido, vai morrendo pouco a pouco num leito, quase já não merece lhe chamemos vida: dado que, ainda que ela seja vida, está, todavia tão misturada com a morte, que não se saberia dizer se é uma morte ainda viva, ou uma vida moribunda. Ai! como é esse um lastimável espetáculo, Teótimo! muito mais lastimável é, porém, o estado de uma alma que, ingrata ao seu Salvador, vai de momento em momento para trás, retirando-se do amor divino por certos graus de indevoção e de deslealdade, até que, havendo-O deixado totalmente, fica na horrível escuridão de perdição; e esse amor que está no seu declínio e que vai perecendo e desfalecendo, é chamado amor imperfeito; porquanto, ainda que esteja inteiro na alma, aí não está, ao que parece, inteiramente, isto é, quase não está mais aderente à alma, e está a ponto de abandoná-la. Ora, sendo a caridade separada da alma pelo pecado, múltiplas vezes fica nesta uma certa semelhança de caridade, que nos pode iludir e divertir em vão; e dir-vos-ei o que é.

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