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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Sexta-feira Santa 2009

Sexta-feira Santa 2009




A tarde de Sexta-feira Santa apresenta o drama imenso da morte de Cristo no Calvário. A cruz erguida sobre o mundo segue de pé como sinal de salvação e de esperança. Com a Paixão de Jesus segundo o Evangelho de João contemplamos o mistério do Crucificado, com o coração do discípulo Amado, da Mãe, do soldado que lhe transpassou o lado.

São João, teólogo e cronista da paixão nos leva a contemplar o mistério da cruz de Cristo como uma solene liturgia. Tudo é digno, solene, simbólico em sua narração: cada palavra, cada gesto. A densidade de seu Evangelho agora se faz mais eloquente. E os títulos de Jesus compõem uma formosa Cristologia. Jesus é Rei. O diz o título da cruz, e o patíbulo é o trono onde ele reina. É a uma só vez, sacerdote e templo, com a túnica sem costura com que os soldados tiram a sorte. É novo Adão junto à Mãe, nova Eva, Filho de Maria e Esposo da Igreja. É o sedento de Deus, o executor do testamento da Escritura. O Doador do Espírito. É o Cordeiro imaculado e imolado, o que não lhe romperam os ossos. É o Exaltado na cruz que tudo o atrai a si, quando os homens voltam a ele o olhar.


A Mãe estava ali, junto à Cruz. Não chegou de repente no Gólgota, desde que o discípulo amado a recordou em Caná, sem ter seguido passo a passo, com seu coração de Mãe no caminho de Jesus. E agora está ali como mãe e discípula que seguiu em tudo a sorte de seu Filho, sinal de contradição como Ele, totalmente ao seu lado. Mas solene e majestosa como uma Mãe, a mãe de todos, a nova Eva, a mãe dos filhos dispersos que ela reúne junto à cruz de seu Filho.


Maternidade do coração, que infla com a espada de dor que a fecunda.


A palavra de seu Filho que prolonga sua maternidade até os confins infinitos de todos os homens. Mãe dos discípulos, dos irmãos de seu Filho. A maternidade de Maria tem o mesmo alcance da redenção de Jesus. Maria contempla e vive o mistério com a majestade de uma Esposa, ainda que com a imensa dor de uma Mãe. São João a glorifica com a lembrança dessa maternidade. Último testamento de Jesus.


Última dádiva. Segurança de uma presença materna em nossa vida, na de todos. Porque Maria é fiel à palavra: Eis aí o teu filho.O soldado que transpassou o lado de Cristo no lado do coração, não se deu conta que cumpria uma profecia realizava um último, estupendo gesto litúrgico. Do coração de Cristo brota sangue e água. O sangue da redenção, a água da salvação. O sangue é sinal daquele maior amor, a vida entregue por nós, a água é sinal do Espírito, a própria vida de Jesus que agora, como em uma nova criação derrama sobre nós.


quarta-feira, 8 de abril de 2009

Milagres acontecem!

Milagres acontecem! Provavelmente, muito mais de quanto imaginamos e pouco percebemos. Mas quando percebemos, é inebriante! Às vezes, precisamos apenas ter paciência, e as coisas se acomodam por si só. Às vezes, não é tão simples assim.

Enfim, conforme os problemas se resolvem - ou resolvemos - uma paz serena se instala em nós e queremos ficar quetinhos, no nosso cantinho, a saborear; por medo, talvez, de que acabe ou de ser irreal. É inato esse sentimento de auto-sabotagem ou incredulidade. E o medo?

Numa paisagem assim, eu vejo cerejeiras a balançar ao vento fresco da primavera, soltando pétalas e pólen. O verde tem um quê de impressionismo, ao longe. E o silêncio, rompido pelo tec-tec do teclado a correr, mantém tudo em paz, no seu devido lugar, ao abrigo do mundo exterior e de sua cruel realidade.

Serenidade. Um artigo de luxo pouco almejado, talvez somente quando a borrasca se acalma e se pode respirar um pouco e aí, com alguma lucidez, de repente percebe-se a importância da serenidade, ao invés da paixão. As turbulências e as efervescências do mundo seduzem, mas não saciam. Serenidade sacia e preenche. Nada mais importa, e o relógio bate mais devagar. No rítmo tranquilo dos que sabem viver a vida e seguir em frente. E o que realmente importa se não seguir em frente?

Assim, mais um milagre acontece em nossa vida e estamos à espera de mais um, mais um, mais um. Contentar-se é difícil ou as necessidades são tantas? O que nos basta? O quanto nos basta?

O sol já se pôs atrás das róseas cerejeiras, e a vida chama à rotina diária e enfadonha do seu próprio milagre. É hora de deitar a pena e voltar à realidade.

Não sem antes agradecer a Deus, como sempre.


Giulia d'Amore di Ugento

sábado, 4 de abril de 2009

Domingo de Ramos

Amanhã é Domingo de Ramos; preparação para a Santa Páscoa. Não tenho muito a acrescentar desde a última Páscoa. Infelizmente.

Do propósito de melhorar um defeito por ano... devo confessar que não me dediquei o suficiente. Pouco me lembrei disto. Essa minha humanidade é meu maior problema e minha melhor desculpa. Essa, aliás, tem sido a desculpa de muitos...

"Somos humanos!", e isso justifica tudo, como se o que importasse fosse a justificação... Quão tolos somos afinal.

Fiquei sabendo esta semana um horror que houve no interior de meu Estado, no banheiro de uma escola 9 meninos de aproximadamente 9 anos violentaram um "amiguinho" de 6... Quanto horror nisso. Por muitos motivos. A idade dos envolvidos, a crueldade do fato em si, as consequências, a humanidade... Que solução pode se dar a isso? Que futuro esperamos ver em crianças que aos nove anos já praticam atos tão cruéis, vergonhosos e indesculpáveis. Sim, porque, se alguém quiser justificar isso, merece ser apedrejado em praça pública. Prática, aliás, que precisava ser restabelecida, talvez a impunidade não seria tanta, e isso acabaria por si só. 

Eu vejo neste ato insano, além de crueldade e a óbvia violência, eu vejo ódio e completa ausência de compaixão. Se não do primeiro deles, do último que abusou da vítima... Esse menino em particular, após ver todos aquele horror, repetidas vezes, não se apiedou da vítima. Nem sei se é esse o mais cruel ou o primeiro. E que importância tem quem é o mais cruel se todos participaram disso?

Por que crianças de nove anos se interessam e praticam sexo?

Amizade, compaixão, lealdade, amor, inocência e bondade são valores que esses meninos desconhecem completamente.

Provavelmente, quer se discutir de quem é a culpa. Dos pais, da sociedade, da escola, da TV... o que importa? Alguém será responsabilizado após essa discussão esdrúxula? Não, então... esquece. Até porque se as respectivas família não os puniram devidamente o que nos resta? Aguentar um futuro de violência e dor que serão espalhados por esses meninos.

Mas não me venha a dizer que eles são vítimas também, porque não o são. Aqui e agora, por esse fato, eles são réus e mereceriam ser presos como adultos, porque como adultos agiram, uma vez que não é próprio de crianças fazer isso. Não mataram um passarinho, não picharam o muro da Igreja, não quebraram um vidraça, não roubaram goiabas da árvore do vizinho... Eles violentaram um "amigo", de seis anos. Cruelmente.

Onde há humanidade nisso?

Enfim. Amanhã é um dia santo e particularmente santo. Jesus entra triunfalmente em Jerusalém. Se essas crianças estivessem entre os bancos de uma escola dominical, da catequese ou da Santa Missa teriam poucas chances de fazer o que fizeram. Quando você preenche a vida de alguém com valores e princípios, dificilmente sairá algo ruim disso.

Um bom Domingo de Ramos a todos. A paz de Deus para a família da vítima.

Giulia d'Amore di Ugento

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