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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Dezesseis perguntas para S.E. Mons. Fellay ainda à espera de um resposta!

Republico, porque oportuno e atual, ainda. E infelizmente. E também publico a versão original, em francês, e a versão em espanhol, que encontrei na web. A nota sobre o autor é minha.

Arséne Lupin de Leblanc

Dezesseis perguntas para S.E. Mons. Fellay

Texto escrito por um sacerdote católico com o codinome de Arsène Lupin¹, aos 03 de julho de 2012

Excelência, com todo o respeito que vos tenho, em vosso pesado encargo de Superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, peço-vos que responda, nítida e claramente, às seguintes questões de vossos sacerdotes e de vossos fiéis inquietos:
  1. Continuareis a dar o sacramento da crisma sob condição aos fiéis que a receberam dos bispos conciliares?
  2. Continuareis a reordenar sob condição os sacerdotes que, tendo sido ordenados duvidosamente por bispos consagrados de acordo com o novo rito, se juntarão à Fraternidade?
  3. O reconhecimento canônico é acompanhado de um reconhecimento da validade dos matrimônios da Tradição que foram realizados até hoje, ou válida esses matrimônios como se eles não tivessem sido válidos até agora?
  4. Daqui a dez anos, no máximo, vai surgir a questão das sagrações, devido à idade de Mons. Williamson, nascido em 1940, e de Mons. Tissier de Mallerais, nascido em 1945. Esta questão foi resolvida ou, ao menos, abordada nas discussões com Roma?
  5. Os membros da Fraternidade São Pio X poderão continuar a criticar abertamente certos fatos e ensinamentos do Papa?
  6. O fareis vós mesmo, como o fizestes antes?
  7. No caso de uma Prelazia Pessoal, quem será o Superior Geral? Vós mesmo? Um membro da Fraternidade São Pio X? Um "romano"?
  8. Vós o sabeis?
  9. Mons. Lefebvre insistiu, em 1988, em uma comissão romana responsável por nos defender composta em sua maioria por membros da Tradição. Esta comissão está prevista?
  10. É composta em sua maioria por membros da Fraternidade?
  11. O Conselho Geral que assistirá o Superior Geral será composto de 6 membros, como vós mesmo o dissestes aos sacerdotes do Distrito da França. Esses 6 membros serão nomeados por Roma ou por vós ou pelo capítulo?
  12. Tendes conhecimento disso?
  13. Se houver um Conselho Geral composto por 7 membros, incluído vós, isso significa que não haverá mais capítulo?
  14. Está previsto, como para o IBP, que as contas financeiras das casas da Prelazia Pessoal estariam sujeitas aos bispos locais?
  15. Os sacerdotes da comunidade "Ecclesia Dei" poderão exercer um apostolado em nossas casas?
  16. Em sua entrevista recente à DICI, vós falastes de “tal bispo, que poderia (sic) nos confiar a direção de um seminário”. Dos mais de 5.000 bispos de todo o mundo, vós conheceis pelo menos 5 que vos tenham claramente convidado na diocese deles?
Arsène Lupin, um padre católico

Nota:
¹ Arsène Lupin é uma escolha interessante como codinome. Na minha infância na Itália, eventualmente assistíamos a uma série televisiva chamada Arsenio Lupin, il ladro gentiluomo (em francês: Arsène Lupin, gentleman-cambrioleur - literalmente: A.L., o cavalheiro-ladrão), que em português ficou conhecida como O Ladrão de Casaca. Principal obra do escritor francês Maurice Leblanc, Arsène é o Robin Wood da França da Belle Époque. Com um charme totalmente francês, ele avisava suas vítimas (sempre ricos aristocratas) antes dos furtos e, com certo ar blasé, ainda deixava seu cartão de visita e conseguia sempre "adquirir" o que pretendia, para espanto e desalento do Inspetor Ganimard. Leblanc, dizem, inspirou-se na vida de um certo Marius Jacob, personagem nada charmoso. Alguns mangakas inspiraram-se em Arséne para compor personagens que são famosos nos ambientes dos mangás. Arséne trava "duelos" com seu rival inglês "Herlock Sholmes" (óbvia brincadeira com o nome de Sherlock Holmes, na obra de Leblanc), para o qual acaba criando situações embaraçosas. São os francês rindo às custas dos ingleses, como sempre. Mas o que este Arséne "rouba" do original não tem nada a ver com os furtos, a sedução de belas mulheres ou qualquer outro feito ou evento mundano nada virtuoso; assemelha-se no espírito vivo, audacioso, impertinente, desafiador, engenhoso, mas, sobretudo, de um humor sutil e ferino. Se o personagem de Leblanc acaba sempre conseguindo o seu intento, com uma certa fineza e bom humor, este padre (sim, porque já sabe-se que é um padre) alcança os seus objetivos da mesma forma. Quem acompanha seus escritos há algum tempo não pode não compreender exatamente o que ele pretende dizer. Au revoir...

domingo, 18 de agosto de 2013

Dois coelhos com uma cajadada só!

E por falar em Franciscanos da Imaculada, pesquisando notícias a respeito deles, acabei por me deparar com esta notícia de que o Bispo de Roma moveu enfim seu peão no tabuleiro das negociações por um acordo prático, ficando bem claro que ainda estamos longe da tão esperada conversão. Segundo a notícia, Mons. Pozzo está novamente encarregado de dialogar com a FSSPX, na pessoa, obviamente, de dom Fellay, por ser visto por este "com alguma confiança", sempre visando aquele ao regresso deste e dos seus à "Igreja católica". 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Um texto à procura de um tradutor

OPERAÇÃO MEMÓRIA: O que dizem os "outros", dentro da Tradição? É preciso acompanhar o que "dizem de nós", como prudência, porque é uma oportunidade de alertarmos o espírito que dorme... Este texto é de abril de 2008. Parece que esse vai e vem nas intenções de dom Fellay já era percebido "fora" da FSSPX...

April 25 - St. Mark, Evangelist - Greater Litanies
Double Feast of the Second Class
Complete Friday Abstinence

SSPX Superior General Bernie Fellay Announces that He Is Following TRADITIO's Recommendations
Now He Will Not Sign a Letter of Capitulation to Benedict-Ratzinger
From: The Fathers



Bernie Fellay, Superior General of the Society of St. Pius X
Tells Benedict-Ratzinger: "No Deal"
Fellay Admits that the TRADITIO Network Was Correct from the Beginning
In Urging Him Not to Sell out to Benedict-Ratzinger and His New Order
"Nothing Has Changed in the Will of Newrome to Follow the [Vatican II] Council"
"We Cannot Sign an Agreement," He Declares

On April 14, 2008, the SSPX's Superior General, Bernie Fellay, announced through the Society's press agency that after over two years' reflection, he now agrees with the TRADITIO Fathers and will not sign a letter of capitulation to Benedict-Ratzinger and his New Order. Since Benedict-Ratzinger's August 29, 2005, "Beheading" Meeting with Fellay, the TRADITIO Network has been almost the only consistent voice that has pointed to the duplicity and hoax of Benedict-Ratzinger's effort to get Fellay to sell out to the New Order.

For over two years now, Fellay has resisted our prudent advice to stay entirely way from the Newchurch of the New Order and has even tried to intimidate the TRADITIO Network by attacking TRADITIO's independent traditional Catholic voice and getting his henchmen to attack us as well -- just as he attacks even his own clergy and membership who disagree with him. Nevertheless, we remained firm in the traditional Catholic Faith and didn't let schoolyard bullies intimidate us. Fellay has now told the world that the TRADITIO Network was right all along and that he was the one deceived by Newrome.

Now Fellay himself has become the target of attacks. In his coverage of the announcement, Reuters' religion editor termed Fellay and his members "rebels." It also took note of the fact that Benedict-Ratzinger on his US junket spurned any appearance of traditional Catholicism: "The Masses [sic] were in post-Council style, in English with him facing the congregation, and most music was modern as well."

Now Fellay has apparently changed his pro-sellout tune and admitted that "all changes introduced at the Council and in the post-Conciliar reforms, which we denounce because the Church has already condemned them, are confirmed" in Benedict-Ratzinger's New Order. Fellay went on to state: "It is necessary to conclude that nothing has changed in the will of [New]rome to follow the Conciliar orientations, despite forty years of crisis, despite the deserted convents, the abandoned rectories, the empty churches."

Fellay then declared that the Society of St. Pius X "cannot sign an agreement" with Benedict-Ratzinger and his New Order. "We observe that the time for an agreement has not yet come.... It would be very imprudent and hasty to thrust ourselves unwisely in pursuit of a practical agreement which would not be founded upon the fundamental principles of the Church, particularly on the Faith."

Good Catholics, although we TRADITIO Fathers are happy to see that Fellay has finally seen the wisdom of our rejection of any sellout to Benedict-Ratzinger and his New Order, we lament the fact that Fellay took over two years to come finally to this conclusion that was obvious to us from the beginning. This delay has been the cause of great dissent within the Society and of numerous members leaving the SSPX during these two years. But we warn you that Fellay has a history of wavering on the question of a sellout to Newrome, so we take his current statement very much cum grano salis for the time being. Moreover, Fellay needs to address other issues with his administration of the Society, to renounce his autocratic and dictatorial behavior toward SSPX clergy and laity, which has earned him the moniker within the Society of "Little Hitler."

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Carta do Superior Geral reeleito - 16/07/2006

OPERAÇÃO MEMÓRIA: Refrescando a memória, acerca do que "diz e desdiz" monsenhor Fellay. Esta é a primeira declaração, como Superior Geral reeleito, em 2006, que foi publicada no site brasileiro da FSSPX e que salvei em meus arquivos em 17 de novembro de 2012, sem revisões ou alterações. Tomamos a liberdade, no entanto, de grifar as partes que merecem nossa atenção. Como por exemplo sobre o que decidiu o Capítulo, as intenções da Cruzada, e a destemida declaração de "a nossa vontade e a nossa determinação de 'pagar o nosso preço'...".

 

16/07/2006 – Carta do Superior Geral reeleito


Estimados fiéis,

Que me seja permitido começar esta primeira carta agradecendo-vos de todas as vossas preces abundantes para o nosso Capítulo Geral. Durante todo o seu desenrolar, num ambiente sereno e ao mesmo tempo intenso, temos sentido o apoio espiritual que vós nos trazeis.

Eu queria apresentar-vos nesta carta alguns frutos das vossas preces e noticias do Capítulo.

Primeiro quanto às eleições: O Capítulo decidiu me confiar de novo, apesar da sua lonjura, o mandato de Superior Geral. Atrevo-me a vos pedir um suplemento de oração para, com esta preciosa ajuda, dedicar-me o melhor possível ao cumprimento deste cargo, ao mesmo tempo pesado e magnífico.

O Capítulo geral elegeu dois assistentes.

O Padre Niklaus Pfluger é um suíço, a quem anteriormente foram confiadas as funções de Superior dos Distritos da Suíça e da Alemanha e de Superior de seminário (Zaitzkofen), adquiriu assim uma boa experiência tanto na formação sacerdotal como no governo de dois distritos. Além disso, tem dois irmãos e dois sobrinhos que são padres, um terceiro irmão frade, sem contar as duas irmãs religiosas, todos na Fraternidade!

O Padre Alain Nély foi primeiro professor na escola de Saint-Joseph des Carmes, depois prior de Marselha e enfim Superior do Distrito da Itália; adquiriu assim uma sólida experiência com a juventude e com os sacerdotes, bem como com o governo dum distrito.

Os assistentes morarão em Menzingen, na Suíça, onde está a Casa Geral da Fraternidade desde 1993. Vão ser os preciosos colaboradores para o bom andamento da Fraternidade, e terão a ocasião de viajar pelo mundo, assegurando assim um contato ainda melhor entre a Casa Geral e os membros da Fraternidade, bem como com os fiéis.

O Capítulo não se reduz às eleições. É também a ocasião de determinar as coordenadas da situação, de considerar as fraquezas que pedem melhoramentos, de dar as diretivas para que os nossos padres possam viver sempre melhor segundo os nossos estatutos e assim atrair melhor as graças e os dons do Céu. Consideramos também, como é óbvio, o estado do nosso relacionamento com Roma. Com um cuidado de clareza o maior possível, e com o cuidado, também, de evitar todas as falsas esperanças ou ilusões, o Capítulo, por unanimidade, decidiu fazer a declaração que se encontra em anexo¹.

Nesta mesma linha, ele me encarrega de vos comunicar um projeto ambicioso:

A Fraternidade tenciona apresentar ao Sumo Pontífice um “ramalhete espiritual” de um milhão de terços para o fim do mês de outubro, mês dedicado ao Rosário.

Os terços vão ser recitados às intenções seguintes:

Obter para o Papa Bento XVI a força necessária para libertar inteiramente a Santa Missa de Sempre, chamada “de São Pio V”.
Para o regresso da realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Para o triunfo do Coração Imaculado de Maria.

É, portanto, a uma verdadeira Cruzada que nós vos chamamos. Esta oração tantas vezes recomendada pela própria Santíssima Virgem Maria e apresentada como o grande meio de apoio, amparo e salvação para os cristãos de hoje neste tempo de crise. Desde séculos, desde que o antagonismo entre o mundo e a Igreja se manifesta com mais força, esta oração apareceu como uma arma dada pelo Céu para se defender, santificar-se e vencer.

Nós vos recomendamos, portanto, com instância, começar sem tardar a trazer “rosas espirituais” ao nosso “ramalhete”. Os padres darão em breve indicações necessárias para recolher este tesouro.

Queremos também manifestar, ora às autoridades romanas, ora ao Céu, por este número evidentemente significativo, a nossa vontade e a nossa determinação de “pagar o nosso preço”.

Confiantes que a Nossa Boa Mãe dos Céus ouve a oração dos seus filhos, que Ela não pode estar indiferente, nem à dureza dos tempos que decorrem, nem à miséria espiritual que nos circunda, e que mais ou menos tarde Ela ouvirá a nossa prece que responde ao seu apelo, confiamos todas as decisões do Capítulo à materna benevolência do Coração Imaculado de Maria e ao amparo do Sagrado Coração de Jesus, para que Ele as abençoe, as torne eficazes para a maior glória de Deus e nossa salvação a todos.

Nos cum prole pia benedícat Virgo Maria.

+ Bernard Fellay
Dia 16 de julho de 2006
Na Festa da Nossa Senhora do Monte Carmelo

Fonte: http://www.fsspx.com.br/exe2/16072006-carta-do-superior-geral-reeleito. Link testado, continua ativo. Publicado em set 19, 2009.
Vide também: http://www.holycrossseminary.com/2006_August.htm, um relato do Capítulo, com fotos e os dois textos: a carta em tela e a declaração do Capítulo. Em Inglês.
 
Nota

+

quarta-feira, 13 de março de 2013

Analise da declaração doutrinal de 15 de abril de 2012

ANÁLISIS DE LA DECLARACIÓN DOCTRINAL DEL 15 DE ABRIL DE 2012. - STAGEIRITÈS. 


Cardenal Ottaviani y Cardenal Bacci.


Lunes 11 de marzo de 2013

Análisis de la Declaración doctrinal del 15 de abril de 2012

La Declaración doctrinal que Monseñor Fellay envió al Cardenal Levada el 15 de abril de 2012 se mantuvo en secreto hasta hoy, y contiene un artículo 7 que debe retener la atención de los fieles:

“7 Nosotros declaramos reconocer la validez del sacrificio de la Misa y de los Sacramentos celebrados con la intención de hacer lo que hace la Iglesia según los ritos indicados en las ediciones típicas del Misal romano y de los Rituales de los Sacramentos legítimamente promulgados por los papas Paulo VI y Juan Pablo II.”

I.- Este artículo 7 constituye una negación escandalosa de las conclusiones del estudio teológico Breve exámencrítico de la Nueva Misa (presentado a Paulo VI por los cardenales Ottaviani y Bacci).

En efecto, este estudio trata del rito en sí mismo, independientemente de la falta de intención del celebrante. Los teólogos autores del Breve Examen Crítico, siguieron a Santo Tomás de Aquino, al Concilio de Trento y a León XIII, para estudiar un eventual vicio intrínseco al nuevo Ordo Missae procediendo con el método requerido. El estudio del vicio de forma es primero en relación al estudio de la falta de intención, como lo precisó León XIII en la encíclica Apostolicæ Curæ sobre la invalidez de las ordenaciones anglicanas.

II.- De este estudio del Breve Examen Crítico, se pueden sacar dos conclusiones coexistentes sobre la “nueva misa”, una relativa a la bondad eventual de este rito, la otra sobre la validez eventual de este mismo rito.
Existen en efecto tres condiciones imperativas para que se pueda asistir a un oficio: que la misa sea válida, que sea buena y que el sacerdote quiera hacer lo que quiere la Iglesia de siempre. Una sola de estas condiciones mencionadas que no sea cumplida, impide en conciencia asistir al oficio en cuestión.

La misa debe ser válida (es el problema de la validez del sacramento)
La misa es un sacramento, no es una oración. En tanto que no se comprenda esta diferencia esencial, no nos percibimos de la crisis en la Iglesia mas que en sus dolorosas consecuencias pero en ningún caso de las causas. El sacramento es una cosa sensible que significa y produce la gracia. Para que un sacramento sea válido, es decir, para que la gracia sea producida, se necesita que la cosa sensible signifique realmente, concretamente, públicamente lo que ella debe significar: el agua del bautismo debe ser verdaderamente agua y debe correr.  De esta forma –nos dice el catecismo del Concilio de Trento- nuestros sacramentos “son muy claros y no dejan lugar a la incertidumbre”. (1)

En el caso de la misa, debe ser conocido que se trata de un verdadero sacrificio, el sacrificio de la Cruz. (2)

La misa debe ser buena (es el problema de la bondad de la Misa). (3)
En el breve examen crítico del novus ordo de Paulo VI, los dos cardenales que presentaron al papa este documento escriben : El novus ordo missae « se aleja de manera impresionante, tanto en su conjunto como en el detalle, de la teología católica de la santa Misa”. Así, suponiendo que la misa de Paulo VI sea realmente una misa, de lo que conviene dudar, esta misa favorece la herejía. Por su destino, no es buena y por consecuencia no se puede participar en ella. (4)

III.- El fundador de la FSSPX concluyó sobre este último punto, que el nuevo ordo « conducía a la herejía”, que fue igualmente la posición de Monseñor de Castro Mayer (5).  Monseñor Lefebvre escribió igualmente: La nueva misa es “mala en sí misma” (6).

Sobre el primer punto, él demostró la existencia de una duda fundada sobre la validez del rito. Hablando de la nueva misa a los fieles, dijo: “La Misa a la cual ustedes acaban de asistir ¿fue válida?” (7). Otros teólogos como el padre M. L. Guérard y el padre Coache llegaron cada uno por su lado a la conclusión de invalidez.

Pero existe otra dificultad que el artículo 7 de la Declaración se guarda bien de evocar: el rito de Paulo VI es evolutivo.

Jean Madiran recordó en su editorial del periódico Présent del 22 de mayo de 2008: “No se trata ya de cambios eventuales de la misa de Paulo VI en sus ediciones oficiales típicas. Se trata de “misas salidas de la misa de Paulo VI”, de las cuales esta es la responsable, porque ellas salieron de aquélla gracias al carácter evolutivo que ha sido suyo desde el origen, pero que es mucho más difícil de corregir […]”. Esta praxis litúrgica evolutiva fue muy bien descrita en su tiempo  en el folleto Missus Romanus, La revolución permanente en la liturgia, editorial Cèdre 1975.

Además ya no existe la certitud concerniente a la intención del celebrante (intención que no puede ser conocida por la feligresía mas que por el respeto de un rito válido y estable).

Ahora es fácil de constatar que el artículo 7 de la Declaración de Monseñor Fellay falsifica completamente el pensamiento del fundador de la FSSPX sobre la “nueva misa”.
______________________________________________________
1 Capítulo 14 §V, Materia y forma de los sacramentos.
2 Un verdadero sacrificio, es decir, el sacrificio propiciatorio. Esto es lo que nos opone irreductiblemente a los protestantes. El canos 3° de la sesión XXII° del concilio de Trento, precisa que aquél que dice que el sacrificio de la misa no es mas que un sacrificio de alabanza, de acción de gracias o una simple conmemoración y no un sacrificio propiciatorio, sea anatema.
3 Recordemos que la Misa es una acción. Como toda acción ella puede ser buena o mala.
4Los que se sorprenden de que una verdadera misa pueda igualmente favorecer la herejía, o dicho de otro modo, que ella no sea “buena”, deben recordar que la Iglesia prohíbe por este motivo, por ejemplo, la participación de los fieles en las misas válidas de los ortodoxos (cismáticos) y a fortiori a las misas “negras” que son misas válidas.
5 Mgr Tissier, Marcel Lefebvre - une vie, pp 489 et 441.
6 Mgr Tissier, Marcel Lefebvre - une vie, p 491.
7 Mgr Lefebvre, Carta Abierta a los Católicos Perplejos, IV. El Santo Sacrificio de la Misa.

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Breve reflexão sobre o texto da declaração doutrinal de 15 de abril de 2012

LA SAPINIÈRE: BREVE REFLEXÃO SOBRE O TEXTO DA DECLARAÇÃO DOUTRINAL DE 15 DE ABRIL DE 2012

De um padre anônimo da FSSPX


Pediram-me que expressasse uma primeira impressão sobre o texto publicado, hoje, no La Sapinière e em outros bons sites de Resistência à Reintegração[1]. Espero que alguém mais qualificado do que eu tenha tempo para estudar todas as sutilezas dessa afirmação, mas alguns pontos problemáticos são facilmente individuáveis, desde já. Eis, então, conforme solicitado, algumas reflexões preliminares.

Como dizia o próprio Mons. Fellay, em maio ou junho de 2012, a reação a este texto vai depender da disposição de espírito de cada um ("óculos cor de rosa ou negros..."). Na verdade, após vários parágrafos que reafirmam o apego ao Papa e à doutrina tradicional, encontramos declarações escandalosas. Esta mistura de verdadeiro e falso recorda o procedimento dos modernistas, como denunciado na Pascendi[2] por São Pio X. Portanto, é apropriado dizer que se trata de um texto ambíguo, coisa que, em si, é uma falta grave, já que não se pode tentar reconstruir a Igreja baseando-se sobre um mal-entendido. Isto não é a honestidade, nem em relação a Roma, nem em relação à Tradição. O Concílio Geral nos mostra, na prática, que acredita que o fim justifica os meios. No mínimo, sobre eles recai uma leve desonra, visto que a Resistência se viu obrigada a publicar este texto.

Eis, então, brevemente, alguns dos pontos problemáticos, para não dizer pior.

1 - Neste texto se encontra, sem surpresa alguma, o que já se sabia há tempo, visto que revelado por Don Pfluger[3], aos 05 de junho de 2012, em Saint-Joseph-des-Carmes, [na cidade de] Carcassonne, no [departamento de] Aude, eu acho, e que é, em si, uma abominação (cf. ponto 3.4 da declaração[4]). Dizer que o Vaticano II explicita "certos elementos", contidos implicitamente na inteira Tradição da Igreja, significa colocar este concílio "pastoral" (de qualquer forma, derrotado, pirateado, pelos maçons e pelos modernistas[5]) no mesmo plano que os Concílios legais e doutrinais. Quando se reflete a respeito disso, o Vaticano II, mesmo que tenha se desenvolvido sob a presidência e a aprovação de dois Papas, parece ser mais próximo de um conciliábulo do que de um verdadeiro concílio, porque esses Papas serviram-se[6] dele de uma maneira ilegítima, ou seja, para produzir uma revolução dentro da Igreja. Por isso eu falo de conciliábulo. A primeira coisa que um Papa católico fará será declarar este Concílio como ilegítimo e como nunca acontecido, como ocorreu com vários concílios orientais no início da Igreja.
2 - A segunda falta grave nesta parte do texto está em não mencionar quais são os elementos da Tradição que teriam sido explicitados pelo Vaticano II. Trata-se da liberdade religiosa? Da colegialidade? Do "subsistit in"? Do ecumenismo? Da permissão para que as leituras da missa se fizessem em vernáculo? Da permissão para trajar o clergyman em vez do hábito?
3 - A terceira coisa que faço notar é que, ao invés de dizer que há textos errôneos, que não podem, de maneira alguma, ser interpretados bem, se diz que há modo de discuti-los para se chegar a uma boa interpretação (cf. ponto 3.5[7]). E nem se diz que o Vaticano II ensina doutrinas condenadas precedentemente pelos Papas tradicionais. Ora, isso contraria a nossa posição de sempre, segundo a qual, no Vaticano II há três tipos de documentos: os "bons", os que devem ser interpretados no sentido de Tradição e os que devem ser absolutamente corrigidos (veja-se o “Catecismo Católico da Crise na Igreja”, de Don Gaudron, n º 29).
4 - No geral, esta declaração diz que queremos permanecer fieis à Tradição, mas que estamos prontos a colocar de lado a questão doutrinal. Estamos prontos a assinar um acordo, e que, para o futuro, uma comissão de estudos se encarregará de elucidar os pontos do Vaticano II que parecem contrários à Tradição (cf. ponto 3.6[8]). Trata-se, portanto, da formulação do princípio pelo qual estaríamos prontos a assinar um acordo puramente prático, sem a prévia correção dos erros do Vaticano II.
5 - Em vez de uma declaração contra a nova Missa, enquanto atenta gravemente contra a majestade de Deus e enquanto pecado grave contra o 1 º Mandamento, nós nos contentamos em reconhecer a sua validade sob determinadas condições (cf. ponto 3.7[9]). Coloca-se debaixo do alqueire o fato de que o Novus Ordo Missae atenta diretamente contra ao maior tesouro da Igreja, a fonte sobrenatural, que é o Sacrifício do Chefe da Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo.
6 – Há, também, no texto, o reconhecimento do Direito Canônico de 1983, sob cuja autoridade estaríamos aceitando nos colocar. Mons. Lefebvre dizia que detestava este Código envenenado pelas teorias do Vaticano II. Lembremo-nos do cânon 844[10], que permite a "communicatio in sacris", a partilha dos sacramentos entre católicos e não-católicos (cf. ponto 3.8[11]).

Em conclusão, esta declaração doutrinária nos mostra o quão profundo o Conselho Geral caiu no abismo. Ela confirma a advertência do Catecismo de Don Gaudron, que nos alertava para o grave perigo de contaminação que permite a frequentação das autoridades romanas (vide as pp. 291 e 294 da edição de maio de 2008). Utinam! Quisera o Céu tivesse permitido que o Conselho Geral tivesse feito do Catecismo de Gaudron seu livro de cabeceira. Nós não estaríamos aqui!

Por um padre, anônimo, da FSSPX.

N.d.E.: é Fanjeaux, mas Saint-Joseph-des Carmelitas em Carcassonne no Aude.





[1] NdTª: “Resistência à Reintegração”. Penso que o autor – padre “anônimo” da FSSPX – não compreendeu nada sobre a Resistência. Em sendo verdade a expressão, os resistentes não passariam de insurgentes, revolucionário, desobedientes à “Roma Eterna”. A resistência não é à “reintegração à igreja da Roma atual, apóstata”, mas justamente o contrário: é a resistência à INTEGRAÇÃO à igreja Conciliar. Tal como desejado e planejado pelo Fundador. O texto começa mal.
[3] NdTª: Aqui, em francês, de onde extraio um trecho: “l’entière Tradition de la foi catholique doit être le critère et le guide de compréhension des enseignements du Concile Vatican II, lequel à son tour éclaire certains aspects de la vie et de la doctrine de l’Église, implicitement présents en elle, non encore formulés. Les affirmations du Concile Vatican II et du Magistère Pontifical postérieur relatifs à la relation entre l’Église catholique et les confessions chrétiennes non-catholiques doivent être comprises à la lumière de la Tradition entière”.
[4] NdTª: “A inteira Tradição da fé católica deve ser o critério e o guia para a compreensão dos ensinamentos do Concílio Vaticano II, o qual por sua vez esclarece – ou seja, aprofunda e explicita ulteriormente – certos aspectos da vida e da doutrina da Igreja, nela implicitamente presentes ou ainda não formulados conceitualmente”.
[5] NdTª: Este padre também está diminuindo a gravidade do Concílio? Está dizendo que os maçons e os modernistas desfiguraram o CVII? Ou seja, que ele “era bom” e “ficou mau”? Já não estaria eivado de erro desde sua concepção?
[6] NdTª: SIC! O padre anônimo realmente acha que o problema foi o mau uso do Concílio?
[7] NdTª: “As afirmações do Concílio Vaticano II e do Magistério pontifício posterior relativas à relação entre a Igreja Católica e as confissões cristãs não-católicas, e também ao dever social de religião e ao direito à liberdade religiosa, cuja formulação é dificilmente conciliável com as afirmações doutrinais precedentes do Magistério, devem ser compreendidas à luz da Tradição inteira e ininterrupta, de maneira coerente com as verdades precedentemente ensinadas pelo Magistério da Igreja, sem aceitar nenhuma interpretação dessas afirmações que possa levar a expor a doutrina católica em oposição ou em ruptura com a Tradição e com este Magistério”.
[8] NdTª.: “É por essa razão que é legítimo promover, mediante uma discussão legítima, o estudo e a explicação teológica de expressões e de formulações do Concílio Vaticano II e do Magistério subsequente, nos casos em que elas não pareçam conciliáveis com o Magistério anterior da Igreja”.
[9] NdTª.: “Nós declaramos reconhecer a validade do Sacrifício da Missa e dos Sacramentos celebrados com a intenção de fazer o que a Igreja faz em conformidade com os ritos indicados nas edições típicas do Missal Romano e dos Rituais dos Sacramentos promulgados pelos Papas Paulo VI e João Paulo II.”.
[10] NdTª: “Canon 844, §4, permite a administração do sacramento da penitência (confissão), Extrema Unção e até mesmo a Santa Eucaristia a não-católicos que manifestarem a ‘Fé Católica’ nesses sacramentos”.
[11] NdTª.: “Seguindo os critérios enunciados acima (III, 5), bem como o Cânon 21 do Código, nós prometemos respeitar a disciplina comum da Igreja e as leis eclesiásticas, especialmente aquelas que estão contidas no Código de Direito Canônico promulgado pelo Papa João Paulo II (1983) e no Código de Direito Canônico das Igrejas Orientais promulgado pelo mesmo Pontífice (1990), ficando salva a disciplina que será concedida à Fraternidade Sacerdotal São Pio X por uma lei particular”.

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segunda-feira, 4 de março de 2013

FSSPX: Entrevista de dom Fellay à Nouvelles de France

OPERAÇÃO MEMÓRIA: Não estranhem esta publicação, que parece um tanto atrasada, é mais um registro para que não se perca a memória dos fatos e não se alegue uma conveniente amnésia. Trata-se da entrevista concedida por dom Fellay à Revista Nouvelles de France, que já havíamos comentado aqui.

Entrevista concedida por dom Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, à Nouvelles de France.


Dom Fellay é o superior da FSSPX fundada por Dom Lefebvre. Ele volta à Nouvelles de France para falar sobre as tentativas de aproximação da FSSPX com Roma, que marcaram o pontificado de Bento XVI.

Excelência, o senhor avaliaria o fato de que o último grande ato do pontificado de Bento XVI pudesse ser a reintegração da Fraternidade Sacerdotal São Pio X?
Por um breve instante, pensei que, anunciando a sua renúncia, Bento XVI realizaria um último gesto para conosco. No entanto, vejo que muito dificilmente isso seja possível. Será necessário esperar provavelmente o próximo Papa. Diria inclusive que, arriscando surpreendê-lo, que há problemas mais importantes para a Igreja do que a FSSPX e, de certo modo, ao resolvê-los, o problema da FSSPX será resolvido.

Alguns dizem que o senhor deseja que Roma reconheça o rito ordinário como ilícito. Poderia nos esclarecer este ponto?

Somos muito conscientes de que é muito difícil pedir às autoridades uma condenação da nova missa. De fato, se o que deve ser corrigido o fosse, seria um grande passo.

Como assim?

Isso pode ser realizado por uma instrução da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Afinal, não é tão complicado. Penso que há mudanças importantes a serem feitas por conta das graves e perigosas deficiências que tornam esse rito condenável. A Igreja pode efetuar muito bem essas importantes correções sem se desmoralizar ou perder a sua autoridade. Mas atualmente noto a oposição de uma parte dos bispos às legítimas demandas do Papa para que se corrija, no canon da missa, a tradução de “pro multis” para “por muitos”, e não “por todos, tradução falsa que encontramos em muitos idiomas.

Deseja tratar sobre o Concílio Vaticano II?


No que diz respeito ao Vaticano II, como na missa, nós consideramos necessário esclarecer e corrigir um certo número de pontos que são errôneos ou que conduzem ao erro. Contudo, não esperamos que Roma condene o Vaticano II em pouco tempo. Ela pode recordar a verdade, corrigir discretamente os erros, salvaguardando a sua autoridade. Sem embargo, nós pensamos que a Fraternidade acrescenta a sua pedra no edifício do Senhor denunciando certos pontos litigiosos.

Concretamente, o senhor sabe bem que suas reivindicações não serão satisfeitas de um dia para o outro.

Certamente, mas progressivamente o serão, creio eu. Chegará um momento em que a situação será aceitável e poderemos estar de acordo, mesmo que hoje não pareça ser o caso.

O senhor se encontrou com Bento XVI em seus primeiros meses de pontificado. Poderia nos dizer qual foi o seu sentimento em relação a ele neste momento?

Posso dizer que me encontrei com um Papa que tinha um desejo sincero de realizar a unidade da Igreja, mesmo que nós não tenhamos chegado a um acordo. Mas, acredite, rezo por ele todos os dias.

Para o senhor, qual foi o ato mais importante de seu pontificado?


Penso, sem sombra de dúvidas, que o ato mais importante tenha sido a publicação do motu proprio Summorum Pontificum, que concede aos sacerdotes do mundo inteiro a liberdade de celebrar a missa tradicional. Ele o fez, é necessário dizer, com coragem, pois havia oposições. Creio que este ato trará frutos muito positivos a longo prazo.


FONTE E TRADUÇÃO: http://fratresinunum.com/2013/02/15/penso-sem-sombra-de-duvidas-que-o-ato-mais-importante-tenha-sido-a-publicacao-do-motu-proprio-summorum-pontificum/

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FSSPX: Carta-resposta de dom Fellay aos três bispos.

OPERAÇÃO MEMÓRIA: Não estranhem mais esta publicação, que parece um tanto atrasada, é mais um registro para que não se perca a memória dos fatos e não se alegue uma conveniente amnésia. Trata-se da carta-resposta de dom Fellay à carta que foi enviada ao Conselho Geral da FSSPX, em abril de 2012.


Carta de Dom Fellay aos outros bispos da Fraternidade São Pio X


Menzingen, 14 de abril de 2012

A NN. SS. Tissier de Mallerais, Williamson et de Galarreta.

Excelências,

A vossa carta coletiva dirigida aos membros do Conselho Geral recebeu toda a nossa atenção. Agradeço-vos por vossa solicitude e a vossa caridade.

Permiti-me, de minha parte, no mesmo intuito de caridade e de justiça de vos fazer as seguintes observações.

Em primeiro lugar, a carta menciona a gravidade da crise que agita a Igreja e analisa com precisão os erros que pululam no ambiente. Mas a descrição contém dois defeitos em relação à realidade da Igreja: falta-lhe o sobrenatural e, ao mesmo tempo, carece de realismo.

Falta-lhe, sobretudo, o sobrenatural. Lendo-a, acabamos por nos questionar seriamente se vós acreditais ainda que a Igreja visível, cuja Sé está em Roma, é a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo; uma Igreja certamente desfigurada de um modo horrível, a planta pedis usque ad vertice capitis, mas uma Igreja que, de qualquer forma, ainda tem como cabeça Nosso Senhor Jesus Cristo. Tem-se a impressão de que estais tão escandalizados que não aceitais mais o que ainda pode ser verdade. Para vós, o Papa Bento XVI é ainda Papa legítimo? Se o é, Jesus Cristo ainda pode falar por sua boca? Se o Papa expressa uma vontade legítima em relação a nós, que é boa, que não dá uma ordem contra os mandamentos de Deus, temos o direito de negligenciar, de mandar de volta esta vontade? E, caso contrário, sobre qual princípio vos embasais para agir assim? Não acreditais que, se o nosso Senhor nos comanda, também nos dará os meios para continuar o nosso trabalho? Bem, o Papa nos fez saber que a preocupação de regular a nossa situação para o bem da Igreja estava no coração de seu pontificado, e também que sabia que seria mais fácil para ele e para nós deixar a situação assim como ela está agora. Portanto, é uma vontade decidida e justa a que ele expressa.

Com a atitude que preconizais, não há mais lugar para os Gideões nem para os David, nem para todos aqueles que contam com a ajuda do Senhor. Vós nos recriminais de sermos ingênuos e de termos medo, mas é a vossa visão da Igreja que é humana demais e, também, fatalista; enxergais apenas os perigos, os complôs, as dificuldades, não enxergais mais a assistência da graça e do Espírito Santo.

Se se quer aceitar que a Providência divina conduz os assuntos dos homens, deixando a eles a liberdade, é preciso aceitar que as ações destes últimos anos em nosso favor estão sob sua orientação. Agora indicam uma linha, não completamente reta, mas claramente a favor da Tradição. Por que de repente essa linha cessaria, se fazemos de tudo para manter nossa lealdade e acompanhamos os nossos esforços com uma oração comum? O bom Deus nos abandonaria no momento mais crucial? Isso não faz muito sentido. Especialmente, não devemos procurar de impor uma nossa própria vontade qualquer, mas procuremos enxergar através dos acontecimentos o que Deus quer, estando dispostos a tudo, como Ele quiser.

Ao mesmo tempo, carece de realismo tanto no que respeita a intensidade dos erros quanto à sua amplitude.

Intensidade: na Fraternidade está-se tratando os erros do Concílio como se fossem super-heresias, torna-se como o mal absoluto, pior de tudo, da mesma forma como os liberais têm dogmatizado este concílio pastoral. O males já são dramáticos o suficiente sem que se precise exagerá-los ainda mais (cf. Roberto de Mattei, Uma história nunca contada, p. 22; Mons. Gherardini, Um discurso ainda a fazer, p.53, etc.). Não há mais qualquer distinção. E Mons. Lefebvre fez várias vezes as distinções necessárias acerca do liberal. (1) Esta falta de distinção leva um ou outro de vós a um endurecimento “absoluto”. Isto é grave, porque esta caricatura não está mais na realidade e logicamente irá resultar em verdadeiro cisma no futuro. E provavelmente esse é um dos argumentos que me leva a não mais demorar em responder às exigências de Roma.

Amplitude: de uma parte se atribuem às autoridades atuais todos os erros e todos os males que se encontram na Igreja, ignorando o fato que estas procuram, pelo menos em parte, livrar-se dos mais graves (a condenação da “hermenêutica da ruptura” denuncia erros bem reais). Por outro lado, se pretende que todos estejam enraizados nesta pertinácia (“todos os modernistas,” … “todos podres”). Ora, isso é manifestamente falso. Uma grande maioria foi arrastada no movimento, mas não todos.

No ponto da questão mais crucial de todos, sobre a possibilidade de sobreviver nas condições de um reconhecimento da Fraternidade por parte de Roma, nós não chegamos à mesma conclusão vossa.

Que seja registrado que nós não temos buscado um acordo prático. Isso é falso. Nós não recusamos, a priori, de considerar a oferta do Papa, como vós pedistes. Para o bem comum da Fraternidade, nós preferíamos muito mais a solução atual de status quo intermediário, mas claramente Roma não tolera mais isso.

Em si, a solução proposta, da Prelatura pessoal, não é uma armadilha. O que emerge disso, acima de tudo, é que a situação apresentada em abril de 2012 é muito diferente daquela de 1988. Pretender que nada mudou é um erro histórico. Os mesmos males afligem a Igreja, as consequências são ainda mais graves e evidentes do que naquele tempo; mas, ao mesmo tempo, pode-se contatar uma mudança de atitude na Igreja, ajudada pelos gestos e atos de Bento XVI em relação à Tradição. Este novo movimento, nascido pelo menos há uma década, vai se fortalecendo. Ele alcança um bom número (ainda uma minoria) de jovens sacerdotes, de seminaristas e também um pequeno número de Bispos jovens, que se distinguem claramente de seus antecessores, que expressam sua simpatia e seu apoio, mas que são, ainda, silenciados pela linha dominante da hierarquia em favor do Vaticano II. Esta hierarquia está perdendo velocidade. Isto é objetivo e mostra que não é mais ilusório considerar um combate “intramuros”, da duração e da dificuldade de que somos conscientes. Pude constatar em Roma como o discurso sobre as glórias do Vaticano II que se via repetindo constantemente, se ainda está nos lábios de muitos, no entanto não está mais em suas cabeças. São cada vez menos as pessoas que acreditam nisso.

Esta situação concreta, com a solução canônica proposta, é bem diferente da de 1988. E, quando comparamos os argumentos que Mons. Lefebvre defendia na época, concluímos que ele não teria hesitado em aceitar o que hoje nos é proposto. Não percamos o sentido da Igreja, que era tão forte em nosso venerado fundador.

A história da Igreja mostra que a cura dos males que a afetam habitualmente ocorre gradualmente, lentamente. E quando um problema acaba, há outro que começa… oportet haereses esse. Pretender de esperar até que tudo seja resolvido para chegar ao que vós chamais de acordo prático não é realista. É muito provável que, vendo como as coisas se desenvolvem, o fim dessa crise levará ainda décadas. Mas, se recusar a trabalhar no campo porque ainda há erva daninha, que ameaça abafar, calar a erva boa, encontra curiosamente uma lição bíblica: é o próprio Nosso Senhor que nos faz compreender, com sua parábola do trabalhador, que sempre haverá, de uma forma ou de outra, ervas daninhas para arrancar e combater em Sua Igreja…

Não podeis imaginar quanto, nesses últimos meses, a vossa atitude – muito diferente para cada um de vós – foi dura para mim. Isso tem impedido o Superior Geral de vos comunicar e vos tornar partícipes destas grandes preocupações, às quais ele vos teria associado de boa vontade, se não tivesse se confrontado com uma incompreensão tão forte e apaixonada. Como teria desejado contar convosco, com vossos conselhos, para apoiar essa passagem tão delicada de nossa história. É uma grande provação, talvez a maior de toda a sua função. Nosso venerado fundador deu aos Bispos da Fraternidade uma responsabilidade e deveres precisos. Ele mostrou que o princípio que na nossa sociedade faz a unidade é o superior geral. Mas, já há algum tempo, vós tentais, cada um de forma diferente, de impor-lhe o vosso ponto de vista, até mesmo sob a forma de ameaças, inclusive publicamente. Essa dialética entre verdade/fé e autoridade é contrária ao espírito sacerdotal. Ele, pelo menos, teria esperado que vós buscásseis compreender os argumentos que o impelem a agir como agiu nos últimos anos, segundo a vontade da divina providência.

Nós rezamos por cada um de vós, para que nesse combate que está longe de terminar nos encontremos juntos, para a maior glória de Deus e por amor a nossa cara Fraternidade. 


Que Nosso Senhor Ressuscitado e Nossa Senhora se dignem de vos proteger e abençoar. 


+ Bernard Fellay
Niklaus Pfluger
Alain-Marc Nely

Fonte: http://missatridentinaemportugal.blogspot.com.br/2012/05/carta-de-dom-fellay-aos-outros-bispos.html
Fonte original: http://fratresinunum.com – mas não encontrei o post.


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Carta dos três Bispos ao Conselho Geral da FSSPX

OPERAÇÃO MEMÓRIA: Não estranhem esta publicação, que parece um tanto atrasada, é mais um registro para que não se perca a memória dos fatos e não se alegue uma conveniente amnésia. Trata-se da carta que os três Bispos consagrados por Mons. Lefebvre - Dom de Galarreta, Dom Tissier e Dom Williamson - enviaram a dom Fellay, em 7 de abril de 2012.



Carta dos três Bispos ao Conselho Geral da FSSPX


Senhor Superior Geral
Senhor Primeiro Assistente
Senhor Segundo Assistente

Depois de alguns meses, como muitos dizem, o Conselho Geral da FSSPX considera seriamente as propostas romanas com vista a um acordo prático, sendo um fato que as discussões doutrinárias entre 2009 e 2011 têm provado que um acordo doutrinário é impossível com a Roma atual. Por meio desta carta, os três bispos da FSSPX que não fazem parte do Conselho Geral desejam fazer-lhes saber, com todo o respeito que convém, a unanimidade de sua oposição formal a qualquer acordo semelhante.

Claro, de ambos os lados da divisão atual entre a Igreja Conciliar e a FSSPX, muitos desejam restaurar a unidade católica. Honramos a essas pessoas, tanto de uma parte como de outra. Mas a realidade dominante, e diante da qual todos esses desejos sinceros devem ceder, é que, desde o Concílio Vaticano II, as autoridades oficiais da Igreja se afastaram da verdade católica e, hoje em dia, elas se mostram tão determinadas como sempre foram a permanecerem fieis à doutrina e à prática conciliares. As discussões romanas, o preâmbulo doutrinal e Assis III são exemplos impressionantes.

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