Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Ecclesia Dei. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ecclesia Dei. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Não existe acordo!

Duas informações despertaram o interesse nos grupos tradicionalistas esta semana: a supressão (não é bem isso, mais adiante desenho) da Comissão Ecclesia Dei e os rumores da nomeação de um bispo modernista para a Neofrat. 

São assuntos concatenados entre si e ligados ao acordo-que-não-existe.  

O primeiro, da supressão da Comissão Ecclesia Dei é descarado. A Comissão foi criada para alojar a FSSPX de Monsenhor Lefebvre, para neutralizá-la. Como nunca conseguiram pegá-la nessa armadilha, os modernistas começaram a estocar lá os outros tradicionalistas, que iam, um após o outro, caindo na tentação da estrutura, ainda que herética, e, de bônus, para os vendilhões, de um episcopado ou outras quinquilharias. O que é uma mitra perto do Céu? Quinquilharia!   

Como a FSSPX não caíra no conto do (pseudo)vigário da plena comunhão com Roma Apóstata - e vejam que Fellay tentou à exaustão! - lhes foi oferecida a Prelatura Pessoal, cujo comando é um cargo vitalício (nada de chatos Capítulos Gerais de seis em seis anos para eleger um Superior Geral) diretamente subordinado ao "Papa". Algum olhinho deve ter brilhado de satisfação e... as coisas foram avançando, com a promessa ilusória de que não precisariam aceitar o CVII nem rezar a missa nova, como os tolinhos da Ecclesia Dei. Quem é o tolinho agora? Pois, com Prelatura Pessoal reluzente de nova, veio a imposição das mesmas cláusulas, mas shhhhhhhhhhhh! Silêncio!, os sapos cozidos (padres e fiéis) não podem saber ainda!!! Além disso, veio a imposição também de 3 bispos sagrados por Francisco à escolha de Fellay. Não necessariamente das fileiras da Neofrat. Vejam bem!  

E com isso chegamos ao segundo assunto: O Jogo do Ganso avança... 

Sites tradicionalistas de vários idiomas estão reverberando os rumores de um bispo modernista para a Neofrat. Tem nome:  Monsenhor Vitus Huonder, de 76 anos, conservador, o qual - oficialmente - pensa em se aposentar e ir viver em um internado masculino da Neofrat em Wangs, cantão suíço de San Galo. Amigo da Neofrat e próximo de Francisco, o qual lhe negou a aposentadoria em 2017, se não me engano. Um elo de ligação a mais. 

Minhas fontes me informaram que padres de um priorado centro-americano teriam sido solicitados em La Reja para aulinhas de como fazer para os fiéis irem se conformando ao acordo, sem chamá-lo de acordo, para não espantá-los. Veremos... 

Enquanto isso, os Ecclesia Dei foram rebaixados a uma Seção-de-qualquer-coisa, subordinada à Congregação para a Doutrina da Fé, aceitando o CVII e sendo bi-ritualistas... Que triste fim de uma tão bela história. 

Bom, fontes?... Pesquisem no Google. Minha obrigação é informar, não convencer. E como percebi que, apesar de todo o trabalho que sempre me dei para fundamentar as informações aqui não serve de nada, porque há ouvidos surdos... vou me poupar disto.  

Sigo rezando para que mais sapos cozidos despertem desse sono sobrenatural e tenham a coragem de defender a Fé e a Verdade, embora duvide que depois de tantos anos sendo doutrinados pelos ralliés ainda haja esperança. De qualquer forma, as portas das Missões Cristo Rei estão abertas. São bem vindos.  


Recordar é viver: http://farfalline.blogspot.com/2018/07/da-trave-que-entrava-os-olhos.html.


terça-feira, 4 de abril de 2017

Eu não disse que houve um acordo?

Francisco reconhece "sob condição" os matrimônios feitos pela Neofrat. 

 



Então, né... Francisco só está que apressa a plena comunhão dos Neofrat com a Igreja Apóstata de Roma Apóstata. De tempos em tempos, solta um pedacinho de queijo, e os ratinhos vão alegres e contentes para a ratoeira herética.  

Primeiro, autorizou as confissões com prazo de validade. Depois, misericordioso que só ele, espichou o prazo por tempo indeterminado (espertinho, Francisquiello, não deu a corda toda), e agora os padres neofrats têm o selinho bergogliano de confessores autorizados! Que fofos! Agora, concede a eles a validação dos matrimônios que fizerem, mas "sob condição" - isto é ideia minha... Ele não a chamou assim - da seguinte forma: 

Sempre que possível será dada autorização para assistir ao matrimônio ao ordinário local, o qual receberá o consenso das partes no rito do sacramento, no começo da missa, seguindo-se a celebração da missa por parte do sacerdote neofrat. Quando não for possível a presença de um padre modernista, o sacerdote Neofrat poderá fazer o casamento restando advertido de que deverá entregar a documentação o mais breve possível à Diocese herética local. E isso só para acabar com o desconforto dos fieis da Neofrat e a incerteza sobre a validade do matrimônio, e, ao mesmo tempo, para APRESSAR O CAMINHO PARA A PLENA REGULARIZAÇÃO INSTITUCIONAL

Então, vejamos: os padres da Neofrat serão supervisionados pelos hereges modernistas. E para eles... tudo bem?... Que coisa, né?  

O que falta acontecer? Enquanto não tiver um papel assinado não existe acordo? Sério? Hummmmmmmmmmmmmm, então, tá, então! 

Como diz o Capitão Jack Sparrow: "repita isso até acreditar!"... 

domingo, 19 de julho de 2015

IGREJA CONCILIAR: Ecclesiae Unitatem - 2009 - BENTO XVI

Para entender a Igreja hoje, e o combate da USML, a verdadeira FSSPX.  


CARTA APOSTÓLICA "MOTU PROPRIO" 

ECCLESIAE UNITATEM

SOBRE A PONTIFÍCIA COMISSÃO ECCLESIA DEI

1. A tarefa de conservar a unidade da Igreja, com a solicitude de oferecer a todos a ajuda para responder nos modos oportunos a esta vocação e graça divina, compete de maneira particular ao Sucessor do Apóstolo Pedro, que é o princípio e o fundamento perpétuo e visível da unidade, tanto dos Bispos como dos fiéis [1]. A prioridade suprema e fundamental da Igreja, em todos os tempos, de conduzir os homens para o encontro com Deus, deve ser favorecida mediante o compromisso de chegar ao testemunho comum de fé de todos os cristãos.

2. Em fidelidade a este mandato, no dia seguinte ao ato com que ao Arcebispo Marcel Lefebvre, a 30 de Junho de 1988, conferiu ilicitamente a ordenação episcopal a quatro sacerdotes, o Papa João Paulo II, de veneranda memória, instituiu a 2 de Julho de 1988 a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, "com a tarefa de colaborar com os Bispos, com os Dicastérios da Cúria Romana e com os ambientes interessados, com a finalidade de facilitar a plena comunhão eclesial dos sacerdotes, seminaristas, comunidades ou religiosos e religiosas individualmente, até então de várias maneiras ligados à Fraternidade fundada por D. Lefebvre, que desejam permanecer unidos ao Sucessor de Pedro na Igreja católica, conservando as suas tradições espirituais e litúrgicas, à luz do Protocolo assinado no passado dia 5 de Maio pelo Cardeal Ratzinger e por D. Lefebvre" [2].

3. Nesta linha, aderindo fielmente à mesma tarefa de servir a comunhão universal da Igreja na sua manifestação também visível e realizando todos os esforços para que a todos aqueles que têm verdadeiramente o desejo da unidade seja possível permanecer nela ou reencontrá-la, eu quis ampliar e actualizar, com o Motu Proprio Summorum Pontificum, a indicação geral já contida no Motu Proprio Ecclesia Dei, acerca da possibilidade de utilizar o Missale Romanum de 1962 através de normas mais exactas e pormenorizadas [3].

4. No mesmo espírito e com o mesmo compromisso de favorecer a superação de todas as rupturas e divisões na Igreja e de curar uma ferida sentida de modo cada vez mais doloroso no tecido eclesial, eu quis retirar a excomunhão aos quatro Bispos ordenados ilicitamente por D. Lefebvre. Com esta decisão, desejei tirar um impedimento que podia prejudicar a abertura de uma porta ao diálogo e convidar assim os Bispos e a "Fraternidade São Pio X" a reencontrar o caminho para a plena comunhão com a Igreja. Como expliquei na Carta aos Bispos católicos, do passado dia 10 de Março, a remissão da excomunhão foi uma providência no âmbito da disciplina eclesiástica para libertar as pessoas do peso de consciência representado pela censura eclesiástica mais grave. Mas obviamente as questões doutrinais permanecem e, enquanto não forem esclarecidas, a Fraternidade não dispõe de um estatuto canónico na Igreja e os seus ministros não podem exercer de modo legítimo qualquer ministério.

5. Precisamente porque os problemas que agora devem ser tratados com a Fraternidade são de natureza essencialmente doutrinal, decidi — a vinte anos do Motu Proprio Ecclesia Dei, e em conformidade com quanto me tinha reservado fazer [4] — de repensar a estrutura da Comissão Ecclesia Dei, unindo-a estreitamente à Congregação para a Doutrina da Fé.

6. Portanto, a Pontifícia Comissão Ecclesia Dei terá a seguinte configuração:

a) O Presidente da Comissão é o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.
b) A Comissão dispõe de um seu organograma, composto pelo Secretário e por Oficiais.
c) Será tarefa do Presidente, coadjuvado pelo Secretário, submeter os principais casos e as questões de índole doutrinal ao estudo e ao discernimento das instâncias ordinárias da Congregação para a Doutrina da Fé, e também submeter os seus resultados às disposições superiores do Sumo Pontífice.

7. Com esta decisão eu quis, de maneira particular, mostrar solicitude paterna à "Fraternidade São Pio X", com a finalidade de reencontrar a plena comunhão [?????] com a Igreja.

Dirijo a todos um convite urgente a rezar incessantemente ao Senhor, por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, "ut unum sint".

Dado em Roma, em São Pedro, no dia 2 de Julho de 2009, quinto ano do nosso Pontificado.

BENEDICTUS PP. XVI
 

Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/apost_letters/documents/hf_ben-xvi_apl_20090702_ecclesiae-unitatem_po.html

Notas: 

[1] Cf. Concílio Ecuménico Vaticano II, Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen gentium, 23; Concílio Ecuménico Vaticano I, Constituição dogmática sobre a Igreja de Cristo Pastor aeternus, cap. 3: DS 3060. 
[2] João Paulo II, Litterae Apostolicae Motu Proprio datae Ecclesia Dei (2 de Julho de 1988), n. 6: AAS 80 (1988), 1498. 
[3] Bento XVI, Litterae Apostolicae Motu Proprio datae Summorum Pontificum (7 de Julho de 2007): aas 99 (2007), 777-781. 
[4]Cf. ibid., art. 11, 781
 



sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

MOTU PROPRIO ECCLESIA DEI

Acima, as Sagrações Episcopais de 1988.
Abaixo, Assis I: o "ecumenismo" de João Paulo II
O bispo titular da Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano, Dom Marco Aurélio Gubiotti, em um recente ataque aos católicos de Ipatinga, mencionou um documento que ele mesmo mostra não conhecer, e que nós devemos conhecer, para refutar as mentiras dos modernistas, tanto sobre o Venerável Monsenhor Lefebvre, como sobre a atitude deles mesmos de "proibir" a Missa de sempre e de punir os padres "deles" que a rezam.  

O documento é o Motu Proprio Ecclesia Dei que trata da "excomunhão" de Mons. Lefebvre e demais "envolvidos" no episódio das sagrações episcopais de 1988, que foi um marco divisor que deixou bem claro quem é católico e quem é... morno.  

Nesse documento, João Paulo II excomungou Mons. Lefebvre e outros que nomeia, apesar do estado de necessidade justa e devidamente alegado por todos os tradicionalistas, mesmo por aqueles que depois capitularam e acabaram na prateleira ecumênica das comunidades "Ecclesia Dei", tal como Campos, IBP, a seita do finado Orlando Fedeli e todos os demais adeptos das motumissas(1). E como também planeja fazer Fellay e seu grupo.   

Duas coisas saltam aos olhos claramente, a questão da obediência e a questão de facilitar a Missa Tridentina aos fiéis que a querem

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Crítica externa acerca dos novos rumos da FSSPX

OPERAÇÃO MEMÓRIA: para que não digam que ISSO não aconteceu. E não se repetiu. 


Crítica externa acerca dos novos rumos da FSSPX



Pe. Carusi (ao centro)

Encontrei no blog do Guilherme Chenta um curioso artigo, que foi posto há algum tempo, de forma que possivelmente não se trata de novidade para muitos. Mas como não havia lido a respeito, resolvi então publicar no blog, para conhecimento dos que porventura também não tenham tomado conhecimento.

O IBP, que nasceu como uma alternativa de ser uma FSSPX inserida juridicamente na Igreja, guardando ao mesmo tempo completa autonomia na Fé e disciplina tradicionais (quando se alardeava com muita esperança que estavam garantidas a missa tradicional como exclusivo rito para seus membros, e o direito de criticar o concílio, omitindo a obrigação de aceita-lo), logo viu que seus próprios pares não formavam um bloco coeso, mas ao contrário, parte deles – inclusive entre os fundadores – tinham uma tendência mais liberal do que se poderia supor.

O resultado foi uma divisão prática entre os que gostariam de observar a ortodoxia do acordo, tal como foi proposto no ato da fundação, e os de tendências mais liberalizantes.

domingo, 18 de agosto de 2013

Dois coelhos com uma cajadada só!

E por falar em Franciscanos da Imaculada, pesquisando notícias a respeito deles, acabei por me deparar com esta notícia de que o Bispo de Roma moveu enfim seu peão no tabuleiro das negociações por um acordo prático, ficando bem claro que ainda estamos longe da tão esperada conversão. Segundo a notícia, Mons. Pozzo está novamente encarregado de dialogar com a FSSPX, na pessoa, obviamente, de dom Fellay, por ser visto por este "com alguma confiança", sempre visando aquele ao regresso deste e dos seus à "Igreja católica". 

domingo, 18 de novembro de 2012

FSSPX: Roma à espera de uma resposta!

Ainda na "operação Memória", publicamos, devidamente traduzido para o Português, a declaração da Comissão Ecclesia Dei que, enquanto Menzingen diz: "acabaram as negociações", afirma, com "paciência, serenidade, perseverança e confiança", que Roma espera uma resposta da FSSPX. Como já tive oportunidade de dizer antes: até Roma jamais mudou de discurso... apenas o Governo de Menzingen o tem feito!

DECLARAÇÃO DA PONTIFÍCIA COMISSÃO "ECCLESIA DEI": 27.10.2012


A Pontifícia Comissão Ecclesia Dei aproveita esta ocasião para anunciar que, em seu mais recente comunicado oficial (6 de setembro de 2012), a Fraternidade Sacerdotal São Pio X indicou que necessita de sua parte de um tempo ulterior de reflexão e estudo, para preparar a sua resposta às últimas iniciativas da Santa Sé.

O estágio atual das discussões em curso entre a Santa Sé e a Fraternidade Sacerdotal é fruto de três anos de diálogos doutrinais e teológicos, durante os quais comissão conjunta se reuniu oito vezes para estudar e discutir, entre outras questões, alguns pontos controversos na interpretação de determinados documentos do Concílio Vaticano II. Quando esses diálogos foram concluídos, foi possível proceder a uma fase de discussão mais diretamente focada no grande desejo de reconciliação da Fraternidade Sacerdotal São Pio X com a Sé de Pedro.

Outros passos fundamentais nesse processo positivo de reintegração gradual já haviam sido dados pela Santa Sé em 2007, com a extensão à Igreja universal da Forma Extraordinária do Rito Romano com o Motu Proprio Summorum Pontificum, e, em 2009, com o levantamento das excomunhões. Há apenas alguns meses neste caminho difícil chegou-se a um ponto fundamental quando, em 13 de junho de 2012, a Pontifícia Comissão apresentou à Fraternidade Sacerdotal São Pio X uma declaração doutrinal juntamente com uma proposta para a normalização canônica de seu status dentro da Igreja Católica.

Atualmente, a Santa Sé está à espera da resposta oficial dos Superiores da Fraternidade Sacerdotal a esses dois documentos. Após trinta anos de separação, é compreensível que haja necessidade de um tempo para absorver o significado desses recentes desenvolvimentos. Enquanto o nosso Santo Padre Bento XVI busca promover e preservar a unidade da Igreja mediante a realização da reconciliação por tanto tempo esperada pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X com a Sé de Pedro – uma poderosa manifestação do munus Petrinum em ação – é necessário paciência, serenidade, perseverança e confiança.

Fonte: Vaticano.
Tradução: Giulia d'Amore di Ugento.

_

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Como estão os "colóquios" na visão da Ecclesia Dei

Reproduzo abaixo a entrevista concedida por Mons. Pozzo, Secretário da Pontíficia Comissão Ecclesia Dei ao site Gloria.TV. Nela, Mons. Pozzo explicita a visão pessoal dos colóquios e o status quo das relaçãos FSSPX-Roma. Grifei aspectos que eu achei particularmente interessantes. O conteúdo do discurso de Mons. Pozzo é tipicamente pós-conciliar, um tanto trapizonga. Polido e superficial, querendo parecer discreto. Mas o que conta aqui não é minha opinião sobre Monsenhor, mas o que ele próprio diz. Vamos à entrevista, então.


O chefe da Ecclesia Dei acerca dos colóquios com a FSSPX
Entrevista de Gloria.TV a Mons. Guido Pozzo, Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei

 

- Monsenhor, o senhor participou do diálogo com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Qual foi sua impressão pessoal dessas reuniões? Em que ponto estamos? Crê que chegaremos logo a uma reconciliação?

Minha impressão é substancialmente positiva quanto à cordialidade com que o diálogo, o colóquio se desenvolveu, e devo dizer que sempre foi um diálogo muito franco, sincero e, por vezes, vivaz, como era de se esperar, dada a problemática e a temática em discussão. Penso que chegamos a um ponto decisivo, mesmo que, certamente, não conclusivo deste caminho, e que serviu para esclarece amplamente e de modo aprofundado as posições respectivas da Fraternidade São Pio X e dos especialistas da Congregação pela Doutrina da Fé; agora, trata-se justamente de passar a um patamar mais valorativo, a um nível valorativo dos pontos controvertidos, para verificar a possibilidade concreta de chegar à superação das dificuldades doutrinais que foram afrontadas.

- Existe um modus procedendi, caso o Preâmbulo doutrinal não venha a ser firmado?

Nesta fase, o texto do Preâmbulo doutrinal foi entregue a Mon. Fellay, aos superiores da Fraternidade, para que eles possam examiná-lo e dar uma resposta, que nós auspicamos seja em substância favorável, positiva, afirmativa. Há sempre a possibilidade de pedir certos detalhamentos, certos esclarecimentos, que de nossa parte serão certamente dados, dentro de um lapso de tempo razoável [ou seja: algumas modificações no texto do Preâmbulo, NdR]. Questionar-se o que vai acontecer se as dificuldades viessem a ser consideradas graves, intransponíveis, parece-me que seja impróprio. Neste momento, não nos colocamos este problema.

- A Fraternidade não surgiu do nada, mas como resposta a uma gravíssima crise eclesiástica, sobretudo em países como a Alemanha, a França ou a Suíça. Esta crise persiste. Crê que, depois de um acordo feito em Roma, a Fraternidade possa coabitar nestes Países debaixo do teto da Igreja institucional?

Eu responderia simplesmente que quem é verdadeira e plenamente católico pode habitar plena e devidamente na Igreja Católica, onde quer que a Igreja Católica exista e se desenvolva. Não é apenas uma afirmação de princípio, é uma afirmação existencial que corresponde à realidade da Igreja Católica. Isto, naturalmente, não significa que não existam dificuldades, até por causa da situação crítica em que se encontram muitos católicos, o mundo católico, nestes e em outros países, mas não creio que na história não se verificaram casos análogos, e, portanto, a resposta é muito simples: quem é verdadeira e plenamente católico não apenas tem o direito, mas vive bem e se encontra bem dentro da Igreja Católica.

- Quais são as razões da hostilidade de muitos ambientes eclesiásticos contra uma liturgia que a Igreja e muitíssimos santos celebraram por um período tão longo e que foi o instrumento do crescimento espetacular da Igreja? [esta é a pergunta que muitos de nós se põem. Na realidade, não pode haver uma resposta satisfatória, pois a razão é visceral, não racional: uma inteira geração de sacerdotes sofreu uma capilar, penetrante, totalitarista lavagem cerebral, motivo pelo qual tudo o que se fazia até 1962 era retrógrado e errado; é quase impossível, agora, reparar os danos cerebrais causados por aquele condicionamento pluri-decenal, NdR].

É uma pergunta complexa porque acredito que muitos fatores intervêm para compreender este preconceito ainda tão difundido contra a liturgia da forma extraordinária do Rito Antigo. É de se ter em mente que, por muitos anos, não foi oferecida uma formação litúrgica verdadeiramente adequada e completa na Igreja Católica. Quis-se introduzir o princípio de uma ruptura, de um afastamento, de um distanciamento radical entre a reforma litúrgica proposta, instaurada, promulgada pelo Papa Paulo VI e a liturgia tradicional. Na realidade, as coisas são diferentes, porque é claro que há uma continuidade substancial na liturgia, na história da liturgia; há crescimento, progresso, renovação, mas não ruptura, não descontinuidade; e, então, estes preconceitos influenciam de maneira determinante na forma mentis das pessoas, dos eclesiásticos e também dos fieis [os fieis e os eclesiásticos não seriam pessoas? NdTª]. É necessário superar este preconceito, é necessário dar uma formação litúrgica completa, autêntica, e ver como, precisamente, uma coisa são os livros litúrgicos da reforma quista por Paolo VI e outra coisa são as formas de atuação que em tantas partes do mundo católico aconteceram na prática e que são autênticos abusos da própria reforma litúrgica de Paulo VI, e contêm inclusive erros doutrinais que devem ser corrigidos e rejeitados. É isto que, recentemente, no fim da primavera deste ano, em um discurso no Ateneo Anselmiano, o Santo Padre Bento XVI quis mais uma vez reafirmar. Uma coisa são os livros litúrgicos da reforma, outra as formas concretas de atuação que, infelizmente, em tantas partes se difundiram e que não são coerentes com os princípios que foram fixados e explicitados pela própria Constituição do Concílio Vaticano II, "Sacrosantum Concilium", sobre a divina liturgia.

- O Preâmbulo confidencial foi entregue a Mons. Fellay em 14 de setembro. Um dia depois, Andrea Tornielli estava já informado a respeito. Por que as informações confidenciais do Vaticano chegam tão rapidamente à imprensa?

A habilidade dos jornalistas é muito conhecida, é uma habilidade de interceptar as notícias que é realmente admirável sob certo ponto de vista, mas diria que neste caso os jornalistas, não apenas o jornalista Tornielli mas outros também, no dia seguinte haviam capturado a essência [A. Tornielli não disse que capturou alguma essência, afirmou que recebeu informações intra muro, NdTª] do comunicado de imprensa que já informava sobre alguns elementos essenciais do Preâmbulo doutrinal, e, então, diria que os conteúdos profundos do Preâmbulo, em seus detalhes, não são conhecidos, pelo menos até agora não foram divulgados; e os jornalistas não falaram sobre eles, não descreveram em detalhes o desenvolvimento e a elaboração do Preâmbulo doutrinal; então, a discrição, substancialmente, neste caso, creio que foi mantida. Espero que continue assim.

- O senhor, antes de fazer parte de Ecclesia Dei, teve experiências pessoais com a Missa em latim? Como viveu as mudanças litúrgicas nos anos sessenta?

As perguntas são duas, e à primeira respondo que, antes do motu proprio Summorum Pontificum de 2007, eu não tive nenhum contato com a celebração da Missa no rito antigo, e comecei a celebrar a Missa no rito da forma extraordinária justamente com o motu proprio Summorum Pontificum, que permitiu que esta Missa pudesse ser celebrada desta forma.
Como vivi nos anos sessenta, nos anos setenta as mudanças? Bem, devo dizer que, conforme o modo como fui formado e preparado pelos meus educadores no Seminário, e, sobretudo, também na Pontifícia Universidade Gregoriana, pelos meus mestres de teologia, procurei sempre entender aquilo que o Magistério propunha através da leitura de seus textos, não através do que teólogos ou certa publicística católica atribuía ao Magistério. Portanto, eu nunca tive problema em aceitar a Missa pela reforma litúrgica de Paolo VI, mas logo percebi que, por causa desta grande desordem que se introduziu na Igreja depois de 1968, frequentemente a Missa de Paulo VI vinha sendo deformada e celebrada em modo absolutamente contrário às intenções profundas do legislador, isto é, do Sumo Pontífice; portanto, esta desordem, este colapso da liturgia de que falou o então Cardeal Ratzinger em alguns de seus livros e em algumas de suas publicações de liturgia, eu até o experimentei assaz diretamente e sempre quis manter separadas as duas coisas: uma coisa são os ritos, os textos do missal, outra coisa é o modo como é celebrada, ou era celebrada a liturgia em muitas circunstancias e em muitos lugares, sobretudo com base neste princípio da criatividade, uma criatividade selvagem que nada tem a ver com o Espírito Santo; pelo contrário, diria, que é exatamente o oposto do que o Espírito Santo quer.

- Porque vale a pena promover a Missa em latim?

Porque na Missa do Rito Antigo são explicitados, evidenciados certos valores, certos aspectos fundamentais da liturgia que merecem ser mantidos, e não falo somente da língua latina ou do canto gregoriano, falo do sentido do mistério, do sagrado; o sentido do sacrifício, da Missa como sacrifício; a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia, e do fato de que há grandes momentos de recolhimento interior, como uma participação interior à divina liturgia. É isto, são todos elementos fundamentais, os quais na Missa do Rito Antigo são particularmente evidenciados. Não digo que na Missa da reforma de Paulo VI não existam estes elementos, mas falo de uma evidenciação maior, e isto pode enriquecer também quem celebra ou participa da Missa na forma ordinária. Nada proíbe de pensar que no futuro se possa chegar inclusive a uma reunificação das duas formas com elementos que se integram entre si, mas este não é um objetivo para se alcançar em curto espaço de tempo, nem, sobretudo, para se alcançar com uma decisão tomada levianamente, mas requer uma maturação de todo o povo cristão em compreender ambas as formas litúrgicas do mesmo rito romano.

Obs.: NdR é MessaInLatino. NdTª sou eu. Grifos [negrito] no textos são meus. 

Vídeo: Gloria.TV
Tradução: Pale Ideas
_

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Colóquios, Instrução Universae Ecclesiae, Tradição e Mons. Lefebvre - a palavra agora é da FSSPX-Itália

DO BLOG MESSAINLATINO.IT:


Entrevista com Dom Davide Pagliarani



Publicamos uma interessante entrevista concedida a Marco Bongi pelo Superior do Distrito italiano da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, sobre os colóquios teológicos da Fraternidade com Roma, o estado cultural e atual do mundo católico da Tradição e um comentário preciso sobre a Instrução Universae Ecclesiae.

26 de julho de 2011

Os colóquios teológicos entre a FSSPX e as Autoridades Romanas chegam ao fim. Mesmo não tendo sido emitido ainda nenhum comunicado oficial, não faltam comentadores que, baseando-se em indiscrições, julguem os colóquios fracassados. Pode nos dizer algo a mais sobre esse assunto?

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Non Possum: sobre os colóquios


 
Antes de ler este interessante artigo, seria oportuno ouvir e ler o que Mons. Lefebvre disse ao Cardeal Ratzinger... 

Trecho de homilia de Dom Lefebvre (com subtítulos em italiano), registrada no dia 04 de outubro de 1987. O fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, falando do então Cardeal Ratzinger, diz claramente que com ele nunca se poderia chegar a um acordo, porque Ratzinger trabalha pela DESCRISTIANIZAÇÃO da Igreja. 


-------------------------------------------------

O bordão de junho: A regularização canônica da FSSPX

de Belvecchio 

E chegamos perto da festa dos SS. Pedro e Paulo.
 
Em geral, a partir do final de junho, muitas estruturas eclesiásticas se concedem uma espécie de descanso. Prelados, funcionários e seminaristas saem de férias, ou quase. Uma espécie de desaceleração das incumbências anuais.
 

clique na imagem abaixo

Leitores