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terça-feira, 18 de agosto de 2015

A Rede conspiratória liderada por Dom Helder durante o Concílio Vaticano II

A Rede conspiratória liderada por Dom Helder durante o Concílio Vaticano II


 

Dom Helder líder da sociedade secreta
"Igreja dos pobres" criada com o fim
de
comunistizar a Igreja Católica
O renomado historiador Roberto de Mattei, autor de “Concílio Vaticano II , uma história nunca escrita” traz informações importantes sobre uma rede conspiratória que trabalhou pela eleição do Cardeal Montini ao Papado. 


Essa rede tinha como meta tornar Montini Papa da Igreja, para controlá-la por dentro pondo-a a serviço da revolução e da modernidade.

Isso ficou claro na medida em que, desde o começo do CVII, a ala modernista dos bispos franco-alemãos (nessa ala inclua-se a ala belga-holandesa) buscou frustrar os planos da Cúria Romana, de controle dos temas e dos conteúdos  que seriam discutidos no Concílio.

Para frustrar tais planos. o Cardeal Lienart, bispo de Lille, deu um golpe na primeira sessão exigindo do Cardeal Tisserant que paralisasse o processo de votação que iria decidir os membros das comissões. Lienart alegava que “é impossível votar desta maneira sem conhecer os candidatos mais qualificados”, ao que Tisserant disse “Eminência, a ordem do dia não prevê debates. Estamos reunidos apenas para votar”. Insatisfeito com a resposta, o bispo de Lille tomou o microfone e tentou convencer a assembleia a não votar. Os cardeais Konig, Frings e Dopfner apoiaram Lienart e conseguiram levar a assembleia a se dispersar.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Historiador levanta dúvidas sobre a santidade de João XXIII

Em entrevista à revista norte-americana Catholic Family News, de 22 de abril, largamente reproduzida por outros órgãos da mídia, o conceituado historiador italiano Roberto de Mattei (*) apresenta suas reservas com relação à santidade de João XXIII. Abaixo trechos importantes da entrevista.

Perguntado sobre as canonizações de João Paulo II e João XXIII, diz De Mattei:

"Eu posso exprimir uma opinião pessoal, sem pretender resolver esse complexo problema. O Primeiro Concílio do Vaticano definiu a primazia de jurisdição do Papa e a infalibilidade de seu Magistério, sob certas condições, mas certamente não a impecabilidade pessoal do Soberano Pontífice.

"Então, seja-me permitido exprimir-me sobre o Papa João XXIII, que eu conheço melhor como historiador. Estudando o Concílio Vaticano II pude aprofundar-me na biografia desse Papa e consultei as atas de seu processo de beatificação.

"No caso de um Papa, para ser considerado santo, ele deve ter praticado virtudes heroicas no cumprimento de seu múnus de Papa; é o caso, por exemplo, São Pio V ou São Pio X.

"Ora, no que se refere a João XXIII, cheguei à refletida convicção de que seu pontificado foi objetivamente prejudicial para a Igreja e que, portanto, é impossível falar de santidade no caso dele.

"Afirmou-o antes de mim, em um famoso artigo na "Revista de Ascética e Mistica"(Ascetical and Mystical Review) o sacerdote dominicano Inocêncio Colosio, especialista em santidade e considerado um dos maiores historiadores da espiritualidade nos tempos modernos.

"É falsa a premissa de que cada ato do Papa, ou quase cada ato, é infalível. A infalibilidade das canonizações não é um dogma de fé.

"Não é por acaso que a doutrina das canonizações não está contida nos Códigos de Direito Canônico de 1917 e de 1983, nem nos Catecismos da Igreja, quer o antigo, quer o novo.

"Quanto a este tema, além do estudo de Mons. Brunero Gherardini [o mais eminente representante vivo da Escola Romana de teologia], remeto também para o excelente artigo de José Antonio Ureta, publicado na edição de março/2014, da revista Catolicismo.

"Sinto que posso, em consciência, manter todas as minhas reservas quanto a este ato de canonização."

(*) Gregorio Vivanco Lopes é advogado e colaborador da ABIM

Fonte: Agência Boa Imprensa – (ABIM)


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domingo, 16 de fevereiro de 2014

A bola da vez em Radio Maria: Roberto de Mattei. Quem é o próximo?

Hoje começaram uns rumores e, agora, foi confirmado em um site acima de qualquer suspeita: “Corrispondenza Romana”: O Prof. Roberto de Mattei foi demitido hoje do programa “Radici Cristiane” que mantinha em Radio Maria, uma rádio que se diz católica. Foi demitido pelo diretor da rádio, Padre Livio Fanzaga, no dia 13 de fevereiro passado.

Bom, quem me havia enviado a primeira noticia (com um link em espanhol do artigo que causou sua demissão ), se felicitava por de Mattei.  Eu não entendi porque, será de Mattei mais um mártir da Fé?

Em primeiro lugar, ele não saiu, mas saíram com ele. Digamos a verdade! Qual o martírio nisso?

De depois, ele teria sido demitido por causa de um artigo que escreveu “avaliando” o primeiro ano do pontificado (?) de Francisco. Não li o artigo – nem pretendo fazê-lo, a menos que meus superiores me ordenem – mas não deve ter agradado a alguém. A alguém importante, não certamente a “algum ouvinte”, como diz pe. Livio, porque não faltam reclamações de ouvintes do de Mattei. Em um rápida busca na net por notícias oficiais sobre as demissões, descobri que a turma dos homens em cor-de-rosa tem feito abaixo-assinados, um atrás do outro, para demiti-lo, sem êxito. O que me leva a crer que as presentes demissões vem da reclamação de um ouvinte poderoso.

Terceiro, eu realmente não posso admirar quem, como de Mattei, critica um superior e continua a segui-lo. Sobretudo em se tratando de questões de Fé! Não mesmo! 

sábado, 16 de fevereiro de 2013

DE MATTEI: A RENÚNCIA DE BENTO XVI

Considerações sobre o ato de renúncia de Bento XVI

por Roberto de Mattei (*)


Em 11 de fevereiro, dia da Festa de Nossa Senhora de Lourdes, o Santo Padre Bento XVI comunicou ao Consistório de cardeais e a todo o mundo sua decisão de renunciar ao Pontificado. O anúncio foi acolhido pelos cardeais, “quase inteiramente incrédulos”, “com sensação de confusão”, “como um raio em céu sereno”, segundo as palavras dirigidas em seguida ao Papa pelo cardeal decano Ângelo Sodano.

Se foi tão grande a confusão por parte dos cardeais, pode-se imaginar quão forte tem sido nesses dias a desorientação dos fieis, sobretudo daqueles que sempre viram em Bento XVI um ponto de referência, e agora se sentem de algum modo "órfãos", senão mesmo abandonados, em face das graves dificuldades que enfrenta a Igreja no momento presente.

No entanto, a hipótese da renúncia de um Papa ao sólio pontifício não é de todo inesperada. O presidente da Conferência Episcopal da Alemanha, Karl Lehmann, e o primaz da Bélgica, Godfried Danneels, haviam apresentado a hipótese da “renúncia” de João Paulo II, quando as condições de sua saúde haviam se deteriorado. O cardeal Ratzinger, no livro-entrevista de 2010, Luz do Mundo, havia dito ao jornalista alemão Peter Seewald que, se um Papa se dá conta de que não é mais capaz, “física, psicológica e espiritualmente, de cumprir os deveres de seu ofício, então ele tem o direito e, em certas circunstâncias, também a obrigação, de renunciar”. Ainda em 2010, cinquenta teólogos espanhóis haviam manifestado sua adesão à Carta Aberta aos bispos de todo o mundo do teólogo suíço Hans Küng, com estas palavras: “Acreditamos que o Pontificado de Bento XVI se tenha exaurido. O Papa não tem a idade nem a mentalidade para responder adequadamente aos graves e urgentes problemas com os quais a Igreja Católica se defronta. Pensamos, portanto, com o devido respeito por sua pessoa, que deve apresentar a demissão do seu cargo”. E quando, entre 2011 e 2012, alguns jornalistas como Giuliano Ferrara e Antonio Socci havia escrito sobre a possível renúncia do Papa, a hipótese havia suscitado entre os leitores mais desaprovação que consenso.

Não há dúvidas acerca do direito de um Papa de renunciar. O novo Código de Direito Canônico prevê a possibilidade de renúncia do Papa no cânon 332, parágrafo segundo, com estas palavras: “Se acontecer que o Romano Pontífice renuncie a seu múnus, para a validade se requer que a renúncia seja livremente feita e devidamente manifestada, mas não que seja aceita por alguém”. Nos artigos 1º e 3º da Constituição Apostólica Universi Dominicis Gregis, de 1996, sobre a vacância da Santa Sé, é prevista ademais a possibilidade de que a vacância da Sé Apostólica seja determinada não só pela morte do Papa, mas também por sua renúncia válida.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

de Mattei e a sua apologia à Tradição Católica

Mais uma obra de Roberto de Mattei sobre o Concílio Vaticano II. Desta vez é uma apologia escancarada e sem receios de repetir a Verdade: A Tradição é a resposta, desde sempre, aos problemas da Igreja. É quem a mantém sempre a mesma, no tempo e no espaço. Sua salvaguarda. E, por ser tão importante, é dever de todo cristão salvaguardar, por sua vez, a Tradição. Somos todos sentinelas. Resenha da brilhante Cristina Siccardi, que assina também as notas (NdAª. - notas da autora). A tradução e as respectivas notas (NdTª. - notas da tradutora) modestamente são minhas.

Giulia d'Amore di Ugento



‘Apologia da Tradição’, de Roberto de Mattei.





A TRADIÇÃO
É A RESPOSTA, DESDE SEMPRE,
AOS PROBLEMAS DA IGREJA


O Concílio Vaticano II produziu documentos, mas não é, ele mesmo, um documento: como todo Concílio é, antes de tudo, um evento, um momento da história da Igreja que, como tal, se coloca em um nível factual e não veritativo1. Enquanto o dogma formula uma verdade que, uma vez formulada, transcende, por assim dizer, a história, o Concílio, ou melhor, os Concílios nascem e morrem na história, e pelos historiadores podem ser julgados”. (R. de Mattei)


Roberto de Mattei
Na capa do último livro de Roberto de Mattei2 está São Jerônimo3 (347-419/420); trata-se do célebre afresco ‘São Jerônimo em seu estúdio’ (c. 1480), de Domenico Ghirlandaio4 (1449-1494), guardado na Igreja de Todos os Santos, em Florença. Os livros abertos e os pergaminhos, com escritas em grego e hebraico, remetem à sua atividade: foi o primeiro tradutor da Bíblia do grego e do hebraico para o latim, conhecida como Vulgata. Ghirlandaio quis representá-lo absorto em pensamentos, enquanto dirige seu olhar para quem o observa. Este Doutor da Igreja, garante da Tradição Católica, olha para nós, nos perscruta e, com o rosto apoiado na mão esquerda, enquanto a outra mão está em atitude de escrever, parece dizer: “mas o que fizeram da Tradição que vós entregamos?”.

O livro traz um título decididamente interessante: Apologia da Tradição. Pós-escrito a 'O Concílio Vaticano II. Uma história nunca escrita' (Lindau, pp 164, € 16,00). Com base na teologia mais segura, como o é aquela da Escolástica (e de São Tomás de Aquino em particular), da Contrarreforma e da Escola Romana dos séculos XIX e XX, a qual se estende até o XXI graças à extraordinária figura de Monsenhor Brunero Gherardini5, e com base no Magistério dos Sumos Pontífices, de Mattei se faz repetidor da posição da Tradição da Igreja, aquela que a torna Santa e Imaculada. Este estudo é a melhor resposta para aqueles que buscaram confutar, com argumentos pobres e às vezes mesquinhos, a obra O Concílio Vaticano II. Uma história nunca escrita (Lindau), que valeu ao seu autor o Prêmio Acqui Storia 2011.
Podem teólogos sérios e historiadores sérios observar os acontecimentos deletérios da e na Igreja? Ou devem ignorá-los e, por obsequio, não à Verdade, mas à autoridade, aceitar como sendo bom e eficaz tudo o que desta última deriva? “Splendore Veritatis gaudet Ecclesia” (“A Igreja se compraz do refulgir da Verdade”), isto afirmou Leão XIII6 (1810-1903), aos 04 de Maio de 1902, aos representantes de institutos históricos estrangeiros em Roma. A Igreja sempre homenageou, mais cedo ou mais tarde, quem lhe demonstrou amor, contribuindo a mantê-la como a quis o seu Fundador, isto é, pura de todo erro e heresia; até mesmo com a crítica, que o amor torna sempre construtiva.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Reflexões sobre Assis III pelo Prof. Roberto de Mattei

As observações do Prof. de Mattei sobre o encontro de Assis


Continuamos o 'balanço' sobre o encontro inter-religioso de Assis, com esta participação do Prof. de Mattei, a quem agradecemos pela contribuição analítica.
Enrico

Depois de Assis III. Algumas reflexões

por Roberto de Mattei

Como signatário de um apelo a Sua Santidade Bento XVI para que voltasse atrás da decisão de celebrar o 25º aniversário do primeiro encontro inter-religioso de Assis, havida a reunião, não posso deixar de manifestar algumas reflexões a respeito.

Seja qual for o juízo que se queira dar sobre a terceira reunião de Assis, deve-se enfatizar que esta representou uma objetiva correção de rota em relação às duas reuniões precedentes, especialmente quanto ao perigo de sincretismo. Deve ser lido, a este respeito, com atenção, o discurso do Cardeal Raymond Leo Burke ao 'Congresso Peregrinos da Verdade para Assis', realizado no dia 1º de outubro passado em Roma, o qual oferece uma confiável chave para a interpretação do evento.

Na 'jornada de reflexão, diálogo e oração pela paz e a justiça no mundo', que ocorreu em 27 de outubro, não houve nenhum momento de oração por parte dos presentes, nem em comum nem em paralelo, como ocorrera em 1986 com os vários grupos religiosos reunidos em diversos lugares da cidade de São Francisco. É sabido, em qualquer caso, que o então cardeal Ratzinger evitou participar da reunião, e a sua ausência foi interpretada como uma tomada de distância dos equívocos que a iniciativa era destinada a produzir.

Bento XVI quis dar à reunião de 27 de Outubro um rosto diverso das reuniões precedentes: não tanto aquele, explicou o cardeal Burke, "de um encontro inter-religioso quanto o de um diálogo intercultural na esteira da racionalidade, bem preciosos do homem enquanto tal". Dois textos nos ajudam a compreender o pensamento de Bento XVI em matéria de 'diálogo': o primeiro é a carta enviada ao filósofo Marcello Pera[1], ex-presidente do Senado, quando do lançamento de seu livro, Por que devemos nos dizer cristãos (Mondadori ed., Milão, 2008), na qual Bento XVI escrevia que "um diálogo inter-religioso no sentido estrito da palavra não é possível, enquanto é mais urgente o diálogo intercultural que aprofunda as consequências culturais das decisões religiosas fundamentais. Aqui, o diálogo e uma mútua correção e um enriquecimento mútuo são possíveis e necessários".

O segundo documento é também uma carta, endereçada no dia 4 de março de 2011 ao pastor luterano alemão Peter Beyerhaus[2], que lhe havia manifestado temor com a nova convocação da jornada de Assis. Bento XVI escreveu-lhe: "Eu bem compreendo a sua preocupação com relação à participação ao encontro de Assis. Mas esta comemoração tinha que ser festejada de qualquer maneira, e, afinal, me parecia a melhor coisa ir lá pessoalmente, para tentar de tal modo determinar a direção de tudo. No entanto, farei tudo ao meu alcance para que seja impossível uma interpretação sincretista do evento, e para que fique firme que sempre crerei e confessarei aquilo para o qual eu havia chamado a atenção da Igreja com a Dominus Iesus".

A interpretação sincretista ou relativista do evento efetivamente não houve, ou foi atenuada, e a mídia dedicou, até por causa disto, bem pouco espaço ao evento.

Outro aspecto de Assis III suscita, no entanto, algumas perplexidades que não podem ser omitidas. O diálogo intercultural pode ser estabelecido com crentes de outras religiões não sobre base teológica, mas sobre aquela racional da lei natural. A lei natural nada mais é do que o Decálogo, compêndio dos dois preceitos da caridade, o amor por Deus e o amor pelo próximo, expressos nas duas tábuas entregues a Moisés pelo próprio Senhor. É possível que, apesar das falsas religiões que professam, haja crentes de outras religiões que procurem respeitar aquela lei natural que é universal e imutável, porque comum a todo ser humano (coisa, contudo, muito difícil sem a ajuda de Graça). A lei natural pode constituir uma 'ponte' para trazer esses 'infiéis' à plenitude da verdade, até mesmo sobrenatural. Muito mais problemático é, ao contrário, o diálogo com aqueles que não acreditam em nenhuma religião, ou seja, os ateus convictos.

A lei natural não consta, de fato, de sete mandamentos que regem a vida dos homens, mas de um conjunto de dez mandamentos, dos quais os três primeiros impõem prestar culto a Deus. A verdade expressa pelo Decálogo é que o homem deve amar a Deus acima de todas as criaturas e amar estas segundo a ordem estabelecida por Ele. O ateu rejeita essa verdade e é privado daquela possibilidade de se salvar que é oferecida, até mesmo em via excepcional, aos crentes de outras religiões. E se é possível a ignorância inculpável da verdadeira religião católica, não é possível a ignorância inculpável do Decálogo, porque a sua lei está escrita "nas tábuas do coração humano com o próprio dedo do Criador" (Rm 2,14-15). Há, certamente, a possibilidade de uma pesquisa ou 'peregrinação' em direção à verdade até mesmo por parte dos não-crentes. Isso acontece quando o respeito pela segunda tábua da lei (o amor ao próximo) leva progressivamente a buscar o fundamento dele na primeira tábua (o amor a Deus). É a posição dos denominados 'ateus devotos', como Marcello Pera e Giuliano Ferrara[3], os quais – como observou corretamente Francesco Agnoli[4] (Eu católico pacelliano[5], digo ao card. Ravasi que em Assis errou os ateus, in 'Il Foglio', 29 de outubro 2011) – "um pouco de estrada junto aos crentes a fizeram e continuam fazendo, com o uso da razão". Eles, hoje, diante de alguns preceitos do Decálogo se mostram mais firmes e observantes do que muitos católicos. Mas os ateus chamados a Assis nada tem de "devoto": pertencem àquela categoria de não-crentes que desprezam não apenas os três primeiros mandamentos, mas todo o Decálogo.

É uma posição que a filósofa e psicanalista Julia Kristeva[6] reafirmou no 'Corriere della Sera' - que hospedou, na íntegra, seu discurso em Assis (Um Novo Humanismo em dez princípios, in 'Corriere della Sera', 28 de outubro de 2011). Ao contrário de alguns estudiosos laicos que redescobrem o fundamento metafísico da lei natural, a Kristeva reivindicou uma linha de pensamento que do Renascimento chega até ao Iluminismo de Diderot, Voltaire e Rousseau, incluindo o Marquês de Sade, Nietzsche e Sigmund Freud, ou seja, aquele itinerário que, como demonstrado por insignes estudiosos do ateísmo desde Cornelio Fabro[7] (Introdução ao ateísmo moderno, Studium, Roma, 1969) até Augusto Del Noce[8] (O problema do ateísmo, Il Mulino, Bologna, 2010), leva justamente àquele niilismo, que a psicanalista francesa, sem negar sua visão ateísta e permissiva da sociedade, gostaria de contrastar em nome de uma colaborativa "cumplicidade" entre o humanismo cristão e o humanismo secularizado. O êxito desta coexistência pacífica entre o princípio ateu da imanência e uma vaga referência à religiosidade cristã nada mais é do que o panteísmo, caro a todos os modernistas, antigos e contemporâneos.

O ponto no qual Assis III corre o risco de marcar um perigoso passo à frente na confusão que hoje domina a Igreja é exatamente este, enfatizado por toda a mídia: a extensão do convite não apenas aos representantes das religiões de todo o mundo, mas aos ateus e agnósticos, escolhidos entre os mais distantes da metafísica cristã. Perguntamo-nos qual diálogo seria possível com esses 'não-crentes' que negam, desde a raiz, o direito natural. A distinção entre ateus 'militantes' e ateus 'colaborativos' arrisca-se a ignorar a vis agressiva ínsita no ateísmo implícito, não expresso de maneira militante, mas exatamente por isso mais perigoso. Os ateus da UAAR[9] têm pelo menos alguma coisa para ensinar aos católicos: professam os seus erros com um espírito de militância da qual os católicos abdicaram ao defender suas verdades. Isso acontece, por exemplo, quando os próprios católicos criticam as Cruzadas, que não foram um desvio da fé, mas uma iniciativa oficialmente promovida pelos Papas, exaltada pelos santos, baseada na teologia e regulada, durante séculos, pelo direito canônico. Se naquela época a Igreja errou, não poderia estar errado quem, hoje, prega o buonismo[10] e o arrendismo[11] diante dos inimigos, externos e internos, que avançam? E se a Igreja, como sabemos, não erra naquilo que ela ensina, qual deve ser a regra de fé última do católico em tempos de confusão como o atual? São perguntas que todo simples fiel tem o direito de colocar, respeitosamente, às autoridades supremas da Igreja, no rescaldo do dia 27 de outubro de 2011.

Tradução: Giulia d'Amore di Ugento



[1] Marcello Pera, filósofo e político italiano, ex-presidente do Senado italiano. Tido ora como um teocon (vide nota 3) ora como agnóstico, ou, ainda, como "um ateu devoto, ou de qualquer maneira um homem laico de ciência, que se converteu já maduro à civilização cristã, identificando-a com o Ocidente; fulgurado a caminho de Nova Iorque (parafraseando 'São Paulo a caminho de Damasco')" (Marcello Veneziani in Articolo su 'Libero').
[2] Peter Beyerhaus, ministro protestante alemão, teólogo e missionário. Ele cunhou a Teologia Moderna Alemã da Missão. Esta carta já é conhecida no Brasil.
[3] Giuliano Ferrara é um jornalista, apresentador de televisão e político italiano. Nos anos noventa, deixou a esquerda (PCI e PSI) para ir para o centro-direita e apoiar Silvio Berlusconi. Tornou-se, em fim, um dos intelectuais do 'Teocon' italiano.
'Teocon' (ou Theocon) é um neologismo derivante de Teo (Deus) e conservadorismo; criado pelos saxões, é bastante difundido na Europa, não raramente com um significado diferente do original. Nos EUA, geralmente é formado pelos protestantes conservadores. Na Itália, usado desde 2004, este termo reúne movimentos católicos ou pretenso-católicos, entre os quais Comunhão e Libertação, Opus Dei e Legionários de Cristo. Engloba personalidades do mundo político e cultural como Marcello Pera, o próprio Giuliano Ferrara, Oriana Fallaci – embora no começo fossem chamados de 'ateocon'. Este movimento às vezes se confunde com o 'neocon', de neoconservadores. Alguns politólogos consideram o neoconservadorismo uma variante de direita da ideia trotskista da revolução permanente, filha, por sua vez, do jacobinismo e da vontade de exportar a revolução francesa por parte de Robespierre e Napoleão: da mesma maneira, os neocon desejam "exportar a democracia e os direitos humanos", uma expressão tornada conhecida, até com conotações negativas, por parte da mídia para definir a ação de George W. Bush.
[4] Francesco Agnoli, professor, escritor e jornalista italiano.
[5] O adjetivo 'pacelliano', refere-se a Papa Pio XII, nascido Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli.
[6] Julia Kristeva é uma filósofa búlgaro-francesa, crítica literária, psicanalista, feminista, e, mais recentemente, romancista. Foi convidada pelo Papa para a reunião de Assis III. Representando os 'não-crentes', participaram de Assis III, além dela, o filósofo italiano Remo Bodei, o economista austríaco Walter Baier, membro do Partido Comunista, e o filósofo mexicano Guillermo Hurtado. O filósofo britânico Anthony C. Grayling, que também fora convidado e pretendia participar, em um acesso de estrelismo, mudou de ideia e se recusou a tomar parte do evento.
[7] Cornelio Fabro foi um presbítero, teólogo e filósofo italiano, membro da Congregação das Sagradas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Insere-se na neoescolástica, mais precisamente no neotomismo. Traduziu, editou e comentou as obras de Søren Kierkegaard, expoente máximo do existencialismo.
[8] Augusto Del Noce foi um politólogo, filósofo e político italiano. Estudioso do racionalismo cartesiano e do pensamento moderno (Hegel, Marx), analisou as raízes filosóficas e teológicas da crise da modernidade, reconstruindo as contradições internas do imanentismo.
[9] UAAR: Unione degli Atei e degli Agnostici Razionalisti (União dos Ateus e dos Agnósticos Racionalistas) é uma associação (italiana) de ateus e agnósticos e se diz completamente independente dos partidos políticos: o adjetivo racionalista indica a confiança na razão como vínculo de referência entre os seres humanos. Desde 1991, a União promove na Itália a difusão das teorias do ateísmo e do agnosticismo, defende o caráter laico do Estado e luta contra todos os privilégios concedido ao Catolicismo e contra todas as discriminações aos não-crentes. Dedica-se a promover iniciativas legais pelo completo reconhecimento jurídico do ateísmo e dos direitos dos ateus. Tem como porta-voz na mídia a revista L'Ateo (O Ateu). UAAR á afiliada à IHEU (União Internacional Ética e Humanista) e à FHE (Federação Humanista Europeia). Entre as maiores metas do grupo está a abolição do artigo 7º da Constituição Italiana, que reconhece o Tratado de Latrão entre a Itália e o Vaticano.
[10] Buonismo é a atitude de quem, por palavras ou ações quer ser (ou parecer) bom, sempre e em todo lugar, mais preocupado em obter um reconhecimento positivo por parte dos outros. É aquela atitude de benévola abertura e compreensão de todas as posições, mas que não vai além dos genéricos apelos moralistas, capazes apenas de produzir compromissos confusos e de baixo nível. É um neologismo que está chegando aos poucos ao Brasil.
[11] Arrendismo é outro neologismo italiano (ainda quase desconhecido no Brasil): vem de render-se, é a atitude de ceder para resolver conflitos, típico dos pacifistas. Essa propensão não se confunde com a nobre aspiração comum a todos os espíritos elevados de preservar a paz por meio de negociações dignas e acordos razoáveis, que não comportem a renúncia aos princípios cristãos.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Prof. Roberto de Mattei e o Prêmio Aqui Storia

Prof. Roberto de Mattei, “… ‘regra da fé’ não é nem o Concílio Vaticano II, nem o Magistério vivo contemporâneo, mas a Tradição, ou seja, o Magistério perene”.

Entrevista com o professor Roberto de Mattei – Um docente católico é ‘indigno’ de ser premiado


Na atual cultura europeia, o conceito de liberdade de opinião adquiriu, também, infelizmente, em campo católico, matizes tipicamente iluministas e ideológicos. Em nome da defesa da liberdade “de todos” se procura impedir que aqueles que defendem ideias consideradas incompatíveis com esta liberdade as possam expressar. Isto tem uma inata valência antirreligiosa e principalmente anticatólica, já que a Fé romana tem a certeza das Verdades que proclama, e isto é percebido pelos relativistas como dogmatismo intolerante, a ser combatido em todas as suas expressões.

Neste quadro se insere o caso “de Mattei – Acqui Storia”, que apareceu nos principais jornais italianos: desde o “Corriere della Sera” ao “Il Giornale”, de “la República” ao “Libero”. O Prêmio Acqui Storia, chegado este ano à 44ª edição (a cerimônia de premiação será realizada em Acqui Terme, em 22 de outubro próximo), tornou-se o mais importante reconhecimento dedicado à História, não apenas em nível nacional, mas na Europa, e está dividido em três seções: histórico-científica, histórico-divulgadora e romance histórico. O Presidente do Prêmio, Guido Pescosolido, demitiu-se de forma polêmica contra a escolha de premiar o ensaio histórico-científico O Concílio Vaticano II. Uma história nunca escrita (Lindau Ed.) do Professor Roberto de Mattei, Católico com C maiúsculo e vice-presidente do CNR (Conselho Nacional de Pesquisas). Motivo: “Trata-se da obra de um militante”, no entanto havia declarado: “respeito todas as ideias”… Rocco Buttiglione, ex-ministro da Cultura, acusou Pescosolido de continuar uma ‘perseguição pessoal’ contra de Mattei. Cada estudioso lê e interpreta os eventos com base em sua própria bagagem cultural; mas isto não exclui de realizar obras sérias e rigorosas, sem manipulações, respeitando a objetividade dos fatos.

domingo, 9 de outubro de 2011

A Esposa desperta!

A Bela Adormecida  
de Gnocchi e Palmaro chega a Florença

Fonte: Fides Catholica...


Em 2012 recorrerá o 50º aniversário da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II, Alessandro Gnocchi e Mario Palmaro, dois dos nomes mais conhecidos e lutadores do panorama católico indagam sobre a crise sem precedentes que está atravessando a Igreja contemporânea, revelando a raiz do drama através de uma investigação apaixonante. Da silenciosa apostasia aos problemas morais, a Igreja católica está atravessando uma das crises mais graves de toda a sua história. O que haveria na origem de tal terremoto? Os autores evidenciam uma crise de Fé que se  manifesta em toda a sua força a partir dos anos '60 e que tem seu eixo na complexa estação do Concílio Concilio Vaticano II. Uma análise que causará polêmica, na qual, seguindo estas páginas apaixonadas e prementes, o leitor ascender às fontes do fenômeno até encontrar no banco dos acusados homens e eventos tidos até hoje intocáveis, quase verdadeiro mitos.

Os autores
Alessandro Gnocchi, estudioso das temáticas religiosas na literatura moderna e contemporânea, e Mario Palmaro, filósofo do direito, são dois dos nomes mais conhecidos e mais lutadores do panorama católico. Colaboram com vários jornais, entre os quais «il Foglio», «Libero» e a rivista de apologética «Il Timone». Entre os livros que escreveram juntos: "Cattivi maestri. Inchiesta sui nemici della Verità"; "Cronache da Babele. Viaggio nella crisi della modernità"; "Contro il logorio del laicismo moderno"; "Io speriamo che resto cattolico"; "Giovannino Guareschi: c'era una volta il padre di don Camillo e Peppone"; "Tradizione, il vero volto"; "Rapporto sulla tradizione". Com a editora Vallecchi, sempre na coletânea Avamposti "Viva il Papa!"(2010).

O livro será apresentado em Florença, na Igreja de Todos os Santos, sábado 15 de outubro de 2011, às 18:00. Às 16:30, será rezada a S. Missa em Rito Romano antigo. Para reservar o jantar que seguirá, enviar um e-mail para: ascarus@libero.it.

Análise do livro por Cristina Siccardi
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Ao ler o livro de Alessandro Gnocchi e Mario Palmaro, A Bela adormecida. Porque depois do Vaticano II a Igreja entrou em crise. Porque despertará, editado pela Vallecchi, não se pode não ficar desconcertados e pesarosos ao contatar que a Igreja foi sacudida em seus alicerces até arriscar a profanação de sua sacralidade. Mas a Bela, hoje adormecida, por quem foi insidiada? É ele, o grande inimigo de sempre, vigilante e rugindo, diabólico por essência, Satanás.
O texto explica em maneira linear e fácil de entender a patologia que atingiu a Igreja, fazendo um diagnóstico explicito e pontual. A crise eclesial há décadas que se manifesta, mas todos se calavam e as poucas vozes corajosas eram imediatamente silenciadas, como expoentes de um mundo tradicionalista para perseguir e demolir como algo de perigoso e sectário. Qual justificativa, então, os católicos davam às más chagas da Igreja? «imputava-se a origem de todos os males à não-aplicação do Concilio ou, quanto menos, à diluição de sua carga inovadora: em uma palavra, à traição» (1) e os traidores mais culpados tinha um rosto preciso por causa de sua marca de catolicidade: Monsenhor Marcel Lefebvre, Romano Amerio, padre Cornelio Fabro, dom Divo Barsotti, padre Pio da Pietrelcina…
Todavia, a Verdade é mais forte que a mentira. Gnocchi e Palmaro o demonstram com este compêndio deles que sintetiza, em maneira admirável, às vezes até com tons irônicos, às vezes com acentos graves, o que ocorreu nos últimos tempos: os estudos de grandes personalidades como o teólogo de Santa Romana Igreja, Monsenhor Brunero Gherardini (2), e do professor Roberto de Mattei (3) foram determinantes para romper, finalmente, a calota gélida, uma calota constituída pelo «superdogma» (4) do Concilio Vaticano II, tão compacta e tão dura que parecia infrangível. Mas diante da evidência de uma apostasia generalizada, de uma decadência dos costumes, de uma ignorância religiosa, sobre o abc da doutrina católica, que se tornou irremediavelmente crassa, de uma sede de Fé de crentes insatisfeitos ou, até, angustiados, os porquês e os pontos de interrogação, definitivamente, são não apenas de dever mas dados por certos. As vozes da geração passada que foram escandalosas e por causa das quais cobríamos nossos ouvidos para não ouvi-las foram substituídas providencialmente por aquelas de intelectuais contemporâneos. E, então, como diz dom Massimo Vacchetti: «À vigília dos cinquenta anos da convocação conciliar ocorre superar a estação ideológica que caracterizou seu recebimento, recompor as feridas infligidas nestes anos e devolver ao povo católico aquelas certezas de pensamento e de Fé sobre as quais, somente, é possível caminhar alegres por aquilo que nos espera, agradecidos por aquilo que nos precedeu» (cfr. http://www.libertaepersona.org/dblog/articolo.asp?articolo=2774).


A Igreja, e ninguém pode negá-lo, se secularizou progressivamente, e isto não é, segundo Gnocchi e Palmaro, um problema de interpretação do Concílio Vaticano II, mas um problema intrínseco àqueles documentos que a Assembleia produziu. Afirmou padre Serafino Lanzetta, teólogo dos Franciscanos da Imaculada: «Até pouco tempos atrás, o simples pensamento de poder-se colocar em modo crítico diante do Vaticano II parecia uma cripto-heresia para o manto de silêncio que necessariamente devia reinar, recobrindo-o apenas de louvores […]. O Vaticano II é um problema? Sim, no sentido de que as raízes do estro pós-conciliar não estão apenas no pós-concílio. O
pós-concílio não dá razão de si. Pelo amor à Igreja e pelo futuro da Fé no mundo, precisa examinar a raiz do problema» (5).
 

A se admirar, no cenário intelectual, não são mais os que seguem a chamada Escola de Bolonha, onde se aclama a "benéfica" revolução amadurecida na Igreja graças ao Concilio Vaticano II, mas também a «Baleia Branca eclesial devotada a um conservadorismo enfatuado pelo presente» (6), trata-se de uma leitura neo-centrista segundo a qual as razões da crise da Igreja e, portanto, da Fé, teriam surgido sucessivamente ao Concilio por causa da interpretação revolucionária dos documentos. Portanto, a solução consistiria em separar o Concilio do pós-concílio. Trata-se, em definitivo, de uma posição de compromisso, um escamoteio para enganar, negando a evidência dos fatos. Se escolhe, na prática, a linha do Peppone de Dom Camilo, que, ouvindo as aterradoras narrativas do pároco sobre a Rússia soviética, afirma: «Deixai-nos em paz, prefiro ficar com minha ideia de Rússia, vós ficai com a vossa» (7).
Fenômenos que na Igreja nunca se viram, como a revolta litúrgica ou o ecumenismo, são frutos claro do jacobinismo conciliar. Ambos são devido às exigências protestantizantes: a assembleia, a Palavra e o memorial da ceia no que diz respeito à Missa, excluindo o Santo Sacrifício, enquanto a instância ecumênica nasceu da ação de alguns missionários protestantes do início do Novecentos, os quais promoveram iniciativas de diálogo entre as incontáveis confissões reformadas.
O Vaticano II foi o primeiro Concilio a ser exclusivamente pastoral e não dogmático, desviando a atenção da Fé e de sua ortodoxia, um efeito que reconduz, inevitavelmente, ao clima cultural progressista dos anos Sessenta, quando a ortopráxis tomou o lugar da filosofia autêntica, ou seja, quando nos colocamos questões não mais sobre a existência (Quem chamo? De onde viemos? Para Quem iremos?), mas sobre a contingência vivencial, pessoal e terrena.
Foi assim que muitos, na Igreja, «pensaram que aquele trem, veloz e moderno, não deveria ser perdido: precisava subir nele a todo custo» (8). Um trem que hoje descarrilhou, mas que, na época, ninguém queria perder porque demasiado tentador era o pensamento daqueles teólogos que queriam, como estilista de vanguarda, desenhar e confeccionar uma veste à moda para a Esposa de Cristo, uma veste nova e com ela uma linguagem à la page. Os inovadores eram tão voluntariosos e arrogantes de suas ideias que colocaram em dúvida até mesmo o poder do Papa. Foi assim que adquiriram um poder totalmente extraordinário e doutrinariamente injustificado as Conferências episcopais, que nasceram os conselhos pastorais, as assembleias paroquiais…
O livro de Gnocchi e Palmaro oferece também uma interessante análise sobre o poder que a mídia teve dentro da Assembleia conciliar: foi ela, além dos teólogos modernistas, a ter influência sobre aqueles bispos que não eram nem progressistas, nem fortemente ligados à Tradição. Assim ocorreu que padre Antoine Wenger do «La Croix», Raniero La Valle do «Avvenire d'Italia», Henri Fesquet do «Le Monde», don René Laurentin do «Le Figaro», o redentorista americano Francis X. Murphy do «New Yorker Magazine» e outros tiveram influência nas decisões conciliares. E foi assim que no Concilio não se falou dos problemas e dos erros do mundo (por exemplo, o comunismo, o indiferentismo religioso, a secularização ou o modernismo na Igreja), mas de como a Igreja poderia aproximar os i «distantes», como poderia escancarar a própria porta ao mundo... e a imprudência foi imensa, visto que a fumaça de Satanás (como o definiu Paulo VI em 1972) pôde entrar por ela com toda sua virulência. 

De outro lado, os êxitos do Concilio foram objetivamente vistos pelos vencedores daquela Assembleia conciliar: «De algum modo, contribuímos com a nossa ação precedente também ao êxito do Concilio», deixa escrito o «partisão» (9), Giuseppe Dossetti, «Pôde-se fazer alguma coisa no Concílio em função de uma experiência histórica vivida no mundo político, até mesmo de um ponto de vista técnico de uma assembleia que de alguma forma fez a diferença. Porque no momento decisivo justamente minha experiência com assembleias […] reverteu a sorte do próprio Concilio» (10). Diante dessas declarações não se pode restar indiferentes. Mas foi dai que tomaram a iniciativa personagens como Enzo Bianchi, que fundo a Comunidade de Bose [Itália, NdTª] em 8 de dezembro de 1965, coincidentemente, o dia do encerramento do Concilio. No entanto, a realidade ecumênica de Bose, que ultrapassou as mais róseas esperanças dos primeiros missionários protestantes dos quais falamos, não obstante o amplo sucesso mediático, até hoje não tem nenhum reconhecimento eclesiástico. O fato de que a comunidade do "profeta" Bianchi «não possa ser contemplada com uma estrutura dentro da Igreja significa apenas que a estrutura desta Igreja tem que mudar: demasiado hierárquica, costantiniana, fundada sobre o poder, velha» (11).
O leitor verá desenrolarem-se, página após página, as razões de uma problemática conciliar clara e evidente, tão simples que, se o católico é seriamente intencionado em compreender a realidade dos fatos, não poderá que chegar a uma convicção tão crua quanto amarga: a Igreja foi enganada e, então, como disse Paulo VI, o Papa que viu a desgraça, mas não a parou: «Acreditava-se que depois do Concilio viria uma jornada de sol para a história da Igreja. Veio, ao invés disso, uma jornada de nuvens, de tempestade, de escuridão, de busca, de incerteza» (29 junho 1972). Todavia, a Esposa de Cristo encontrará a força de despertar do longo letargo causado pelo sonífero conciliar e a despertá-la serão os que não usam a Igreja para os próprios fins, sejam esses materiais ou ideológicos, mas os que a amam verdadeiramente, perdidamente, prontos até a perder a si mesmo por Ela.



Cristina Siccardi


Notas
1. A. Gnocchi - M. Palmaro,
A Bela adormecida. Porque depois do Vaticano II a Igreja entrou em crise. Porque despertará, Vallecchi, Florença, 2011, p. 15.
2. B. Ghereradini, Concílio Ecumenico Vaticano II. Um discurso a ser feito, Casa Mariana Editora, Frigento 2009. B. Gherardini, Concilio Vaticano II. O discurso que faltou, Lindau, Torino 2011.
3. R. de Mattei, O Concilio Vaticano II. Uma história nunca escrita, Lindau, Torino 2010.
4. "A verdade é que este particular Concilio [Vaticano II] não definiu dogma algum, e deliberadamente escolheu permanecer em um nível modesto, como um concilio meramente pastoral; no entanto, muitos o consideram quase fosse um super-dogma, que priva de significado todos os outros concílios" (Cardeal Joseph Ratzinger, Santiago do Chile, 1988).
5. A. Gnocchi - M. Palmaro, op. cit., p. 16-17.
6. A. Gnocchi - M. Palmaro, op. cit., p. 20.
7. A. Gnocchi - M. Palmaro, op. cit., pp. 30-31.
8. A. Gnocchi - M. Palmaro, op. cit., p. 57.
9. A. Gnocchi - M. Palmaro, op. cit., p. 109.
10. A. Gnocchi - M. Palmaro, op. cit., p. 110.
11. A. Gnocchi - M. Palmaro, op. cit., pp. 120-121. 



A. Gnocchi - M. Palmaro, A Bela adormecida. Porque depois do Vaticano II a Igreja entrou em crise. Porque despertará, Vallecchi, Florença, 2011, pp. 243, € 12,50.


Fonte: NON POSSUMUS 06/10/11 
Tradução: Giulia d'Amore di Ugento

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Non Possum: sobre os colóquios.


Antes de ler este interessante artigo seria oportuno ouvir e ler o que Mons. Lefebvre disse ao Cardeal Ratzinger...
Trecho de homilia de Dom Lefebvre (com subtítulos em italiano), registrada no dia 04 de outubro de 1987. O fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, falando do então Cardeal Ratzinger, diz claramente que com ele nunca se poderia chegar a um acordo, porque Ratzinger trabalha pela DESCRISTIANIZAÇÃO da Igreja.
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O bordão de junho

A regularização canônica da FSSPX

de Belvecchio
E chegamos perto da festa dos SS. Pedro e Paulo.
Em geral, a partir do final de junho, muitas estruturas eclesiásticas se concedem uma espécie de descanso. Prelados, funcionários e seminaristas saem de férias, ou quase. Uma espécie de desaceleração das incumbências anuais.
Bem próximo desta data aconteceram coisas notáveis. Como exemplo, recordamos a publicação do Motu Proprio Summorum Pontificum, ocorrida no dia 07 de julho, sem, porém, esquecer a data de 02 de julho, dia da “grande excomunhão” apressadamente imposta pela misericordiosa “Igreja do Concílio” a um dos seus bispos: Dom Marcel Lefebvre, culpado de cultivar “uma noção incompleta e contraditória de Tradição. Incompleta, porque não leva em conta suficientemente o carácter vivo da Tradição” e contraditória, pois “se opõe ao Magistério universal da Igreja, da qual é detentor o Bispo de Roma e o Corpo dos Bispos”. (Motu Proprio Ecclesia Dei, de 02 de julho de 1988).
Na ocasião, João Paulo II, referindo-se à consagração dos quatro novos bispos da FSSPX, sublinhou que “Não se pode permanecer fiel à Tradição rompendo o vínculo eclesial com aquele a quem o próprio Cristo, na pessoa do Apóstolo Pedro, confiou o ministério da unidade na sua Igreja”.
Uma declaração que centraliza o problema que, há anos, inflama as paixões de muitos católicos: o valor primário da unidade da Igreja.
Não se trata certamente de uma coisa trivial, mas muitas vezes tivemos que constatar que esta instância, não só legítima como sacrossanta, chegou a ter preferência sobre o que tem sido sempre a lei suprema da Igreja: a salvação das almas.
Quando a unidade da Igreja acaba sendo buscada mesmo à custa do bem das almas, é inevitável perguntar-se de qual igreja se está falando.
Neste Junho de 2011, eis que retorna outro motivo recorrente totalmente conexo com esta nossa premissa: a regularização canônica da FSSPX... Exige-o a unidade da Igreja.
Ora, esta questão, que parece pronta para ser afrontada agora que se concluem os conhecidos colóquios entre a Santa Sé e a Fraternidade, tem, na verdade, mais de 10 anos.
Estava-se no ano de 2000 quando mais de seis mil fieis católicos vindos dos cinco continentes se reuniram em Roma para ganhar as indulgências do Jubileu sob a égide da Fraternidade de São Pio X e acompanhando seus quatro bispos “cismáticos”. Naquela ocasião, para grande surpresa daqueles que sempre deram pouca importância aos “rebeldes de Lefebvre”, descobriu-se que havia bons católicos que rejeitavam o Concílio e, não obstante isso, rezavam pelo Papa e mostravam um decoro e uma dignidade já perdida nas costumeiras reuniões eclesiásticas do pós-concílio.
Tanta foi a surpresa que o então Prefeito da Congregação para o Clero, Cardeal. Castrillón, convidou para o almoço os quatro bispos “cismáticos” para conhecê-los melhor. Daí partiu a iniciativa do cardeal para ajudar a encontrar uma composição para a ruptura de 1988. E partiram as primeiras propostas de regularização, das quais se continua a falar até hoje.
Entre altos e baixos, desde então a Fraternidade manteve relações regulares com Roma, e é neste contexto que nasceram as famosas solicitações da Fraternidade pela liberalização do uso do Missal tradicional e pela revogação da excomunhão, tudo isso em conjunto com as reiteradas solicitações de Roma para que aceitasse uma regularização canônica.
O card. Castrillón conseguiu, em 2001, sanar a posição canônica do grupo de Campos, criando uma Administração Apostólica pessoal, e imediatamente pensou que poderia tomar uma decisão semelhante também com a Fraternidade: Administração Apostólica ou Prelazia Pessoa.
Ratziner, Bergoglio e JPII
Bergoglio foi eleito Papa no Conclave de 2013
Quando, em Abril de 2005, foi elevado ao Trono Pontifício o cardeal Ratzinger, Bento XVI apressou-se a convocar em Roma, em agosto, o Superior Geral da Fraternidade, Dom Fellay, para demonstrar que queria começar a resolver essa antiga questão da qual ele mesmo havia tratado, como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, diretamente com o saudoso Mons. Lefebvre.
Como é notório, o trabalho do card. Ratzinger e de Mons. Lefebvre não levou, na época, a nenhuma conclusão, apesar da assinatura do famoso “protocolo” de 1988, que Mons. Lefebvre de imediato denunciou como uma tentativa de Roma de encostá-lo à parede por meio de uma consagração episcopal pilotada.
Sabe-se que o card. Ratzinger sempre lamentou o malogrado acordo, assim como, por exemplo, o malogrado esclarecimento sobre o famoso “terceiro segredo” de Fátima, não obstante e talvez até por causa da conhecida declaração sobre a revelação do terceiro segredo em 2001.
O Card. Ratzinger, agora Bento XVI, estava familiarizado com o assunto e estava perfeitamente a par das exigências feitas pela Fraternidade desde 2000, assim como estava perfeitamente consciente do fato de que não bastava a excomunhão para definir uma questão tão complexa como aquela das muitas reservas expressas por muitos, e não apenas pela Fraternidade, em relação ao Concílio. Havia necessidade de achar uma solução, não apenas para ceder às exigências da Fraternidade, mas para colocar alguns pontos finais sobre essas antigas questões, tanto do injustificado abandono da liturgia tradicional, quanto do perigoso declínio a que tinha chegado a Igreja desde o Concílio.
Desde então, as propostas de composição canônica para a Fraternidade, apresentadas direta ou indiretamente, têm-se multiplicado, e quase todo ano parecia que já havia um esquema de acordo que bastava apenas assinar.
Enquanto isso, dois anos depois de se tornar Papa, Bento XVI desfez o primeiro nó importante: a Missa Tradicional nunca fora abolida, portanto qualquer sacerdote pode celebrá-la livremente. Houve o Motu Proprio Summorum Pontificum, e foi a solução de um incrível mal-entendido que durou quase 40 anos, como se não fosse sabido que a Igreja não poderia apagar dois mil anos de liturgia com um simples gesto, mesmo com o aval de um Concílio e de um Papa.
Era inevitável que alguém gritasse ao escândalo, pois pareceu que o Papa havia cedido à primeira das exigências da Fraternidade. Na verdade, o Papa sabia muito bem que Paulo VI havia permitido um abuso e o havia firmado, mas também sabia que, sem aquela solução, o problema da Missa Tradicional se tornaria o grande problema da Igreja. Que ato cismático de Lefebvre que nada - como havia escrito João Paulo II -, agora se corria o risco de se ver crescerem duas igrejas em uma... mais ainda: duas liturgias na mesma Igreja.
Obviamente, a publicação do Motu Proprio serviu para fazer outras pressões sobre a Fraternidade, porque, segundo aqueles, diante da perspicácia e magnanimidade do Papa, era inconcebível que esta ainda se obstinasse em não aceitar algum tipo de regularização canônica. E começou-se a contar aos milhares os que gritavam à incompreensão:... Mas como? Agora temos a Missa!
Fato é que, seja por preguiça mental, seja por um grande desejo de viver em paz, muitos clérigos e leigos fingiam não saber que a Igreja não estava em crise devido à falta da Missa Tradicional ou por causa da obstinação da Fraternidade, mas pelo desvio doutrinário que se alastra pela Igreja há mais de 40 anos, com base no Concílio e nos seus frutos.
Quando, então, esta admoestação era lançada pela Fraternidade... sai de baixo!
Mas que pretensão! Mas quem eles pensam que são!
E todos acham apropriado jogar para a Fraternidade a responsabilidade de uma crítica que, de fato, estava no coração de muitos, inclusive prelados.
Então, alternando-se entre uma oferta de Roma e uma recusa de Ecône, chegou-se, há apenas um ano e meio do Motu Proprio, ao levantamento das excomunhões.
E já vieram especulações, suposições, hipóteses e ainda pressões, solicitações e projetos. Agora sim... a Fraternidade não tem mais desculpas, a generosidade do Papa é tal que anula qualquer tergiversação... que neste momento torna-se culpa grave!
Eis aqui o acordo, assinem-no!
Pena que o Papa, naquela ocasião, apressou-se, imediatamente, em esclarecer que, sim eles não têm mais a excomunhão, mas aqueles bispos não podem exercer legitimamente o seu ministério por causa de sua posição canônica irregular, derivada de suas críticas ao caminho doutrinal surgido com o Concílio.
Em outras palavras: cuidado! Eles são bispos da Igreja Católica, estão em comunhão comigo que sou o Papa, mas não podem exercer o episcopado.
A quem parecer excessivo tal modo de apresentar as coisas, e considerando que este não é o lugar para se fazer um discurso “técnico”, lembramos apenas que a reserva expressa pelo Papa se baseia no fato de que esses bispos, embora não mais cismáticos, não têm jurisdição formal, isto é não possuem canonicamente um âmbito próprio no qual exercer o ministério que é próprio do bispo. Cada bispo é bispo enquanto chefe de um pedaço da Igreja, e a Fraternidade não seria ainda, canonicamente, um pedaço da Igreja. Quem entende um pouco de jurisprudência compreende que não estamos falando de coisas sérias, mas de coisas de advogados, o que diz tudo.
Permita-nos a ingenuidade de uma pergunta: mas quantos bispos há na Igreja, e particularmente em Roma, que não estão no comando de um pedaço da Igreja e ninguém lhes diz que não podem exercer legitimamente o seu ministério? Falemos daqueles que têm uma jurisdição apenas no papel, uma jurisdição pró-forma, mas na realidade são bispos de nada e de ninguém, contrariamente aos quatro bispos da Fraternidade, que são bispos de uma estrutura eclesiástica com sacerdotes e religiosos e que têm sob seus cuidados as almas de alguns milhões de fieis.
A Igreja tem tantos mistérios, mas às vezes os curas exageram!
Não se passam nem mesmo três meses e eis que é anunciado que a Santa Sé abrirá uma mesa de discussão com a Fraternidade, a partir de outubro de 2009, para tentar por em evidência toda a problemática provocada pelo Concílio.
O comunicado emitido pela Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, logo após a realização do primeiro colóquio, dizia: “analisaremos as questões relativas ao conceito de Tradição, ao Missal de Paulo VI, à interpretação do Concílio Vaticano II em continuidade com a Tradição doutrinária católica, aos temas da unidade da Igreja e dos princípios católicos do ecumenismo, da relação entre o Cristianismo e as religiões não-cristãs e da liberdade religiosa.”
Que “incompleta e contraditória noção de Tradição” que nada, como pensava João Paulo II! Aqui se trata de outra coisa, diz Roma; trata-se de lançar luz sobre uma maré de questões obscuras surgidas a partir do Concílio e que dizem respeito a aspectos essenciais da vida da Igreja e da fidelidade à doutrina católica.
Todas as opiniões podem até ser expressas, mas o fato permanece: a Santa Sé não desautoriza a Fraternidade, vinte anos após o suposto “cisma”, mas a convoca para discutir sobre o Concílio e os seus frutos.
Finalmente cai a máscara da hipocrisia: não se tratava de irregularidade canônica, nem de disciplina eclesiástica ou de desobediência ao Papa, mas de problemas reais, de problemas sérios, de problemas relacionados à liturgia e à doutrina católica. Problemas que exigem um sério confronto entre a Congregação para a Doutrina da Fé, sob a direção do Papa, e a tão destratada Fraternidade, acusada por 40 anos de todo tipo de rebelião. Problemas que tocam a suprema lei da Igreja: a salvação das almas.
E a regularização canônica?
Durante anos, a Fraternidade afirmou publicamente que não era uma questão canônico-logística que a incomodava, mas uma questão doutrinária, diante da qual ficava em segundo plano até mesmo a própria vida da Fraternidade, o reconhecimento de seus bispos, a tranquilidade pastoral de seus sacerdotes, a paz religiosa de seus fiéis. A fidelidade à Tradição da Igreja, a fidelidade à Verdade, vale bem todo sacrifício, toda renúncia, toda humilhação, todo ostracismo... toda condenação.
Não se trata de regularização canônica, portanto, mas do reconhecimento por parte de Roma de que o problema não está na Fraternidade, mas dentro da própria Igreja hodierna.
Apesar disso, no entanto, se insiste: liberalizado o uso do Missal tradicional, levantada a excomunhão, acontecidos os colóquios... nada mais resta que concluir um acordo pela regularização canônica da Fraternidade.
Vamos ver o porquê.
Primeiro ponto: o Papa demonstrou uma generosidade e uma coragem inigualáveis no atendimento às demandas da Fraternidade, liberalizando o uso da Missa tradicional, levantando a excomunhão e promovendo os colóquios com uma ostentação e uma exposição impensável e, para muitos, inconcebível.
Mas é realmente assim?
O temos escrito várias vezes. Se o Papa tivesse feito tudo isso apenas para atender às exigências da Fraternidade não teria se mostrado valente e generoso, mas temerário e superficial, porque é óbvio que nenhuma Fraternidade, ainda que de boa fé, pode forçar o Papa a fazer o bem de um grupo ao invés do bem da Igreja e das almas. Se o Papa fez o que fez pelo bem da Igreja, como é lógico e justo que seja, então temerários e superficiais são os que falam de coragem e generosidade do Papa, porque o que pode fazer um Papa a não ser buscar o bem das almas?
Segundo ponto: o Papa tinha primariamente em vista a unidade da Igreja. Mas se pode buscar a unidade da Igreja liberalizando o uso do Missal tradicional e sancionando, pela primeira vez em dois mil anos, um bi-ritualismo precursor de confusão e divisão? Pode-se buscar a unidade da Igreja anulando uma excomunhão sacrossanta contra um grupo de rebeldes que rejeitam o Concílio e contestam as decisões do Papa? Pode-se buscar a unidade da Igreja declarando publicamente que o Concílio, os seus documentos, a sua liturgia, a sua pastoral são passíveis de discussão, de reexame, de redefinição e justo com base nas reivindicações partidárias do mesmo grupo de rebeldes?
Sobre isto também temos escrito muitas vezes. Se o Papa tivesse feito tudo isso para salvaguardar a unidade da Igreja, mesmo à custa da confusão, do reconhecimento do aberto dissenso e do questionamento de tudo o que foi dito e feito pelo Magistério desde o Concílio, teria provado buscar não o bem das almas, mas a consecução de um fim prático, mais ideológico que teológico, porque é evidente que seguindo essa lógica esboçar-se-ia uma Igreja multiforme e prometeica[1], que seria, sim, unida, mas tendo juntado tudo e o contrário de tudo, com o mais grave dano possível para o bem das almas. Se, ao contrário, o Papa fez o que fez pelo bem da Igreja e das almas, o que é lógico e justo que seja, então não se poderá mais falar de prioridade da unidade, mas de necessidade de se fazer clareza mesmo à custa da colocação em mora da liturgia reformada, do afastamento dos bispos que causaram dano à Igreja, da revisão de todas as ambiguidades e desvios decorrentes do Concílio e desenvolvidos no período pós-conciliar.
E se deverá admitir que, em tudo isso a Fraternidade, não é importante se não pela função de estímulo que tem providencialmente desenvolvido ao longo dos anos.
Terceiro ponto: a legitimidade canônica da Fraternidade permitiria à Igreja de servir-se regularmente e proficuamente do apostolado de seus clérigos e de seus leigos, que poderiam ser desenvolvido sem aqueles impedimentos formais e psicológicos que o tem limitado até agora.
Repetimos-nos, mas somos forçados a convidar a reler o que escrevemos sobre o assunto nos últimos anos, bem conscientes de que nossas considerações são o resultado de um ponto de vista particular que não pode reivindicar o direito de valer para tudo e para todos.
Quando, desde 2000, o Cardeal Castrillón inaugurou a nova fase das relações entre a Santa Sé e a Fraternidade, uma das justificações avançadas por muitos, na verdade mais murmurada do que declarada, foi mesmo esta do grande bem que poderia vir para todos da imissão formal no corpo eclesial de tropas frescas, belicosas e bem armadas para opor às fileiras dos modernistas.
Esse raciocínio, que ouvimos repetidamente em vários níveis, revela no entanto um grande problema, inteiramente dentro do corpo da Igreja. Problema que surgiu logo após a conclusão do Concílio, que assumiu proporções inquietantes após a entrada em vigor da liturgia reformada e que explodiu com a implementação generalizada das disposições conciliares através dos ensinamentos e das pastorais das Congregação e Conferências Episcopais.
Excluindo-se o caso do Mons. Lefebvre e de sua Fraternidade, e ignorando os muitos sacerdotes que sofreram o ostracismo e os muitos fiéis que foram tratados durante anos como leprosos... pessoas impedidas e “ideologizadas”, é claro! Quantos bispos e cardeais, quantos sacerdotes e quantos fiéis se levantaram para denunciar em voz alta o escândalo da crise da Igreja gerada pelo desvio doutrinal e pelo desastre litúrgico? Quantos se expuseram à discriminação e à condenação a fim de dizer a verdade? Quantos pensaram mais à preservação do seu estado que ao seu dever de estado? E quantos se industriaram para justificar o injustificável? E ainda quantos se entrincheiraram atrás da obediência ao Papa e aos bispos? E ainda quantos se contentaram de ter o benefício exclusivo de algumas Missas semanais e até mensais? E, finalmente, quantos chegaram até a se apressar a se arvorarem a juízes para condenar a suposta desobediência arrogante de Mons. Lefebvre e de toda a Fraternidade?
Neste contexto, torna-se realmente críptica[2] a perspectiva do grande bem que poderia advir para a Igreja da passagem da Fraternidade à legitimidade canônica. A menos que não se queira pensar que o que os “outros não fizeram em 45 anos” eis que milagrosamente o poderiam fazer os herdeiros do Mons. Lefebvre.
Em vez disso, dever-se-ia considerar seriamente se esta visão otimista é fundada em dados objetivos e em uma série de precedentes capazes de apoiá-la.
Em 1988, com base nas mesmas instâncias da Fraternidade, mas em desacordo com a ruptura com o Papa decidida por Mons. Lefebvre com a consagração episcopal, nasceu a Fraternidade Sacerdotal São Pedro. Em 2001, surgiu a Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, de Campos, convencida de que tinha chegado a hora de conduzir à luta por dentro. Seguida, em 2006, pelo Instituto do Bom Pastor, já certo de que se houvesse produzido um talho no muro modernista pelo qual se poderia invadir a estrutura católica pós-conciliar e derrotar o inimigo. Sem contar outras pequenas realidades, chamadas “Ecclesia Dei”, entre as quais se destaca por vários motivos aquela dos beneditinos do Le Barroux.
Bem, examinando o trabalho realizado por estas instituições que balanço pode-se extrair, de molde a justificar a validade da referida perspectiva?
Ignorando o parêntese da agitação de 2000, quista por Roma para reprimir qualquer desejo de fidelidade aos propósitos de sua fundação, a Fraternidade São Pedro acabou por limitar-se à propagação da Missa tradicional, onde e como podia, talvez seguindo as limitadas instâncias de uma parte do mundo tradicional anglo-saxão.
À exceção dos primeiros anos de super-ativismo internacional de seu bispo, a Administração Apostólica de Campos não produziu qualquer reflexão minimamente comparável àquelas de seu pai espiritual, o saudoso Mons. De Castro Mayer, nem resulta que tenha minimamente tido um impacto sobre o desenvolvimento das dioceses do Brasil, nem tampouco sobre a própria diocese de Campos.
O Instituto do Bom Pastor, embora ainda muito jovem para que se possa fazer um balanço, dá a impressão de que ainda não decidiu bem o que quer ser quando crescer, vista a alternância de hesitações e decisões, talvez devidas à pressão dos acontecimentos mundiais.
Se, depois, voltarmos o olhar para o Barroux, fica-se impressionado pela força com que os beneditinos tradicionais defendem e propagam a liturgia tradicional, mas continuamos perplexos ao ver com que força alguns deles defendem a liturgia moderna e pregam e praticam as novidades doutrinais paridas pelo Concílio e criadas pelo pós-concílio.
Mas este é um discurso que, se Deus quiser, vamos voltar a fazer.
No geral, portanto, fora os casos pessoais de clérigos que falaram com coragem e determinação, o exemplo dessas instituições leva a desmentir todo otimismo acerca da perspectiva em questão. Tudo fala contra, quase que certificando que a legitimidade canônica dentro de uma Igreja que ainda não sarou da infecção conciliar não produz qualquer efeito positivo, pelo contrário leva essas instituições a uma espécie de homologação, a sofrer um tipo de osmose perigosa, pela qual as infecções do modernismo que circulam pelos diferentes institutos são muito mais numerosas e virulentas que os anticorpos que eles injetam na atual estrutura eclesial.
A estas considerações deve-se acrescentar que, de repente, logo após o famoso discurso à Cúria de 22 de dezembro de 2005, na qual Bento XVI lança o salva-vidas das hermenêuticas contrapostas - aquela justa “da renovação na continuidade” e aquela errada “da descontinuidade e da ruptura” – eis que se abrem os olhos de todos, eis que se entende onde estava o truque. Na hermenêutica... Na hermenêutica que até hoje ninguém sabe dizer quem a tenha desenvolvido e feito afirmar-se, tanto a justa, quanto a errada.
Outro mistério da Igreja moderna!
E eis que surgem cardeais e bispos, até agora cuidadosamente protegidos, para defender esta explicação, como se eles, por 40 anos, tivessem sido forçados a um retiro sabático.
Eis surgirem centenas de teólogos profissionais e adventícios que nos explicam como esta teoria é o que de mais inteligente seja possível, e que é exatamente isso que eles têm feito em 40 anos, através dos vários pronunciamentos do Magistério, dos quais nunca resultou nenhuma reparação somente por culpa daqueles desconhecidos hermeneutas da ruptura que, coincidentemente, têm prevalecido, talvez pelo apoio dado a eles por aquela “mídia” de que fala Bento XVI no mesmo discurso.
Querem apostar que a terrível crise na qual a Igreja se debate há 45 anos é tudo culpa dos jornais?
E eis que surgem milhares de clérigos e leigos que se declaram prontos para levantar a bandeira da defesa da Tradição da Igreja, empunhando as armas do Concílio azeitadas e polidas com a milagrosa hermenêutica da reforma na continuidade. Milhares de católicos que, depois de praticar por 45 anos os ensinamentos de seus bispos, descobrem que basta apenas relê-los segundo a hermenêutica da continuidade para fazê-los coincidirem com toda a Tradição, como se nestes quase 45 anos não tivesse acontecido nada de estranho, exceto um certo e remediável quid pro quo.
Até a explosão da bomba da liberalização do uso do Missal de 1962. Uma iluminação! O Missal tradicional nunca foi revogado! Todos os problemas estão resolvidos!
E avia-se a corrida à Missa tradicional. Quem por anos havia esnobado e até mesmo denegrido os arqueologizantes cultores do “antigo”, se descobre, repentinamente, defensor de um “patrimônio a se preservar”, em fiel obediência à “vontade do Santo Padre”.
A mesma demasiado humana metamorfose do alinhamento com o comandante de plantão.
Fieis ao Papa... sempre... Seja quando marginaliza e praticamente proíbe a liturgia bimilenária da Igreja, seja quando, ao grito de “contraordem... camaradas!”, relança e defende o uso universal da mesma liturgia.
O disse o Papa!
Ainda bem que as vias do Senhor são insondáveis e que Ele vê e provê... não obstante as fraquezas dos homens... até tirar sempre o bem do mal. Ainda bem!
Porque é somente por isso que a liberalização do uso do Missal tradicional tem dado tantos bons frutos no mundo católico todo.
Agora, quando dizem que a Igreja tirará um grande benefício da regularização canônica da FSSPX, além da subestimação dos elementos que descrevemos aqui, parece que esquecem o estado objetivo em que se encontra hoje a Igreja, nas pessoas de milhares de bispos, teólogos e leigos “competentes” que importam.
A Fraternidade continua a declarar - através de seu Superior Geral, Mons. Fellay e através de outros clérigos e leigos que, embora sequer façam texto, fazem de qualquer maneira contexto, coisa que muitos negligentemente descuidam - ...continua a declarar que a crise não acabou, pelo contrário, sob certos aspectos sequer acena acabar. Que somente o bom Deus poderá sanar as chagas sangrentas do seu Corpo Místico.
Exagera? É obrigada por seus preconceitos?
Talvez... mas!
Há mais de um ano, se levantam vozes no mundo católico que, partindo do discurso de Bento XVI, tentaram “fazer um discurso” sério sobre a necessidade de uma revisão de tantos ensinamentos e de tantas pastorais modernas. Além dos aplausos e das concordâncias que vieram de toda parte, como era natural que fosse, e além dos gritos de “escândalo” que imediatamente saíram das bocas contorcidas dos ainda muitos e irredutíveis “modernistas”, o que aconteceu com o restante do quadro católico?
Com calma, mas com força cada vez mais crescente, diversos expoentes do clero e dos leigos “que fazem a diferença” ergueram uma barricada em defesa de tudo o que os primeiros chamaram em causa. Foram escritas centenas de páginas, utilizadas todas as manchetes autorizadas e, coisa que hoje conta muito, se mobilizaram dezenas de websites - alguns surgidos pela necessidade, para explicar, com dados litúrgicos e teológicos em mãos, é claro!, - que tais vozes estão teologicamente e historicamente erradas, seja pela escassez de argumentos, seja pela informação relativa dos autores, seja também... coisa realmente inédita... pela indevida interferência dos mesmos em campos que não são de competência deles. E todas essas pessoas concordaram, e não por acaso, com uma espécie de refrão que repetem de que nem o Concílio nem o Papa podem errar porque são assistidos pelo Espírito Santo. Portanto, se o Papa diz que o único erro está na hermenêutica, deveria ser óbvio para qualquer católico que é o Espírito Santo quem diz isso. Todas as outras considerações, por mais que ilustres, seriam privas do necessário apoio sobrenatural e, portanto, sem valor, exceto aquelas da mera opinião pessoal. Pela simples propriedades transitiva, é igualmente evidente que somente aqueles que defendem tudo na base da hermenêutica da continuidade estão certos, porque se beneficiariam indiretamente da mesma assistência de que se beneficia o Papa.
O fogo de supressão[3] contra Mons. Gherardini e, ultimamente, também contra o professor de Mattei, é apenas o exemplo atualizado de uma técnica de persuasão oculta e de chantagem disciplinar e teológica que há 45 anos tem sido usada em relação aos fiéis católicos.
Esta técnica, depois, refinada pela particular competência e pela específica preparação, é a mesma usada pela Congregação para a Doutrina da Fé por ocasião dos colóquios com a Fraternidade.
Cortesia, educação, disponibilidade, caridade, ... mas uma coisa é indiscutível: não há erro no Concílio, nem em suas aplicações, desde a liturgia moderna ao ecumenismo, da colegialidade à liberdade religiosa, da dignidade do homem ao imperativo pela unidade da Igreja. Todos os desvios doutrinários produzidos são filhos da hermenêutica da ruptura, já parcialmente corrigidos pelos últimos magistérios dos Papas e, desde 2005, mais ainda pelo magistério de Bento XVI. Não entender essa evidência elementar significa apenas ter “uma incompleta e contraditória noção de Tradição. Incompleta, porque não leva em conta suficientemente o carácter vivo da Tradição”; contraditória porque “se opõe ao Magistério universal da Igreja, do qual é detentor o Bispo de Roma e o Corpo dos Bispos”.
Depois de mais de 20 anos estamos ainda parados no mesmo ponto, com a única e sutil adição da hermenêutica.
A crise ainda continua.
Delineado este mosaico, surgem algumas questões: como poderia operar neste contexto, a Fraternidade, depois de aceitar uma legítima posição canônica?
Com qual eficácia?
Com o que e com quem poderia contar a Fraternidade para conduzir a necessária batalha da Verdade?
Quantos fieis católicos viriam a lhe dar uma mão?
Quantos clérigos se colocariam à disposição para acompanhá-la no apostolado e na pregação?
Temos em mente não apenas os muitos católicos que hoje parecem engrossar aquela área que poderia ser chamada de “conservadora”, mas também os católicos que, até recentemente, olhavam com alguma simpatia para a Fraternidade e que, há três anos, a olham com uma mínima valoração positiva, pois é evidente que, para estes, a pré-condição para que possam amanhã apoiar a tão sonhada batalha “interna” da Fraternidade é que esta compartilhe plenamente seus hosanas ao Papa e à hermenêutica da reforma na continuidade.
Em outras palavras, todos auspicam hoje que a Fraternidade aceite a regularização canônica porque a Fraternidade deveria tirar as castanhas que “eles” deixaram no fogo por 45 anos, e isto a Fraternidade deveria fazê-lo: ou por si só ou com a ajuda de tantas boas vontades que desde já a convidam a abraçar suas posições e suas convicções. Porque o que importa não são as motivações da batalha de quarenta anos pela Tradição - que é, no fim, aquela que tem permitido a tantos até mesmo de existirem - mas as atualizadas exigências da tão auspicada “paz litúrgica”, as evidentes urgências da releitura da Tradição à luz da hermenêutica da reforma na continuidade, as imperiosas instâncias de uma maior unidade da Igreja que finalmente abarque todos os que creem em Cristo: os católicos tradicionais, os católicos modernistas, os católicos mais ou menos, os movimentos eclesiais, os fiéis devotos, os cristãos separados e todos aqueles que quererão compartilhar esse esplêndido tempo de reconciliação e de amor sob a liderança iluminada do Papa.
Fonte: NON POSSUMUS de gianluca cruccas em 16/06/11.
Tradução: Giulia d'Amore di Ugento

[1] Referência a Prometeu, personagem mitológico grego, que pratica em sua trajetória mitológica a arte de tramar antecipadamente seus planos ardilosos, com a intenção de enganar os deuses olímpicos. Isto é: uma Igreja multiforme e enganosa.
[2] enigmatica, incomprensibile, misteriosa, oscura, sibillina.
[3] Na terminologia militar, o fogo de supressão é o fogo desencadeado contra posições inimigas com intuito principal não de causar baixas diretas, mas de forçar o oponente em permanecer em posições cobertas, dificultando a defesa. Seu objetivo mais frequente é “dar cobertura” ao movimento de forças amigas, que de outra forma ficariam vulneráveis aos disparos das tropas hostis.
Editado em 22/08/11. Um leitor anônimo enviou um comentário que não vou publicar porque não aprecio o anonimado, sobretudo porque as considerações que fez não são polêmicas ou que possam torná-lo alvo de críticas por parte de algum outro leitor. Mas, por uma questão de educaçãom vou responder aqui, visto que não tenho outro meio de fazê-lo. 
Ele faz algumas considerações sobre os "Bispos residentes em Roma", de que fala o artigo - que não é meu, como fica evidente no verbete "Fonte", logo após o texto, onde consta, em seguida, que eu apenas o traduzi - que deveriam ser postas ao autor, que mora em Roma, conhece o ambiente Vaticano e certamente sabe mais do que eu e o ilustre anonimo como as coisas são por lá. 
A menos que o anônimo seja um reverendo padre que mora ou morou em Roma e teria, sim, autoridade para falar do assunto... O que tornaria o anonimado mais estranho ainda. 
Assim, sugiro ao leitor anônimo seguir o link do site original e compartilhar em italiano sua opinião - porque, tendo em vista o status de anônimo, é disto que se trata - com quem pode lhe responder à altura e, dependendo do caso, corrigir o artigo ou corrigir o anônimo. 
Se fosse um artigo meu e se eu realmente tivesse cometido um erro, teria o prazer de corrigi-lo, como aconteceu ainda hoje em outro post. Como o artigo não é meu, e trata-se de uma intervenção anônima, por prudência não vou postar aqui as correções feitas pelo sr. Anônimo, nem a título de conhecimento, pois, não sabendo a fonte, não sei também a veracidade das informações.  
Convido, contudo, o querido leitor anônimo a me escrever em particular, se o quiser.
GdA
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