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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Reflexões sobre Assis III pelo Prof. Roberto de Mattei

As observações do Prof. de Mattei sobre o encontro de Assis


Continuamos o 'balanço' sobre o encontro inter-religioso de Assis, com esta participação do Prof. de Mattei, a quem agradecemos pela contribuição analítica.
Enrico

Depois de Assis III. Algumas reflexões

por Roberto de Mattei

Como signatário de um apelo a Sua Santidade Bento XVI para que voltasse atrás da decisão de celebrar o 25º aniversário do primeiro encontro inter-religioso de Assis, havida a reunião, não posso deixar de manifestar algumas reflexões a respeito.

Seja qual for o juízo que se queira dar sobre a terceira reunião de Assis, deve-se enfatizar que esta representou uma objetiva correção de rota em relação às duas reuniões precedentes, especialmente quanto ao perigo de sincretismo. Deve ser lido, a este respeito, com atenção, o discurso do Cardeal Raymond Leo Burke ao 'Congresso Peregrinos da Verdade para Assis', realizado no dia 1º de outubro passado em Roma, o qual oferece uma confiável chave para a interpretação do evento.

Na 'jornada de reflexão, diálogo e oração pela paz e a justiça no mundo', que ocorreu em 27 de outubro, não houve nenhum momento de oração por parte dos presentes, nem em comum nem em paralelo, como ocorrera em 1986 com os vários grupos religiosos reunidos em diversos lugares da cidade de São Francisco. É sabido, em qualquer caso, que o então cardeal Ratzinger evitou participar da reunião, e a sua ausência foi interpretada como uma tomada de distância dos equívocos que a iniciativa era destinada a produzir.

Bento XVI quis dar à reunião de 27 de Outubro um rosto diverso das reuniões precedentes: não tanto aquele, explicou o cardeal Burke, "de um encontro inter-religioso quanto o de um diálogo intercultural na esteira da racionalidade, bem preciosos do homem enquanto tal". Dois textos nos ajudam a compreender o pensamento de Bento XVI em matéria de 'diálogo': o primeiro é a carta enviada ao filósofo Marcello Pera[1], ex-presidente do Senado, quando do lançamento de seu livro, Por que devemos nos dizer cristãos (Mondadori ed., Milão, 2008), na qual Bento XVI escrevia que "um diálogo inter-religioso no sentido estrito da palavra não é possível, enquanto é mais urgente o diálogo intercultural que aprofunda as consequências culturais das decisões religiosas fundamentais. Aqui, o diálogo e uma mútua correção e um enriquecimento mútuo são possíveis e necessários".

O segundo documento é também uma carta, endereçada no dia 4 de março de 2011 ao pastor luterano alemão Peter Beyerhaus[2], que lhe havia manifestado temor com a nova convocação da jornada de Assis. Bento XVI escreveu-lhe: "Eu bem compreendo a sua preocupação com relação à participação ao encontro de Assis. Mas esta comemoração tinha que ser festejada de qualquer maneira, e, afinal, me parecia a melhor coisa ir lá pessoalmente, para tentar de tal modo determinar a direção de tudo. No entanto, farei tudo ao meu alcance para que seja impossível uma interpretação sincretista do evento, e para que fique firme que sempre crerei e confessarei aquilo para o qual eu havia chamado a atenção da Igreja com a Dominus Iesus".

A interpretação sincretista ou relativista do evento efetivamente não houve, ou foi atenuada, e a mídia dedicou, até por causa disto, bem pouco espaço ao evento.

Outro aspecto de Assis III suscita, no entanto, algumas perplexidades que não podem ser omitidas. O diálogo intercultural pode ser estabelecido com crentes de outras religiões não sobre base teológica, mas sobre aquela racional da lei natural. A lei natural nada mais é do que o Decálogo, compêndio dos dois preceitos da caridade, o amor por Deus e o amor pelo próximo, expressos nas duas tábuas entregues a Moisés pelo próprio Senhor. É possível que, apesar das falsas religiões que professam, haja crentes de outras religiões que procurem respeitar aquela lei natural que é universal e imutável, porque comum a todo ser humano (coisa, contudo, muito difícil sem a ajuda de Graça). A lei natural pode constituir uma 'ponte' para trazer esses 'infiéis' à plenitude da verdade, até mesmo sobrenatural. Muito mais problemático é, ao contrário, o diálogo com aqueles que não acreditam em nenhuma religião, ou seja, os ateus convictos.

A lei natural não consta, de fato, de sete mandamentos que regem a vida dos homens, mas de um conjunto de dez mandamentos, dos quais os três primeiros impõem prestar culto a Deus. A verdade expressa pelo Decálogo é que o homem deve amar a Deus acima de todas as criaturas e amar estas segundo a ordem estabelecida por Ele. O ateu rejeita essa verdade e é privado daquela possibilidade de se salvar que é oferecida, até mesmo em via excepcional, aos crentes de outras religiões. E se é possível a ignorância inculpável da verdadeira religião católica, não é possível a ignorância inculpável do Decálogo, porque a sua lei está escrita "nas tábuas do coração humano com o próprio dedo do Criador" (Rm 2,14-15). Há, certamente, a possibilidade de uma pesquisa ou 'peregrinação' em direção à verdade até mesmo por parte dos não-crentes. Isso acontece quando o respeito pela segunda tábua da lei (o amor ao próximo) leva progressivamente a buscar o fundamento dele na primeira tábua (o amor a Deus). É a posição dos denominados 'ateus devotos', como Marcello Pera e Giuliano Ferrara[3], os quais – como observou corretamente Francesco Agnoli[4] (Eu católico pacelliano[5], digo ao card. Ravasi que em Assis errou os ateus, in 'Il Foglio', 29 de outubro 2011) – "um pouco de estrada junto aos crentes a fizeram e continuam fazendo, com o uso da razão". Eles, hoje, diante de alguns preceitos do Decálogo se mostram mais firmes e observantes do que muitos católicos. Mas os ateus chamados a Assis nada tem de "devoto": pertencem àquela categoria de não-crentes que desprezam não apenas os três primeiros mandamentos, mas todo o Decálogo.

É uma posição que a filósofa e psicanalista Julia Kristeva[6] reafirmou no 'Corriere della Sera' - que hospedou, na íntegra, seu discurso em Assis (Um Novo Humanismo em dez princípios, in 'Corriere della Sera', 28 de outubro de 2011). Ao contrário de alguns estudiosos laicos que redescobrem o fundamento metafísico da lei natural, a Kristeva reivindicou uma linha de pensamento que do Renascimento chega até ao Iluminismo de Diderot, Voltaire e Rousseau, incluindo o Marquês de Sade, Nietzsche e Sigmund Freud, ou seja, aquele itinerário que, como demonstrado por insignes estudiosos do ateísmo desde Cornelio Fabro[7] (Introdução ao ateísmo moderno, Studium, Roma, 1969) até Augusto Del Noce[8] (O problema do ateísmo, Il Mulino, Bologna, 2010), leva justamente àquele niilismo, que a psicanalista francesa, sem negar sua visão ateísta e permissiva da sociedade, gostaria de contrastar em nome de uma colaborativa "cumplicidade" entre o humanismo cristão e o humanismo secularizado. O êxito desta coexistência pacífica entre o princípio ateu da imanência e uma vaga referência à religiosidade cristã nada mais é do que o panteísmo, caro a todos os modernistas, antigos e contemporâneos.

O ponto no qual Assis III corre o risco de marcar um perigoso passo à frente na confusão que hoje domina a Igreja é exatamente este, enfatizado por toda a mídia: a extensão do convite não apenas aos representantes das religiões de todo o mundo, mas aos ateus e agnósticos, escolhidos entre os mais distantes da metafísica cristã. Perguntamo-nos qual diálogo seria possível com esses 'não-crentes' que negam, desde a raiz, o direito natural. A distinção entre ateus 'militantes' e ateus 'colaborativos' arrisca-se a ignorar a vis agressiva ínsita no ateísmo implícito, não expresso de maneira militante, mas exatamente por isso mais perigoso. Os ateus da UAAR[9] têm pelo menos alguma coisa para ensinar aos católicos: professam os seus erros com um espírito de militância da qual os católicos abdicaram ao defender suas verdades. Isso acontece, por exemplo, quando os próprios católicos criticam as Cruzadas, que não foram um desvio da fé, mas uma iniciativa oficialmente promovida pelos Papas, exaltada pelos santos, baseada na teologia e regulada, durante séculos, pelo direito canônico. Se naquela época a Igreja errou, não poderia estar errado quem, hoje, prega o buonismo[10] e o arrendismo[11] diante dos inimigos, externos e internos, que avançam? E se a Igreja, como sabemos, não erra naquilo que ela ensina, qual deve ser a regra de fé última do católico em tempos de confusão como o atual? São perguntas que todo simples fiel tem o direito de colocar, respeitosamente, às autoridades supremas da Igreja, no rescaldo do dia 27 de outubro de 2011.

Tradução: Giulia d'Amore di Ugento



[1] Marcello Pera, filósofo e político italiano, ex-presidente do Senado italiano. Tido ora como um teocon (vide nota 3) ora como agnóstico, ou, ainda, como "um ateu devoto, ou de qualquer maneira um homem laico de ciência, que se converteu já maduro à civilização cristã, identificando-a com o Ocidente; fulgurado a caminho de Nova Iorque (parafraseando 'São Paulo a caminho de Damasco')" (Marcello Veneziani in Articolo su 'Libero').
[2] Peter Beyerhaus, ministro protestante alemão, teólogo e missionário. Ele cunhou a Teologia Moderna Alemã da Missão. Esta carta já é conhecida no Brasil.
[3] Giuliano Ferrara é um jornalista, apresentador de televisão e político italiano. Nos anos noventa, deixou a esquerda (PCI e PSI) para ir para o centro-direita e apoiar Silvio Berlusconi. Tornou-se, em fim, um dos intelectuais do 'Teocon' italiano.
'Teocon' (ou Theocon) é um neologismo derivante de Teo (Deus) e conservadorismo; criado pelos saxões, é bastante difundido na Europa, não raramente com um significado diferente do original. Nos EUA, geralmente é formado pelos protestantes conservadores. Na Itália, usado desde 2004, este termo reúne movimentos católicos ou pretenso-católicos, entre os quais Comunhão e Libertação, Opus Dei e Legionários de Cristo. Engloba personalidades do mundo político e cultural como Marcello Pera, o próprio Giuliano Ferrara, Oriana Fallaci – embora no começo fossem chamados de 'ateocon'. Este movimento às vezes se confunde com o 'neocon', de neoconservadores. Alguns politólogos consideram o neoconservadorismo uma variante de direita da ideia trotskista da revolução permanente, filha, por sua vez, do jacobinismo e da vontade de exportar a revolução francesa por parte de Robespierre e Napoleão: da mesma maneira, os neocon desejam "exportar a democracia e os direitos humanos", uma expressão tornada conhecida, até com conotações negativas, por parte da mídia para definir a ação de George W. Bush.
[4] Francesco Agnoli, professor, escritor e jornalista italiano.
[5] O adjetivo 'pacelliano', refere-se a Papa Pio XII, nascido Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli.
[6] Julia Kristeva é uma filósofa búlgaro-francesa, crítica literária, psicanalista, feminista, e, mais recentemente, romancista. Foi convidada pelo Papa para a reunião de Assis III. Representando os 'não-crentes', participaram de Assis III, além dela, o filósofo italiano Remo Bodei, o economista austríaco Walter Baier, membro do Partido Comunista, e o filósofo mexicano Guillermo Hurtado. O filósofo britânico Anthony C. Grayling, que também fora convidado e pretendia participar, em um acesso de estrelismo, mudou de ideia e se recusou a tomar parte do evento.
[7] Cornelio Fabro foi um presbítero, teólogo e filósofo italiano, membro da Congregação das Sagradas Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Insere-se na neoescolástica, mais precisamente no neotomismo. Traduziu, editou e comentou as obras de Søren Kierkegaard, expoente máximo do existencialismo.
[8] Augusto Del Noce foi um politólogo, filósofo e político italiano. Estudioso do racionalismo cartesiano e do pensamento moderno (Hegel, Marx), analisou as raízes filosóficas e teológicas da crise da modernidade, reconstruindo as contradições internas do imanentismo.
[9] UAAR: Unione degli Atei e degli Agnostici Razionalisti (União dos Ateus e dos Agnósticos Racionalistas) é uma associação (italiana) de ateus e agnósticos e se diz completamente independente dos partidos políticos: o adjetivo racionalista indica a confiança na razão como vínculo de referência entre os seres humanos. Desde 1991, a União promove na Itália a difusão das teorias do ateísmo e do agnosticismo, defende o caráter laico do Estado e luta contra todos os privilégios concedido ao Catolicismo e contra todas as discriminações aos não-crentes. Dedica-se a promover iniciativas legais pelo completo reconhecimento jurídico do ateísmo e dos direitos dos ateus. Tem como porta-voz na mídia a revista L'Ateo (O Ateu). UAAR á afiliada à IHEU (União Internacional Ética e Humanista) e à FHE (Federação Humanista Europeia). Entre as maiores metas do grupo está a abolição do artigo 7º da Constituição Italiana, que reconhece o Tratado de Latrão entre a Itália e o Vaticano.
[10] Buonismo é a atitude de quem, por palavras ou ações quer ser (ou parecer) bom, sempre e em todo lugar, mais preocupado em obter um reconhecimento positivo por parte dos outros. É aquela atitude de benévola abertura e compreensão de todas as posições, mas que não vai além dos genéricos apelos moralistas, capazes apenas de produzir compromissos confusos e de baixo nível. É um neologismo que está chegando aos poucos ao Brasil.
[11] Arrendismo é outro neologismo italiano (ainda quase desconhecido no Brasil): vem de render-se, é a atitude de ceder para resolver conflitos, típico dos pacifistas. Essa propensão não se confunde com a nobre aspiração comum a todos os espíritos elevados de preservar a paz por meio de negociações dignas e acordos razoáveis, que não comportem a renúncia aos princípios cristãos.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

FSSPX: Sobre Assis III


Sobre Assis III, de 27 de Outubro de 2011

Em 1º de Janeiro de 2011, Bento XVI anunciou a sua vontade de celebrar o aniversário de 25 anos do encontro de Assis de 1986. Ele invocou dois princípios para justificar este encontro, fixado no último dia 27 de Outubro:

1)    Todo ato religioso, de qualquer religião que seja, aproxima o homem de Deus;

Este primeiro princípio é qualificado pelo Magistério da Igreja de “perversão da verdadeira religião” (Gregório XVI).  Pio XI disse que é teoria errônea “que todas as religiões são todas mais ou menos louváveis, no sentido em que, de maneira diferente, manifestam e significam o sentimento natural e inato que nos leva a Deus e nos leva  a reconhecer com respeito o seu poder. Em verdade, os seguidores desta teoria estão em completo erro… partilhar tais doutrinas é se afastar por completo da religião divinamente revelada.” (Mortalium animos, 1929)

De fato, a Revelação é o fundamento necessário de uma religião verdadeira. É necessário que Deus se faça conhecer, para que seja possível se relacionar com ele. A revelação divina não pode se equiparar com a imaginação dos homens, que inventa religiões. O homem na sua aspiração religiosa deve ter a boa vontade de aceitar a Revelação para contruir este bom relacionamento com Deus. Ele não pode impor a religião à sua maneira. Um encontro religioso apenas deveria fazer conhecer a Revelação aos homens, já que sem a Fé católica ninguém pode agradar a Deus (Heb 11, 6), o justo vive da fé (Heb X, 38), e sem Jesus a salvação é impossível (Mat. XIX, 25).

2)    O caminho da paz não é outro senão o da liberdade religiosa.

Gregório XVI chama este princípio de  “delírio”. Não é apenas contra a fé mas também contra a inteligência. De fato, invocar este princípio é desconhecer o que é a liberdade e o que é a religião; é dizer uma coisa insensata. A religião é uma relação com a pessoa de Deus e necessita, por isso, o conhecimento da verdade sobre Deus. Seria insensato querer se relacionar com uma pessoa sem conhecê-la, contentando-se apenas em exercer a liberdade de se relacionar com esta pessoa. Num relacionamento, há necessariamente o dever de se conformar à pessoa conhecida e não podemos impor-lhe a nossa liberdade de relacionamento. A Liberdade necessita também da verdade para ser exercida; como, por exemplo, tocar piano livremente sem conhecer a música e nem o instrumento? Tal seria a figura da Liberdade sem a Verdade. A liberdade religiosa é insensata se não precedida da verdade religiosa. A verdade é fonte, e legitima a liberdade religiosa.

O Papa Bento XVI, numa carta ao ministro e professor luterano Dr. Peter Beyerhaus, antes da reunião de Assis, prometeu não favorecer o relativismo. O que ele fez, então,  afirmando que “Trata-se de nos sentirmos juntos neste caminhar para a verdade”? Se devemos, todos juntos, caminhar para a verdade, isso significa que ainda não possuimos a verdade, que o catolicismo não é a verdade e que estamos no mesmo nível das outras religiões. Não seria isso mesmo o relativismo? O que fica, então, da promessa seguinte?

“Compreendo muito bem — escreveu Bento XVI  — a sua preocupação sobre a [minha] participação no encontro de Assis. Todavia, esta comemoração teria de ser celebrada de toda forma e, no fim das contas, pareceu-me que a melhor coisa para mim seria ir até lá pessoalmente, podendo, então, determinar a direção de tudo isso. Farei tudo, no entanto, a fim de que uma interpretação sincretista ou relativista do evento seja impossível e então o que permanecerá é aquilo que sempre acreditarei e professarei, para o que chamei a atenção da Igreja com [a declaração] ‘Dominus Iesus’“. (4 de março de 2011: Carta de Bento XVI ao ministro e professor luterano Dr. Peter Beyerhaus, como resposta a uma missiva enviada por ele sobre o risco envolvido no novo encontro de Assis. Carta revelada pelo Cardeal Burke em uma conferência).

I. Resumo e apresentação do discurso de Bento XVI em Assis

Partindo do fato histórico da queda do muro de Berlim, considerado como um símbolo de vitória da liberdade e sobretudo da paz, O papa Bento XVI reconhece que a situação mundial não mudou e ainda está mergulhada na violência. Ele aproveita deste diagnóstico para sublinhar a importância da reunião de Assis III para refletir sobre este fenômeno e tirar lições. Ele aponta duas fontes da violência: de um lado, o terrorismo, bem como toda deturpação da religião, e de outro, o ateísmo e o materialismo.

Ele quer fugir da crítica dos iluministas, que consiste em dizer que a religião é fonte de violência e portanto deve ser eliminada.  Ele realça a contribuição dos agnósticos, que:

a)     em primeiro lugar, “tiram aos ateus aquela falsa certeza com que pretendem saber que não existe um Deus, e convidam-nos a tornar-se, em lugar de polêmicos, pessoas à procura…” ; 

b)     e em  segundo lugar, “chamam em causa também os membros das religiões, para que não considerem Deus como uma propriedade que de tal modo lhes pertence que se sintam autorizados à violência contra os demais. …. Assim, a sua luta interior e o seu interrogar-se constituem para os que creem também um apelo a purificarem a sua fé, para que Deus – o verdadeiro Deus – se torne acessível.

E antes de concluir, define o motivo profundo deste encontro de Assis:

“Trata-se de nos sentirmos juntos neste caminhar para a verdade, de nos comprometermos decisivamente pela dignidade do homem e de assumirmos juntos a causa da paz contra toda a espécie de violência que destrói o direito.”

E vem a conclusão em que ele exprime o compromisso da Igreja de servir a paz no mundo. Neste quadro podemos encaixar a palavra de Jesus: “Não julgueis que vim trazer a Paz à terra, não vim trazer a Paz, mas a espada” (Mat. X, 34)?

“Concluindo, queria assegurar-vos de que a Igreja Católica não desistirá da luta contra a violência, do seu compromisso pela paz no mundo. Vivemos animados pelo desejo comum de ser «peregrinos da verdade, peregrinos da paz».”

II. As resposta da parte das falsas religiões

O Papa falhou na sua promessa : “Farei tudo, no entanto, a fim de que uma interpretação sincretista ou relativista do evento seja impossível”
  • O porta-voz fez um apelo ao pluralismo religioso, “a nossa religião, bem como as religiões praticadas por outras pessoas, são valiosas e preciosas aos olhos do Todo-Poderoso” e ao respeito pela natureza: “enquanto à natureza não for dado o devido respeito e honra em nossos pensamentos e ações, o ser humano não pode encontrar a verdadeira paz e tranqüilidade que todos nós estamos procurando. “
  • Awis Agbaye (indígenas iorubá): ”respeito às religiões indígenas” “Trabalhemos todos juntos para um maior respeito, amor e justiça, enquanto ao mesmo tempo, continuemos fiéis aos ensinamentos das religiões que adotamos”
  • Goswami (hindu): “não há paz com meios violentos” (Assis, a partir de nossos correspondentes) “A paz nunca pode ser alcançada através de meios violentos” é a mensagem feita no dia em Assis por Achara Shrivatsa Shri Goswami, representante indígena da religião hindu, que lembrou em seu depoimento, na Basílica de Santa Maria dos Anjos, figuras de Krishna, Buda, Mahatma Gandhi, Martin Luther King e Tutu Bishop, “todos os peregrinos da paz que afirmam que não há caminho para a paz. A paz é o caminho.

III. Análise e comentário

Antes de tudo, o Papa quer evitar a crítica dos iluministas, mas para fazer entrar a concepção da religião num padrão aceitável para eles. O resultado será forçosamente chegar a conformar a religão às idéias falsas dos iluministas: religiosidade que tranqüilize a consciência, mas sem incomodar o homem por um dogmatismo; uma espécie de religião emancipada da realidade de Deus e que deixa a cada um a liberdade de imaginar o deus que ele quer. Weisshaupt, fundador do iluminismo, pretendia assim restaurar o homem no sentido de lhe restituir a total liberdade e igualdade e torná-lo isento de qualquer obrigação social e religiosa e acabar com a propriedade. Para chegar a isso o Papa pede a ajuda dos agnósticos “para que (os crentes) não considerem Deus como uma propriedade”.

O único momento em que ele fala da religião cristã é para apresentar uma religião pacifista de tipo Mahatma Gandhi, em que a religião nem sequer deve servir de discriminação entre os filhos da mesma família humana:

É verdade, na história, que também se recorreu à violência em nome da fé cristã. Reconhecemo-lo, cheios de vergonha. Mas, sem sombra de dúvida, tratou-se de um uso abusivo da fé cristã, em contraste evidente com a sua verdadeira natureza. O Deus em quem nós, cristãos, acreditamos é o Criador e Pai de todos os homens, a partir do qual todas as pessoas são irmãos e irmãs entre si e constituem uma única família. A Cruz de Cristo é, para nós, o sinal daquele Deus que, no lugar da violência, coloca o sofrer com o outro e o amar com o outro. O seu nome é «Deus do amor e da paz» (2 Cor 13,11). É tarefa de todos aqueles que possuem alguma responsabilidade pela fé cristã, purificar continuamente a religião dos cristãos a partir do seu centro interior, para que – apesar da fraqueza do homem – seja verdadeiramente instrumento da paz de Deus no mundo.

A religião cristã é mencionada apenas para servir aos cristãos, e não para ser pregada aos não-cristãos. Ela é reduzida a um meio de promover a paz no mundo. A sua realidade de único meio de salvação fica escondida. Que grave omissão!

“é, para nós, [Ndr. não para todos] o sinal daquele Deus que, no lugar da violência, coloca o sofrer com o outro e o amar com o outro.”

O Papa estuda o problema da religião não à luz da Revelação, mas à luz duma ideologia iluminista. Usa de dialética, onde coloca em oposição as religiões existentes e o materialismo. Quer fugir da crítica dos iluministas e se conformar à ideologia deles, servindo-se da posição dos agnósticos para resolver o problema da violência (por motivo religioso) evocado pelos iluministas. Em vez de pregar a religião cristã como universal e necessária para a salvação de todos, apresenta a religião cristã como um sinal apenas válido para os cristãos e acaba por apresentar um ideal religioso quimérico comum a todas as falsas religiões, que produziria na Terra uma situação sem guerra, sem polêmica, sem confronto de convicção.  Uma situação do tipo de Mahatma Gandhi, um pacifismo absoluto “contra toda a espécie de violência”.
 
Portanto, torna-se difícil encaixar neste contexto o ensino de São Jerônimo: “Ser-me-á suficiente responder [dizia ele] que jamais poupei os hereges e que empreguei todo o meu zelo em fazer dos inimigos da Igreja meus inimigos pessoais”. No entanto, São Jerônimo segue o Evangelho, que considera a palavra de Deus como uma espada que “não traz a paz à terra” (Mat. X, 34.) A guerra contra o erro, o pecado e o demônio, principe deste mundo. São Paulo tem um discurso também muito diferente do do Papa: “Tomai  também o elmo da salvação e a espada do espírito, que é a palavra de Deus (Efes. VI 17)” A luta em prol da verdadeira religião é tão fundamental para o homem (imagem de Deus), que deve se inspirar do exemplo do profeta Elias, apóstolo que ainda virá para combater o Anticristo.

A religião, de fato, é para o homem a única maneira de se religar à fonte da sua vida e existência, logo é vital, é fundamental. Quando houve perigo para a verdadeira religão, Elias não hesitou mandar ao povo: “Apanhai os profetas de Baal, e não escape deles nem um só. E tendo-os o povo agarrado, Elias levou-os à torrente de Cison, e ali os matou” (III Reis XVIII 40). Para o Papa, a verdade religiosa não tem esta importância; ele trata o problema sem se referir ao alicerce dela, a Revelação divina. Para ele, a experiência humana da religião basta para agradar a Deus e obter a paz. Aceita qualquer opinião religiosa que serve para paz na família humana. Para ele, também, a religião não passa de algo útil, e deve ser modificada ou purificada em função de sua utilidade. A paz entre os homens é uma finalidade acima da religião, a religião está ao serviço da paz. Os homens são confortados pelo Papa na sua maneira de inventar ou escolher o modo de se relacionar com Deus, desde que uma condição seja atendida: que todos eles prestem um serviço à paz. A sua noção do Novo Pentecostes como manifestação da unidade entre todas as experiências religiosas é a alma deste discurso de Assis III. Todas religiões merecem ser praticadas sinceramente porque têm o poder de agradar a Deus e servem para obter a paz de Deus.  Neste discurso o homem não está chamado a conservar a verdade que Deus lhe revelou, mas a buscar uma verdade que seja comum e que sirva para alcançar uma paz na família humana atual. O catolicismo, bem com as outras religiões, deve pedir perdão e se purificar.

Jesus já não corresponde a este padrão do Papa, pois usou de açoite com os vendedores do Templo, de violência verbal contra os fariseus, de incitação a usar da espada no futuro quando disse a São Pedro: “mas agora quem tem bolsa toma-a, e também alforje, e quem a não tem, vende a sua túnica, e compre uma espada” (Lucas XXII, 36) e “Não julgueis que vim trazer a Paz à terra, não vim trazer a Paz mas a espada” (Mat. X, 34).  Claro que a espada deve estar na mão do poder civil e não na do sacerdote, e deve ser usada com prudência e pelo bem e não sem consideração, como São Pedro no Jardim das Oliveiras. Naquela circunstância, de fato, a espada estava na mão do primeiro Papa e para impedir o mistério da Redenção. A Igreja também não correspondeu a este padrão, ela que defendeu a justiça e instituições da fé e da caridade pedindo a ajuda das armas; ela, que defendeu os inocentes, incitando a criação de ordens militares, pregou as cruzadas para defender a liberdade de professar a fé e manter a civilização cristã. A causa da justiça, da fé, da paz se defende em vários níveis, que vão do confronto das idéias, passam pela polêmica justa, e chegam até o uso das armas para criar as disposições de aceitar o que é verdadeiro e justo, o que é vital e fundamental.

Todo o problema de Assis III parece resumido nesta frase:

Trata-se de nos sentirmos juntos neste caminhar para a verdade, de nos comprometermos decisivamente pela dignidade do homem e de assumirmos juntos a causa da paz contra toda a espécie de violência que destrói o direito.

Todas as religiões, inclusive a cristã, devem se purificar até serem capazes de se unirem e de prestarem um serviço à dignidade humana, e conseqüentemente nesta união todos os homens devem contribuir para promover a paz. A paz é definida como exclusão de qualquer violência, “contra toda a espécie de violência”. A violência é apresentada como destruidora do direito.

Assim, a utilidade e o serviço da dignidade humana é a finalidade da religão e os direitos humanos não permitem a violência. Isso é a verdade que deve ser alvo de busca por parte de todas as religiões e motivo de purificação. O deus de Mahatma Gandhi será assim mais acessível para os agnósticos, e o Deus de Jesus Cristo será reformado.

A violência de que condena o Papa pode ser, claro, a violência injusta que vai contra a lei natural, mas também a justa que agrediria qualquer suposto “direito humano” de Vaticano II: O “direito”, no foro externo, a ser imune de coação da parte de qualquer autoridade, mesmo quando subjetivamente o homem não se empenha em buscar a Verdade. “Por isso, o direito a essa imunidade (imunidade de coação externa exercida por qualquer autoridade civil ou religiosa) continua a existir, ainda para aqueles que não satisfazem a obrigação de procurar a verdade e de a ela aderir” (Vat. II DH nº 1537).

Na realidade, a violência, como justa coação no foro externo, pode no entanto ajudar o homem a se colocar na linha da verdade, da justiça e assim gozar da verdadeira liberdade. Esta violência que obriga a observar um comportamento social bom é justa porque corresponde ao bem comum e logo ao bem de cada indivíduo integrado na sociedade. A coação serve quando a inteligência é rebelde ao seu dever de conhecer a verdade e quando a vontade está bloqueada na malícia por causa de uma paixão desordenada, de uma cultura falsa, superstição ou de uma religião falsa.

De fato, o que serve a coacção na psicologia do homem? A coação fornece as disposições à verdade e ao bem, obrigando a faculdade da inteligência ou a da vontade a adotar uma atividade reta, produzindo atos bons. Claro que a coação, por si própria, não produz a virtude correspondente aos atos bons. Para fazer nascer a virtude, é necessário um ato livre da parte do homem para aceitar a boa atividade inteletual ou moral imposta pela coação justa. Com a virtude, esta atividade boa torna a ser merecedora, agradável, profícua e natural ao homem.

O trabalho da educação ou do estabelecimento de uma civilização autêntica necessita da criação destas disposições com uso da violência de uma justa coação, no caso em que os homens, por inconsciência ou por paixão, permanecem rebeldes e assim prejudicam o bem comum. A vida do homem não pode ser analisada de maneira individualista, como se o homem pudesse se sustentar sozinho sem necessitar da sociedade, e então sem ter deveres para com a sociedade. Se a natureza do homem é essencialmente social, o indivíduo encontra o seu bem no Bem Comum desta sociedade, e portanto ele deve servir a este bem da sociedade. Assim, o serviço ao Bem Comum tem a suas exigências, e há uma coação justa que obriga o homem a servir ao Bem Comum. A civilização saiu da barbárie por conta da justa coação.

O direito de que fala o Papa faz parte do que é chamado “declaração dos direitos humanos”. Foram inventados pela Maçonaria e proclamados pela revolução.  Eles  precedem qualquer dever para com Deus e para com a sociedade. Estes direitos pode ser reinvidicados em qualquer momento e por qualquer um, a torto ou à razão. São absolutos. A Igreja, no Vaticano II, está tentando reconciliar esta noção revolucionária com a moral cristã. Assim, este direito aniquila qualquer vontade de coação da parte de qualquer autoridade civil ou religiosa. O poder da consciência torna a ser uma suprema autoridade, e a religião deve se conformar a esta supremacia. Eis porque o Papa é tão absoluto na sua proscrição de toda violência. É a revolução do pacifismo pregado por Mahatma Gandhi, e inspirado pela passividade budista. Este pacifismo aniquila qualquer reação boa contra o mal. Foi o veneno paralizador inoculado pela revolução na Europa cristã. Os cristãos estão entorpecidos e já não fazem nada para parar a revolução.

IV. Conclusão

Portanto, a partir da constatação de uma situação de violência depois do pretenso símbolo de vitória da Paz de 9 de Novembro de 1989, o Papa, evitando toda distinção, chega a pregar o pacifismo: uma atitude de rejeição de toda violência justa ou injusta “contra toda a espécie de violência”. A nocividade deste discurso se resume numa pregação da revolução pacifista de tipo Mahatma Gandhi, que acaba com toda resistência à revolução anti-cristã e é contra toda apologética da fé. Curiosamente, o projeito de Governo mundial se acomoda muito bem a este discurso e até fala da instalação de uma única religião, mas purificada do todo dogmatismo considerado como intolerante e discriminatório. A todo custo, segundo esta ideologia, seria necessário proteger a unidade e a paz da família humana contra toda doutrina ou religião que criasse clivagens entre os homens. Isso seria considerado como um abuso da prática religiosa.

O Papa Pio XI, na sua encíclica Quas Primas, fazia o mesmo diagnóstico da situação de violência e tinha a mesma preocupação com a paz, mas ele foi buscar o remédio na Revelação, na fé em Jesus Cristo, Messias e única esperança dos homens. Ele incentivou, pela festa de Cristo Rei, os homens a trabalharem no reino de Cristo e estabelecê-lo na sociedade.

Pelo contrário, o Papa Bento XVI continuou na sua experiência fracassada do Vaticano II e foi buscar a solução da paz tão desejada no mundo, até no mundo dos agnósticos para chegar a purificar as religiões de todas certezas. O sonho (ou loucura) dele é de colocar todas as religiões no caminho da busca de uma verdade nunca possuída.

O que no congresso maçônico de Paris de 9 de Junho de 1908 foi definido deixa muito que pensar sobre Assis III : “sendo o laço invisível que une todas as religiões…, a maçonaria universal é espiritualista na sua essência”; e também o primeiro Artigo da Constituição maçônica de Grande Loja inglesa exprime este ideal maçônico: “deixar a cada um as suas opiniões (religiosas) e mandar que a religião seja aquela que está de acordo com todos os homens”. Será que o Papa, que trabalha para colocar uma harmonia entre todas as religiões, não entendeu que a diferença entre a Maçonaria e a Igreja é justamente que a maçonaria é ecumenista, e a Igreja é dogmática, ao serviço de uma Revelação divina? Ou será que ele adota agora o ideal maçônico, juntando todas as religiões no caminho de busca de uma verdade que não assusta os iluministas?

Com Assis III,  o “ide e pregai o meu Evangelho e batizai todos os homens em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo, aqueles que acreditam serão salvos e aqueles que não acreditam serão condenados” já não convém mais.

Será que o Papa está consciente disso? Rezemos e façamos atos de reparação: é mais útil do que tentar julgar uma pessoa experimentando tantas idéias estranhas. 

Fonte: FSSPX



quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Assis III - notícias e escandâlos

Diálogo inter-religioso: Encontro pela paz em Assis 

(programa completo)
por Ervino Martinuz 


Ter, 25 de Outubro de 2011 14:58

Assis (Itália), 25 out (SIR/Ecclesia) – O portal de notícias do Vaticano divulgou hoje o programa oficial do encontro de “reflexão, diálogo e oração pela paz e a justiça no mundo” que vai decorrer quinta-feira, em Assis (Itália), convocado por Bento XVI. 

O Papa parte pelas 08h00 italianas (menos quatro em Brasília), de trem, do Vaticano, com a companhia de delegações de outras Igrejas e confissões religiosas, rumo à cidade italiana. Os participantes no encontro reúnem-se na basílica de Santa Maria dos Anjos, para um conjunto de intervenções, encerradas por Bento XVI, após a projeção de um vídeo com os momentos do Dia Mundial pela Paz celebrado em 1986, por iniciativa de João Paulo II. Após o almoço, todos os presentes vão dirigir-se em silêncio para a Praça de São Francisco, que acolhe o momento de renovação do “compromisso comum pela paz”.

Programa (Hora local, menos quatro horas em Brasília) 

08h00 – Partida de Bento XVI e das delegações, de trem, da estação do Vaticano, com os líderes das delegações religiosas mais representativas.
09h45 – Chegada à estação ferroviária de Assis. Transferência em ônibus para a basílica de Santa Maria dos Anjos. Saudação das autoridades religiosas e civis.
10h15 - As delegações instalam-se na basílica. Bento XVI é recebido pelos ministros gerais das ordens franciscanas (frades menores, frades conventuais, frades capuchinhos, ordem terceira).
O Papa acolhe, à porta da basílica, os chefes das delegações inter-religiosas.
Saudação do cardeal Peter Turkson, presidente do Conselho Pontifício Justiça e Paz.
Projeção de um vídeo em memória do encontro de 1986.
Intervenções [dentro da Basílica Católica]
- Bartolomeu I, patriarca ecumênico de Constantinopla (Ortodoxo).
- Rowan Williams, arcebispo da Cantuária, primaz da Comunhão Anglicana (Inglaterra).
- Norvan Zakarian, arcebispo primaz da diocese armênia na França.
- Olav Fykse Tveit, secretário-geral do Conselho Ecumênico das Igrejas.
- Rabi David Rosen, representante do Grão Rabinato de Israel.
- Wande Abimbola, religião Yoruba.
- Acharya Shri Shrivatsa Goswami, representante da religião hindu.
- Ja-Seung, presidente de “Jogye Order”, budismo coreano.
- Kyai Haji Hasyim Muzadi, secretário-geral da Conferência Internacional das Escolas Islâmicas.
- Julia Kristeva, representante dos não-crentes.
Intervenção de Bento XVI
12h30 – O Papa e os chefes das delegações entram no convento da Porziuncola (franciscanos).
13h00 – Almoço nos refeitórios do convento.
13h45-15h30 – Tempo de silêncio. Encontro de jovens na Praça de São Francisco.
15h15 – As delegações são recebidas pelos coros do Gen Verde, Gen Rosso e Interfrancescano.
16h30 – Encontro conclusivo.
Saudação do cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso.
Renovação solene do Compromisso para a Paz. [o que é isso, catolicamente falando?]
-Introdução por Bartolomeu I.
- Federação Luterana Mundial.
- Sikh. - Alexandre, patriarcado de Moscou.
- Aliança Mundial Batista.
- Muçulmano.
- Metropolita Gregorios, patriarcado sírio–ortodoxo de Antioquia.
- Taoísta.
- Budista.
- Xintoísta.
- Rabino.
- Setri Nyomi, Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas.
- Guillermo Hurtado, representante dos não-crentes.
Conclusão de Bento XVI.

Gesto simbólico
- Entrega de lâmpadas aos chefes das delegações. [???]
Cardeal Kurt Koch, presidente do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. [qual o significado de sua presença, totalmente desnecessária, tendo em vista a ideologia por trás do encontro de Assis (I, II e III)? Sobretudo, tendo sido excluído o próprio Nosso Senhor e Criador]
Abraço da paz.
Despedida do Papa.
18h00 – Bento XVI e os chefes das delegações que o desejarem passam diante do túmulo de São Francisco. [que significa isto? que sentido tem? São Francisco os chutaria todos a ponta-pés, se vivo fosse.].


Tradução: Giulia d'Amore di Ugento


Em seguida, a tradução de umas pérolas de alguns participantes do 'encontro' ecumênico-interreligioso-suprapartidário: 



ASSIS 2011 — AWIS AGBAYE (Ioruba): “RESPEITO PELAS RELIGIÕES INDÍGENAS”
(Assis, por nossos correspondentes)

“Chegou a hora para os líderes de todas as religiões do mundo de ter um novo quadro conceitual em que às religiões indígenas seja dado o mesmo respeito e consideração das outras religiões. Não podemos ter paz no mundo quando não respeitamos, abusamos ou desprezamos os nossos vizinhos”. Quem pediu isto foi Wande Abimbola, Awise Agbaye[1] que, para Assis, levou os cumprimentos dos povos da África e dos membros da religião ioruba[2] no mundo, da qual é porta-voz. Em seu discurso na Basílica de Santa Maria degli Angeli[3], Agbaye lembrou que “uma condição fundamental para a paz é que todas as pessoas de fé tenham respeito e amor umas pelas outras. Nos relacionamos com as pessoas pelo caráter que têm — disse — não com base na religião que praticam. Trabalhemos todos juntos por um maior respeito, amor e justiça, enquanto, ao mesmo tempo, continuamos fiéis às doutrinas das religiões que abraçamos”. Pelo porta-voz também chegou um apelo ao pluralismo religioso, “a nossa religião, bem como as religiões praticadas por outras pessoas, são válidas e preciosas aos olhos do Todo-Poderoso” e ao respeito pela natureza, “enquanto à natureza não for dado o devido respeito e honra em nossos pensamentos e ações, os seres humanos não poderão encontrar a verdadeira paz e a tranquilidade que todos nós estamos procurando”.[4]


ASSIS 2011 — GOSWAMI (HINDU): “PAZ NÃO SE ALCANÇA COM MEIOS VIOLENTOS”
(Assis, por nossos correspondentes)

“A paz nunca pode ser alcançada através de meios violentos” é a mensagem levada à jornada de Assis por Acharia Shri Shrivatsa Goswami[5], indiano, representante da religião Hindu[6], que lembrou, em seu testemunho à basílica de Santa Maria degli Angeli, as figuras de Krishna[7], Buda[8], Mahatma Gandhi[9], Martin Luther King[10] e o bispo Tutu[11], “todos peregrinos da paz que afirmam que não há um caminho para a paz. A própria paz é o caminho. Nosso comum objetivo de paz pode ser alcançado através do nosso compromisso com a verdade. Para Mahatma Gandhi, a Verdade era Deus”. “Este compromisso — acrescentou Goswami — mesmo obstaculizado ou impedido, encontra igualmente o seu caminho através da não-cooperação não-violenta. A história dá testemunho de sua força”. Vinte e cinco anos após a reunião em Assis quisto pelo Papa João Paulo II, “devemos refletir sobre nosso progresso nessa estrada. Por que não chegamos mais perto de onde ele queria estar? Estamos em falta na parte interior da viagem? O diálogo – enfatizou o representante hindu — será um exercício fútil se não o empreendemos com humildade, paciência e o desejo de respeitar o outro, e isso sem esperar o mesmo em troca. Isto nos fará capazes de dizer ‘não’ à injustiça. Isto requer muita coragem e essas coragem virá somente pela oração”.


ASSISI 2011 — JA-SEUNG (BUDISMO): “UMA FRATERNIDADE EM FAVOR DA VIDA”
(Assis, por nossos correspondentes)

“Não há lugar para a violência ou o terrorismo na religião, que enfatiza como cada vida é preciosa e deve ser amada. Cada uma de nossas vidas é uma bela flor que faz do mundo uma única flor e o torna um lugar glorioso e magnífico”. São as palavras de Ja-Seung[12], presidente da “Jogye Order” (Budismo coreano[13]), dirigidas aos líderes religiosos presentes hoje em Assis. Contra a violência e o terrorismo, Já-Seung lançou a proposta de “uma fraternidade em favor da vida, para eliminar as raízes da violência e da guerra conduzida em nome da religião ou da ideologia; uma fraternidade em favor da paz, de modo que a coexistência harmoniosa e o respeito mútuo se tornem possíveis neste mundo, independente da religião, da raça e da cultura”. “Além do mais — continuou — devemos aceitar nossas diferenças culturais e superar os conflitos culturais através da compreensão mútua e do crescimento espiritual”. Disto a necessidade de “uma fraternidade em prol da cultura e em favor da partilha, para ajudar aquelas pessoas que ainda sofrem com a pobreza, a fome e a injustiça”. Finalmente, concluiu, “gostaria de propor uma fraternidade em favor da ação, para que todos nós possamos experimentar esta verdade pessoalmente e ajudar a tornar este mundo puro e perfumado como uma flor”.


Tradução: Giulia d'Amore di Ugento



[3] NdTª.: Continuaram usando os Sagrados Templos Católicos para homenagear, com discursos ao invés de orações, os ídolos e os demônios.
[4] NdTª.: O discurso dele, dentro da Basílica, é um manifesto anticatólico.
[5] NdTª.: Breve biografia.
[6] NdTª.: Religião Hindu. Os hindus acreditam num ‘espírito supremo cósmico’, que é adorado de muitas formas, representado por divindades individuais. O hinduísmo é centrado sobre uma variedade de práticas que são vistas como meios de ‘ajudar o indivíduo a experimentar a divindade que está em todas as partes’, e ‘realizar a verdadeira natureza de seu Ser’. Eles cultuam 330 mil divindades diferentes.
[7] NdTª.: De acordo com a tradição Hindu, Krishna é o oitavo avatar (manifestação corporal de um ser imortal, por vezes até do Ser Supremo, pode ser uma manifestação humana, animal ou uma combinação dos dois) de Vishnu (juntamente com Shiva e Brama formam a trimúrti, a trindade hindu, na qual Vixnu é o deus responsável pela manutenção do universo). É considerado, segundo o Movimento Hare Krishna (ISKCON), a Suprema Personalidade, sendo assim, a origem de todas as encarnações seguintes. Krishna e as suas histórias aparecem nas diversas tradições filosóficas e teológicas hindu. Embora, algumas vezes diferentes nos detalhes, ou até mesmo contradizendo as características de uma tradição particular, alguns aspectos básicos são compartilhados por todas elas. Estes incluem uma encarnação divina, uma infância e uma juventude pastoral e a vida como um guerreiro e professor. A imensa popularidade de Krishna fez com que várias religiões não-hindus que se originaram na Índia tivessem as próprias versões dele.
[8] NdTª.: Buda (Desperto, Iluminado) é um título dado na filosofia budista àqueles que despertaram plenamente para a verdadeira natureza dos fenômenos e se puseram a divulgar tal redescoberta aos demais seres. A palavra "Buda" denota não apenas um mestre religioso que viveu em uma época em particular, mas toda uma categoria de seres iluminados que alcançaram tal realização espiritual. As escrituras budistas tradicionais mencionam pelo menos 24 Budas que surgiram no passado, em épocas diferentes. De acordo com a tradição vixnuísta (os adoradores de Vixnu), o Buda é considerado o nono avatar de Vixnu.
[9] NdTª.: Mahatma Gandhi foi o idealizador e fundador do moderno Estado indiano e o maior defensor do Satyagraha (princípio da não-agressão, forma não-violenta de protesto) como um meio de revolução. Também inspirou gerações de ativistas democráticos e antirracismo, incluindo Martin Luther King e Nelson Mandela.
[10] NdTª.: Martin Luther King foi um pastor protestante e ativista político estadunidense. Morreu assassinado.
[11] NdTª.: Desmond Mpilo Tutu, bispo anglicano. Ao lado de Nelson Mandela, Desmond Tutu foi uma das figuras centrais do movimento contra o Apartheid.
[12] NdTª.: Breve biografia.
[13] NdTª.: O budismo na Coréia do Sul é dominado pela Ordem Jogye, uma seita sincrética, tradicionalmente ligado à tradição Seon. Já-Seung é seu atual líder. 



Nossa Senhora do Divino Amor, rogai por nós,
aplacai a IRA do Senhor sobre nós,
compadecei-Vos de nossa miséria d'alma,
de nossa cegueira modernista,
de nossos pecados que bradam aos Céus.
Giulia d'Amore di Ugento

Assis III, nunca!


Hoje se repetirá o grande escândalo de Assis. Desta vez, não haverá budas no lugar das reliquias de santos católicos, nem sacrificios de macumba na Igreja de Santa Clara, mas será pior. 

Porque? Porque nenhum católico de verdade iria participar de um culto pagão ou demoniaco. Mas quando nos damos as mãos e cantamos 'cumbayá' abraçados uns aos outros 'como irmãos'... muitos católicos são levados a crer que seja bom e seja agradável a Deus. 

Mas... você sabe quem é seu irmão? Seu irmão é aquele que é filho de sua mãe e de seu pai: Sua mãe é a Igreja Catolica. Seu Pai é a Santissima Trindade. Se eles também são filhos do mesmo pai e da mesma mãe... sim, eles são seus irmãos. Mas se não são, como pode dizer que o são? 

E dizer também que isso é agradável a Deus? 

Como pode ser agradável a Deus 'confraternizar' com os inimigos dEle e da Esposa dEle? Com quem O matou e matou milhões de católicos em todos os tempos? Estes, sim, seus irmãos! 

Pode ser agradável a Deus quem O ofende diariamente oferecendo sacrifícios e pedindo favores a ídolos e demônios? Quem Lhe cuspe na cara todo os dias, com modas imodestas; com piadas sujas; com língua cumprida demais que mal cabe na boa e julga a tudo e a todos; com calúnias e mentiras; provocando e/ou exacerbando escândalos públicos e fomentando a discórdia entre os irmãos e o desrespeito ao Sagrado, e neste Sagrado se incluem os Santos Sacerdotes?

A quem anda chamando de irmão? 

Assis III, nunca! 

Que Deus se apiede desta geração de corruptos!

Hoje é um dia de tristeza e de penitência para a Igreja Católica! 
Nossa Senhora do Divino Amor, rogai por nós,
aplacai a IRA do Senhor sobre nós,
compadecei-Vos de nossa miséria d'alma,
de nossa cegueira modernista,
de nossos pecados que bradam aos Céus.

Giulia d'Amore di Ugento

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