Chi prima lo diede alla luce,

AL SINCERO LETTORE

LA PACE,

che l'inquieto Mondo dar non può.

Miguel de Molinos

sexta-feira, 16 de março de 2012

O "NÃO" da Traditional Anglican Communion a Roma

Traditional Anglican Communion
Ordenação do Diácono Anthony Murley



E os anglicanos tradicionalistas dizem "NÃO" ao Papa

Segundo o site italiano La Bussola Quotidiana, os Anglicanos Tradicionalistas, sem dar maiores explicações e agradecendo a generosidade do Papa com sua Anglicanorum Coetibus, dizem NÃO a Roma. Este grupo - Traditional Anglican Communion (TAC) - contaria com mais de 400mil almas e se opõe, há tempos e abertamente, ao Arcebispo de Canterbury.

O Colégio de Bispos da TAC reuniu-se em Johannesburg (África do Sul), entre os dias 28 de Fevereiro e 1º de Março, e chegou à conclusão de que, por agora, preferem permanecer fora da Igreja, embora os anglicanos não tenham explicitado claramente os motivos. Além disso, depuseram, por unanimidade, o primaz, o australiano John Hepworth, protagonista da reaproximação com Roma. Ele era o primaz desde 2003.

Os boatos dão conta de que Hepworth, ordenado padre católico em Adelaide (Austrália) em 1968, teria soferto abusos sexuais por parte de padres católicos, quando seminarista e, depois, ele mesmo padre católico, em Melbourne, na Austrália. Em 1976, voltou à Grã Bretanha e abjurou a Fé Católica para entrar na Igreja Anglicana d'Austrália. Depois de denúncias, recebeu setenta e sete mil dólares da Diocese de Melbourne. A Diocese de Adelaide, que também estaria envolvida, rejeitou categoricamente qualquer responsabilidade sobre os fatos. Traduzindo, não indenizou monetariamente ao Hepworth.

Contudo, esse fato poderia justificar, segundo o LBQ, no máximo, a deposição do prelado "mal falado", não certamente a escolha de detonar um acordo que salvaria tantas almas, "virando as costas" ao Ordinariato.

Há quem diga que a cúpula da TAC tenha ficado escandalizada com tantas denúncias - muitas das quais verdadeiras - de abusos sexuais envolvendo o clero católico.

Outros dizem que as recentes trocas de farpas nos palácios pontifícios tenha prejudicado a causa.

Por fim, há quem comenta que o próprio encontro de Johannesburg não tenha sido legítimo porque feriria a Concordata de 1990 (emendada em 2003), representando, praticamente, um cisma dentro do cisma.

Fato é que a Traditional Anglican Communion declinou do gentil convite da Anglicanorum Coetibus para voltar à Igreja Católica. 
Giulia d'Amore
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domingo, 11 de março de 2012

O que importa!

Certos prazeres interiores são coisas de criança! Não são sinais de perfeição. Não desejemos amenidades: queiramos sofrimentos. Aridez espiritual, negligência, impotência, estes são os sinais de um verdadeiro amor. A dor é agradável, o exílio é belo porque sofremos e assim podemos oferecer alguma coisa a Deus. Oferecer as nossas dores a Deus, oferecer os nossos sofrimentos é uma grande coisa que não poderemos fazer no Paraíso. 
(Padre Pio de Pietrelcina)

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Da Ação de Graças

Ação de Graças após a Sagrada Comunhão.


O tempo da Ação de Graças à Santa Comunhão é o momento mais real do amor íntimo com Jesus.

Amor de pertença total recíproca: não mais dois, mas um, na alma e no corpo. Amor de interpenetração e fusão: Ele em mim e eu nEle, a consumir-nos na unidade e na unicidade do amor.

Sois minha presa amorosa, como eu sou presa de vossa imensa caridade”, dizia Santa Gemma a Jesus, com ternura.

Bem-aventurados os convidados para a ceia das bodas do Cordeiro” está escrito no Apocalipse (c. 19, 9). Pois bem, na Comunhão Eucarística a alma realiza, verdadeiramente, em celeste união virginal, o amor nupcial a Jesus, a quem pode dizer, com o transporte tenríssimo da Espoa dos Cânticos: “Beije-me com os beijos da sua boca” (Cant. 1,1).

A Ação de Graças após a Santa Comunhão é uma pequena experiência do amor paradisíaco nesta terra: no Paraíso, de fato, como amaremos a Jesus se não sendo eternamente um com Ele?

Jesus querido, Jesus doce, como devemos Vos agradecer por cada Santa Comunhão que nos concedeis! Não tinha razão Santa Gemma ao dizer que no Paraíso Vos agradeceria pela Eucaristia mais do que qualquer outra coisa? Que milagre de amor o ser completamente fundidos conVosco, Jesus!

São Cirilo de Alexandria, Padre da Igreja, serve-se de três imagens para ilustrar a fusão de amor com Jesus na Santa Comunhão: “Quem comunga é santificado, divinizado em seu corpo e em sua alma da mesma forma como a água que é colocada sobre o fogo se torna fervente... A Comunhão opera como o fermento mergulhado na farinha: fermenta toda a massa... Da mesma forma que, fundindo juntas duas velas, a cera resultará uma na outra; assim, eu creio, quem se nutre da Carne e do Sangue de Jesus se funde com Ele por tal participação e se encontra sendo ele em Cristo e o Cristo nele”. [Grifos nossos]

Por esta razão, Santa Gemma Galgani falava com espanto da união eucarística entre “Jesus tudo e Gemma nada”, e exclamava extasiada: “Quanta doçura, Jesus, na Comunhão! Abraçada a Vós quero viver, abraçada a Vós quero morrer”.

E o Beato Contardo Ferrini escreveu: “A Comunhão! Ó doces abraços do Criador com a sua criatura! Ó inefável elevação do espírito humano! Que possui o mundo que se compare a estas alegrias puríssimas de Céu, a esses ensaios da glória eterna?”.

Pense-se, também, ao valor trinitário da Santa Comunhão.

Um dia, Santa Maria Madalena de’ Pazzi, depois da Comunhão, ajoelhada entre as noviças, com os braços em cruz, elevou os olhos ao céu e disse: “Irmãs, se compreendêssemos que, durante o tempo em que duram em nós as espécies eucarísticas, Jesus está presente e opera em nós inseparavelmente com o Pai e o Espírito Santo, e portanto está presente toda a Santíssima Trindade...”, e não pôde terminar porque foi arrebatada em sublime êxtase.

Por isso os santos, quando podiam, não colocavam limites de tempo para a Ação de Graças, que duravam pelo menos meia hora. Santa Teresa de Jesus exortava às suas filhas: “Permaneçamos amorosamente com Jesus e não percamos a hora que segue à Comunhão: é um tempo excelente para tratar com Deus e para Lhe submeter os interesses de nossa alma... Visto que sabemos que Jesus bom resta em nós até que o calor natural não tenha consumido os acidentes do pão, devemos ter muito cuidado para não perder tão boa ocasião para tratar com Ele e apresentar-Lhe as nossas necessidades”.

São Francisco de Assis, Santa Juliana Falconieri, Santa Catarina, São Pascoal, Santa Verônica, São José de Cupertino, Santa Gemma e muitos outros, logo após a Santa Comunhão, quase sempre caiam em êxtase de amor: e o tempo, então, era medido apenas pelos Anjos!

São João de Ávila, Santo Inácio de Loyola, São Luís Gonzaga faziam a ação de graças, de joelhos, por duas horas. Santa Maria Madalena de' Pazzi gostaria de nunca interrompê-la, e precisavam obrigá-la para que se alimentasse um pouco.

“Os minutos que se seguem à Comunhão – dizia a Santa – são os mais preciosos que nós temos na vida; os mais adequados para, de nossa parte, tratarmos com Deus, e de parte de Deus, para nos comunicar o Seu amor”.

Santa Teresa de Jesus quase sempre caía em êxtase após a Santa Comunhão, e às vezes era necessário removê-la da mesa de comunhão das Irmãs!

São Luís Grignon de Montfort, após a Santa Missa, permanecia por, pelo menos, meia hora para a Ação de Graças, e não havia preocupação ou compromisso que o fizesse renunciar a isso porque, como ele dizia, “não daria esta hora de agradecimento nem mesmo por uma hora do Paraíso”. 
O Apóstolo escreveu: “Glorificai e levai a Deus no vosso corpo” (1 Cor 6, 20). Pois bem, não há momento em que estas palavras se realizem mais literalmente como no tempo imediatamente após a Santa Comunhão. Que feio, então, o comportamento de quem faz a Comunhão e sai rapidamente da igreja, logo após a Missa, ou até mesmo imediatamente após a Comunhão!

Lembremo-nos do exemplo de São Filipe Neri que fazia acompanhar por dois acólitos, com as velas acesas, aquele tal que sempre saía da igreja logo após a Comunhão... Que bela lição! Que seja apenas por educação, quando recebemos um hóspede devemos nos entreter com ele e nos interessar por ele. Se esse hóspede for Jesus, então, devemos, de fato, lamentar-nos de que sua presença corporal em nós dure apenas quinze minutos ou um pouco mais.

A este respeito, São José Cottolengo supervisionava pessoalmente a confecção das hóstias para a Missa e as Comunhões, e à freira responsável ordenara expressamente: “Faça as minhas hóstias mais grossas porque eu preciso estar longamente com Jesus e não quero que as sagradas espécies se consumem logo!”.

E Santo Afonso de Ligório, porque enchia o cálice quase até à borda? Apenas para possuir por mais tempo Jesus em seu corpo!

Não estamos, talvez, ao oposto dos Santos, nós, quando consideramos a Ação de Graças sempre muito longa e, talvez, não vemos a hora que acabe? Mas, cuidado! Porque se é verdade que em todas as Comunhões Jesus “devolve ao cêntuplo a acolhida que Lhe é dada” (Santa Teresa de Jesus), também é verdade que seremos responsáveis ao cêntuplo por nossas acolhidas perdidas!

Um confrade de Padre Pio contou que certo dia foi se confessar com o santo frade, acusando, entre outras coisas, ter omitido algumas ações de graça na Santa Missa, por razões de ministério. Benevolente ao julgar outros tipos de falhas, quando ouviu esta falta Padre Pio tornou-se sério, escureceu-se-lhe o rosto, e disse com voz firme: “Tomemos cuidado que o 'não poder' não seja um 'não querer'. Tu deves fazer o agradecimento sempre, ou então pagarás caro!”.

Pensemos, reflitamos sobre isso seriamente. Por algo tão precioso como a Ação de Graças, façamos nossa a advertência do Espírito Santo: “Não perca nem mesmo a menor parte de um bem tão grande” (Eclesiastes 14: 14).

Particularmente bonito é o agradecimento feito em íntima união com Nossa Senhora da Anunciação. Imediatamente após a Santa Comunhão, nós também trazemos Jesus em nossas almas e em nossos corpos à semelhança de Maria Santíssima Anunciada; e não poderíamos adorar Jesus ou amá-Lo melhor do que unindo-nos à Divina Mãe, tornando nossos os sentimentos de adoração e de amor que Ela nutriu por Jesus Deus escondido dentro de seu imaculado seio. Para este fim, pode ser útil a recitação meditada dos Mistérios Gozosos do Rosário. Provemos. Só teremos a ganhar unindo-nos a Nossa Senhora para amar Jesus com o seu Coração de Paraíso!

(Extraído de: Gesù Eucaristico Amore, do Padre Stefano Maria Manelli, F.I.)

Fonte: JesuMary
Tradução: Giulia d'Amore di Ugento






DA AÇÃO DE GRAÇAS

10. — Depois de ter comungado, procurai entreter-vos com Jesus Cristo o mais que puderdes. — O bem-aventurado João d’Ávila dizia que é preciso apreciar muito o tempo que segue a comunhão, porque é um tempo favorável para adquirir tesouros de graças. — Sta. Maria Madalena de Pazzi igualmente dizia: “O tempo que segue a comunhão é o mais pre-cioso que temos nesta vida; é o momento mais oportuno para tratar com Deus e para nos inflamar de seu santo amor. Então, não temos necessidade de mestres nem de livros; porque Jesus Cristo mesmo nos ensina como devemos amá-lo80. — Sta. Teresa também afirmava: “Depois da comunhão, não percamos ocasião tão própria para negociar. Sua divina Majestade não costuma pagar mal a hospitalidade e bom agasalho com que é recebido”81. — Em outro lugar, a mesma Santa deixou escrito que Jesus Cristo depois da comunhão, se estabelece na alma como em um trono de graças, e parece dizer-lhe então, como ao cego de nascimento: Que queres que te faça?82 Alma querida, dize agora o que desejas de mim, pois eu vim expressamente para te conceder as graças quem me pedires.

No sentir de muitos autores graves, como Cajetado, Soares, Gonet, Valencia, De Lugo e outros, enquanto duram as espécies sacramentais na pessoa que comungou, quanto mais esta se mantém unida com Jesus Cristo e aumenta os bons atos, tanto mais nela cresce o fruto e o amor divino; visto que este celeste alimento opera por si mesmo na alma efeitos idênticos aos que produz o alimento terreno, o qual quanto mais dura no corpo, tanto maior nutrição e vigor lhe influi e comunica. Muitas religiosas comungam freqüentemente e tiram pouco fruto, porque pouco se entretém com Jesus Cristo. — Disse um dia o Senhor a Sta. Margarida de Cortona: “Eu trato como me tratam”.

Portanto, quando comungardes, se não fordes constrangida a fazer alguma outra coisa para cumprir um dever de obediência e de caridade, esforçai-vos por conversar com Jesus Cristo, ao menos meia hora. Digo ao menos, porque o tempo próprio seria uma hora. Não deixeis, então, de exercitar-vos em atos fervorosos de bom acolhimento, de agradecimento, de amor, de arrependimento, de oferecimento de vós mesmos e do que vos pertence; mas, sobretudo, ocupai-vos em pedir graças a Jesus Cristo, e especi-almente a perseverança e o seu santo amor. Nisto precisamente consiste aquele negociar de que fala Sta. Teresa. — Se vosso espírito se achar árido e distraído, servi-vos de algum livro, que vos sugira afetos devotos para com Deus. Durante todo o resto do dia, deveis continuar a ficar mais recolhida em o Senhor. — S. Luiz Gonzaga, depois da comunhão, consagrava três dias a dar graças a Jesus Cristo. Se tiverdes a felicidade de comungar mais vezes, não deveis ser menos recolhida; ao contrário, quanto mais vezes receberdes a comunhão, tanto maior cuidado devereis ter de ficar unida com Nosso Senhor.

Fonte: Por Santo Afonso de Ligório, "A VERDADEIRA ESPOSA DE JESUS CRISTO", 1922, vol. II, p. 274-276.
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segunda-feira, 5 de março de 2012

Entendo a crise da Igreja: Pela Honra da Igreja.


Palestra pronunciada em Viena, 29 de Setembro de 1975. Apesar da data, traz muitas luzes sobre nossa atitude, hoje, diante da crise da Igreja e sobre suas causas que procedem do espírito liberal, condenado pela Igreja.


PELA HONRA DA IGREJA

Dom  Marcel Lefebvre




É a primeira vez que estou na Áustria diante de um número tão grande de católicos. Estive antes em vosso país, mas só com poucas pessoas e com pequenos grupos. Desta vez encontro-me diante de uma assembléia numerosa e sinto-me muito feliz porque entendo, todos entendemos, que aqui viemos com o desejo de compreender melhor a crise da Igreja, de melhor avaliá-la, a fim de buscar-lhe os remédios e trabalharmos todos juntos para o bem da Igreja.

A Crise da Igreja

Creio que não é por outro motivo que estais aqui, mas para medir de maneira mais exata a amplidão da crise que nos causa tanta dor e nos perturba interiormente. Desejaríamos muito que a Igreja estivesse florescente, que não houvesse divisões em seu seio e sim uma unidade perfeita como antes. Como seríamos felizes não tendo problemas e vendo a Igreja crescer cada vez mais. Pessoalmente, pude assistir ao crescimento da Igreja de uma maneira absolutamente admirável na África. Com efeito, quando fui Delegado Apostólico, entre 1948 e 1959, tive ocasião de visitar todos os países africanos. Durante esses onze anos, atravessei toda a África, visitando as dioceses em nome do Santo Padre a quem ia logo dar conta de minhas visitas. Era para mim maravilhoso ver o crescimento da Igreja. O que se terá passado em nossa Igreja para que, imediatamente depois de ter estado em plenas ascensão, em pleno crescimento, se encontre agora diante de uma tal crise? Atualmente, tenho tido ocasião de visitar todos os países da Europa e América do Sul, bem como os Estados Unidos e a Austrália. De todos os lados, em todos os contatos que tive, os ecos são os mesmos: a Igreja está dividida, os católicos estão inquietos, os sacerdotes já não sabem o que pensar da situação. Os próprios bispos comprovam essas dificuldades em suas dioceses: paróquias divididas, dioceses divididas, faltas de vocações, seminários vazios, congregações religiosas que não atraem mais os jovens. Tudo isso traz à Igreja uma angústia verdadeiramente profunda em todo o mundo, e até em Roma sentimos os mesmos ecos. Quando se tem ocasião de encontrar cardeais, personalidades, há sempre a mesma inquietação, cada um se pergunta quando, por fim, terminará essa crise e o que se pode fazer para dar-lhe fim. Há, pois, um problema que se apresenta — digamos francamente — depois do Concílio.

Sem dúvida, já havia antecedentes dessa crise desde muito tempo antes do Concílio. Antes de tudo, o pecado original seguido de todas as suas conseqüências. Mas, de qualquer maneira, ocorreu nesse momento um acontecimento que provocou na Igreja um impacto — uma crise verdadeiramente dolorosa. 

O Nascimento de Ecône

Queria lhes explicar como, por ocasião dessa crise e em seguida ao Concílio, me encontrei pessoalmente, por assim dizer, no próprio coração desse drama. Em 1968, já não sendo mais Superior Geral da Congregação do Espírito Santo, porque tinha entregue minha demissão, vieram me procurar alguns seminaristas enviados por sacerdotes, por seus pais, por amigos que me pediam com insistência que eu encontrasse um meio para que eles recebessem verdadeira formação sacerdotal. Precisava, pois, encontrar um seminário. Pensei tê-lo encontrado no Seminário Francês de Roma. Para lá enviei alguns seminaristas. Lamentavelmente, no fim de um ano ou dois, os bispos, pressionados pelos próprios professores do seminário, expulsaram esses seminaristas porque conservavam a batina, rezavam o Rosário, se reuniam na capela, mostrando assim uma certa divisão no seminário por serem mais regulares do que os outros nos exercícios de piedade. Isso foi considerado como uma espécie de rebelião e negaram-se a ordená-los. Era preciso, pois, procurar outra solução para os seminaristas. Alguns foram pôr-se debaixo da proteção do Cardeal Siri, em Gênova. De minha parte, procurei pela Europa uma Universidade que fosse bastante tradicional onde pudessem receber uma boa formação teológica e filosófica. Dirigi-me a Friburgo, na Suíça, porque conhecia Mons. Charrière que, quando eu era Arcebispo de Dakar, viera passar quinze dias comigo. Por isso disse a mim mesmo: a Universidade de Friburgo ainda é boa, tem bons professores, conheço Mons. Charrière e provavelmente será mais fácil colocar lá meus seminaristas. Viajei para Friburgo para vê-lo; arrumamos as coisas e aluguei uns quartos nos Salesianos. Um ano depois, comprei uma casa em Friburgo e nesse mesmo ano me instalei em Ecône com onze novos seminaristas que foram chegando nos anos seguintes. E assim me encontrei comprometido — atrevo-me a dizê-lo — mas não por minha vontade; jamais havia tido, de antemão, a intenção de agir dessa maneira; nunca me disse: farei um seminário, e o farei desta ou daquela maneira, em tal ou qual lugar. Absolutamente. Para falar a verdade, foram as circunstâncias que me forçaram a fazer esse seminário. Senti-me impelido por todos esses seminaristas que chegavam. Não podia desprender-me da engrenagem em que estava inserido, quando teria podido simplesmente retirar-me por causa de minha idade e dos muitos anos de África. E foi assim que nasceu Ecône. Com o acordo das autoridades eclesiásticas, de Mons. Charrière, de Mons. Adam. E como — perguntareis — nessas condições, Ecône se encontrou no centro da crise, em meio a oposições e ataques?

A Oposição Pessoal do Episcopado Francês

Antes de tudo, de onde vinham estes ataques? Da França. Sem dúvida, meu seminário é internacional, já que lá estão norte-americanos, australianos, ingleses, belgas, alemães, suíços, italianos. Mas, evidentemente, a maioria é francesa e os bispos franceses, há muito tempo, se opunham a mim mesmo, porque, no Concílio, não os segui. Posso dizer sem problemas: efetivamente, em minhas intervenções no Concílio, não segui a Conferência episcopal francesa. Eles tinham suas reuniões nas quais davam exatamente o texto das intervenções que se devia fazer: "O senhor, D. Fulano, fará uma intervenção sobre o tema tal; tal teólogo redigirá seu texto e o senhor não terá mais do que dizê-lo". Não quis ficar prisioneiro desse sistema e, por ser muito livre, por não ter o costume de atuar com a Conferência francesa — atuei sozinho, fora da Conferência. Por isso não perdoavam que eu, um bispo francês, tenha tomado posições contrárias à representação francesa. Na realidade, não foi contra ela que adotei posições que não concordavam com as suas; tomei-as porque achei que era meu dever tomá-las. Desde então comecei a ser mal visto pela assembléia episcopal francesa, a tal ponto que passava por ser um ultratradicionalista; deve ser dito que minha posição era tradicional e contrária a esse espírito de novidade que me parecia muito perigoso. Então, quando os bispos franceses viram que eu tinha um seminário florescente, onde crescia o número de seminaristas, tiveram medo. Disseram consigo mesmos: esses seminaristas, uma vez ordenados, trarão para a França as idéias tradicionais de Mons. Lefebvre, e não queremos que isso aconteça. Não queremos em nossas dioceses sacerdotes tradicionais que as dividirão, que não seguirão a corrente, que se oporão a seus colegas, etc. Tive, pois, uma oposição imediata dos bispos da França, que só fez crescer à medida que meu seminário aumentava, que ficavam sabendo que eu estava construindo edifícios, que o número de seminaristas passava de 20 a 40, a 60, a 80, a 100. Isso não era possível. Era um importuno e meu seminário também. Foi então que pressionaram Roma, o Cardeal Villot, francês como eles, que os conhecia bem e que era amigo deles e também o Cardeal Garrone, igualmente francês, para suprimirem meu seminário, dizendo: não queremos esse seminário, tem de ser suprimido. Aí está o que se pode chamar a razão histórica dessa oposição, que se faz em nome da resistência que meu seminário representa frente à atual corrente e, digamos, às reformas conciliares, ao próprio Concílio.

A Igreja Condena o Liberalismo

Temos que situar essa oposição na história da Igreja. Porque essa oposição entre os bispos? Com efeito, eu não era o único: muitos lutaram comigo no Concílio. Éramos 250 no grupo que se chamou: "Coetus Internationalis Patrum” (Reunião Internacional de Padres [no Concílio]), que tinha uma tendência tradicional e que defendia a tradição contra 2000 ou quem sabe 2500 Padres que se tinham organizado para defender as teses liberais. Pois bem, já sabeis, não tenho necessidade de repetir a história da Igreja desde há muitos séculos; conheceis suficientemente, sobretudo vós que desejais conhecer melhor a situação da Igreja: Papas escreveram encíclicas sobre esse tema. Lede e relede todos os documentos que os Papas nos legaram, desde o Concílio de Trento até a Encíclica Humani Generis do Papa Pio XII. Seja na Bula Auctorem Fidei, que condena o Concílio de Pistóia, na Encíclica Quanta Cura e Syllabus de Pio IX, na Encíclica Immortale Dei, de Leão XIII ou nos atos de São Pio X condenando o Sillon e o modernismo, todos os Papas condenaram o liberalismo. E se assim fizeram, é porque assim viam que essas teses eram diretamente opostas à fé da Igreja. Não é somente uma condenação de pontos secundários, mas de teses que se opõem a Nosso Senhor Jesus Cristo, que destroem o sobrenatural, porque o liberalismo destrói e nos faz cair no materialismo, condenado por todos os Papas. Pois bem, essas teses liberais, por diversas vezes condenadas, encontram sempre católicos dispostos a defendê-las. Inclusive alguns bispos se opuseram a esses documentos pontifícios.

Influência do Liberalismo Sobre o Concílio

No Concílio, essas teses encontraram defensores na organização de cardeais das margens do Reno, como se lhes chamavam, isto é, os cardeais da Holanda, Alemanha, França e Áustria (por certo a Áustria está um pouco longe do Reno, mas este a toca numa pequena parte). Estes cardeais se viam regularmente e sua organização, que existiu durante o Concílio, tinha uma multidão de secretários, escritórios, dinheiro em quantidade, fornecido pelas conferências episcopais, principalmente pela holandesa e pela alemã que, por serem muito ricas, financiavam todo esse secretariado. Todos os dias, durante o Concílio, recebíamos páginas e páginas de documentos do IDOC. Todos os Padres as recebiam, encontrando-as em nossas caixas postais. Logo organizaram conferências com teólogos e tinham seus próprios "experts": uma verdadeira organização. Como se vê, o grupo que defendia as teses liberais estava organizado de maneira inacreditável, enquanto que os outros Padres, que tinham vindo de suas dioceses, sem pensar um só momento que poderia chegar a existir uma organização desse gênero para condicioná-los de determinada maneira, se encontraram desprevenidos, completamente inertes. Pensava-se que a maioria dos Padres ia defender simplesmente as teses tradicionais e que ninguém poderia defender teses secularmente condenadas pelos pontífices. Pois bem, por infelicidade, estou pessoalmente convencido de que essa organização logrou triunfar no Concílio, e o fez desde o começo, desde os primeiros dias. Com efeito, o Concílio tinha apenas oito dias quando os membros dessa organização já tinham em suas mãos todas as posições. Tiveram-nas nas Comissões, quando conseguiram a revisão das nomeações de todos os seus membros, já que se opunham aos nomes que foram propostos ao consentimento dos Padres. Propostos e não impostos pelo Cardeal Ottaviani, que citara os nomes dos que tinham integrado as Comissões pré-conciliares, mas somente para informar aos Padres, sem nada lhes impor. No entanto, o Cardeal Liénart levantou-se imediatamente e disse: "Protestamos, é inadmissível, querem nos impor listas, querem nos impor nomes. Queremos ter liberdade, compete às Conferências Episcopais apresentar os nomes dos membros das Comissões". Em suma, uma história inverossímil. Mas a organização já tinha preparado as listas que foram distribuídas com toda a rapidez nas caixas de correio dos Padres. Iam votar dentro de vinte e quatro horas. Ninguém tivera tempo de preparar listas internacionais, a não ser esse grupo. Assim tiveram nas mãos dois terços dos membros das Comissões, que seriam os redatores dos esquemas. Em seguida, veio a segunda vitória — pode ser lida no livro do Padre Wiltgen, O Reno desemboca no Tibre — A segunda vitória dos liberais foi conseguirem eliminar todos os esquemas preparatórios. Todo o trabalho de preparação, do qual eu mesmo tinha participado como membro da Comissão Central, tudo o que fizemos durante dois anos e meio, foi repelido e ficamos sem esquema. Foi, pois, necessário que as Comissões fizessem tudo de novo. E assim, as Comissões nomeadas por eles mesmos refizeram os esquemas segundo seu pensamento — segundo o pensamento liberal. Essas são coisas que se deve saber, que não se pode ignorar se queremos tomar conhecimento de como se pode ter chegado a esse estado de coisas, como toda essa influência liberal pôde dominar a Igreja e como a domina na atualidade.

Conto estas coisas para lhes explicar como o Concílio estava submetido à influência liberal. Do mesmo modo é preciso saber que as subcomissões podiam ser formadas por pessoas que não tinham sido designadas como "experts". E foi assim que nelas tivemos teólogos como Schillebeckx, Rahner, Küng, Congar, Murphy dos Estados Unidos, Leclerc de Louvain, Davis, de Lancaster. Todos esses senhores, alguns dos quais já estão casados, outros são verdadeiros hereges, estavam nas subcomissões e redigiram os esquemas, os quais, por isso mesmo, ficaram totalmente submetidos à influência liberal. Além disso, os esquemas eram equívocos. O próprio Schillebeckx escreveu: "Sabemos muito bem o que fazemos pondo frases equívocas nos esquemas do Concílio. Quando este acabar, tiraremos as conseqüências". Insisto: é preciso saber essas coisas para se dar conta da influência liberal que pesou sobre o Concílio. Porque é impossível mudar completamente um esquema que já está redigido. Pode-se mudar frases, acrescentar parágrafos, modificar algumas palavras, mas não se pode mudar completamente seu espírito a menos que se o recuse e se o refaça. O que então se passava era que, na maior parte das vezes, não tínhamos ocasião de mudar os esquemas, pois justamente a primeira pergunta que se apresentava era: "Estais de acordo em tomar como tema de discussão este esquema que está em vossas mãos?". E então se respondia que sim, pois, se recusávamos, a demora ia ser enorme. Os Padres Conciliares estavam cansados pela penosa situação nos hotéis e não desejavam que o Concílio durasse indefinidamente; por isso, não queriam recusar esquemas permanentemente, e respondiam: "... aceitamo-lo como tema de discussão". Mas quando se os aceitava, não mais poderia mudar os temas fundamentais, apenas fazer modificações acidentais. Se algum Padre queria fazer uma intervenção contra um ponto fundamental, era logo contestado: "Ah, perdão, haveis aceitado o tema em discussão e, em conseqüência, haveis aceitado as idéias fundamentais. Agora se trata, evidentemente, de saber sob que forma deve ser apresentado, se falta acrescentar um parágrafo ou modificar a redação, mas não mudar os temas fundamentais". Encontrávamo-nos, pois, na impossibilidade de modificá-los profundamente. E foi assim que idéias como colegialidade, ecumenismo e uma quantidade de outras encontraram expressão nesses esquemas. Às vezes o equívoco era tal que foi preciso, no esquema sobre a Igreja, inserir uma nota explicativa para precisar as relações que existem entre os bispos, o colégio de bispos e o Papa, entre o Colégio Episcopal e o Colégio Apostólico. É um absurdo introduzir frases equívocas em um Concílio de 2.350 bispos. Por isso nós, uma dezena de bispos, escrevemos ao Santo Padre para suplicar-lhe que prestasse atenção aos equívocos que se produziam no Concílio. Não tivemos resposta, mas ao menos o Santo Padre foi advertido. São coisas que é preciso saber para se dar conta do peso da influência liberal no Concílio. E cabe acrescentar, depois do Concílio os que receberam a direção e têm hoje a responsabilidade dos Dicastérios, são aqueles que os atacaram com maior virulência durante o Concílio. O Cardeal Garrone, por exemplo, atacava violentamente em uma de suas intervenções, o Dicastério de Estudos e Universidades. Lembro-me ainda da estupefação que causou essa intervenção e o aturdimento do Cardeal Antoniutti, que estava presente, e de seu secretário, Mons. Staffa, hoje Cardeal, diante dos ataques contra seu Dicastério. São coisas significativas. Naturalmente, os que têm os Dicastérios nas mãos são os mesmos que lutaram no Concílio para fazer triunfar as idéias liberais. Não deve espantar que apliquem as decisões do Concílio com espírito liberal, e que nos encontremos numa incrível situação de desordem na Igreja, com uma "autodemolição da Igreja", como disse nosso Santo Padre, o Papa. Essas idéias liberais são essencialmente corrosivas, destroem tudo o que tocam, se se pode dizer assim, destroem tudo o que fazem.

O Que é Liberalismo

O liberalismo, se quereis, pode-se defini-lo em duas palavras — já que não posso fazer um estudo completo diante de vós — em duas palavras: libertação do homem. Libertá-lo de que? Da Verdade que lhe foi imposta de cima. O homem deve fazer ele próprio a sua verdade e julgar por si mesmo sua verdade. A verdade estaria no interior da consciência de cada homem. O homem dispõe assim de sua verdade, que não lhe é imposta de cima já que isto é contrário à sua dignidade, a seu caráter de homem adulto, de homem moderno, de homem liberal. Liberta-se da Verdade porque vê nisto uma prisão. Pelo contrário, se a Verdade existe e se nos impõe, devemos submetermo-nos. Se a Igreja é a única Verdade, devemos submetermo-nos à Igreja. Porém, não querem uma Verdade que se lhes imponha.

Segunda libertação, libertação dos dogmas da fé. Não querem a imposição de dogmas, já feitos, uma Revelação toda acabada, que nos é proposta. Já não querem um Credo que nos seja imposto, uns Sacramentos que nos sejam impostos, nem um sacrifício da Missa que nos seja imposto. Tudo isso, para eles, não é possível. O homem moderno não pode aceitar dogmas que lhe sejam impostos. É preciso criticá-los com seu raciocínio, submetê-los à sua razão, à sua ciência, à sua própria consciência. Por conseguinte, esses dogmas também devem estar submetidos a uma evolução segundo os tempos e à consciência que se tome. E assim, tudo deve estar submetido ao homem, que se converte em amo de tudo, o deus.

Terceira libertação, libertação da lei. Já não se quer admitir nada como lei, porque esta limita necessariamente a liberdade, obrigando-a a conduzir-se com regra em uma certa orientação. Mas isso é inadmissível. É o homem que faz sua própria lei, tem sua consciência e, por conseguinte, tendo feito sua lei, não pode ser obrigado a cumprir outra além da sua. Se considerar que uma lei social a ele imposta é necessária, admite-a; se achar que não convém, não a aceita. É isso que se dá em nossos países e também na Igreja. Veja-se as leis, o direito canônico ou ao menos o que dele resta. Em se tratando das rubricas litúrgicas, dos programas catequéticos, dos regulamentos dos seminários, cada um faz o que lhe apraz. Porque é este o princípio básico do liberalismo: cada um faz a sua lei. E esse princípio corrosivo se opõe diretamente a Deus — quem senão Deus nos impõe a Verdade? A revelação não é mais do que Nosso Senhor Jesus cristo. E Nosso Senhor é a lei. Ele é o Verbo, a lei de Deus, a lei da caridade que Ele nos impõe. Por isso, pode-se dizer que o liberal ataca diretamente Deus e Nosso Senhor Jesus Cristo. Isto é muito grave, sumamente grave. Sem dúvida os católicos liberais não têm essa intenção nem esse desejo, mas pelo fato de praticar estes princípios, lutam contra Deus e Nosso Senhor, ainda quando não tenham teoricamente tal intenção. E, além disso, esses homens vivem constantemente em contradição, como o sublinhava Cardeal Billot ao definir o católico liberal como o homem que vive na incoerência: com efeito, o católico liberal proclama corretamente a tese da Igreja, mas na prática toma a opinião pública e a sua opinião pessoal por lei.

Por consequência desses princípios, para o liberal, tanto em política como na Igreja, não há inimigos à esquerda. Só há inimigos à direita. O católico liberal é um sectário, já dizia Louis Veuillot. Não podem suportar os que mantém os dogmas, os que mantém a lei. E não podem suportá-los porque são para eles uma reprovação permanente.

Único Inimigo para o Liberalismo: A Tradição

Queridos amigos, aqui reside todo o problema de Ecône. Os liberais que estão instalados atualmente em Roma, que dominam na Igreja, que melhor diríamos ocupar a Igreja e deter os postos mais importantes, estão prontos para aceitar todos os compromissos possíveis com a esquerda, com os protestantes, com os budistas, com os pentecostais, com os comunistas, não põe nenhuma dificuldade, contanto que seja à esquerda. Mas dos que mantém a tradição, os que conservam a Santa Missa e os Sacramentos, não querem ouvir falar. Por isso não se deve dizer, como às vezes fazem alguns de nossos amigos tradicionalistas: "mas os senhores deviam fazer alguma pequena concessão. Nada de importante, uma parte da nova missa, por exemplo, e com isso seriam muito bem vistos em Roma e talvez até recebam o chapéu cardinalício". Não podemos fazer isso porque nos encontramos diante de uma ideologia.

E a melhor prova de que eles não aceitariam essas concessões, é seu encarniçamento contra os que sustentam simplesmente uma atitude tradicional. Vede o que se passou em Friburgo (Suíça), há quinze dias. Quiseram destituir o Pe. Noël, pároco há 25 anos de uma paróquia do Baixo Friburgo. No entanto, esse sacerdote diz a missa nova e nunca se opôs a seu bispo nem ao Concílio, nem ao Papa, nem a qualquer coisa, mas mantém uma atitude tradicional, usa batina, faz rezar o rosário na Igreja, visita seus doentes, confessa durante todo o dia, não virou seu altar, em suma, conservou certas tradições, em conseqüência é preciso afastá-lo. Armou-se um escândalo. Todos os fiéis de sua paróquia o rodearam e seiscentos deles foram ao bispo entregar uma petição para impedir a destituição deste pároco que não tinha mais de sessenta anos, lembrando todo o bem que fizera na paróquia. Mas não: manter uma atitude tradicional basta para destituí-lo.

Não há inimigos à esquerda, todos estão à direita. Todos os que quiserem manter ainda que seja um pouco da Tradição, os que têm simplesmente uma atitude tradicional, são indesejáveis. Nessas condições, é inútil dizer-nos que basta fazer uma pequena concessão e tudo irá bem. Isso não é verdade. Isso é enganar-se totalmente sobre a natureza desses liberais. Vemo-lo a cada instante. Um seminário de Paray-le-Monial foi refugiar-se na diocese de Cortona com a aprovação do Cardeal Siri. Nesse seminário se usava toda a nova liturgia em língua vernácula, os seminaristas eram muito livres e tinham televisão, mas também havia disciplina, uma disciplina de piedade e uma atitude exterior de tradição — os seminaristas recebiam a batina, alguns a usavam, outros não. Pois bem, fecharam o seminário e puseram os seminaristas na rua.

Não nos venham dizer que é assunto de menor importância o que fazem com Ecône, que o fazem porque não aceitamos a nova liturgia e que se a adotássemos, tudo iria bem. Não é verdade, não é certo, as coisas são bem mais graves. Acabo de explicar-vos que se trata de uma história que vem de muitos séculos atrás. Trata-se da luta secular entre os Papas e a Verdade da Igreja contra os que querem casar a Igreja com o mundo, com a Revolução, a Verdade com o erro, o Bem com o mal. Esse é o liberal que não descansará até que a Igreja acabe por aceitar o mundo tal qual ele é: nem corrigido, nem convertido, mas assim como é. Pois bem, não é isso que Nosso Senhor quer, não é isso que Deus quer. Nosso Senhor quer que se convertam à Igreja e não que a Igreja se converta ao mundo.

O Liberalismo nas Reformas Pós-Conciliares

No entanto, o que se passou no Concílio foi que a Igreja se converteu ao mundo, e não o mundo à Igreja. Os Padres se perguntavam o que fazer para aproximar-se do mundo, serem melhor recebido por ele, para que se mostrem mais favoráveis à Igreja. Os bispos conciliares disseram: "Tiraremos nossas cruzes de ouro, nossos anéis, e que o Papa tire a tiara, desça da cadeira gestatória. Vivamos como os pobres. Estejamos atentos ao mundo. Aceitemos suas misérias, que se ampliem as leis do matrimônio, da moral, suprimam os mandamentos da Igreja — isso pediu Máximos IV! — suprimam os mandamentos da Igreja, cada um faça o que quer, vá à missa quando tem vontade, uma vez por mês, ou a cada dois meses, isso basta...". Em uma palavra, liberalizar, liberalizar, liberalizar. Esta foi a atmosfera que reinou no Concílio e nas reformas pós-conciliares. Poderia contar-vos — sem querer abusar de vossa paciência — o que me aconteceu como Superior Geral da Congregação dos Padres do Espírito Santo por ocasião do Capítulo Geral Extraordinário. Fui Superior Geral de 1962 a 1974. O Capítulo se reuniu em 1968. Tinha ainda seis anos como Superior. Pois bem, Mons. Moro, secretário da Congregação de Religiosos, na ausência do Cardeal Antoniutti, que estava em viagem pela América do Sul, me disse: "Deixai os vossos capitulares fazerem o que quiserem. Desde o Concílio, compreendeis, é necessário que sejam as bases que mandem, é necessário que vossos membros do Capítulo Geral se organizem entre si e nomeiem eles próprios alguém para presidir o Capítulo. Porque já não é necessário que seja o Superior Geral que o presida. Faríeis melhor indo passear na América". Disse-me isto: "Faríeis melhor indo passear na América". E ainda me restavam seis anos de mandato. Como quereis que uma congregação subsista nessas condições? E Mons. Moro me encareceu: "Deixai fazer, deixai fazer. Desde o Concílio, compreendeis, cabe aos capitulares tomar suas responsabilidades". De fato, os capitulares nomearam uma equipe de três membros para presidir o Capítulo e isto foi uma revolução total em nossa Congregação. Desde o momento que vi tudo isto, disse que não continuaria exercendo o cargo em tais condições: a Santa Sé não apoiava os Superiores Gerais, não havia mais Direito Canônico, nem Constituições, entreguei minha demissão. Foi aceita rapidamente. Naquele momento, havia 5.200 membros em nossa congregação; hoje há menos de 4.000 (em 1975). Esse foi o resultado! A ruína pura e simples de nossa Congregação. Entreguei minha demissão porque não queria que a história pudesse dizer que foi Mons. Lefebvre quem arruinou a Congregação. Deste exemplo poderíeis dizer: "Não passa de um caso em particular, afetou somente ao senhor". De maneira nenhuma. Contaram-me o caso do Superior Geral dos Redentoristas que foi passear na América durante seu Capítulo Geral Extraordinário. O conselho foi dado a outros. Tratava-se então de uma receita dada pela Congregação dos Religiosos. Pela mais alta instância do ponto de vista dos religiosos. Podeis facilmente imaginar o que poderá sair das congregação religiosas com tais princípios de governo.

Fiéis Guardiões da Tradição, Somos os Melhores Servidores do Papa

São essas as razões pelas quais não admitimos nenhum tipo de compromisso com respeito a Ecône. Poderão dizer o que quiserem: não aceitaremos abandonar a Tradição da Igreja. Não aceitaremos separarmo-nos de todos os Papas que têm falado desde o Concílio de Trento e com o Concílio de Trento. Preferimos estar com os Papas de quatro séculos do que estar com a atual Cúria romana que procura novidades, as realiza e tende assim a converter-nos em protestantes e modernistas. Não queremos isso, e estamos persuadidos de que, assim agindo, estamos com o Papa. O Papa não pode estar contra a Tradição, é impossível. Porque, com efeito, o que é um Papa? Disse-nos Pio XI na constituição Pastor Aeternus: "O Espírito Santo não foi prometido aos Sucessores de Pedro para lhes permitir publicar, segundo suas revelações, uma doutrina nova, mas para conservar estritamente e expor fielmente, com sua assistência, as revelações transmitidas pelos Apóstolos, quer dizer, o depósito da fé".

Esta é a missão do Papa: guardar fielmente o depósito da fé e transmiti-lo também fielmente. Está claro que algumas expressões podem mudar, mas ainda assim se deve conservar as expressões definidas pelos Concílios, empregadas nas Profissões de Fé, como, por exemplo, a expressão "um só Deus em três Pessoas". Essas expressões definidas têm um sentido tão preciso que não se pode mudá-las sem risco de modificar a substância de nossa fé para cuja expressão são necessárias palavras precisas e fixas. É também o caso do termo "transubstanciação" para a Sagrada Eucaristia, que a Igreja definiu uma vez por todas. Não podemos dizer hoje: "Já não sabemos o que é substância; com as descobertas da ciência moderna já não se pode falar em transubstanciação". Isto é falso, absolutamente falso. Não se tem o direito de mudar essas coisas que já são definitivas. Por isso rejeitamos as novidades. E estamos persuadidos de estar com o Santo Padre ao conservar a Tradição, de sermos seus melhores servidores, ainda que eventualmente pareçamos em oposição a ele, por causa das tendências liberais dos que o rodeiam, tendências estas sobre as quais é preciso dizer que sua infância, sua adolescência transcorridas em meio liberal o tornaram mais sensível a elas do que qualquer outro Papa. Essa influência liberal que pesou sobre o Santo Padre em sua juventude é conhecida de todos e segundo um artigo, a meu ver muito bem composto, ele participava nessa época de um jornalzinho de esquerda chamado La Frondo. Compreende-se muito bem que um Papa assim possa ter sido mais influenciado por tendências liberais. É normal, não é impossível. Deus não declarou que toda palavra saída da boca do Papa seria infalível, nem que todos os Papas seriam santos, nem que estavam isentos de má ações. Isto não é certo, a história nos ensina. Talvez se haja insistido demais sobre a infalibilidade papal desde o Concílio Vaticano I. É certo que tivemos Papas extraordinários e que por isso se estendeu entre o povo fiel e alguns clérigos a crença de que toda palavra saída da boca do Papa seria infalível. Mas isso não é a verdade. Há condições para a infalibilidade que foram exatamente definidas, segundo o Papa fale "ex cathedra" ou somente em seu magistério ordinário. Compreende-se então, muito bem, que um Concílio que é pastoral, que quer realizar um "aggiornamento", um Concílio que não se quer dogmático — o Papa lembrou isso há um mês — compreende-se perfeitamente que nem todas as palavras de semelhante concílio sejam infalíveis. É preciso saber estabelecer distinções, pois este concílio não é semelhante aos outros, os quais foram convocados para lutar contra um erro determinado e precisar uma verdade da Igreja. Este não, como o disse expressamente o Papa João XXIII: "Nós não queremos definir nenhuma nova verdade; por conseguinte, não queremos fazer um concílio dogmático, queremos fazer um concílio pastoral". Por isso mesmo, deixava de lado, se assim se pode dizer, o carisma da infalibilidade que é necessário quando o Papa faz alguma definição. Por isso, creio pessoalmente que podemos julgar esse concílio e ainda criticá-lo, isto é, examinar cada esquema para ver quais são as frases absolutamente conformes a tradição e quais as novas, as quais, por novas, terão de passar pelo crivo da Tradição. Da Tradição, e não de nosso próprio juízo, como nos reprovam. Dizem que somos nós que julgamos, mas não é assim. Dizem-nos: "Os senhores se opõem ao Papa, aos bispos, ao Concílio". Mas não! Nós simplesmente comparamos o que disseram os Papas e o que disse o Concílio. Se há coisas que parecem contraditórias, é de absoluta necessidade confrontar o Concílio com a Tradição. Não se pode fazer outra coisa.

Ecône Continua pela Igreja e Pelo Papa

Essa é nossa posição e nela continuaremos. Certamente temos quem nos reprove, mas de minha parte acho que não podemos dilapidar as vocações sacerdotais hoje em dia. Diria que é como se quisessem nos fazer pisotear as relíquias. A Igreja quase não tem hoje verdadeiros seminários, que apliquem as leis que sempre foram aplicadas na formação de santos sacerdotes. Visitei o Brasil, Argentina, Colômbia, América do Norte. Conheci seus seminários e seus bispos, os quais dizem: "Não temos mais vocações". E deve se ver os seminaristas que estão nesses seminários: cabelo comprido, violão, jovens que se perguntam o que fazem ali. E alguns queriam que fechasse meu seminário, que reuniu de todos os horizontes do mundo algumas boas vocações, e que as deixasse na rua. Não! Pela Igreja e pelo Papa, pela honra de Deus Nosso Senhor, quero conservar e continuar formando esses jovens — é impossível que Deus não bendiga essa obra. Abençoou-a dando tudo o que desejávamos, e esse é um sinal de que, apesar de tudo, nossa obra prestará um serviço à Igreja. Estou certo de que, depois da tormenta que hoje sacode a Igreja, reconhecerão seus bons fundamentos. O próprio Mons. Adam, bispo de Sion onde está o Seminário de Ecône, me dizia, fazem oito dias, durante uma refeição: "Monsenhor, é preciso que vosso seminário continue". Respondi-lhe: "Monsenhor, o senhor mesmo foi quem o suprimiu, e quer que continue?!". "É preciso que continue! É preciso. Continuem como Seminário Internacional. Talvez pudéssemos torná-lo reconhecido por Roma, eu mesmo poderia reconhecê-lo, mas se fariam algumas modificações". "Atenção, quero saber o que vai me pedir, porque não farei qualquer coisa. Em todo caso, se o senhor quer que meu seminário continue, eu também o quero". Vede a incoerência: o mesmo Mons. Adam declara na televisão que o Seminário de Ecône é uma seita, e me pede para continuá-lo. Já não entendo nada, mas estou persuadido de que Deus quer que esse Seminário continue e por isso estamos decididos a continuá-lo.

Conservemos a Fé

Agradeço de antemão as orações que podeis rezar por nós e a generosidade que tivestes e que ainda tendes para conosco. E espero que um dia, se Deus permitir, haverá vocações que virão da Áustria para Ecône. Sabeis que abrimos uma casa em Weissbad, perto de Appenzell e não longe do lago de Constança, para os seminaristas de língua alemã. Já temos um sacerdote austríaco neste seminário e espero que um dia teremos seminaristas austríacos. Peço-lhes que espalhem a notícia para que os jovens possam vir se unir a nós. Acrescento que espero que muita gente tome parte nessa associação mariana de São Pio X, e adquiram assim uma piedade profunda e uma grande devoção por São Pio X, o último Papa canonizado e que tanto lutou contra os erros de que lhe falei. Confiemo-nos a ele. Por último recomendo-vos o Catecismo do Cardeal Gasparri que foi recentemente reeditado, numa tradução do Dr. Steinhart, com um prefácio meu. Conservai zelosamente este catecismo. Ensinai-o a vossos filhos. Lede, para conservar a fé. A fé, com efeito, é um dom, mas é preciso mantê-lo. No dia de vosso batismo, o sacerdote perguntou aos padrinhos: "O que lhes dá a Fé?" e eles responderam: "A Vida Eterna". Então, se a fé nos dá a vida eterna, não devemos ter bem mais precioso, e devemos estar prontos para morrer, para dar até a última gota de nosso sangue antes de abandonar a fé católica.

Fonte: Permanência
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sexta-feira, 2 de março de 2012

Sacramentais: O Cordão de Santa Filomena

O Cordão de Santa Filomena


O Cura d'Ars, São João Maria de Vianney e Santa Filomena
São João Batista Maria Vianney, o Cura d'Ars, foi o maior difusor do uso do Cordão de Santa Filomena. 

O Papa Leão XIII aprovou o uso do Cordão em 1893 e concedeu indulgências a todos os que o usarem e rezarem esta oração:

Ó Santa Filomena, Virgem e Mártir, rogai por nós para que, por meio de vossa poderosa intercessão, possamos obter a pureza de alma e de coração, que conduz ao perfeito amor de Deus.


Indulgências plenárias do Cordão de Santa Filomena:

1. No dia em que o Cordão é colocado pela primeira vez.
2. No dia 25 de Maio, aniversário da abertura do túmulo de Santa Filomena - catacumbas de Santa Priscila.
3. No dia 11 de Agosto, que é a sua festa.
4. No dia 15 de Dezembro, aniversário da aprovação do Cordão pela Santa Sé.
5. No momento da morte, nas condições ordinárias.

Com exceção deste último, para lucrar as indulgências plenárias com o Cordão, é preciso confessar-se, comungar e visitar alguma igreja, onde se rezará pelas intenções do Santo Papa.



Qualquer pessoa pode fazer o Cordão de Santa Filomena, que deve ser feito (crochê) com fios de linho ou lã ou algodão, e em um de suas extremidades tem dois nós, em honra de seu duplo título de Virgem e Mártir. O comprimento pode ser medido pelo comprimento da própria cintura. Os fios devem ter quantidades mais ou menos iguais, em cores branco e vermelho. O branco simboliza a virgindade de Santa Filomena, e o vermelho seu martírio.


A faculdade para abençoar os Cordões de Santa Filomena foi dada aos Padres de São Vicente de Paulo, mas atualmente qualquer padre pode abençoá-los validamente. A oração oficial da benção do Cordão é:


Sacerdote: "Senhor Jesus, concedei que todos os que usem este cordão mereçam ser preservados de qualquer perigo e recebam a saúde da alma e do corpo."


O cordão deve ser usado na cintura, sob a roupa externa (e não diretamente na pele), e se possível não ser retirado. Não há uma cerimônia específica, basta a benção, mas à diferença dos escapulários - que só é abençoado o primeiro - toda vez que é necessário substituir o Cordão, este deve ser novamente abençoado. 


Os portadores do Cordão devem ter a intenção de honrar Santa Filomena com o melhor de sua capacidade, para merecer proteção contra os males da alma e do corpo e obter, por meio de suas orações, a castidade perfeita e o espírito de fé. Recomenda-se também que todos os dia se reze a oração mencionada acima. 

O uso de um cordão em honra de um santo é uma antiga tradição da Igreja. Nos primeiros tempos da Igreja, as virgens usavam cordas/cintos como um sinal ou emblema de pureza. Pouquíssimo santos têm o extraordinário privilégio de uma cordão. A devoção do Cordão de  Santa Filomena nasceu em consequência de inúmeras graças obtidas por sua intercessão. Como dito no começo, o Cura d'Ars era um difusor do uso, porque havia várias vezes provado o poder deste sacramental e amava ver os fieis usando o precioso Cordão.  


O uso do Cordão é um dos modos de honrar a Santa e obter a sua proteção. Ela é o modelo e poderosa intercessora de duas virtudes muito necessárias atualmente: a fé inquebrantável e a corajosa castidade.


Quem pode usar o Cordão? Todos os batizados - casado, solteiros, religiosos - são chamados à castidade. O Cristão deve se revestir do Cristo, o modelo de toda Castidade. Todos os fiéis de Cristo são chamados a levar uma vida casta segundo seu específico estado de vida. No próprio momento do Batismo, o Cristão se compromete a levar sua vida afetiva na castidade.

Sobre Santa Filomena - história, imagens e orações - leia mais aqui e aqui.

Fonte 1 e Fonte 2

O Cordão de Santa Filomena: simples e fácil de fazer!

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quinta-feira, 1 de março de 2012

Março: mês de São José


Ó São José, fazei que levemos uma vida pura,
que ela esteja sempre em segurança sob a vossa proteção!
Que São José nos ajudea consolar, com o nosso amor, 
os corações transpassados de Jesus e Maria!

Esposo da Bem-Aventurada Virgem Maria e pai putativo de Nosso Senhor Jesus Cristo, ele figura na infância de Jesus conforme a narrativa de São Mateus (1-2) e Lucas (1-2) e é descrito com um homem justo. Apesar de ter grande importância para a Igreja Católica, o nome de São José não é muito citado dentro nas Escrituras, sendo apenas mencionado nos Evangelhos de S. Lucas e S. Mateus.

São José é descendente da casa real de David. Noivo da Virgem Maria, ele foi visitado por um anjo que lhe informou que ela esperava um filho e que não devia repudiá-la. Por ordem das autoridades, que queriam fazer o censo do povo de Israel, São José tomou Maria e a levou para Belém; estava presente no nascimento de Jesus Cristo. Avisado de novo, por um anjo, das intenções do Rei Herodes, São José levou a Virgem e Jesus menino para o Egito. Eles só voltaram a Nazaré quando outro anjo apareceu a São José avisando da morte de Herodes. São José devotou sua vida a criar Jesus e estava cuidando da ovelhas e de Maria quando os reis magos chegaram ainda em Belém. Defendeu o bom nome de Maria e Jesus, o qual o chamava de pai e queria ser conhecido como filho de José. São José levou Maria e Jesus para apresentar Jesus a Deus no templo. A última menção que se faz ao Santo é quando Jesus se perde dos pais e é encontrado 3 dias depois no templo, ensinando os doutores da lei. Acredita-se que José tenha morrido antes da crucificação de Cristo, quando este tinha 30 anos.


O culto a São José começou provavelmente no Egito, passando mais tarde para o Ocidente, onde hoje alcança grande popularidade. Em 1870, o papa Pio IX o proclamou "O Patrono da Igreja Universal" e, a partir de então, passou a ser cultuado no dia 19 de março; na Bolívia, Honduras, Itália, Liechtenstein, Suíça (Cantão Ticino), Andorra, Portugal e Espanha é também o Dia dos Pais. Em 1955, Pio XII fixou o dia 1º de maio para venerar São José Operário, o trabalhador.

Uma curiosidade: no passado, durante o mês de março, as cartas terminavam com SJMJ que significa: Salve Jesus, Maria e José.



(10 A 18 DE MARÇO)
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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Católicos ingleses têm Missa gay...

Missa católica gay em Londres






Para quem ainda não sabe, toda semana é celebrada uma Missa católica que é chamada "gay friendly Mass", no bairro de Soho em Londres, Inglaterra. Trata-se, como eles dizem, de uma "Missa" aberta e acolhedora para com os homossexuais.

No vídeo do YouTube se pode perceber um distinto senhor com peruca e vestido de mulher que lê as orações dos fieis. Note (mais do que óbvia) a bandeira arco-íris.

Tudo isso ocorre com as bençãos do Arcebispo Vincent Nichols.

Diante desse fato nojento, uma pergunta não quer calar: ao invés de obrigar a FSSPX a assinar um Preâmbulo doutrinal sobre alguns pontos controvertidos do Concílio (pastoral) Vaticano II, não seria melhor fazer com que todos os "católicos" daquela igreja de Londres, incluído o sacerdote, e porque não também o Arcebispo Nichols, assinem um Preâmbulo doutrinal no qual se reafirme a doutrina católica de condenação do pecado de sodomia?

via Bregwin (Giorgio Roversi) 04/02/12
Tradução: Giulia d'Amore di Ugento


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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Missa de sempre em prisão domiciliar!

O Rito latino usus antiquior está em "liberdade vigiada".


A Missa “antiga”, aquela que gostamos de chamar a “Missa de sempre”, foi, já faz quatro anos, liberalizada. Com um ato sem precedentes, o Santo Padre declarou que “nunca foi abolida”. Daquela declaração nasceu toda a nossa história. Resta um problema: esta liberdade é “vigiada”, e isto não faz sentido.

Sabemos bem que uma liberdade vigiada não reconhece o pleno valor daquilo que libera. Nas Dioceses, permanece uma mentalidade negativa ou desconfiada em relação ao rito tradicional. Pensa-se que este retorno ao rito antigo seja uma concessão, um indulto, um ato de bondade do Santo Padre em favor daqueles católicos, Sacerdotes e fieis, que ainda não se adaptaram à modernidade. Se o caso fosse esse, seria um falso indicar que a Missa tradicional nunca foi abolida!

Uma liberdade vigiada é vista sempre como um mal menor, como algo a ser suportado para evitar riscos maiores. Mas uma visão dessas não tem nada a ver com aquilo que o Papa reconheceu com o Motu Proprio Summorum Pontificum.

Todo sacerdote pode, sem pedir permissão a ninguém, celebrar segundo o Missal tradicional.

Esta afirmação parece ter ficado fechada entre as paredes das cúrias, por medo que “tal mal se difunda”. O rito tradicional deve, ao contrário, de modo salutar, influenciar positivamente toda a Igreja, que caiu em uma de suas crises mais assustadoras, talvez por causa de uma terrível crise litúrgica, como o próprio Cardeal Ratzinger afirmou anos atrás. Mas como pode influenciar positivamente a Igreja se continua em liberdade vigiada, restringida a uma “prisão domiciliar”? Do que se tem medo ainda?

Em quais seminários se ensina a Tradição litúrgica da Igreja aos clérigos?

Porque se continua a não ensinar a Missa tradicional aos seminaristas?

Porque, de fato, se proíbe a eles de assistir à Missa tradicional?

Há algo de tragicamente ridículo ao permitir que se assista aos ritos da Igreja oriental, ao convidar os padres ortodoxos e ao proibir a presença daqueles padres que abraçaram a Tradição. Se a Tradição litúrgica da Igreja latina é um valor, demo-la aos seminaristas para que um dia a dispensem aos fieis.

Igrejas são dadas às comunidades ortodoxas, separadas de Roma não apenas por insignificantes motivos disciplinares, mas por questões dogmáticas, mas não se concedem paróquias pessoais de rito tradicional, esperando que os fieis e os sacerdotes se cansem de pedi-las. Todo este jogo velado não é católico, não vem de um espírito de fé. Somos ecumênicos com todos, menos com o próprio passado que existe no presente.

Toda esta situação triste cria um doloroso bloqueio, que impede um verdadeiro trabalho apostólico.

Da Missa tradicional deve vir toda uma obra de edificação das almas, toda uma educação cristã, toda uma obra de santificação, da qual o mundo precisa urgentemente. A Missa tradicional existe pelo mesmo escopo pelo qual existe a Igreja: salvar as almas. Não faz sentido concedê-la para “entreter” os fieis, para dar-lhes uma emoção estética!

Não: a Missa tradicional existe para santificar os homens, para edificar a Igreja, para fazer renascer as paróquias, para reconstruir as escolas, para curar os doentes, para devolver a esperança aos aflitos... Em resumo, para fazer o Cristianismo. Não pode permanecer em “prisão domiciliar”.

Uma liberdade plena será também a melhor garantia para que, quem se aproxima da Tradição, não o faça por uma nostalgia vazia, mas pelo ímpeto de uma fé operosa.

Fonte: Chiesa e post concilio - 16/02/12 
Tradução: Giulia d'Amore di Ugento.
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