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quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Em defesa da Fraternidade São Pio X

Como as coisas mudam. Hoje a Neofrat está flertando perigosamente com a igreja de JPII... Curioso! O peixe morre pela boca!



Em defesa da Fraternidade São Pio X

Dom Lourenço Fleichman OSB


O Fratres in unum tirou a máscara. Já há muito que se percebia um apoio constante aos "conservadores" ligados à Ecclesia Dei, enquanto que a Fraternidade São Pio X, que eles diziam apoiar, só aparecia ali quando alguma entrevista para os jornais, por si mesmas mais superficiais e amenas, levava os seus superiores a evitar críticas ao papa ou aos bispos. Mas um Superior de Distrito da Fraternidade não escreve um Comunicado da gravidade daquele publicado no site do distrito francês, como se falasse a jornalistas. É evidente. Qualquer superior militar sabe distinguir entre um aviso aos jornais e um comunicado aos seus soldados. Nada mais natural do que um chefe do combate espiritual dessa guerra que travamos, assim proceda. Não existe nisso contradição.
O texto publicado contra a Fraternidade São Pio X no Fratres in unum é um panfleto maldoso, cheio de erros de interpretação, de erros de tradução, de má fé. Seu autor, não podendo encontrar respostas ao grito de Fé do padre de Cacqueray, apela para um artigo de 2008, de outro padre, em contexto completamente diferente, e que, mesmo assim, é analisado de modo a induzir em erro seus leitores.
Pessoalmente, sempre achei que a situação atual, mesmo sendo necessária, induzia muitos a um erro de avaliação, ao julgarem que a ida da Fraternidade a Roma para as discussões teológicas significaria uma adesão desta à reforma da reforma trabalhada por Bento XVI. Bastou um ato mais forte do papa na direção dos erros do ecumenismo para essa gente dar gritinhos escandalizados, não com o gritante erro dos chefes, mas com a reação saudável dos filhos que não podem aceitar a nudez do pai. Aos que preferem rir-se da nudez do papa, embrigado de ecumenismo naturalista, só nos resta aquela condenação de Noé convertido, depois que passou o efeito do vinho: "Maldito seja Canaã!" (Gênesis, 9, 25) Para restabelecer a justiça gravemente ferida pelo Fratres in unum, publicamos aqui as pungentes palavras do padre de Cacqueray a seus padres e a seus féis franceses. Que elas sirvam de alerta para nossos leitores e amigos. A tradução é da Permanência.  


São Polieucto em Assis

sábado, 8 de janeiro de 2011

LEFEBVRE: Construir, não destruir

Carta Aberta aos Católicos Perplexos:

Construir, não destruir 



Vinte anos se passaram, podia-se crer que as reações suscitadas pelas reformas conciliares se apaziguariam, que os católicos perderiam a esperança na religião na qual haviam sido criados, que os mais jovens, não a tendo conhecido, entrariam nas fileiras da nova. Tal era ao menos a aposta feita pelos modernistas. Eles não se admiravam demasiadamente das contracorrentes, seguros de si mesmos nos primeiros tempos. Eles o ficaram menos em seguida: as múltiplas e essenciais concessões feitas ao espírito do mundo não davam os resultados antecipadamente gozados, ninguém queria mais ser sacerdote do novo culto, os fiéis se afastavam da prática religiosa, a Igreja que se queria a Igreja dos pobres tornava-se uma Igreja pobre, obrigada a recorrer à publicidade para fazer recolher o dinheiro do culto, e a vender seus imóveis.

Durante este tempo, a fidelidade à tradição se fortificava em todos os países cristãos e particularmente na França, na Suíça, nos Estados Unidos, na América Latina. O artífice da nova missa, Mons. Aníbal Bugnini, foi ele mesmo obrigado a verificar esta resistência mundial no seu livro póstumo¹. Resistência que não cessa de se desenvolver, de se organizar, de atrair o mundo. Não, o movimento “tradicionalista” não está “em perda de velocidade”, como escrevem de tempos em tempos os jornalistas progressistas para se tranqüilizarem. Onde há tanta gente na missa como em São Nicolau de Chardonnet, e também tantas missas, tantas visitas ao Santíssimo Sacramento, tantos belos ofícios? A Fraternidade de São Pio X conta no mundo setenta casas com ao menos um sacerdote, igrejas como a de Bruxelas, a que compramos ultimamente em Londres, a que foi colocada à nossa disposição em Marselha, escolas, quatro seminários.

Carmelos se abrem e já enxameiam. As comunidades de religiosos e de religiosas, criadas desde uma quinzena de anos ou mais e que aplicam estritamente a regra das ordens de que dependem, regurgitam de vocações, é preciso sem cessar ampliar os alojamentos, construir novos edifícios. A generosidade dos católicos fiéis não deixa de maravilhar-me, particularmente na França.

Os mosteiros são centros de irradiação, para aí se dirigem em grande número e freqüentemente de muito longe; jovens extraviados pelas ilusórias seduções do prazer e da evasão sob todas as suas formas aí encontram seu caminho de Damasco. Ser-me-ia preciso citar todos os lugares onde se conserva a verdadeira fé católica e que por esta razão atraem: Le Barroux, Flavigny sur Ozeraim, La Haye-aux-Bonshommes, as beneditinas de Alès, de Samairé, as irmãs de Fanjeaux, de Brignoles, de Pontcallec, as comunidades do padre Lecareux.

Viajando muito, eu vejo claramente por toda a parte a mão de Cristo que abençoa a sua Igreja. No México, o povo humilde expulsou das igrejas o clero reformador conquistado pela pretensa teologia da libertação, o qual queria retirar as estátuas de santos. “Não são as estátuas que partirão, sois vós”. As condições políticas nos impediram de fundar uma casa no México; é dum centro instalado em El Paso, na fronteira dos Estados Unidos, que irradiam os sacerdotes fiéis. Os descendentes dos Cristeros lhes fazem festa e lhes oferecem suas igrejas. Eu administrei ali 2.500 confirmações, chamado pela população.

Nos Estados Unidos, os jovens casais com numerosos filhos vão ter com os padres da Fraternidade. Em 1982 ordenei neste país os três primeiros sacerdotes formados inteiramente nos nossos seminários. Os grupos tradicionais se multiplicam, enquanto que as paróquias se degradam. A Irlanda que havia permanecido refratária às novidades, fez sua reforma desde 1980, altares foram lançados nos rios ou reutilizados como material de construção. Simultaneamente se formavam grupos em Dublin e em Belfast. No Brasil, na diocese de Campos, da qual já falei, a população ficou agrupada em torno dos padres excluídos de suas paróquias pelo novo bispo; desfiles de 5.000, 10.000 pessoas percorreram as ruas.

É portanto o bom caminho que nós seguimos; a prova está aí, a árvore se reconhece pelos seus frutos. O que fizeram clérigos e leigos apesar da perseguição do clero liberal — pois, dizia Luis Veuillot “nada há mais sectário do que um liberal” — é quase miraculoso.

Não vos deixeis iludir, caros leitores, pelo termo ”tradicionalista” que se tenta fazer tomar em mau sentido. É de certo modo um pleonasmo, pois não vejo o que pode ser um católico que não fosse tradicionalista. Creio tê-lo demonstrado neste livro, a Igreja é uma tradição. Nós somos uma tradição. Fala-se também de “integrismo”; se se entende com isto o respeito da integridade do dogma, do catecismo, da moral cristã, do Santo Sacrifício da Missa, então sim nós somos integristas. Mas eu não vejo como possa ser católico quem não fosse integrista neste sentido.

Escreve-se também que minha obra desaparecerá depois de mim, porque não haverá bispos para substituir-me. Estou certo do contrário, não tenho inquietação alguma. Posso morrer amanhã, o Bom Deus tem todas as soluções. Encontrar-se-ão pelo mundo, eu o sei, bispos suficientes para ordenar nossos seminaristas. Mesmo se ele se cala hoje em dia, um ou outro destes bispos receberia do Espírito Santo a coragem de se erguer a seu turno. Se minha obra é de Deus, Ele saberá mantê-la e fazê-la servir ao bem da Igreja. Nosso Senhor no-lo prometeu: as portas do inferno não prevalecerão contra ela.

É por isso que eu me obstino, e se quereis conhecer a razão profunda desta obstinação, ei-la. Eu não quero, na hora de minha morte, quando Nosso Senhor me perguntar: “Que fizeste de teu episcopado, da tua graça episcopal e sacerdotal?” ouvir de sua boca estas palavras terríveis: “Tu contribuíste para destruir a Igreja com os outros.”

4 de julho de 1984

1. LA REFORMA LITURGICA, Edizioni Liturgiche, Roma.


Carta Aberta aos Católicos Perplexos. Mons. Marcel Lefebvre.

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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

LEFEBVRE: Do catecismo Holandês a “Pierres Vivantes”

Carta Aberta aos Católicos Perplexos:

Do catecismo Holandês a “Pierres Vivantes”



Nas fileiras católicas eu ouvi freqüentemente e continuo a ouvir esta observação: “Querem impor-nos uma religião nova.” O termo é exagerado? Os modernistas que se infiltraram por todos os lados na Igreja e que comandam o jogo tentaram primeiramente tranqüilizar: “Mas não, vós tendes esta impressão porque formas caducas foram substituídas por outras, por razões que se impunham: não se pode mais rezar exatamente como se fazia antigamente, era preciso sacudir a poeira, adotar uma linguagem compreensível aos homens de nosso tempo, praticar a abertura em direção de nossos irmãos separados... Mas seguramente nada mudou.”


Depois eles tomaram menos precauções e os mais ousados passavam mesmo às declarações quer em grupos pequenos diante de pessoas já ganhas à sua causa, quer publicamente. Um padre Cardonell se ufanava bastante anunciando um novo cristianismo no qual seria contestada “a famosa transcendência que faz de Deus o monarca universal” e arrogando-se abertamente o modernismo de Loisy: “Se vós nascestes numa família cristã, os catecismos por vós aprendidos são esqueletos da fé.” “Nosso cristianismo, proclamava ele, aparece o melhor possível de forma neo-capitalista”. O cardeal Suenens, após ter reconstruído a Igreja a seu modo, convocava a “abrir-se ao mais largo pluralismo teológico” e reclamava o estabelecimento duma “hierarquia das verdades” com o que se deveria crer muito, com o que se deveria um pouco e com o que não tinha mais importância.

Em 1973, nos edifícios do arcebispado de Paris, o padre Bernardo Feillet ministrava um curso, da maneira mais oficial, dentro do quadro da “formação cristã dos adultos” onde afirmava várias vezes: “Cristo não venceu a morte. Ele foi levado à morte pela morte... No plano da vida, Cristo foi vencido e todos nós o seremos. É que a fé não foi justificada por nada, vai ser este grito de protesto contra este universo que acaba, como dizíamos há pouco, pela percepção do absurdo, pela consciência da condenação e pela realidade do nada.”

Eu poderia citar um número importante de casos deste gênero que causavam mais ou menos escândalo, eram mais ou menos desaprovados, e por vezes não o eram absolutamente. Mas o povo cristão, em sua grande maioria, não se dava conta do fato; se se informava pelos jornais, pensava tratar-se de abusos que não tinham nenhum caráter geral e não punham em jogo sua própria fé.

Ele começou a interrogar-se e a inquietar-se quando encontrou nas mãos dos seus filhos livros de catecismo que não mais expunham a doutrina católica tal como era ensinada de maneira imemorial.

Todos os novos catecismos se inspiraram mais ou menos no Catecismo holandês publicado pela primeira vez em 1966. As proposições contidas nesta obra eram tão forjadas que o papa nomeou um comissão cardinalícia para examiná-lo, o que se realizou em Gazzada, na Lombardia, em abril de 1967. Ora, esta comissão destacou dez pontos a respeito dos quais ela aconselhava que a Santa Sé exigisse modificações.

Era um modo de dizer, conforme aos costumes pós-conciliares, que estes pontos estavam em desacordo com a doutrina da Igreja; alguns anos antes, teriam sido decididamente condenados e o Catecismo holandês posto no “Index”. Com efeito, os erros ou omissões destacadas afetam o essencial da fé.

Que encontramos aí? O Catecismo holandês ignora os anjos e não considera as almas humanas como criadas imediatamente por Deus. Ele deixa entender que o pecado original não foi transmitido por nossos primeiros pais a todos os seus descendentes, mas que foi contraído pelos homens pelo fato de sua vida no meio da comunidade humana, onde reina o mal; ele teria de alguma sorte um caráter epidêmico. A virgindade de Maria não é afirmada. Não se diz que Nosso Senhor foi morto pelos nossos pecados, enviado para este fim por seu Pai, e que a graça divina nos foi restituída a este preço. Por via de conseqüência, a missa é apresentada como um banquete e não como um sacrifício. Nem a Presença real nem a realidade da transubstanciação são afirmadas dum modo claro.

A infalibilidade da Igreja e o fato de que ela detém a verdade desapareceram deste ensinamento, como também a possibilidade para inteligência humana de “significar e atingir os mistérios revelados.” O Soberano Pontífice perde o seu poder pleno, supremo e universal. A Santíssima Trindade, o mistério das três pessoas divinas não são apresentados de maneira satisfatória. A comissão critica também a exposição feita sobre a eficácia dos sacramentos, a definição do milagre, a sorte reservada às almas dos justos após a morte. Ela aponta obscuridades na explicação das leis morais e das “soluções de casos de consciência”, que não dão importância à indissolubilidade do matrimônio.

Mesmo se todo o resto é, neste livro, “bom e louvável”, o que não é nada de admirar, pois os modernistas sempre misturaram o verdadeiro com o falso, assim como notava com firmeza São Pio X, há certamente bastante razão para dizer que se trata duma obra perversa, eminentemente perigosa para a fé. Ora sem esperar o relatório da comissão e até deturpando o mesmo, os promotores da operação faziam publicar traduções em várias línguas. E, por conseguinte, o texto jamais foi modificado. Às vezes o texto da comissão era acrescentado ao índice, às vezes não. Falarei mais adiante do problema da obediência. Quem desobedece nesta questão? Quem denuncia um tal catecismo?

Os holandeses traçaram o caminho. Nós depressa os alcançamos. Não farei o histórico da catequese francesa para não me deter senão na sua última transformação, a “compilação católica de documentos privilegiados da fé” intitulado Pedras Vivas e a maré dos “roteiros catequéticos”. Estas obras deveriam, para respeitar a definição da palavra catequese, ostensivamente empregada em todos os documentos, proceder por meio de perguntas e respostas. Eles abandonaram esta construção que permitia um estudo sistemático do conteúdo da fé e não dão quase nunca respostas. Pedras Vivas tem o cuidado de nada afirmar, salvo as proposições novas, insólitas, estranhas à Tradição.

Os dogmas, quando são evocados, o são como crenças particulares a uma parte dos homens aos quais este livro chama “cristãos”, pondo-os em concorrência com os judeus, os protestantes, os budistas e mesmo os agnósticos e os ateus. Nos vários roteiros os “animadores de catequese” são convidados a fazer com que a criança abrace uma religião, pouco importa qual. Aliás se tem interesse em colocar-se à escuta dos descrentes que têm muito a ensinar-lhe. O importante é “fazer equipe”, prestar serviço entre camaradas de classe e preparar para amanhã as lutas sociais, nas quais será preciso comprometer-se, mesmo com os comunistas, como explica a história edificante de Madalena Delbêl, esboçada em Pedras Vivas e narrada minuciosamente em certos roteiros. Um outro “santo” proposto à imitação das crianças é Martin Luther King, enquanto que se elogiam Marx e Proudhon “grandes defensores da classe operária” que “parecem vir de fora da Igreja”. Esta, vede bem, teria querido empreender este combate, não soube como fazê-lo. Contentou-se com “denunciar a injustiça”. Eis o que se ensina às crianças.

Contudo mais grave ainda é o descrédito que se lança sobre os Livros santos, obra do Espírito Santo. Enquanto que se esperava ver começar a compilação de textos escolhidos da Bíblia pela Criação do mundo e do homem, Pedras Vivas começa pelo livro do Êxodo, sob o título: “Deus cria seu povo.” Como os católicos não estariam, mais que perplexos, desconcertados com este desvio de vocabulário?

É preciso chegar ao Primeiro Livro de Samuel para fazer um recuo em direção do Gênesis e aprender que Deus não criou o mundo. Eu não invento nada também desta vez, está escrito: “O autor desta narração da Criação se pergunta, como muitas pessoas, o modo pelo qual o mundo começou. Os crentes refletiram. Um deles compôs um poema...” Depois, na corte de Salomão, outros sábios refletem no problema do mal. Para explicá-lo eles escrevem um “relato figurado” e nós temos a tentação pela serpente, a queda de Adão e de Eva. Mas nada de castigo: o texto é truncado neste lugar. Deus não castiga, assim como a nova Igreja não mais condena, salvo aqueles que permanecem fiéis à Tradição. O pecado original, citado entre aspas é um “mal de nascimento”, uma “enfermidade que remonta às origens da humanidade”; qualquer coisa de muito vago, e inexplicável.

Evidentemente, toda a religião desmorona. Se não se pode mais responder àquilo que concerne ao problema do mal, não vale mais a pena pregar, celebrar missas, confessar. Quem vos escutará?

O Novo Testamento se abre com Pentecostes. O acento se coloca sobre esta primeira comunidade que eleva um grito de fé. Em seguida estes cristãos “se lembram” e a história de Nosso Senhor se desprende das brumas de sua memória. Começando pelo fim: a Ceia, o Gólgota. Depois vem a vida pública e enfim a infância, sob este título ambíguo: “Os primeiros discípulos fazem a narração da infância de Jesus.”

Sobre estas bases, os roteiros não terão trabalho em fazer compreender que os Evangelhos da infância são uma piedosa lenda, como os povos antigos tinham o costume de fazer ao traçarem a biografia de seus grandes homens. Pedras Vivas fornece ademais uma data tardia dos Evangelhos, que reduz sua credibilidade, e, num quadro tendencioso, mostra os Apóstolos e seus sucessores pregando, celebrando e ensinando antes de “reler a vida de Jesus a partir da sua vida”. É uma inversão completa: sua experiência pessoal se torna a origem da Revelação em vez de ser a Revelação que modela seu pensamento e sua vida.

A propósito dos novíssimos, Pierres Vivantes mantém uma inquietante confusão. O que é alma? “É preciso alento para correr; é preciso alento para ir até o fim das coisas difíceis. Quando alguém está morto se diz: “Ele rendeu seu último suspiro.” O alento é a vida, a vida íntima de alguém. Chama-se também “a alma”. Num outro capítulo a alma é comparada ao coração, o coração que bate, o coração que ama. O coração é também a sede da consciência. Como prosseguir? Em que consiste então a morte? Os autores do livro não se pronunciam: “Para alguns, a morte é a parada definitiva da vida. Outros pensam que se pode viver ainda depois da morte, mas sem saber se isto é certo. Outros enfim têm a firme segurança. Os cristãos são destes.“ A criança não tem mais do que escolher, a morte é uma matéria de opção. Mas aquele que segue os cursos de catecismo não é cristão? Neste caso por que lhe falar dos cristãos na terceira pessoa em lugar de dizer firmemente: “Nós, nós sabemos que existe uma vida eterna, que a alma não morre”? O paraíso é objeto dum desenvolvimento também equívoco: “Os cristãos falam por vezes do paraíso para designar a alegria perfeita de estar com Deus para sempre depois da morte: é o “céu”, o Reino de Deus, a Vida eterna, o reino da Paz.”

Esta explicação continua muito hipotética. Pareceria que se tem a ver com um modo de dizer, com uma metáfora tranqüilizadora empregada pelos cristãos. Nosso Senhor nos prometeu, se nós observarmos os seus mandamentos, o céu que a Igreja sempre definiu como “um lugar de felicidade perfeita onde os anjos e os eleitos vêem a Deus e o possuem para sempre”. A catequese marca um recuo certo no que era afirmado nos catecismos. Disto não pode resultar senão uma falta de confiança nas verdades ensinadas e uma desmobilização espiritual: de que serve resistir a seus instintos e seguir o caminho estreito se não se sabe muito bem o que espera o cristão após a morte?

O católico não vai buscar de seus sacerdotes e de seus bispos sugestões que lhe permitam fazer uma idéia sobre Deus, o mundo, os fins últimos; ele lhes pede o que deve crer e o que deve fazer. Se eles lhes respondem por um amontoado de proposições e de projetos de vida, ele não tem mais a fazer senão se constituir uma religião pessoal, ele se torna protestante. A catequese faz das crianças pequenos protestantes.

A palavra chave da reforma é a caça às “certezas”. Criticam-se os cristãos que as possuem como um avarento guardaria o seu tesouro, eles são tidos como egoístas, como fartos, envergonham-nos. É preciso abrir-se às opiniões contrárias, admitir as diferenças, respeitar as idéias dos franco-maçons, dos marxistas, dos muçulmanos, mesmo dos animistas. O sinal de uma vida santa é dialogar com o erro.

Então tudo é permitido. Falei das conseqüências da nova definição do casamento; não são conseqüências eventuais, o que poderia suceder se os cristãos tomassem esta definição ao pé da letra. Elas não tardaram a realizar-se, nós o verificamos pela licença dos costumes que se difunde cada dia mais. Mas, o que é mais consternador, é que a catequese lhe presta auxílio. Tomemos um “material catequético” como se diz, publicado em Lyon por volta de 1972 com o “imprimatur” e destinado aos educadores. O título? Eis o homem. O dossiê consagrado à moral diz o seguinte: “Jesus não teve intenção de deixar à posteridade uma “moral” seja ela política, social ou tudo o que se quiser... A única exigência que subsiste é o amor dos homens entre si... Depois disto, vós sois livres; a vós cabe escolher a melhor maneira, em cada circunstância, de exprimir este amor que vós dedicais a vossos semelhantes.”

O dossiê “Pureza”, da mesma origem, tira as aplicações desta lei geral. Após ter explicado, a despeito do Gênesis, que o vestuário não apareceu senão tardiamente, “como sinal dum nível social, duma dignidade” e para desempenhar uma “função de dissimulação”, define-se a pureza como o seguinte: “Ser puro é estar na ordem, e ser fiel à natureza... Ser puro é estar em harmonia, em paz com a terra e com os homens; é estar de acordo sem resistência nem violência, às grandes forças da natureza.” Encontramos agora uma pergunta e uma resposta: “Uma tal pureza é compatível com a pureza dos cristãos? — Não somente é compatível mas necessária a uma pureza humana e cristã. Jesus Cristo não negou nem rejeitou nenhuma destas descobertas, destas aquisições fruto da longa pesquisa dos povos — muito pelo contrário ele lhes veio dar um prolongamento extraordinário: “Não vim abolir mais cumprir”. Em apoio destas afirmações, os autores dão como exemplo Maria Madalena: “Nesta assembléia, é ela que é pura, porque amou muito, amou profundamente. “É assim que se deturpou o Evangelho: de Maria Madalena não se retém senão o pecado, a vida dissoluta: o perdão que Nosso Senhor lhe concedeu é apresentado como uma aprovação de sua existência passada, não se tem em conta a exortação divina: “Vai e não peques mais” nem o firme propósito que levou a antiga pecadora até o Calvário, fiel a seu Mestre no resto de seus dias”. Este livro revoltante não conhece nenhum limite: “Pode-se ter relações com uma moça, perguntam os autores, mesmo se se sabe muito bem que é para se divertir ou para ver o que é uma mulher?” E eles respondem: Colocar assim o problema das leis da pureza é indigno dum verdadeiro homem, dum homem que ama, dum cristão... Isto significaria impor ao homem um arrocho, um jugo intolerável? Ao passo que Cristo veio precisamente livrar-nos do jugo pesado das leis: “Meu jugo é suave e meu fardo leve”. Vede como se interpretam as palavras mais santas para perverter as almas! De Santo Agostinho retiveram apenas uma frase: “Ama e faze o que quiseres!”

Enviaram-me livros ignóbeis que apareceram no Canadá. Não se fala aí a não ser do sexo e sempre em caracteres destacados: a sexualidade vivida na fé, a promoção sexual, etc. As imagens são absolutamente repugnantes. Parece que se quer dar, por toda a força, à criança o desejo e a obsessão do sexo, fazer-lhe crer que não há senão isto na vida. Numerosos pais cristãos protestaram, reclamaram mas não havia nada a fazer e devido a uma boa razão: lê-se na última página que estes catecismos são aprovados pela comissão de catequese. A permissão de imprimir foi dada pelo presidente da comissão episcopal de ensino religioso de Québec!

Um outro catecismo aprovado pelo episcopado canadense convida a criança a romper com tudo: com seus pais, com a Tradição, com a sociedade, a fim de reencontrar sua personalidade que todos estes vínculos asfixiam, a libertar-se dos complexos que lhe advêm da sociedade ou da família. Buscando sempre uma justificação no Evangelho, os que dão este gênero de conselho pretendem que Cristo viveu estas rupturas e assim se revelou filho de Deus. É portanto Ele que quer façamos o mesmo.

Pode-se adotar uma concepção tão contrária à religião católica, sob a cobertura da autoridade episcopal? Em vez de falar de ruptura, dever-se-ia falar dos vínculos que devemos buscar porque eles constituem a nossa vida. Que é o amor de Deus senão um vínculo com Deus, uma obediência a Deus, a seus mandamentos? O vínculo com os pais, o amor pelos pais são liames de vida e não de morte. Ora, eles são apresentados à criança como qualquer coisa que a constrange, que a estreita, que diminui sua personalidade e dos quais ela se deve desembaraçar!

Não, não é mais possível que deixeis corromper os vossos filhos desta maneira. Falo francamente: vós não podeis enviá-los a estes catecismos que os fazem perder a fé.
Carta Aberta aos Católicos Perplexos. Mons. Marcel Lefebvre.

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sábado, 1 de janeiro de 2011

LEFEBVRE: As famílias devem reagir

Carta Aberta aos Católicos Perplexos:

As famílias devem reagir  



É o tempo apropriado de reagir. Quando Gaudium et Spes fala do movimento da História que “se torna tão rápido que cada um tem dificuldade de o seguir”, pode-se entender este movimento como uma precipitação das sociedades liberais na desagregação e no caos. Acautelemo-nos de o seguir!

Como compreender que dirigentes apelem para a Religião Cristã ao passo que destroem toda a autoridade no Estado? Importa ao contrário restabelecê-la, que foi querida pela Providência nas sociedades naturais de direito divino cuja influência neste mundo é primordial: a família e a sociedade civil. É a família que recebeu nestes últimos tempos os mais rudes golpes; a passagem para o socialismo em países como a França e a Espanha não fez senão acelerar o processo.

As leis e medidas que se sucederam mostram uma grande coesão na vontade de arruinar a instituição familiar: diminuição da autoridade paterna, divórcio facilitado, desaparecimento da responsabilidade no ato da procriação, reconhecimento administrativo dos casais irregulares e mesmo de duplas homossexuais, coabitação juvenil, casamento de experiência, diminuição das ajudas sociais e fiscais às famílias numerosas... O mesmo Estado, em seus interesses próprios, começa a perceber as consequências disto no que toca à diminuição da natalidade, ele se pergunta como, num tempo próximo, as jovens gerações poderão assegurar os regimes de retração daquelas que deixaram de ser economicamente ativas. Mas os efeitos são consideravelmente mais graves no domínio espiritual.

ATO DE CONSAGRAÇÃO AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

ATO DE CONSAGRAÇÃO DO BLOG

AO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA

(Fórmulas indulgenciadas n. 390 e 391)

Ó Misericordioso Coração de Maria, eis me aqui com a minha família a vossos pés. Com a autoridade que me vem de Deus e para satisfazer vossos desejos repetidamente manifestados em Fátima e à vossa predileta Irmã Lúcia, quero consagrar a minha pessoa, a minha família e tudo que é meu ao vosso misericordioso Imaculado Coração. Ó Maria, Virgem potente e Mãe de Misericórdia, Rainha do Céu e Refúgio dos pecadores, nós nos consagramos inteiramente ao vosso Coração Imaculado. Vos consagramos todo o nosso ser e toda a nossa vida: tudo o que temos, tudo o que amamos; tudo o que somos: nossos corpos, nossos corações, nossas almas. A Vós consagramos o nosso lar, a nossa casa, nossas posses. Nós queremos que tudo o que está em nós e à nossa volta Vos pertença, e desejamos que também tenham parte aos benefícios da vossa benção maternal. E para que esta consagração seja verdadeiramente eficaz e duradoura, nós renovamos hoje, a vossos pés, ó Maria, as promessas de nosso Batismo e de nossa Primeira Comunhão. Nós nos comprometemos a professar sempre corajosamente as verdades da Fé; a viver como verdadeiros católicos, inteiramente sujeitos a todas as diretivas do Papa e dos Bispos em comunhão com ele. Nós nos comprometemos a observar os Mandamentos de Deus e da Igreja, e, em particular, a santificação das Festas. Também nos comprometemos a trazer para nossas vidas, no que for possível, as consoladoras práticas da Religião Cristã, especialmente a reza diária do S. Rosário; a Santa Confissão e a Santa Comunhão. Prometemos, em fim, ó gloriosa Mãe de Deus e amorosa Mãe dos homens, colocar todo o nosso coração ao serviço do teu bendito culto, a fim de apressar e assegurar, através do Reino de vosso Imaculado Coração, o Reino do Coração do Vosso adorável Filho, em nossas almas e nas de todos os homens; em nosso querido país e em todo o universo; assim na terra como no céu. Ó doce Mãe nossa, assim como vos disse o vosso dedicado Papa Pio XII, nesta hora grave da história humana, nos confiamos e nos sagramos ao vosso Imaculado Coração. Que vos comovam tantas ruínas materiais e morais, tanto sofrimento, tantas angústias, tantas almas torturadas, tantas em perigo de perder-se eternamente! Rainha da Paz, rogai por nós e dai ao mundo a paz na verdade, na justiça, na caridade de Cristo. Reconduzi ao único rebanho de Jesus, sob o único e verdadeiro Pastor, o povo separado pelo erro e a discórdia. Defendei a Santa Igreja de Deus dos seus inimigos. Detende o dilúvio de imoralidade desenfreada. Despertai nos fiéis o amor à pureza, a prática da vida cristã e o zelo apostólico. Nós, in perpetuo, nos consagramos a Vós, ao vosso Coração Imaculado, ó Mãe nossa e Rainha do mundo, para que todas as nações, em paz com Deus e uns com os outros, vos proclamem Beata e convosco entoem, de uma extremidade à outra da terra, O "Magnificat" de glória, de amor e de reconhecimento ao Coração de Jesus, no qual somente podem encontrar a Verdade, a Vida e Paz. Amém.

ABORTO - O GRITO SILENCIOSO

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