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quarta-feira, 24 de março de 2010

Reflexões sobre a paixão de Jesus Cristo

A PAIXÃO DE JESUS CRISTO

Santo Afonso Maria de Ligório

Quanto agrada a Jesus Cristo que nós nos lembremos continuamente de sua paixão e da morte ignominiosa que por nós sofreu, muito bem se deduz de haver ele instituído o Santíssimo Sacramento do altar com o fito de conservar sempre viva em nós a memória do amor que nos patenteou, sacrificando-se na cruz por nossa salvação. Já sabemos que na noite anterior à sua morte ele instituiu este sacramento de amor e depois de ter dado seu corpo aos discípulos, disse-lhes – e na pessoa deles a nós todos – que ao receberem a santa comunhão se recordassem do quanto ele por nós padeceu: “Todas as vezes que comerdes deste pão e beber de deste cálice, anunciareis a morte do Senhor” (1 Cor 11, 26). Por isso a santa Igreja, na missa, depois da consagração, ordena ao celebrante que diga em nome de Jesus Cristo: “Todas as vezes que fizerdes isto, fazei-o em memória de mim”. E São Tomás escreve: “Para que permanecesse sempre viva entre nós a memória de tão grande benefício, deixou seu corpo para ser tomado como alimento” (Op. 57). E continua o santo a dizer que por meio de um tal sacramento se conserva a memória do amor imenso que Jesus Cristo nos demonstrou na sua paixão.
“«Oh! se conhecesses o mistério da cruz!, disse Santo André ao tirano que queria induzi-lo a renegar a Jesus Cristo, por ter Jesus se deixado crucificar como malfeitor.
«Oh! se entendesses, tirano, o amor que Jesus Cristo te mostrou querendo morrer na cruz para satisfazer por teus pecados e obter-te uma felicidade eterna...»”
Se alguém padecesse por seu amigo injúrias e ferimentos e soubesse que o amigo, quando se falava sobre tal acontecimento nem sequer nisso queria pensar e até costumava dizer: falemos de outra coisa – que dor não sentiria vendo o desconhecimento de um tal ingrato? Ao contrário, quanto se consolaria se soubesse que o amigo reconhece dever-lhe uma eterna obrigação e que disso sempre se recorda e se lhe refere sempre com ternura e lágrimas? Por isso é que todos os santos, sabendo a satisfação que causa a Jesus Cristo quem se recorda continuamente de sua paixão, estão quase sempre ocupados em meditar as dores e os desprezos que sofreu o amantíssimo Redentor em toda a sua vida e particularmente na sua morte. Santo Agostinho escreve que as almas não podem se ocupar com coisa mais salutar que meditar cotidianamente na paixão do Senhor. Deus revelou a um santo anacoreta que não há exercício mais próprio para inflamar os corações com o amor divino do que o meditar na morte de Jesus Cristo. E a Santa Gertrudes foi revelado, segundo Blósio, que todo aquele que contempla com devoção o crucifixo é tantas vezes olhado amorosamente por Jesus quantas ele o contempla. Ajunta Blósio que o meditar ou ler qualquer coisa sobre a paixão traz-nos maior bem que qualquer outro exercício de piedade. Por isso escreve São Boaventura: “A paixão amável que diviniza quem a medita” (Stim. div. amor, p. 1. c. 1). E falando das chagas do crucifixo, diz que são chagas que ferem os mais duros corações e inflamam no amor divino as almas mais geladas.


O SALVADOR

Adão peca e se rebela contra Deus e sendo ele o primeiro homem, pai de todos os homens, perdeu-se com todo o gênero humano. A injúria foi feita a Deus, motivo por que nem Adão nem os outros homens, com todos os sacrifícios, mesmo oferecendo sua própria vida, poderiam dar uma digna satisfação à Majestade divina; para aplacá-la plenamente era necessário que uma pessoa divina satisfizesse a justiça divina. E eis que o Filho de Deus, movido à compaixão pelos homens, arrastado pelos extremos de sua misericórdia, se oferece a revestir-se da carne humana e a morrer pelos homens, para assim dar a Deus uma completa satisfação por todos os seus pecados e obter-lhes a graça divina que perderam.

Desce, pois, o amoroso Redentor a esta terra e fazendo-se homem quer curar os danos que o pecado causara ao homem. Portanto, quer não só com seus ensinamentos, mas também com os exemplos de sua santa vida, induzir os homens a observar os preceitos divinos e por essa maneira conseguir a vida eterna. Para esse fim Jesus Cristo renunciou a todas as honras, às delícias e riquezas de que podia gozar neste mundo e que lhe eram devidas como ao Senhor do mundo, e escolhe uma vida humilde, pobre e atribulada até morrer de dor sobre uma cruz. Foi um grande erro dos judeus pensar que o Messias devia vir à terra para triunfar de todos os seus inimigos com o poder das armas e, depois de os ter debelado e adquirido o domínio do mundo inteiro, deveria tornar opulentos e gloriosos os seus sequazes. Mas se o Messias fosse qual os judeus o desejavam, príncipe soberano e honrado de todos os homens como senhor de todo o mundo, não seria o Redentor prometido por Deus e predito pelos profetas. É o que ele mesmo declara quando responde a Pilatos: “O meu reino não é deste mundo” (Jo 18, 36). Por esse motivo repreende São Fulgêncio a Herodes por ter tão grande temor de ser privado do seu reino pelo Salvador, quando ele não viera para vencer o rei pela guerra, mas a conquistá-lo com sua morte (Serm. 5 de Epiph.).

Dois foram os erros dos judeus a respeito do Redentor esperado: o primeiro foi que, quando os profetas falavam dos bens espirituais e eternos, eles o interpretavam dos bens terrenos e temporais. “E a fé reinará nos teus tempos; a sabedoria e a ciência serão as riquezas da salvação; o temor do Senhor esse é o teu tesouro” (Is 33, 6). Eis os bens prometidos pelo Redentor, a fé, a ciência das virtudes, o santo temor, eis as riquezas da prometida salvação. Além disso, promete que dará remédio aos penitentes, perdão aos pecadores e liberdade aos cativos dos demônios: “Enviou-me para evangelizar os mansos, para curar os contritos de coração e pregar remissão aos cativos e soltura aos encarcerados” (Is 61, 1).

O outro erro dos judeus foi que pretenderam entender da primeira vinda do Salvador o que fora predito pelos profetas da segunda vinda, para julgar o mundo no fim dos séculos. Assim, escreve Davi do futuro Messias que ele deverá vencer os príncipes da terra e abater a soberba de muitos e com a força da espada subjugar toda a terra (Sl 109,6). E o profeta Jeremias escreve: “A espada do Senhor devorará a terra de um extremo a outro” (Lm 12, 12). Isso, porém, entende-se da segunda vinda, quando vier como juiz a condenar os malvados. Falando, porém, da primeira vinda, na qual deveria consumar a obra da redenção, mui claramente predisseram os profetas que o Redentor levaria neste mundo uma vida pobre e desprezada. Eis o que escreve o profeta Zacarias, falando da vida abjeta de Jesus Cristo: “Eis que o teu rei virá a ti, justo e salvador; ele é pobre e vem montado sobre uma jumenta e sobre o potrinho da jumenta” (Zc 9, 9).

Esta profecia realizou-se plenamente quando Jesus entrou em Jerusalém, assentado sobre um jumento, sendo recebido com todas as honras, como o Messias desejado, segundo o testemunho de São João (Jo 12,14). Também sabemos que ele foi pobre desde o seu nascimento, tendo vindo a este mundo em Belém, lugar desprezado, e numa manjedoura: “E tu, Belém Efrata, tu és pequenina entre os milhares de Judá, mas de ti é que há de sair aquele que há de reinar em Israel e cuja geração é desde o princípio, desde os dias da eternidade” (Mq 5, 2). E essa profecia foi assinalada por São Mateus (2,6) e São João (7, 42). Além disso, escreve o profeta Oséias: “Do Egito chamarei o meu Filho” (11, 1), o que se realizou quando Jesus Cristo, como menino, foi levado para o Egito, onde permaneceu sete anos como estranho no meio de gente bárbara, dos parentes e dos amigos, devendo viver necessariamente mui pobremente. Continuou, depois de voltar à Judéia, a levar uma vida pobre. Ele mesmo predisse pela boca de Davi que pobre deveria ser durante toda a sua vida e atribulado pelas fadigas: “Eu sou pobre e vivo em trabalhos desde a minha mocidade” (Sl 87,16).


A EXPIAÇÃO

Deus não podia ver plenamente satisfeita a sua justiça com os sacrifícios oferecidos pelos homens, mesmo sacrificando-lhe suas vidas e, por isso, dispôs que seu próprio Filho tomasse um corpo humano e fosse a digna vítima que o reconciliasse com os homens e lhes obtivesse a salvação. “Não quiseste hóstia nem oblação, mas tu me formaste um corpo” (Hb 10, 5). E o Filho unigênito se ofereceu voluntariamente a sacrificar-se por nós e desceu à terra para completar o sacrifício com sua morte e assim realizar a redenção do homem: “Eis, aqui venho para fazer, ó Deus, a tua vontade, como está escrito de mim no princípio do livro” (Hb 10, 7).

Pergunta o Senhor, referindo-se ao pecador: “Que importará que eu vos fira de novo?” (Is 1, 5). Isso dizia Deus, para nos dar a entender que, por mais que punisse os seus ofensores, suas penas não seriam suficientes para reparar a sua honra ultrajada, e por isso enviou seu próprio Filho a satisfazer pelos pecados dos homens, visto que ele podia dar uma digna reparação à justiça divina. Depois declarou por Isaías, falando de Jesus feito vítima para expiar nossas culpas: “Eu o feri por causa dos crimes de meu povo” (53, 8), e não se contentou com uma pequena satisfação, mas quis vê-lo abatido pelos tormentos: “E o Senhor quis quebrantá-lo na sua enfermidade” (Is 53, 10). Ó meu Jesus, ó vítima de amor, consumida de dores na cruz para pagar os meus pecados, desejaria morrer de dor, pensando quantas vezes vos tenho desprezado depois de tanto me haverdes amado. Não permitais que eu continue a viver tão ingrato a tão grande bondade. Atraí-me todo a vós: fazei-o pelos merecimentos desse sangue que derramastes por mim!

Quando o Verbo divino se ofereceu para remir os homens, de duas maneiras se podia fazer essa redenção: uma por meio do gozo e da glória, outra das penas e dos vitupérios. Ele, porém, que com sua vinda não só pretendia livrar o homem da morte eterna, mas também ganhar a si o amor de todos os corações humanos, repeliu o caminho do gozo e da glória e escolheu o das penas e dos vitupérios (Hb 10, 34). A fim, portanto, de satisfazer por nós a justiça divina e juntamente para inflamar-nos com seu santo amor, quis qual criminoso sobrecarregar-se de todas as nossas culpas e, morrendo sobre uma cruz, obter-nos a graça e a vida feliz. É justamente o que exprime Isaías quando afirma: “Verdadeiramente ele foi o que tomou sobre si as nossas fraquezas e ele mesmo carregou com as nossas dores” (Is 53, 4).

Disso encontram-se duas figuras claras no Antigo Testamento: a primeira era a cerimônia usada todos os anos do “bode expiatório” sobre o qual o sumo pontífice entendia impor todos os pecados do povo e por isso todos, cumulando-o de maldições, o enxotavam para a floresta para servir aí de objeto à ira divina (Lv 16, 5). Esse bode figurava nosso Redentor, que quis espontaneamente sobrecarregar-se com todas as maldições a nós devidas por nossos pecados (Gl 3, 13), feito por nós maldição, para nos obter as bênçãos divinas. E assim escreve o Apóstolo em outro lugar: “Aquele que desconhecia o pecado, fê-lo por nós, para que nós fôssemos feitos justiça de Deus nele” (2 Cor 5, 21). Como explicam Santo Ambrósio e Santo Anselmo, aquele que era a mesma inocência, fê-lo pecado; revestiu-se com as vestes do pecador e quis tomar sobre si as penas devidas a nós pecadores, para nos obter o perdão e nos tornar justos aos olhos de Deus.

A segunda figura do sacrifício que Jesus Cristo ofereceu por nós a seu eterno Pai na cruz, foi a “serpente de bronze” suspensa em um poste, que curava os hebreus mordidos pela serpente de fogo, quando para ela olhavam (Nm 21, 8). Assim escreve São João: “Como Moisés suspendeu a serpente no deserto, assim importa que seja levantado o Filho do homem, para que todo o que crê nele não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 14).


À LUZ DAS PROFECIAS

É preciso refletir que no capítulo 2.º da “Sabedoria” está predita a morte ignominiosa de Jesus Cristo. Ainda que as palavras desse capítulo possam se referir à morte de qualquer homem justo, contudo, afirma Tertuliano, São Cipriano, São Jerônimo e muitos outros santos Padres, que de modo especial quadram à morte de Cristo: Aí se diz no versículo 18: “Se realmente é o verdadeiro filho de Deus, ele o amparará e o livrará das mãos dos contrários”. Essas palavras correspondem perfeitamente ao que diziam os judeus, quando Jesus estava na cruz: “Confiou em Deus: livre-o agora, se o ama; pois disse que era filho de Deus” (Mt 27, 43). Continua o sábio a dizer: “Façamos-lhe perguntas por meio de ultrajes e tormentos... e provemos a sua paciência. Condenemo-lo a uma morte a mais infame” (Sb 2, 19-20). Os judeus escolheram para Jesus Cristo a morte da cruz, que era a mais ignominiosa, para que seu nome ficasse para sempre aviltado e não fosse mais relembrado, segundo um outro testemunho de Jeremias: “Ponhamos madeira no seu pão e exterminemo-lo da terra dos viventes e não haja mais memória de seu nome” (Jr 11, 19). Ora, como podem dizer hoje em dia os judeus ser falso que Jesus fosse o Messias prometido, por ter sido arrebatado deste mundo por uma morte torpíssima, quando seus mesmos profetas haviam predito que ele deveria ter uma morte tão vil?

Jesus aceitou, porém, semelhante morte porque morria para pagar os nossos pecados: também por esse motivo quis qual pecador ser circuncidado, ser resgatado quando foi apresentado ao templo, receber o batismo de penitência de São João. Na sua paixão, finalmente quis ser pregado na cruz para pagar por nossos licenciosas liberdades, com a sua nudez reparar a nossa avareza, com os opróbrios a nossa soberba, com a sujeição aos carnífices a nossa ambição de dominar, com os espinhos os nossos maus pensamentos, com o fel a nossa intemperança e com as dores do corpo os nossos prazeres sensuais. Deveríamos por isso continuamente agradecer com lágrimas de ternura ao eterno Pai por ter entregue seu Filho inocente à morte para livrar-nos da morte eterna. “O qual não poupou seu próprio Filho, mas entregou-o por todos nós: como não nos deu também com ele todas as coisas?” (Rom 8, 32). Assim fala São Paulo e o próprio Jesus diz, segundo São João (3, 16): “Tanto Deus amou o mundo que lhe deu seu Filho unigênito”. Daí exclamar a santa Igreja no sábado santo: “Ó admirável dignação de vossa piedade para conosco! Ó inestimável excesso de vossa caridade! Para resgatar o escravo, entregastes o vosso Filho”. Ó misericórdia infinita, ó amor infinito de nosso Deus, ó santa fé! Quem isto crê e confessa, como poderá viver ser arder em santo amor para com esse Deus tão amante e tão amável?

Ó Deus eterno, não olheis para mim, carregado de pecados, olhai para vosso Filho inocente, pregado numa cruz, e que vos oferece tantas dores e suporta tantos ludíbrios para que tenhais piedade de mim. Ó Deus amabilíssimo e meu verdadeiro amigo, por amor, pois, desse Filho que vos é tão caro, tende piedade de mim. A piedade que desejo é que me concedais o vosso santo amor. Ah, atraí-me inteiramente a vós do meio do lodo de minhas torpezas. Consumi, ó fogo devorador, tudo o que vedes de impuro na minha alma e a impede de ser toda vossa.


NOSSO FIADOR

Agradeçamos ao Pai e agradeçamos igualmente ao Filho que quis tomar a nossa carne e juntamente os nossos pecados para dar a Deus com sua paixão e morte uma digna satisfação. Diz o Apóstolo que Jesus Cristo se fez nosso fiador, obrigando-se a pagar as nossas dívidas (Hb 7, 22). Como mediador entre Deus e os homens, estabeleceu um pacto com Deus por meio do qual se obrigou a satisfazer por nós a divina justiça e em compensação prometeu-nos da parte de Deus a vida eterna. Já com muita antecedência o Eclesiástico nos advertia que não nos esquecêssemos do benefício deste divino fiador, que, para obter a salvação, quis sacrificar a sua vida (Eclo 29, 20). E para mais nos assegurar do perdão, diz São Paulo, foi que Jesus Cristo apagou com seu sangue o decreto de nossa condenação, que continha a sentença da morte eterna contra nós, e a afixou à cruz, na qual, morrendo, satisfez por nós a justiça divina (Col 2, 14). Ah, meu Jesus, por aquele amor que vos obrigou a dar a vida e o sangue no Calvário por mim, fazei-me morrer a todos os afetos deste mundo, fazei que eu me esqueça de tudo para não pensar senão em vos amar e dar-vos gosto. Ó meu Deus, digno de infinito amor, vós me amastes sem reserva e eu quero também amar-vos sem reserva. Eu vos amo, meu sumo Bem, eu vos amo, meu amor, meu tudo.

Em suma, tudo o que nós podemos ter de bens, de salvação, de esperança, tudo possuímos em Jesus Cristo e nos seus merecimentos, como disse São Pedro: “E não há em outro nenhuma salvação, nem foi dado aos homens um outro nome debaixo dos céus em que nós devemos ser salvos” (At 4, 12). Assim para nós não há esperança de salvação senão nos merecimentos de Jesus Cristo. Donde São Tomás, com todos os teólogos, conclui que depois da promulgação do Evangelho nós devemos crer explicitamente, por necessidade não só de preceito, como também de meio, que somente por meio de nosso Redentor nos é possível a salvação.

Todo o fundamento de nossa salvação está, portanto, na redenção humana do Verbo divino, operado na terra. É preciso, pois, refletir que ainda que as ações de Jesus Cristo feitas no mundo, sendo ações de uma pessoa divina, eram de um valor infinito, de maneira que a mínima delas bastava para satisfazer a justiça divina por todos os pecados dos homens, contudo só a morte de Jesus foi o grande sacrifício com o qual se completou a nossa redenção, motivo pelo qual as Sagradas Escrituras se atribui a redenção do homem principalmente à morte por ele sofrida na cruz: “Humilhou-se a si mesmo, feito obediente até à morte e morte de cruz” (Fl 2, 8). Razão por que escreve o Apóstolo que, quando tomamos a sagrada eucaristia, nos devemos recordar da morte do Senhor: “Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste vinho, anunciareis a morte do Senhor, até que ele venha” (1 Cor 11,26). Por que é que diz da morte e não da encarnação, do nascimento, da ressurreição? Porque foi esse tormento, o mais doloroso de Jesus Cristo, que completou a redenção.

Por isso dizia S. Paulo: “Não julgueis que eu sabia alguma coisa entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Cor 2,2). Muito bem sabia o apóstolo que Jesus Cristo nascera numa gruta, que habitara por trinta anos uma oficina que ressuscitara e subira aos céus. Por que então escreve que não sabia outra coisa senão Jesus crucificado? Porque a morte sofrida por Jesus na cruz era o que mais o movia a amá-lo e o induzia a prestar obediência a Deus, a exercer a caridade para com o próximo, a paciência nas adversidades, virtudes praticadas e ensinadas particularmente por Jesus Cristo na cátedra da cruz. São Tomás escreve: “Em qualquer tentação encontra-se na cruz o auxílio; aí a obediência para com Deus, aí a caridade para com o próximo, aí a paciência nas adversidades, donde assevera Agostinho: A cruz não foi só o patíbulo do mártir, como também a cátedra do mestre”. (In c. 12 ad Heb.).


À SOMBRA DA CRUZ

Almas devotas, procuremos ao menos imitar a esposa dos Cânticos, que dizia: “Eu assentei-me à sombra daquele que tanto desejei” (Cânt 2, 3). Oh! que doce repouso as almas que amam a Deus encontram nos tumultos deste mundo e nas tentações do inferno e mesmo nos temores dos juízos de Deus, contemplando a sós em silêncio o nosso amado Redentor agonizando na cruz, gotejando seu sangue divino de todos os seus membros já feridos e rasgados pelos açoites, pelos espinhos e pelos cravos. Oh! como a vista de Jesus crucificado afugenta de nossas mentes todos os desejos de honras mundanas, das riquezas da terra e dos prazeres dos sentidos! Daquela cruz emana uma vibração celeste, que docemente nos desprende dos objetos terrenos e acende em nós um santo desejo de sofrer e morrer por amor daquele que quis sofrer tanto e morrer por amor de nós.

Ó Deus, se Jesus Cristo não fosse o que ele é, Filho de Deus e verdadeiro Deus nosso criador e supremo senhor, mas um simples homem, quem não sentiria compaixão vendo um jovem de nobre linhagem, inocente e santo, morrer à força de tormentos sobre um madeiro infame, para pagar, não os seus delitos, mas os de seus mesmos inimigos e assim libertá-los da morte em perspectiva? E como é possível que não ganhe os afetos de todos os corações um Deus que morre num mar de desprezos e de dores por amor de suas criaturas? Como poderão essas criaturas amar outra coisa fora de Deus? Como pensar em outra coisa que em ser gratos para com esse tão amante benfeitor? “Oh! se conhecesses o mistério da cruz!”. disse Santo André ao tirano que queria induzi-lo a renegar a Jesus Cristo, por ter Jesus se deixado crucificar como malfeitor. Oh! se entendesses, tirano, o amor que Jesus Cristo te mostrou querendo morrer na cruz para satisfazer por teus pecados e obter-te uma felicidade eterna, certamente não te empenharias em persuadir-me a renegá-lo; pelo contrário, tu mesmo abandonarias tudo o que possuis e esperas nesta terra para comprazeres e contentares um Deus que tanto te amou. Assim já procederam tantos santos e tantos mártires que abandonaram tudo por Jesus Cristo. Que vergonha para nós, quantas tenras virgenzinhas renunciaram a casamentos principescos, riquezas reais e todas as delícias terrenas e voluntariamente sacrificaram sua vida para testemunhar qualquer gratidão pelo amor que lhes demonstrou este Deus crucificado.

Como explicar então que a muitos cristãos a paixão de Cristo faz tão pouca impressão? Isso provém do pouco que consideram nos padecimentos sofridos por Jesus Cristo por nosso amor. Ah, meu Redentor, também eu estive no número desses ingratos. Vós sacrificastes vossa vida sobre uma cruz, para que não me perdesse, e eu tantas vezes quis perder-vos, ó bem infinito, perdendo a vossa graça! Ora, o demônio, com a recordação de meus pecados, pretenderia tornar-me dificílima a salvação, mas a vista de vós crucificado, meu Jesus, me assegura que não me repelireis de vossa face se eu me arrepender de vos haver ofendido e quiser vos amar. Oh! sim, eu me arrependo e quero amar-vos com todo o meu coração. Detesto aqueles malditos prazeres que me fizeram perder a vossa graça. Amo-vos, ó amabilidade infinita, e quero amar-vos sempre e a recordação de meus pecados servirá para me inflamar ainda mais no vosso amor, que viestes em busca de mim quando eu de vós fugia. Não, não quero mais separar-me de vós, nem deixar mais de vos amar, ó meu Jesus. Maria, refúgio dos pecadores, vós que tanto participastes das dores de vosso Filho na sua morte, suplicai-lhe que me perdoe e me conceda a graça de o amar.

Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787). Bispo e Doutor da Igreja. Nascido em Nápoles, aos dezenove anos formou-se em leis; aos trinta, ordenou-se sacerdote e começou a trabalhar entre os mendigos e os camponeses. Seis anos mais tarde, fundou a Congregação do Santíssimo Redentor. Escreveu vários livros sobre moral e espiritualidade.
“Reflexões sobre a Paixão de Jesus Cristo expostas às almas devotas”
Tradução: Pe. José Lopes Ferreira, C.Ss.R.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Lefebvre: A Missa de Sempre e a Missa "a sabor do vento"

Carta Aberta aos Católicos Perplexos:

A Missa de Sempre e a Missa "a sabor do vento"

Para preparar o Congresso eucarístico de 1981 foi distribuído um questionário cuja primeira pergunta era esta:

“Dentre estas duas definições: “Santo Sacrifício da Missa” e “Refeição eucarística”, qual adotais espontaneamente?” Haveria muito a dizer sobre esta maneira de interrogar os católicos deixando-lhes de algum modo a escolha e fazendo apelo a seu julgamento pessoal num assunto onde a espontaneidade nada tem a fazer. Não se escolhe sua definição de missa como se escolhe um partido político.

Ai! A insinuação não resulta duma imperícia do redator deste questionário. É preciso convencer-se disto: a reforma litúrgica tende a substituir a noção e a realidade do Sacrifício pela realidade duma refeição. É assim que se fala de celebração eucarística, de Ceia, mas o termo “Sacrifício” é muito menos evocado; ele desapareceu quase totalmente dos manuais de catequese bem como da  pregação. Está ausente do Canon nº. 2 dito de Santo Hipólito.

Esta tendência se une àquela que nós verificamos a propósito da Presença real; se não há mais sacrifício, não há mais necessidade de vítima. A vítima está presente em vista do sacrifício. Fazer da missa uma refeição memorial, uma refeição fraterna é o erro dos protestantes. Que aconteceu no século XVI? Precisamente o que está para suceder hoje. Eles substituíram imediatamente o altar por uma mesa, suprimiram o crucifixo colocado sobre aquele, e fizeram o “presidente da assembleia” voltar-se para os fiéis. O cenário da Ceia protestante se encontra em Pedras Vivas, a compilação composta pelos bispos da França e que todas as crianças dos catecismos devem utilizar obrigatoriamente: “Os cristãos se reúnem para celebrar a Eucaristia. É a missa... Eles proclamam a fé da Igreja, rezam pelo mundo inteiro, oferecem o pão e o vinho... O sacerdote que preside à assembleia diz a grande oração de ação de graças...”

Ora, na religião católica é o sacerdote que celebra a missa, é ele que oferece o pão e o vinho. A noção de presidente é tomada de empréstimo ao protestantismo. O vocabulário segue a transformação dos espíritos. Dizia-se antigamente: “Dom Lustiger celebrará uma missa pontifical.” Foi-me relatado que na Rádio Notre-Dame, a frase utilizada presentemente é: “João Maria Lustiger presidirá a uma concelebração.”

Eis como se fala da missa numa brochura editada pela Conferência dos bispos suíços:

“A refeição do Senhor realiza primeiramente a comunhão com Cristo. É a mesma comunhão, que Jesus realizava durante sua vida terrestre sentando-se à mesa com os pecadores, que continua na refeição eucarística desde o dia da Ressurreição. O Senhor convida Seus amigos a se reunirem e estará presente entre eles.”

Pois bem, todo o católico está obrigado a responder dum modo categórico: Não! A missa não é isto. Não é a continuação duma refeição semelhante àquela para a qual Nosso Senhor convidou São Pedro e alguns discípulos em uma manhã, à beira do lago, após a Sua ressurreição: “Quando saltaram em terra, viram umas brasas preparadas e um peixe em cima e pão... Disse-lhes Jesus: “Vinde, almoçai” nenhum dos discípulos, sabendo que era o Senhor, ousava perguntar-lhe: “Quem sois vós”. Jesus chega, toma o pão, deu-lho, e igualmente do peixe” (Jo 21, 9-13).

A comunhão do sacerdote e dos fiéis é uma comunhão com a vítima que se ofereceu sobre o altar do sacrifício. Este é maciço, de pedra; se não o é, contém ao menos a pedra d'ara que é uma pedra sacrifical. Nela se incrustaram as relíquias dos mártires, porque eles ofereceram o seu sangue pelo seu Mestre. Esta comunhão do sangue de Nosso Senhor com o sangue dos mártires nos encoraja a oferecer também as nossas vidas.

Se a missa é uma refeição, eu compreendo porque o padre se volta para os fiéis. Não se preside a uma refeição dando as costas aos convivas. Mas um sacrifício se oferece a Deus, não aos assistentes. É por esta razão que o padre, à testa dos fiéis, se volta para Deus, para o crucifixo que domina o altar.

Insiste-se em qualquer ocasião no que o Novo Missal dos domingos chama “o relato da instituição”. O Centro Jean-Bart, centro oficial do bispado de Paris declara: “No coração da missa há um relato.” Ainda uma vez. Não! A missa não é uma narração, é uma ação.

Três condições indispensáveis existem para que ela seja a continuação do Sacrifício da Cruz: a oblação da vítima, a transubstanciação que a torna presente efetivamente e não simbolicamente, a celebração por um sacerdote que toma o lugar do Sacerdote principal que é Nosso Senhor e que deve ser consagrado por seu sacerdócio.

Assim a missa pode alcançar a remissão dos pecados. Um simples memorial, um relato da instituição acompanhado de uma refeição estaria longe de ser suficiente para isto. Toda a virtude sobrenatural da missa provém de sua relação com o Sacrifício da Cruz. Se não se acredita mais nisto, não se acredita mais em nada da Igreja, esta não tem mais razão de ser, não se deve pretender mais ser católico. Lutero havia compreendido muito bem que a missa é o coração, a alma da Igreja. Ele dizia: “Destruamos a missa e teremos destruído a Igreja.”

Ora, nós percebemos que o Novus Ordo Missae, isto é, a nova regulamentação adotada após o concílio, se alinha sobre concepções protestantes, ou pelo menos se aproxima perigosamente delas. Para Lutero a missa pode ser um sacrifício de louvor, ou seja, um ato de louvor, de ação de graças, mas não certamente um sacrifício propiciatório que renova e aplica o Sacrifício da Cruz. Para ele o Sacrifício da Cruz se realizou num momento determinado da história; é prisioneiro desta história, nós não nos podemos aplicar os méritos de Cristo a não ser pela nossa fé em sua morte e em sua ressurreição. Ao contrário, a Igreja afirma que este sacrifício se realiza misticamente, de uma maneira incruenta, pela separação do corpo e do sangue sob as espécies do pão e do vinho. Esta renovação permite aplicar aos fiéis presentes os méritos da cruz, perpetuar esta fonte de graças no tempo e no espaço. O Evangelho de São Mateus termina com estas palavras: “E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.”

A diferença de concepção não é pequena. Não obstante fazem-se esforços para reduzi-la, pela alteração da doutrina católica, e desta alteração se podem observar numerosos sinais na liturgia. Lutero dizia: “O culto se dirigia a Deus como uma homenagem, de agora em diante ele se dirigirá ao homem para consolá-lo e iluminá-lo. O sacrifício ocupava o primeiro lugar, o sermão vai suplantá-lo”. Isto significava a introdução do culto do homem, e na igreja, a importância dada à “liturgia da palavra”. Abramos os novos missais, esta revolução se realizou neles. Uma leitura foi acrescentada às duas que existiam, bem como uma “prece universal” utilizada freqüentemente para transmitir idéias políticas ou sociais; contando com a homilia, termina-se num desequilíbrio em proveito da palavra. Acabado o sermão, a missa está bem perto de seu fim.

Na Igreja, o sacerdote é marcado por um caráter indelével que faz dele um ''alter Christus”; só ele pode oferecer o Santo Sacrifício. Lutero considera a distinção entre clérigos e leigos como “a primeira muralha elevada pelos romanistas”; todos os cristãos são sacerdotes, o pastor não faz senão exercer uma função presidindo a “missa evangélica”. No novo “ordo”, o “eu” do celebrante foi substituído pelo “nós”; escreve-se por toda a parte que os fiéis “celebram”, são associados aos atos cultuais, lêem a Epístola, eventualmente o Evangelho, distribuem a comunhão, fazem por vezes a homilia, que pode ser substituída por uma troca em pequenos grupos sobre a Palavra de Deus”, reúnem-se com antecedência, para “estabelecer” a celebração do domingo. Mas isto não passa de uma etapa; há numerosos anos ouve-se emitir pelos responsáveis de organismos episcopais proposições deste gênero: “não são os ministros, mas é a assembléia que celebra” (Fichas do Centro nacional de pastoral litúrgica) ou “A assembléia é o sujeito principal da liturgia”; o que conta não é mais o “funcionamento dos ritos, mas a imagem que a assembléia se dá a si própria e as relações que se instauram entre os concelebrantes” (P. Gelineau, artífice da reforma litúrgica e professor no Instituto Católico de Paris). Se é a assembléia que conta, compreende-se que as missas particulares sejam mal consideradas, o que faz com que os sacerdotes não as rezem mais, pois é cada vez menos fácil encontrar uma assembléia sobretudo durante a semana. É uma ruptura com a doutrina invariável: a Igreja tem necessidade da multiplicação dos Sacrifícios da missa tanto para a aplicação do Sacrifício da Cruz como para todos os fins que lhe são assinalados: adoração, ação de graças, propiciação¹ e impetração².

Isto não é ainda suficiente, o objetivo de vários é eliminar decididamente o sacerdote, o que dá lugar às famosas ADAP (Assembléias dominicais na ausência do padre). Poder-se-ia conceber três fiéis reunindo-se para rezar em conjunto de modo a honrar o dia do Senhor; ora, estas ADAP são na realidade uma espécie de missas “em branco”, às quais só falta a consagração, e ainda, como se pode ler num documento do Centro regional de estudos sócio-religiosos de Lille, somente porque “até nova ordem os leigos não têm o poder de executar este ato”. A ausência do padre pode ser desejada “a fim de que os fiéis aprendam a desembaraçar-se por si mesmos. O P. Gelineau em Liturgia amanhã, escreve que as ADAP não passam de uma “transição pedagógica até que as mentalidades tenham mudado” e conclui com uma lógica embaraçadora que há ainda sacerdotes demais na Igreja, ”demais sem dúvida para que as coisas evoluam depressa”.

Lutero suprimiu o ofertório: por quê oferecer a Hóstia pura e sem mácula se não há mais sacrifício? No novo “ordo” francês o ofertório é praticamente inexistente; aliás ele não tem mais este nome. O novo missal dos domingos fala de “orações de apresentação”. A fórmula utilizada lembra mais uma ação de graças, um agradecimento pelos frutos da terra. Para se dar conta disto basta compará-la com as fórmulas tradicionalmente empregadas pela Igreja, onde aparece claramente o fim propiciatório e expiatório do sacrifício, “que vos ofereço... pelos meus inumeráveis pecados, ofensas e negligências; por todos os assistentes e por todos os cristãos vivos e defuntos; a fim de que a mim e a eles aproveite este sacrifício para a vida eterna. Elevando o cálice o sacerdote diz em seguida: Senhor, nós vos oferecemos o cálice de vossa redenção e imploramos a vossa misericórdia que ele suba como suave perfume à presença de vossa divina majestade, pela salvação nossa e de todo o mundo.”

Que resta disto na missa nova? O seguinte: Bendito és Deus do universo, tu que nos dás este pão, fruto da terra e do trabalho dos homens. Nós t'o apresentamos; ele se tornará o pão da vida”, e igualmente para o vinho que se tornará “o vinho do Reino eterno”. De que serve acrescentar um pouco mais longe: “Lavai-me de minhas faltas, Senhor, purificai-me de meu pecado” e: “Que sacrifício, neste dia, encontra graça diante de ti”? Qual pecado? Qual sacrifício? Que ligação pode fazer o fiel entre esta apresentação vaga das oferendas e a redenção que ele está habilitado a esperar? Eu colocarei uma outra questão: porque substituir um texto claro e cujo sentido é completo por uma seqüência de frases enigmáticas mal ligadas entre si? Se se experimenta a necessidade de mudança, esta deve ser para melhorar. Estas poucas menções que parecem retificar a insuficiência das “orações de apresentação” fazem ainda pensar em Lutero, que se aplicava a arranjar as transições. Ele conservava o mais possível as cerimônias antigas limitando-se a mudar-lhes o sentido. A missa mantinha em grande parte seu aparato exterior, o povo encontrava nas igrejas quase o mesmo cenário, quase os mesmos ritos, com retoques feitos para agradar-lhe, pois doravante se dirigia a ele muito mais do que anteriormente; tinha ademais consciência de contar com alguma coisa no culto, tomava nele uma parte mais ativa pelo canto e pela oração em voz alta. Pouco a pouco o latim dava lugar definitivamente ao alemão.

Tudo isto não vos faz lembrar de nada? Lutero se inquieta igualmente em criar novos cânticos para substituir “todos os estribilhos da papistaria”; as reformas tomam sempre um ar de revolução cultural.

No novo “ordo”, a parte mais antiga do Canon romano, que remonta à idade apostólica, foi remanejada para aproximá-la da fórmula consecratória luterana, com um acréscimo e uma supressão. A tradução francesa a extrapolou alterando a significação das palavras “pro multis”. Em lugar de “meu sangue... que será derramado por vós e por um grande número”, nós lemos: “que será derramado por vós e pela multidão”. O que não significa a mesma coisa e que teologicamente não é neutro.

Vós pudestes notar que a maior parte dos padres pronuncia hoje sem parar a parte principal do Canon que começa por “Na véspera de sua paixão ele tomou o pão em suas santas e veneráveis mãos...” sem fazer a pausa incluída pela rubrica do missal romano: “Segurando com as duas mãos a hóstia entre o indicador e o polegar ele pronuncia as palavras da Consagração em voz baixa mas distinta e atentamente sobre a hóstia.” O tom muda, ele se torna intimativo, as cinco palavras “Hoc est enim Corpus mesm” operam o milagre da transubstanciação, do mesmo modo que as que são ditas para a consagração do vinho. O novo missal convida o celebrante a manter o tom narrativo, como se ele procedesse, efetivamente, a um memorial. Sendo a criatividade de regra, vêem-se certos oficiantes recitar o seu texto mostrando a hóstia à roda ou mesmo partindo-a com ostentação para ajuntar o gesto às palavras e ilustrar melhor a sua narração. Tendo sido supressas duas genuflexões dentre quatro, e omitindo-se por vezes as que restaram, tem-se o direito de se perguntar se o sacerdote possui mesmo o sentido de consagrar, supondo que tenha realmente a intenção de fazê-lo.

E então, de católicos perplexos vós vos tornais católicos inquietos: a missa à qual acabais de assistir era válida? A hóstia que recebestes era verdadeiramente o corpo de Cristo?

É um grave problema. Como pode o fiel julgar a respeito? Existem para a validez duma missa condições essenciais: a matéria, a forma, a intenção e o sacerdote validamente ordenado. Se se preenchem as condições, não se vê como se poderia deduzir a invalidade. As orações do ofertório, do Canon e da Comunhão do sacerdote são necessárias à integridade do sacrifício e do sacramento, mas não à sua validade. O cardeal Mindzenty, pronunciando “clandestinamente” na sua prisão as palavras da Consagração sobre um pouco de pão e de vinho para nutrir-se do corpo e do sangue de Nosso Senhor sem ser percebido pelos seus guardas efetuou certamente o sacrifício e o sacramento. Uma missa celebrada com os bolinhos com mel do bispo americano de que já falei é certamente inválida, como aquela em que as palavras consecratórias fossem gravemente alteradas ou mesmo omitidas. Eu não invento nada: chamou a atenção o caso dum celebrante que, tendo feito um tal uso da criatividade, muito simplesmente se esqueceu da Consagração. Mas como aquilatar a intenção do sacerdote? Que haja sempre menos missas válidas, à medida que a fé dos sacerdotes se corrompe e que eles não têm mais a intenção de fazer o que sempre fez a Igreja — pois a Igreja não pode mudar de intenção — é evidente.

A formação atual daqueles que são chamados seminaristas não os prepara para celebrar missas válidas. Não se lhes ensina mais a considerar o Santo Sacrifício como a obra essencial de sua vida sacerdotal.

De outra parte pode-se dizer sem nenhum exagero que a maior parte das missas, celebradas sem pedra d'ara, com utensílios vulgares, pão fermentado, introdução de palavras profanas no próprio corpo do Canon, etc., são sacrílegas e pervertem a fé ao mesmo tempo que a diminuem. A dessacralização é tal que estas missas podem chegar a perder seu caráter sobrenatural, o “mistério da fé”, para não serem mais do que atos de religião natural.

Vossa perplexidade assume talvez a forma seguinte: posso assistir a uma missa sacrílega mas que entretanto é válida, na falta de outra e para satisfazer à obrigação dominical? A resposta é simples: estas missas não podem ser objeto duma obrigação; devem-se-lhes aplicar as regras da teologia moral e do direito canônico no que concerne à participação ou à assistência a uma ação perigosa para a fé ou eventualmente sacrílega.

A nova missa, mesmo dita com piedade e no respeito às normas litúrgicas, cai sob o golpe das mesmas reservas, uma vez que ela está impregnada de espírito protestante. Ela traz em si um veneno prejudicial à fé. Posto isto, o católico francês de hoje reencontra as condições de prática religiosa que são as dos países de missão. Nestes, os habitantes de certas regiões não podem assistir à missa senão três ou quatro vezes por ano. Os fiéis de nosso país deveriam fazer o esforço de assistir uma vez por mês à missa de sempre, verdadeira fonte de graças e de santificação, num dos lugares onde ela continua a ser estimada.

Com efeito, eu devo na verdade dizer e afirmar sem medo de me enganar que a missa codificada por S. Pio V — e não inventada por ele como se dá a entender freqüentemente — exprime claramente estas três realidades: sacrifício, presença real e sacerdócio dos padres. Ela tem em conta também, como precisou o concílio de Trento, a natureza do homem, que tem necessidade de alguns auxílios exteriores para elevar-se à meditação das coisas divinas. Os usos estabelecidos não o foram ao acaso, não se pode atropelá-los ou aboli-los de modo súbito, impunemente. Quantos fiéis, quantos jovens sacerdotes, quantos bispos perderam a fé desde a adoção das reformas! Não se contrariam a fé e a natureza sem que elas se vinguem.

Mas justamente, afirmam-nos, o homem não é mais o mesmo que há um século atrás; sua natureza foi modificada pela civilização técnica na qual ele está imerso. Que absurdo! Os inovadores se acautelam bem de revelar aos fiéis o seu desejo de alinhamento com o protestantismo. Invocam um outro argumento: a mudança. Eis o que se explica na escola teológica noturna de Estrasburgo:

“Nós devemos reconhecer hoje que estamos em presença duma verdadeira mutação cultural. Uma certa maneira de celebrar o memorial do Senhor estava ligada a um universo religioso que não é mais o nosso.” Está dito em poucas palavras e tudo desaparece. É preciso recomeçar da estaca zero. Tais são os sofismas de que se servem para fazer-nos mudar a nossa fé. O que é um “universo religioso”? Seria melhor falar francamente e dizer: “uma religião que não é mais a nossa”.

1. Ação de tornar Deus propício.
2. Ação de obter as graças e as bênçãos divinas.
Carta Aberta aos Católicos Perplexos. Mons. Marcel Lefebvre.

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sábado, 20 de março de 2010

As Sete Meditações

As Sete Meditações 
sugeridas por Santo Afonso Maria de Ligório,
Bispo, Confessor, Doutor Zelosíssimo da Igreja,
Fundador dos Missionários Redentoristas

DOMINGO

Do fim do homem

1. Considera, cristão, que a existência que tens, de Deus a recebeste, criando-te á Sua imagem e semelhança, sem mérito algum da tua parte. Adaptou-te por filho nas almas salutares do Batismo; amou-te mais do que se fosse teu pai, e criou-te com o fim de O amares e servires nesta vida para depois O gozares na glória. de maneira que não nasceste nem deves viver para gozar, para ser rico poderoso, para comer, beber e dormir, como os irracionais, mas somente para amar ao teu Deus e ser dito eternamente. As criaturas foram postas por Deus á tua disposição para que te auxiliem a conseguir tão glorioso fim. Oh! infeliz de mim! que em tudo tenho pensado, menos no fim para que Deus me criou! Meu Pai, pelo amor de Jesus permiti que eu comece vida nova, inteiramente santa e em tudo conforme á vossa divina vontade!

2. Considera que na hora da morte sentirás grande remorso, se não te houveres dedicado ao serviço de Deus. Que aflição a tua quando, ao termo de teus dias naquela hora suprema, chegares a conhecer que todas as grandezas e prazeres, todas as riquezas e glórias não eram mais um pouco de fumo! Ficarás estupefato ao ver que por umas bagatelas, por verdadeiras frivolidades perdeste a graça de Deus e a tua alma, sem poder remediar o mal que fizeste e sem ter tempo para trilhar o bom caminho. Ó desesperação! Ó tormento! Então compreenderás quanto vale o tempo, mas já será tarde; quererás comprá-lo a troco do teu sangue, mas já não te é possível. Ó dia calamitoso para quem não tenha servido e amado a Deus!

quarta-feira, 10 de março de 2010

As conversações romanas: algumas perspectivas

Dom Bernard Fellay: "não haverá triunfo mariano sem restauração da Igreja e, portanto, da missa com o ensinamento da fé".

As conversações romanas: algumas perspectivas



Monsenhor, obrigado por aceitar responder às nossas perguntas. Qual a diferença entre estas conversações doutrinais e os intercâmbios anteriores que ocorreram durante a vida de Mons. Lefebvre, por exemplo, a propósito das Dubia? 

Anteriormente, os intercâmbios eram, na verdade, informais, exceto em algumas raras ocasiões, como no início do pontificado de João Paulo II. Mons. Lefebvre, enquanto apresentando as principais objeções às novidades — e protestando energicamente contra os escândalos que sacudiam a Igreja —, procurava então um acordo prático: ele pensava que Roma poderia deixá-lo fazer "a experiência da Tradição" concedendo à Fraternidade São Pio X uma regularização canônica antes de qualquer debate de fundo. Após 1988, ele indicou claramente o passo a seguir: conduzir a discussão sobre o terreno doutrinal, sobre a própria essência da crise que faz tanto estrago. Hoje, a Santa Sé nos concedeu, sem contrapartida, estas magníficas conversações doutrinais, de maneira oficial. Elas serão para nós a ocasião de testemunhar a fé e de fazer de nós o eco de 2000 anos de Tradição, sem nos privar de retomar certos estudos, como justamente as Dubia sur la liberté religieuse que, à época, não obtiveram resposta satisfatória. 

terça-feira, 9 de março de 2010

LEFEBVRE: Missas ou quermesses?

Carta Aberta aos Católicos Perplexos:

Missas ou quermesses?

 
Tenho debaixo dos olhos fotografias publicadas por jornais católicos e que representam a missa tal como ela é rezada com bastante freqüência. A respeito da primeira, eu tenho dificuldade em compreender de qual momento do Santo Sacrifício se trata. Atrás de uma mesa ordinária de madeira que não tem aspecto muito conveniente, sem qualquer toalha a cobri-la, dois personagens de paletó e gravata elevam ou apresentam, um deles um cálice, o outro um cibório. A legenda me diz que são sacerdotes, dos quais um é capelão federal da Ação católica. Do mesmo lado da mesa, junto do primeiro celebrante, duas moças de calças compridas; junto do segundo, dois rapazes de camisa esportiva. Uma guitarra está apoiada num tamborete.

Outra fotografia: a cena se passa no canto de um compartimento que poderia ser a sala de um centro de jovens. O padre está de pé, com um hábito branco de Taizé diante de um banco de vaqueiro que serve de altar; vê-se uma grande tigela de argila e um pequeno copo do mesmo material, bem como dois cotos de vela acesos. Cinco jovens vestidos de tailleurs estão sentados no chão, e um deles dedilha a guitarra.
 
Terceira foto, referente a um acontecimento ocorrido há alguns anos: a vigilância marítima de alguns ecologistas que queriam impedir as experiências atômicas francesas na ilhota de Mururoa. Há entre eles um sacerdote que celebra a missa na coberta do barco, em companhia de dois outros homens. Todos os três estão de short, apresentando-se um deles, de resto, com o peito nu. O padre ergue a hóstia, sem dúvida para a elevação. Ele não está nem de pé nem ajoelhado, mas sentado ou antes recostado numa super-estrutura da embarcação.
 
Um traço comum se depreende destas imagens escandalosas: a Eucaristia foi rebaixada ao nível dum ato corriqueiro, na vulgaridade do ambiente, dos instrumentos utilizados, das atitudes, dos trajes. Ora, as revistas ditas católicas, vendidas nos mostruários das igrejas não apresentam mais estas fotografias para criticar tais maneiras de proceder mas ao contrário, para recomendá-las. La Vie julga mesmo que isso não é suficiente. Utilizando, conforme o seu hábito, trechos de cartas de leitores para dizer o que ela pensa sem se comprometer, escreve: “A reforma litúrgica deveria ir mais longe... As repetições desnecessárias, as fórmulas sempre repisadas, toda esta ordenação freia uma verdadeira criatividade.” O que deveria ser a missa? O seguinte: “Nossos problemas são múltiplos, nossas dificuldades crescem e a Igreja parece estar ausente. Freqüentemente se sai da missa enfadado; há como um deslocamento entre nossa vida, nossas preocupações do momento, e o que se nos propõe a viver no domingo.”
 
Certamente se sai enfadado duma missa que se esforçou em descer ao nível dos homens em lugar de elevá-los para Deus e que mal compreendida, não permite superar os “problemas”. O encorajamento a ir ainda mais longe traduz uma vontade deliberada de destruir o sagrado. Despoja-se assim o cristão de alguma coisa que lhe é necessária, à qual ele aspira, pois é levado a honrar e a reverenciar tudo o que tem uma relação com Deus. Quanto mais a matéria do Sacrifício destinada a tornar-se o Seu corpo e o Seu sangue! Porque confeccionar hóstias cinzentas ou marrons deixando uma parte de sua sêmea? Quer-se fazer esquecer a expressão supressa no novo ofertório: hanc immaculatam hostiam, esta hóstia imaculada?
 
Não obstante esta não é senão uma inovação menor. Ouve-se falar freqüentemente da consagração de pedaços de pão comum, fermentado, em lugar do trigo puro prescrito e cujo emprego exclusivo foi ainda relembrado recentemente na instrução Inaestimabile donum. Estando todos os limites transpostos, viu-se mesmo um bispo americano recomendar a confecção de bolinhas com leite, ovos, levedura, mel e margarina. A dessacralização se estende às pessoas consagradas ao serviço de Deus, com o desaparecimento do traje eclesiástico para os sacerdotes e as religiosas, o uso apenas dos nomes próprios, o tratamento por tu, o modo de vida secularizado em nome dum novo princípio e não, como se tenta fazer crer, por necessidades práticas. Aduzo, como prova disto, estas religiosas que abandonaram o seu claustro para morar em apartamentos alugados em cidades, fazendo assim uma dupla despesa, que deixam o véu e devem arcar com os gastos em idas regulares ao cabeleireiro.
 
A perda do sagrado conduz também ao sacrilégio. Um jornal do oeste da França nos informa que o concurso nacional de balizas se realizou, em 1980, na Vendeia. Houve uma missa durante a qual as balizas dançaram, distribuindo algumas delas, em seguida, a comunhão. E o que mais é, a cerimônia foi coroada com uma dança em roda, da qual participou o celebrante com paramentos sacerdotais. Não tenho a intenção de estabelecer aqui um catálogo dos abusos que se encontram, mas de dar alguns exemplos mostrando porque os católicos de hoje têm toda a razão de estarem perplexos e mesmo escandalizados. Não revelo nenhum segredo, a própria televisão se encarrega de difundir nos lares, durante a emissão de domingo de manhã, a desenvoltura inadmissível que bispos ostentam publicamente em relação ao Corpo de Cristo, como nesta missa televisionada de 22 de novembro de 1981, na qual o cibório foi substituído por cestos que os fiéis passavam uns para os outros e que acabaram por serem postos no chão com o que restava das Sagradas Espécies.
 
Em Poitiers, na Sexta-feira Santa do mesmo ano, uma concelebração com grande aparato consistiu em consagrar promiscuamente pães e pichéis de vinho sobre mesas aonde cada um se vinha servir.
 
Os concertos de música profana organizados nas igrejas são agora generalizados. Aceita-se mesmo emprestar os lugares de culto para audições de música rock, com todos os excessos que elas acarretam habitualmente. Igrejas e catedrais foram entregues à orgia, à droga, às imundícies de toda a espécie e não é o clero local que efetuou cerimônias expiatórias, mas grupos de fiéis justamente revoltados com estes escândalos. Como é que os bispos e padres que os favoreceram não receiam atrair sobre si e sobre o conjunto de seu povo a maldição divina? Ela apareceu já na esterilidade que castiga as suas obras. Tudo se perde, se desorganiza porque o Santo Sacrifício da Missa, profanado como está, não dá mais a graça nem mais a transmite.
 
O menosprezo da presença real de Cristo na Eucaristia é o fato mais flagrante pelo qual se exprime o espírito novo, que não é mais católico. Sem chegar até os excessos espalhafatosos de que eu acabo de falar, é todos os dias que isto se verifica. O concílio de Trento explicitou sem dúvida possível que Nosso Senhor está presente nas menores partículas da hóstia consagrada. Sendo assim, que pensar da comunhão na mão?
 
Quando se serve duma patena, mesmo se as comunhões são pouco numerosas, nela ficam sempre partículas. Por conseguinte, estas partículas ficam agora nas mãos dos fiéis. Em vista disto a fé se abala em muitas pessoas, sobretudo nas crianças.
 
A nova maneira não pode ter senão uma explicação: se se vem à missa para partir o pão da amizade, da refeição comunitária, da fé comum, então é normal que não se tomem precauções excessivas. Se a Eucaristia é um símbolo materializando a simples lembrança de um acontecimento passado, a presença espiritual de Nosso Senhor, é inteiramente lógico que haja pouca preocupação com as migalhas que podem cair no chão. Mas se se trata da presença do próprio Deus, de nosso Criador, como o quer a fé da Igreja, como compreender que se admita uma tal prática e até que se encoraje, a despeito de documentos romanos bem recentes ainda?
 
A idéia que se esforça por inculcar assim é uma idéia protestante contra a qual se rebelam os católicos ainda não contaminados. Para melhor impô-la, obrigam-se os fiéis a comungar de pé.
 
É conveniente que se vá receber sem o menor sinal de respeito ou de consolação, a Cristo diante do qual, como diz São Paulo, se dobra todo o joelho no céu, na terra e nos infernos? Muitos sacerdotes não se ajoelham mais diante da Sagrada Eucaristia; o novo rito da missa os encoraja a isso. Para tal não vejo senão duas razões possíveis: ou um imenso orgulho que nos faz tratar a Deus como se fôssemos seus iguais ou a certeza de que Ele não está realmente na Eucaristia.
 
Estou movendo um processo de intenção contra a pretensa “Igreja conciliar”? Não, eu nada invento. Escutai como se exprime o decano da faculdade de teologia de Estrasburgo:
 
“Fala-se também da presença dum orador, dum ator, designando com isto uma qualidade diferente de um simples “estar lá” topográfico. Enfim qualquer um pode estar presente por uma ação simbólica que não realiza fisicamente, mas que outros efetuam por fidelidade criadora à sua intenção profunda. Por exemplo, o festival de Bayreuth realiza, sem dúvida, uma presença de Ricardo Wagner, que é bem superior em intensidade àquela que podem manifestar obras ou concertos ocasionais consagrados ao músico. É nesta última perspectiva que convém situar a presença eucarística de Cristo.”
 
Comparar a missa ao festival de Bayreuth! Não, decididamente, não estamos de acordo nem nas palavras nem na música.
 
Carta Aberta aos Católicos Perplexos. Mons. Marcel Lefebvre.

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Sete ordens que Jesus não deveria ter dado.

1 – SER MEMBRO DA VERDADEIRA IGREJA (Mt 16,18-19)


"E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei A MINHA IGREJA.
As portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus:
TUDO O QUE LIGARES NA TERRA SERÁ LIGADO NOS CÉUS, E TUDO O QUE DESLIGARES NA TERRA SERÁ DESLIGADO NOS CÉUS".

Fora da Igreja que Cristo estabeleceu para nossa salvação, a única que ensina todas as coisas que Ele mandou observar, não há Salvação.

2 – OUVIR A PEDRO, O PAPA. (Jo 21.15-17)



"Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? Respondeu ele: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: APASCENTA OS MEUS CORDEIROS. Perguntou-lhe outra vez: Simão, filho de João, amas-me? Respondeu-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: APASCENTA OS MEUS CORDEIROS. Perguntou-lhe pela terceira vez: Simão, filho de João, amas-me? Pedro entristeceu-se porque lhe perguntou pela terceira vez: Amas-me?, e respondeu-lhe: Senhor, sabes tudo, tu sabes que te amo. Disse-lhe Jesus: APASCENTA AS MINHAS OVELHAS".

Como visto, foi a São Pedro que Nosso Senhor Jesus Cristo deu a missão de apascentar o Seu rebanho, a Igreja que é a Coluna e Firmamento da Verdade (1Tim 3,16).

3 – CONFESSAR OS PECADOS. (Jo 20,23)



"Àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos".

E os pecados, para que sejam perdoados, devem ser confessados a quem tem o poder de perdoá-los.



 4 – COMER SUA CARNE E BEBER O SEU SANGUE. Jo 6,51-58;


"Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que eu hei de dar, É A MINHA CARNE para a salvação do mundo. A essas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo:COMO PODE ESTE HOMEM DAR-NOS DE COMER A SUA CARNE?. Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. POIS A MINHA CARNE É VERDADEIRAMENTE UMA COMIDA E O MEU SANGUE, VERDADEIRAMENTE UMA BEBIDA. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim.
Este é o pão que desceu do céu. Não como o maná que vossos pais comeram e morreram. QUEM COME DESTE PÃO VIVERÁ ETERNAMENTE".

O próprio Senhor nos deu Sua Carne e Seu Sangue como alimento para a Vida Eterna, cumprindo assim o que havia sido figurado pelo maná dos hebreus no deserto, que alimentava apenas o corpo.


Sem este Alimento, que é o Corpo e Sangue de Cristo (Mt 26,26; Mc 14,22; Lc 22,19; Jo 6,35;41;51-58; 1Cor 11,25-29), não podemos ter a Vida Eterna (Jo 6,54).

5 – RECEBER MARIA POR MÃE (JO 19,26-27)

"Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela O DISCÍPULO QUE AMAVA, disse à sua mãe: Mulher, EIS AÍ TEU FILHO. Depois disse ao discípulo: EIS AÍ TUA MÃE. E dessa hora em diante O DISCÍPULO A LEVOU PARA A SUA CASA."

Como visto, apenas os discípulos Amados de Cristo, Levam Maria para sua casa/ 



6 – SER BATIZADO. Mc 16,16



O batismo não é simbólico, mas real fonte de graça divina.
"… ELE NOS SALVOU MEDIANTE O BATISMO da regeneração e renovação, pelo Espírito Santo," (Tt 3,5)

"Quando Deus aguardava com paciência, enquanto se edificava a arca, na qual poucas pessoas, isto é, APENAS OITO SE SALVARAM ATRAVÉS DA ÁGUA. ESTA ÁGUA PREFIGURAVA O BATISMO DE AGORA, QUE VOS SALVA TAMBÉM A VÓS… " (1Pd 3,20-21)

7 – ACEITAR A CRUZ.(o sofrimento) Mt 10,38; Mt 16,24-25; Mc 8,34; Lc 9,23; Lc 14,27.

Ou seja, devemos aceitar as cruzes de cada dia, os sofrimentos que Deus nos permite, para a nossa edificação. O papel de Deus não é dar bens materiais ou conforto físico ou psicológico para as pessoas; cabe-nos seguir o exemplo de Cristo e abraçar as nossas cruzes cotidianas.

Ao protestante foi ensinado renunciar a cruz (o sofrimento). 
Por isso, o Protestante, o vampiro e o Diabo odeiam a Cruz.

Qual a única Igreja que ensina todas estas coisas?


Qual a única Igreja que, além de ter sido fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, ensina tudo o que Ele ensinou?

Ah. Se os protestantes pudessem, arrancariam estas passagens de suas Bíblias.


fonte: http://confrariadesaojoaobatista.blogspot.com/2010/03/sete-ordens-que-jesus-nao-deveria-ter.html

O Inferno e o Pecado Mortal

Novíssimos - Introdução sobre:

O INFERNO E O PECADO MORTAL

O INFERNO

DOUTRINA DA IGREJA CATÓLICA

As almas dos que morrem em estado de pecado mortal vão ao Inferno (Verdade de Fé - DOGMA).
«Morrer em pecado mortal, sem arrependimento e sem dar acolhimento ao Amor misericordioso de Deus, é a mesma coisa que morrer separado d'Ele para sempre, por livre escolha própria».
«E é este estado de auto-exclusão definitiva, da Comunhão com Deus e com os Bem-aventurados, que se designa pela palavra "Inferno"». (Catecismo da Igreja Católica, n.º 1033)
«A Doutrina da Igreja afirma a existência do Inferno e a sua eternidade».
«As almas, dos que morrem em estado de pecado mortal, descem, imediatamente depois da morte, aos infernos, onde sofrem as penas do Inferno, "o fogo eterno"».
«A principal pena do Inferno consiste na Separação eterna de Deus, único em Quem o homem pode ter a vida e felicidade para que foi criado e a que aspira». (Catecismo da Igreja Católica, nº 1035)

sábado, 6 de março de 2010

Santa Francisca Romana - 9 de Março

Francisca Romana

Viúva, Religiosa, Santa
1384-1440
 

Francisca Romana tem uma importância muito grande na história da Igreja, por ser considerada exemplo de mulher cristã a ser seguido por jovens, noivas, esposas, mães, viúvas e religiosas, pelo modelo que foi. 



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Francisca Bussa de Buxis de Leoni nasceu em 1384, em uma nobre e tradicional família romana cristã e, desde jovem, manifestou a vocação para uma vida de piedade e penitência. Queria ser uma religiosa, mas seu pai prometeu-a em casamento ao jovem Lourenço Ponciano, também cortejado por ser nobre e muito rico. Contudo, era um bom cristão e os dois se completaram, social e espiritualmente. Tiveram filhos, cumpriam suas obrigações matrimoniais, com sobriedade e serenidade, respeitando todos os preceitos católicos de caridade e benevolência. Dedicavam tanto tempo aos pobres e doentes que sua rica casa acabou se transformando em asilo, ambulatório, hospital e albergue, para os necessitados e abandonados.

O casal teve seis filhos que deveriam ser apenas fontes de felicidade para os pais, porém acabaram por se tornar a origem de muita dor e sacrifício. Numa sucessão de acontecimentos Francisca viu morrer três de seus filhos. Roma, naquela época, atravessou períodos terríveis de sua história, sendo flagelada por duas guerras, revoluções, epidemias, fome e miséria. Francisca ainda assistiu outro dos filhos ser feito refém, enquanto o marido se tornava prisioneiro, depois de ferido na guerra. Mesmo assim, continuou sua obra de caridade junto aos necessitados, vendendo quase tudo que tinha para mantê-la. Foi justamente nesse período que recebeu o título de "Mãe de Roma". 

INFORMAÇÃO SOBRE O BLOG

A partir de agora, o Pale ideas será apenas para blogar sobre a Igreja Católica Apostólica Romana e tudo o que lhe diz respeito. Aos poucos ireis transferir os demais textos para meus outro blog: judamore.

Giulia d'Amore di Ugento - 06/03/2010

ABORTO - O GRITO SILENCIOSO

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