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sábado, 27 de setembro de 2025

O FRADE QUE NÃO SE CONFESSAVA



O FRADE QUE NÃO SE CONFESSAVA



O sacramento da confissão é a certeza da salvação. Infelizmente muitas pessoas abandonaram os confessionários porque são orgulhosas e arrogantes. Dizem que não precisam de padres, que se confessam diretamente a Deus, entre outras desculpas esfarrapadas. Outros confessam-se apenas uma vez por ano, que é o mínimo prescrito pela Igreja. A confissão precisa ser frequente. Devemos confessar os pecados graves, mas também os pecados veniais.

Havia um frade nos tempos de São Francisco que vivia uma falsa vida de santidade. E por isso fez um voto de silêncio e não queria nem sequer confessar-se. Claro, se ele se confessasse, o seu vigário saberia o quão pecador ele era, saberia que aqueles ares de santidade eram falsos e que na verdade o frade estava-se a esconder no convento. Ele não se confessava porque era orgulhoso e arrogante, não tinha humildade para reconhecer-se pecador e tentar mudar de vida. Ao invés preferia ocultar seu rosto com uma máscara de santidade e acolher os aplausos de todos.

Existem muitas pessoas assim hoje em dia, aparentam ser santas por causa de suas atitudes exteriores. São elogiadas por todos e tidas como santas, mas no fundo não são nada disso. Mas o seráfico Pai Francisco de Assis, só de olhar para o frade percebeu a farsa. Francisco tinha espírito profético e com isso conseguiu ver além das aparências do frade, conseguiu ver o que ninguém via. Enquanto todos o louvavam e elogiavam, o poverello comentou: "Deixai-vos disso, irmãos, não louveis o seu diabólico fingimento. Podeis ficar sabendo que isso é uma tentação do demônio e engano. Tenho certeza, e o facto de não querer confessar-se é uma prova". O homem de Deus tinha certeza do que estava a dizer porque o Senhor o tinha revelado.

Pobres de nós, míseros pecadores, que por pouca intimidade com Deus nos deixamos enganar por tantos falsos profetas, tantos falsos pastores que são lobos com pele de cordeiro e usam da palavra de Deus para usurpar, para extorquir o povo tão necessitado, tão sofrido e tão desenganado.

Sejamos como Francisco, astutos como as serpentes e simples como as pombas, para não nos deixarmos levar por qualquer vento de doutrina estranha e reconhecer que apenas um católico de verdade pode ser verdadeiramente santo, sustentar a sua santidade até o fim, e tê-la reconhecida por Deus e pela sua Igreja ao contrário destes charlatões que retornam ao seu vómito, duplicando os seus crimes e afastando-se cada vez mais da graça de Deus. Que assim seja, amém. Paz e bem!

domingo, 20 de agosto de 2023

Como confessar. De São Francisco de Sales

Exemplo de como confessar um pecado





(Na confissão) "Não deixe de acrescentar o que é necessário para fazer bem compreender o tipo de pecado, como o motivo que o(a) fez ficar com raiva ou o(a) fez aceitar o vício de alguém.  

Por exemplo, se um homem de quem não gosto me provoca com algumas palavras levianas, por brincadeira, eu levo mal e fico com raiva: coisa que se a tivesse feito outra pessoa de quem gosto teria aceitado mais tranquilamente, mesmo que esta tivesse exagerado na brincadeira. Esclarecerei, portanto, com clareza ao confessor: deixei-me levar pela raiva contra uma pessoa porque levei a mal o que ela me disse, não pelas palavras em si, mas porque não gosto de quem as disse".

São Francisco de Sales.

Tradução: Giulia d'Amore para o blog Pale Ideas. 

       

terça-feira, 1 de agosto de 2023

Da dilação da penitência

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DA DILAÇÃO DA PENITÊNCIA 


Não pode o pecador contar com a penitência no fim da vida? 

Não!, diz S. Agostinho, que a ordinária punição dos presumidos na misericórdia divina é esquecerem-se de si na enfermidade, depois de se terem esquecido de Deus em saúde.

Voltaram-me as costas, e não o rosto, e dirão no tempo da aflição: Levantai-vos e livrai-nos! Onde estão os teus deuses que fabricaste para ti? Levantem-se e te livrem no tempo da aflição”! (Jer. 2, 27-28).

Referem as Sagradas letras o consolador exemplo da tardia conversão do bom ladrão, para que não desespere pecador algum; porém, nota S. Agostinho, é este só, para que ninguém seja temerário de diferir[1] a penitência.  


Que conceito devemos fazer dos que só na hora da morte se convertem? 

domingo, 26 de junho de 2016

O DEMÔNIO MUDO

Discípulo. — Padre, o senhor há pouco falou no "demônio mudo"; o quê vem a ser esse demônio mudo?

Mestre — É o demônio da impureza ou desonestidade. O próprio Jesus chama-o assim no Santo Evangelho.

D. — Mas o que é essa impureza ou desonestidade?
M. — São todos os pecados proibidos pelo sexto e nono mandamentos, isto é, as más ações, os maus olhares, os maus desejos e as infidelidades e malícias no matrimônio.

D. — Então a impureza é um pecado muito grave?
M. — É um pecado gravíssimo e abominável diante de Deus e dos homens. Abaixa os que o cometem às condições dos brutos, é causa de muitos pecados e provoca os maiores e terríveis castigos nesta e na outra vida. A Sagrada Escritura chama os pecados de impureza pelos nomes mais baixos: "crime péssimo, coisa detestável, horrível infâmia sem nome". São Paulo então, diz claramente: "Neque molles, neque fornicarii, neque adulteri... regnum Dei possidebunt". "Vida desonesta, morte impenitente". Isto quer dizer que nem os moles, que pecam sozinhos; nem os devassos; nem os adúlteros, que são infiéis no matrimônio, possuirão o reino de Deus!

D. — Pobres de nós! Devemos então estar sempre alerta.
— Certamente! Os santos Padres são todos da mesma opinião quando dizem que a impureza é o pecado que atrai maior número de almas para o inferno.

D. — Devéras?

domingo, 8 de março de 2015

TERCEIRA DOMINGA DE QUARESMA

TERCEIRA DOMINGA DE QUARESMA





Já publicamos aqui o excelente sermão de Pe. Antonio Vieira em ocasião do Terceiro Domingo de Quaresma, em capítulos, porque um tanto longo, mas verdadeiramente salutar para a alma do penitente que busca a confissão perfeita, para mais perfeitamente recuperar a amizade de Deus, a paz de espírito e o Céu.  

http://minhateca.com.br/paleideas/Documentos/BLOG/CONFISS*c3*83O+PERFEITA+-+PE.+ANTONIO+VIEIRA+-+PALE+IDEAS+-+3+dominga+de+quaresma,341839612.pdf
BAIXE O TEXTO COMPLETO
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domingo, 28 de dezembro de 2014

O dom da pureza

O dom da pureza





Pureza, pureza, pureza!, exclamava Santa Maria Madalena de' Pazzi às suas religiosas, todas as vezes que elas se preparavam para receber a Santa Comunhão. Pureza de corpo, pureza de alma, pureza de coração, para receber o Deus de toda pureza. Digo-lhes a mesma coisa, meus caros auditores: sede puros, se quiserdes receber o Rei das almas puras; sede puros, se quiserdes abrigar em vosso coração o Rei das virgens. Pureza, pureza; sem o quê, no lugar de vos tornardes santos, vós vos tornareis sacrílegos; no lugar de crescerdes na graça de Deus, incorrereis cada vez mais em vossa desgraça.

Sabeis o que fazeis quando recebeis vosso Deus em um coração impuro, manchado pelo pecado mortal? Forçais Jesus a habitar com o demônio. Pois, quando tendes um pecado mortal na alma, o Demônio aí reina como mestre. Aí ele está como sobre seu trono, de modo que recebendo Jesus nesse estado, forçais o doce Salvador a se colocar sob os pés do Demônio, o relegais a um canto de vosso coração, como um estranho desconhecido que é desprezado.


Raios da Justiça divina, por que estais mudas? Ribombem completamente para vingar um ultraje tão atroz cometido contra o Deus de majestade! Não, aquele que recebe Deus em estado de pecado mortal não merece nenhuma compaixão, não é digno de piedade. Que crime! Um Deus aos pés do demônio! Um Deus aos pés do demônio! Ouvi-me bem. Se um homem distinto viesse até vossa casa e pedisse para passar uma noite, teríeis coragem de mandá-lo se deitar em uma cama de um leproso completamente coberto de feridas e de pus? Não obstante ousais, por uma comunhão feita em estado de pecado mortal, colocar sob os pés do Demônio o vosso Salvador, o vosso Deus! Ó! Que crime hediondo! Que desordem abominável!
Um dia Santa Margarida de Cortona, assistindo à Missa, viu, na elevação, Jesus Menino entre as mãos do padre. Porém as mãos eram horríveis, repugnantes e mais negras que o carvão, e esse padre desafortunado tinha o aspecto de um Demônio. Ao mesmo tempo, a Santa ouviu o Menino divino lhe dizer com um tom lamuriento: “Veja, veja Margarida, como sou tratado por esse miserável, assim como por centenas e milhares de outros, que me recebem em estado de pecado mortal”.  


Ah! meu doce Jesus, compreendo bem porque eles vos tratam indignamente, pois eles vos forçam a viver em companhia dos Demônios. Ó! Que crime! Que desordem horrível! Não há aqui nenhum desses pecadores sacrílegos? Ah! para pecado semelhante um Inferno será pouco demais, ele merece mil deles. E aí daquele que durante essa Santa Missão não abraçar a penitência com fervor!

Porém percebo, infelizmente!, que esses infelizes têm o coração duro demais e não estão dispostos a chorar por suas execráveis malícias. Então o façamos por eles, meus irmãos, e, prostrados diante do Santíssimo Sacramento, peçamos perdão a Jesus por tantos sacrilégios que foram cometidos na Igreja de Deus. Ah! Senhor, quantas vezes vossos fiéis, vossos próprios ministros profanaram vossos templos, vossos altares! Quantos sacrilégios horríveis são cometidos por toda parte! Que excesso de misericórdia vos é necessário para perdoar crimes tão grandes! Ah! Perdoe, Senhor, perdoe: Parce, Domine, parce.

Batamo-nos todos no peito, dizendo: Perdão, ó meu Jesus, perdão! Ei-nos aqui aos vossos pés, Senhor, aflitos, contritos, dispostos a odiar todos os nossos pecados, sem exceção, mas particularmente aqueles que cometemos ao vos ultrajar no Sacramento de vosso amor. Ó bondade, ó majestade, ó beleza infinita! Como ousamos vos ofender, estando nós obrigados a vos amar? Perdão, ó meu amável Jesus, perdão!

Porém como satisfaremos a Justiça divina por tais crimes? São João Crisóstomo diz que a boca do cristão que comunga se enche de fogo: Os quod igne spirituali repletur. De um fogo que consome e inflama: que consome a mancha de todos os pecados que cometemos e de todos os maus hábitos que contraímos. Que inflama de amor nosso coração, nossos sentidos, e todas as potências do nosso ser, e renova o homem inteiro. Mas tudo isso deve ser entendido daqueles que comungam em estado de graça, e fazem um uso adequado desse Sacramento divino. Quanto a vós, pecador, não vedes o abismo onde vos precipitardes? Ficai atento, pois o raio da Ira divina está suspenso sobre vossa cabeça: muitos doutores ensinam que o castigo mais comum cujo Deus puni os pecadores sacrílegos, tais como vós, é, sabeis qual? uma morte súbita. Ficai atento para que esse castigo terrível não vos atinja. Assim, a fim de evitar o golpe, faças a tempo uma boa confissão.

Consequentemente, a prática que vos recomendo nessa noite, e que é outrossim a mais necessária, é uma boa e santa confissão. Confessai-vos bem, meus irmãos, confessai-vos bem. Após terdes feito uma boa confissão, fareis também uma boa e santa comunhão.

São Leonardo de Porto Maurício, in: “Sermons, exortations et confèrences pour les missions”.
  

domingo, 7 de dezembro de 2014

DA CONFISSÃO PERFEITA (X)

Edição de referência:
Sermões, Padre Antônio Vieira, Erechim: Edelbra, 1998.
   


Sermão da Terceira Dominga da Quaresma

NA CAPELA REAL. ANO 1655


Cum ejecisset daemonium, locutus est mutus, et admiratae sunt turbae. [1]



X

Confessar as confissões é dobrar o remédio sobre si mesmo. Como fazê-lo bem? Com tempo suficiente e confessor douto, timorato e de valor.

De todo este discurso se colhe, se eu me não engano, com evidência, que há muitos escrúpulos no mundo de que se faz pouco escrúpulo, que há confissões em que fala o mudo e não sai o demônio, e que, suposta a obrigação de se confessarem todos os pecados, se devem também confessar estas confissões. Grande mal é não sarar com os remédios; mas adoecer dos remédios ainda é mal maior. E quando se adoece dos remédios, que remédio? O remédio é curar-se um homem dos remédios, assim como se cura das enfermidades. Este é o caso em que estamos. O remédio do pecado é a confissão, mas se as minhas confissões, em lugar de me tirarem os pecados, por minha desgraça mos acrescentam mais, não há outro remédio senão dobrar o remédio sobre si mesmo e confessar as confissões, assim como se confessam os pecados. Daqueles que tornam a recair nos pecados passados, dizia Tertuliano, que faziam penitência da penitência e que se arrependiam do arrependimento. Se os maus se arrependem dos arrependimentos, os que devem e querem ser bons, por que se não confessarão das confissões? Uns o devem fazer pela certeza, outros o deverão fazer pela dúvida, e todos é bem que o façam pela maior segurança.


Para que esta confissão das confissões saia tal que não seja necessário tornar a ser confessada, devemos seguir em tudo o exemplo presente de Cristo na expulsão deste diabo mudo, Primeiramente: Erat ejiciens (Le. 11, 14). Todos os outros milagres fazia-os Cristo em um instante: este de lançar fora o demônio, não o fez em instante nem com essa pressa, senão devagar e em tempo. É necessário primeiro que tudo a quem houver de reconfessar as suas confissões, tomar tempo competente, livre e desembargado de todos os outros cuidados, para o ocupar só neste, pois é o maior de todos. Cum accepero tempus, ego justitias judicabo (Sl. 74, 3): Eu tomarei tempo, diz Deus, para julgar as justiças. – Se Deus, para examinar e julgar as consciências dos que governam, diz que há de tomar tempo, como poderão os mesmos que governam julgar as suas consciências e examinar os seus exames, se não tomarem tempo para isto? Dirá algum que é tão ocupado que não tem este tempo. E há tempo para o jogo? E há tempo para a quinta? E há tempo para a conversação? E há tempo, e tantos tempos, para outros divertimentos de tão pouca importância, e só para a confissão não há tempo? Se não houver outro tempo, tome-se o do ofício, tome-se o do tribunal, tome-se o do concelho. O tempo que se toma para fazer melhor o ofício não se tira do ofício. Mas para acurtar de razões, pergunto: Se agora vos dera a febre maligna, como pode dar, havíeis de cortar por tudo para acudir à vossa alma, para tratar de vossa consciência? Sim. Pois o que havia de fazer a febre, por que o não fará a razão? O que havia de fazer o medo e a falsa contrição na enfermidade, por que o não fará a verda¬deira resolução na saúde?

Tomado o tempo, e tomado a qualquer força e qualquer preço, segue-se a eleição do confessor. Quem aqui obrou o milagre foi Cristo: Erat Jesus ejiciens daemonium (Le. 11,14). O confessor está em lugar de Cristo, e quem há de estarem lugar de Deus-homem, é necessário que seja muito homem e que tenha muito de Deus. Non confundaris confiteri peccata, et ne subjicias te omni bomini pro pecca to.[32] Não vos corrais de confessar os vossos pecados, diz o Espírito Santo, mas adverti que na confissão deles não vos sujeiteis a qualquer homem. – Se a saúde do corpo, que alfim é mortal e há de acabar, a não fiais de qualquer médico, a saúde da alma, de que depende a eternidade, por que a haveis de fiar de qualquer confessor? Indouto, claro está que não deve ser; mas não basta só que seja douto, senão douto e timorato. Confessor que saiba guiar a vossa alma e que tema perder a sua. Confessou Judas o seu pecado aos príncipes dos sacerdotes: Peccavi tradens sanguinem justum (Mt. 27, 4). E eles, que lhe responderam? Quid ad nos? Tu videris: E a nós que se nos dá disto? Lá te avém. – Vede que sacerdotes, que nem se lhes dava da sua consciência, nem da do penitente que se lhes ia confessar! Haveis de escolher confessor que se lhe dê tanto da vossa consciência como da sua. E basta que seja douto e timorato? Não basta. Há de ser douto e timorato, e de valor. É tal a fraqueza humana, que até no tribunal de Cristo se olha para os grandes como grandes, e se lhes guardam respeitos, quando se lhes não faça lisonja. Andando Filipe II à caça, foi-lhe necessário sangrar-se logo, e chamaram o sangrador de uma aldeia, porque não havia outro. Perguntou-lhe o rei se sabia a quem havia de sangrar. Respondeu: Sim: a um homem. – Estimou o grande rei este homem como merecia, e serviu-se dele dali em diante. Com semelhantes homens se hão de curar no corpo e na alma os grandes homens. Com homens que sangrem a um rei como a um homem.

Posto aos pés deste homem, e nele aos pés de Deus, fale o mudo com tal verdade, com tal inteireza e com tal distinção do que confessou ou não confessou, dos propósitos que teve ou não teve, da satisfação que fez ou deixou de fazer, que de uma vez, e por uma vez acabe de sair o demônio fora. E seja com tão viva detestação de todos os pecados passados, com tão firme resolução da emenda de todos eles e com tão verdadeira e íntima dor de haver ofendido a um Deus infinitamente amável e sobre todas as coisas amado, que não só saia o demônio para sempre, e para nunca mais tornar, mas que já esteja lançado da alma quando falar o mudo: Et cum ejecisset daemonium, locutus est mutus.
   

sábado, 6 de dezembro de 2014

DA CONFISSÃO PERFEITA (IX)

Edição de referência:
Sermões, Padre Antônio Vieira, Erechim: Edelbra, 1998.
   


Sermão da Terceira Dominga da Quaresma

NA CAPELA REAL. ANO 1655


Cum ejecisset daemonium, locutus est mutus, et admiratae sunt turbae. [1]



IX

Quando? Quando fazem os ministros o que fazem, e quando fazem o que devem fazer? Antigamente estavam os tribunais às portas das cidades: agora estão as cidades às portas dos tribunais. Efeitos terríveis das dilações no atender os requerimentos. Cristo e seu requerimento ao Pai no Horto das Oliveiras. O desengano, grande alívio para os não despachados.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

DA CONFISSÃO PERFEITA (VIII)

Edição de referência:
Sermões, Padre Antônio Vieira, Erechim: Edelbra, 1998.
   


Sermão da Terceira Dominga da Quaresma

NA CAPELA REAL. ANO 1655


Cum ejecisset daemonium, locutus est mutus, et admiratae sunt turbae. [1]





VIII

Quomodo? Por que modos? O labirinto mais intrincado da consciência. O morgado de Jacó, os direitos de Esaú e os sete enganos de Rebeca? Davi e a corte de Saul. Falta de escrúpulos de Jacó.

Quomodo? Por que modo ou por que modos? Somos entrados no labirinto mais intrincado das consciências, que são os modos, as traças, as artes, as invenções de negociar, de entremeter, de insinuar, de persuadir, de negar, de anular, de provar, de desviar, de encontrar, de preferir, de prevalecer, finalmente de conseguir para si ou alcançar para outrem, tudo quanto deixamos dito. Para eu me admirar, e nos assombrarmos todos do artifício e sutileza do engenho ou do engano com que estes modos se fiam, com que estes teares se armam, com que estes enredos se tramam, com que estas negociações se tecem, não nos serão necessárias as teias de Penélope nem as fábulas de Ariadne, porque nas Histórias Sagradas temos uma tal tecedeira, que na casa de um pastor honrado nos mostrará quanto disto se tece na corte mais corte do mundo.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

DA CONFISSÃO PERFEITA (VII)

Edição de referência:
Sermões, Padre Antônio Vieira, Erechim: Edelbra, 1998.
   


Sermão da Terceira Dominga da Quaresma

NA CAPELA REAL. ANO 1655


Cum ejecisset daemonium, locutus est mutus, et admiratae sunt turbae. [1]

  




VII

Cur? Por quê? Por dinheiro? O escrúpulo dos motivos. O respeito, pior que o dinheiro. Pilatos e o respeito a César. Os juízes de Samaria e a condenação de Nabot. Pilatos, Judas, e a condenação de Cristo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

DA CONFISSÃO PERFEITA (VI)

Edição de referência:
Sermões, Padre Antônio Vieira, Erechim: Edelbra, 1998.
   


Sermão da Terceira Dominga da Quaresma

NA CAPELA REAL. ANO 1655


Cum ejecisset daemonium, locutus est mutus, et admiratae sunt turbae. [1]

  




VI

Quibus auxiliis? Com que meios? Três dedos e uma pena, o ofício mais arriscado do governo humano. A escrita fatal do festim de Baltasar. Os ministros da pena e as parteiras do Egito. O texto obscuro de Davi. Importância dos escribas. Comparação do profeta Malaquias. Etimologia de calamidade. As penas dos quatro evangelistas. Os massoretas e a pontuação das Escrituras Sagradas. As arrecadas da Esposa do Cântico dos Cânticos.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

DA CONFISSÃO PERFEITA (V)

Edição de referência:
Sermões, Padre Antônio Vieira, Erechim: Edelbra, 1998.
   


Sermão da Terceira Dominga da Quaresma

NA CAPELA REAL. ANO 1655


Cum ejecisset daemonium, locutus est mutus, et admiratae sunt turbae. [1]

  




V

Ubi? Onde? Escrúpulo dos que assinalam o onde e dos que o aceitam. Onde põe Portugal seus ministros da fé e dos estados. Quanto mais longe, tanto hão de ser os sujeitos de maior confiança. A parábola dos talentos e a honestidade dos criados nas regiões longínquas. O profeta Habacuc e o escrúpulo dos escolhidos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

DA CONFISSÃO PERFEITA (IV)

Edição de referência:
Sermões, Padre Antônio Vieira, Erechim: Edelbra, 1998.
   


Sermão da Terceira Dominga da Quaresma

NA CAPELA REAL. ANO 1655


Cum ejecisset daemonium, locutus est mutus, et admiratae sunt turbae. [1]

  




IV
 
Quid? O quê? O que faz? Que eleições? O escrúpulo das eleições. A predestinação e a parábola do profeta Isaías. A confissão de Arão e as consequências desastrosas do seu pecado.

Quid? Quê? Depois de o ministro examinar que ministro ou que ministros é, segue-se ver o que faz. Um dia do juízo inteiro era necessário para este exame. Quid? Que sentenças? Que despachos? Que votos? Que consultas? Que eleições? Mas paremos nesta última palavra, que é a de maiores escrúpulos e que envolve comumente todo o quid?

domingo, 30 de novembro de 2014

DA CONFISSÃO PERFEITA (III)

Edição de referência:
Sermões, Padre Antônio Vieira, Erechim: Edelbra, 1998.
   


Sermão da Terceira Dominga da Quaresma

NA CAPELA REAL. ANO 1655


Cum ejecisset daemonium, locutus est mutus, et admiratae sunt turbae. [1]

  




III

Confessionário geral de um ministro cristão: Quis? Quem sou eu? O escrúpulo dos cargos. Quantos ofícios tenho? Assim como o sol, o homem não pode presidir a mais de um hemisfério. A Adão foram dados três ofícios, dos quais não soube dar conta. Escrúpulos da alma santa dos Cânticos e de Moisés, grão-ministro de Deus e de sua república.

sábado, 29 de novembro de 2014

DA CONFISSÃO PERFEITA (II)

Edição de referência:
Sermões, Padre Antônio Vieira, Erechim: Edelbra, 1998.
   


Sermão da Terceira Dominga da Quaresma

NA CAPELA REAL. ANO 1655


Cum ejecisset daemonium, locutus est mutus, et admiratae sunt turbae. [1]

  




II  

As confissões em que o mudo fala e o demônio fica. Há homens que ainda depois de falar continuam mudos, porque falam no que dizem e são mudos no que calam. O pecado e a confissão de Arão.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

DA CONFISSÃO PERFEITA

Garimpada na web, esta obra de Pe. Antônio Vieira é uma aula sobre a confissão. O texto foi publicado como estava e não foi corrigido, a não ser em pequenos erros de provável digitação. Façamos bom proveito dele! 

Baixe o sermão completo no fim da página!

Giulia d'Amore



Edição de referência:
Sermões, Padre Antônio Vieira, Erechim: Edelbra, 1998.
   


Sermão da Terceira Dominga da Quaresma

NA CAPELA REAL. ANO 1655


Cum ejecisset daemonium, locutus est mutus, et admiratae sunt turbae. [1]

  






O milagre deste dia representa o mistério da Confissão perfeita, o mudo fala depois da expulsão do demônio. Na parábola das bodas o pecador é condenado por não falar. Na parábola do filho pródigo, auto sacramental da confissão, o pecador é condenado antes de falar. As piores confissões. as em que o mudo fala e o demônio fica, como no caso de Judas. A confissão das confissões será a matéria do presente sermão. Como a turba que presenciou o milagre, o autor se admira das confissões malfeitas.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

EM QUE TE OCUPAS?

EM QUE TE OCUPAS?


Queixava-se um jovem ao seu confessor, dizendo-lhe que ouvia mal a missa.
- Que fazes durante a Missa? Em que te ocupas?
- Não faço outra coisa senão chorar os meus pecados.
- Continua, meu amigo; desse modo ouves muito bem a missa.



TESOURO DE EXEMPLOS N. 268 - Padre Francisco Alves (livro, compre aqui).

  
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domingo, 23 de novembro de 2014

O FUNESTÍSSIMO “POR QUÊ”



D. — Diga-me, Padre; qual será o primeiro “por quê” de tantas confissões mal feitas?

M. — Os “por quês” podem ser diversos, mas o principal é sem dúvida “o medo”, ou seja a maldita vergonha pela qual o demônio fecha a boca de muitos, fazendo-os calar ou confessar mal certos pecados ou o número deles. Você sabe como é que o demônio age quando quer induzir alguém ao pecado? Cerca o infeliz de mil maneiras, vai-lhe sugerindo: 

“— Ora, cometa à vontade esse pecado... Afinal não é assim tão grave. Deus é bom... Ele não o quer castigar... Depois, com uma confissão Ele o perdoa e esta tudo acabado..."
  
E assim, batendo hoje, batendo amanhã, e sempre na mesma tecla, o demônio acaba triunfando, ou seja fazendo cometer e talvez até repetir os pecados. Depois, então, quando o coitado, roído pelo remorso, resolve confessar-se, o demônio muda de tática. Novamente trata de impedir que Deus tome conta dessa alma, dizendo: 
— “Como ousas confessar esse pecado? O confessor ficará surpreendido, há de ralhar contigo, levá-lo-á a mal e é provável que te negue a absolvição. Ora, vamos, não temas, confessar-te-ás depois... Há tempo de sobra... Há sempre tempo para isso". 

domingo, 14 de setembro de 2014

Loreto desconfessada - como o Modernismo está destruindo a Fé

Deparei-me, por acaso, com este artigo escrito por Alessandro Gnocchi, companheiro inseparável de Mario Palmaro, falecido em março passado, com quem dividiu a pena em vários livros de leitura agradável, que lembra o inesquecível Giovannino Guareschi. Em minha modesta opinião, deve ter feito um passeio em Loreto e voltou de lá escandalizado com a maneira "moderna" de confessar da igreja de Francisco. Eu estava pesquisando algo e encontrei uma "resposta" de algum responsável de Loreto ao artigo de Gnocchi, publicado em Il Foglio, no dia 10 de setembro passado, e que, pela resposta, parecia mais preocupado em indicar um local físico para Gnocchi, do que explicar por que eliminaram um sacramento da igreja, substituindo-o com conversas fiadas que mantêm o homem escravo do pecado, doente, sujeitado a ir para o Inferno... Os grifos e textos entre [colchete] são nossos. 

 

Loreto desconfessada 

por Alessandro Gnocchi para “Il Foglio”. 

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Se, em um dia de final de verão, um peregrino se aventurasse no Santuário de Loreto, em busca de um confessor, tome cuidado ao circular entre os confessionários colocados ao redor da Santa Casa. Procure, ao invés disso, alguma capela menor, pode ser que encontre um frade acomodado em uma cadeira, um fiel nem sempre de joelhos e um pequeno grupo em apressada espera: isso significa que chegou onde pretendia.

Mas, sobretudo, se abstenha
o peregrino de bisbilhotar com o olhar a Capela dos eslavos, onde um lacônico cartaz adverte, em letras garrafais: “Aqui, não confissões, mas diálogo e escuta”, e um oportuno folheto explica que o "Ponto de escuta" é ativo todos os dias, das 10:00 às 12:00 e das 16:00 às 18:00. Ali, a um pulo da casa na qual Maria disse o seu "Sim" ao Anjo que lhe anunciava a Encarnação do Verbo, as almas não encontram o bálsamo celestial que cure suas feridas, mas o pão dormido da tagarelice mundana.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

TU E A CONFISSÃO

TU E A CONFISSÃO



Por Daniel A. Lord, S. J.

 


É PARA TODOS. 

Nosso Senhor instituiu a Confissão para todos. Por isto, todos os católicos se confessam.

O Santo Padre, como qualquer outro homem, ajoelha-se perante seu confessor e diz seus pecados. Uma das primeiras coisas que a criança aprende é fazer uma boa Confissão. A Igreja aconselha seus membros de se confessarem antes da maior parte das ações importantes da vida. E, no fim, quando a morte está lançando a sua sombra, na antecipação do voo rápido da alma para a Eternidade, a graça mais importante que pode ter um moribundo é uma boa Confissão.

Pecadores, depois de uma vida de pecados e vícios, podem achar o caminho de volta para Deus somente pelo arrependimento e a Confissão.

Mas, os Santos gostam de se confessar; pois, depois de ter referido seus pecados e sentido a inefável misericórdia e amor de Deus, verificam quão perto estão de Deus.

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