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segunda-feira, 22 de abril de 2019

Aparição de Jesus ressuscitado a sua Mãe Maria Santíssima

Aparição de Jesus ressuscitado a sua Mãe Maria Santíssima


Secundum multitudinem dolorum meorum in corde meo, consolationes tuae laetificaverunt animam meam - "Segundo as muitas dores que provou o meu coração, as tuas consolações alegraram a minha alma" (Ps. 93, 19).


Sumário. Era de justiça que Maria Santíssima, que mais do que qualquer outro tomou parte na Paixão de Jesus Cristo, fosse também a primeira a gozar da alegria da sua ressurreição. Imaginemos vê-la no momento em que lhe aparece o divino Redentor glorificado, acompanhado de grande multidão de Santos, entre os quais São José, São Joaquim e Santa Ana. Oh! Que ternos abraços! Que doces colóquios! Alegremo-nos com a nossa querida Mãe e digamos-lhe: Regina coeli, laetare, alleluia – "Rainha dos céus, alegrai-vos, aleluia!".

I. Entre as muitas coisas que Jesus Cristo fez e os Evangelistas passaram em silêncio, deve, com certeza, ser contada a sua aparição a Maria Santíssima logo em seguida à sua ressurreição. Nem necessidade havia de referi-la, porquanto é evidente que o Senhor, que mandou honrar pais e mães, foi o primeiro a dar o exemplo, honrando sua Mãe com a sua presença visível. Demais, era de inteira justiça que o divino Redentor glorificado fosse, antes de mais ninguém, visitar a Santíssima Virgem; afim de que, antes dos outros e mais do que estes, participasse da alegria da ressurreição quem mais do que os outros participara da paixão.

Um dia e duas noites a divina Mãe ficou entregue à dor pela morte do Filho, mas firme e imóvel na fé da ressurreição; e quando começou a alvorecer o terceiro dia, posta em altíssima contemplação, começou com ardentes suspiros a suplicar ao Filho que abrevia-se a sua vinda.

Enquanto está assim absorta nos seus veementísimos desejos, eis que o seu divino Filho se lhe manifesta em toda a sua glória e claridade; fortalecendo-lhe a vista, tanto a do corpo como a da alma, para que fosse capaz de ver e de gozar a divindade. Oh! Com tão bela aparição como não devia sentir-se satisfeita e contente! Quão ternamente não deviam abraçar-se Filho e Mãe! Quão doces e sublimes não devia ser os colóquios que trocavam!

Avizinhemo-nos, em espírito, de Nossa Senhora, que é também nossa Mãe, e roguemos-lhe que nos permita beijar as chagas glorificadas de Jesus Cristo. – Colhamos deste mistério, como são recompensados por Deus aqueles que acompanham Jesus até ao Calvário, quer dizer, que lhe são fiéis nas tribulações. Cada um pode fazer suas as palavras da Bem-aventurada Virgem: Secundum multitudinem dolorum meorum, consolationes tuae laetificaverunt animam meam – "Segundo as minhas muitas dores, as tuas consolações alegraram a minha alma".

II. Em companhia de Jesus, seu Filho, a divina Mãe viu grande número de Santos, entre os quais o seu Esposo São José, e os seu santos pais, Joaquim e Ana. – Alegraram-se todos com ela, reconhecendo-a por verdadeira Mãe de Deus e agradecendo-lhe os trabalhos e dores sofridas pela Redenção de todos. – Oh! Que satisfação não devia sentir a Virgem, vendo o fruto da Paixão do Filho em tantas almas resgatadas do limbo. Enquanto ela se regozija com Jesus Cristo por tão grande conquista, os anjos ali presentes, ledos e jubilosos, solenizam o dia cantando com melodia celeste: Regina Coeli, laetare, alleluia - "Rainha do céu, alegrai-vos, aleluia". Unamo-nos aos coros dos anjos, unamo-nos com todos os fiéis da Igreja, para nos congratularmos com a divina Mãe, e cantemos também: Regina Coeli, laetare, alleluia.

"Rainha do céu, alegrai-vos; porque o que merecestes trazer em vosso puríssimo seio, ressuscitou como disse. Alegrai-vos, mas ao mesmo tempo, rogai por nós, para que sejamos dignos de ir cantar um dia no reino da glória o eterno alleluia.

"É o que vos peço também, ó Eterno Pai. Sim, meu Deus, Vós que Vos dignastes alegrar o mundo com a ressurreição do Vosso Filho e Senhor nosso Jesus Cristo, concedei-nos, Vos suplicamos, que pela Virgem Maria, sua Mãe, alcancemos os prazeres da vida eterna. Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo." (1)

sábado, 20 de abril de 2019

Sábado Santo - Sto. Afonso Ligório

A SEMANA SANTA DE SANTO AFONSO DE LIGÓRIO: SÁBADO





Sétima dor de Maria Santíssima - Sepultura de Jesus

“Involvit sindome, et posuit eum in monumento - Amortalhou-O no sudário, e depositou-O no sepulcro” (Marc. 15, 46).

Sumário - Consideremos como a Mãe dolorosa quis acompanhar os Discípulos que levaram Jesus morto à sepultura. Depois de O ter acomodado com Suas próprias mãos, diz um último adeus ao Filho e ao Sepulcro, e volta para casa, deixando o Coração sepultado com Jesus. Nós também, à imitação de Maria, encerremos o nosso coração no Santo Tabernáculo, onde reside Jesus, já não morto, mas vivo e verdadeiro como está no Céu. Para isso, é mister que o nosso coração esteja desapegado de todas as cousas da Terra.

I. Quando uma mãe assiste a seu filho que padece e morre, sem dúvida ela sente e sofre todas as penas do filho; mas quando o filho atormentado, já morto, deve ser sepultado e a aflita mãe deve despedir-se dele, ó Deus! O pensamento de o não tornar a ver é uma dor que excede todas as outras dores. Esta foi a última espada que traspassou o Coração aflito de Maria.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Quanto agrada a Jesus a lembrança da Sua Paixão

Quanto agrada a Jesus a lembrança da Sua Paixão


Gratiam fideiussoris ne obliviscaris; dedit enim pro te animam suam – "Não te esqueças da graça que te fez teu fiador, pois ele expos sua alma para te valer" (Ecclus. 29, 20).

Sumário. Quão agradável é a Jesus que nos lembremos da sua Paixão, conclui-se de que o Santíssimo Sacramento foi instituído exatamente para conservar em nós a memória dela. Eis porque todos os santos meditavam continuamente nos sofrimentos e desprezos que o Redentor padeceu em toda a sua vida e particularmente na morte. Procuremos dar esta satisfação ao Coração amabilíssimo de Jesus; contemplemo-lo muitas vezes, mormente na sexta-feira, moribundo por nós, lembrando-nos as penas que com tamanho amor sofreu por nós.

I. Quão agradável é a Jesus Cristo que nos lembremos freqüentemente da sua paixão e da morte ignominiosa que por nós sofreu, conclui-se da instituição do Santíssimo Sacramento do altar, a qual foi feita exatamente para guardar sempre viva a lembrança do amor que nos mostrou Jesus, sacrificando-se sobre a cruz pela nossa salvação. – Já sabemos que Jesus instituiu este Sacramento de amor na véspera da sua morte e que depois de ter dado seu corpo aos discípulos, lhes disse, e na pessoa deles também a nós, que quando tomassem a santa comunhão, anunciassem a morte do Senhor (1), quer dizer, que se lembrassem do muito que por nosso amor sofreu. Por isso, a Igreja ordena que na missa o celebrante diga depois da consagração, em nome de Jesus Cristo: Haec quotiescumque feceritis, in mei memoriam facietis – "Todas as vezes que fizerdes estas coisas, as fareis em memória de mim".

Se alguém padecesse pelo seu amigo injúrias e açoites e depois lhe contassem que o amigo, ouvindo falar disso, nem quer escutar dizendo: Falemos em outra coisa, que pena não havia de sentir de tamanha ingratidão? Que consolação teria, ao contrário, sabendo que o amigo proclama a sua gratidão eterna e dele sempre se lembra e fala com lágrimas de ternura? – Eis porque os santos, sabendo quanto agrada a Jesus Cristo a lembrança freqüente da sua Paixão, se tem aplicado sempre a meditar nas dores e nos desprezos que o amantíssimo Redentor sofreu em toda a sua vida e especialmente em sua morte.

Refere-se na vida do Bem-aventurado Bernardo de Corlione, capuchinho, que, quando os religiosos, seus irmãos, queriam ensiná-lo a ler, foi primeiro tomar conselho com Jesus crucificado. Respondeu-lhe o Senhor: Que leitura! Que livros! Eu, o crucificado, quero ser teu livro, no qual poderás ler o amor que te hei consagrado. – Jesus crucificado foi também o livro predileto de São Filipe Benício. No leito da morte pediu o Santo lhe dessem seu livro. Os assistentes não sabiam qual era o livro que desejava, mas frei Ubaldo, seu confidente, deu-lhe a imagem de Jesus crucificado e então disse o Santo: "É este o meu livro"; e, beijando as chagas sagradas, exalou a sua alma bendita.

II. Visto que Jesus deseja tanto que nos lembremos da sua Paixão, procuremos, ó almas devotas, imitar a Esposa dos Cânticos que dizia: Eu me assentei debaixo da sombra daquele que é o objeto dos meus desejos (2). Representemo-nos muitas vezes, particularmente nas sextas-feiras, Jesus moribundo sobre a cruz. Detenhamo-nos com ternura na consideração prolongada das suas chagas e do amor que nos tinha quando estava agonizando sobre aquele leito de dor: Não te esqueças da graça que te fez teu fiador, porque Ele expos por ti sua alma.

Ó Salvador do mundo, ó amor das almas, ó Senhor, objeto mais digno de todo o amor! É pela vossa Paixão que quisestes ganhar nossos corações, mostrando-nos o amor imenso que nos tendes e consumando uma Redenção que nos trouxe a nós um mar de bênçãos e a Vós Vos custou um mar de dores e de opróbrios. Com tantos prodígios de amor alcançastes que muitas almas santas, abrasadas pelas chamas do vosso amor, renunciassem a todos os bens da terra, para se consagrarem inteiramente a vosso amor, ó Senhor amabilíssimo! – Suplico-Vos, meu Jesus: fazei com que eu me lembre sempre da vossa Paixão, e que, miserável como sou, mas vencido, afinal, por tantas finezas do vosso amor, me renda a Vos amar e a dar-Vos com o meu amor alguma prova de gratidão pelo amor excessivo que Vós, meu Deus e meu Salvador, me haveis tido.

Lembrai-Vos, meu Jesus, que sou uma dessas ovelhas, por cuja salvação viestes à terra sacrificar a vossa vida. Sei que, depois de me haverdes remido pela vossa morte, não deixastes de me amar e que ainda me tendes o mesmo amor que me quisestes ter morrendo por mim. Não permitais que eu viva ainda ingrato para convosco, meu Deus, que tanto mereceis meu amor e tanto haveis feito para ser amado por mim. – É esta a graça que vos peço também, ó Maria, pelos merecimentos da dor que sentistes na Paixão de vosso Filho Jesus. (*I 642.)

Sexta-feira Santa - Sto. Afonso Ligório

A SEMANA SANTA DE SANTO AFONSO DE LIGÓRIO: SEXTA-FEIRA





Morte de Jesus

Et inclinato capite, tradit spiritum - E inclinando a cabeça, rendeu o espírito” (Jo. 19, 30).

Sumário - Contempla como, depois de três horas de agonia, pela veemência das dores, as forças faltam a Jesus; entrega o Corpo ao próprio peso, deixa cair a cabeça sobre o peito, abre a boca e expira... Alma cristã, diz-me: não merece porventura todo o nosso amor um Deus que, para nos salvar da morte eterna, quis morrer no meio dos mais atrozes tormentos? Todavia, como são poucos os que O amam e muitos os que, em vez de O amarem, Lhe pagam com injúrias e ultrajes.

I. Considera que o Nosso amável Redentor é chegado ao fim da Sua vida. Amortecem-se-Lhe os olhos, o Seu belo rosto empalidece, o Coração palpita debilmente, e todo o Sagrado Corpo é lentamente invadido pela morte. Vinde, Anjos do Céu, vinde assistir à morte do Vosso Deus. E Vós, ó Mãe dolorosa, Maria, chegai-Vos mais próxima à Cruz, levantai os olhos para Vosso Filho, e contemplai-O atentamente, porque está prestes a expirar.

Pater, in manus tuas commendo spiritum meum - Pai, em vossas mãos encomendo o meu espírito”. É esta a última palavra que Jesus profere com confiança filial e perfeita resignação com a Vontade divina. Foi como se dissesse: “Meu Pai, não tenho vontade própria; não quero nem viver nem morrer. Se é Vossa Vontade que Eu continue a padecer sobre a Cruz, eis-Me aqui, estou pronto para obedecer sobre esta Cruz; em Vossas mãos entrego o Meu Espírito; fazei de Mim segundo a Vossa vontade. - Tomara que nós disséssemos o mesmo quando temos alguma Cruz, deixando-nos guiar pelo Senhor, conforme o Seu agrado. Tomara que o repetíssemos especialmente no momento da morte! Mas para bem o fazermos, então, devemos praticá-lo muitas vezes em nossa vida.

Entretanto, Jesus chama a Morte que, por deferência, não ousava aproximar-se do Autor da vida, e Lhe dá licença para Lhe tirar a vida. E eis que, finalmente, enquanto treme a Terra, se abrem os túmulos e se rasga o véu do Templo, eis que, pela veemência da dor natural, falha a respiração, Jesus abandona o Corpo ao próprio peso, deixa cair a cabeça sobre o peito, abre a boca e expira: “Et inclinato capite, tradidit spiritum” - Parti, ó bela Alma do Meu Salvador, parti e ide nos abrir o Paraíso, fechado até agora, ide apresentar-Vos à Majestade divina, e alcançai-nos o perdão e a salvação.

As pessoas presentes, voltadas para Jesus Cristo, por causa da força com que proferiu as Suas últimas palavras, contemplamo-No com atenção silenciosa, vêem-No expirar e, notando que não se move mais, dizem: “Morreu, morreu”. Maria ouve que todos o dizem, e Ela também exclama: “Ah, Filho meu, já morrestes; estais morto”.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Quinta-feira Santa - Sto. Afonso Ligório

A SEMANA SANTA DE SANTO AFONSO DE LIGÓRIO: QUINTA-FEIRA





O dia do Amor

Sciens Iesus quia venit hora eius, ut transeat ex hoc mundo as Patrem, cum dilexisset suos, qui erant in mundo, in finem dilexit eos - Sabendo Jesus que era hora de passar deste mundo ao Pai, como tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim” (Io. 13, I).

Sumário - Embora Jesus Cristo em todo o curso de sua vida mortal nos tivesse amado ardentemente e nos tivesse dado mil provas do Seu amor infinito, todavia, quando chegou ao termo dos Seus dias, quis dar-nos a prova mais patente, pela instituição do Santíssimo Sacramento. Aí o Senhor Se faz, não só nosso constante companheiro, mas ainda nosso sustento e Se nos dá todo inteiro. Com muita razão, portanto, Santa Maria Magdalena de Pazzi chamava a Quinta-feira Santa o “dia do Amor”.

I. Um pai amoroso nunca patenteia melhor a sua ternura e o seu afeto para com os filhos do que no fim da sua vida, quando os vê em torno ao seu leito, aflitos e com os olhos em pranto, e pensa que em breve deve abandoná-los. Tira do seu coração e põe sobre os seus lábios o resto de sua vida prestes a extinguir-se, abraça aqueles queridos do seu amor, exorta-os a serem sempre bons, imprime-lhes no rosto os mais ternos beijos, e, misturando as suas lágrimas com as dos filhos, lança-lhes a bênção. Depois, manda trazer o que de mais precioso possui e, dando a cada um uma última lembrança: “Tomai”, diz, “e lembrai-vos sempre do amor que vos tenho dedicado”.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Quarta-Feira Santa - Sto. Afonso Ligório

A SEMANA SANTA DE SANTO AFONSO DE LIGÓRIO: QUARTA-FEIRA



Quarta Dor de Maria Santíssima – Encontro com Jesus, que carrega a Cruz.

Vidimus eum, et non erat aspectus, et desideravimus eum – Vimo-lo, e não havia nele formosura, e por isso nós o estranhámos” (Is. 53, 2).

Sumário - Consideremos o encontro que no caminho do Calvário teve o Filho com Sua Mãe. Jesus e Maria olham-Se mutuamente, e estes olhares são como outras tantas setas que Lhes trespassam o Coração amante. Se víssemos uma leoa que vai após seu filho conduzido à morte, aquela fera havia de inspirar-nos compaixão. E não nos moverá à ternura ver Maria que vai após o Seu Cordeiro Imaculado, enquanto O conduzem à Morte por nós? Tenhamos compaixão d’Ela, e procuremos também acompanhar a Seu Filho e a Ela, levando com paciência a Cruz que nos dá o Senhor.

I. Medita São Boaventura que a Bem-aventurada Virgem passou a noite que precedera a Paixão de Seu Filho sem tomar descanso e em dolorosa vigília. Chegada a manhã, os discípulos de Jesus Cristo vieram a esta aflita Mãe: um a referir-Lhe os maus tratamentos feitos e Seu Filho na casa de Caifás, outro os desprezos que recebeu de Herodes, mais outro a flagelação ou a coroação de espinhos. Em suma, cada um dava a Maria uma nova informação, cada qual mais dolorosa, verificando-se n’Ela o que Jeremias tinha predito: “Non est qui consoletur eam ex omnibus caris eius – Não há quem a console entre todos os seus queridos”.

Veio finalmente São João e lhe disse: “Ah, Mãe dolorosa! Teu Filho já foi condenado à morte e já saiu, levando Ele mesmo a Sua Cruz para ir ao Calvário. Vem, se O queres ver e dar-Lhe o último adeus, em alguma rua, por onde tenha de passar”.

Ao ouvir isto Maria parte com João; e pelo Sangue de que estava a terra borrifada conhece que o Filho já por ali tinha passado. A Mãe aflita toma por uma estrada mais breve e coloca-Se na estrada de uma rua para Se encontrar com o aflito Filho, nada se Lhe dando das palavras insultuosas dos Judeus, que A conheciam como mãe do Condenado. – Ó Deus, que causa de dor foi para Ela a vista dos cravos, dos martelos, das cordas e dos outros instrumentos funestos da morte de Seu Filho! Como que uma espada foi ao Seu Coração o ouvir a trombeta que andava publicando a sentença pronunciada contra o Seu Jesus.

Mas eis que já, depois de terem passado os instrumentos e os ministros da justiça, levanta os olhos e vê, ó Deus!, um Homem todo cheio de sangue e de chagas, dos pés até à cabeça, com um feixe de espinhos na cabeça e dois pesados madeiros sobre os ombros. Olha para Ele, e quase não O conhece, dizendo então Isaías: “Vidimus eum, et non erat aspectus – Nós o vimos e não havia nele formosura”. Mas finalmente o amor Lho faz reconhecer; e o Filho, tirando um grumo de sangue dos olhos, como foi revelado a Santa Brígida, encarou a Mãe, e a Mãe encarou o Filho. Ó olhares dolorosos com que, como tantas frechas, foram então trespassadas aquelas almas amantes!

II. Queria a divina Mãe abraçar a Jesus, como diz Santo Anselmo; mas os insolentes servos A repelem com injúrias, e empurram para diante o Senhor aflitíssimo. Maria, porém, segue – muito embora preveja que a vista de seu Jesus moribundo Lhe causaria uma dor tão acerba que A tornaria Rainha dos Mártires. O Filho vai adiante, e a Mãe, tomando também a sua Cruz, no dizer de São Guilherme, vai após Ele, para ser crucificada com Ele.

Se víssemos uma leoa que vai após seu filho conduzido à morte, aquela fera nos causaria compaixão. E não nos inspirará compaixão o ver Maria que vai após o Seu Cordeiro Imaculado, enquanto O levam a morrer por nós? Tenhamos compaixão por Ela, e procuremos também acompanhar o Filho e a Mãe, levando com paciência a Cruz que nos envia o Senhor. – Pergunta São João Crisóstomo: porque nas outras penas Jesus Cristo quis ser só, mas ao levar a Cruz quis ser ajudado pelo Cireneu? E responde: “Ut intelligas, Christi crucem non sufficere sine tua: Não basta para nos salvar só a Cruz de Jesus Cristo, se nós não levamos com resignação até à morte também a nossa.”

Minha dolorosa Mãe, pelo merecimento da dor que sentistes ao ver o vosso amado Filho levado à morte, impetrai-me a graça de levar também com paciência as Cruzes que Deus me envia. Feliz de mim se souber acompanhar-Vos com a minha Cruz até à morte! Vós e Jesus, sendo inocentes, levastes uma Cruz muito pesada, e eu pecador, que tenho merecido o Inferno, recusarei a minha? Ah, Virgem Imaculada, de Vós espero socorro, para sofrer com paciência as Cruzes.



MEDITAÇÃO DA TARDE



Jesus é crucificado entre dois ladrões.

Crucifixerunt eum, et cum eoa lios duos, hinc et hinc, médium autem Iesum – Crucificaram-no e com ele outros dois, um de uma parte, e outro da outra, e no meio Jesus” (Io. 19, 18).

Sumário. Imaginemos que junto com a divina Mãe presenciamos a crucifixão de Jesus Cristo. Eis que, plantada já a Cruz, o Filho de Deus está neste patíbulo infame, suspenso em suas próprias feridas, e sofre tantas mortes quantos momentos durou aquela longa agonia. Ó Deus! Jesus pensou então em cada um de nós, e a previsão de nossas culpas tornava-Lhe a morte mais dolorosa. Unamo-nos em espírito com a Santíssima Virgem, e aproximemo-nos para beijar a preciosa Cruz com coração contrito e amante.

I. Logo que Jesus chegou ao Calvário, todo exausto de dores e de cansaço, deram-Lhe a beber o vinho misturado com fel, que era costume dar aos condenados à Cruz, para diminuir neles o sentimento da dor. Jesus, porém, querendo morrer sem alívio, provou-o apenas e não quis beber. Depois, tendo-se a multidão colocado em círculo ao redor de Nosso Senhor, os soldados arrancaram-Lhe as vestes, pegadas ao Corpo todo chagado e dilacerado, e com as vestes lhe arrancaram também pedaços da carne. Em seguida, deitaram-No sobre a Cruz. Jesus estende as sagradas mãos e oferece ao Eterno Pai o grande sacrifício de Si mesmo e pede-Lhe que o aceite, pela nossa salvação.

Os soldados furiosos tomam os pregos e os martelos e, trespassando as mãos e os pés de Nosso Salvador, pregam-No na Cruz. Afirma São Bernardo que na crucifixão de Jesus os algozes se serviam de pregos sem ponta para que causassem dor mais violenta. O som das marteladas ressoa pelo monte e chega aos ouvidos de Maria, que se achava perto, acompanhando o Filho. – Ó Mãos sagradas que com Vosso tacto curastes tantos enfermos, porque Vos trespassam agora sobre a Cruz? Ó Pés sacrossantos que Vos cansastes tantas vezes na busca das ovelhas perdidas, que somos nós, porque Vos pregam com tanta dor nesse patíbulo?

Quando se toca apenas num nervo do corpo humano, é tão aguda a dor que causa desmaios e convulsões mortais. Quão grande não terá sido, pois, a dor de Jesus, quando Lhe traspassaram com cravos as mãos e os pés, partes cheias de ossos e nervos? – Ó meu dulcíssimo Salvador, quanto Vos custou a minha salvação e o desejo de ser amado por mim, miserável verme! E, ingrato como sou, tantas vezes Vos tenho recusado o meu amor e virado as costas!

II. Eis que levantam a Cruz com o Crucificado, e a deixam cair com força no buraco aberto no rochedo. Enchem-no em seguida com pedras e paus, e Jesus fica suspenso na Cruz entre dois ladrões até deixar a vida, como havia predito Isaías: “Et cum sceleratis reputatus est – Ele foi posto no número dos malfeitores”. Ó Deus, quanto padece na Cruz o Nosso Salvador moribundo! Cada parte de Seu Corpo tem as suas dores; e uma não pode aliviar a outra, porque as mãos e os pés estão pregados fortemente. Ó Céus!, a cada instante Ele sofre dores mortais. Ora faz firmeza nas mãos, ora nos pés, mas em qualquer parte que seja, sempre se Lhe aumenta a dor, porque o sacrossanto Corpo de Jesus Se apoiava nas próprias feridas.

Se, ao menos, no meio de tantas dores, os presentes se compadecessem de Jesus e o acompanhassem com as lágrimas na Sua agonia amargosa! Não; ao contrário, os Escribas e os Fariseus injuriaram-No e prorrompem em escárnios e blasfémias. E os algozes, feita a partilha das vestes de Jesus e tirada a sorte sobre a túnica, sentam-se indiferentes debaixo do patíbulo, esperando a morte do Salvador.

Minh’alma, no meio de Suas convulsões e de tantos opróbrios o Senhor pensava em ti e via que tu também um dia te havias de juntar a seus inimigos para Lhe tornar a morte mais dolorosa. Mas não desanimes por isso; chega-te humilhada e enternecida à Cruz, junta-te a Tua Mãe Maria e beija o altar no qual morre o Teu amantíssimo Redentor. Coloca-te a Seus pés e faz que aquele divino Sangue corra sobre ti. Roga ao Eterno Pai dizendo, mas em sentido diferente daquele com que o disseram os Judeus: “Sanguis eius super nos – O seu sangue caia sobre nós”. Senhor, venha sobre nós este Sangue, e lave-nos dos nossos pecados! Este Sangue não Vos pede vingança, como o sangue de Abel, mas pede para nós misericórdia e perdão. – Ó Mãe de dores, Maria, rogai a vosso Filho por nós



 


Amanhã, publicamos a meditação da Quinta-feira Santa. Acompanhe. 


       

terça-feira, 16 de abril de 2019

Terça-feira Santa - Sto. Afonso Ligório

A SEMANA SANTA DE SANTO AFONSO DE LIGÓRIO: TERÇA-FEIRA



Jesus é coroado de espinhos e apresentado ao povo

Et plectentes coronam de spinis, posuerunt super caput eius – E entrançando uma coroa de espinhos lha puseram na cabeça" (Math. 27,29).

Sumário - Depois de terem açoitado a Jesus, os algozes, tratando-o como rei de comédia, atiram-Lhe sobre os ombros um manto de púrpura, colocam-Lhe um caniço na mão, e põem-Lhe na cabeça uma coroa de espinhos, na qual batem fortemente com o caniço, afim de que penetre mais. O Senhor ficou reduzido a tão triste estado que Pilatos julgou que comoveria de compaixão os próprios inimigos só com apresentá-Lo. Contemplemo-Lo, também, e, pensando que foi tão maltratado por nosso amor, não tenhamos a crueldade de dizer com os Judeus: “Crucifigatur - Seja crucificado". 

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Segunda-feira Santa - Sto. Afonso Ligório

A SEMANA SANTA DE SANTO AFONSO DE LIGÓRIO: SEGUNDA-FEIRA



Jesus é levado a Pilatos, e a Herodes e posposto a Barrabás

Et vinctum adducerunt eum, et tradiderunt Pontio Pilato pracsidi E preso conduziram e entregaram ao governador Poncio Pilatos” (Math 27,2).

Sumário - Imaginemos ver Jesus Cristo que, em meio de uma multidão de gentalha insolente, é conduzido ao Tribunal de Pilatos, depois ao de Herodes e, afinal, novamente ao de Pilatos. Este, para livrá-lo, apresenta-O ao povo, juntamente com um ladrão e assassino; mas o povo responde: “Seja livre Barrabás, e Jesus seja crucificado”. Ó céus! Todas as vezes que pecamos fizemos o mesmo, pospondo nosso Deus a um vil interesse, a um pouco de fumo, a um vil prazer.

I. Ao amanhecer, os príncipes dos sacerdotes novamente declaram Jesus réu de morte, e depois conduzem-no a Pilatos, afim de que este o condene a morrer crucificado. Pilatos, tendo interrogado diversas vezes, tanto os Judeus como Nosso Salvador, reconhece que Jesus é inocente e que todas as acusações são calúnias. Sai, pois, para fora e declara que não acha em Jesus culpa alguma para condená-lo. Vendo, porém, que os Judeus se empenhavam sumamente em fazê-lo morrer, e ouvindo que Jesus era da Galileia, para tirar-se dos apuros “remisit eum ad Herodem” — “Devolveu-O a Herodes”. 

domingo, 14 de abril de 2019

DOMINGO DE RAMOS - Sto. Afonso de Ligório

A SEMANA SANTA DE SANTO AFONSO DE LIGÓRIO: DOMINGO DE RAMOS


Jesus faz a sua entrada triunfal em Jerusalém.

Ecce rex tuus venit mansuetus, sedéns super asinal et pullum filium subiugalis — "Eis que o teu rei aí vem a ti cheio de mansidão, montado sobre um jumenta e um jumentinho, filho do que está sob o jugo" (Math. 21, 5).

Sumário - Imaginemos ver Jesus na sua entrada triunfal em Jerusalém. O povo em júbilo lhes vai ao encontro,  estende seus mantos na estrada e juncam-na de ramos de árvores. Ah! quem teria dito então que o Senhor, acolhido agora com tão grande honra, dentro de poucos dias teria de passar por ali como réu, condenado à morte? Mas é assim: O mundo muda num instante o Hosana em Crucifige. E, não obstante, isso somos tão insensatos, que, por um aplauso, por um nada, nos expomos ao perigo de perdermos para sempre a alma, o Paraíso e Deus.

I. Estando próximo o tempo da Paixão, o nosso Redentor parte de Betânia para fazer a sua entrada em Jerusalém. Contemplemos a humildade de Jesus Cristo que, sendo Rei do Céu, quer entrar naquela cidade montado numa jumenta. — Ó Jerusalém, eis que o teu rei aí vem humilde e manso. Não temas que Ele venha para reinar sobre ti ou apossar-se das tuas riquezas; porquanto vem a ti cheio de amor e piedade, para te salvar e dar-te a vida pela Sua morte.

O Assunto é... SEMANA SANTA


SEMANA SANTA


AGONIA DE JESUS NO CALVÁRIO - MEDITAÇÃO - http://farfalline.blogspot.com/2014/07/meditacao-da-agonia-de-jesus-no-calvario.html 
AS LENDAS DA PALMEIRA E DO DOM LADRÃO - SANTO DIMAS - http://farfalline.blogspot.com/2012/01/as-lendas-da-palmeira-e-do-bom-ladrao.htm
E EXPIROU... - http://farfalline.blogspot.com.br/2011/04/e-expirou.html 
ET INCLINATO CAPITE, TRADIDIT SPIRITUM - http://farfalline.blogspot.com.br/2012/04/e-dito-isto-expirou.html 
INCLINOU A CABEÇA E EXPIROU - http://farfalline.blogspot.com/2013/03/sexta-feira-santa-inclinou-cabeca-e.html  
LITURGIA - 1º DOMINGO DA PAIXÃO - http://farfalline.blogspot.com/2015/03/i-domingo-da-paixao.html 
LITURGIA - 1º DOMINGO DA PAIXÃO - VELANDO OS CRUCIFIXOS E AS IMAGENS - http://farfalline.blogspot.com/2016/03/1-domingo-da-paixao-velando-os.html  
LITURGIA - DOMINGO DA PAIXÃO - SERMÃO DO REV. PE. CARDOZO - http://farfalline.blogspot.com/2015/04/sermao-rev-pe-ernesto-cardozo-domingo-da-paixao.html 
LITURGIA - DOMINGO DE RAMOS - http://farfalline.blogspot.com/2015/03/dominga-de-ramos.html
LITURGIA - HINO - Quinta-feira Santa: Liberavit Dominus - http://farfalline.blogspot.com.br/2016/03/quinta-feira-santa-liberavit-dominus.html 
LITURGIA - QUINTA-FEIRA SANTA OU DE ENDOENÇAS - http://farfalline.blogspot.com/2015/04/quinta-feira-santa-ou-das-endoencas.html
LITURGIA - TEMPO DA PAIXÃO - http://farfalline.blogspot.com/2014/02/tempo-de-preparacao.html 
LITURGIA: O CICLO DA PÁSCOA: http://farfalline.blogspot.com.br/2011/03/ciclo-da-pascoa.html 
PAIXÃO DE CRISTO - ECCE HOMO - http://farfalline.blogspot.com/2015/03/ecce-homo-de-ligorio.html 
PAIXÃO DE CRISTO – FILME - http://farfalline.blogspot.com/2015/04/filmes-cristiada-paixao-de-cristo.html 
PAIXÃO DE CRISTO - MEDITAÇÃO - DA ESPERANÇA QUE DEVEMOS TER - http://farfalline.blogspot.com/2016/03/a-paixao-de-nosso-senhor-jesus-cristo.html 
PAIXÃO DE CRISTO - REFLEXÕES - http://farfalline.blogspot.com/2010/03/reflexoes-sobre-paixao-de-jesus-cristo.html 
QUANDO A ARTE É CATECISMO - PASSIO DOMINI - MESTRE HANS HEMLING - http://farfalline.blogspot.com/2014/04/quando-arte-e-catecismo-passio-domini.html 
QUE MAL ELE FEZ? - http://farfalline.blogspot.com/2016/03/que-mal-ele-fez.html 
QUINTA-FEIRA SANTA - A VISITAÇÃO DOS SEPÚLCROS - http://farfalline.blogspot.com/2012/04/quinta-feira-santa-visitacao-dos.html 
SEGUNDA-FEIRA DA PAIXÃO - SERMÃO DO REV. PE. CARDOZO - http://farfalline.blogspot.com/2015/04/sermao-rev-pe-ernesto-cardozo.html 
SEMANA SANTA CON LA LEGIÓN ESPAÑOLA - EL NOVIO DE LA MUERTE - http://farfalline.blogspot.com/2016/03/semana-santa-con-la-legion-espanola-el.html
SERMÕES E MEDITAÇÕES DO REV. PE. CARDOZO NA SEMANA SANTA - http://farfalline.blogspot.com/2015/04/sermoes-meditacoes-do-rev-pe-cardozo-na.html
SEXTA-FEIRA SANTA - http://farfalline.blogspot.com.br/2009/04/sexta-feira-santa.html 
SEXTA-FEIRA SANTA OU SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO - http://farfalline.blogspot.com/2013/03/sexta-feira-santa-ou-sexta-feira-da.html 
VÍDEOS PARA LA SEMANA SANTA - http://farfalline.blogspot.com/2015/04/videos-para-la-semana-santa.html 

 

sábado, 24 de março de 2018

Semana Santa em Contagem - MG

AGENDA DA SEMANA SANTA EM CONTAGEM - MG 


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25/03 – Domingo de Ramos: benção dos Ramos e Missa às 19:30. 

26/03 – Missa às 20h, seguida de meditação sobre os personagens da Paixão. 

27/03 – Missa às 20h, seguida de meditação sobre os personagens da Paixão. 

28/03 – Missa às 20h, seguida de meditação sobre os personagens da Paixão. 

29/03 – Quinta-feira Santa: 
19h – Confissão. 
20h – Missa seguida de Adoração diante do Monumento até às 9h da sexta-feira. 

30/03 – Sexta-feira Santa: 
15h – Confissões.  
15:30 – Via Sacra.  
16h – Função litúrgica.  
18h – Sermão de solidão.  
18:30 – filme “A Paixão de Cristo”. 

31/03 – Sábado Santo 
21h – Confissões. 
22:30 – Vigília Pascal.  
                Missa de Ressurreição.  

01/04 – Domingo de Páscoa:  
11h – Confissões. 
11:30 – Missa Pascal.   



Contato:
Rua Pinheiro, 35, Sapucaias III 
Sr. Eugenio (31) 98894-7208
eugeniomsl@gmail.com 
http://missaonsg.blogspot.com.br 

domingo, 4 de junho de 2017

O assunto é... PENTECOSTES

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O assunto, hoje, é... PENTECOSTES



Pentecostes é uma festa móvele é celebrada 50 dias após a Páscoa:

2017 - 04/06 .
2018 - 20/05. 
2019 - 09/06.
2020 - 31/05.



Começamos por falar da Festa de Pentecostes:  


domingo, 3 de abril de 2016

1º DOMINGO DEPOIS DA PÁSCOA, PASCOELA OU IN ALBIS

1º DOMINGO DEPOIS DA PÁSCOA

(PASCOELA OU IN ALBIS




Chamam de Quasimodo este domingo, das primeiras palavras do Introito: Quase modo geniti etc.; dão-lhe também o nome de Domingo in Albis, porque, nesta Oitava de Páscoa, os neófitos ou recém-batizados trajavam pela última vez o vestido branco recebido no Batismo. (1)


Epístola 1ª de São João Apóstolo 5, 4-10.

Caríssimos: Tudo o que nasce de Deus, vence o Mundo; e a vitória que vence o mundo é a nossa Fé. Quem é o vencedor do Mundo, senão o que crê que Jesus é o Filho de Deus? É este mesmo Jesus Cristo, que veio pela água e pelo sangue; não apenas com a água, mas com a água e o sangue. E o Espírito é que dá testemunho de que Cristo é a Verdade. Desta forma, são Três os que dão testemunho no Céu: – O Pai, o Verbo e o Espírito Santo: e estes três são Um só; e são Três os que dão testemunho na Terra:- O Espírito, a água e o sangue: e estes três são unânimes. Se aceitamos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é máximo: e este testemunho de Deus, que é máximo, é que Ele testemunhou acerca de seu Filho. O que acredita no Filho de Deus, tem em si mesmo este testemunho de Deus. (2)

 

COMENTÁRIO GOFFINÉ: Ainda que tenha a religião Cristã purgado o mundo do Paganismo, permanece ainda o espírito deste, como que homiziado nos mundanos.

Mas os verdadeiros filhos do Evangelho combatem e vencem quotidianamente o mundo perverso, fortalecidos pela Fé.

Ensina o mundo o amor dos prazeres, riquezas, honrarias, comodidades da vida; de todo contrários são os sentimentos que nos inspira a Fé, e esta moral Cristã tão contrária aos sentidos, às inclinações da carne, ao amor próprio, ao espírito e máximas do mundo, sempre triunfou de todos os preconceitos: os homens mais orgulhosos e sensuais curvaram-se à Doutrina Evangélica, nos claustros, nos desertos, em meio do mundo mais brilhante, no próprio trono; sábios do mundo, grandes do mundo, amantes do mundo, tudo dobrou e se rendeu ao jugo do Senhor Jesus, e foi a Fé quem ganhou esta vitória.
(3)


Evangelho de Jesus Cristo segundo São João 20, 19-31.

Naquele tempo: Na tarde daquele dia, que era o primeiro da semana, e estando fechadas as portas da casa onde os discípulos se achavam juntos, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse-lhes: “A paz seja convosco.” E, ao dizer isto, mostrou-lhes as mãos e o lado. Alegraram-se, pois, os Discípulos ao ver o Senhor. Então, disse-lhes novamente: “A paz seja convosco. Assim como o Pai Me enviou, assim também Eu vos envio a vós.” Tendo dito estas palavras, soprou sobre eles, e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.” Porém, Tomé, um dos doze, que se chama Dídimo, não estava com eles, quando veio Jesus. Disseram-lhe, pois, os outros Discípulos: “Vimos o Senhor.” Ele, todavia, replicou-lhes: “Se não vir nas suas mãos a abertura dos cravos, e não meter o meu dedo no lugar dos cravos, e não meter a minha mão no seu lado, não acreditarei.” Oito dias depois, estavam os seus Discípulos outra vez na mesma casa, e Tomé com eles. Veio Jesus, estando as portas fechadas, pôs-se no meio e disse: “A paz seja convosco.” Depois, disse a Tomé: “Mete aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; aproxima também a tua mão, e mete-a no meu lado; e não continues incrédulo, mas fiel.” Tomé respondeu, dizendo: “Meu Senhor e Meu Deus!” Jesus observou-lhe: “Porque Me viste, Tomé, acreditaste; pois bem-aventurados os que não viram e acreditaram!” Outros muitos prodígios fez ainda Jesus na presença dos seus Discípulos que não foram escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos a fim de que acrediteis que Jesus é o Cristo, Filho de Deus, e para que, acreditando, tenhais a vida, por virtude do Seu Nome. (4)

 

COMENTÁRIO GOFFINÉ: “Deus permitiu a teimosia do discípulo, aliás tão amigo do Salvador, que se oferecera a morrer com ele, para nova prova da Ressurreição de Cristo. Serve a incredulidade de Tomé, diz São Gregório, para a Fé de muitos, que não era para crer de ligeiro um homem desta índole; e mais nos valeu que a Fé mais simples dos demais Apóstolos, porque viu e tocou, e baniu de nossos espíritos ainda as mais leves hesitações.

‘Porque me viste, Tomé, creste’... – diria ao discípulo confuso o bom Mestre, em tom de doce exprobação. ‘Bem-aventurados os que não virem e crerem’, que maior será o seu merecimento. Isto a nós nos toca, diz São Gregório, que não O vimos em carne mortal, e só com os olhos do espírito o contemplamos, e no coração o trazemos invisível, conquanto, porém, nossas obras com a Fé condigam.
(5)


1. Manual do Cristão, Goffiné, 10 ed., 1925, Rio de Janeiro, Collegio da Immaculada Conceição – Botafogo, p. 512.
2. Missal Quotidiano por Pe. Gaspar Lefebvre OSB (beneditino da Abadia de Santo André) – Bruges, Bélgica: Biblica, 1963.
3. Manual do Cristão, Goffiné, 10 ed., 1925, Rio de Janeiro, Collegio da Immaculada Conceição – Botafogo, p. 513.
4. Missal Quotidiano por Pe. Gaspar Lefebvre OSB (beneditino da Abadia de Santo André) – Bruges, Bélgica: Biblica, 1963
5. Manual do Cristão, Goffiné, 10 ed., 1925, Rio de Janeiro, Collegio da Immaculada Conceição – Botafogo, p. 514. 


 


  
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sábado, 26 de março de 2016

Que mal ele fez?

ECCE HOMO
de Guido Reni
A hora fatal se aproximava. As potências das trevas estavam livres; e eis que todo um povo, tomado por um espírito de furor e de vertigem, se apodera do Justo. Seus próprios discípulos, educados em sua escola, alimentados com seu pão, cobertos por suas carícias; seus discípulos, que acabam de lhe jurar uma fidelidade a toda prova, o abandonam, o negam: um deles o traiu. Amarrado como um malfeitor, ele é levado de tribunal em tribunal, pelas ruas de uma grande cidade. Homens, mulheres, crianças, magistrados, anciões com cabelos brancos, todos acorreram e formaram um cortejo tumultuoso. Do seio desta multidão, hedionda como um homem embriagado, agitada como um mar em fúria, se elevam incessantemente gritos de morte. O ódio impaciente não pode esperar a sentença que deve lhe entregar o inocente. Escarram em seu rosto, o esbofeteiam, batem nele com varas, até colocar a nu as veias e os ossos: da cabeça aos pés, seu corpo forma apenas uma ferida.

À crueldade se junta a insultante zombaria. Como o tigre que brinca com sua presa antes de devorá-la, esse povo bárbaro ultraja sua vitima antes de beber seu sangue. Eles o revestiram com uma túnica de escárnio; em sua mão eles colocaram um caniço como um cetro, e sobre sua cabeça uma coroa de espinhos em sinal de diadema; depois, vendando-lhe os olhos, eles dobram os joelhos, o batem rudemente no rosto e lhe dizem: "Salve, Rei dos Judeus".

sexta-feira, 25 de março de 2016

A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo - Da esperança que devemos ter na morte de Jesus.

A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Da esperança que devemos ter na morte de Jesus.

Por Sto. Afonso Maria de Ligório. 

1. Jesus é a única esperança de nossa salvação; fora dele não há salvação, em nenhum outro (At 4,12). Eu sou a única porta, disse Ele, e quem entrar por Mim encontrará certamente a vida eterna (Jo 10,9). Que pecador poderia esperar perdão, se Jesus não tivesse satisfeito por nós a Justiça Divina com Seu Sangue e com Sua morte?. “Ele carregou com suas iniquidades” (Is 53,11). Por isso, o Apóstolo nos anima, dizendo: “Se o sangue dos bodes e dos touros santifica os imundos para a purificação da carne, quanto mais o Sangue de Cristo, que pelo Espírito Santo se ofereceu a si mesmo a Deus como Vítima imaculada, purificará a nossa consciência das obras mortas para servir o Deus vivo?” (Hb 9,13-14).

Se o sangue dos bodes e dos touros sacrificados tirava dos hebreus as manchas exteriores do corpo, para que pudessem ser admitidos aos sacros misteres, quanto mais o Sangue de Jesus Cristo, o qual por amor Se ofereceu a pagar por nós, tirará os pecados de nossas almas para podermos servir ao nosso sumo Deus. Nosso amoroso Redentor, tendo vindo a este mundo somente para salvar os pecadores e vendo já escrita contra nós a sentença de condenação por causa de nossas culpas, que faz? Ele com Sua morte pagou o castigo que nos era devido e, cancelando com Seu Sangue a escritura da condenação, afixou-a na própria cruz em que morre, para que a Justiça Divina não exigisse de nós a satisfação devida (Cl 2,14).

“Cristo entrou uma só vez no santuário, havendo-nos adquirido uma redenção eterna” (Hb 9,12). Ah, meu Jesus, se não tivésseis encontrado esse modo de obter-me perdão, quem o poderia alcançar? Tinha razão Davi para exclamar: “Publicarei as suas maravilhas” (Sl 9,12). Publicai, ó bem-aventurados, os esforços amorosos que fez nosso Deus para salvar-nos. Visto, pois, ó meu doce Salvador, que me dedicaste tão grande amor, não deixeis de usar de piedade para comigo. Vós me resgatastes das garras de Lúcifer por meio de Vossa morte: eu entrego minha alma nas Vossas mãos, tendes de salvá-la. “Nas vossas mãos encomendo o meu espírito: vós me remistes, Senhor Deus de verdade” (Sl 30,6).

quinta-feira, 24 de março de 2016

Semana Santa con la Legión Española: "El Novio de la Muerte"

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En 2015. A las diez y media ha cruzado la pasarela del buque Contramaestre Casado el primer legionario de todo el destacamento, Tercio Duque de Alba II de Ceuta, que participará este jueves por la tarde en la procesión del Cristo de la Buena Muerte en Málaga. Las fuerzas legionarias, unos doscientos efectivos, han realizado esta maniobra de desembarco a los sones de cornetas largas y tambores hondos y entre la multitud que se ha dado cita en la dársena del Muelle Uno de la capital costasoleña, desde donde se han escuchado varios "viva a la Legión" de forma espontánea en cuanto se ha cuadrado toda la representación ante el gentío.

A paso ligero La Legión ha tomado dirección este al filo de las once de la mañana para luego, al tradicional ritmo de 160 pasos por minuto, regresar sobre sus pasos y cubrir en pocos minutos la distancia entre el Puerto de Málaga y la Casa Hermandad de la Cofradía del Cristo de la Buena Muerte y Ánimas y Nuestra Señora de la Soledad en el Perchel (con un pequeño rodeo por el centro de la ciudad).

Pasadas las doce y media y con un sol radiante en el cielo malagueño han completado el tradicional traslado de la imagen de Palma Burgos desde el templo dominico que se encuentra paredaño a la casa hermandad hasta el interior de ésta, donde la imagen del crucificado ha quedado plantada sobre su trono dispuesta para la procesión de este Jueves Santo y al lado del otro trono que participará en este cortejo; el de Nuestra Señora de la Soledad, también vinculado por un hecho legendario a La Marina española.

Antes, en la explanada de Santo Domingo han sido trece caballeros legionarios los que han portado en sus hombros y a pulso sobre sus antebrazos inhiestos a esta talla de extendida devoción en Málaga. Lo han hecho entre los sones del Himno de España y luego al unísono, con la multitud que abrazaba este momento, han cantado el "Novio de la Muerte" (de Fidel Prado y letra de Juan Carlos Castro), el tema musical célebre que domina el Jueves Santo malagueño durante esta procesión. 







Si no abre, vea acá: https://youtu.be/cGCUCuOuSU4.

Junto al Crucificado se han visto los guiones, con sus corbatas conmemorativas de todos los tercios y se ha producido la habitual entrega del estandarte del Cristo de la Buena Muerte entre el tercio ceutí y el que será el protagonista del próximo desfile (en 2016); el Juan de Austria de Viator. Luego, en el acto protocolario se ha rezado un padrenuestro por los caídos en las misiones militares del ejército español.

Desde las 19.30 horas de esta tarde, La Legión también será protagonista en la procesión del Cristo de Palma Burgos (1942) por las calles de la ciudad. El vínculo de esta hermandad con la Legión se remonta a su propia fundación en 1921. Recibe el sobrenombre de Mena por el escultor original de su titular, el prestigioso artista granadino, y luego afincado en Málaga, Pedro de Mena (1587-1646).  



Aquella imagen primitiva que marcó a la Congregación sería luego quemada en los tristes acontecimientos pre-guerracivilistas de mayo de 1931 en Málaga.
 


Viva Cristo Rey!   



Fuente: http://www.elmundo.es/andalucia/malaga/2016/03/24/56f3d61446163f6f768b45cc.html. En 2015.

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