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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Santo Agostinho: O ensino da religião

O ensino da religião


Santo Agostinho, interrogado por um diácono da igreja de Cartago sobre o melhor modo de ensinar a Religião, lhe respondeu por seu admirável tratado: De catechizandis rudibus[1].
"O verdadeiro modo de ensinar a Religião, diz o grande bispo de Hipona, é de remontar a estas palavras: No princípio Deus criou o céu e a terra, e de desenvolver toda a história do Cristianismo até nossos dias. Não que devemos relatar de um extremo ao outro tudo o que está escrito no Antigo e no Novo Testamento: isso não é nem possível nem necessário. Faças um resumo: insistas mais sobre o que lhe parece mais importante, e passe ligeiramente sobre todo o resto. Deste modo, não cansareis aquele em quem queres excitar o ardor pelo estudo da religião, e não sobrecarregareis a memória daquele que deveis instruir. 
Ora, para mostrar toda a sequência da religião, lembre-se de que o Antigo Testamento é a imagem do Novo; que toda a religião mosaica, os Patriarcas, suas vidas, suas alianças, seus sacrifícios, são igualmente imagens do que vemos; que o povo judeu inteiro e seu governo são apenas um grande profeta de Jesus Cristo e da Igreja[2]".
Tal deve ser, segundo Santo Agostinho, o ensino da letra da Religião. Quanto ao espírito, o santo doutor, interprete fiel do Mestre divino, o apresenta no amor de Deus e do próximo. Eis suas palavras notáveis:
"Começareis, portanto, vossa narração pela criação de todas as coisas em um estado de perfeição, e a continuareis até os tempos atuais da Igreja. Vossa única finalidade será de mostrar que tudo o que precede a Encarnação do Verbo tende a manifestar o amor de Deus no cumprimento desse mistério. O próprio Cristo imolado por nós, o que ele nos ensina, senão o amor imenso que Deus nos tem testemunhado ao nos dar seu próprio Filho?!
Mas se, de uma parte, o fim principal que o Verbo se propôs ao vir sobre a terra foi de ensinar ao homem quanto ele é amado por Deus, e se este conhecimento em si não tem outra finalidade senão de acender no coração do homem o amor de um Deus que o amou por primeiro, e amor do próximo do qual este mesmo Deus veio dar o preceito e o exemplo; se, de outra parte, toda a Escritura anterior a Jesus Cristo tem por finalidade anunciar seu advento, e se toda aquela que lhe é posterior fala apenas do Cristo e da Caridade, não é evidente que não somente a Lei e os Profetas, mas ainda todo o Novo Testamento, se reduzem a estes dois grandes preceitos: amor de Deus e o amor do próximo?
Dareis conta, portanto, de tudo o que relatareis; explicareis a causa e o fim de todos os acontecimentos pelo amor, de modo que esta grande ideia esteja sempre diante dos olhos, do espírito e do coração. Este duplo amor de Deus e do próximo sendo o termo no qual se relaciona tudo o que tendes a dizer, conte tudo o que conte, de modo que vossa narração conduza vosso auditor à fé, da fé à esperança, da esperança à caridade[3]".
Tal é o plano que temos tentado realizar. Poderíamos escolher um plano melhor? A juventude do século 19 se perderá se lhe dermos por catequista Santo Agostinho? Assim a exposição da Religião desde o princípio do mundo até nossos dias, a Religião antes, durante e depois da pregação de Jesus Cristo, eis o objeto desta obra.


[1] Modo de ensinar a religião aos ignorantes. 
[2] Cap. III, n 5 e seq..
[3] Aug, Catechiz. rud..

Abbé J. Gaume. Catéchisme de Persévérance. 5ª ed., Gaume Frères, Paris, 1845, t.I.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Revolução Francesa e a anarquia atual


Antes de falar da Revolução francesa, indicada em primeira linha como causa do mal atual, é necessário dizer o que é a Revolução em geral. Isso é necessário, de um lado, a fim de bem conhecer a natureza desse poder tremendo que, espiando a sociedade como o tigre espia sua presa, caminha para triturá-la sob seus dentes de ferro e para operar o caos; do outro lado, a fim de saber com certeza qual é sua verdadeira origem e quais são os novos Palus Maeoticas[1] de onde saíram as barbáries com as quais ela nos ameaça, de maneira a não nos enganarmos sobre os meios de combatê-la, e para medirmos nossos esforços em face da grandeza do perigo. 

Hoje não há duas questões na Europa, há apenas uma: é a questão revolucionária. O futuro pertencerá, sim ou não, à Revolução? Isso é tudo.

A Revolução! Essa palavra vulgarizada é repetida simultaneamente em Paris, em Londres, em Berlim, Madri, Viena, Nápoles, em Bruxelas, Fribourg, em Turim, em Roma; e, por toda parte, ecoa como o sussurro da tempestade. Tirando aqueles que a gravaram sobre sua fronte como sinal de identificação, essa palavra faz instintivamente tremer todo homem que, às lembranças do passado, une as previsões do futuro.

Esse instinto não é enganador: a Revolução não está nem morta nem convertida. Ela não está morta; milhares de vozes proclamam sua existência: ela mesma a revela orgulhosamente diante de todas as cortes criminais encarregadas de cunhar seus adeptos. Ela não se converteu: independente do que dizem dela, a Revolução é sempre a mesma: a essência dos seres não muda. Em seu ódio sempre antigo e sempre novo, a Revolução ameaça igualmente o trono dos reis e o limite dos campos, o tesouro do capitalista e a poupança do operário. Para ela, nada é sagrado: nem a ordem religiosa nem a ordem social; nem os direitos adquiridos, nem a consciência, nem a liberdade, nem mesmo a vida. Ela odeia tudo o que não foi feito por ela; e tudo o que ela não produziu, ela destrói. Dai-lhe hoje a vitória, e o que ela foi ontem, vereis que o será também amanhã.

sábado, 26 de março de 2016

Que mal ele fez?

ECCE HOMO
de Guido Reni
A hora fatal se aproximava. As potências das trevas estavam livres; e eis que todo um povo, tomado por um espírito de furor e de vertigem, se apodera do Justo. Seus próprios discípulos, educados em sua escola, alimentados com seu pão, cobertos por suas carícias; seus discípulos, que acabam de lhe jurar uma fidelidade a toda prova, o abandonam, o negam: um deles o traiu. Amarrado como um malfeitor, ele é levado de tribunal em tribunal, pelas ruas de uma grande cidade. Homens, mulheres, crianças, magistrados, anciões com cabelos brancos, todos acorreram e formaram um cortejo tumultuoso. Do seio desta multidão, hedionda como um homem embriagado, agitada como um mar em fúria, se elevam incessantemente gritos de morte. O ódio impaciente não pode esperar a sentença que deve lhe entregar o inocente. Escarram em seu rosto, o esbofeteiam, batem nele com varas, até colocar a nu as veias e os ossos: da cabeça aos pés, seu corpo forma apenas uma ferida.

À crueldade se junta a insultante zombaria. Como o tigre que brinca com sua presa antes de devorá-la, esse povo bárbaro ultraja sua vitima antes de beber seu sangue. Eles o revestiram com uma túnica de escárnio; em sua mão eles colocaram um caniço como um cetro, e sobre sua cabeça uma coroa de espinhos em sinal de diadema; depois, vendando-lhe os olhos, eles dobram os joelhos, o batem rudemente no rosto e lhe dizem: "Salve, Rei dos Judeus".

quarta-feira, 3 de junho de 2015

CORES E ORNAMENTOS NA LITURGIA

CORES E ORNAMENTOS NA LITURGIA




As cores que a Igreja geralmente adota são cinco: o branco, o vermelho, o verde [ou dourado], o roxo e o preto. 


O BRANCO é emblema da inocência, da alegria que ela procura, e da glória que é sua herança.

Eis as festas no qual ele é empregado:

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