Para Ecône! Para o mundo! Para a glória!
Nas livrarias francesas, atualmente, pode-se encontrar um livro muito interessante e explicativo, é o trabalho realizado por Don Philippe Béguerie, intitulado Vers Écône. Mgr Lefebvre et les Pères du Saint-Esprit. Chronique des événements 1960-1968 (Desclée de Brouwer, Parigi 2010, € 36,00), ou seja, Rumo a Écone. Monsenhor Lefebvre e os Padres do Espírito Santo. Crônica dos eventos 1960-1968. A originalidade do livro se deve não tanto aos acontecimentos narrados, que já eram suficientemente conhecidos, quanto ao fato de que o autor, em uma tentativa de “fazer a ‘exegese’ do pensamento de Marcel Lefebvre” (1), com intuito de crítica e controvérsia, acaba enfatizando, contra sua vontade, tanto a coerência de pensamento e de ação do prelado francês, quanto o efervescente clima existente em muitos ambientes e institutos religiosos católicos mesmo antes da convocação do Concílio Vaticano II. Pode-se, então, respirar todo o sibilante vento da rebelião a métodos considerados já ultrapassados e antigos, chatos e superados, que deviam ser substituídos por regras e políticas, usos e costumes em sintonia com a modernidade. Essas aspirações já haviam penetrado, como dissemos antes, em muitas instituições religiosas e até mesmo na Congregação dos Padres do Espírito Santo.
Esses sistemas, que até então haviam garantido a ordem de ideias e de práticas, pareciam não ser mais adequados à mentalidade autoproclamada moderna das almas mais inovadoras, mesmo dentro da Igreja. Parecia que se estava às vésperas do triunfo — mesmo dentro dos Edifícios Sagrados — daquela modernidade contra a qual Papas e santos haviam se levantado por mais de um século e meio e que agora infectava as consciências com o liberalismo, o positivismo, o subjetivismo e modernismo (a perigosa e perniciosa tentativa de casar a Igreja com o mundo). Diante de tais revoltas e subversões, Dom Marcel Lefebvre (1905-1991) reagiu de imediato, primeiro em África, como arcebispo de Dakar, em seguida como candidato a diretor do Instituto do Espírito Santo e, finalmente, como superior geral da própria congregação missionária.
Foi assim que Lefebvre se expôs imediatamente, sem prudência por si mesmo e indiferente a qualquer tipo de prejuízo à sua carreira eclesiástica, isso aconteceu desde a mudança de direção da Igreja sob o Papa João XXIII (1958-1963; Angelo Roncalli 1881-1963), que não deixou de deixar-lhe claros, pessoalmente, os riscos que enfrentava. O Bispo intervinha com vigor e determinação, com as palavras, os escritos, os artigos... Mas aquela força e aquela consistência incomodavam extremamente: “C’est la méthode Lefebvre!” (2), isto é, um método “politicamente incorreto”, certamente não “fashion” e imune a qualquer tipo de compromisso; em suma, poder-se-ia dizer, em síntese, punível e punido por “excesso de fé”, como disse o Cardeal Silvio Angelo Pio Oddi (1910-2001).
