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quinta-feira, 12 de julho de 2018

Títeres. De quem são as mãos que os movimentam?

Bom, a esta altura todos já estão sabendo da "eleição" do novo comando da Neofrat. Uns cantaram o Te Deum, outros... não.  

E outros, ainda, como eu, continuam seguindo católicos. 


Não comentei nada ontem porque estava com preguiça - mea culpa! - de fazê-lo, pois, tendo em vista que isso não muda em nada a minha vida, me pareceu que não deveria desperdiçar meu precioso tempo com isto. Hoje, tenho alguns minutos de folga, e aqui estou.  


As repercussões pela Cristandade foram várias e díspares, inclusive DENTRO da Neofrat. E nos próximos dias veremos ainda mais...  


Quando recebi a foto dos eleitos, não pude não me lembrar de "Os Três Patetas", sobretudo pelas expressões faciais que ficarão eternizadas: 





O títere principal, no meio, é o novo superior geral da Neofrat: pe. Davide Pagliarani, "incardinado" em Argentina, como todos sabem. A seu lado direito, o títere 1º assistente, dom Afonso De Galarreta (seu verbete já foi atualizado no Wikipedia), e de seu lado esquerdo, o títere filo-sionista 2º assistente, pe. Christian Bouchacourt (com verbete no Wikipedia somente em francês; para refrescar a memória, este é aquele que, em uma entrevista a um jornal argentino, em 01/12/2013, disse que os judeus não são deicidas...).  






Porque "títeres"? Porque é óbvio que estão lá para inglês ver, e nem me refiro a dom Williamson!  


Segundo minhas fontes especializadas sobre o tema, a "eleição" tinha cartas marcadas e já estaria decidida, mais ou menos como foi no caso da eleição do Francisco Bergoglio, o qual certamente deu (e quiçá dará publicamente também) sua benção ao trio (o site do Vaticano publicou a notícia)...  

Mas sobretudo porque, por trás do trio está... dom Bernard Fellay, que os moverá segundo o que lhe será conveniente para levar as almas sob sua responsabilidade até Francisco. 
Mais uma vez, vou tentar desenhar: se somos católicos, apesar do CVII, por que devemos "voltar" à Igreja Católica? Se é verdade que não estamos na Igreja Católica... então somos cismáticos! A Neofrat precisa se decidir a respeito: ou é católica, e então não precisa estar na Igreja do CVII, ou não é católica e precisa... De certa forma, eles pensam como os desistentes, que se julgam misteriosamente unidos ao último grande cisma. 
Ontem, se leu de tudo, em vários idiomas, acerca disso... O que me fez rir - mas com uma profunda tristeza interior - foi que, agora, o acordismo acabou...  

Santa (e patética) ingenuidade!!!  

São todos farinhas do mesmo saco traidor, e cabe um questionamento: estaria Pagliarani finalmente sendo recompensado? Afinal, no Capítulo de 2012, defendeu Fellay, com unhas e dentes, quando já se sabia que o então superior geral da Neofrat seria repreendido por causa do preâmbulo doutrinário (leia-se ACORDO), com o qual, segundo fontes fidedignas, ele já teria concordado e pretendia usar o Capítulo para enfiar goela abaixo da Neofrat esse acordaço. E não obteve êxito, como é público e notório, mesmo conseguindo calar a voz destoante (Williamson).  

Há quem diga também que o novo superior geral, que até então dirigia o Seminário de La Reja, lá estava com o beneplácito de Francisco... Será? Se não agora, naquele último dia o saberemos com certeza.  

Well, os três "eleitos" são liberais de carteirinha e levarão a cabo o acordo feito entre Fellay e a Igreja cismática do CVII. Não tenham ilusões! Afinal, depois de 6 anos de governo Fellay, não imagino como se possa recuperar algo na Neofrat. Quem tinha que sair já saiu. Quem ficou foi cozido como sapo, e está contaminado pelo liberalismo, mais ou menos a depender da tolerância que teve aos erros de Fellay. Ninguém vai gritar. 


Hoje, recebi esta mensagem da França. Sinceramente, não sei quem é o remetente: 

"bravo aux capitulants 
ils ont élu l'équipe qui a obtenu du cardinal Bergoglio la reconnaissance en Argentine (era apenas para conseguir um plano de saúde, diziam eles).
il y avait une équipe germanique pour l'interlocuteur allemand
il y a une équipe hispanique pour l'interlocuteur argentin 
on ne change pas une équipe qui gagne (em time que está ganhando não se mexe, diz a sabedoria popular...)
"bon vent, bonne voile et que le bateau ...

Ao bom entendedor... 

Que Deus nos guarde atentos e vigilantes, e nos livre de cairmos na tentação de capitular por causa do cansaço na defesa da Fé. Amém. 

sábado, 4 de janeiro de 2014

ENTREVISTA AO REV. PADRE ERNESTO CARDOZO

Publicamos a entrevista que o rev. Pe. Cardozo concedeu a um fiel, em Campo Grande. 
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ENTREVISTA AO REV. PADRE ERNESTO CARDOZO


Rev. Pe. Cardozo, de onde o senhor está vindo? Onde passou as festividades de Natal e Ano Novo?

Passei pela Missão de Cristo Rei, em Ipatinga, onde foi preparado um bonito coro (coral). E aproveito para agradecer aos benfeitores que têm ajudado e continuam ajudando no embelezamento da capela e também aos que sustentam a casa do Pré-Seminário


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Missa do Galo - Missão Cristo Rei, Ipatinga/MG

O Pe. Cardozo com dois dos pré-seminaristas: Daniel Maria e Giovanni Poli
que estão fazendo seus estudo de filosofia, latim, e que dão vida à capela com seu apostolado.


Na tarde de Natal passei pela Missão dos Sagrados Corações, de João Monlevade e nos dois dias seguintes tivemos a oportunidade de dar uma Missa em Contagem onde provavelmente se estabelecerá uma nova Missão. Chama a atenção que todos os que se aproximam da Tradição são fiéis ao Santo Terço. E bonito ver como Nossa Senhora premia essa fidelidade ao Santo Terço mostrando a Verdade a quem a busca.

Depois de Contagem, fui dar Missa na Missão Nossa Senhora Aparecida, de São Gonçalo de Pará, em uma grande capela ainda em construção que está sendo erguida meritoriamente pela Irmã Sophie Joseph, uma freira francesa que mora lá como eremita e que a seu tempo esteve no Carmelo onde a irmã de Mons. Lefebvre foi a priora. Esta freira, que está há 12 anos no Brasil, conseguiu levantar a capela a força de orações e pedidos, e tem o mérito de tê-lo feito no campo, em uma área rural junto à rodovia, e apesar da dificuldade com o idioma e de audição. E pensar que há sacerdotes em plenos 25 anos de vida que ainda não assentaram sequer um ladrilho. Nesta capela tive a graça de dar uma Primeira Comunhão e, no dia seguinte, tivemos a visita de dois diretores de coro de Divinópolis que enobreceram com seu canto a Santa Missa. 

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Missão Nossa Senhora de Aparecida, de São Gonçalo do Pará


Primeira Comunhão da jovem Bárbara


A próxima Missão visitada foi a do Santo Presépio, em São Sebastiao do Paraíso, que é particularmente bela em suas imagens. À noite, tivemos a oportunidade de conhecer uma antiga tradição desses dias, que são as famosas Congadas, festas que remontam há alguns séculos, nas quais os fiéis dançam em homenagem aos Santos patronos da cidade, com ritmos africanos e com vestes coloridas. 

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O Divino Menino - Missão do Santo Presépio, de São Sebastião do Paraíso


Sr. Cesar Neto com fiéis


A Missão seguinte foi a de Santa Gema Galgano, em Guaranésia, que foi particularmente numerosa com jovens vindos da região de Alfenas e Muzambinho.

Em seguida, fui à Missão de São José, em Pouso Alegre, onde passamos o ano novo. E no dia seguinte visitamos os fiéis da Missão Cristo Rei, de São Paulo. E lá gostei de ouvir o testemunho de um dos fiéis que, ao se encontrar com um antigo conhecido, um fiel da Neo-FSSPX de SP, o qual se vangloriava de lá terem a Missa e os sacramentos diariamente, ele refutou com amabilidade respondendo que, sim, eles têm essas coisas, mas não têm a Fé.


Que novidades tem sobre a Neo-FSSPX?

Fomos informados de que os três bispos da Neo-FSSPX virão visitar o Brasil durante o ano. É interessante que os três vêm visitar um País que tem uma forte Resistência, que, graças a Deus, continua crescendo. É sinal de que estão preocupados. Soubemos que muitos antigos fiéis desejam ansiosamente estar com eles para que publicamente lhes esclareçam seus ditos e feitos que contradizem todo o legado da Tradição e, em particular, a herança recebida de nosso Fundador.


O que eles poderiam perguntar sobre essas contradições?

A Fellay, eles podem perguntar por quê está reconhecendo a Igreja oficial como sendo a Igreja Católica, quando Mons. Lefebvre dizia que a Igreja oficial é a Igreja bastarda, apóstata?

A de Galarreta, que agora defende a democracia, por quê não manifestou esse espirito democrático e liberal ao Bispo que o consagrou?

Respeito a Mons. Tissier seria interessante recordar-lhe que quando
Mons. Lefebvre, quando era superior geral da Congregação do Espírito Santo, ao ver que ela, em sua grande maioria, estava contaminada de Modernismo, não duvidou em abandoná-la, pelo bem de sua própria alma e das almas. E vemos, por outro lado, a esse bispo reconhecer os erros doutrinários do superior geral, mas sacrificar a Fé à sobrevivência da Congregação, mostrando assim um alto grau de covardia.

Nenhum desses três maus exemplos teria sido tolerado por
Mons. Lefebvre! Pelo contrario, se o Fundador vivesse, esse três bispos convertidos em traficantes da Fé, teriam sido expulsos da Congregação por faltar, entre outros, ao Primeiro Mandamento.


As expectativas para 2014?

Prosseguir com o Pré-Seminário; isso agora é fundamental, porque devemos deixar sacerdotes. Os fiéis aumentam a cada dia, porém muitos padres que ainda pertencem à Neo-FSSPX ainda não conseguem desligar-se dela, apesar de muitos se envergonham dos superiores que têm, da covardia de não retratar-se de seus erros, e de ter que se humilhar em defender princípios contidos no Vaticano II, como expressado por Bouchacourt na entrevista ao jornal El Clarin, eles já têm o princípio do liberalismo carcomendo-os por dentro, o qual lhes tira a efetividade no apostolado, a firmeza em sua atitude apologética, e possuem uma desconfiança interna que os corrói.

É sumamente alentador como a Divina Providencia continua nos assistindo, especialmente nos trazendo almas; cansadas do Modernismo, se unem ao nosso combate. Por outro lado, é raro o mês em que não temos um pedido de ingresso ao Pré-Seminário, e todos eles, fiéis e pré-seminaristas, de uma ou outra maneira, são fiéis ao Santo Terço, o que mostra, mais uma vez, como já disse, que Nossa Senhora guia às almas que buscam e querem a Verdade.

Aproveito para desejar a todos um Santo Ano e que o Divino Menino os fortaleça na Fé.

Obrigado, reverendo, pelos esclarecimentos, sempre úteis nesses tempos de trevas e confusão em que vivemos. Também lhe desejamos um Santo Ano e a proteção do Menino Jesus e de Sua Mãe Santíssima, particularmente para suportar as injúrias e lhe dar forças e a coragem de Mons. Lefebvre para levar adiante o legado recebido, conforme ele mesmo desenhou. Sabemos que, no começo, havia dias em que Monsenhor não sabia como alimentar seus seminaristas, mas nem por isso fraquejou ou achou melhor integrar-se à Igreja Conciliar em troca de um prato refinado e uma cama confortável. Temos a certeza que, hoje, ele também, como vós, não estaria preocupado com essas trivialidades. Como, aliás, o estão provando, pelo mundo afora, todos os resistentes – padres e leigos – que preferem sacrifícios a belos edifícios, a Verdade às negociações escusas com os apóstatas, o Santo Terço a uma cruzada que pede a Nossa Senhora que a Tradição retorne à Igreja, porque sabemos que a Tradição nunca saiu da Igreja para que deva voltar a Ela. O fato de a Casa Geral ter dito que a Tradição deve voltar à Igreja mostra claramente que eles identificam essa Igreja apostata com a Verdadeira. A Igreja nunca pode separar-se da Tradição, se eles consideram a Tradição como algo “fora da Igreja” isso já é um erro teológico gravíssimo. Como sempre nos diz, reverendo padre... Ânimo e adelante!


Jorge Ferreira Bastos


Campo Grande/MS
Versão em francês: http://cristiadatradicinalista.blogspot.com.br/2014/01/entrevue-de-l-abbe-ernesto-cardoso.html.

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quinta-feira, 27 de junho de 2013

25º Aniversário das Sagrações de Ecône - Menzingen fala...

OPERAÇÃO MEMÓRIA: uma declaração acerca do 25º aniversário das sagrações episcopais a que Mons. Lefebvre se viu obrigado para salvaguardar a verdadeira Fé e lhe valeu uma excomunhão que era para ele, não um estigma, mas a garantia de que os seminários não seriam procurados por candidatos não católicos. A excomunhão passou a ser, então, uma honra e uma glória - um DETENTE - para cada sacerdote, religioso e fiel. Bom, pelo menos enquanto viveu Monsenhor. Com o tempo, se transformou magicamente de garantia em estigma, e daí surgiu o medo. O medo de ser condenado à danação eterna por... apóstatas!!! "Não tenhais medo", nos exortou Nosso Senhor. Mas quem foi incumbido de nos dirigir... teve medo! Não sei o que veio antes do que, mas temos o medo, a cegueira sobrenatural, a confusão de ideias: 2+2 agora pode ser qualquer coisa. E temos o agir nas trevas, a invasão de contas de e-mails, a perseguição a sacerdotes e fiéis "descontentes", as expulsões e as "excomunhões". A (Neo)FSSPX nunca se pareceu tanto com Roma. A Roma apóstata denunciada por Monsenhor Lefebvre. E agora me vêm com essa declaração, assinada pelos três bispos que fundaram a Neo-FSSPX. Sim, porque quem se cala consente. E o que é mais claro e cristalino do que uma assinatura em um documento desses? Os três bispos estão de acordo. Só um dos quatro bispos escolhidos pelo Fundador não teve medo. Pode até se dizer - como se ouve por aí - que Dom Williamson seja britânico demais e que deveria tomar atitudes mais drásticas. Mas ele não teve medo de ser excomungado porque sabe perfeitamente com que se está a falar em Roma. Não é por acaso que o "Papa de plantão" era justamente o cardeal a quem Monsenhor se referia com epítetos nada gentis. Mas verdadeiros. Enfim, vamos ao texto. 

O primeiro parágrafo já mostra a desfaçatez de quem assina. Hipócritas. No segundo, já vemos, mais uma vez, a manipulação das palavras de Monsenhor Lefebvre em prol da suja traição por 30 moedas. No terceiro parágrafo, mais uma vez o fundador-mor da Neo-FSSPX se desdiz. Sim, porque se ESTA é a verdade... o que é há no Preâmbulo é o que? E em todas as suas declarações onde dizia que 95% do Concílio era aceitável e que 5% era discutível... ou algo assim? Agora ele diz - e os demais bispos assinam embaixo - que "a causa dos graves erros que estão demolindo a Igreja não reside em uma má interpretação dos textos conciliares – uma “hermenêutica da ruptura” que se oporia a uma “hermenêutica da reforma na continuidade” -, mas nos próprios textos, por causa da inaudita linha escolhida pelo concílio Vaticano II"! Estamos de brincadeira? Pensa que somos idiotas? E que história é essa de “hermenêutica da reforma na continuidade”? A única hermenêutica que deve haver é a da Tradição! Bom, os parágrafos seguintes são mais do mesmo, como ele habilmente faz para iludir os tolos. Dai que no 10º parágrafo, me vem com essa: "Cinquenta anos depois do Concílio as causas permanecem e continuam produzindo os mesmos efeitos, de modo que hoje aquelas sagrações episcopais conservam toda a sua justificação." Então, a pergunta que não quer calar: e por quê o superior geral quis porque quis unir-se a essa Igreja? Pelo menos é o que deixou bem claro no Preâmbulo e em outras oportunidade como na da famosa frase de que iria correndo se o papa chamasse... Sim, ele pensa realmente que somos idiotas!!!  

Em certos momentos, me ocorre o pensamento de que o bispo Fellay não saiba pedir desculpas, afinal todos nós temos nossas limitações, embora a arrogância não seja algo esperável em um religioso! Quem sabe, penso eu com meus botões, ele tenha vergonha e ache que basta voltar atrás com os discursos apenas, na esperança de ser compreendido e perdoado sem que seja necessário dizer nada... Mas daí vem o parágrafo décimo primeiro, onde ele mostra um pouco de seu "jogo":
" Entendemos que fazemos o mesmo, seja que Roma regresse logo à Tradição e à fé de sempre – o que restabelecerá a ordem na Igreja -, seja que ela nos reconheça explicitamente o direito de professar integralmente a fé e de rejeitar os erros que lhe são contrários, com o direito e o dever de nos opormos publicamente aos erros e aos fautores desses erros, seja quem for – o que permitirá um começo do restabelecimento da ordem." 
Como assim? A mesma autoridade que nos excomungou e desexcomungou agora vai nos reconhecer explicitamente o direito inalienável de professar integralmente a fé etc. e tal??? Mas com que autoridade!!! Se Monsenhor Lefebvre não reconheceu a João Paulo II autoridade para excomungá-lo... que autoridade tem o Bispo de Roma que se recusa a ser Papa de nos reconhecer o que quer que seja? Estamos loucos???

Nada mudou, meus caros! São conversas para boi dormir e inglês ver!!! Hipócrita, o bispo Fellay que manipula a verdade feito Pilatos, um liberal igual a ele. Hipócritas os cúmplices dessa declaração. 

Outra pergunta que me faço é do por que da mudança da data... Dia 30 de junho de 2013 é um domingo. Dia propício para agradecer a Deus pelo sacrifício de Monsenhor Lefebvre. Então, por quê antecipar a comemoração para hoje, 27 de junho? Alguém sabe dizer?  

E mais não digo!


Mons. Lefebvre com Mons. de Castro Mayer e os quatro novos bispos.
Interessante notar a linguagem corporal e a disposição de todos. Dom Williamson aparece no mesmo núcleo
que os Monsenhores. Os demais estão separados do grupo central, cada qual a uma determinada distância.
Vemos isso em telas de grandes pintores, com algum significado oculto.
No mínimo é intrigante. Alguém pode achar profético...


Declaração por ocasião do 25º aniversário das sagrações episcopais (30 de junho de 1988 – 27 de junho de 2013)


Por ocasião do 25º aniversário das sagrações, os bispos da Fraternidade Sacerdotal São Pio X expressam solenemente sua gratidão a Dom Marcel Lefebvre e a Dom Antônio de Castro Mayer pelo ato heroico que não tiveram medo de realizar em 30 de junho de 1988. Mais particularmente, querem manifestar sua gratidão filial ao seu venerado fundador que, depois de tantos anos de serviço à Igreja e ao Romano Pontífice, para salvaguardar a fé e o sacerdócio católico, não hesitou em padecer a injusta acusação de desobediência.

Na carta que nos dirigiu antes das sagrações, escreveu: “Eu vos conjuro a permanecer unidos à Sé de Pedro, à Igreja romana, Mãe e Mestra de todas as Igrejas, na fé católica íntegra, expressada nos Símbolos da fé, no catecismo do Concílio de Trento, conforme ao que vos foi ensinado no vosso seminário. Permanecei fiéis na transmissão desta fé para que venha o Reino de Nosso Senhor”. Esta frase expressa bem a razão profunda do ato que iria realizar: “para que venha o Reino de Nosso Senhor”, adveniat regnum tuum!

Seguindo a Dom Lefebvre, afirmamos que a causa dos graves erros que estão demolindo a Igreja não reside em uma má interpretação dos textos conciliares – uma “hermenêutica da ruptura” que se oporia a uma “hermenêutica da reforma na continuidade” -, mas nos próprios textos, por causa da inaudita linha escolhida pelo concílio Vaticano II. Esta escolha se manifesta nos documentos e no seu espírito: diante do “humanismo laico e profano”, diante da “religião (pois se trata de uma religião) do homem que se faz Deus”, a Igreja, única detentora da Revelação “do Deus que se fez homem”, quis dar a conhecer o seu “novo humanismo”, dizendo ao mundo moderno: “nós também, mais do que ninguém, temos o culto do homem” (Paulo VI, Discurso de encerramento, 7 de dezembro de 1965). No entanto, essa coexistência do culto de Deus e do culto do homem se opõe radicalmente à fé católica que ensina a dar o culto supremo e o primado exclusivamente ao único Deus verdadeiro e ao seu único Filho, Jesus Cristo, em quem “habita corporalmente a plenitude da divindade” (Col. 2, 9).

Somos obrigados a constatar que este Concílio atípico, que quis ser apenas pastoral e não dogmático, inaugurou um novo tipo de magistério, desconhecido até então na Igreja, sem raízes na Tradição; um magistério decidido a conciliar a doutrina católica com as ideias liberais; um magistério imbuído dos princípios modernistas do subjetivismo, do imanentismo e em perpétua evolução segundo o falso conceito de tradição viva, viciando a natureza, o conteúdo, a função e o exercício do magistério eclesiástico.

Desde então, o reino de Cristo deixou de ser a preocupação das autoridades eclesiásticas, apesar destas palavras de Cristo: “todo poder me foi dado na terra e no céu” (Mat. 28, 18) continuarem sendo uma verdade e uma realidade absolutas. Negá-las nos fatos significa não reconhecer na prática a divindade de Nosso Senhor. Assim, por causa do Concílio, a realeza de Cristo sobre as sociedades humanas simplesmente é ignorada, ou combatida, e a Igreja é arrastada por esse espírito liberal que se manifesta especialmente na liberdade religiosa, no ecumenismo, na colegialidade e na missa nova.

A liberdade religiosa exposta por Dignitatis humanae e a sua aplicação prática por cinquenta anos conduzem logicamente a pedir ao Deus feito homem que renuncie a reinar sobre o homem que se faz Deus, o que equivale a dissolver a Cristo. Ao invés de uma conduta inspirada por uma fé sólida no poder real de Nosso Senhor Jesus Cristo, vemos a Igreja vergonhosamente guiada pela prudência humana e duvidando a tal ponto de si mesma que não pede aos Estados nada além daquilo que as lojas maçônicas querem lhe conceder: o direito comum, no mesmo nível e entre as outras religiões, que ela não ousa mais chamar de falsas.

Em nome de um ecumenismo onipresente (Unitatis redintegratio) e de um vão diálogo interreligioso (Nostra Aetate), a verdade sobre a única Igreja é silenciada; assim, uma grande parte dos pastores e dos fiéis, não vendo mais em Nosso Senhor e na Igreja católica a única via de salvação, renunciaram a converter os adeptos das falsas religiões, deixando-os na ignorância da única Verdade. Este ecumenismo literalmente matou o espírito missionário pela busca de uma falsa unidade, reduzindo muito frequentemente a missão da Igreja à transmissão de uma mensagem de paz puramente terrestre e a um papel humanitário de alívio da miséria no mundo, colocando-se assim atrelada às organizações internacionais.

O debilitamento da fé na divindade de Nosso Senhor favorece uma dissolução da unidade da autoridade na Igreja, introduzindo um espírito colegial, igualitário e democrático (cf. Lumen Gentium). Cristo não é mais a cabeça da qual tudo provém, em particular o exercício da autoridade. O Romano Pontífice, que não exerce mais efetivamente a plenitude da sua autoridade, assim como os bispos que – contrariamente ao ensinamento do Vaticano I – creem poder compartilhar colegialmente de modo habitual a plenitude do poder supremo, se colocam daí em diante, com os padres, à escuta e atrás do “povo de Deus”, novo soberano. É a destruição da autoridade e, em consequência, a ruína das instituições cristãs: famílias, seminários, institutos religiosos.

A missa nova, promulgada em 1969, debilita a afirmação do reino de Cristo pela Cruz (“regnavit a ligno Deus”). De fato, o seu próprio rito atenua e obscurece a natureza sacrificial e propiciatória do sacrifício eucarístico. Subjacente a esse novo rito, encontra-se a nova e falsa teologia do mistério pascal. Ambos destroem a espiritualidade católica fundada sobre o sacrifício de Nosso Senhor no Calvário. Esta missa está penetrada de um espírito ecumênico e protestante, democrático e humanista, que remove o sacrifício da Cruz. Ela ilustra também a nova concepção do “sacerdócio comum dos batizados” que esconde o sacerdócio sacramental do padre.

Cinquenta anos depois do Concílio as causas permanecem e continuam produzindo os mesmos efeitos, de modo que hoje aquelas sagrações episcopais conservam toda a sua justificação. É o amor pela Igreja que guiou Dom Lefebvre e que guia os seus filhos. É o mesmo desejo de “transmitir o sacerdócio católico em toda a sua pureza doutrinal e sua caridade missionária” (Dom Lefebvre, A vida espiritual) que anima a Fraternidade São Pio X no serviço à Igreja, quando pede com instância às autoridades romanas de reassumir o tesouro da Tradição doutrinal, moral e litúrgica.

Este amor pela Igreja explica a regra que Dom Lefebvre sempre observou: seguir a Providência em todo momento, sem jamais pretender antecipá-la. Entendemos que fazemos o mesmo, seja que Roma regresse logo à Tradição e à fé de sempre – o que restabelecerá a ordem na Igreja -, seja que ela nos reconheça explicitamente o direito de professar integralmente a fé e de rejeitar os erros que lhe são contrários, com o direito e o dever de nos opormos publicamente aos erros e aos fautores desses erros, seja quem for – o que permitirá um começo do restabelecimento da ordem. Na espera disso, e diante desta crise que continua seus estragos na Igreja, perseveramos na defesa da Tradição católica e nossa esperança permanece íntegra, pois sabemos com fé certa que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mat. 16, 18).

Entendemos assim seguir a exortação do nosso querido e venerado pai no episcopado: “Queridos amigos, sede o meu consolo em Cristo, permanecei fortes na fé, fiéis ao verdadeiro sacrifício da missa, ao verdadeiro e santo sacerdócio de Nosso Senhor, para o triunfo e a glória de Jesus no céu e na terra” (Carta aos bispos). Que a Santíssima Trindade, por intercessão do Imaculado Coração de Maria, nos conceda a graça da fidelidade ao episcopado que recebemos e que queremos exercer para honra de Deus, o triunfo da Igreja e a salvação das almas.

Ecône, 27 de junho de 2013, na festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Dom Bernard Fellay
Dom Bernard Tissier de Mallerais
Dom Alfonso de Galarreta




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terça-feira, 30 de abril de 2013

NEO-FSSPX: Ave Fenix

AVE FÉNIX


Encontré a un amigo muy contento. No es para menos. Acaba de ser confirmado en su tranquilidad y puede decirse a sí mismo: “Ya lo sabía, estoy del lado correcto”.

Mi amigo acaba de leer el último editorial del Padre Bouchacourt, titulado "¿UNA NUEVA ERA?".

Ni bien me ve me dice con aire satisfecho: “¿Qué van a decir ahora los que siempre critican? ¿Qué van a decir los ultras, los extremistas, los que se fueron por derecha? Nada ha cambiado en la Fraternidad y esto lo confirma. No hay nada para decir. El Padre Bouchacourt ha hablado claro, muy claro”.

Bueno –le dije, sin esperar a que recabara mi opinión y tal vez para no dejar que su discurso se agotara es vanas repeticiones-. Este Editorial está muy bien, cómo no. Pero…

-¿Pero qué? –preguntó un tanto impacientado.

-Me pregunto qué pasó con el cisne.

-¿Qué cisne?

terça-feira, 5 de março de 2013

FSSPX: Carta a Mons. Fellay por 37 sacerdotes franceses

OPERAÇÃO MEMÓRIA: esta carta é atual, de poucos dias atrás, e é mais um registro para que não se perca a memória dos fatos e não se alegue uma conveniente amnésia. A tradução foi feita do texto em italiano, gentilmente cedido pelo Blog Non Possumus (italiano). A demora em publicar, em relação a outros blogs de língua portuguesa, se deu por causa da revisão e das notas; eu prefiro pesquisar e informar, quando possível, as fontes das referências que são feitas. 

Pois bem, o texto de hoje trata-se da Carta a Mons. Fellay escrita por 37 sacerdotes do Distrito da França. Texto anônimo, mas até agora o Distrito francês não veio a público negá-lo. Um certo superior de um certo distrito “acordista” extra-Europa recebeu este texto no próprio dia 28, e, mesmo assim, ninguém negou coisa alguma. Em sendo assim, as pessoas podem tirar suas próprias conclusões. Não é mencionado o nome do superior do Distrito Francês, mas eu “sinto” que ele não discorda do texto e “sinto” que aparece, aqui e acolá, como este ou aquele indivíduo que é citado. Se não for um dos 37 que (não)assinam a carta, gosto de pensar que a assinaria. Sobre a carta, nas notas fiz alguns comentários que me pareceram necessários, mas o que exsurge – se for verdade, e até agora, repito, ninguém veio a público negá-lo - é um quadro vergonhoso, que de virtudes católicas não tem absolutamente nada. Parece fazerem o estilo “faz o que eu digo, mas não faz o que eu faço”: mentiras, enganações, ambiguidades, tergiversações, politicagem, perseguições, injúrias... a lista é grande. Seria grande demais mesmo se houvesse apenas um substantivo desses, em se tratando de um “Alter Christe

Os 37 padres são os novos heróis da Tradição, mas precisam levar o heroísmo a um grau maior e se identificarem corajosamente, como fizeram outros antes deles, mesmo sabendo que seriam – e foram – punidos por sua fidelidade à Igreja, a Mons. Lefebvre e à FSSPX. Quiçá, agora, mais alguns silenciosos sintam-se encorajados a tomar posição e honrar a batina que vestem. ESTO VIR!, diria São Pio X.

Uno-me a este coro de mais 37 vozes para dizer, em alto e bom som, que eu também quero que dom Fellay seja santo, junto com seus dois Assistentes.  



 

CARTA A MONS. FELLAY POR 37 SACERDOTES DO DISTRITO DA FRANÇA





A Mons. Fellay.

Excelência:

Como o senhor escreveu recentemente, “os laços que nos unem são essencialmente sobrenaturais”. Entretanto, o senhor tomou o cuidado de nos lembrar, com razão, que as exigências da natureza não devem ser esquecidas também. “A graça não destrói a natureza”. Entre estas exigências, há a veracidade. Ora, nós somos obrigados a constatar que uma parte dos problemas que tivemos que enfrentar nesses últimos meses deriva de uma grave falta desta virtude.

segunda-feira, 4 de março de 2013

FSSPX: Carta-resposta de dom Fellay aos três bispos.

OPERAÇÃO MEMÓRIA: Não estranhem mais esta publicação, que parece um tanto atrasada, é mais um registro para que não se perca a memória dos fatos e não se alegue uma conveniente amnésia. Trata-se da carta-resposta de dom Fellay à carta que foi enviada ao Conselho Geral da FSSPX, em abril de 2012.


Carta de Dom Fellay aos outros bispos da Fraternidade São Pio X


Menzingen, 14 de abril de 2012

A NN. SS. Tissier de Mallerais, Williamson et de Galarreta.

Excelências,

A vossa carta coletiva dirigida aos membros do Conselho Geral recebeu toda a nossa atenção. Agradeço-vos por vossa solicitude e a vossa caridade.

Permiti-me, de minha parte, no mesmo intuito de caridade e de justiça de vos fazer as seguintes observações.

Em primeiro lugar, a carta menciona a gravidade da crise que agita a Igreja e analisa com precisão os erros que pululam no ambiente. Mas a descrição contém dois defeitos em relação à realidade da Igreja: falta-lhe o sobrenatural e, ao mesmo tempo, carece de realismo.

Falta-lhe, sobretudo, o sobrenatural. Lendo-a, acabamos por nos questionar seriamente se vós acreditais ainda que a Igreja visível, cuja Sé está em Roma, é a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo; uma Igreja certamente desfigurada de um modo horrível, a planta pedis usque ad vertice capitis, mas uma Igreja que, de qualquer forma, ainda tem como cabeça Nosso Senhor Jesus Cristo. Tem-se a impressão de que estais tão escandalizados que não aceitais mais o que ainda pode ser verdade. Para vós, o Papa Bento XVI é ainda Papa legítimo? Se o é, Jesus Cristo ainda pode falar por sua boca? Se o Papa expressa uma vontade legítima em relação a nós, que é boa, que não dá uma ordem contra os mandamentos de Deus, temos o direito de negligenciar, de mandar de volta esta vontade? E, caso contrário, sobre qual princípio vos embasais para agir assim? Não acreditais que, se o nosso Senhor nos comanda, também nos dará os meios para continuar o nosso trabalho? Bem, o Papa nos fez saber que a preocupação de regular a nossa situação para o bem da Igreja estava no coração de seu pontificado, e também que sabia que seria mais fácil para ele e para nós deixar a situação assim como ela está agora. Portanto, é uma vontade decidida e justa a que ele expressa.

Com a atitude que preconizais, não há mais lugar para os Gideões nem para os David, nem para todos aqueles que contam com a ajuda do Senhor. Vós nos recriminais de sermos ingênuos e de termos medo, mas é a vossa visão da Igreja que é humana demais e, também, fatalista; enxergais apenas os perigos, os complôs, as dificuldades, não enxergais mais a assistência da graça e do Espírito Santo.

Se se quer aceitar que a Providência divina conduz os assuntos dos homens, deixando a eles a liberdade, é preciso aceitar que as ações destes últimos anos em nosso favor estão sob sua orientação. Agora indicam uma linha, não completamente reta, mas claramente a favor da Tradição. Por que de repente essa linha cessaria, se fazemos de tudo para manter nossa lealdade e acompanhamos os nossos esforços com uma oração comum? O bom Deus nos abandonaria no momento mais crucial? Isso não faz muito sentido. Especialmente, não devemos procurar de impor uma nossa própria vontade qualquer, mas procuremos enxergar através dos acontecimentos o que Deus quer, estando dispostos a tudo, como Ele quiser.

Ao mesmo tempo, carece de realismo tanto no que respeita a intensidade dos erros quanto à sua amplitude.

Intensidade: na Fraternidade está-se tratando os erros do Concílio como se fossem super-heresias, torna-se como o mal absoluto, pior de tudo, da mesma forma como os liberais têm dogmatizado este concílio pastoral. O males já são dramáticos o suficiente sem que se precise exagerá-los ainda mais (cf. Roberto de Mattei, Uma história nunca contada, p. 22; Mons. Gherardini, Um discurso ainda a fazer, p.53, etc.). Não há mais qualquer distinção. E Mons. Lefebvre fez várias vezes as distinções necessárias acerca do liberal. (1) Esta falta de distinção leva um ou outro de vós a um endurecimento “absoluto”. Isto é grave, porque esta caricatura não está mais na realidade e logicamente irá resultar em verdadeiro cisma no futuro. E provavelmente esse é um dos argumentos que me leva a não mais demorar em responder às exigências de Roma.

Amplitude: de uma parte se atribuem às autoridades atuais todos os erros e todos os males que se encontram na Igreja, ignorando o fato que estas procuram, pelo menos em parte, livrar-se dos mais graves (a condenação da “hermenêutica da ruptura” denuncia erros bem reais). Por outro lado, se pretende que todos estejam enraizados nesta pertinácia (“todos os modernistas,” … “todos podres”). Ora, isso é manifestamente falso. Uma grande maioria foi arrastada no movimento, mas não todos.

No ponto da questão mais crucial de todos, sobre a possibilidade de sobreviver nas condições de um reconhecimento da Fraternidade por parte de Roma, nós não chegamos à mesma conclusão vossa.

Que seja registrado que nós não temos buscado um acordo prático. Isso é falso. Nós não recusamos, a priori, de considerar a oferta do Papa, como vós pedistes. Para o bem comum da Fraternidade, nós preferíamos muito mais a solução atual de status quo intermediário, mas claramente Roma não tolera mais isso.

Em si, a solução proposta, da Prelatura pessoal, não é uma armadilha. O que emerge disso, acima de tudo, é que a situação apresentada em abril de 2012 é muito diferente daquela de 1988. Pretender que nada mudou é um erro histórico. Os mesmos males afligem a Igreja, as consequências são ainda mais graves e evidentes do que naquele tempo; mas, ao mesmo tempo, pode-se contatar uma mudança de atitude na Igreja, ajudada pelos gestos e atos de Bento XVI em relação à Tradição. Este novo movimento, nascido pelo menos há uma década, vai se fortalecendo. Ele alcança um bom número (ainda uma minoria) de jovens sacerdotes, de seminaristas e também um pequeno número de Bispos jovens, que se distinguem claramente de seus antecessores, que expressam sua simpatia e seu apoio, mas que são, ainda, silenciados pela linha dominante da hierarquia em favor do Vaticano II. Esta hierarquia está perdendo velocidade. Isto é objetivo e mostra que não é mais ilusório considerar um combate “intramuros”, da duração e da dificuldade de que somos conscientes. Pude constatar em Roma como o discurso sobre as glórias do Vaticano II que se via repetindo constantemente, se ainda está nos lábios de muitos, no entanto não está mais em suas cabeças. São cada vez menos as pessoas que acreditam nisso.

Esta situação concreta, com a solução canônica proposta, é bem diferente da de 1988. E, quando comparamos os argumentos que Mons. Lefebvre defendia na época, concluímos que ele não teria hesitado em aceitar o que hoje nos é proposto. Não percamos o sentido da Igreja, que era tão forte em nosso venerado fundador.

A história da Igreja mostra que a cura dos males que a afetam habitualmente ocorre gradualmente, lentamente. E quando um problema acaba, há outro que começa… oportet haereses esse. Pretender de esperar até que tudo seja resolvido para chegar ao que vós chamais de acordo prático não é realista. É muito provável que, vendo como as coisas se desenvolvem, o fim dessa crise levará ainda décadas. Mas, se recusar a trabalhar no campo porque ainda há erva daninha, que ameaça abafar, calar a erva boa, encontra curiosamente uma lição bíblica: é o próprio Nosso Senhor que nos faz compreender, com sua parábola do trabalhador, que sempre haverá, de uma forma ou de outra, ervas daninhas para arrancar e combater em Sua Igreja…

Não podeis imaginar quanto, nesses últimos meses, a vossa atitude – muito diferente para cada um de vós – foi dura para mim. Isso tem impedido o Superior Geral de vos comunicar e vos tornar partícipes destas grandes preocupações, às quais ele vos teria associado de boa vontade, se não tivesse se confrontado com uma incompreensão tão forte e apaixonada. Como teria desejado contar convosco, com vossos conselhos, para apoiar essa passagem tão delicada de nossa história. É uma grande provação, talvez a maior de toda a sua função. Nosso venerado fundador deu aos Bispos da Fraternidade uma responsabilidade e deveres precisos. Ele mostrou que o princípio que na nossa sociedade faz a unidade é o superior geral. Mas, já há algum tempo, vós tentais, cada um de forma diferente, de impor-lhe o vosso ponto de vista, até mesmo sob a forma de ameaças, inclusive publicamente. Essa dialética entre verdade/fé e autoridade é contrária ao espírito sacerdotal. Ele, pelo menos, teria esperado que vós buscásseis compreender os argumentos que o impelem a agir como agiu nos últimos anos, segundo a vontade da divina providência.

Nós rezamos por cada um de vós, para que nesse combate que está longe de terminar nos encontremos juntos, para a maior glória de Deus e por amor a nossa cara Fraternidade. 


Que Nosso Senhor Ressuscitado e Nossa Senhora se dignem de vos proteger e abençoar. 


+ Bernard Fellay
Niklaus Pfluger
Alain-Marc Nely

Fonte: http://missatridentinaemportugal.blogspot.com.br/2012/05/carta-de-dom-fellay-aos-outros-bispos.html
Fonte original: http://fratresinunum.com – mas não encontrei o post.


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Carta dos três Bispos ao Conselho Geral da FSSPX

OPERAÇÃO MEMÓRIA: Não estranhem esta publicação, que parece um tanto atrasada, é mais um registro para que não se perca a memória dos fatos e não se alegue uma conveniente amnésia. Trata-se da carta que os três Bispos consagrados por Mons. Lefebvre - Dom de Galarreta, Dom Tissier e Dom Williamson - enviaram a dom Fellay, em 7 de abril de 2012.



Carta dos três Bispos ao Conselho Geral da FSSPX


Senhor Superior Geral
Senhor Primeiro Assistente
Senhor Segundo Assistente

Depois de alguns meses, como muitos dizem, o Conselho Geral da FSSPX considera seriamente as propostas romanas com vista a um acordo prático, sendo um fato que as discussões doutrinárias entre 2009 e 2011 têm provado que um acordo doutrinário é impossível com a Roma atual. Por meio desta carta, os três bispos da FSSPX que não fazem parte do Conselho Geral desejam fazer-lhes saber, com todo o respeito que convém, a unanimidade de sua oposição formal a qualquer acordo semelhante.

Claro, de ambos os lados da divisão atual entre a Igreja Conciliar e a FSSPX, muitos desejam restaurar a unidade católica. Honramos a essas pessoas, tanto de uma parte como de outra. Mas a realidade dominante, e diante da qual todos esses desejos sinceros devem ceder, é que, desde o Concílio Vaticano II, as autoridades oficiais da Igreja se afastaram da verdade católica e, hoje em dia, elas se mostram tão determinadas como sempre foram a permanecerem fieis à doutrina e à prática conciliares. As discussões romanas, o preâmbulo doutrinal e Assis III são exemplos impressionantes.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Mons. de Galarreta em Albano: é preciso fechar a "caixa de pandora"...

O site italiano NON POSSUM reproduz a reflexão de Dom de Galarreta sobre a proposta romana proferida por ele em Albano, em 2011:
 

Mons. Alfonso de Galarreta: "Pelo bem da Fraternidade e da Tradição, é preciso tornar a fechar o mais rápido possível a 'caixa de Pandora', para evitar o descrédito e a demolição da autoridade, para evitar as contestações, as discórdias, talvez sem volta"


Vou tentar traduzir brevemente e publicar aqui. Mas... é fácil de entender, se você quiser se arriscar!

Apenas para reflexão:
"Como indicava Mons. Lefebvre depois das consagrações: será preciso esperar, infelizmente, que a situação deles se agrave... até que estejam prontos para abandonar o Vaticano II."
G.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Carta aberta do Rev. Padre Cardozo

CARTA ABERTA DO REV. PE. ERNESTO CARDOZO

o original e a tradução em Português

  +
N. Friburgo, 13-5-2012. 95º aniversario de la 1º aparición de Ntra. Sra. de Fátima


Pe. Cardozo e Mons. Lefebvre - 1988
Carta abierta a mis compañeros sacerdotes, fieles y amigos.    

Con la lectura de la carta de los tres Obispos de la Fraternidad a la Casa General  y la respuesta de ésta por parte de Mons. Fellay y sus seguidores, (que tienen más o menos los mismos errores que los manifestados en sus días por Dom Gérard, P. Rifan, P. Muñoz), no me queda más que manifestar: 

1º Nuestra total adhesión a la Fraternidad San Pio X y a su Fundador y por ende mi absoluto apoyo a los tres Obispos que permanecen fieles a la obra de Mons. Lefebvre en quienes pongo mi obediencia.
 

2º Mi desconocimiento de la autoridad de Mons. Fellay dada su pertinacia y alejamiento de los principios del Fundador y de todos quienes  compartan su posición de entrega a Roma, tengan el cargo que tengan y por ende mi repulsa a la postura de este Monseñor fundada en base a sus pareceres y políticas totalmente alejadas del sí-si, no-no del Evangelio y de los fundamentos dados por Mons. Lefebvre. (*)
 

3º Nuestro absoluto rechazo también, a cualquier acuerdo con la Roma modernista, a que este obispo, MF, nos está arrastrando desvergonzadamente en una operación suicidio, haciendo caso omiso de los consejos:
a: del Fundador
b: de sus tres hermanos en el Episcopado
c: de distintos sacerdotes que a lo largo de estos últimos años, le objetaron con las debidas razones los pasos dados hacia la comunión con una iglesia que ella misma se define como “post-conciliar” y no católica, que es enemiga de Ntro. Señor y de su reino universal(¹) y que terminaron expulsados o renunciando para no acabar en la lamentable situación a la que hoy llegamos.
 

4º Por esto hago mi llamamiento a tomar las riendas de la Fraternidad para evitar su desmantelamiento y dispersión a los tres Obispos fieles y que tienen la autoridad legada por el Fundador para ello.
 

5º Convoco a los miembros y fieles que aún guardan un mínimo de lealtad, fidelidad y obediencia al Fundador, a apoyar clara y efectivamente a nuestros tres Obispos leales, quitando todo apoyo a los obsecuentes seguidores de quienes han permitido con su anuencia, colaboración y silencio al actual estado de cosas llevando a la Fraternidad a esta división irremediable.
 

En razón de nuestro carácter de confirmados, esto es, soldados de Xto. Rey, por el juramento anti-modernista que hiciéramos previa a nuestra ordenación, para no terminar en el perjurio y la apostasía, insto a todos a tomar claramente la postura de la Tradición, apoyar con todos nuestros esfuerzos la defensa de la Fraternidad, barca segura en la que tantos objetivos alcanzamos y sobrevivimos a la apostasía de estos tiempos, mientras esperamos una real y completa conversión del Papa y de Roma a la Roma Eterna.
 

Confiados en la consagración hecha otrora de nuestra familia religiosa al Corazón Inmaculado de María, combatir con Ella y para Ella hasta el fin, Amén.   


P. E.J.J.Cardozo

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Nas entrelinhas em Ecône

A homilia filo-romana de Mons. de Galarreta nas ordenações da FSSPX


Ontem, na Festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, foram realizadas, como de costume, as ordenações diaconais e sacerdotais no seminário de Ecône na Suíça, da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. Treze novos sacerdotes e quinze novos diáconos foram ordenados pelas mãos do bispo espanhol de Galarreta (foto), que também é o coordenador dos teólogos da FSSPX que participam das conversações doutrinárias do Vaticano, recentemente concluídas.

A homilia do Bispo, que, junto com Mons. Fellay, não é considerado da ala dura da Fraternidade, ao contrário do coirmão Tissier de Mallerais (para não mencionar Williamson), era esperada porque poderia deixar perceber qual o estado das conversações e das relações com Roma.

A espera não decepcionou.

Na homilia de três quartos de hora, que está disponível em formato áudio neste link, o prelado demorou-se longamente, na primeira parte da homilia, sobre a funesta ilusão do Concílio Vaticano II de conciliar a Fé Católica com alguns dos princípios do Iluminismo e da Revolução Francesa; e, para testemunhar aquela intenção falaz, chama o próprio Joseph Ratzinger, que chegou a definir um 'contra-silabo' os textos do Concílio e considerou que a Igreja deveria fazer próprios, purificando-os, alguns ideais nascidos fora dela, e particularmente do liberalismo.

Mas se esta é a pars destruens do sermão de Mons. de Galarreta, vem, então, a pars construens e a defesa apaixonada da exigência de buscar em Roma a solução dos problemas da Igreja.

Declarando previamente a gravidade da situação e dos erros doutrinários tão difundidos na Igreja conciliar, dever-se-á, então, abandoná-la à própria sorte? Pergunta-se, retoricamente, o prelado. Muito pelo contrário, responde com emoção: "Por princípio temos que ter contato e por princípio temos que ir a Roma". Primeiro - observa - porque somos católicos, apostólicos e ROMANOS. Depois, porque, se Roma é o centro do Catolicismo, é de Roma que a solução deve vir. Então, vale mais o pouco de bem que pode ser feito em Roma, do que o muito bem que se pode fazer em outro lugar.

E, depois, charitas Christi urget nos, acrescenta o prelado. Que declara entender que é extremamente difícil abandonar os erros de toda uma vida, quebrar com atitudes e hábitos associados a ensinamentos errados e adquiridos com o consentimento das autoridades. Reconhece que não é fácil e convida os seus a ter compaixão. A caridade é um dever; quem se opõe, por princípio e ferozmente, a todo contato com os modernistas, com Roma, deveria se lembrar de uma passagem do Evangelho: quando o Senhor não foi recebido em uma cidade, Tiago e João pedem-lhe para fazer descer o fogo divino sobre ela. Mas Jesus os repreende: eles ainda não tinham recebido o Espírito, que é Espírito de caridade.

O amor de Nosso Senhor se manifestou não na guerra, nos anátemas, nas condenações, fazendo descer raios do céu, mas na humildade, na humilhação, na obediência, na paciência, no sofrimento, na morte, e ainda perdoando os inimigos na Cruz. Em Sua vida, Ele tentou de todas as formas fazer admitir a Verdade aos fariseus para lhes oferecer a salvação e o perdão. Aqui está o exemplo a seguir. E assim conclui (paráfrase nossa):

    Não vejo como a firmeza da Verdade seria oposta à leveza, à engenhosidade e, até, à ousadia da caridade. Nem a intransigência doutrinária é contrária às vísceras da misericórdia e ao sal missionário e apostólico de caridade. Não há que se escolher entre a fé e a caridade, devemos abraçar ambas. Sem a caridade, nada sou: se eu mover montanhas e der tudo aos pobres, sem a caridade, nada sou, como diz a epístola aos Coríntios. A caridade é paciente, a caridade é boa, não é invejosa, não busca o próprio interesse e não leva em conta o mal. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Eis como podemos cooperar para a restauração da Fé, para a restauração de todas as coisas em Cristo. E se o remédio consiste em Cristo, este remédio passa necessariamente pelo Coração de Nossa Mãe, a Santa Virgem Maria. É ela, a Mãe de Cristo, a Mãe de Deus, a Mãe de todos os homens, a Corredentora, a Medianeira de todas as graças; é a Rainha de toda a criação, do Céu e da terra.

No âmbito dos discursos de tons muitas vezes realmente 'duros' dos membros da Fraternidade, especialmente quando se destinam precipuamente a um auditório interno e, mais ainda, em uma circunstância tal como as ordenações anuais no principal seminário da Fraternidade, o sermão de Mons. de Galarreta se destaca pelas nuances filo-romanas que transparecem claramente do texto e induzem a um moderado otimismo sobre os humores internos da FSSPX em relação à oferta vaticana de regularização canônica. Clara é de fato a censura que o bispo reserva àqueles que querem a interrupção dos contatos com Roma e anseiam pelo esplêndido isolamento de uma ruptura cismática. Com São Paulo, os considera 'címbalos que tinem'; homens zelosos e diligentes que, no entanto, faltam da única característica que faria suas atividades virtuosas: a caridade, ou seja o amor ao próximo. Ainda mais clara é a mensagem que ele expressa lembrando quão melhor é o pouco bem feito em Roma, ou seja: no coração da Igreja, que o muito bem feito em outros lugares, ou seja: fora dela. A Fraternidade sente que tem uma missão benéfica a cumprir em favor da Igreja. Mas, para isso, lembra o prelado, se deve passar por Roma, pois é de Roma que deverá vir a solução para a atual crise na Igreja.

Enrico.

Tradução: Giulia d'Amore di Ugento


Editado: 05/07/11, para corrigir a falta de um link. Agradeço a Gil Roseira Cardoso Dias pelo aviso.

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