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sexta-feira, 31 de julho de 2015

MONS. LEFEBVRE: O que é necessário para a continuação da Igreja Católica

Publiquei este texto em 10/06/2012. O republico, agora, porque importante e necessário. 

OPERAÇÃO MEMÓRIA. Traduzi um extraordinário, esclarecedor e definitivo texto de Mons. Marcel Lefebvre, escrito no fim de sua longa vida (em 1990). Depois disto, não penso que tenha "mudado de ideia", continuando uma linha de raciocínio que foi sempre a mesma durante toda a sua vida; as aparentes mudanças de rota em seu pensamento e ideias na verdade eram mera consequência das mudanças do pensamento e ideias na Igreja Liberal. À qual ele nunca pertenceu. Quem fizer uso da inteligência que lhe foi dada do Alto no momento que vem ao mundo (ler abaixo), compreenderá perfeitamente o que este texto quer dizer. Tirando o itálico, que ficou no texto seguindo o padrão normativo da Língua Portuguesa, retirei todos os grifos da versão italiana, porque não sei se estão também no original ou se (perdoem-me se não foi isso) quiseram "guiar" a leitura do texto, coisa que deve ser evitada, pois nem sempre é a ênfase que o autor original pretendia. Muitos blogs usam este recurso de grafar, negritar, colorir os textos, em uma vã tentativa, consciente ou não, de que o leitor veja ou sinta o que o blogueiro pretende... Vã, porque na maioria das vezes causa mais confusão que outra coisa. A Fé é a adesão da Razão às Verdades Reveladas. O uso da razão nos faz Católicos, e não devemos permitir que outro nos "guiem", pois pode se dar o caso que o outro seja mais cego do que nós, em que pese se trate de um santo (ler abaixo também). Mons. Lefebvre tinha ideias claras e simples, honestas. É um insulto à sua memória manipular suas palavras; é também uma ofensa à Fé que ele morreu - catolicíssimo! - defendendo.

Ah! Sim... E, ao contrário do que ando ouvindo por aí, quem morreu foi Mons. Lefebvre, não seu pensamento, suas ideias, sua vontade, seu legado e, principalmente, seu combate.

Giulia d'Amore

* * *

O que é necessário para a continuação da Igreja Católica


Saint Michel en Brenne, 29 de janeiro de 1990

Caríssimos leitores,

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Tendo chegado à noite de uma longa vida – pois, nascido em 1905, vejo o ano de 1990 – posso dizer que minha vida foi marcada por acontecimentos mundiais extraordinários: três guerras mundiais, a de 1914-1918, aquela de 1939-1945 e a do Concílio Vaticano II, de 1962-1965.

Os desastres acumulados por estas três guerras, e especialmente pela última, são incalculáveis no campo das ruínas materiais, mas muito mais no das ruínas espirituais. As duas primeiras prepararam a guerra no interior da Igreja, facilitando a ruína das instituições cristãs e o domínio da Maçonaria, que se tornou tão poderosa a ponto de permear profundamente, com a sua doutrina liberal e modernista, os organismos diretores da Igreja.

sábado, 9 de março de 2013

Declaração Doutrinal que Mons. Fellay enviou ao Cardeal Levada

"A sensatez é fonte de vida para quem a possui, mas a estupidez é a escola dos tolos" (Provérbios 16, 22).


A traição, pelo próprio punho do traidor



O preâmbulo finalmente veio a público. Teríamos um “corvo” benfazejo provocando um FSSPXleaks? Que Deus o abençoe!

Não posso, contudo, pedir bençãos para d. Fellay, que se revela um traidor insano. Não só aceitou o CVII, como aceitou o culto protestantante conhecido como "Missa Nova", para além do que exigia o Motu Proprio: "Nós declaramos reconhecer a validade do Sacrifício da Missa e dos Sacramentos celebrados com a intenção de fazer o que a Igreja faz em conformidade com os ritos indicados nas edições típicas do Missal Romano e dos Rituais dos Sacramentos promulgados pelos Papas Paulo VI e João Paulo II" (Ítem 7).

Neste momento, estou verdadeiramente exausta. Passei o dia abastecendo o blog com notícias relevantes, e que agora parecem tão irrelevantes... Nestes últimos dias os eventos foram se multiplicando, tic-tac dom Fellay, as Calendas estão chegando. Já não é mais um padre solitário e “descontente” que brada no deserto e ninguém o ouve. O rei está nu, e até o mais tonto já não pode mais negá-lo! E o um virou três e veio + um + dois + mais... 37. Agora até a ala feminina da Obra de Monsenhor compreendeu que algo não vai bem, que se trata de mentiras atrás de mentiras, palavras ambíguas, conversas diferentes aqui (na FSSPX) e lá (com os apóstatas): é, sim, um acordo prático, com todas as letras!

O blog Non Possumus comenta, ao final da publicação: "Esperamos con impaciencia las explicaciones de la Casa general que aparecerán en el próximo 'Cor Unum', prometido por el Padre Thouvenot en su carta circular del 7 de marzo de 2013". Nós também esperamos.  

Leiam o texto, e que cada um faça devidamente uso da razão para compreender do que se trata. Mas, cuidado! A leitura exige estômago. A traição está cabalmente demonstrada. O faniquito que o Superior da Neo-FSSPX teve com a surpresa da abdicação de Bento XVI agora faz sentido! Depois de ter-se rebaixado tanto, não quereria correr o risco de outro Papa - quiçá um progressista - pôr tudo a perder. 

E nem me digam, os saduceus que ele não entregou, ou que ele mudou de ideia, ou que ele não quer mais... Ele desejou isso, escreveu isso, e ao escrevê-lo já estava jurando! Mas ele o entregou, e ainda assim foi recusado por Roma. Roma queria mais! E isso foi a 15 de abril de 2012, quase um ano!!! Quase um ano que ele traiu, OFICIALMENTE E POR ESCRITO, Mons. Lefebvre, a causa, os seus subordinados, as comunidades amigas, os fieis. A Fé. E, parafraseando a madre carmelita alemã, ele já não é mais amigo da Fé. O pior é que, em 8 de Setembro de 2012, Mons Williamson, em seu Comentários Eleison de n. CCLXIX, denunciava isso. E muitos padres (e fieis) o taxaram de louco! Quem é o louco agora? Não vou reproduzir o texto aqui, porque estou exausta e já foi publicado. Leiam aqui. Mas ressalto que, acerca do preâmbulo, nos disseram, nas capelas e centros de Missa da FSSPX, que "estabeleceu princípios católicos que todas as autoridades da FSSPX poderiam subscrevê-lo". Eu pergunto às "autoridades da FSSPX": os senhores subscrevê-lo-iam? 

De minha parte, vou continuar rezando para que alguns padres que eu particular e sinceramente admirava e respeitava tenham a coragem que tiveram os confrades que os antecederam, os quais, além de perceberem o que “vós mesmos percebestes”, ousaram abraçar a verdade, para não ter nada o que temer naquele Dia em que prestaremos contas de nossos atos, omissões e pensamentos. ESTO VIR, padres do Brasil! Até as carmelitas tiveram mais hombridade. E isso é fácil quando se sabe qual é a verdade, o que é obediência verdadeira, qual a razão de ser da FSSPX, segundo o desejo de seu Fundador. Não posso crer que algum desses padres assinaria esse documento. Estaria vendendo a alma ao diabo.

G.




Declaração Doutrinal de 15 de abril que Mons. Fellay enviou ao Cardeal Levada


I. Nós prometemos ser sempre fiéis à Igreja Católica e ao Romano Pontífice, seu Supremo Pastor, Vigário de Cristo, Sucessor de Pedro e cabeça do Corpo dos Bispos.

II. Nós declaramos aceitar os ensinamentos do Magistério da Igreja em matéria de fé e de moral, dando a cada afirmação doutrinal o grau de adesão exigido, conforme a doutrina contida no nº 25 da Constituição Dogmática Lumen Gentium do Concílio Vaticano II1.

III. Em particular:

1. Nós declaramos aceitar a doutrina sobre o Pontífice Romano e sobre o Colégio dos Bispos, com seu cabeça, o Papa, ensinada pela Constituição Dogmática Pastor Aeternus do Concílio Vaticano I e pela Constituição Dogmática Lumen Gentium do Concílio Vaticano II, capítulo 3 (De constitutione hierarchica Ecclesiæ et in specie de episcopatu), explicada e interpretada pela Nota Explicativa Prævia a esse mesmo capítulo.

2. Nós reconhecemos a autoridade do Magistério, o único ao qual foi confiado o encargo de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita ou transmitida2 dentro da fidelidade à Tradição, recordando que “o Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro para que eles dessem a conhecer, por revelação Sua, uma nova doutrina, mas para que com Sua assistência eles guardem santamente e exprimam fielmente a revelação transmitida pelos Apóstolos, ou seja o depósito da fé”3.

3. A Tradição é a transmissão viva da Revelação “usque ad nos”4  e a Igreja, na sua doutrina, na sua vida e no seu culto, perpetua e transmite a todas as gerações aquilo que ela é e tudo o que ela crê. A Tradição progride na Igreja com a assistência do Espírito Santo5, não como uma novidade contrária6, mas por uma melhor compreensão do depositum fidei7.


4. A inteira Tradição da fé católica deve ser o critério e o guia para a compreensão dos ensinamentos do Concílio Vaticano II, o qual por sua vez esclarece – ou seja, aprofunda e explicita ulteriormente – certos aspectos da vida e da doutrina da Igreja, nela implicitamente presentes ou ainda não formulados conceitualmente8.

5. As afirmações do Concílio Vaticano II e do Magistério pontifício posterior relativas à relação entre a Igreja Católica e as confissões cristãs não-católicas, e também ao dever social de religião e ao direito à liberdade religiosa, cuja formulação é dificilmente conciliável com as afirmações doutrinais precedentes do Magistério, devem ser compreendidas à luz da Tradição inteira e ininterrupta, de maneira coerente com as verdades precedentemente ensinadas pelo Magistério da Igreja, sem aceitar nenhuma interpretação dessas afirmações que possa levar a expor a doutrina católica em oposição ou em ruptura com a Tradição e com este Magistério.

6. É por essa razão que é legítimo promover, mediante uma discussão legítima, o estudo e a explicação teológica de expressões e de formulações do Concílio Vaticano II e do Magistério subsequente, nos casos em que elas não pareçam conciliáveis com o Magistério anterior da Igreja9.

7. Nós declaramos reconhecer a validade do Sacrifício da Missa e dos Sacramentos celebrados com a intenção de fazer o que a Igreja faz em conformidade com os ritos indicados nas edições típicas do Missal Romano e dos Rituais dos Sacramentos promulgados pelos Papas Paulo VI e João Paulo II.

8. Seguindo os critérios enunciados acima (III, 5), bem como o Cânon 21 do Código, nós prometemos respeitar a disciplina comum da Igreja e as leis eclesiásticas, especialmente aquelas que estão contidas no Código de Direito Canônico promulgado pelo Papa João Paulo II (1983) e no Código de Direito Canônico das Igrejas Orientais promulgado pelo mesmo Pontífice (1990), ficando salva a disciplina que será concedida à Fraternidade Sacerdotal São Pio X por uma lei particular.

Fonte original: http://tradinews.blogspot.com.br/2013/03/la-sapiniere-declaration-doctrinale-du.html

Tradução de Felipe Coelho: FRATERNIDADE SACERDOTAL DE S. PIO X, Declaração Doutrinal de 15 de Abril de 2013; trad. br. por F. Coelho, São Paulo, mar. 2013, blogue Acies Ordinata, http://wp.me/pw2MJ-1Fh
Não revisado pelo Pale Ideas.

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1.  Cf. também a Nova Fórmula da Profissão de Fé e do Juramento de Fidelidade para assumir um ofício exercido em nome da Igreja, de 1989; cf. CIC cânones 749; 750, 1 e 2; 752; CCEO cânones 597; 598, 1 e 2; 599
2.  Cf. Pio XII, Encíclica Humani Generis.
3.  Vaticano I, Constituição Dogmática Pastor Aeternus, Dz. 3070.
4.  Concílio de Trento, Dz. 1501: “Toda verdade salutar e toda regra moral (Mt. XVI, 15) estão contidas nos livros escritos e nas tradições não escritas que, recebidas pelos Apóstolos da boca do próprio Cristo ou transmitidas como que de mão em mão pelos Apóstolos sob o ditado do Espírito Santo, chegaram até nós.”
5.  Cf. Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Dei Verbum, 8 e 9, Dz. 4209-4210.
6.  Vaticano I, Constituição Dogmática Dei Filius, Dz. 3020: “Assim, sempre se deve conservar o sentido dos dogmas que a Santa Madre Igreja determinou de uma vez por todas, e jamais se afastar dele sob pretexto e em nome de uma inteligência mais elevada desses dogmas. Cresçam, pois, e se multipliquem abundantemente, tanto em cada um como em todos, tanto nos homens como em toda a Igreja, ao longo das idades e dos séculos, a inteligência, a ciência e a sabedoria; mas somente no gênero que lhes convém, isto é, na unidade do dogma, do sentido e da maneira de ver (S. Vicente de Lérins, Commonitorium, 28).”
7.  Vaticano I, Constituição Dogmática Dei Filius, Dz. 3011; Juramento Antimodernista, nº 4; Pio XII, Carta Encíclica Humani Generis, Dz. 3886; Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Dei Verbum, 10, Dz. 4213.
8.  Como, por exemplo, o ensinamento da sacramentalidade do episcopado em Lumen Gentium, nº 21.
9.  Encontra-se um paralelo na história com o Decreto para os Armênios do Concílio de Florença, no qual a entrega dos instrumentos era indicada como matéria do Sacramento da Ordem. Sem embargo, os teólogos discutiam legitimamente, mesmo após este decreto, acerca da exatidão de uma tal afirmação; finalmente, a questão foi resolvida de outro modo pelo Papa Pio XII. 



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segunda-feira, 4 de março de 2013

Carta dos três Bispos ao Conselho Geral da FSSPX

OPERAÇÃO MEMÓRIA: Não estranhem esta publicação, que parece um tanto atrasada, é mais um registro para que não se perca a memória dos fatos e não se alegue uma conveniente amnésia. Trata-se da carta que os três Bispos consagrados por Mons. Lefebvre - Dom de Galarreta, Dom Tissier e Dom Williamson - enviaram a dom Fellay, em 7 de abril de 2012.



Carta dos três Bispos ao Conselho Geral da FSSPX


Senhor Superior Geral
Senhor Primeiro Assistente
Senhor Segundo Assistente

Depois de alguns meses, como muitos dizem, o Conselho Geral da FSSPX considera seriamente as propostas romanas com vista a um acordo prático, sendo um fato que as discussões doutrinárias entre 2009 e 2011 têm provado que um acordo doutrinário é impossível com a Roma atual. Por meio desta carta, os três bispos da FSSPX que não fazem parte do Conselho Geral desejam fazer-lhes saber, com todo o respeito que convém, a unanimidade de sua oposição formal a qualquer acordo semelhante.

Claro, de ambos os lados da divisão atual entre a Igreja Conciliar e a FSSPX, muitos desejam restaurar a unidade católica. Honramos a essas pessoas, tanto de uma parte como de outra. Mas a realidade dominante, e diante da qual todos esses desejos sinceros devem ceder, é que, desde o Concílio Vaticano II, as autoridades oficiais da Igreja se afastaram da verdade católica e, hoje em dia, elas se mostram tão determinadas como sempre foram a permanecerem fieis à doutrina e à prática conciliares. As discussões romanas, o preâmbulo doutrinal e Assis III são exemplos impressionantes.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

O firme protesto de Mons. Lefebvre contra a injusta supressão do Seminário de Ecône

Courrier de Rome, Févr. 2006, n°286 – Canonicus: L’injuste suppression d’Écône

 

La ferme protestation de Mgr Lefebvre
contre l’injuste suppression du Séminaire d’Écône


Dans son homélie de Venise, Mgr Lefebvre résumait l’affaire, alors relativement récente, de la suppression de la Fraternité fondée par lui : « Je vais à Rome cinq ou six fois par an pour supplier les cardinaux, le Pape lui-même, de revenir à la Tradition, pour redonner à l’Église sa vie catholique [...]. Ma Fraternité, en effet, a été reconnue officiellement il y a dix ans par Rome et par l’évêque de Fribourg, en Suisse, dans le diocèse duquel elle a été fondée. Ensuite, des évêques progressistes et modernistes ont vu dans mes séminaires un danger pour leurs théories ; ils se sont fâchés contre moi et ils se sont dits : il faut détruire ces séminaires, il faut en finir avec Écône et avec l’œuvre de Mgr Lefebvre, parce qu’ils sont dangereux pour notre plan progressiste révolutionnaire. Ils se sont adressés à Rome sur le même ton, et Rome a cédé.
Mais, comme je l’ai dit à Sa Sainteté Jean-Paul II, la suppression a été faite d’une façon contraire au Droit Canon : même les soviets ne prononcent pas des jugements comme ceux prononcés à Rome par les cardinaux sur mon œuvre. Les soviets ont un tribunal, une espèce de tribunal pour condamner quelqu’un, mais moi, je n’ai même pas eu un tribunal, rien. Un beau jour est arrivée une lettre [le 6 mai 1975, de l'Ordinaire du lieu, S.E. Mgr Mamie, archevêque de Fribourg, en Suisse] pour me dire que le séminaire devait être fermé »[1].

La suppression du séminaire d’Écône doit être tenue pour invalide à tous les NIVEAUX

Il y a trente ans, dans cette même revue, qui venait d’être fondée depuis peu par don Francesco Putti, complètement indépendante (alors comme aujourd’hui) de la FSSPX, un article détaillé révélait les différentes et graves irrégularités de la procédure mise en œuvre pour frapper la Fraternité, procédure invalidée à la racine par l’absence de « motifs graves ». Ces motifs graves n’ont jamais pu être définis, puisqu’ils n’existent pas : ce sont les « désordres moraux » ou les « déviations doctrinales » requis par le droit canon pour une mesure coercitive d’une telle gravité. « La fermeture d’un séminaire où étaient formés quelque cent élèves [ce qui était reconnu par les organes compétents eux-mêmes] – écrivions-nous – ne pouvait pas être décrétée pour une déclaration de son supérieur [Mgr Lefebvre], désapprouvée par l’Autorité ecclésiastique, la désapprobation eût-elle été fondée et juste [le 21 novembre 1974, Mgr Lefebvre, qui avait déjà déclaré officiellement en 1971 son refus du Novus Ordo Missœ, indigné par les déclarations hétérodoxes faites à ses séminaristes par deux visiteurs apostoliques (11-13 nov. 1974), avait pris publiquement position contre les infiltrations « néomodernistes » dans l'Église officielle - et cela comportait une critique implicite du Pontife alors régnant, S.S. Paul VI - en proclamant son immuable fidélité à l'enseignement du Concile de Trente], [...]. Il est arrivé de nombreuses fois que des supérieurs soient destitués pour une déclaration inacceptable ou pour un acte grave de désobéissance au Souverain Pontife, mais jamais les séminaires, les instituts n’ont été fermés pour un tel motif [...]. Et si l’on a parfois constaté que les idées soutenues par le fondateur ou le supérieur exerçaient une influence néfaste sur la formation des élèves, on y a remédié par la nomination d’un visiteur permanent »[2].
L’article s’arrêtait aussi sur la question de la compétence de l’Ordinaire dans ce cas. Il rappelait que, d’après le Code de droit canonique (CIC) alors en vigueur, celui de 1917, l’évêque local ou Ordinaire ne peut pas « supprimer tout ce que lui-même ou ses prédécesseurs ont institué ou approuvé » : pour la suppression des « congrégations religieuses de droit diocésain », c’est-à-dire érigées légitimement par l’évêque dans son diocèse, seul le Saint Siège est compétent (can. 493, CIC). Un éventuel décret épiscopal de suppression nécessitait donc, pour être valide, une autorisation expresse, spécifique, du Saint Siège (du Pape, à travers la Congrégation compétente). C’est le Saint Siège qui devait « être mis en mouvement ». Mais cette « mise en mouvement » eut lieu de façon tellement irrégulière, qu’elle ne peut que nous amener à la conclusion que toute la procédure doit être tenue pour invalide, ce qui invalide à la racine la décision même de suppression[3].
La question de la compétence constituait naturellement l’argument clé du recours présenté par Mgr Lefebvre au Tribunal de la Signature Apostolique, et déclaré irrecevable par ce dernier. Mgr Lefebvre arguait de l’invalidité intrinsèque de la décision et donc de sa nullité radicale, à tous les niveaux, à cause de l’incompétence aussi bien de l’Ordinaire local pour la prononcer que de la « commission cardinalice » pour juger l’appelant en matière de foi. Mgr Lefebvre s’appuyait sur le fait que l’Ordinaire n’avait jamais reçu aucune autorisation valide du Saint Siège, c’est-à-dire conférée dans les formes requises par le droit.

La vraie nature juridique de la FSSPX

Sur le point capital de l’incompétence de Mgr Mamie, qu’il nous soit permis de faire quelques considérations. La FSSPX, comme il ressortait de ses statuts et de son activité, était une société sacerdotale de vie commune sans vœux [publics], à l’exemple des sociétés des Missions Étrangères (chap. I, 1 des statuts), dont la fin était la formation sacerdotale selon les principes traditionnels de l’Église, principes qui impliquaient, entre autres, le maintien de la sainte Messe tridentine (chap. II, 2-3 des Statuts). Ces « sociétés », dans le droit canon alors en vigueur (CIC, 1917), étaient considérées comme des congrégations (religiones) au sens large, par rapport aux congrégations « au sens strict », comme les ordres, dont les membres avaient une communauté de vie et professaient publiquement les trois vœux de chasteté, pauvreté et obéissance. Ces vœux pouvaient être solennels (ils rendaient ipso iure invalide un acte accompli en leur violation), ou simples (ils rendaient illicite mais non invalide ce même acte)[4].
L’existence de vie en commun sans vœux se déroulait « à l’imitation de celle des congrégations, sans en avoir les obligations strictes, et pour des buts semblables, c’est-à-dire viser à une plus grande perfection spirituelle et également accomplir des œuvres de charité chrétienne ou exercer un apostolat religieux ou social. Plus précisément, elles sont proches des congrégations religieuses, avec lesquelles elles se confondent parfois extérieurement. Le code reconnaît leur existence, dans la mesure où les membres (sodales) de ces sociétés – qui peuvent être aussi bien masculins que féminins – vivent en commun, sous le gouvernement de supérieurs et selon leurs propres constitutions, dûment approuvées, mais sans prononcer les trois vœux publics habituels. Ces sociétés, comme le dit expressément le code, ne sont pas exactement des congrégations, et leurs membres ne peuvent pas précisément être qualifiés de religieux ; toutefois elles se répartissent, comme les congrégations, en sociétés cléricales et en sociétés laïques [quand elles ne se composent pas majoritairement de prêtres], et en sociétés de droit pontifical et de droit diocésain. Elles sont soumises, quant à leur érection et à leur suppression, aux règles en vigueur pour les congrégations, ainsi qu’en général, par analogie, et dans la mesure du possible, aux règles du droit commun relatives à ces dernières [...]. Les dénominations spécifiques que ces sociétés ont coutume de prendre en pratique (oratoires, retraites, béguinages, conservatoires, sociétés pieuses, etc.) ne sont pas soumises à des règles précises »[5].
Dans la pratique, la terminologie était plutôt souple. Mais ce qui importe, au regard de notre discours, c’est la discipline alors en vigueur pour l’érection et la suppression (ce dernier événement étant plutôt rare) des sociétés en question, qui était en substance celle des congrégations. Les religiones se partageaient (ex. can. 488 3°) en congrégations de droit pontifical, si elles avaient obtenu l’approbation ou au moins le décret d’approbation du Saint Siège, et en congrégations de droit diocésain si, érigées par l’évêque, elles n’avaient pas encore obtenu le décret d’approbation[6]. Le c. 492, § 2 du CIC établissait par ailleurs qu’une congrégation de droit diocésain, même si elle était « répartie sur plusieurs diocèses », demeurait de droit diocésain, c’est-à-dire soumise à l’évêque du diocèse, tant qu’elle n’avait pas reçu « l’approbation pontificale ou le décret d’approbation ». Toutefois, « une fois fondée légitimement », sa suppression était réservée au Saint Siège : supprimi nequit nisi a Sancta Sede (c. 493). De cette façon, le droit canon introduisait des limites au pouvoir de l’évêque à la juridiction duquel la congrégation était soumise[7]. Cette règle a joué un rôle fondamental dans l’affaire de la suppression de la Fraternité, étant donné que la discipline de l’érection et de la suppression des congrégations était expressément étendue par le c. 674 aux sociétés de vie en commun sans vœux, appelées elles aussi congrégations, dans la terminologie élastique de l’époque.
La FSSPX avait été régulièrement constituée par le prédécesseur de Mgr Mamie, S.E. Mgr Charrière, qui en approuva formellement les statuts le 1er novembre 1970. Par conséquent, la Fraternité ayant été régulièrement constituée selon le droit, Mgr Mamie ne pouvait la supprimer qu’avec une autorisation expresse du Pape, une sorte de délégation de pouvoir. Mais il n’apparaît pas qu’une telle autorisation ait jamais été donnée. Il n’apparaît pas non plus que le pontife alors régnant, S.S. Paul VI, ait approuvé dans sa forme spécifique toute la procédure, irrégulière à bien des égards, qui aboutit à la lettre de suppression de la FSSPX. Cette approbation, qui doit être formelle, expresse, aurait régularisé toute éventuelle irrégularité et tout abus, à moins que n’aient été violées la loi naturelle ou la loi divine. Et en effet, le Tribunal de la Signature Apostolique déclara irrecevable le recours de Mgr Lefebvre, avançant précisément l’argument de l’approbation spécifique par le Pape de la mesure contestée, alléguant donc un fait dont l’existence n’a jamais été prouvée.

Société de vie en commun, ou pia unio?

Le fait est que quand Mgr Charrière, « toutes les prescriptions canoniques étant observées », accorda son autorisation, il érigea la FSSPX « au titre de Pia Unio », et non au titre de « société sacerdotale de vie commune sans vœux » (vulgo, « congrégation », comme il résulte de l’art. 1 des statuts)[8]. Alors, peut-être Mgr Mamie avait-il raison ?
En effet, pour la suppression d’une « pia unio » non érigée par le Saint Siège et agissant dans le diocèse, c’est l’Ordinaire local qui était compétent, sans nécessité d’une autorisation pontificale ad hoc, avec toujours une possibilité de recours auprès du Tribunal de la Signature Apostolique.

Mais qu’est-ce qu’une pieuse union ?

Les instituts dont nous parlons ici appartiennent désormais à l’histoire du droit canon, puisque le nouveau CIC, celui de 1983, en a partiellement modifié la discipline, tout en innovant aussi dans la terminologie. Il n’est donc pas facile de s’en faire une idée précise aujourd’hui. Les pieuses unions, comme les tiers ordres séculiers, les confréries, étaient des associations traditionnellement constituées de fidèles laïcs, auxquelles pouvaient évidemment aussi participer des clercs et des religieux. Les fidèles qui les composaient, n’étant pas liés par des vœux ni par « le lien organique et durable avec l’association » (c’est-à-dire la vie en commun), vivaient dans le siècle « en vaquant à leurs occupations normales », tout en se proposant d’accomplir des « œuvres spéciales » de piété et de charité dans un but surnaturel. Un exemple célèbre de pia unio est donné par les Congrégations mariales, qui, malgré leur nom, étaient des associations de laïcs qui se proposaient d’accomplir un apostolat, en répandant particulièrement le culte de la très sainte Vierge (par exemple avec les Filles de Marie)[9].
La FSSPX devait-elle être considérée comme une « pia unio », au même titre que les Filles de Marie? Certainement pas. Sa nature juridique intrinsèque, comme nous l’avons déjà vu, était celle d’une société de vie commune sans vœux, comparable aux congrégations au sens strict. Comment expliquer, alors, qu’elle soit née avec l’étiquette de « pia unio »? Le terme ne doit pas être compris dans un sens générique, mais technique. Son emploi montre l’adoption de ce qui devait être une pratique affermie des évêques. Comme il devait toujours y avoir une période d’essai (renouvelable) de quelques années, en général six, avant d’arriver à l’approbatio définitive, on commençait par ériger « au titre de pia unio » la société qui allait par la suite se transformer en congrégation. Lorsque ce titre ne correspondait pas à la nature et à l’activité effective de l’entité, c’est-à-dire d’une entité qui, née en tant que « pia unio » effective (composée majoritairement de clercs, en l’occurrence), allait ensuite se transformer en société de vie commune sans vœux, alors on était en présence d’une fiction légale, qui présentait l’avantage de permettre à l’Ordinaire une approche la plus prudente possible de la nouvelle réalité ecclésiale et une plus grande liberté d’action à l’égard du Saint Siège, étant donné que l’érection d’une entité au titre de « pia unio » n’était pas liée à un nihil obstat préalable du Saint Siège, obligatoire en revanche pour les congrégations (c. 492 § 1) : « Episcopi [...] condere possunt Congregationes religiosas; sed eas ne condant neve condi sinant, inconsulta Sede Apostolica ». Dans le cas de la « pia unio » fictive, si d’aventure on décidait de la supprimer, qu’allait-on supprimer : la « pia unio » formelle (et alors la compétence de l’Ordinaire était indiscutable)[10] ou la société concrète de vie commune sans vœux? Nous sommes de ceux qui pensent que, dans certains cas, l’organisation juridique concrète doit prévaloir sur l’organisation juridique formelle, surtout quand elle est purement formelle. Et nous sommes convaincus que cette façon de sentir est conforme à l’esprit du droit canon. C’est l’entité dans sa réalité institutionnelle concrète, c’est ce qu’elle est selon ses statuts, confirmés par le comportement effectivement adopté, c’est cette entité que l’autorité décide à un certain moment de supprimer. La réponse à la question ci-dessus nous semble donc évidente. La FSSPX a agi depuis le début de son existence comme congrégation à tous points de vue, il n’y a pas eu de période préliminaire pendant laquelle ses membres auraient vécu sans pratiquer la vie en commun, sans observer l’obligation de conformer chacune de leurs actions quotidiennes aux prescriptions des statuts.

Deux confirmations de notre thèse

Le fait que la FSSPX a toujours été considérée comme une société de vie commune sans vœux est également prouvé, à notre avis, par deux autres faits. Entre 1971 et 1975, le Saint Siège autorisa trois prêtres extérieurs à la Fraternité à y être incardinés canoniquement[11]. Cela démontre que la Fraternité était considérée comme une congrégation, et non comme une pia unio. En outre, dans le protocole d’accord signé par le Saint Siège et la Fraternité le 5 mai 1988, et auquel, comme chacun sait, il ne fut donné aucune suite, on affirmait au sujet des « questions juridiques » à régler : « En tenant compte du fait que la Fraternité [...] a été conçue depuis 18 ans comme une société de vie en commun [...] la forme canonique la plus adaptée [à son encadrement selon le nouveau Code] est celle d’une Société de vie apostolique »[12]. On constate donc ici que son érection « au titre de pia unio » est oubliée, car sans signification pour la détermination de la nature juridique spécifique de la Fraternité.
Ces affirmations ont été, à l’époque, signées par le cardinal Ratzinger. Cela signifie que le Saint Siège n’avait aucune objection à l’affirmation que la Fraternité « avait été conçue pendant 18 ans [et donc depuis sa constitution] comme société de vie en commun [sans vœux publics] ». Le régime juridique que le protocole d’accord prévoyait pour elle, en conformité avec la discipline du nouveau CIC, était celui de la « société de vie apostolique ». Or ces societates vitœ apotolicœ sont précisément, mutatis mutandis, les héritières directes, comme l’on sait, des societates in communi viventium sine votibus du code précédent : « Dans le CIC de 1917 aussi (c. 673-681), ces sociétés [de vie apostolique] avaient reçu un traitement du législateur, également sous la dénomination de sociétés de vie en commun sans vœux. Il y a donc, chez le législateur d’hier et d’aujourd’hui, une volonté évidente de les exclure de la catégorie des religieux au sens strict [...]. Toutefois, cela n’empêche pas qu’elles soient considérées [par le code lui-même] comme semblables aux instituts de vie consacrée [c'est la nouvelle dénomination des religions] soit parce qu’elles ont une vie commune, soit parce qu’elles professent des vœux religieux, soit parce qu’elles observent les constitutions [leurs statuts][13].
Puisque la FSSPX était une societas de vie en commun sans vœux, son intégration dans la forme juridique de la societas vitœ apostolicœ du nouveau code constituait une sorte de débouché naturel, débouché contre lequel personne n’avait la moindre objection. Du protocole d’accord du 5 mai 1988, on peut donc retirer, à notre avis, une indéniable confirmation post factum de la vraie nature juridique de la Fraternité, qui n’est pas et n’a jamais été celle de la pia unio. Les « pieuses unions » ont disparu du nouveau code, en tant que catégorie autonome. Elles sont comprises dans les prescriptions générales du c. 304 sur les « consociationibus christifidelium », c’est-à-dire sur les « associations » de fidèles, publiques ou privées, « quelle que soit leur appellation ». Des anciennes associations de fidèles, seuls les Tiers Ordres ont été maintenus comme forme autonome, au c. 303.

Le sens authentiquement religieux de la « croisade » invoquée par Mgr lefebvre

On le sait, Mgr Lefebvre ne plia pas devant l’injustice qu’on lui faisait subir, il refusa de fermer son séminaire (aujourd’hui encore bien vivant et florissant), et il procéda aux ordinations épiscopales prévues pour le 29 juin 1975. Il fut, pour cela, suspendu a divinis. Quelle valeur doit-on accorder à cette « suspense » ? Nous pensons n’offenser personne en affirmant qu’elle doit être considérée comme contestable, en raison d’une absence de prémisses légitimes, car prononcée sur la base d’un acte qui constituait un abus de pouvoir de la part de l’autorité, et qu’elle est de toute façon invalide. En effet, la « désobéissance » de Mgr Lefebvre, dans la mesure où elle avait été provoquée par l’état de nécessité dans lequel il s’était trouvé soudainement et injustement, soit ne pouvait pas constituer un motif d’accusation (car le c. 2205 § 2 admettait la situation de « nécessité » parmi celles qui supprimaient l’imputabilité même du « délit » éventuellement commis), soit devait être punie (dans l’esprit du code de droit canon, qui tenait en particulier au principe de juste proportion entre peine et délit – c. 2218 § 1) par une sanction moins sévère. Cette « désobéissance », en effet, aurait très bien pu se voir appliquer les prescriptions du § 3 de ce même canon, qui énumérait certains types d’actes accomplis en état de nécessité, lesquels ne supprimaient pas l’imputabilité mais l’atténuaient. Parmi ces actes se trouvaient justement les actes accomplis « in contemptum ecclesiasticae auctoritatis », auxquels pouvait être assimilé un comportement considéré comme désobéissant (cf. c. 2331 § 1).
Mais ce qui est arrivé par la suite à Mgr Lefebvre fut encore pire, nous le savons, avec l’excommunication de 1988 qui lui infligeait l’étiquette de « schismatique » parce qu’il avait consacré quatre évêques comme ses successeurs pour conduire la FSSPX, n’observant pas la volonté du Pontife alors régnant, qui l’avait invité à surseoir, à continuer les négociations en cours depuis quelque temps avec le Saint Siège au sujet du choix de son ou ses successeurs. Sur la question de l’excommunication et du « schisme » supposé de Mgr Lefebvre, notre revue s’est déjà prononcée dans deux études ad hoc, parues il y a quelques années (Les consécrations épiscopales de S.E. Mgr Lefebvre nécessaires malgré le « non » du Pape. Étude théologique, par Hirpinus (1999); Une excommunication invalide – un schisme inexistant. Réflexions dix ans après les sacres d’Écône. Étude canonique, par Causidicus, 1999). Il nous semble donc inutile de revenir sur le sujet. Nous sommes de ceux qui pensent que Mgr Lefebvre a toujours agi avec la plus grande bonne foi. Nous sommes certains, et tout son comportement le démontre, qu’il a pris sa décision convaincu de se trouver en état de nécessité, à cause des réticences et des ambiguïtés qui se prolongeaient du côté du Vatican, au sujet des modalités et de la date du choix des successeurs (un exposé détaillé et impartial des événements qui ont conduit au sacre des quatre évêques d’Écône est proposé par Bernard Tissier de Mallerais, op. cit., pp. 557-595).
Excommunication invalide, donc, parce qu’exclue expressément par le CIC de 1983 en tant que punition s’appliquant à une désobéissance motivée par une telle conviction, et schisme inexistant, car les faits démontrent que jamais Mgr Lefebvre n’a voulu instituer une Église parallèle, pas plus que les quatre évêques qu’il a consacrés. La FSSPX doit toujours être considérée comme membre à part entière de l’Église militante, dont personne ne peut être exclu par des mesures invalides.
La « croisade » à laquelle Mgr Lefebvre invitait les catholiques n’était donc pas celle d’un prêtre rebelle à l’enseignement de l’Église, accusé carrément de schisme !



Canonicus
[1] Homélie de Venise, cit. Le séminaire devait être fermé immédiatement.
[2] Voir Si Si No No, 1 (1975), n°9 (il s’agit de la version italienne du périodique – ndr) : Au sujet de la fermeture du Séminaire d’Écône de la Fraternité Saint Pie X : Illégalité d’un procès – iniquité d’une décision, pp. 4-5, par Ulpianus. Il s’agissait de Mgr Arturio de Iorio, juge au tribunal de la Rota. La lettre par laquelle on supprimait le séminaire avec effet immédiat, en retirant l’autorisation d’existence à la FSSPX, avait été précédée par une convocation informelle à Rome de Mgr Lefebvre face à trois cardinaux pour un simple « échange d’idées », face à une commission informelle (illégale pour diverses raisons, comme le démontrait l’article, si constituée et agissant en tant que tribunal) qui lui avait durement reproché sa déclaration du 21 novembre 1974, en l’accusant de « vouloir faire l’Athanase » (l’évêque qui avait commencé pratiquement seul la lutte contre l’hérésie arienne, au IVe siècle, injustement excommunié par deux fois). La lettre de Mgr Mamie faisait référence à l’autorité de cette « commission cardinalice » pour justifier son action, déclarant agir « en plein accord » avec le Saint Siège, déclaration qui ne démontre pas, en tant que telle, l’existence d’une autorisation spécifique (qui n’a jamais été donnée), conférée dans les formes requises par le droit canon.
[3] Si Si No No, cit.
[4] Ces détails sur l’institution de la société de vie commune sans vœux proviennent principalement de : A. Bertola, La Constitution de l’Église, cours de droit canon, Turin, 1958, éd. revue et augmentée; Eichmann-Mörsdorf, Lehrbuch des Kirchenrechts [Manuel de droit canon], 1964, 11e édition, München, Paderborn, Wien, vol. I, 2e et 3e parties.
[5] Bertola, op. cit., pp. 240-1.
[6] Op. cit., p. 212.
[7] Eichmann-Mörsdorf, cit., p.493.
[8] Statuts de la Fraternité des Apôtres de Jésus et de Marie ou (selon le titre public) de la Fraternité Sacerdotale Saint Pie X.
[9] Pour plus de détails sur l’institution de la pia unio, voir : v. Del Giudice, Notions de droit canon, Giuffré, Milan, 1970.
[10] Sur ce point : Bernard Tissier de Mallerais, Marcel Lefebvre. Une vie, Clovis 2002, p, 508. S.E. Mgr Tissier de Mallerais, dans cet ouvrage fondamental pour la compréhension de la figure de Mgr Lefebvre, considère comme juridiquement (mais non moralement) légitime la suppression de la FSSPX par Mgr Mamie :
« Le 25 avril, en effet, le cardinal Tabera [l'un des membres de la "commission cardinalice" dont nous avons déjà parlé] assure Mgr Mamie qu’il « possède l’autorité nécessaire pour retirer les actes et concessions » de son prédécesseur. C’est bien exact, hélas! La Fraternité, n’ayant pas même reçu le Nihil obstat de Rome, n’est pas devenue société de droit diocésain, mais en est restée au stade préliminaire de pia unio. L’évêque peut donc la dissoudre (cf. canon 492, § 1-2, et 493) pour une raison grave. Raison grave, la « déclaration » [du 21 novembre 1974, déjà citée] l’est devant les hommes en place, même si elle ne l’est pas devant Dieu ».
Voir aussi pp.459-460, où l’on révèle que le recours à la formule de la « pia unio » fut suggéré par des cardinaux amis de Mgr Lefebvre. Ainsi, ajoutons-nous, on évitait de devoir dépendre de l’autorisation préalable du Saint Siège (non requise pour les pieuses unions – c. 708 : sufficit Ordinarii approbatio), au sein duquel Mgr Lefebvre avait des ennemis puissants. Mais l’érection « au titre de pia unio » ne transformait pas la FSSPX en une pia unio, elle ne la faisait pas être quelque chose de différent de ce qu’elle était, elle se limitait à lui coller une étiquette ne correspondant pas au contenu, pour des raisons de prudence et d’opportunité parfaitement compréhensibles, imposées par la situation à quelqu’un qui, dans la Hiérarchie, face à la grave crise dans laquelle se trouvaient les séminaires investis par les « réformes » promues par Vatican II, se préoccupait d’en faire naître un qui soit fidèle à l’enseignement traditionnel.
[11] A Rome and Écône Handbook, Q 2.
[12] Texte dans Cor Unum, n°30, juin 1988, p. 31.
[13] Commentaire du CIC de 1983, par Mgr Pio Vito Pinto, 1985.
Sì Sì No No, Année XXXIX, n°286 Mensuel – Nouvelle Série Février 2006

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terça-feira, 12 de junho de 2012

Carta de Mons. Marcel Lefebvre aos futuros Bispos da Fraternidade São Pio X, em 29 de agosto de 1987.

Operação Memória: Outro texto de Mons. Marcel Lefebvre, auto-explicativo. Portanto sem grifos de minha parte, embora a mão coce em certas expressões inquestionáveis do que verdadeiramente pretendia Monsenhor para seus quatro Bispos. 

Giulia d'Amore

Carta de Mons. Marcel Lefebvre aos futuros Bispos da Fraternidade São Pio X, em 29 de agosto de 1987.


Advenita Regnum tuum

Aos senhores padres Williamson, Tissier de Mallerais, Fellay e de Galarreta.

Caríssimos amigos,

A cátedra de Pedro e as posições de autoridade em Roma estão ocupadas pelos anticristos, portanto a destruição do Reino de Nosso Senhor no interior de seu próprio Corpo Místico aqui na Terra prossegue rapidamente, especialmente com a corrupção da Santa Missa, esplêndida expressão do triunfo de Nosso Senhor por meio da Cruz, Regnavit a ligno Deus, e fonte da extensão do seu Reino nas almas e na sociedade.

Assim, aparece claramente a necessidade absoluta de permanência e da continuidade do Sacrifício adorável de Nosso Senhor, para que "venha o Seu Reino". A corrupção da Santa Missa levou à corrupção do sacerdócio e à universal decadência da fé na divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Deus suscitou a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X para o mantimento e o perpetuamento do seu sacrifício glorioso e expiatório na Igreja. Ele escolheu para si verdadeiros sacerdotes, instruídos e convencidos destes divinos mistérios. Deus me deu a graça de preparar estes levitas e de lhes conferir a graça sacerdotal para a perseverança do verdadeiro sacrifício, tal como definido pelo Concílio de Trento.

Isto nos valeu a perseguição da Roma anticristo. Uma vez que esta Roma modernista e liberal prossegue a sua obra destruidora do Reino de Nosso Senhor, como provam Assis e a confirmação das teses liberais do Vaticano II sobre a Liberdade Religiosa¹, eu me vejo obrigado pela Divina Providência a transmitir a graça do episcopado católico que recebi, para que a Igreja e o sacerdócio católico continuem a subsistir para a glória de Deus e a salvação das almas.

É por isso que, convencido de cumprir apenas a Santa Vontade de Nosso Senhor, com esta carta vos peço que aceiteis receber a graça do episcopado católico, como já conferi a outros sacerdotes, em outras circunstâncias.

Confiro-vos esta graça confiando que logo a Sé de Pedro será ocupada por um sucessor de Pedro perfeitamente católico, em cujas mãos vós podereis devolver a graça de vosso episcopado para que ele a confirme.

O objetivo principal desta transmissão é o de conferir a graça da ordem sacerdotal para a continuação do verdadeiro Sacrifício da Missa, e para conferir a graça do sacramento da confirmação aos filhos e aos fieis que vo-la pedirão.

Eu vos exorto a permanecerem ligados à Sé de Pedro, a Igreja Romana, Mãe e Mestra de todas as igrejas, na fé católica integral, expressa nos símbolos da fé e no Catecismo do Concílio de Trento, de acordo com o que vos foi ensinado em vosso seminário. Permanecei fiéis na transmissão desta fé, para que venha o Reino de Nosso Senhor.

Em fim, eu vos exorto a permanecerem ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, de permanecerem profundamente unidos entre vós, submissos ao seu Superior Geral, na fé católica de sempre, lembrai-vos destas palavras de São Paulo aos Gálatas: "Sed licet nos aut angelus de coelo evangelizet vobis praeterquam quod evangelizavimus vobis, anathema sit. Sicut praedicimus et nunc iterum dico: si quis evangelizaverit praeter id quod accepistis, anathema sit." [Mas, ainda que alguém - nós ou um anjo baixado do céu - vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema! Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado! (Gálatas 1: 8-9)].

Caríssimos amigos, sede a minha consolação em Cristo Jesus, permanecei firmes na fé, fiéis ao verdadeiro sacrifício da Missa, ao verdadeiro e santo Sacerdócio de Nosso Senhor, para o triunfo e a glória de Jesus no Céu e na terra, para a salvação de almas, para a salvação da minha alma.

Nos corações de Jesus e Maria, vos abraço e vos abençoo.






NOTA
1 – Com toda probabilidade, aqui Monsenhor se refere à resposta aos Dubia acerca da Declaração conciliar Dignitatis Humanae, apresentados à Congregação para a Doutrina da Fé em 06 de novembro de 1985; resposta enviada ao Mons. Lefebvre pelo Prefeito da Congregação, o Cardeal Joseph Ratzinger em 09 de março de 1987.


Tradução: Giulia d'Amore di Ugento

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domingo, 10 de junho de 2012

Mons. Lefebvre: O que é necessário para a continuação da Igreja Católica

OPERAÇÃO MEMÓRIA. Traduzi um extraordinário, esclarecedor e definitivo texto de Mons. Marcel Lefebvre, escrito no fim de sua longa vida (em 1990). Depois disto, não penso que tenha "mudado de ideia", continuando uma linha de raciocínio que foi sempre a mesma durante toda a sua vida; as aparentes mudanças de rota em seu pensamento e ideias na verdade eram mera consequência das mudanças do pensamento e ideias na Igreja Liberal. À qual ele nunca pertenceu. Quem fizer uso da inteligência que lhe foi dada do Alto no momento que vem ao mundo (ler abaixo), compreenderá perfeitamente o que este texto quer dizer. Tirando o itálico, que ficou no texto seguindo o padrão normativo da Língua Portuguesa, retirei todos os grifos da versão italiana, porque não sei se estão também no original ou se (perdoem-me se não foi isso) quiseram "guiar" a leitura do texto, coisa que deve ser evitada, pois nem sempre é a ênfase que o autor original pretendia. Muitos blogs usam este recurso de grafar, negritar, colorir os textos, em uma vã tentativa, consciente ou não, de que o leitor veja ou sinta o que o blogueiro pretende... Vã, porque na maioria das vezes causa mais confusão que outra coisa. A Fé é a adesão da Razão às Verdades Reveladas. O uso da razão nos faz Católicos, e não devemos permitir que outro nos "guiem", pois pode se dar o caso que o outro seja mais cego do que nós, em que pese se trate de um santo (ler abaixo também). Mons. Lefebvre tinha ideias claras e simples, honestas. É um insulto à sua memória manipular suas palavras; é também uma ofensa à Fé que ele morreu - catolicíssimo! - defendendo.

Ah! Sim... E, ao contrário do que ando ouvindo por aí, quem morreu foi Mons. Lefebvre, não seu pensamento, suas ideias, sua vontade, seu legado e, principalmente, seu combate.

Giulia d'Amore

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O que é necessário para a continuação da Igreja Católica


  

Saint Michel en Brenne, 29 de janeiro de 1990

Caríssimos leitores,

Tendo chegado à noite de uma longa vida – pois, nascido em 1905, vejo o ano de 1990 – posso dizer que minha vida foi marcada por acontecimentos mundiais extraordinários: três guerras mundiais, a de 1914-1918, aquela de 1939-1945 e a do Concílio Vaticano II, de 1962-1965.

Os desastres acumulados por estas três guerras, e especialmente pela última, são incalculáveis no campo das ruínas materiais, mas muito mais no das ruínas espirituais. As duas primeiras prepararam a guerra no interior da Igreja, facilitando a ruína das instituições cristãs e o domínio da Maçonaria, que se tornou tão poderosa a ponto de permear profundamente, com a sua doutrina liberal e modernista, os organismos diretores da Igreja.

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