Aqui também, Cor Unum
engana os membros: porque a prova de que a declaração corrigida pelos
Romanos fosse substancialmente semelhante à de Mons. Fellay a se tem
pelo fato de que, sem a oposição interna, ele a teria assinado: é o
próprio Mons. Fellay que o confessa a Bento XVI:
“Infelizmente, no contexto atual da Fraternidade, a nova declaração não passará” [Mas para os membros ele diz que: “nós podemos apenas rejeitar um texto que promove a hermenêutica da continuidade”] (...) “apesar da forte oposição nas fileiras da Fraternidade (...) tenho a intenção de continuar a envidar todos os meus esforços para prosseguir nesse caminho...”. [Não
se faz “um incrível processo às intenções”, é ele próprio que exprime o
seu pensamento. No jargão militar, isso é chamado de “inteligência com o inimigo”, e é Alta Traição!]
E as três condições do Capítulo de 2012? Não se sustentam!
Alguns dirão: “Carlo VI está louco, mas sua entourage vigia”.
As
condições fixadas pelo último Capítulo Geral de julho de 2012 são
insuficientes. Elas não nos protegem de forma alguma, e não nos
impedirão de cair como as comunidades que se reintegraram.
O
Capítulo geral omitiu as duas condições mais importantes, claramente
exigidas por Mons. Lefebvre: a conversão das autoridades oficiais, que
se manifestará claramente com a condenação explícita dos erros
conciliares, bem como a dispensa do novo Código de Direito Canônico.
1) A primeira condição sine qua non: A Fraternidade que pede aos traidores a permissão de dizer a Verdade! E a permissão de criticar os responsáveis pelos erros do modernismo, do liberalismo e do Vaticano II.
Quando
se vê como a Fraternidade denuncia erros e escândalos a partir de 2000,
uma condição dessas não empenha mais do que isso. [O Instituto do Bom Pastor teve a liberdade de crítica construtiva e vimos muito bem os resultados.]
2) A segunda condição exige o uso exclusivo da liturgia de 1962. [Le
Barroux teve esse uso exclusivo, e também a Abadia de Flavigny;
resultado: comercializam as imagens do Beato João Paulo II! Estas
Congregações caíram, e nós, ao invés disso, a Fraternidade São Pio X,
não tememos nada?]
3) A terceira condição exige a garantia de pelo menos um bispo. Quem vai escolhê-lo? Em 1988, Roma rejeitou os três candidatos propostos por Mons. Lefebvre. [Campos teve o seu bispo, e depois o vimos louvando o Vaticano II e concelebrar!]
O que concluir disso tudo?
Se em 2008 alguém tivesse vaticinado que em 2012 Mons. Fellay estaria pronto a sacrificar “o bem comum da Fraternidade” porque “Roma não vai tolerá-lo mais” [Carta de 14 de abril 2012], ou que, no caso de um acordo com Roma, ele não descartasse que “há uma divisão na Fraternidade” (entrevista a Catholic News Service, de 11 de maio de 2012), este alguém teria sido taxado de louco!
Ora,
isso aconteceu; ele o disse e estava pronto para fazê-lo. E ele ousou
ainda pior de tudo aquilo que se podia imaginar: com esta declaração
doutrinal corrigida pelos Romanos.
Certo,
a aposta na mesa de Mons. Fellay é delicada e difícil. A situação
geopolítica é insustentável, e a crise religiosa é desviante, mas isso
não pode justificar a linguagem dupla. Quando um chefe está pronto para
dizer tudo e o contrário de tudo, não se deve temer que esteja pronto
para exercer o seu poder para e contra todos?
Certo, se deve respeito ao próprio Superior, mas não ao ponto de pisotear a verdade.
Na semana passada, um confrade me escreveu:
“Entre
sua proclamação de inocência e os fatos há uma diferença que às vezes
parece aterrorizante. Podemo-nos perguntar se se trata de orgulho, de
incapacidade de ver e de entender ou de cegueira que Deus permite, como
para o faraó ou o sumo sacerdote, para melhor demonstrar o seu poder e a
sua glória em um futuro que nos auguramos seja próximo”.
Quando
se constada a dissimulação passada, se pode temer o pior. Mons. Fellay
está moralmente morto, e foi ele mesmo quem destruiu a sua legitimidade.
Parafraseando Jean Bastien-Thiry, se pode dizer:
“Não é bom, não é moral, não é legal que um tal homem permaneça por longo tempo à frente da Tradição”.
Não é bom: como disse a um confrade um dos nossos três teólogos que falaram com Roma: “A cabeça de Mons. Fellay está podre”; os seus textos, de fato, estão cheios de compromissos.
Não é moral: linguagem ambigua frequente, mentiras oficiais e solenes.
Não é legal:
a sua grave desobediência às decisões do Capítulo de 2006, jogando no
lixo, em março de 2012, o princípio: nenhum acordo puramente prático.
Essa
ideia da demissão do Superior geral não vem de nós, mas de Mons.
Lefebvre, que, a propósito dos monges e freiras que entraram a Le
Barroux para permanecer na Tradição e escapar da Igreja conciliar, mas
que o abade deles havia reconduzido sob a autoridade da Igreja
conciliar, enfatizava:
“Foram
colocados sob a autoridade da Igreja conciliar. E então se resta
estupefatos ao pensar que, não obstante as constatações que deveriam
fazer, e eles as conhecem bem... Não, ... permanecem. Não decidem de
sair ou de fundar outro mosteiro, ou de pedir a Dom Gerard de se demitir
e de ser substituído... Não, nada... Obedecem (...), é doloroso ver com
que facilidade um mosteiro que está na Tradição se coloca sob a
autoridade conciliar e modernista. E todos ficam. É pecado, e realmente
triste constatá-lo... (...). É isto é o que é realmente grave, esta
transferência de autoridade. Não basta dizer: na prática, nada mudou... É
esta transferência que é gravíssima, porque a intenção dessas
autoridades é a de destruir a Tradição”(8).