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sábado, 26 de novembro de 2016

Santificação Mutua entre o Homem e Mulher

S. Paulo deixa como incumbência às mulheres o governo da casa; e por isso muitos seguem esta verdadeira opinião que a sua devoção é mais frutuosa para a família que a dos maridos, que, não tendo uma residência tão continuada entre os domésticos, não pode por conseguinte encaminhá-los tão facilmente para a virtude. Segundo esta consideração, Salomão, nos seus provérbios, faz depender a felicidade de toda a sua casa do cuidado e esmero da mulher forte que descreve. 

Diz-se no Gênesis que Isaac, vendo a esterilidade de sua esposa Rebeca, rogou ao Senhor por ela: ou segundo o texto hebraico, rogou ao Senhor em frente dela, porque um orava de um lado do oratório e outro do outro lado; e a oração do marido feita deste modo foi ouvida. A maior e mais frutuosa união do marido e da mulher é a que se faz na devoção, à qual se devem exercitar à porfia um ao outro.  

Frutos há, como o marmelo, que, pela aspereza do seu suco, não são agradáveis senão quando postos de conserva. Há outros que, pela sua brandura e delicadeza, não se podem conservar senão também postos em doce, como as cerejas e os damascos: assim as mulheres hão de desejar que os seus maridos estejam de conserva no açúcar da devoção; porque o homem sem devoção é um animal severo, áspero e duro. E os maridos devem desejar que as suas mulheres sejam devotas; porque, sem a devoção, a mulher é extremamente frágil e sujeita a cair ou embaciar a sua virtude.  


S. Paulo disse que o homem infiel é santificado pela mulher fiel, porque nesta estreita aliança do casamento um pode facilmente puxar o outro à virtude. Mas que grande benção há quando o homem e a mulher fiéis se santificam um ao outro num verdadeiro temor de Deus!

Além disso, hão de ter tanta condescendência um com o outro que nunca se aborreçam e irritem ambos ao mesmo tempo e de repente, para que entre eles não se note dissensão nem disputa. As abelhas não podem estar em lugar onde se ouvem ecos e estrondos, e onde soa a voz repetida: nem o Espírito Santo pode demorar numa casa onde há disputas, réplicas e repetição de vozes e altercações. 

S. Gregório Nazianzeno diz que, no seu tempo, os casados faziam festa no aniversário dos seus casamentos. E eu por certo aprovaria que se introduzisse este costume, contanto que não fosse com aparatos de diversões mundanas e sensuais, mas que os maridos e mulheres, tendo-se confessado e comungado nesse dia, recomendassem a Deus, mais fervorosamente que de costume, o progresso do seu matrimônio, renovando os bons propósitos de o santificar cada vez mais por uma recíproca amizade e fidelidade, e cobrando alento em Nosso Senhor, para arcar com os encargos da sua vocação.

Fonte: Filotéia - S. Francisco de Sales - págs: 345-347. 

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