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domingo, 27 de novembro de 2016

Uma receita para tempos de Crise

Da mesma forma que o Padre Demarís, o Padre Roger Thomas Calmel, um dos primeiros sacerdotes a ter pressentido e resistido à crise na Igreja, que se difundia já rapidamente nos anos 60, traça as grandes linhas do comportamento do católico, que deve buscar força na vida interior para não se deixar transportar para a corrente dos erros e, assim, contribuir com a restauração da Igreja, restauração que deve começar na nossa alma.


"Em um período particularmente difícil, da vida da Igreja, em um tempo onde os socorros e os suprimentos mais necessários progressivamente vão diminuindo, devemos tomar cuidado de permanecer recolhidos em Deus, silenciosos, fervorosos na oração; antes de tudo para não esquecer o ensinamento da experiência, e isto quer dizer que o essencial não poderá jamais nos faltar; então, para ter a força de impedir, segundo as nossas forças, a extensão do caos e da anarquia que perturbam as almas e as perdem.


A liturgia é traída, traída por aqueles que a celebram. O dogma é falsificado, falsificado por aqueles que o ensinam. A penitência é suprimida, suprimida pelos ministros do perdão. A lei natural e sobrenatural sobre a família é desvalorizada e praticamente abolida por aqueles que têm a missão de ensiná-la e conservá-la.

Os direitos de Cristo sobre as sociedades terrestres são negados e desprezados por aqueles que têm a missão de proclamá-los.  Hora et potestas tenebrarum… Eis o mundo no qual devemos permanecer fiéis a Deus, isto é,  assíduos na frequência dos sacramentos, firmes e inflexíveis sobre a doutrina; este é o mundo no qual deveis cumprir por amor de Deus os vossos deveres de esposos, pais e cidadãos.  

É ainda possível? É possível com a condição de conseguirmos a nossa força em Deus.  

Mas como encontrar força em Deus se a oração e o silêncio da fé e do amor não nos recolhem n'Ele? Se não nos mantivermos estáveis e seguros em Seu amor?

Nós conhecemos os dois perigos que nos ameaçam: o abandonar a nossa alma na tristeza, dissipá-la na amargura e em vãs lamentações; ou não lamentarmos, mas se deitar espiritualmente.

"É o império em decadência que via passar os grandes bárbaros brancos".

Se cedemos a uma ou a outra destas tentações, fazemos o jogo do diabo. Na prova atual, que Deus permite para a Sua Igreja, não portaremos as flores da fidelidade e do amor, em certo sentido está flor do martírio, que esperava de nós.  

Mesmo se resistirmos, o faremos de modo muito imperfeito e não suficientemente à semelhança de Cristo. Não nos rendemos suficientemente conta que não nos faltará jamais o indispensável. Adhuc sum tecum ait Dominus.

"Sou ainda contigo, diz o Senhor;… as pregações heréticas não apagaram a luz da minha Revelação, a perversão geral dos costumes não poderá abolir a honra, a dignidade e a pureza cristã. Mas para sabê-lo em meio à noite que cai e as camadas do nevoeiro que se estendem por sobre a terra, para ter uma certeza absoluta devereis permanecer em Mim. Manete in me et ego in vobis. E nós responderemos: Mane nobiscum Dominie quoniam advesperascit".

Que São José, esposo da Mãe de Deus, pai que viu crescer o Filho de Deus, guarda da Virgem e chefe da Santa Família, que São José, modelo dos contemplativos, nos obtenha a graça do silêncio.  
– O silêncio onde Deus habita, onde a alma não cessa de ser nutrida por Deus e consolada por Ele,  
– o silêncio daquele que crê e que não se deixa atingir por uma parte ou por outra da doutrina de heresia, por conselhos de capitulação, por insinuações de velhaca cumplicidade,  
– o silêncio daquele que espera, que é absolutamente certo de que Jesus nos fará participar da vitória e que governa tudo, compreendida a crise atual, para o bem dos eleitos;  
– e sobretudo o silêncio daquele que ama e que o amor faz permanecer na paz do Bem amado e na sua felicidade".

R.P. Calmel, O.P.; Aos Amigos de Itineraires, 27 de fevereiro de 1966.

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