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segunda-feira, 6 de março de 2017

A única escolha que há é a vida

Militar violentada foi pressionada a abortar. Mesmo com uma arma apontada à cabeça, ela escolheu a vida – A história de Patricia Lawrence. 



Tenho 78 anos e conto a minha história enquanto eu ainda tenho tempo. Quero que as pessoas saibam que a gravidez decorrente do estupro não é culpa da criança, então porque deveríamos punir a criança por algo que foi o pai biológico que fez?  

Minha adolescência foi difícil. Minha mãe era excessivamente permissiva, e meu pai esteve completamente ausente neste momento conturbado da minha vida. Meu pai até se negou a pagar a pensão alimentícia que o Tribunal havia determinado. Para mim, isso significava que os meus pais não me amavam. Por isso, entrei no Exército feminino dos EUA. 

Após oito semanas no treinamento básico, fui a um encontro, foi um encontro às cegas. Ele também estava no Exército, de serviço na mesma base. Tudo o que lembro é que dirigimos para um lugar, e ele me deu uma bebida. Eu desmaiei e não me lembro de mais nada do resto da noite. Não lembro nem de como voltei para o quartel ou para cama. 

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Milagre Ecuarístico em Moraleja de Enmedio: 16 Hóstias consagradas intactas depois de 77 anos

É uma bela história e deve ser conhecida de todos, para a glória de Deus e o bem das almas. 



Milagre eucarístico na Espanha



o pequeno cibório que continha as Hóstias
Dezesseis  Hóstias escondidas durante a guerra civil são encontradas íntegras 77 anos depois. Ainda assim, o homem duvida. Mesmo o homem que a comunga durante a Missa que ele mesmo celebra prefere usar o termo “evento extraordinário” no lugar do perigosíssimo termo “milagre eucarístico”.

Estamos em Moraleja de Enmedio, uma cidadela de 5000 almas ao sul de Madrid. É o dia 24 de novembro de 2013, um domingo. O bispo Joaquín María López de Andújar consome uma Hóstia consagrada no dia 16 de julho de 1936, dois dias antes de a Guerra Civil espanhola começar, e festa da Virgem do Carmelo, e diz: “o sabor parece de uma hóstia recém-preparada”. Mas, em uma entrevista a um blog chamado “Religión em Liberdad” afirma: “Deve-se advertir às pessoas que a expressão 'milagre eucarístico' é uma tradição entre os moradores de Moraleja de Enmedio. Não quero dizer que não seja certo, mas por enquanto é melhor falar de “feito extraordinário”. Trata-se de 16  Hóstias consagradas que estão intactas, “como novas”, depois de 77 anos! E isso depois de terem sido escondidas da fúria dessacralizante das milícias republicanas, primeiro debaixo da terra, na umidade de uma adega, depois nas fendas de um assoalho, em um cibório certamente não fecha hermeticamente, portanto ficou por anos em contato com os agentes atmosféricos mais variados e sofrendo grandes oscilações de temperatura. E o mais surpreendente é que tanto o cibório quanto o pano que o cobria se deterioraram, mas as  Hóstias, não. Sobraram 16 de um total de 100 – o artigo não explica mais detalhadamente os fatos – e agora estão na segurança de um Tabernáculo na igreja de Moraleja de Enmedio. Segurança? Com tantas profanações ao Santíssimo Sacramento que temos presenciado, não dá para garantir. De qualquer forma, ao redor desse fenômeno floresceu a devoção pelas  Hóstias, como também os testemunhos de graças recebidas, outros prodígios ou “anomalias”, como diz o artigo. Uma das mais impressionantes foi reconhecida até pelos historiadores: durante a guerra civil, nenhum morador de Moraleja morreu, e a cidadela certamente não escapou aos bombardeios, contudo, as bombas que caíram não explodiram.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Histórias de conversão XI: a Fé sobre o gelo - Stella Kim Yu-na

Stella Kim Yu-na
Mais um HISTÓRIAS DE CONVERSÃO: a de Stella Kim Yu-na, a patinadora no gelo sul-coreana que ganhou a medalha de ouro de patinação artística em Sochi, na Rússia, este ano. 

“No momento do Batismo, senti uma enorme consolação em meu coração. Compreendi imediatamente que era o amor de Deus, e Lhe prometi que continuaria sempre a rezar-Lhe”.

Antes de vencer um ouro olímpico nas Olimpíadas de inverno de Vancouver, em 2010, o primeiro de seu país, ela fez em silêncio o sinal da cruz. E desde então, aquele sinal da cruz a acompanha sempre. A patinadora sobre o gelo Stella Kim Yu-na se tornou, sem querer, um símbolo da Igreja Católica da Coreia do Sul.

Yu-na nasceu em 5 de setembro de 1990, em Bucheon, na província sul-coreana de Gyeonggi, e se mudou para Gunpo quando tinha seis anos de idade. Em um primeiro momento, treinava em seu país natal, mas depois se transferiu para Toronto, no Canada, em maio de 2007. Viveu quatro anos em Ontario, e atualmente treina em Seoul e em Los Angeles. Em 2009, se inscreveu na faculdade de Educação Física da Korea University.



A APRESENTAÇÃO EM VANCOUVER 2010:



A correta transliteração de seu nome do coreano seria Kim Yeona. Mas, quando a patinadora requereu seu passaporte o funcionário errou e escreveu Yu-na. Em seu perfil ISU, consta Yuna Kim. 


Vancouver 2010: ouro olímpico

 Stella começou a patinar com a mãe, aos cinco anos, quase que de brincadeira. Aos 12 anos, vence os campeonatos sul-coreanos de patinação artística. Dois anos depois, debuta internacionalmente e se classifica em segundo lugar em diversas competições a nível mundial. A mídia sul-coreana começa a se interessar por ela. Mas neste ponto, segundo conta seu médico pessoal, Cho Seong-yeon, “começa também um tipo de isolamento de seus coetâneos. Tantos treinos, tanta tentação e tanta atenção podem ser um problema sério para uma adolescente” (entrevista à revista “A Sua Immagine”, 8 fevereiro 2014). 


o Batismo, em 24 de maio de 2008: nasce Stella para a Fé

Por meio do dr. Cho, um católico devoto que dirige uma clínica privada em Seoul, Yu-na entra em contato com as irmãs que prestam serviço voluntário aos doentes. Junto com a mãe, que a acompanhará não apenas nas pistas, mas também no catecumenato, ficam impressionadas com o trabalho das religiosas. 




o primeiro anel

O caminho de conversão começa em 2005, quando um sério problema no joelho e no pé a obrigam a parar por um período de cuidados. Na estação seguinte, por causa de uma dor nas costas se retira dos Campeonatos nacionais: em janeiro de 2007, o dr. Cho lhe diagnostica uma hérnia de disco que, potencialmente, poderia por uma pá de cal à sua carreira esportiva.


O choro emocionado em Sochi revela o novo anel-terço dela

Continua, assim, a frequentar a clínica, sem saber se iria se operar ou não; faz amizade com as freiras que lhe dão uma medalhinha abençoada da Virgem. Os cuidados médicos parecem funcionar e volta sobre o gelo: chega em terceiro lugar nacional. Presa ao uniforme está a medalha abençoada.  


A jovem escolheu como nome de batismo justamente Stella, para honrar a Stella Matutina, a Virgem, e no dedo leva, desde o começo da conversão, um anel com as contas do Rosário. À mídia, Stella explicou que a Fé Católica lhe deu uma nova paz: “No momento do Batismo, senti uma enorme consolação em meu coração. Compreendi imediatamente que era o amor de Deus, e Lhe prometi que continuaria sempre a rezar-Lhe”.


O OURO EM SOCHI 2014:



Fontes: 

http://www.aleteia.org/it/stile-di-vita/articolo/stella-kim-pattino-pregando-la-vergine-5209009149706240
http://stlouiscatholic.blogspot.com.br/2010/03/olympic-gold-medalist-kim-yu-na.html 
http://www.catholicnewsagency.com/news/olympic-figure-skating-star-hailed-as-example-for-catholics/ 
http://www.heraldmalaysia.com/news/Korean-Olympics-star-endorses-the-rosary-6852-10-1.html 
http://yunaforum.com/forum/index.php?showtopic=406 - Este é um fórum de fãs dela.

Tradução: Giulia d'Amore
 
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quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

História de Conversão X: Uma menina católica converte protestantes com sua fé no Terço

Gloria Marie Elizabeth Rose Strauss
Seattle, 10 Ago. 2009 / 09:02 am (ACI)

A breve vida de uma menina devota católica em Seattle, Washington, permitiu o retorno à Igreja de muitos católicos e a conversão de pelo menos dez americanos. O testemunho de fé que deu ao lutar contra um doloroso câncer deu numerosos frutos e inclusive permitiu a fundação de uma organização dedicada a apoiar a famílias com membros doentes.

Gloria Marie Elizabeth Rose Strauss nasceu em 1996, tinha seis irmãos e levou uma vida completamente normal até cumprir os 7 anos de idade. Era amável, alegre, carinhosa e muito piedosa. Gostava muito da oração do Terço.

Em uma entrevista à CatholicNewsAgency.com, seu pai Doug Strauss, recordou que, no ano de 2003, Glória recebeu um acidental golpe de bola no rosto e quando a lesão desapareceu ficou um vulto suspeito.

Os médicos lhe diagnosticaram um câncer avançado conhecido como neuroblastoma e lhe deram entre três meses e três anos de vida. Glória foi submetida a uma cirurgia e recebeu tratamentos de quimioterapia.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Historias de Auschwitch: a aborteira judia e a parteira católica.

Um campo - de horrores indescritíveis e um padecimento em comum - e duas histórias completamente diferentes!!! Uma médica que decidiu cooperar para o assassinato de milhares de crianças no ventre materno, e uma parteira que se recusou a assassinar milhares de crianças recém-nascidas e, ainda por cima, que se propôs a batizá-las antes de entregá-las, sãs e salvas, aos braços de suas mães. Hoje contaremos a história de  


Gisella e Stanislawa no Campo de Auschwitz.

 



Gisella Perl foi uma abortista romeno-judia que assassinava os bebês para que as mães pudessem sobreviver. Ela era uma ginecologista, que realizou mais de mil abortos em suas companheiras do campo de concentração de Auschwitz. Era casada e tinha um casal de filhos. O marido e o filho homem morreram em um campo de concentração, junto a outros familiares. Ela sobreviveu, porque era útil. Ao saber da morte do filho e do marido, tentou se matar, mas foi socorrida e enviada a um convento francês até 1947, para se recuperar. Em março daquele ano, foi para os Estados Unidos, onde foi interrogada sob suspeita de colaboracionismo com os nazistas, por crimes contra a Humanidade, mas não deu em nada e, em 1951, além de lhe concederem a cidadania norte-americana, ganhou um emprego no Hospital Monte Sinai, onde (segundo a biografia de Wikipédia) fez o parto de mais de 3000 bebês e se tornou especialista em tratamento contra a infertilidade. Em junho de 1948, publicou a história de sua vida em Auschwitz (“I Was a Doctor in Auschwitz”), detalhando os “horrores” vividos lá, como prisioneira médica. Mais tarde, ele se reuniu com sua filha, Gabriella Krauss Blattman, que conseguiu se esconder durante a guerra, e ambas se mudaram para Herzliya, Israel. Morreu em Israel, em 1988.

Esta a bela história que conta Wikipédia. Mas é mais notória, certamente, por “salvar a vida” de centenas de mães ao fazê-las abortar, porque as mulheres grávidas eram espancadas e mortas com frequência, ou utilizadas pelo Dr. Josef Mengele em experiências de vivissecção. Era mais “humano”, então, matar os bebês no ventre materno!

Ela foi chamada de “anjo de Auschwitz" e lhe fizeram até um filme, em 2003: “Out of the Ashes”, baseado em seu livro: “I Was a Doctor in Auschwitz”. 



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Stanislawa Leszczyńska (ou Leszczynska) foi uma parteira católica polonesa, que ajudava às mães a dar à luz e tentava salvar os bebês. Nascida em 08 de maio de 1896, em Łódź, na Polônia, morreu em 11 de março de 1974, de câncer. Casou-se em 17 de outubro de 1916, com Bronislaw Leszczynski, um tipógrafo, com quem teve três filhos: Sylvia, Stanislaus e Henry. Em 1920, mudaram-se para Varsóvia, onde o marido começou a ensinar na Escola de Enfermagem Obstétrica. Ainda em 1920, ela chegou a vir ao Brasil, indo visitar parentes da família materna no Rio de Janeiro.

Toda a família foi presa na noite de 19-20 fevereiro de 1943. Stanislawa e Sylvia foram enviadas, primeiro para Gdańskiej, e depois para Auschwitz-Birkenau, onde Stanislawa recebeu o número 41335; o marido e os filhos, primeiro para S. Sterlinga, e depois de um breve julgamento, para Gross-Rosen. Somente ela e os homens da família sobreviveram. 


Ao ser deportada para Auschwitz, foi destinada à chamada "sala de maternidade" que, na verdade e paradoxalmente, era uma sala de aniquilação de crianças recém-nascidas. Lá permaneceu até a libertação do campo pelo Exército Vermelho, em 27 de janeiro de 1945.


No campo, as mães eram obrigadas a trabalhar, as crianças eram um fardo incômodo e, portanto, o famoso Dr. Mengele deu ordem para matá-las após o nascimento, afogando-as em um balde de água. Estas operações eram realizadas por Klara, uma parteira alemã que, após a guerra, foi presa por infanticídio, e suas assistentes. Mas Stanislawa se opôs à ordem criminosa e enfrentou Mengele: "Não, nunca", disse a ele. Ninguém sabe por que naquela época a parteira polonesa não foi morta. Ele pôde voltar para a maternidade e continuar seu trabalho. 


sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O Clube dos 99

Era uma vez um rei muito rico. Tinha tudo. Dinheiro, poder, conforto, centenas de súditos. Ainda assim não era feliz. Um dia, cruzou com um de seus criados, que assobiava alegremente enquanto esfregava o chão com uma vassoura. Ficou intrigado. Como ele, um Soberano supremo do reino, poderia andar tão cabisbaixo, enquanto um humilde servente parecia desfrutar de tanto prazer?

- Por que você está tão feliz? - perguntou o rei.

- Majestade, sou apenas um serviçal. Não necessito muito. Tenho um teto para abrigar minha família e uma comida quente para aquecer nossas barrigas.

O rei não conseguia entender. Chamou então o conselheiro do reino, a pessoa em que mais confiava.

-Majestade, creio que o servente não faça parte do "Clube dos 99".

- "Clube dos 99"? O que é isso?

- Majestade, para compreender o que é o "Clube dos 99", ordene que seja deixado um saco com 99 moedas de ouro na porta da casa do servente. E assim foi feito.

Quando o pobre criado encontrou o saco de moedas na sua porta, ficou radiante. Não podia acreditar em tamanha sorte. Nem em sonhos tinha visto tanto dinheiro. Esparramou as moedas na mesa e começou a contá-las.

-…96, 97, 98… 99.

Achou estranho ter 99. Achou que poderia ter derrubado uma, talvez. Provavelmente eram 100. Mas não encontrou nada. Eram 99 mesmo.

Por algum motivo, aquela moeda que faltava ganhou uma súbita importância. Com apenas mais uma moeda de ouro, uma só, ele completaria 100. Um número de 3 dígitos! Uma fortuna de verdade. 


Ficou obcecado por completar seu recente patrimônio com a moeda que faltava. Decidiu que faria o que fosse preciso para conseguir mais uma moeda de ouro. Trabalharia dia e noite. Afinal, estava muito muito muito perto de ter uma fortuna de 100 moedas de ouro. Seria um homem rico, com 100 moedas de ouro.

Daquele dia em diante, a vida do servente mudou. Passava o tempo todo pensando em como ganhar 1 moeda de ouro. Estava sempre cansado e resmungando pelos cantos. Tinha pouca paciência com a família, que não entendia o que era preciso para conseguir a centésima moeda de ouro. Parou de assobiar enquanto varria chão.

O rei percebeu essa mudança súbita de comportamento e chamou seu conselheiro.

- Majestade, agora o servente faz, oficialmente, parte do "Clube dos 99". - E continuou:

- O "Clube dos 99" é formado por pessoas que têm o suficiente para serem felizes, mas mesmo assim não estão satisfeitas. Estão constantemente correndo atrás desse 1 que lhes falta. Vivem repetindo que, se tiverem apenas essa última e pequena coisa que lhes falta, aí sim poderão ser felizes de verdade. Majestade, na realidade, é preciso muito pouco para ser feliz; porém, no momento em que ganhamos algo maior ou melhor, imediatamente surge a sensação de que poderíamos ter mais. Com um pouco mais, acreditamos que haveria, de fato, uma grande mudança. Só um pouco mais. Perdemos o sono, nossa alegria, nossa paz e machucamos as pessoas que estão a nossa volta. E o pouco mais, sempre vira… um pouco mais. O “pouco mais” é o preço do nosso desejo.

E concluiu: Isso, majestade, é o "Clube dos 99".


Autor desconhecido


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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

REPARAÇÃO DO CRIVO QUEBRADO


Deixando, pois, as humanidades, resolveu procurar um lugar ermo, seguido apenas pela aia, que o amava com ternura. Chegaram, assim, a certa localidade chamada Enfide, onde, entretidos pela caridade de muitos homens de virtude, ficaram morando junto à igreja de S. Pedro Apóstolo

Um dia, a ama pediu às vizinhas que lhe emprestassem um crivo para limpar o trigo; tendo-o, porém, deixado descuidadamente sobre a mesa, o crivo caiu e quebrou-se, ficando partido em dois pedaços. Logo que voltou e o encontrou nesse estado, a mulher começou a chorar muito, aflita por ver quebrada a vasilha que tomara por empréstimo. Quando, porém, o piedoso e bondoso jovem Bento encontrou a ama chorando, compadecido pela sua dor, pegou nos dois cacos do vaso e, levando-os consigo, se entregou à oração com lágrimas. Quando se ergueu da oração, viu junto de si o crivo de tal forma íntegro que nenhum vestígio se podia descobrir da fratura. Então, pronta e carinhosamente consolou a ama, devolvendo-lhe inteiro o vaso que levara em cacos.

sábado, 9 de novembro de 2013

História de Conversão IX: Mais um muçulmano que se converte ao Catolicismo

A fantástica história de um Imã que se converteu ao Catolicismo 

Fonte: Aleteia - Tradução: Annales Historiae - Mario Joseph era imã aos 18 anos, ele se tornou cristão e seu pai tentou matá-lo. Hoje, ele é pregador católico na Índia. Um caso único no mundo! Ele é o primeiro dignitário muçulmano que abraçou o cristianismo, o que acarretou sua condenação à morte.

No cemitério indiano de seu vilarejo, há uma lápide com seu nome e, embaixo, um ataúde com uma escultura em argila do seu tamanho. Seu pai lhe disse: "Se você quer ser cristão, devo te matar".

Mas o túmulo está vazio. E Mario José está bem vivo. Lartaun de Azumendi pôde entrevistá-lo na rádio espanhola Cope:


Mario Joseph, você tinha 18 anos e era um religioso muçulmano. O que aconteceu para que teu olhar mudasse assim?

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Histórias de conversão VIII: Megan Hodder, a moça ateia inglesa que caiu de joelhos diante do catolicismo

Megan Hodder era uma moça padrão. Segundo ela, “a religião era irrelevante na minha vida pessoal”.

Devorava livros de ateus e evolucionistas como Dawkins, Harris e Hitchens, “cujas ideias eram tão parecidas com as minhas que eu empurrava quaisquer dúvidas para o fundo da minha mente”, informa reportagem do jornal “The Catholic Herald”.

Mas ficando um pouco mais culta percebeu que precisava sair da bobice, e começou então a pesquisar as ideias daqueles que ela achava serem os piores inimigos da razão: os católicos. “Foi aqui, ironicamente, que os problemas começaram”.

Quais problemas?

“Eu fiquei colocada diante de um Deus que é o parâmetro de bondade e verdade objetiva e para o qual nossa razão se dirige e no qual ela se completa. Uma entidade que é a fonte de nossa percepção moral, que requer desenvolvimento e formação por meio do exercício consciente do livre arbítrio”.

sábado, 11 de maio de 2013

História de Conversão VII: A Virgem Maria converte um protestante que morre no meio de anjos

A Virgem Maria converte um protestante que morre no meio de anjos


A História das fundações da Companhia de Jesus no reino de Nápoles conta-nos de um jovem fidalgo escocês, chamado Guilherme Eltinstônio. Era ele parente do rei Jaime e protestante desde o nascimento. Mas, iluminado pela graça divina que lhe fez conhecer os erros de sua seita, foi à França e aí, ajudado de um bom padre jesuíta, também escocês, e mais com a intercessão da bem-aventurada Virgem, reconheceu a verdade e fez-se católico.

Passou-se depois a Roma, onde mais ainda se afervorou na devoção à Mãe de Deus, escolhendo-a por sua única Mãe. Inspirou-lhe a Virgem a resolução de ser religioso, de que fez voto. Mas, achando-se doente, veio a Nápoles, porém, quis o Senhor que ele morresse e morresse religioso. Pouco depois de sua chegada adoeceu gravemente, correndo perigo sua vida. À custa de muitas lágrimas e rogos obteve dos superiores a graça de ser recebido na Companhia. Pelo que na presença do Santíssimo Sacramento, quando recebeu o Viático, fez os votos, e foi declarado religioso da Companhia.

Depois disto a todos enternecia com os fervorosos afetos, com que dava graças a Maria, sua amada Mãe, por tê-lo arrancado da heresia, e conduzido para morrer na casa de Deus entre seus irmãos religiosos. Por isso exclamava: Oh! como é glorioso morrer no meio de tantos anjos! Exortam-no a que procure repousar, e ele: Ah! agora que já chega o fim da minha vida, não é tempo de repousar.

Antes de expirar, disse aos assistentes: Irmãos, não vedes os anjos do céu que me assistem? E havendo um daqueles religiosos percebido que ele proferia entre os dentes algumas palavras, lhe perguntou o que dizia. Respondeu que seu anjo da guarda lhe tinha revelado que pouco tempo havia de estar no purgatório, e que logo depois passaria para o paraíso. Recomeçou em seguida os colóquios com Maria, sua doce Mãe, repetindo: Minha Mãe, minha Mãe! E assim expirou placidamente, como uma criança que se entrega aos braços da mãe, para neles repousar. Pouco depois foi revelado a um devoto religioso, que ele já estava ao Paraíso.

sábado, 20 de abril de 2013

História de conversão VI: A Nossa Senhora do hebreu Ratisbonne

20 de janeiro 1842: aparição de Nossa Senhora do Milagre ao hebreu Ratisbonne. A felicidade da despretensão, da pureza e da admiração


Igreja onde aconteceu o milagre
A poucas quadras da famosa Piazza di Spagna, bem no centro históirco de Roma, e ao lado da sede da Congregação para a Evangelização dos Povos, encontra-se a igreja Sant'Andrea delle Frate.
Neste santuário deu-se um fato extraordinário: Nossa Senhora apareceu a um rico e famoso judeu, Afonso Ratisbonne, o qual portava uma Medalha Milagrosa não por devoção, convertendo-o a Cristo.

No altar em que a Virgem Santíssima (la Madonna) lhe apareceu, havia um quadro de São Miguel Arcanjo golpeando o demônio, que pode ser apreciado ainda hoje, mas em outro local da igreja.

Foi neste mesmo altar da Aparição que São Maximiliano Kolbe, falecido no tristemente famoso campo de concentração nazista de Auschwitz, celebrou sua primeira Missa no dia 29-4-1919.

O quadro da Madonna del Miracolo (Nossa Senhora do Milagre) aparece com a fronte encimada por uma coroa e por um resplendor em forma de círculo de 12 estrelas.


Nossa Senhora do Milagre, igreja de Sant'Andrea delle Frate, Roma, detalhe
Nossa Senhora do Milagre,
igreja de Sant'Andrea delle Frate, Roma

A fisionomia é discretamente sorridente, com o olhar voltado para quem estiver ajoelhado diante d’Ela. Muito afável, mas ao mesmo tempo muito régia.

Pelo porte, dá impressão de uma pessoa alta, esguia sem ser magra, muito bem proporcionada e com algo de imponderável da consciência de sua própria dignidade.

Veja vídeo
VIDEO: Na. Sra. do Milagre
Tem-se a impressão de uma rainha, muito menos pela coroa do que pelo todo d’Ela, pelo misto de grandeza e de misericórdia.

A pessoa que a contempla tende a ficar apaziguada, serenada, tranqüilizada, como quem sente acalmadas as suas más paixões em agitação.


A meu ver o elemento mais tocante desta imagem é este aspecto apaziguador. Como se Ela dissesse:


“Meu filho, Eu arranjo tudo, não se atormente, estou aqui ouvindo a você que precisa de tudo, mas Eu posso tudo, e o Meu desejo é de dar-lhe tudo. Portanto, não tenha dúvida, espere mais um pouco, mas atendê-lo-ei abundantemente. Eu para você não tenho reservas, não tenho recusas, não tenho nem recriminações pelos seus pecados. Eu lhe estou olhando num estado de alma, numa disposição de ânimo, por onde você de Mim consegue tudo o que você pedir, e muito mais ainda”.

A pintura tem um certo ar de mistério, mas um mistério suave e diáfano. Seria como o mistério de um dia com um céu muito azul, em que se pergunta o que haverá para além do azul.

Mas não é um mistério carregado, é um mistério que fica por detrás do azul e não por detrás das nuvens. Um mistério como quem diz o seguinte:


Imagem do arcanjo São Miguel que estava no altar do milagre
Imagem do arcanjo São Miguel
que estava no altar do milagre
“Se você conhecesse o dom de Deus, se você soubesse quanta coisa Eu tenho para lhe dar, e que maravilhas há em Mim, aí é que você compreenderia. Eu estou notando essas maravilhas e transbordo do desejo de as dar a você. Como você compreenderia bem o que Eu sou se você quisesse abrir os olhos para essas maravilhas”.

E esse apaziguamento que Ela comunica é uma espécie de primeiro passo para a pessoa que queira se deixar maravilhar, para a pessoa, recebendo esta misteriosa ação da graça, começar a admirar e procurar perguntar o que há nEla, o que Ela está exprimindo, o que Ela diz.

Diante deste altar ocorreu, no dia 20 de janeiro de 1842, a miraculosa conversão ao catolicismo do judeu Afonso Ratisbonne

Notem a impressão de pureza que o quadro transmite. Ele comunica algo do prazer de ser puro, fazendo compreender que a felicidade não está na impureza, ao invés do que muita gente pensa. É o contrário.

Possuindo verdadeiramente a pureza, compreende-se a inefável felicidade que ela concede, perto da qual toda a pseudo felicidade da impureza é lixo, tormento e aflição.

Notem também a humildade. Ela revela uma atitude de rainha, mas fazendo abstração de toda superioridade sobre a pessoa que reza diante d’Ela.

Trata a pessoa como se tivesse proporção com Ela; quando nenhum de nós tem essa proporção, nem mesmo os santos.

Entretanto, se aparecesse Nosso Senhor Jesus Cristo, Ela ajoelhar-se-ia para adorar Aquele que é infinitamente mais. Ela tem a felicidade inefável da despretensão e da pureza.

Diante de um mundo que o demônio vai arrastando para o mal, pelo prazer da impureza e do orgulho, a Madonna del Miracolo comunica-nos esse prazer da despretensão e da pureza.

É um chamar a Si suavissimamente, sem pito nem recriminação, mas como quem diz:


“Meu filho, você se lembra dos tempos primitivos de sua inocência? Você não se lembra antes de você ter pecado como você era? Você não se lembra que havia coisas dessas em você? Eu lhe ofereço isso. Eu o restauro! Abra-se para Mim, olhe para Mim. Eu lhe dou isso. Venha! No caminho que conduz a Mim só existe perdão, bondade e atração. Venha logo!”

Não é difícil a gente estabelecer uma relação desses traços apresentados aqui não no aspecto militante de Nossa Senhora enquanto esmaga a cabeça da serpente, mas no seu aspecto materno, enquanto Ela procura tirar – pelo sorriso – das garras da impiedade, aqueles que o materialismo e a sensualidade moderna vão vitimando.

E, dessa maneira, fazendo uma altíssima obra de em entido contrário, i. é, de conversão para a Igreja Católica em toda sua beleza hierárquica e sacral.

É ou não é verdade que o espírito que se deixa impressionar por essa imagem, que se deixa influenciar por essa imagem, fica sumamente propício à admiração?
Busto do ebreo Ratisbonne, convertido e tornado sacerdote
Busto do ebreo Ratisbonne,
convertido e tornado sacerdote

Fica sumamente propício a admirar a hierarquia das coisas mais altas sobre ele, sumamente propício – pela sua própria dignidade – a querer que todas as coisas abaixo dele estejam em hierarquia também?

Debaixo desse ponto de vista,o quadro é de altíssima expressão quanto a um dos aspectos de Nossa Senhora: sua permanente ação contra a revolta igualitária e sensual, até chegar o fim do mundo.

Isso seria um pouco de comentários com alguma vantagem para nossas almas.

Pelo menos, talvez essa: explicar um pouco aos mais jovens como analisar uma imagem, o que procurar quando se vê uma imagem, qual é o bom efeito que ela pode produzir em nós, e o estado de alma que uma imagem – simplesmente por existir – pode comunicar às nossas almas.


(Autor: Plinio Corrêa de Oliveira, 20 de janeiro de 1976. Sem revisão do autor. pliniocorreadeoliveira.info)


Video: a igreja da aparição






Visto em: http://luzesdeesperanca.blogspot.com.br/2013/01/20-de-janeiro-1842-aparicao-de-nossa.html

VIDE TAMBÉM: Histórias de Conversão I: Afonso Maria Ratisbonne 


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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Histórias de conversão V: Um indiferente em Notre-Dame de Paris

A conversão de Paul Claudel


Louis Charles Athanaïse Cécile Cerveaux Prosper foi um importante escritor católico e também um diplomata, dramaturgo e poeta francês, membro da Academia Francesa de Letras, a quem foi conferida a “Grã-Cruz da Legião de Honra”.

Nascido em Villeneuve-sur-Fère (Aisne, França), a 6 de agosto de 1868, em uma família indiferente em matéria religiosa, Louis Charles, mais conhecido pelo pseudônimo de Paul Claudel, desde cedo se deixou envolver pelo materialismo, em voga na época em que viveu. Em 1881, seus pais se mudaram para Paris, onde Paul e sua irmã, a escultora Camille Claudel, passaram a viver, em uma casa de classe média.

O primeiro choque ocorreu quando lhe caíram nas mãos as “Illuminations” e, alguns meses depois, “Une saison en enfer” de Rimbaud.

Em 1886, Paul Claudel, que tinha 18 anos e até então era ateu, converteu-se subitamente ao catolicismo, no Natal, ao ouvir o coro da catedral de Notre-Dame de Paris Ele se emocionou ao ver que todos tinham fé e rezavam para um Deus que até então ele não queria conhecer, e viu que poderia contar com a ajuda do poder invisível, do amor ao Criador.

Claudel tinha entrado na catedral para encontrar motivos artísticos para as suas composições literárias e parara do lado direito, ao fundo, junto da segunda coluna, onde se pôs a observar as pessoas. Subitamente teve fé, acreditando em um Deus pessoal, transcendente, afável e paternal. Vinha ao encontro de Claudel esse Deus que ele conhecera quando criança e na mocidade desvairada nunca mais recordara. Este choque, maior que o de Rimbaud, havia de repercutir em sua vida inteira.

Apesar de ter pensado em dedicar-se à vida monástica, com os monges beneditinos, ele acabou entrando para o corpo diplomático da França, em que serviu de 1893 a 1936. Foi vice-cônsul em Nova Iorque, em Boston, Praga, Frankfurt am Main e Hamburgo. Foi cônsul na China (1895-1909).

Em março de 1906, casou-se com Reine Sainte-Marie Perrin e teve filhos com ela, em um casamento feliz.

Foi Ministro Plenipotenciário no Rio de Janeiro (1916) e em Copenhagen. Foi embaixador em Tóquio, Washington e Bruxelas. O período de sua missão no Brasil coincidiu com a Primeira Guerra Mundial, e ele supervisionou o envio de alimentos da América do Sul para a França.

Ao se retirar da vida pública em 1936, recolhido no seu castelo de Brangues (Isère, França), intensificou os seus escritos. Morreu aos 86 anos, aos 23 de fevereiro de 1955 em Paris.

Sua obra, profundamente marcada pela sua repentina conversão ao Catolicismo, muitas vezes gira em torno de um dos principais temas do Cristianismo: “a ação da graça e a correspondência humana”. Toda a sua obra testemunha um Catolicismo ardente: na sua coletânea “Art poétique” (Arte Poética), em versos livres, recria e torna perceptível o universo, palco em que se joga o destino da alma humana. O seu génio dramático está patente em “L'Annonce faite à Marie” (A Anunciação, 1912), “L'Otage” (O Refém, 1911), “le Pain dur” (O Pão Duro, 1918) e “Le Soulier de satin”, obra composta no Japão em 1929.


A conversão de Paul Claudel narrada por ele mesmo…


Nasci a 6 de Agosto de 1868. A minha conversão realizou-se a 25 de Dezembro de 1886. Tinha, portanto, 18 anos de idade. Mas, nesta altura, já a minha personalidade estava muito desenvolvida.

Ainda que os meus antepassados, em ambos os ramos, tinham sido crentes, dando à Igreja vários sacerdotes, os meus pais eram indiferentes em matéria religiosa. E, depois de termos mudado para Paris, afastaram-se completamente da fé. A minha primeira Comunhão, anterior à mudança, tinha sido boa. Mas foi, como para a maior parte da juventude, a coroação e, ao mesmo tempo, o termo da minha prática religiosa.

A princípio fui educado, ou antes, instruído, por um professor particular; depois, em escolas laicas da província, e, finalmente, no Liceu Luís-o-Grande. Com a entrada neste estabelecimento de ensino, acabei de perder a fé, que me parecia incompatível com a pluralidade dos mundos (!!!). A leitura da “Vida de Jesus”, de Renan, forneceu-me novos pretextos para esta mudança de convicções, que, de resto, tudo quanto via à minha volta facilitava ou animava.

Recordemo-nos daqueles tristes anos à volta de 1880, quando estava em todo o apogeu a literatura naturalista. Jamais o jugo da matéria pareceu mais forte. Quem possuía um nome na arte, nas ciências ou na literatura, era descrente. Todos os pretensos homens iminentes daquele século que declinava se distinguiram particularmente pela sua hostilidade contra a Igreja. Renan imperava. Na última distribuição de prémios a que assisti no Liceu Luís-o-Grande, ocupava ele a presidência, e creio que recebi o prémio das suas mãos. Vítor Hugo acabava de desaparecer numa auréola de glória.


Aos 18 anos

Aos 18 anos, acreditava eu naquilo em que a maior parte das chamadas pessoas cultas daquela época acreditava. O forte sentimento do individual e do concreto obscurecera-se em mim. Aceitei a hipótese monista e mecanista em toda a sua extensão. Acreditava que tudo estava subordinado a leis”, e que este mundo era um íntimo encadeamento de causas e efeitos, que a ciência não tardaria a esclarecer plenamente. Além disso, tudo isto me parecia cheio de tristeza e de tédio. A ideia kantiana do dever, tal como no-la expôs o Sr. Burdeau, nosso professor de filosofia, nunca pude digeri-la.

Para mais, vivia sem o freio da moral e ia caindo, pouco a pouco, num estado de desespero. A morte de meu avô, cuja agonia durou meses inteiros, devida a um cancro no estômago, a que eu assisti, inspirara-me um pavor terrível, e à ideia da morte não me abandonou mais. Esquecera completamente a religião e, com respeito a ela, a minha ignorância era tão grande como a de um selvagem.


O primeiro brilho da verdade

O primeiro brilho da verdade surgiu-me do encontro com os livros de um grande poeta, a quem devo eterna gratidão e que tomou parte preponderante na formação do meu pensamento: Artur Rimbaud. A leitura das “Illuminations” e, alguns meses depois, “Une saison en Enfer” é um dos acontecimentos capitais da minha vida. Estes livros rasgaram a primeira brecha no meu cárcere materialista, e deram-me uma impressão viva, quase física do sobrenatural. Mas o meu estado habitual de ansiedade e desespero continuou a ser o mesmo.


A noite de Natal do dia 25 de Dezembro de 1886

Assim se passavam as coisas com aquele pobre rapaz que, no dia 25 de Dezembro de 1886, entrava na catedral de Notre-Dame de Paris, para ali assistir ao ofício divino do Natal. Começava eu então a escrever, e tive a impressão de que poderia, com superior diletantismo, encontrar nas cerimónias católicas, um meio adequado e matéria para alguns trabalhos. Nesta disposição de espírito, apertado e empurrado pela multidão, assisti à Missa cantada, com moderada alegria. Como nada mais interessante havia a fazer, voltei de novo à tarde para assistir às Vésperas. Os meninos do coro da catedral, de roquetes brancos, e os alunos do Seminário de S. Nicolau du Chardonnet, que os auxiliavam, tinham justamente começado a cantar qualquer coisa em que mais tarde reconheci o Magnificat. Eu estava de pé no meio da multidão, junto da segunda coluna, perto da entrada para o coro, à direita, do lado da sacristia.

E ali se deu o acontecimento que domina toda a minha vida. Num momento, o meu coração sentiu-se tocado, e tive fé. Tive fé com tal intensidade de adesão, com tal exaltação de todo o meu ser, com uma convicção tão poderosa, com tal segurança, que não ficava margem para nenhuma espécie de dúvida. E, desde então, todos os livros, todos os raciocínios, todas as eventualidades de uma vida agitada não conseguiram abalar a minha fé; mais do que isso, nem sequer conseguiram tocar-lhe. Subitamente, apoderou-se de mim o sentimento fremente da inocência, da perpétua filiação divina: uma revelação inefável. Quando tento reproduzir, como faço frequentemente, o decorrer dos minutos que se seguiram a este momento excepcional, encontro sempre os seguintes elementos que, todavia, representam um único raio, uma única arma, de que a Providência divina se serviu para alcançar e abrir o coração de um pobre filho desesperado : “Que felizes são, de fato, os que creem! E se fosse verdade?
verdade! — Deus existe ; está aqui presente ! É alguém ! É um ser tão pessoal como eu! — Ama-me ! chama por mim!” Invadiram-me as lágrimas e os soluços e o cântico tão delicado do “Adeste” aumentou ainda a minha comoção.


…as minhas ideias filosóficas mantinham-se intactas

Doce comoção, na qual, todavia, se misturava uma sensação de terror e quase de espanto ! Porque as minhas ideias filosóficas mantinham-se intactas. Deus desprezara-as, deixando-as tal qual estavam, e eu não compreendia o que nelas deveria mudar. A religião católica continuava a surgir-me como um amontoado de anedotas disparatadas. Os seus sacerdotes e fiéis continuavam a inspirar-me a mesma antipatia, que ia até ao ódio e à náusea. O edifício das minhas opiniões e conhecimentos mantinha-se, e não via nele defeito nenhum; limitara-me, apenas, a sair dele. Tinha-me sido revelado um novo e terrível ser, com terríveis exigências para um jovem artista como eu, e não via maneira de o satisfazer com nada do que me rodeava. O estado de um homem, a quem de repente se arrancou da sua pele para o introduzir num corpo estranho, no meio de um mundo desconhecido, é a única comparação que posso encontrar para exprimir este estado de completa desordem. O que mais repugnava às minhas ideias e ao meu gosto, era o que precisamente se vinha a mostrar verdadeiro ; e, a bem ou a mal, tinha de me acomodar a isso. Ah ! Pelo menos não seria sem que eu procurasse opor a maior resistência possível.


A luta foi nobre e radical. Não omiti nada…

Esta resistência durou quatro anos. Ouso afirmar que foi uma defesa heroica. E a luta foi nobre e radical. Não omiti nada. Utilizei todos os meios possíveis de resistência. Uma após outra, tive que depor as armas. Foi grande a crise da minha existência, esta agonia do pensamento, da qual Artur Rimbaud escreveu : “A luta do espírito é tão brutal como as batalhas entre os homens. Oh! noite dura! O sangue derramado arde sobre o meu rosto !” A juventude que tão facilmente abandona a fé, não sabe que tormentos custa recuperá-la. A ideia do inferno, a própria ideia da beleza, todas as alegrias que, a meu ver, teria de sacrificar para regressar à verdade, retraiam-me de tudo. Finalmente, caiu-me nas mãos uma Bíblia protestante que certa amiga alemã oferecera uma vez a minha irmã Camila. Foi na noite daquele dia memorável de Notre-Dame, depois de ter voltado para casa, ao longo das ruas molhadas pela chuva, que então me pareciam tão estranhas. Pela primeira vez, ouvi ressoar no coração a voz, tão suave, e ao mesmo tempo tão inflexível da Sagrada Escritura, que jamais se viria a extinguir. Apenas através de Renan conhecia eu a história de Jesus Cristo. E, fiando-me neste impostor, não sabia sequer que Ele se tinha proclamado o Filho de Deus. Cada palavra, cada linha, na sua majestosa simplicidade, revelava a mentira das afirmações descaradas daquele apóstata e abria-me os olhos. Como o centurião romano, reconheci verdadeiramente que Jesus é o Filho de Deus. A mim, Paulo, se dirigiu Ele, entre todos, e prometeu-me o seu amor. Mas, ao mesmo tempo, não me deixou outra alternativa além da condenação, se o não seguisse. Ah!, Eu não precisava que me explicassem o que vinha a ser o inferno; já tinha passado nele a minha “temporada”! Aquelas poucas horas tinham chegado para me demonstrar que o inferno está em qualquer parte em que não esteja Cristo. E que me importava já a mira o resto do mundo, em face deste novo e maravilhoso ser que acabava de me ser revelado?

Assim falava em mim o homem novo. Mas o velho resistia com todas as forças e não queria entregar-se

Assim falava em mim o homem novo. Mas o velho resistia com todas as forças e não queria entregar-se a esta nova vida que na sua frente se abria. Será preciso confessar que o sentimento que mais me impedia de manifestar a minha convicção era o respeito humano? A ideia de revelar a todos a minha conversão e de dizer aos meus pais que não comeria carne às sextas-feiras; o facto de ter de me afirmar coma um dos católicos tão ridicularizados, causava-me suores frios. E, momentaneamente revoltava-me até contra a violência que me tinha sido feita. Mas sentia sobre mim uma mão firme.
Não conhecia nenhum sacerdote. Não tinha um único amigo católico.

O estudo da religião passara a ser para mim o interesse dominante. Coisa curiosa! O despertar da alma e das qualidades poéticas deu-se em mim ao mesmo tempo, e desfez os meus preconceitos e os meus receios infantis. Por essa época, escrevi o primeiro esboço dos meus dramas : “Cabeça de ouro” e “A cidade”. Embora andasse ainda afastado dos sacramentos, já tomava parte na vida da Igreja. Podia, enfim, respirar, e a vida penetrava-me por todos os poros. Os livros que mais me ajudaram, naquela época, foram, em primeiro lugar, os “Pensamentos de Pascal, obra inestimável para todos os que buscam a fé, muito embora a sua influência possa também às vezes ser perniciosa. Além disso, as “Investigações do espírito sobre os Mistérios” e as “Considerações sobre os Evangelhos”, de Bossuet, bem como os seus restantes tratados filosóficos; a “Divina Comédia”, de Dante; e, finalmente, as maravilhosas narrações de Catarina Emmerich. A Metafísica de Aristóteles purificou-me o espírito, e introduziu-me nos domínios da verdadeira inteligência. A “Imitação de Cristo” pertencia a uma esfera demasiado elevada para mim, e os seus dois primeiros livros pareceram-me de uma terrível dureza.

O grande livro que se me abriu e no qual eu fiz os meus estudos, foi a Igreja.

Mas o grande livro que se me abriu e no qual eu fiz os meus estudos, foi a Igreja. Louvada seja por toda a eternidade esta grande e majestosa Mãe, em cujos joelhos tudo aprendi ! Os Domingos passava-os em Notre-Dame, e, sempre que me era possível, ia também lá durante a semana. Era nessa altura tão ignorante na minha religião como o poderia ser em relação ao Budismo. E agora desenrolava-se, perante mim, o drama sagrado, com tal magnificência, que ultrapassava toda a força da minha imaginação. Ah ! Esta já não era, certamente, a linguagem mesquinha dos “devocionários”. Era a poesia mais profunda e gloriosa, eram as atitudes mais sublimes que jamais tinham sido concedidas a seres humanos. Nunca me conseguia saciar por completo com o espetáculo da Santa Missa, e cada movimento do sacerdote gravava-se profundamente no meu espírito e no meu coração. A leitura do ofício de Defuntos, da liturgia do Natal, o drama da Semana Santa, o cântico celeste do “Exultet”, ao lado do qual as harmonias mais inebriantes de Pindaro e Sófocles me pareciam incolores, tudo isto me sufocava de alegria, gratidão, arrependimento e adoração ! Pouco a pouco, lenta e penosamente, abriu caminho até ao meu coração o pensamento de que a arte e poesia são também coisas divinas. E o prazer da carne não é indispensável para elas, mas antes prejudicial. Como eu invejava os cristãos felizes que via comungar ! Só me atrevia, porém, a misturar-me com aqueles que, em todas as sextas-feiras da Quaresma, vinham beijar reverentemente a coroa de espinhos.

Entretanto, passavam os anos e a minha situação tornava-se insuportável. Intimamente, dirigia-me a Deus com lágrimas; e, contudo, não me atrevia a abrir a boca. E, apesar disso, as minhas objecções tornavam-se cada vez mais fracas, e mais dura a exigência de Deus. Oh! que bem conheci este momento e com que firmeza me ficou gravado na alma! Mas como é que tive coragem para lhe resistir? Três anos depois, li as obras póstumas de Baudelaire. E vi que o poeta, que eu preferia a todos os poetas franceses, tinha reencontrado a fé nos últimos anos da vida, e se havia debatido com as mesmas angústias e com os mesmos remorsos que eu. Enchi-me de coragem, e, uma tardinha, aproximei-me do confessionário de S. Medardo; minha paróquia. Os minutos que esperei pelo sacerdote foram os mais amargos da minha vida. Encontrei-me com um ancião, que me pareceu muitíssimo pouco abalado com a história, que a mim, todavia, me parecia muito interessante. Falou (para meu grande aborrecimento) nas “recordações da minha primeira e santa comunhão”. Ordenou-me terminantemente que revelasse a família a minha conversão. E hoje não posso deixar de lhe dar razão. Humilhado e mal disposto, saí do “confessionário” e só lá voltei no ano seguinte. Agora, estava completamente vencido, submisso e extenuado. Ali, naquela mesma igreja de S. Medardo, encontrei um sacerdote novo, compassivo e fraternal, o P. Ménard, que me reconciliou com a Igreja. Mais tarde, conheci lá outro santo e venerando sacerdote, o P. Villaume. Tornou-se o meu diretor e meu querido Padre espiritual, cuja poderosa proteção, lá do céu, sinto agora continuamente. A segunda comunhão recebi-a, como a primeira, no dia de Natal, a 25 de Dezembro de 1890, em Notre-Dame.


Este é um resumo de várias fontes, leia tamém este "Biografia e testemunhos" da Quadrante, bem detalhado e muito interessante.



Frases de Paul Claudel:


“Fala de Cristo apenas quando te perguntarem! Mas vive de tal maneira que te perguntem”.
“As crianças não devem receber a religião; têm que pegá-la do meio ambiente, como se pega o sarampo.”
“O dever está sempre acima de tudo.”
“O sinal de que não amamos alguém é que não lhe damos todo o melhor que existe em nós.”

Giulia d’Amore



Fontes de pesquisa:



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