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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

DOM WILLIAMSON: UM BISPO INCONVENIENTE

Um Bispo Inconveniente: A Verdade Sobre Richard Williamson

por Edwin Faust


A Igreja tornou-se cada vez mais solícita com sua imagem pública. Os meios de comunicação aplaudiram o Papa João XXIII, que queria abrir as janelas da Igreja para deixar entrar o ar do mundo moderno. Mas a Igreja pagou um preço alto pela aprovação de curta duração da mídia, e a brisa da modernidade foi varrida junto aos volúveis ventos da opinião pública.

Seja qual for a diferença que Dom Williamson possa estar tendo com a liderança da Fraternidade São Pio X, qualquer avaliação honesta acerca de sua definitiva expulsão da FSSPX teria que principiar pelo incidente que fez com que o seu Superior o removesse do Ministério público e o isolasse.

Mons. Williamson é da opinião de que as câmaras de gás não foram utilizadas no extermínio de Judeus perpetrado pelos Nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial. Ele aceita as conclusões de um disputados estudo científico conhecido como “Relatório Leuchter” [PDF (em Italiano)]. Consequentemente, Sua Excelência entende que o número de Judeus mortos nos campos de concentração possa estar mais perto de um milhão e meio, ao invés de seis milhões [Para a Cruz Vermelha, teriam sido 300.000, segundo um relatório de 66 páginas feito em 1948 e que vasou no site WikiLeaks]. Ele disse isso durante uma entrevista para a televisão sueca realizada [ardilosamente] na Alemanha.

Foi esta opinião que realmente fez com que Richard Williamson se tornasse um problema para a FSSPX e seus adeptos que querem um acordo com o Vaticano. Mons. Williamson foi julgado e considerado culpado pelo crime de Negação do Holocausto, segundo a lei Alemã. Ele foi extraoficialmente considerado culpado de ser inconveniente pela FSSPX e a Santa Sé.

A expulsão de Sua Excelência da FSSPX foi consumada em Outubro. E foi imediatamente seguida por um anúncio por parte das autoridades do Vaticano de que as negociações com a FSSPX não haviam chegado ao fim ou a uma paralisação, como pensado anteriormente, mas que era necessário paciência e esperança para uma reconciliação ainda demasiado viva. Coincidência?
 
Organizações judaicas que mantêm relações com o Vaticano denunciaram o levantamento das excomunhões dos Bispos da FSSPX, fazendo notar que um “negador do Holocausto” estava entre eles. O porta-voz do Papa disse que o Santo Padre não sabia dos comentários de Mons. Williamson na época do decreto, o que implica que tal conhecimento, se houvesse existido, poderia ter afetado o levantamento das excomunhões.

Sem analisar o mérito da opinião de Mons. Williamson sobre o “Relatório Leuchter”, não seria pertinente perguntar o que tal opinião tem a ver com a Fé católica? É preciso subscrever uma específica versão da História para ser qualificado a praticar um ministério episcopal no seio da Igreja Católica? Poderíamos também perguntar: Em que medida autoridade eclesiástica foi estendida, de fato, aos tribunais alemães, às organizações judaicas e aos meios de comunicação populares?

Mons. Williamson foi removido de seu cargo de reitor do Seminário da FSSPX da América do Sul e exilado em Wimbledon, não por transgressão a uma lei de sua fraternidade sacerdotal, não por qualquer infração ao direito canônico, não por qualquer dissenso, público ou privado, acerca da doutrina dogmática da Igreja. Mons. Williamson foi destituído de seu ministério e escondido da vista do público por ser um problema de relações públicas.

Se Dom Williamson tivesse se retratado de sua opinião, pedido desculpas a todos os que foram ostensivamente ofendidos por ela, pago sua multa ao tribunal e feito seu mea culpa perante seu Superior, tudo poderia estar bem. O problema é: Ele é um homem honesto.

Ele não foi convencido de que está errado em sua opinião, e ele sabe que não transgrediu qualquer disciplina ou doutrina da Igreja. Ele continuou falando sua opinião através de seu blog. E ele foi sincero em afirmar a sua posição em relação a um acordo entre a FSSPX e o Vaticano: Ele entende que ainda não tenha chegado o momento para que a FSSPX possa confiar na ortodoxia e nas boas intenções das autoridades romanas.

Ele se opõe aos esforços nesse direção de seu Superior, mons. Fellay, e tem apelado por uma nova liderança na FSSPX. Se isso merece a sua expulsão da Fraternidade é uma pergunta que é melhor deixar para os membros da fraternidade. Mas a eliminação do Bispo Williamson certamente alivia a FSSPX de um problema de relações públicas e facilita qualquer possível acordo que possa estar em  andamento com uma Cúria Romana fortemente sensível à mídia. Naturalmente, aqueles que aprovam a expulsão de Dom Williamson podem não perceber que a acusação de antissemitismo continuará a ser dirigida à Igreja Católica sob qualquer pretexto possível, uma vez que é a própria Fé que muitos Judeus acham ofensiva.

Qualquer pessoa que conheça Dom Williamson percebe que sua integridade é inquestionável, assim como sua caridade. Não importa quão impopulares sejam suas opiniões, elas não são formadas por maldade, mas por uma honesta convicção. Ele pode ser julgado excêntrico, e até mesmo imprudente. Mas ele é Católico até a alma. E isso pode ser o cerne do problema. Chegou a hora de reconhecê-lo.

Fonte: Fátima.org
Tradução: Giulia d'Amore

LER TAMBÉM: FSSPX: O VERDADEIRO PROBLEMA!

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domingo, 18 de novembro de 2012

FSSPX: Menzingen exclui Dom Williamson

Publico, para memória futura, o comunicado através do qual Menzingen faz saber que exclui Monsenhor Williamson da FSSPX, sem um processo, sem defesa, sem levar em conta o Direito Canônico, pelo qual qualquer Bispo está submetido à autoridade exclusiva do Papa, mesmo que pertença a uma Congregação, Ordem, Instituto etc. Para quem exige tanto de todos, o Superior Geral e seu Conselho se acham acima de qualquer lei, a não ser a que imaginam existir na cabeça deles.


Comunicado da Casa Geral da Fraternidade São Pio X (24 de outubro de 2012)



Monsenhor Richard Williamson, tendo-se distanciado da orientação e do governo da FSSPX há vários anos, e negando-se a manifestar o respeito e a obediência devidos aos seus superiores legítimos, foi declarado excluído da FSSPX por decisão do Superior Geral e do Conselho, em 4 de outubro de 2012. Um último prazo lhe havia sido concedido para se conformar ao disposto, ao termo do qual anunciou a difusão de uma “carta aberta” pedindo ao Superior Geral que renunciasse.

Esta dolorosa decisión se hizo necesaria en atención al bien común de la Fraternidad San Pío X y de su buen gobierno, de conformidad con lo que Mons. Lefebvre denunciaba: “Es la destrucción de la autoridad. ¿Cómo puede ejercerse la autoridad si es necesario que ella pida a todos los miembros que participen en el ejercicio de la autoridad?” (Ecône, 29 de octubre de 1987)

Esta dolorosa decisão se fez necessária em atenção ao bem comum da Fraternidade São Pio X e de seu bom governo, em conformidade com o que Mons. Lefebvre denunciava: “É a destruição da autoridade. Como se pode exercer a autoridade se é necessário que ela peça a todos os membros que participem do exercício da autoridade?” (Ecône, 29 de junho de 1987).

Dado em Menzingen, aos 24 de outubro de 2012

Fonte: DICI
Tradução: Giulia d’Amore di Ugento
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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

RESPUESTA AL PADRE SCHMIDBERGER. POR UN SACERDOTE DEL DISTRITO DE FRANCIA.

RESPUESTA AL PADRE SCHMIDBERGER. POR UN SACERDOTE DEL DISTRITO DE FRANCIA.




Entre los tristes acontecimientos que han venido ocurriendo en las últimas semanas, acontecimientos que muestran una crisis interna en la FSSPX, se encuentra el comunicado, que se ha hecho público, sobre la "expulsión" de Mons. Williamson en el distrito de Alemania y firmado por el padre Schmidberger, superior de dicho Distrito. El comunicado, ha sido prontamente respondido por un sacerdote del distrito de Francia. Veamos qué le responde este sacerdote indignado al p. Superior del distrito alemán.


RESPUESTA AL PADRE SCHMIDBERGER. POR UN SACERDOTE DEL DISTRITO DE FRANCIA.


El Padre Schmidberger tiene un gran mérito: Jamás ha escondido su deseo de ver a la Fraternidad San Pio X ponerse entre las manos de Benedicto XVI "por el mayor bien de la Iglesia". Su comunicado respecto a la expulsión del "obstáculo" Monseñor Williamson no tiene nada de sorprendente.
En un Comunicado a los amigos y benefactores del 26 de octubre de 2012, usted pretende que la expulsión de Monseñor Williamson es "el resultado de una evolución que dura ya algunos años". Ella sería producto de una "antipatía" por el consejo general que se ha transformado en una "rebelión abierta".
Padre, ¡usted es deshonesto! El 13 de febrero de 2012, a un periodista de «Die Welt» que le preguntaba "El Papa ha declarado que el no hubiera aprobado el levantamiento de la excomunión de sus cuatro obispos, si él hubiera sido informado previamente de las declaraciones de Monseñor Williamson. ¿Cuál será el provenir de Monseñor Williamson después de una eventual reintegración de la Fraternidad?" Usted respondió: "Yo no soy profeta, pero en un contexto tan importante como el establecimiento de una estructura canónica para nuestra Fraternidad, yo pienso que las conversaciones se prolongarían muy probablemente en algunas sesiones y que se hablaría de Monseñor Williamson. Además, debemos también esperar que él  respete las decisiones del superior general."
Usted no es profeta pero usted está muy bien ubicado para saber lo que quiere Monseñor Fellay y usted mismo. Ustedes quieren un acuerdo con Roma y para eso ustedes están prestos a satisfacer las exigencias del sionismo internacional y las de la Iglesia Conciliar que le está sujeta. En la misma entrevista, usted dice: "Nosotros renunciamos a la relativa libertad a la que hasta ahora hemos recurrido para la proyección internacional de nuestra obra, y la ponemos entre las manos del papa." Mientras que Monseñor Lefebvre pedía a nuestros obispos de "depositar la gracia de su episcopado" en "un sucesor de Pedro perfectamente católico" (Mgr. Lefebvre, 29 de agosto de 1987).
¿Benedicto XVI es el "sucesor de Pedro perfectamente católico"? ¿El que es también el jefe de la "Roma modernista y liberal, que continúa su obra destructiva del Reino de Nuestro Señor como lo probó en Asís (III),confirmando las tesis liberales del Vaticano II sobre la libertad religiosa"?(Mgr. Lefebvre, carta del 29 de agosto de 1987)
Como Monseñor Williamson estorbaba sus planes inicuos y la funesta propaganda sionista, usted, y Monseñor Fellay, pensaron que había que terminarlo: O Monseñor Williamson acepta enterrarse vivo o será expulsado bajo pretextos disciplinarios.

Usted cita también una declaración privada de Monseñor Williamson que no estaba destinada a hacerse pública, donde el decano de los Obispos habló de "deshacerse de Monseñor Fellay" y "de su banda". Como usted hace referencia a Monseñor Lefebvre cuando pidió a los futuros obispos "permanecer unidos bajo la dirección del Superior General". Pero dentro de su ceguera o deshonestidad, usted omite citar el pasaje completo para calumniar mejor a Monseñor Williamson acusándolo de haber insultado al superior. Este es el pasaje en cuestión:

"En fin, os conjuro a permanecer profundamente unidos a la Fraternidad de San Pío X, a permanecer profundamente unidos entre vosotros, sometidos a su Superior General, en la Fe Católica de siempre, acordándose de esta palabra de San Pablo a los Gálatas (c. I, vers. 8 y 9): "Aún si nosotros o un ángel del Cielo os anunciara un evangelio distinto del que os anunciamos, sea anatema. Como ya os lo dijimos, os lo volvemos a decir: si alguien os anunciara un evangelio distinto del que recibísteis, sea anatema". (Mgr. Lefebvre, carta del 29 de agosto de 1987)

La sumisión al Superior General es "en la Fe católica de siempre". Como usted y Monseñor Fellay quieren ponernos bajo la autoridad de un papa que peca gravemente contra la fe, entonces "anathema sit"! Lo que se puede traducir por: separémonos o "deshagámonos de Monseñor Fellay y su banda". Eso no tiene nada de injurioso.
A pesar de numerosos consejos, de exhortaciones amistosas y de advertencias, Monseñor Fellay y su banda no han querido modificar su comportamiento suicida. Monseñor Williamson tenía que hablar.
Padre, usted es tan deshonesto que, en este año 2012, usted escribió a los tres obispos, alentado por Monseñor Fellay, una carta en donde usted justifica en doce puntos las "razones" para concluir un acuerdo con esas personas con las que estamos en desacuerdo. Las respuestas que usted recibió, las tres a su manera, destruyeron colmadamente el fondo de sus pseudo-argumentos acuerdistas. Publíquelas para que su terquedad sea patente a la cara del distrito de Alemania.
Si Monseñor Williamson no es el único en oponerse de manera argumentada a sus proyectos peligrosos, si es el único que, valientemente,  apunta a la cabeza pensante de estos proyectos. Monseñor Tissier de Mallerais y Monseñor de Galarreta se han contentado al contradecir y refutar la política y las doctrinas erróneas de Menzingen pero sin nombrar a las personas responsables de esta revolución interna. Eso está bien pero es insuficiente. ¿La prueba? La entrevista reciente del padre Pfluger haciendo una profesión de fe "angelical" en cuanto a "la asistencia del Espíritu Santo para el Papa y los Obispos", ellos, para quienes la más grande tragedia de la historia de la Iglesia, a saber, el Vaticano II, después de haber sido una nueva pentecostés, ¡se ha convertido en la brújula para la Iglesia del siglo XXI!
Por lo tanto Monseñor Williamson era el único y verdadero obstáculo a sus maniobras de tal modo que fue el Contra-Notra aetate por excelencia.
Monseñor Williamson continuará hablando. Monseñor Tissier de Mallerais lo hará cuando lo juzgue apropiado, y Monseñor de Galarreta lo volverá a hacer cuando haya regresado de sus ilusiones. Este último, espera poder salvar lo esencial por la primera, imperfecta y frágil condición sine que non del capítulo. El cree que eso le impedirá a la cabeza podrida de Menzingen concluir un mal acuerdo con Benedicto XVI. El no quiere resignarse todavía a ver que la unidad de la Fraternidad de Monseñor Lefebvre ya no existe. Hay dos campos irreductibles en ella, como en el Concilio: una minoría liberal, sentimental y conciliante, antes de ser conciliares; y otra minoría católica, doctrinal e intransigente. El groso de las tropas, estando muy ocupadas para darse cuenta de lo que está en juego, prefiere someterse a la autoridad. Porque hoy en día, el que gobierna la cabeza de la Fraternidad se parece más a Paulo VI lleno de contradicciones que a un Santo Pio X luminoso y firme en el combate de la fe.
Padre, usted ha sido deshonesto. Deje de engañar a los sacerdotes y a los fieles. Comprenda su error, regrese a la sana política de nuestro fundador y deje de destruir la casa paterna.

Un Sacerdote del distrito, el 28 de octubre de 2012.

En la fiesta de Cristo Rey.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Fellay e o bom direito. Porque Dom Williamson não foi expulso da FSSPX.

Bom, fora o fato de que quem está fora do corpo não pode mais ser a cabeça dele - isto é, o sr. Fellay, por ter traído o legado de Mons. Lefebvre e toda uma Tradição bimilenar já não é, de fato, o Superior Geral da FSSPX e, por isso, não pode mais decidir quem está e quem não está na FSSPX -, há, também, este interessante parecer de um canonista, o qual foi (re)publicado, com as devidas atualizações do tema, em um blog de língua francesa que eu acompanho pelo Reader. Eu traduzi por amor à Verdade, mas não sou versada neste belíssimo idioma, que consigo ler e compreender com suficiência; portanto, haverá, certamente, erros, mas não creio que eu traí a essência. 

Registro que tudo isso, para mim, é palha porque, de fato, Mons. Williamson nunca "desobedeceu" o sr. Fellay. Naquilo que, de fato, foi acusado, se aplicam os dispositivos aduzidos à perfeição, pois, o Direito Canônico (de 1917 e de 1983, qual se queira) lhe outorga o poder de decidir, ipse prudenter, o que afeta ou não a sua dignidade episcopal

Quanto a "submissão ao superior", o superior legítimo de Mons. Williamson - pelo antigo e pelo novo Código Canônico - seria o Papa, jamais o sr. Fellay. 

E sobre as palavras de Mons. Lefebvre, que dizer? Têm sido tão instrumentalizadas em prol da pertença mórbida a uma igreja à qual o Fundador jamais pertenceu que qualquer objeção minha nesse sentido seria em vão. 

O Dia da Revelação será... uma revelação para muitos! Pois não pode haver duas verdades...
Em última análise, diante das evidência dos fatos, quem saiu da FSSPX foi o sr. Fellay, que desde 2000 vem mudando de discurso e de lado, não Mons. Williamson, que continua com o mesmo discurso de sempre.
Portanto, siga em frente Mons. Williamson, porque, se tiver que recomeçar do zero, não faltará a mão da Divina Providência, como não faltou a Mons. Lefebvre que, algumas vezes, se viu diante de situações inesperadas e, para alguns, desesperadoras, nas quais não tinha o que dar para comer a seus seminaristas. O que é o pão diante da alma?

Por Cristo Rei e Maria Rainha!

Giulia d'Amore di Ugento



Por que Mons. Williamson não devia obedecer? Porque o direito o ampara!


Mons. Lefebvre, Mons. Williamson, Sr. Fellay
Sagrações Episcopais
30 de junho de 1988
Neste artigo não iremos julgar a forma, mas a essência. Nós não nos ocuparemos dos fatos reprochados, porque não nos interessam, mas apenas do direito, da essência!

Se Mons. Williamson apelasse diante do tribunal romano, que parece tanto agradar a Mons. Fellay, ele ganharia facilmente. A decisão de Mons. Fellay é nula e inválida, deveria ser privada de efeito, como o explica esta síntese feita por um canonista. 

Um bispo da Fraternidade pode expressar-se livremente?




1º CIC 1917, can. 627[1].


§1. Religiosus, renuntiatus Cardinalis aut Episcopus sive residentialis sive titularis, manet religiosus, particeps privilegiorum suae religionis, votis ceterisque suae professionis obligationibus adstrictus, exceptis iis quas cum sua dignitate ipse prudenter iudicet componi non posse, salvo praescripto can. 628.

§2. Eximitur tamen a potestate Superiorum et, vi voti obedientiae, uni Romano Pontifici manet obnoxius.


§ 1. O religioso, elevado a Cardeal ou Bispo, residencial ou titular, permanece religioso, participante dos privilégios de sua religião, e sujeito às vontades e a todas as outras obrigações de sua profissão, exceto aquelas que ele considera, em sua prudência, não serem compatíveis com sua dignidade, salvo a prescrição do Can. 628[2].

§ 2º. No entanto, é isento do poder dos Superiores, e, em virtude de seu voto de obediência, permanece sujeito unicamente ao Pontífice Romano.


2º CIC 1983, Can. 705[3].


Religiosus ad episcopatum evectus instituti sui sodalis remanet, sed vi voti oboedientiae uni Romano Pontifici obnoxius est, et obligationibus non adstringitur, quas ipse prudenter iudicet cum sua condicione componi non posse.

O religioso elevado ao Episcopado permanece membro do seu instituto, mas por força do voto de obediência está unicamente subordinado ao Romano Pontífice, e não está sujeito às obrigações que ele próprio prudentemente julgue não se poderem harmonizar com a sua condição.


3º Carta de Mons. Lefebvre aos futuros bispos, aos 28 de agosto de 1987[4]


a) “(...) eu me vejo obrigado pela Divina Providência a transmitir a graça do Episcopado católico que eu recebi, para que a Igreja e o sacerdócio católico continuem a subsistir para a glória de Deus e a salvação das almas.

É por isso que, convencido de cumprir apenas a Santa Vontade de Nosso Senhor, com esta carta vos peço que aceiteis receber a graça do Episcopado católico, como já conferi a outros sacerdotes, em outras circunstâncias.”

b) “O objetivo principal desta transmissão é o de conferir a graça da ordem sacerdotal para a continuação do verdadeiro Sacrifício da Missa, e para conferir a graça do sacramento da confirmação aos filhos e aos fieis que vos a pedirem.”

c) “Em fim, eu vos exorto a permanecerem ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, de permanecerem profundamente unidos entre vós, submissos ao seu Superior Geral, na Fé Católica de sempre, lembrai-vos destas palavras de São Paulo aos Gálatas: ‘Sed licet nos aut angelus de coelo evangelizet vobis praeterquam quod evangelizavimus vobis, anathema sit. Sicut praedicimus et nunc iterum dico: si quis evangelizaverit praeter id quod accepistis, anathema sit’! (‘Mas, ainda que alguém - nós ou um anjo baixado do céu - vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema! Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado!)”.


Questão


Mons. Williamson é bispo auxiliar da Fraternidade de São Pio X e não tem nenhum cargo dentro da Fraternidade de São Pio X. Ele é acusado de livre-expressão em seu blog na Internet (Comentários Eleison) e de ministrar sacramentos (Crismas no Brasil) sem mandato de seu Superior Geral.

Até que ponto isso é compatível com a obediência devida ao Superior Geral? Sobretudo nas circunstâncias particulares das sagrações episcopais de 1988, em que Mons. Lefebvre exortou à submissão ao Superior Geral os eleitos para o Episcopado (cf. 3c).


Resposta


O bispo membro de um instituto não é um membro como os outros. Seu Episcopado, pela dignidade conferida pelo Código de 1917 ou sob condição, pelo Código de 1983, é independente de seus superiores. O Direito Canônico lhe reconhece a isenção das obrigações de seu instituto quando elas forem incompatíveis com o seu Episcopado. E o discernimento desta isenção é afeito à sua prudência[5] (“ipse prudenter”): cf. 1 e 2.

O governo que este bispo possui ou não possui não muda nada diante desse fato de direito. O Código de 1917 visa o bispo tanto residencial quanto titular, isto é, governante ou não governante uma diocese. O Código de 1983 refere-se ao religioso elevado ao Episcopado, sem especificar. De fato, o direito da Igreja protege o Episcopado, sem reservas.

As circunstâncias das Sagrações de 1988 também não mudam nada: é, obviamente, o mesmo Episcopado que o seu, e o mesmo Episcopado que ele já transmitiu, que Mons. Lefebvre transmite aos 30 de junho de 1988 (cf. 3a): o Episcopado Católico.

Este Episcopado não se reduz à transmissão dos sacramentos da ordem e da confirmação: Mons. Lefebvre certamente disse que esta é a sua primeira intenção, seu objetivo principal (cf. 3b) e, portanto, não-exclusivo[6].

A admoestação de Mons. Lefebvre de serem “submissos ao Superior Geral” (cf. 3c) se exerce, portanto, dentro do quadro do Can. 627 (CIC 1917), reafirmado no Can. 705 (CIC 1983).

Assim, tendo em vista os cânones 627 e 725 e a admoestação de Monsenhor Lefebvre, o Bispo Williamson está dentro de seu bom direito, e isso priva de efeitos o julgamento da FSSPX sobre o motivo evocado para expulsá-lo!


Grifos do original.
Fonte: SEMPER FIDELIS, PLUTOT MOURIR QUE TRAHIR. Publicado com autorização do autor. 
Tradução: Giulia d’Amore di Ugento 
(blog aberto a correções necessárias na tradução)


[1] CIC 1917. CAPUT III: De obligationibus et privilegiia religiosi ad ecclesiasticam dignitatem promoti vel paroeciam regentis. Vide. – NdTª.
[2] O Can. 628 (CIC 1917) trata apenas do direito dos bens materiais.
[3] CIC 1983. Caput VII: De Religiosis Ad Episcopatum Evectis. Baixe o PDF. – NdTª.
[5] Isto é, é ele quem decide se é isento ou não. – NdTª.
[6] Isto é, não exclui outras intenções e objetivos. – NdTª. 

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