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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Deixe o boi e o burro em paz, Sua Santidade!

A última polêmica vaticana: Não há boi nem burro! 

Por Giulia d'Amore 

Natividade (detalhe) - Frá Angélico
Recentemente, foram divulgados trechos do novo livro[1] do Papa, dos quais se destacou o fato de que a presença de animais no Presépio não consta das Escrituras, o que me leva a crer que Sua Santidade segue a teologia da Sola Scriptura, tendo em vista que, mais uma vez, faz questão de ignorar tanto a Tradição da Igreja quando a tradição popular que, humilde e alegremente, vem transmitindo, há séculos, o costume de enfeitar o presépio com um boi e um asno, assim como fez São Francisco de Assis, o "idealizador" dessa encenação natalina que é uma verdadeira catequese. 

Natividade - Frá Angélico
Além disso, há toda uma tradição artística que está sacramentada em inúmeras obras, das mais famosas às mais anônimas, que pelos séculos afora, desde Belém, vêm retratando este dois fieis escudeiros do Santo Menino.Há, sim, uma profusão de anjos, há a Estrela de Belém, há os (nobres) Rei Magos e os (pobres) pastores com suas ovelhas (que também são animais), mas há também e sobretudo o burro e o boi, sempre próximos ao seu Senhor! 

Em uma breve e rápida pesquisa, colhi estes excertos que podem nos ajudar a compreender porque Bento XVI errou.

“Um burro e um boi: Os animais representam a simplicidade do local onde Jesus nasceu. ‘Jesus não nasceu em palácios, nem em lugares luxuosos, mas sim no meio dos animais’.” (Wikipédia. As figuras do presépio.) O texto entre aspas está em referências.


Natividade - 1304-1306 - Giotto
“Cansados da longa viagem feita até aí e sem sítio para ficar, abrigaram-se numa gruta nas redondezas de Belém. Maria, já no final da gravidez terá dado á luz. Jesus nasceu numa manjedoura destinada aos animais. É por essa razão, que tanto o burro como a vaca são peças de presépio. Representam a simplicidade e modéstia: ‘Jesus não nasceu em palácios, nem em lugares luxuosos, mas sim no meio dos animais’.” (Obvious.) 

“As formas de representação em desenhos ou pinturas, com as cenas do presépio, surgiram no século IV, no Oriente Médio. Naquela época, a Sagrada Família (Lc 2, 16), o jumento e o boi (Is 1, 3) eram os personagens e figuras principais. Segundo a Bíblia, estes são animais do jugo (canga) e precisam ser domados para servir aos humanos. De forma semelhante, as pessoas necessitam de disciplina e educação para servir a Deus e ao próximo. Assim, nós os cristãos, estamos sob o jugo do Evangelho de Jesus (Mt 11, 30)”. (A12.)

Natividade - 1310 - Giotto
Magnífica obra de Giotto com seu magnífico azul
Impressão minha ou  o boi e o burro sorriem?
“Em 1223, São Francisco de Assis criou o primeiro presépio vivo, com personagens reais, na sua igreja de Grecchio, na Itália. Os figurantes (o Menino Jesus numa manjedoura, Nossa Senhora, São José, os Reis Magos, os pastores e os anjos) eram representados por habitantes da aldeia. Os animais, o boi, o burrico, as ovelhas e outros, também eram reais”. (Tudo por Jesus e Maria.)

“A palavra ‘presépio’ (praesepium), de origem hebraica, significa ‘manjedoura dos animais’ ou ‘estábulo dos animais’.” (Franciscanos.org.)

St Bridget and the Vision of the Nativity
after 1372
NICCOLÒ DI TOMMASO
“Isaías 1.2-4: ‘... Criei filhos e os engrandeci, mas eles estão revoltados contra mim. O boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende. Ai desta nação pecaminosa, povo carregado de iniquidade, raça de malignos, filhos corruptores; abandonaram o Senhor, blasfemaram do Santo de Israel, voltaram para trás’. Em 1384, o Papa Urbano VI, disse: Parece que os animais têm mais entendimento que o povo de Israel. Coloquemos animais no Presépio para servirem de exemplo: eles conhecem o senhor de sua manjedoura, enquanto os judeus não o conhecem.” (Yahoo Respostas.)

Adoration of the Christ Child - 1490.
PINTURICCHIO
“(...)‘O magnum mysterium, et admirabile sacramentum,ut animalia viderent Dominum natum, jacentem in praesepio!’[2], isto é parte de um hino do Natal, de Tomas Luis de Victória, que traduz-se assim: ‘Ó grande mistério e admirável sinal, que os animais puderam ver : o Senhor nascido , dormindo numa mangedoura’.” (Yahoo Respostas.) 

“UM BOI E UM BURRO NO PRESÉPIO, POR QUÊ?[3]
O mistério deste burro e deste boi é uma das imagens mais belas da antiga iconografia cristã (arte de representar um simbolismo religioso por meio de figuras). 

O burro e o boi são elementos presentes em cada representação do presépio; motivos tão obrigatórios que, quando a cena por razões de espaço ou de sobriedade, se reduz aos elementos essenciais, o par de animais não é tirado. 

Natividade
Duccio da Buoninsegna
A presença contínua dos dois animais nasce de finalidades simbólicas. 

Corresponde a uma interpretação patrística de duas profecias existentes na Bíblia: a de Isaias 1,3 “conhece o boi o seu patrão e o burro o estábulo de seu dono” e a de Habacuc 3,2, “em meio a dois animais te manifestarás”. 

Os animais são ali um símbolo do reconhecimento do Messias, um símbolo cheio de profundo significado. O boi, segundo a melhor interpretação patrística, é o povo de Israel, que levou o jugo da lei. Enquanto que o burro, animal de carga, é o povo gentio, carregado de pecados e de idolatrias. Destes dois povos nasceu a Igreja que reconhece o Jesus como seu Senhor.

O burro e o boi são dois componentes originais da Igreja: a igreja dos gentios (nós, que não somos judeus) e a igreja dos circuncidados (os judeus convertidos ao cristianismo), para adotar uma terminologia do apostolo Paulo. Conforme Gálatas 2,8 ss, não são apenas dados folclóricos, são esplêndidos símbolos eclesiais, ou seja, da Igreja”. (Canto da Paz.)

Como é sabido, para escrever esse tipo de livros, o Papa não goza da infalibilidade que lhe foi dada do Alto para assuntos de Fé. Ainda bem, porque todos os livros que BXVI publicou após subir ao trono vaticano têm sido motivo de escândalo e polêmicas; e algumas retratações.

Assim, tecnicamente, o que o Papa fala sobre a presença do burrico e do boi no Presépio vale tanto quanto fala qualquer outro ser humano neste mundo, católico ou não.

Portanto, não sejam “vaquinhas de presépio” que dizem sim a tudo, sem fazer uso da razão! 




As obras mais antigas da Humanidade;
o maior achado da Paleoarqueologia monumental:
"os Supermegalitos do Peru”, Por Juan Bacigalupo
Conjunto de representações denominadas Seqüência Bíblica
Um achado que demonstra que Deus existe!
CLIQUE PARA LER




[1] “A Infância de Jesus”. O último de uma trilogia, o livro está à venda em 50 países, em oito línguas, com tiragem de um milhão de exemplares. Nos próximos meses vai estar disponível em 20 línguas, em 72 países. O primeiro volume tratou da vida de Cristo desde o Batismo à Transfiguração: “Jesus de Nazaré”, Lisboa, A Esfera dos Livros, 2007 (PDF.) O segundo: “Jesus de Nazaré. Parte II - Da entrada em Jerusalém até à Ressurreição”, Cascais, Princípia, 2011.
[2] O “Magnum Mysterium" é um canto responsório entoado nas Matinas. Um grande número de compositores utilizou-o em obras musicais de diferentes estilos; entre os mais célebres estão Byrd, Tomas Luis de Victória, Gabrieli, Palestrina, Poulenc, Harbison, La Rocca, Sinigaglio Lauridsen, Busto e Miskinis: “O magnum mysterium et admirabile sacramentum ut animalia viderent Dominum natum jacentem in praesepio! Beata Virgo, cujus viscera meruerunt portare Dominum Christum Alleluia”.
[3] Texto elaborado por Fernando S. dos Santos, com base no Livro: Arte Sacra - O Espaço Sagrado Hoje, do Cláudio Pastro - origem do texto: www.catedralsaomiguel.org.br.  O texto sofreu pequenas modificações para uma melhor compreensão dos leitores.



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