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sábado, 13 de fevereiro de 2016

Santidade doméstica: Beata Isabel Canori Mora

Apresento, hoje, a vida de uma mulher praticamente desconhecida, que morreu em odor de santidade; uma santidade conquistada no lar, na defesa do Sagrado Matrimônio. É uma das milhares, quiçá milhões, de Santas anônimas que tiveram uma fé extraordinária e sofreram o seu martírio de forma silenciosa e invisível do dia-a-dia, da rotina doméstica, do... anonimato. 

Isabel (Elisabetta) nasceu, em 21 de novembro de 1774, de uma família profundamente cristã. Do matrimônio dos seus pais, Tommaso Mora e Teresa Primoli, nasceram doze filhos, seis dos quais morreram nos primeiros anos de vida.

No dia 10 de janeiro de 1796, na Igreja de Santa Maria in Campo Carleo, Isabel desposa, aos 22 anos, Cristovão Mora, jovem advogado, filho de um médico rico. Depois de alguns meses, Cristovão se enamora de outra mulher, trai sua esposa e negligencia sua família, reduzindo-a à pobreza e forçando Isabel a trabalhar para garantir o sustento dela e das duas filhas do casal: Marianna em 1799, e Maria Lucina em 1801. 


Viveu em Cássia, a mesma cidade que conheceu outra Santa do lar, Rita de Cássia, que soube encontrar a santidade nos três estados de vida: casamento, viuvez, vida religiosa. À semelhança de Santa Rita soube corresponder aos votos matrimoniais, resgatando o marido das garras do pecado.  

Isabel morreu no dia 5 de fevereiro de 1825 e foi sepultada na Igreja de San Carlo alle Quattro Fontane.  

A seguir, uma breve biografia escrita recentemente pela escritora Cristina Siccardi. 
   
* * *

5 de fevereiro 

Beata Isabel Canori Mora


Mãe de família,
Terciária Trinária

Roma, 21 de novembro de 1774 - Roma, 5 de fevereiro de 1825 

Martirólogio Romano: Em Roma, a beata Isabel Canori Mora, mãe de família que, depois de muito sofrer pelas infidelidades do marido, pelas restrições econômicas (pobreza) e as cruéis ofensas por parte dos parentes, tudo suportou com insuperável caridade e paciência, e ofereceu a vida ao Senhor, para a conversão, a salvação, a paz e a santificação dos pecadores, entrando para a Ordem Terceira da Santíssima Trindade (os Trinitários).

Multidões de pessoas que, apesar de seus dramas familiares, resistiram na Fé e continuaram a crer no Sacramento do Matrimônio, permanecendo fiéis à promessa indissolúvel feita diante do Senhor e de Seu Altar; um exército que hoje iria repetir as mesmas escolhas indissolúveis; as repetiria, não porque feito de pessoas mais tolas em relação aos contemporâneos, mas porque realmente creram nas palavras do Salvador, que convida a tomar a própria pequena ou grande Cruz, porque "O meu jugo, de fato, é suave e o meu fardo é leve" (Mt. 11,30).  

Quem resistiu na Fé em um matrimônio sacramental são, em sua maioria, figuras femininas.


De fato, se em uma família a esposa e a mãe permanece em seu lugar, aquela família, embora o pai seja descabeçado e irresponsável, ainda permanecerá de pé. A força física dos homens é diretamente proporcional à força espiritual das mulheres: é dela ela, não por acaso, a incumbência de dar à luz, de alimentar, de cuidar de seus caros, dentro dos muros domésticos, do nascimento até a morte. E se, então, tudo isso, nos tempos modernos, não é mais considerado, não por isso é apagada a verdadeira identidade feminina. Eis por que são as mulheres as grandes testemunhas do Matrimônio, ainda que tenham sido abandonadas ou sofreram os abusos de indignos maridos. 

Muitas grandes testemunhas femininas alcançaram a honra dos altares. Muitas destas mulheres, depois de ter vivido heroicamente a sua fidelidade conjugal, receberam a graça (durante a vida, ou após a sua morte) da conversão de seus cônjuges.
  
Como não pensar, então, à romana Isabel (ou Isabel) Canori Mora (1774-1825), esposa exemplar, mãe e mística? Ela viveu os sofrimentos de um casamento infeliz, mas foi recompensada de uma maneira extraordinária pelo Fiel por excelência. Forçada a ganhar o sustento para si e suas duas filhas, com o trabalho de suas próprias mãos, Isabel, a quem Jesus prometeu que Ele mesmo seria o pai de suas duas filhas (Marianna e Maria Lucina), teve uma Fé inabalável.
  
Dedicava muito tempo à oração, e conseguia tempo particular também para o serviço aos pobres e a assistência aos doentes. "Te amo com um amor de predileção, estou para favorecer-te não menos do que favoreci à minha Teresa, ou à minha Gertrudes", lhe disse Cristo, e ela viveu assim em união com Deus, experimentando a doçura daquelas almas que são inebriadas pelo Amor Divino, em uma troca de puríssima e castíssima paixão.
  
Entre os vários dons místicos, lhe foi dado ver o futuro da Igreja. Conheceu e aprofundou a espiritualidade dos Trinitários, abraçando a ordem secular. A fama de sua santidade, o eco de suas experiências místicas e de seus poderes milagrosos tiveram grande ressonância em sua própria vida. Ofereceu a si mesma por amor de Cristo e da Igreja, salvando a alma de seu marido - que se converteu e se juntou à secular Ordem dos Trinitários, tornando-se, depois da morte de sua esposa, frade menor conventual e, depois, Sacerdote, como lhe havia predito a esposa (estes os milagres do amor autêntico). Mas ela fez votos de sacrifícios e de sua existência também em favor do Papa e de toda a Igreja. Suas visões místicas e as profecias a respeito da Igreja estão contidas em seu volumosíssimo “Diário”. Neste importante e precioso documento, a beata revela, em diversas e dramáticas páginas, a desordem religiosa e moral dos homens de hoje. 

Lemos, no Diário, a extraordinária fotografia que ela faz dos dias de hoje, sublinhando o dano que as modernas filosofias fizeram nas consciências enfraquecidas e insensíveis:

“O dia 15 de novembro de 1818, foi o meu pobre espírito, nas orações, favorecido pelo Senhor com particular graça (…), de repente, me foi mostrado o mundo; e eu o via todo em revolta, sem ordem, sem justiça, os sete vícios capitais eram levados em triunfo, e por toda parte eu via que reinava a injustiça, a fraude, a libertinagem e todo tipo de iniquidades.

O povo sem modos, sem fé, sem caridade, mas todos imerso em orgias e nas perversas máximas da filosofia moderna. Meu Deus! Como sofria meu pobre espírito ao ver que todos aqueles povos tinham a fisionomia mais de bestas do que de homens. Ó, que horror o meu espírito tinha de todos esses homens assim deformados pelo vício! (...) A ordem da natureza estava toda revirada (...). Via, então, no meio de tanta iníqua gente, um demônio tão feio que corria o mundo com muita soberba e arrogância.

Este mantinha os homens em uma penosa escravidão, com orgulhoso império queria que todos os homens estivessem sujeitos a ele, renunciando a Fé de Jesus Cristo, com a não observância de Seus santos Mandamentos, jogando-se na libertinagem e nas perversas máximas do mundo, adotando a vã e falsa filosofia dos nossos modernos e falsos cristãos. (...) Via que, por trás destas falsa máximas, corriam loucamente todo tipo de pessoas, de todas as classes, de todas as idades, não apenas seculares, mas também eclesiásticos de toda dignidade, tanto secular quanto regular (...). Ó, o que eu não teria feito, o que não teria padecido para compensar as graves injúrias que estes falsos cristãos faziam ao eterno Deus (...). Eu via muitos ministros do Senhor que se despiam, uns com os outros, enraivecidamente, rasgavam-se os paramentos sagrados; eu via os próprios ministros do Senhor derrubarem os altares sagrados; eu os via pisotearem com seus próprios pés, com muito desprezo, os sagrados paramentos; através de uma pequena janela, via o miserável estado do povo: que confusão, que carnificina, o que ruína(...)”.

Às “feridas do amor”, a Beata Isabel não respondeu renegando o seu matrimônio e procurando um outro homem, mas se doou completamente a Jesus, que a recompensou amplamente (como sempre costuma fazer o Mestre com quem tem verdadeiramente Fé: quantas vezes se lê no Evangelho: “a tua Fé te salvou”?), ainda aqui na Terra, com a Divina Misericórdia, aquela que salvou a ela e ao marido.

Cristina Siccardi

Fonte: https://www.facebook.com/ursularmcrc/posts/1292772580738381.
Tradução: Giulia d'Amore. 

Beatificada aos 24 de abril de 1994 pela igreja conciliar.
 
Leia: 

    
http://edicoescristorei.blogspot.com.br

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