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segunda-feira, 25 de abril de 2016

25 de abril: São Marcos, Apóstolo e Evangelista

25 de abril 

São Marcos

Apóstolo e Evangelista
  
SÃO MARCOS EVANGELISTA

de Vladimir Lukič Borovikovskij


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São Marcos era filho de Maria de Jerusalém, em cuja casa São Pedro se refugiou depois de ser libertado do cárcere (cf. At 12, 12). Era primo de Barnabé. Acompanhou o São Paulo na sua primeira viagem a Roma (cf. Col 4, 10) e esteve próximo dele durante a sua prisão em Roma (Fm 24). Depois, tornou-se discípulo de São Pedro, de cuja pregação se fez intérprete no Evangelho que escreveu (cf. 1 Pe 5, 13). O seu Evangelho é comumente reconhecido como o mais antigo, utilizado e completado por São Mateus e por São Lucas. Parece que também os grandes discursos da primeira parte do Atos dos Apóstolos são uma retomada e desenvolvimento do Evangelho de São Marcos, a partir de Mc 1, 15. É-lhe atribuída a fundação da Igreja de Alexandria.  

(...)

São Marcos amava Nosso Senhor sem qualquer reserva; estava maduro para o Martírio. Os seus sucessos e os progressos da Fé exasperavam os pagãos, e em particular os sacerdotes de Serapis. Apoderaram-se dele durante a solenidade da Páscoa do ano 68. Fizeram-no sofrer durante dois dias um horrível suplício, arrastando-o com cordas por terrenos pedregosos dos subúrbios de Buroles; mas o amor é mais forte do que a morte, e o Santo bendizia a Nosso Senhor e dava-Lhe graças por ter sido julgado digno de sofrer por seu amor. Durante a noite que separou os dois dias de torturas, o Santo foi reconfortado por visitas celestes. Foi primeiro um Anjo, que lhe disse: "Marcos, servo de Deus e chefe dos ministros de Cristo, no Egito, o vosso nome está escrito no livro da vida, e as Potências celestes virão em breve procurar-vos para vos conduzirem ao Céu". Depois, apareceu-lhe o próprio Nosso Senhor, como o tinha conhecido na Galileia: "A paz esteja convosco, Marcos Nosso evangelista", diz-lhe; depois desapareceu. Esta palavra de encorajamento bastava. São Marcos foi de novo arrastado e dilacerado pelas pedras, enquanto bendizia a Deus: "Meu Deus, nas vossas mãos entrego a minha alma".  

(Cf. L. Dehon, OSP 3, p. 479).


De “A vida de São Marcos Evangelista escrita por São Jerônimo” (vide in fine), uma biografia de São Marcos, Apóstolo e Evangelista. 



Porque o amor que Deus tem por Seu povo é muito grande, diz, pelo Profeta Oséias, que algumas vezes o afaga e o trata com afabilidade. Ele faria sempre assim, se os homens se ocupassem sempre em servi-lO. Mas, porque o povo costuma às vezes ser-Lhe ingrato, e contra Ele se rebela, Deus vira a mão e o castiga, permitindo que venham gentes bárbaras que lhe façam guerra e, vencendo, o conduzam escravo em várias partes do mundo. Esta (dizia o Profeta) fora a ocasião em que os Assírios o levaram escravo para a Babilônia. Mas Deus é tão misericordioso que, logo, se enternece e tem compaixão do seu Povo, sobretudo quando volve os olhos para alguma pessoa do próprio Povo que seja um bom servo, por respeito ao qual perdoa todos os demais e lhes faz o bem. Isto acontecerá, agora, a este Povo, diz em seguida o Profeta: Haverá nele um homem que rugirá como um Leão, e os filhos do Mar tremerão [1]. Alguns Doutores falam que o Profeta diz esta sentença por causa de Jesus Cristo. E, também, que isso também se aplica a São Marcos. Diz o Profeta que será um homem muito amado por Deus e que por causa dele fará  bem a muitos; que rugirá como Leão. Tudo isso se convém a São Marcos. Ele foi a tal ponto amado por Deus que lhe deu, em Sua Igreja, um Ofício tão digno quanto o de fazê-lo Cronista e Escritor de Suas coisas. Ele foi Leão [2] porque, dos quatro animais que viu o Profeta Ezequiel, que representam os quatro Evangelistas, por um deles, que era o Leão, se entende São Marcos. Ele deu rugidos e fez tremer os filhinhos do Mar: entre outras significações das águas, na Divina Escritura, elas denotam as riquezas. A água corre e não pára em um lugar se ela encontrar espaço para sair dali; assim as riquezas não se demoram longamente com pessoa alguma, ora estão aqui, ora estão lá. A água não pode ser segurada com as mãos, assim também as riquezas não se podem reter, e escapam das mãos, como e quando nós menos esperamos. A água, que no rio é doce, no Mar, se torna amarga, assim também as riquezas, embora pareçam doces e gratas, o fim e termo delas é, então, amargo; porque, se elas nos deixam em vida, é algo de muito desgosto; se nos as deixamos por causa da morte, ó que coisa amarga. De modo que, entendendo por Mar as riquezas, os filhinhos do Mar seriam os Ricos. Estes são aqueles a quem o Leão, ou seja, São Marcos, fará tremer com um rugido que deu, o mais atemorizante de todos que se encontram no Evangelho, e é este: que é mais fácil coisa que um Camelo passe pelo buraco de uma agulha do que um rico entre no Céu [3]. Este é um grito de Leão, que, com razão, deve fazer tremer os Ricos, porque a salvação deles é muito difícil. A Vida deste Santo Evangelista  foi escrita por São Jerônimo, e dele e de outros Autores se recolhe o quanto segue.    
[1] Oséias 11:10.

[2] Em outra biografia, esta explicação: O leão representa São Marcos por dois motivos: o primeiro é que iniciou seu Evangelho com o grito de São João Batista no deserto; o segundo é que um leão e uma leoa apareceram a São Marcos e seu pai, enquanto iam para a Jordânia. Quando o pai pediu ao filho para fugir, deixando-o com os leões, São Marcos se recusou dizendo que o Senhor Jesus os salvaria. Então, começou a rezar e imediatamente as duas feras caíram mortas; o pai acreditou no Senhor e pouco tempo depois morreu; in “La Sede di San Marco”: http://www.diocesicoptamilano.com/la-sede-di-san-marco.html; tradução: Giulia d'Amore. 
[3] Marcos 10,25.

São Marcos foi hebreu de nacionalidade, e foi primo de São Barnabé Apóstolo [4]. Ecumenio [5], Teofilato [6], Metafraste [7], Alexandre Monge, Nicéforo, Calixto e Calixto Piacentino [8], com outros Autores, dizem que São Marcos foi o mesmo que São Lucas chama de João, no Atos dos Apóstolos [9], e, por sobrenome, o chama de Marcos, e, portanto, devemos dizer que ele era o dono da casa onde Cristo ceou com os seus Apóstolos, onde veio o Espírito Santo sobre eles, e para onde foi São Pedro quando foi libertado da prisão e, comumente, é chamada de Cenáculo.  

[4] Carta aos Colossenses 4,10. 
[5] Ecumenio foi um historiador grego que escreveu os Comentários sobre os Atos dos Apóstolos e sobre as Epístolas de São Paulo. 
[6] Teofilato Simocata ou Teofilacto Simocata foi um historiador bizantino do início do século VII, possivelmente o último historiador da Antiguidade Tardia. 
[7] São Simeão Metafraste — também chamado de Leão Gramático e Simeão Logóteta, autor de um sinaxário medieval em grego, em 10 volumes. 
[8] Frei Calixto Fornari foi um canônico regular lateranese e historiador, chamado Piacentino porque de Piacenza, na Itália. 
[9] Atos 12.12.  
 
Por um tempo, São Marcos andou em companhia de São Barnabé e de São Paulo, que o deixaram em Panfília [10], para que ele animasse os que novamente haviam se convertido à Fé, ou, como diz a Glosa [11], para que os instruísse bastante na Fé. Levantou-se, depois, uma perseguição, e ele voltou a Jerusalém. Em seguida, São Barnabé quis levá-lo consigo, e São Paulo não queria, porque ele se mostrara pouco entusiasmado. Por causa disso, ocorreu divergência entre os dois Apóstolos, e se separaram um do outro para que fizessem mais fruto do que fariam juntos. São Barnabé levou São Marco em sua companhia à Ilha de Chipre, onde foi martirizado; e São Marcos partiu e foi levar a notícia do Martírio de São Barnabé a São Paulo. Depois, foi procurar São Pedro, com o qual tinha uma particular amizade e parentesco, por ser parente da mulher de São Pedro, além de ter sido batizado por ele. Encontrou-o, afinal, e foi com ele a Roma. E, enquanto o Apóstolo ali pregava a Fé e o Evangelho de Jesus Cristo, muitos não se contentavam em apenas ouvir de sua boca essa Doutrina tão alta e celeste, e, reunindo-se em conjunto, o imploraram com grande instância para que lhes desse por escrito aquilo que pela boca lhes pregava. Vendo que o pedido era justo e piedoso, São Pedro encarregou disso São Marcos, o qual, aceitando o encargo, escreveu o Evangelho conforme aquilo que por muitas vezes havia ouvido o Apóstolo dizer e pregar. São Pedro, tendo-o visto e lido, como Chefe da Igreja o aprovou, para que os Fiéis o lessem e o tivessem como Escritura Sagrada.  
[10] Uma região no sul da antiga Ásia Menor ou Anatólia, entre a Lícia e a Cilícia, estendendo-se do Mediterrâneo até os montes Tauro, um território que corresponde ao da moderna província de Antalya, na Turquia. 
[11] Refere-se a uma glosa (nota explicativa, comentário) na Vida de São Marcos escrita por São Jerônimo.  

 
São Marcos saiu de Roma com o seu Evangelho e foi pregar aos povos cirineus e pentapolitanos [12], onde, fazendo alguns milagres, converteu a muitos à Fé, tantos que foram edificadas algumas igrejas. Ordenou Sacerdotes, consagrou Bispos, e, deixando tudo em boa ordem, foi para Alexandria, no Egito. Ali também pregou, converteu alguns, e os pôs em boa ordem, ou seja, que as coisas fossem em comum, que se ajudassem mutuamente, que mantivessem a irmandade, e, em suma, fossem o retrato daquilo que os Apóstolos havia ordenado em Jerusalém. Eusébio [13] diz que São Marcos fundou a primeira Escola Cristã da Sagrada Escritura em Alexandria.  

[12] A cidade de Cirene (ou Cirena) foi uma antiga colônia grega na atual Líbia, a mais antiga e mais importante da Pentápolis (as cinco cidades gregas da região) líbia: Apolônia (porto de Cirene), Teuchira-Arsinoe, Esperide-Berenice (atual Bengasi) e Barce (atual Barca). A cidade deu o nome à região oriental da Líbia: Cirenaica. Fica próximo à atual cidade de Shahat, no Distrito de al-Jabal al-Akhdar.
[13] Vide nota 20. 
 

Diz-se, ainda, que, nesta cidade, São Marcos deu conselho a alguns que julgou hábeis para ir-se às montanhas e habitar em certas grutas e lá fazer vida solitária [eremitas]; e quem foram aqueles que fizeram isso? Fílon Hebreu [14], escritor contemporâneo, narra, por maravilha de muitos, que faziam essa vida, e as asperezas que faziam; além disso os louva como gente devota, caridosa e exercitada em todo tipo de virtude.  

[14] Fílon de Alexandria, foi um filósofo judeo-helenista que viveu durante o período do helenismo. 
 
Estava um dia São Marcos fora da cidade, em um lugar chamado Bucello [15], onde ordinariamente se reuniam muitos para ouvir a Missa e a Pregação, e outras vezes pelas necessidades das almas deles. Dizendo a Missa, uma vez, o Santo Evangelista, chegaram no local, de repente, muitos Gentios, e sobre o Altar, paramentado como estava, lhe colocaram uma corda no pescoço e, sem se importarem com os outros, parecendo-lhes que ele somente lhes fazia guerra, começaram a arrastá-lo ao redor da cidade. Depois, o arrastaram por todas as estradas, com grande gritaria e algazarra, dizendo-lhe palavras de blasfêmia contra Jesus Cristo e de desprezo por Seu Evangelista. Foi tanta a pertinácia deles de não querer para em lugar algum que, tendo o Glorioso Santo, já Mártir de Jesus Cristo, deixadas as Vestes Sagradas em pedaços, pelas estradas, começou, então, a deixar a própria carne, recebendo feridas mortais. Por toda parte onde o levavam, ficava o sinal do sangue que de muitas partes do corpo lhe caía. Mas a sua cabeça, não podendo mais suportar os muitos golpes que das pedras recebia, veio a quebrar-se, e o cérebro se espalhou por terra, e deste modo o Santo Evangelista deu a Alma a Deus. Quando os pagãos viram que estava morto o deixaram, e alguns Cristãos, seus discípulos, tomaram seu corpo e o sepultaram.  

[15] Bucello, identificada como a aldeia de Matochina, na Bulgaria, foi sé episcopal da província romana de Hemimonto, na diocese da Trácia, parte do Patriarcado de Constantinopla. Está vacante desde 20 de abril de 1993.  


TRANSLADAÇÃO DO CORPO DE SÃO MARCOS
Jacques Callot
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Com o passar do tempo, sendo senhores daquela cidade os Saracenos Maometanos, certos cidadão venezianos [16], que da Pátria haviam fugido para Alexandria, tiraram o corpo de São Marcos secretamente da igreja onde ele estava, sem avisar aos Saracenos, pelo contrário, colocaram o corpo Santo em uma grande cesta, o cobriram e colocaram por cima carne de porco, que os Saracenos aborrecem grandemente. Com este santo engano o embarcaram em um navio, e despregando as velas ao vento, o levaram a Veneza, onde sempre foi guardado, e atualmente se tem em grande veneração; aliás, a praça principal da cidade de Veneza, onde está localizada a sua igreja, que é uma Igreja Ducal [17], se diz comumente a Praça de São Marcos. Queira Deus nos fazer todos cidadãos do Céu pelos merecimentos deste santo Evangelista. Amém. 
   

[16] Buono da Malamocco e Rustico da Torcello, em 829
[17] Trata-se da primeira igreja dedicada a São Marcos, a mando de Giustiniano Partecipazio (11º Doge da República de Veneza; Cf. http://twixar.me/GxV), construída ao lado do Palácio Ducal (do Duque), em 820, para hospedar as relíquias do Santo trazidas secretamente de Alexandria para Veneza. A igreja substituía outra, mais velha, dedicada a São Teodoro de Amásia (santo bizantino que os venezianos pronunciavam Tòdaro. Cf. http://goo.gl/U2lZqd). Esta primeira igreja foi substituída por uma nova, em 832, que, contudo, sofreu um incêndio durante uma revolta em 976, sendo reconstruida em 978 por São Pedro I Orseolo (23º Doge; Cf. http://twixar.me/nxV). A Basílica atual remonta a outra reconstrução, iniciada pelo 30º Doge, Domenico I Contarini (Cf. http://twixar.me/1xV), em 1063, e continuada por Domenico Selvo (31º Doge; Cf. http://twixar.me/TxV) e Vitale Falier (32º Doge; Cf. http://twixar.me/mxV). A nova consagração ocorreu em 1094. No mesmo ano, foi milagrosamente encontrado (cf. https://goo.gl/Fz7c16), em uma pilastra da basílica, o corpo do Santo, que havia sido escondido, durante os trabalhos de reconstrução, e havia sido esquecido. Em 1231, mais um incêndio devasta a basílica, que é restaurada rapidamente. (Cf. http://twixar.me/dxV). 


ENCONTRO DO CORPO DE SÃO MARCOS
Tintoretto

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A Igreja Católica celebra a sua Festa no dia de seu Martírio que foi no dia vinte e cinco de abril, no ano do Senhor, segundo Onófrio, o ano de 63 d.C., nos tempos de Nero. Neste mesmo dia, se celebram as Ladainhas (Rogações ou Litânias) Maiores, nas quais se fazem procissões, para que Deus nos dê saúde e nos conceda e conserve abundância dos frutos da terra. 



VISÃO NO CÁRCERE E MARTÍRIO DE SÃO MARCOS
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De São Marcos Evangelista fazem menção muitos Autores, como São Doroteu Bispo de Tiro, no Livro das Vidas dos Profetas e dos Apóstolos [18]; Clemente Alexandrino [19], no livro 6; Eusébio [20], em sua História Eclesiástica, livro 2, cap. 16, e no livro 4, cap. 11; Santo Irineu de Lyon, livro 5, cap. 8; Niceforo, livro 1, cap. 43; Santo Isidoro, na Vida dos Santos Padres, cap. 85; São Beda e Usuardo [21], em seus Martirológios.  

[18] Pode se tratar do “Evangelho dos Setenta”, os atos dos Setenta Apóstolos que foram enviados em missão (Lucas 10,1), um dos apócrifos do Novo Testamento hoje perdido; São Doroteu esteve no primeiro concílio de Niceia em 325 e morreu mártir aos 107 anos. 
[19] Clemente de Alexandria ou Tito Flávio Clemente foi um escritor, teólogo, apologista cristão grego nascido em Atenas. O historiador Eusébio de Cesareia considerava Clemente um incomparável mestre da filosofia e, para São Jerônimo, Clemente foi o mais erudito dos Padres da Igreja. 
[20] Eusébio de Cesareia foi bispo de Cesareia e é referido como o pai da História da Igreja porque nos seus escritos estão os primeiros relatos quanto à História do Cristianismo primitivo. Eusébio de Cesarea, em sua “História Eclesiástica”. 
[21] Usuardo de Saint-Germain, O.S.B. — em latim: “Usuardus Sangermanii” — um monge da Abadia de Saint-Germain-des-Prés, em Paris, autor de um Martirológio célebre que oferecera ao Sacro Romano Imperador Carlos II da França ou Carlos, o Calvo, que o solicitara; o Martirológio em latim: http://goo.gl/0aBXvF

 

Fonte: “A vida de São Marcos Evangelista escrita por São Jerônimo”, in “Il Perfetto Leggendario della Vita e Fatti di N.S. Gesú Cristo e di tutti i suoi Santi”, 1778, Edit. Francesco Sansoni, Veneza, pp. 318-320. PDF in Google Book: https://goo.gl/jnld3f

Tradução, notas e links: Giulia d’Amore.    



OUTRAS INFORMAÇÕES


Segundo a tradição, São Marcos estava entre os servos que buscaram a água que Jesus mudou em vinho em Canaã da Galileia. Era também o homem com o jarro de água que os dois discípulos seguiram para encontrar o lugar onde o Senhor Jesus e os discípulos celebraram a Páscoa  (Mc 14,13-15, Lc 22,10-13). Quando Cristo Senhor nosso foi preso, era o homem que o seguiu e depois fugiu nu quando tentaram pegá-lo (Mc 14,51). Por isso a Igreja o chama "o Contemplador de Deus".

No começo, acompanhava São Pedro em suas viagens a Jerusalém e na Judeia, depois partiu com São Paulo e São Barnabé na primeira viagem deles a Antioquia, Chipre e em Ásia Menor. Pregou também o Evangelho com São Paulo em Colosso, Roma e Veneza.

Depois, começou sua própria missão na África. Partiu para a Pentápolis, seu país natal, onde jogou a semente da Fé e fez muitos milagres, depois foi ao Egito. Atravessando o deserto, alcançou o Alto Egito e, depois, dirigiu-se para Alexandria, no ano 61 d.C.

Chegado a Rakotis, subúrbio de Alexandria, precisou procurar um sapateiro, porque uma de suas sandálias havia quebrado. Foi até a sapataria de Aniano (futuro Santo Aniano de Alexandria; Cf. https://goo.gl/e7Q3iP), que, enquanto estava ocupado no conserto, furou o dedo com uma agulha de seu trabalho. O sapateiro começou a gritar: “Heis ho Theos” (“Deus é um só”, como em Romanos 3,30), por causa da dor. São Marcos aproveitou para pregar-lhe o Evangelho, curando-lhe milagrosamente a ferida. 




CURA DE ANIANO
Cima da Conigliano

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O sapateiro o convidou à sua casa, onde pregou o Evangelho à família toda, e batizou a todos. Um grande número de nativos foi, então, convertido por São Marcos, causando a volta às práticas pagãs naqueles que, recusando a conversão, se sentiram na obrigação de defender os ídolos locais da nova Fé.

Por causa dos conflitos com os não cristãos, São Marcos resolveu deixar Alexandria por um tempo, ordenando Aniano bispo. Ordenou também três presbíteros (padres) e sete diáconos, e os encarregou de dirigir a Igreja em sua ausência.

Ficou distante dois anos, durante os quais esteve em Roma, Aquileia e Ravena, pregando e convertendo as populações locais. À sua volta, encontrou a Igreja alexandrina bem desenvolvida. Os fiéis, durante a sua ausência, haviam construido um edifício religioso na parte oriental do porto de Alexandria.


O seu Martírio.

O crescente número dos Cristãos fez os pagão pensar que eles quisessem destruir os templos de seus ídolos. Assim, um dia, enquanto o Santo celebrava com seu povo a festa da Páscoa, em uma localidade chamada "Ta Boukolou" (quer dizer "pasto", "campo de pastagem"), na parte ocidental da cidade de Alexandria, uma multidão de pagão seguidores do deus Serapi, que era cultuado no mesmo dia, invadiu o Santuário e se apossou do Evangelista. depois de tê-lo amarrado, o arrastaram pelos pés com brutalidade, pelas ruas da cidade. Depois o jogaram na cadeia, onde viu um Anjo do Senhor que o encorajava dizendo: "Marcos, servo bom,chegou a hora de receberes a tua recompensa. Tenha coragem. O teu nome está escrito no livro da vida". Após a saída do Anjo, São Marcos deu graças a Deus por lhe ter enviado o Seu Anjo. Então, o próprio Senhor Jesus lhe apareceu e disse: "Paz a ti, Marcos, meu discípulos e evangelista". O Santo gritou: "Meu Senhor Jesus Cristo", e a visão desapareceu.

No dia seguinte, lhe reservaram um idêntico e desumano tratamento, espancando-o e arrastando-o até à beira do mar, onde, por causa dos padecimentos sofridos, São Marcos encontrou, em fim, a morte.  


Querendo destruir os restos mortais, os pagãos decapitam a cabeça, tentando, por fim, queimá-lo, mas um repentino e violento temporal dispersou a multidão enfurecida. Os fiéis aproveitaram a ocasião para recuperar o corpo do Mártir e sepultá-lo em uma tumba escavada para isso na rocha sob o altar da igreja de Ta Boukolou.

No ano de 828, alguns mercadores venezianos conseguiram apropriar-se das relíquias do Santo e as levaram secretamente a Veneza.

A pedido de Cirilo VI (116º Papa e Patriarca da Igreja Ortodoxa Copta que, de acordo com a tradição, foi estabelecida por São Marcos no Egito em meados do século I, e que, por não aceitar o Concílio de Calcedônia, no ano 451, não está em comunhão com a Igreja Católica; Após o Concílio, as igrejas ortodoxas orientais, incluindo a Igreja Ortodoxa Copta, separaram-se das restantes igrejas cristãs por causa das suas características miafisistas. Este cisma perdura até agora. Em 1741, um grupo de coptas, liderados por um bispo, separaram-se da Igreja Ortodoxa Copta, para poderem entrar em comunhão plena com a Igreja Católica. Este grupo deu por isso origem à Igreja Católica Copta, que tem a sua sede no Cairo; Cf. aqui e aqui), em junho de 1968, por ocasião das celebrações dos mil e novecentos anos do Martírio de São Marcos, Paulo VI autorizou a devolução de uma relíquia (um fragmento de um osso) do Santo Evangelista a Alexandria, ora conservada em uma cripta na nova catedral de São Marcos no bairro de El-Abbasiyya, no Cairo.


As obras do Santo

A cidade de Alexandria, à época, era um centro cultura muito importante no mundo. Oriundo de uma família rica e de certa cultura, São Marcos tinha uma mente aberta e uma vasta cultura. Além do hebraico, falava latim e grego. Ele fundou a escola Cristã de Alexandria para defender a Fé cristã e responder aos expoentes da escola filosófica de Alexandria.

Foi ele que escreveu a Liturgia da Santa Missa. Também foi ele que escreveu o mais antigo Evangelho canônico.

A Cristandade se difundiu em Egito em menos de meio século depois da chegada de São Marcos em Alexandria, como resulta claro dos escritos do Novo Testamento encontrados em Bahnasa, no Médio Egito, que datam por volta do ano 200 d.C., e por um fragmento do Evangelho de São João, escrito em língua copta, descoberto no Alto Egito e datado da primeira metade do segundo século.


Fonte: http://goo.gl/J12qTx.  



Vide também: 
A Basílica de São Marco: https://goo.gl/AUjuCg.
La Sede di San Marco: http://goo.gl/sAkWvu.
Wikipédia: https://goo.gl/yTmSNm.
 


  
 

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