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sexta-feira, 28 de junho de 2013

PERCEPÇÃO – NOVO ARTIGO DO PADRE PATRICK GIROUARD.

Publicamos o artigo do Padre Girouard, acerca da crise na FSSPX. Palavras contundentes, no estilo sim sim, não não que não temos visto sob o comando de Bernard Fellay. Nas notas de tradução comentei alguma coisa, mas permitam-me fazê-lo aqui, mais amplamente. Acabo de ler e traduzir este texto e fiquei surpresa - nem sei por que - em perceber que tivemos a mesma "percepção", o Pe. Girouard e eu - de alguns aspectos:  "medo, a cegueira sobrenatural, a confusão de ideias (...), o agir nas trevas, a invasão de contas de e-mails, a perseguição a sacerdotes e fiéis 'descontentes', as expulsões". Eu também entendo que há, sim, uma cegueira intelectual voluntária, mas, para mim, é devido ao orgulho e à arrogância. Não querem dar o braço a torcer. No Brasil, particularmente, admitir que "o rei está nu" significaria "aliar-se" a pessoas com as quais se tem pendências pessoais, que nada tem a ver com doutrina ou fé. E todos nós sabem muito bem disso. Trata-se de fomentar o partidarismo que tanto criticam e praticam largamente. Alguém que acabou de "chegar" à Tradição me disse que ficou escandalizado com esse tipo de atitude, impensável em um ambiente que pretende ser de defensores da Fé e da Verdade, de verdadeiros católicos. Mas devo admitir que do lado de cá também escasseiam as virtudes, vencidas que são, em ambos os lados, pelo amor de si mesmo acima do amor de Deus. Vender tudo o que se possui, pegar a cruz e seguir andando atrás de Cristo parece relativamente fácil, mas renunciar a si mesmo... isso é outra história! 

Muitos ainda guardam a esperança de que algo possa ser salvo na (Neo)FSSPX, que basta substituir o Conselho Geral e recomeçar de onde se parou. Ledo engano. Se, por um lado, errou o rei (Conselho Geral), errou também o súdito que obedeceu sabendo que aquele estava errando. Há algo de podre no reino da Menzingen, e essa podridão comprometeu a estrutura da FSSPX como um todo. Durante esses últimos 15 anos, que tipo de sacerdote os seminários têm formado? O que se ensina lá? Quantos sacerdotes e até que ponto se mantêm realmente fiéis à missão que lhes foi confiada por Monsenhor Lefebvre? Até onde o câncer do modernismo adentrou o organismo da FSSPX? Até quando estão dispostos a combater pela Fé se reclamam de que "isso" está demorando, de que podem nos excomungar de novo (tomara!)... Ou se já adquiriram os vícios dos padres modernistas e já se recusam, por exemplo, a atender a um pedido para uma missa de corpo presente porque "estou em meu dia de folga"!!! 

Alguns, nos acusando - a nós! - de não crermos no sobrenatural, apelam à Divina Providência como se fosse o Mago Merlin! Se fosse assim, deveríamos todos sentar na beira da calçada e deixar a Providência agir. Mas eu pergunto a meus botões: se a Providência não age em Roma... porque agiria em Menzingen? Quem é que não crê na Divina Providência aqui? E... de novo a arrogância do acordistas que irrompe feito avalanche!!!

Enfim, hoje eu recebi algumas frases (nem lembro de quem e de onde, portanto me perdoem as generosas almas) que quero compartilhar. Façam bom proveito! 


  • Vou me tornar seu inimigo, porque te conto a verdade? – São Paulo aos Gálatas, 4; 16
  • Se vos tenho falado das coisas terrenas e não me credes, como crereis se vos falar das celestiais? - São João, 3;12
  • Examinai tudo: abraçai o que é bom. - I Tess 5; 21
  • Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada. - São Mateus, 10; 34-36
  • Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te. - Apocalipse, 3; 16



PERCEPÇÃO



Quando eu falo com as pessoas, muitos me perguntam a mesma coisa: “Mas Padre, por quê Monsenhor Fellay está fazendo isso? Por quê ele, e os outros Superiores, seguem esta nova estratégia com Roma?”.

Claro que, para responder com certeza completa e absoluta, eu teria de ser Deus. Mas, como Ele me escolheu para ser Seu ministro aqui na Terra, devo fazer o meu melhor para colocar alguma luz sobre esta questão.

Pelo que eu pude reunir de diversas fontes, os superiores da Fraternidade, e aqueles que os seguem, acreditam que a obtenção da “normalização canônica”, um “reconhecimento oficial” pelas autoridades romanas, teria por objeto alcançar mais almas e poder ajuda-las a alcançar a sua salvação eterna. (Eles parecem esquecer que já existem nove Comunidades que assinaram um acordo a quem estas almas podem se dirigir.) Para Monsenhor Fellay e seus seguidores, tal “regularização” repararia também uma injustiça perpetrada contra a FSSPX. Estes dois motivos parecem ser bons e dignos de louvor. As pessoas boas se sentem atraídas por boas razões.

Antes de lidar com o primeiro motivo, que é o tema deste editorial, permitam-me rapidamente despachar a questão da reparação da “injustiça” perpetrada contra nós: Desde quando o fato de ser rejeitado por pessoas más tornou-se uma injustiça para as pessoas boas? Ser rejeitado por hereges e pervertidos não soa nada mal para mim. Aliás, eu diria que me fizeram um favor. Os modernistas e pervertidos de Roma não me tiraram o ser Católico, apenas me deram a alegria de receber uma das bem-aventuranças reveladas por Nosso Senhor: sofrer perseguição por causa da justiça. Por quê eu quereria ser despojado desta bem-aventurança?

Prossigamos com nossa argumentação. Se fôssemos analisar seriamente ambos os motivos, entenderíamos que eles têm um fundamento ralo e não podem resistir a um escrutínio. Na verdade, esses motivos têm origem no desejo de que a FSSPX pudesse um dia ser percebida pelas pessoas como pertencente à “igreja” oficial. Em outras palavras, toda a crise que temos vivido nos últimos 15 anos, desde a fundação do Grupo de Reflexão entre Católicos (GREC), é baseada em uma questão de PERCEPÇÃO, ou seja, a maneira como as outras pessoas nos veem.

Este Grupo de Reflexão entre Católicos, fundado em 1997, entre outros, pelo Padre Alain Lorans (administrador do DICI) e pelo pai do novus ordo, Michel Lelong, tem como objetivo oficial alcançar a reconciliação entre a FSSPX e a Roma conciliar. O Padre Lorans fundou o grupo com a bênção de Monsenhor Fellay, mantendo-o informado acerca de seu trabalho. Eu tenho o livro escrito pelo Padre Lelong, onde detalha a história do grupo. Entre outras coisas, diz que o GREC sugeriu à Fraternidade que pedisse às autoridades romanas que lhe concedessem dois sinais de boa vontade que ajudariam a alcançar a futura reconciliação: (1) a “liberalização” da missa antiga, (2) o levantamento das “excomunhões”. O GREC também sugeriu que a FSSPX deixasse de (1) criticar tão severamente as autoridades romanas, e de (2) rechaçar o Vaticano II como um todo. Nós sabemos o que aconteceu em seguida: a Fraternidade pediu dois sinais de “boa vontade” por parte de Roma e também mudou seu estilo de argumentação. (Sobre esta mudança, por favor veja o meu sermão sobre a logomarca da Fraternidade.) É interessante notar que, enquanto toda a questão da “reconciliação” está baseada na percepção, os meios propostos para alcançá-la também estão fundados na percepção.

Realmente, todos sabemos que a Missa Antiga nunca precisou ser “liberada”, uma vez que a Bula Quo Primum[*] deu a permissão perpétua para celebrá-la , apesar do que digam os bispos do novus ordo; que as “excomunhões” nunca foram válidas e que o novo estilo de argumentação da Fraternidade é o resultado do desejo de não ser percebidos como “amargurados”, “severos”, “desobedientes” etc. Mas, mesmo eles sabendo de tudo isso, Monsenhor Fellay e seus seguidores, em algum momento, começaram a ter medo[1] da percepção negativa que os “católicos” da igreja oficial pudessem ter desses três elementos. Eles começaram a pensar que tal percepção negativa era um obstáculo para a salvação dessas pobres almas. Portanto, para remover este obstáculo, para obter um bom fim, decidiram seguir as sugestões do GREC[2], o que significa que eles escolheram meios maus para obter um bom fim. Todo mundo que tem o menor conhecimento do Catecismo sabe que isso nunca será moralmente lícito.

Além disso, ao pedir a Roma que concedesse esses dois “sinais de boa vontade”, os líderes da Fraternidade de maneira intencional agiram externamente de uma maneira que contradizia o que internamente acreditavam ser verdade. Eles, então, aumentaram a confusão[3] das pobres almas que queriam “salvar”, porque agiram publicamente COMO SE a Missa Antiga tivesse sido proibida, COMO SE as excomunhões tivesse sido válidas e COMO SE a Roma conciliar e o Pontífice, além do próprio concílio, não fossem assim tão maus. Em outras palavras, eles têm sido, para todos os efeitos práticos, mentirosos e hipócritas.

Mais tarde, Monsenhor Fellay e seus dois assistentes, que formam o que é chamado de Conselho Geral, apresentaram a Roma uma Declaração Doutrinal[4], aos 15 de abril de 2012, que é um monumento ao mesmo tipo de hipocrisia. É um documento que tenta, através da sutileza na escolha de palavras e expressões, ser aceitável tanto para os modernistas como para os tradicionalistas. É por isso que o mesmo Monsenhor Fellay disse repetidamente que a nossa aceitação deste texto dependia de nosso estado de espírito ao lê-lo (óculos escuros ou cor-de-rosa). Até onde sabemos, o Conselho Geral não enviou a Roma nenhum outro documento oficial que revogasse a Declaração Doutrinária, e, portanto, esta ainda representa a posição oficial da Fraternidade sobre estas questões, apesar das declarações contrária feitas nos sermões ou conferências. Tais declarações realmente não têm nenhum valor oficial ou jurídico; são apenas mais uma prova de que os líderes da Fraternidade estão sendo hipócritas, não só com os “católicos” da igreja oficial, mas também com seus próprios fiéis, que são os que os pagam.

Outro exemplo notável de hipocrisia é a Declaração do Capítulo Geral de 2012[5] da Fraternidade e as seis “condições” para um acordo prático. Os superiores fingem ter recuperado a unidade na Fraternidade, enquanto, na prática, a chamada “unidade” tem sido alcançada pela expulsão de todas as vozes dissidentes, incluindo a de um dos quatro Bispos consagrados por Monsenhor Lefebvre[6]. É uma unidade baseada no medo e em mentiras. Aqueles que sabem que a Fraternidade erra temem ser punidos, e aqueles que aprovam o que está fazendo se deixaram enganar pelos sofismas explicados acima. 


Além disso, afirmar que as seis “condições”, débeis como são, podem nos proteger, é negar-se a ver a realidade em Roma e esquecer o que aconteceu com as nove Comunidades Tradicionais que tentaram isso antes[7]. Isso nada mais é do que cegueira intelectual voluntária.

O que esperamos que todos percebam é que Monsenhor Fellay e seus seguidores estão cometendo o mesmo erro que os clérigos cometeram no Vaticano II: eles baseiam sua estratégia em uma questão de PERCEPÇÃO. Realmente o Vaticano II foi uma tentativa de melhorar a percepção dos não-católicos respeito à Igreja. Mas a fracassada experiência da igreja conciliar deveria ter impedido que os líderes da Fraternidade caíssem na mesma armadilha, mas desde quando é as crianças aprendem a partir da experiência das gerações anteriores?[8]

O que podemos fazer para deter esta loucura? Acho que devemos sair desse sistema de hipocrisia e desse ciclo de medo. Devemos defender a verdade, independentemente da percepção que os outros tenham de nós e independentemente dos castigos. O que converteu os pagãos nos primeiros séculos da Igreja não foram Cristãos que tentaram ser bem “percebidos”. Foi a constância daqueles que estiveram dispostos a dar suas vidas por fidelidade às suas convicções. Por isso, queridos amigos, RESISTAMOS ABERTA E FORTEMENTE![9]


Padre Patrick Girouard



Original: http://www.sacrificium.org/article/perception-25-june-2013.
Versão em espanhol: http://nonpossumus-vcr.blogspot.com.br/2013/06/percepcion-nuevo-articulo-del-padre.html.
Tradução, comentário e notas: Giulia d’Amore di Ugento.




Notas de tradução:
* Bula Quo Primum.
1. Falamos disso no comentário às Declarações do dia 27 de junho, em Ecône.
2. Acerca do GREC.
3. Idem
4. Sobre a Declaração Doutrinal de 15 de abril de 2012.
5. Sobre a Declaração do Capítulo Geral de 2012.
6. Sagrações cujo 25º aniversário hipocritamente os três bispos comemoram no dia 27 de junho de 2013, com um discurso que desdiz tudo o que foi dito até agora e, mais uma vez, manipula as palavras de Monsenhor Lefebvre.
7. Arrogantemente, eles não esqueceram. O que dizem é que conosco isso não irá acontecer. Se isso não é arrogância, o que é?
8. Infantilidade, sim, mas também, como dito, arrogância. E orgulho por não querer admitir o erro e ter que voltar atrás e reparar todas as injustiças que foram praticadas com sacerdotes e fiéis, e principalmente Monsenhor Williamson, taxada de rebelde, desobediente, exagerado, apocalíptico, louco.
9. É o desejo de todos os que entenderam – desde o começo ou com o passar do tempo – mas, sinceramente, eu duvido que haja humildade suficiente para tanto. A renúncia de si mesmo é um desafio insuperável para algumas pobres almas. Parecem estar dispostas a perder o Céu para não se verem obrigadas a admitir o que sempre souberam: a aventura de dom Fellay é uma loucura! Seguindo o conselho do GREC abriram mão da ajuda sobrenatural e do aconselhamento do Fundador, o qual, santa alma, pode não estar (fisicamente) mais entre nós - como diz o prior de São Paulo (sic) - mas nem por isso deixou de existir, e nem por isso a Fraternidade que ele fundou pode virar a casa-da-mãe-joana...
 

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