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segunda-feira, 24 de junho de 2013

NEO-FSSPX: Julgamento do Padre Pinaud no dia de São João Batista

Hoje - se não houver mudanças de última hora - será o julgamento do Padre Pinaud, que se encontra preso (detido, acomodado, hospedado, retirado...) na Áustria, de tal forma que se poderia dizer que está fora do mundo. Logo que soubemos da prisão dele, enviamos uma carta que foi gentilmente respondida, e na qual se mostra firme e forte e pede orações. 

Hoje, nós também pedimos orações por este padre da FSSPX, obra que Monsenhor Lefebvre fundou e que vive um surrealismo similar ao da Igreja Católica, cuja existência se confunde com a da igreja Conciliar, fruto do hediondo Concílio Vaticano II. De fato, a FSSPX visualmente se confunde, da mesma forma, com a Neo-FSSPX (ou futura Fraternidade São José, como dizem alguns), mas sabemos que, em ambos os casos, não são a mesma coisa. 

Um comentário apenas sobre a situação dos três padres que têm sido perseguido por Dom Fellay & Cia. por fazer parte do grupo de 37 padres que ousou criticá-lo. Em meu modesto parecer, se eles entendem que o superior geral traiu a missão que lhe foi confiada, desfigurando a obra do Venerável Fundador, e todas as demais acusações contidas na já bem conhecida carta: por quê ainda permanecem na seita de Menzingen? O mesmo vale pelos demais padres que (não)assinaram a carta.

A respeito desse tema, circula na Web um comunicado de mais um padre que deixa a Neo-FSSPX, o Padre Jean Devaulx de Chambord. Trata-se de uma carta um tanto misteriosa sobre a(s) verdadeira(s) razão(ões) de sua saída, da qual queremos ressaltar alguns trechos. Não vou transcrever aqui o inteiro teor da carta, que recebi por e-mail, porque é desnecessário, o pessoal do Militia Jesu Christi já o fez. 
"Também  gostaria de dizer aqui muito claramente que eu não quero atacar a Fraternidade. Ela tem feito um trabalho maravilhoso, do qual recebi os frutos como muitos outros ao redor do mundo. Sua lealdade para com a doutrina católica é certa. Seu apego à Igreja e ao Santo Padre, o Papa, é real. Ela produz abundantes vocações e trabalha para enfrentar este mundo em crise pela formação de uma elite católica. E como disse Nosso Senhor Jesus Cristo: Toda árvore é reconhecida por seus frutos"

Então, em sendo assim, dom Fellay (que comanda a Neo-FSSPX) é leal à doutrina católica? Mas, se é leal à doutrina católica, como pode ser real o apego a "este" papa? Interessante que o próprio padre o reconhece como "papa" quando ele mesmo, Bergoglio, não o faz, preferindo ser apenas o Bispo de Roma, deixando o "papel" de Supremo Pontífice Emérito" a Bento XVI, segundo o Annuario Pontificio de 2013 (publicarei um post a respeito, assim como sobre o "novo" brasão de Bento XVI). A coisa vai mal... 

E, se dom Fellay é leal à doutrina católica, por que então o padre de Chambord quer deixar a Fraternidade?

Sobre a crise na FSSPX e na Igreja, ele retoma a questão da obediência ou respeito devido aos superiores, afirmando que isso não pode nos fazer aceitar o que colocaria em risco a salvação das almas (bom!), mas insiste que isso seja feito com caridade. Dai fiquei confusa..., porque o "sim sim não não" começa a ficar "contudo, todavia, porém", ou um tratado de boas maneiras... 

E, mais uma vez, se dom Fellay é leal à doutrina católica, o que é que colocaria em risco a salvação das almas caso dom Fellay fosse obedecido? Quanta confusão! Nada de "sim sim, não não"!!!

Exorta, ainda, o padre de Chambord, a não julgarmos os outros, a defender a doutrina sem atacar as pessoas e que acreditemos que "não somos melhores do que os outros". E me pergunto de onde ele tirou isso... parece-me ouvir um padre modernista falando! Não que esses valores todos que ele nos recorda não sejam valores cristão - de fato, o são. A questão é que a linguagem que usa é adocicada, sentimentaloide, "fofa"...

Aí - e aqui seria o momento em que revelaria a razão de sua saída - diz que se encontrou diante de um impasse de consciência: "em que é um dever doloroso (SIC! é doloroso defender a verdade?) ter que dizer 'não' em consciência. Espero que isso não aconteça com os senhores (isso o que? ter que dizer não a dom Fellay? abandonar o combate da fé por causa de tribulações que se apresentem aos filhos de Dom Lefebvre?)". "Nós não deveríamos nos chocar por encontrar defeitos ou erros entre os membros da Igreja, mesmo se eles são grandes: a Igreja é divina e humana ao mesmo tempo". (parece aquela frase: "Igreja santa e pecadora..." que se ouve na missa protestantizada).

"Ele (Jesus) pregou muito simplesmente, muito claramente, dizendo a todos as suas verdades em publico (então, podemos falar do superior em publico!). Mas, ao mesmo tempo, Ele tem misericórdia e delicadeza incrível quando Ele fala com as pessoas (sim, sua delicadeza ficou claramente patente quando chamou aos judeus de raça de víboras, deve tê-lo feito com "jeitinho" e voz mansa e doce, talvez pedindo desculpas...): Ele denuncia o pecado e aceita jantar na mesa dos pecadores (um padre de Dom Lefebvre também entende, como os modernistas e os gays, que Jesus, pelo fato de sentar-se com os pecadores, os aceita enquanto tais, sem esperar deles arrependimento e firme propósito de não mais pecar?????) .

Well, ele falou, falou, mas não disse nada! A que título essa carta envolta de mistérios? Não dá para saber ao certo o por que saiu!!! Não foi pela doutrina, porque afirma que a doutrina da (neo)FSSPX é católica. Contudo, confunde-se e confunde quando afirma que não devemos obedecer se isso põe em risco a salvação das almas, o que faz pressupor que, sim, há uma problema doutrinário envolvendo a FSSPX... Mas talvez seja algo relativo à "falta de caridade" no ambiente da Neo-FSSPX, porque reclama muito nesse sentido... Então, por que simplesmente não pediu remoção ou outro desafio? Isso mais parece se tratar de questão de cunho pessoal... de "gosto".

Menciono esta carta com o objetivo de tentar compreender porque o falar dos padres da FSSPX não é mais "sim, sim, não, não"! Sim, eles compreendem o que está acontecendo, alguns até se manifestam publicamente, outros "ousam" fazê-lo apenas em privado, mas são sempre "cheios de dedos" com os que, embora continuam "visivelmente" líderes da FSSPX, já não o são mais desde que a traíram.

Não se trata aqui de xingar a mãe de dom Fellay, como diz um bom padre, mas de por os pingos nos iis e de falar feito homem. Ou será que Nosso Senhor Jesus Cristo não lhes ensinou nada? Ou será que eles também creem que Nosso Senhor Jesus Cristo era um hippie revolucionário?

Com todo respeito devido à dignidade sacerdotal, quando ouço/leio esses padres, eu sinto cheiro de modernismo, muitos deles já perderam a noção da missão que lhes foi dada, da cruz que devem carregar, e a negociam por uma cama quente e um bom prato de sopa

Espantosamente, temem uma "nova" excomunhão e suspiram de alívio por dom Fellay ser tão hábil na diplomacia por ter conseguido que, apesar de rezarem a missa "antiga" e de "falarem mal" do CVII, ainda não terem sido excomungados!!! 

Quando "cheguei" à Tradição me diziam - padres e fiéis (esses mesmos que agora anseiam por um acordo) - que era uma honra ostentar o estigma da excomunhão. Logo depois, exultaram diante do levantamento das excomunhões, e por quê, se elas simplesmente não existem? É espantoso que padres de Dom Lefebvre deem algum tipo de valor ou credibilidade à excomunhão que foi decretada pela igreja Conciliar!!! Sobretudo levando em conta que nos ensinaram que ela vale tanto quando uma excomunhão que fosse decretada pelo Dalai Lama ou pelo Arcebispo de Canterbury!!! É um descalabro! Ou não disse claramente Dom Lefebvre que não poderia ser excomungado por uma Igreja à qual nunca pertenceu? Ou algo assim... 

Que medo é esse? Será que esses padres - dom Fellay incluso - já enxergam a Roma Apóstata como se fosse a Roma Eterna? 

Há outros suspiros saindo afoitos e reconfortadores dos corações de alguns padres: dom Fellay NÃO ASSINOU O ACORDO (agora já pronunciam a palavra "maldita"). Infantilmente, creem que tudo se resolva e resuma a isso! E esbravejam acusando a Resistência de exagerar as coisas, de dizer a todo momento: "tal dia assinam o acordo!", "agora o dia é tal!", "mudou de novo, mas desta vez será dia tal"... Tolos! Primeiro porque, quem não quis assinar foi Bento XVI, não dom Fellay, que estava com comichões para assinar e mandou preparar o "gado" para o "abate". Segundo porque o acordo não precisa mais ser assinado. Nada impede que, de fato, possa ainda vir a ser assinado, ou que já foi assinado e ainda não foi divulgado. O fato é que já não é indispensável aos fins que interessavam à Roma Apóstata, pelo simples motivo de que Ela conseguiu o que queria: dividir e enfraquecer a FSSPX. De lambuja ganhou a "turma do superior geral, com seus 500 sacerdotes e relativos fieis", que ao contrário do pedido de Dom Lefebvre - deixai-nos fazer a experiência da Tradição - irão fazer alegremente a "experiência do Conciliarismo"! 

Bom, que Padre Pinaud tenha a coragem de se orgulhar de ser expulso da Neo-FSSPX. E, sobretudo, que seja feita a vontade de Deus. Sempre.

Que São João Batista o console e interceda por ele junto à Misericórdia Divina. 

Giulia d'Amore

* em vermelho, nossos comentários no texto dele.
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