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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

EDITORIAL I: A ENTREVISTA DE PILATOS-PFLUGER


Bom, fiquei de comentar a respeito da entrevista do Pe. Niklaus Pfluger e confesso que é preciso ter estômago para lê-la, mais até do que se precisa para ler o que diz Francisco, que é um modernista óbvio. SIM, eu não me acostumo com heresias, blasfêmias, absurdos ou simples asneiras. E nem quero me acostumar, porque quero permanecer CATÓLICA.
Primeiro, uma observação necessária: para os que vivem dizendo que nós da Resistência tocamos sempre na mesma tecla acordo!, acordo!, acordo! como se tivéssemos obsessão pelo tema, já respondo duas coisas: 

1) Não é uma obsessão “nossa”. O “problema” não está em nós que falamos insistentemente nisso, mas em quem insistentemente continua a trair o legado de Monsenhor Lefebvre e a arrastar consigo inúmeras almas, mais ou menos inocentes! A obsessão é de Fellay.  
2) Caro leitor preocupado com meu tempo e minhas intenções, o que me move é a caridade de ajudar aos que estão sendo enganados por Fellay a encontrarem a VERDADE. Quando publico notícias sobre a ex-FSSPX (1), eu não escrevo aos resistentes, mas aos ralliés, voluntários e involuntários, àqueles que, mesmo se abrigando nos priorados e centros de missas “por causa dos sacramentos” (2), percebem que algo não vai bem; àqueles que "não confiam em Fellay, mas obedecem", por uma mal-compreendida concepção da obediência; àqueles que estão atentos” e até juram que “no primeiro sinal de um acordo... a FSSPX gritará, sem perceber que o acordo já foi selado (3); por fim, àqueles que testemunham ações indignas e se calam, porque “não é com eles”. Quem está na Resistência não está contra vontade ou insatisfeito ou desconfiado ou porque não tem para onde ir.  

E me preocupo com estas pobres almas porque ninguém sabe o dia nem a hora, e, depois que o Noivo entrar, a porta será fechada para sempre (4). Que pouco caso fazem das almas que custaram o Sangue de Cristo!!!

Assim, caro leitor preocupado com meu cisco e não com a sua trave, aqui está a resposta. Se não lhe agrada, vá se queixar ao bispo, aquele de Ipatinga mesmo, porque, logo, estarão todos ao abrigo do mesmo aprisco.  

Feita essa necessária aclaração, vamos ao que interessa.


A ENTREVISTA DE PILATOS-PFLUGER


Pfluger parece Pilatos: a mesma atitude, a mesma linha de pensamento, chego a visualizar até as mesmas pausas, os mesmos gestos... Como dizem os americanos: tem cara de gato, tem cheiro de gato, anda como gato, mia como gato, logo Pfluger é um... liberal!!! Desde a primeira frase, até a última, como Mons. Williamson expressou tão bem e... sucintamente. Mas penso que seja necessário até desenhar para que as pessoas, depois, façam uso da razão e releiam a entrevista dele com o devido cuidado. Deixarei o dulcis in fundo.

1. Pfluger confunde - voluntária ou involuntariamente - o movimento tradicionalista com a própria Tradição. Obviamente que a Igreja é muito mais ampla que qualquer movimento, mas não percamos de vista que a Igreja tem o tamanho exato da Tradição. O liberal navega nessas elucubrações com certa desenvoltura, como fazia Pilatos, pois sua linguagem ambígua e ambivalente proporciona esses malabarismos intelectuais que confundem um ouvinte “distraído”. Por isso, cuidado leitores! O lobo veste pele de cordeiro!

A Igreja não é muito maior que a Tradição, porque a Tradição não é um detalhe como outro qualquer. E o movimento tradicionalista não é mais um movimento dentro da Igreja, à semelhança dos
movimentos progressistas nascidos do CVII: RCC, TL, Kikos etc. Pfluger, não coloque no mesmo nível os católicos e os não católicos, como fez Pilatos colocando no mesmo nível Cristo e Barrabás!!!. Como faz Francisco. 

2. A Tradição Católica é, sim, um vasto tesouro, mas não está “confinada” às condenações que a Igreja, por seus Papas, fez ao modernismo, ao liberalismo e à Maçonaria, em determinado período, simplesmente porque é a Tradição quem condena e confina o modernismo, o liberalismo e a Maçonaria. E não se trata de condenações rotineiras, diminuindo-lhes a importância e o calibre, pois isso também é Magistério da Igreja! A Pascendi, por exemplo, perdeu eficácia e valor? Foi revogada? Por quem? Quando?

3. Pfluger, o nosso tempo é diferente, sim. Aliás, bem diferente dos tempos bíblicos, como também de todos os tempos que hão de vir até se consumarem. O mundo gira, só Deus permanece como É. Mas essa diferença não alcança a Verdade, os Mandamentos, os Dogmas, a Fé, porque seu autor é o próprio Deus. Até parece que
Deus não sabia que os tempos mudam, que as pessoas mudam, que as circunstâncias mudam, e precisava vir um concílio protestante para ensinar à Igreja (e a Deus!) qual é a VERDADE, a “atualidade”, como se a Bíblia e a Boa Nova não fossem atualíssimas! Pfluger, com isso, dá a entender que o Concílio Vaticano II é católico e que a Tradição engessa a Fé.

4. Quando se é obrigado a ler que a “Tradição da Igreja é uma, mas as tradições são muitas”, parece ouvir Francisco e suas várias prateleiras de múltiplas sensibilidades religiosas pseudo-cristãs ou extra-cristãs. Ainda que as “tradições” sejam muitas, cinquenta anos de Vaticano II NÃO É TRADIÇÃO, pelo simples fato de que o tempo não valida ato nulo.

5. ENGRAÇADA foi a tentativa de justificar a “suposta” traição de Fellay, blindado e entrincheirado atrás do termo “Quartel General”. Para Pfluger, o fato de ter sido atacado por ambos os lados (5) é comprovação de que Fellay “agiu com razoável moderação”! LOL. É um pândego! O “ataque” da Resistência foi por motivos bem diferentes, pois, enquanto Roma pretendia uma “plena” adesão ao CVII, a Resistência DENUNCIAVA a traição de Fellay ao legado de Mons. Lefebvre e, mais ainda, sua traição à Fé! Mistura alhos com bugalhos como um modernista exemplar esse Pfluger!!!

6. Até que enfim
o número dois da ex-FSSPX CONFESSA que, de fato, “houve” a TRAIÇÃO, quando afirma que “Sim, nos afastamos das decisões do Capítulo Geral de 2006”, ainda que tente justificar com um simplório: “mas quem teria imaginado, à época, quanto menos agressiva para com a FSSPX se tornaria Roma em 2012? Em 2014, os nossos três bispos puderam celebrar Missas públicas na Basílica de Lourdes!”. Vejam como os liberais perderam o contato com a realidade! Ainda que, ad argumentadum, as coisas tivessem “mudado”, há regras a seguir para mudar as diretrizes, pois a FSSPX não é a casa da Mãe Joana!!! Ademais, Fellay e a ex-FSSPX não são donos da Tradição Bimilenar da Igreja para negociá-la com a Roma modernista. 

Mas, verdade seja dita, AS COISAS NÃO MUDARAM: Roma continua falando a mesma coisa que falava quando o interlocutor era Monsenhor Lefebvre. Pode ora amargar ora adoçar a pílula, mas a essência NÃO MUDOU: Roma quer que a FSSPX adira à nova Igreja que nasceu do Concílio Vaticano II. Esta é a verdade. Permite, agora, com uma falsa magnanimidade, que os ingênuos felleistas discutam e critiquem o Concílio, seus documentos e os documentos posteriores, mas apenas a titulo acadêmico, sem resultado prático, pois
“eles” não pretendem mudar nem uma vírgula. Prova disso são as constantes comemorações pelos 50 anos da Reforma conciliar. Está ai o bispo de Ipatinga que não me deixa mentir ao mencionar o maldito concílio em sua carta pastoral mendaz contra a Resistência e ao apresentar, depois, uma pretensa benção apostólica de Francisco, assinada por um secretário de quinto escalão, na qual também se menciona o mesmo concílio!

E Pfluger conta a façanha de rezar a Missa em Lourdes com galhardia, como se isso fosse diferente de rezá-la em uma capela ecumênica ou inteiramente protestante, ou no Rotary... Ops! Isso já o fizeram: lembram? O ecumenismo já foi devidamente digerido e assimilado pelos ralliés.

6. Corrigindo Pfluger: Brevemente, a ex-FSSPX segue algum “espírito”, sem dúvida!, qual seja não se sabe, mas não tem cara de ser a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, porque Deus não tem DUAS Verdades; ou é verdade que o Concílio Vaticano II NÃO É CATÓLICO e que dele surgiu mais uma seita protestante, ou é verdade que É CATÓLICO e devemos aderir a ele “por inteiro”. Monsenhor Lefebvre salvou a liturgia e o tal Fellay irá destruí-la ao aderir à Roma modernista. A ex-FSSPX é manipuladora, conciliar e irá toda “unida” e “vencedora” para a prateleira ecumênica de Francisco. Não há nada de conspiratório na VERDADE. Apocalípticos serão os resultados dessa desastrosa marcha para Roma. Fé, esperança e... juventude? Mudaram o Catecismo!

7. Deixei por último - dulcis in fundo - a parte em que Pfluger fala sobre a Resistência. Esse parágrafo é uma ode à linguagem enganadora dos liberais:

a) O “reposicionamento” – eles adoram novos termos para velhos pecados
não se trata de um problema meramente prático, uma vez que nos "colóquios" tratam de DOUTRINA, de FÉ. Uma FÉ que não foi inventada por nós, mas que nos foi dada por Nosso Senhor Jesus Cristo e que nos foi transmitida, após séculos de Tradição, pelas mãos de Monsenhor Lefebvre!  

b)  Escolhendo a indefectível via di mezzo entre as duas negações que apresenta - e quem as fez? Não certamente a Resistência, como ele induz o leitor a pensar! - Pfluger age com desonestidade, uma vez que (1) É VERDADE, sim, que há uma crise na Igreja, e a tal ponto que se fala em duas Igrejas: uma visível e apóstata e outra invisível e católica! A fumaça que o próprio Paulo VI denunciara já tomou conta do pulmão, e quando se tem um câncer grave, pouco importa se tomou o pulmão todo ou parte dele: a morte é certa

Por outro lado, Pfluger não especifica que (2) "realidade da Igreja" a Resistência nega. A única realidade é a que vemos bem diante de nossos olhos: seminários cada vez mais vazios; igrejas, capelas, conventos e mosteiros transformados em boates, oficinas mecânicas, mesquitas, estacionamentos...; abusos litúrgicos dos mais variados; escândalos com batizados, "casamentos", bênçãos e "visitas" envolvendo homossexuais; pressão para liberar os Sacramentos a todo tipo de pecador: divorciados em segunda união, os próprios homossexuais, casais amasiados; pressão por padres casados, mulheres padres, padres gays e, até mesmo, leigos que consagrem a Hóstia!!! [vide notícia do dia 11 de fevereiro acerca do Sínodo de Bolzano-Bressanone (Itália), realizado aos 30 e 31 de janeiro 2015, pedindo aberta e descaradamente mulheres "padre", unção dos enfermos ministrados por leigos e comunhão aos recasados; o "Sínodo" não foi encerrado e continua em maio próximo; já produziu pelos menos 12 documentos]; silêncio de Francisco sobre assuntos de Doutrina e, de outro lado, uma língua indômita para acabar com o resto de catecismo que o povo ainda guarda... Qual exatamente é a "realidade da Igreja" que a Resistência nega? 

d) E, O MAIS GRAVE, quem pode negar que a mesma fumaça penetrou a própria Obra de Mons. Lefebvre (6) a tal ponto que produziu uma divisão irrecuperável?  

Sim, devemos considerar isto: mesmo que, por algum milagre, Fellay caísse em si e recuperasse o juízo, se penitenciasse em praça pública e se retratasse e pedisse perdão a todos os que perseguiu com ferocidade canina, ainda assim o trabalho de expurgo das ideias e princípios modernistas na ex-FSSPX seria gigantesco! Os seminários, os distritos, as capelas... tudo teria que ser revisto e refeito!!! Nos seminários, por exemplo, circulam entre as mãos dos pobres alunos livros dignos do Index. E como apagar dos ouvidos deles os sermões e conferências em que se provou por a+b que o Vaticano II é 95% bom e 5% DISCUTÍVEL? Não sejamos parvos!!!

e) Mas a PÉROLA de toda a entrevista está
na pergunta espantada e espantosa de Pe. Pfluger: Como pode Roma não ser católica?

A pergunta, Pfluger é outra: como pode crer que a Roma atual seja católica?  

Ou... Monsenhor Lefebvre mentiu! Ele mesmo a chamou de APÓSTATA, com todas as letras! E chamou aos romanos de “ANTICRISTOS”, porque tentaram fazê-lo abjurar a verdadeira Fé! E a quem ele chamou de “anticristos”? Com toda certeza, aos interlocutores diretos, entre os quais o futuro Bento XVI (7), e, com alguma certeza, ao próprio João Paulo II, que os enviava e em nome de quem falavam.  

Talvez Pfluger & companheiros precisem refrescar a memória relendo os escritos de Monsenhor Lefebvre (8) ou revendo os vídeos com suas conferências e sermões.

Vou dar uma ajudinha...  


Há um sermão de Mons. Lefebvre, gravado no dia 4 de outubro de 1987 (9), no qual, falando sobre o então cardeal Ratzinger, o Venerável Fundador da FSSPX diz claramente que com este não se poderia NUNCA chegar a um acordo, porque Ratzinger trabalhava pela DESCRISTIANIZAÇÃO da Igreja. Mas ele diz mais...   




Se o vídeo não aparecer nos e-mails, clique aqui.

Monsenhor Lefebvre diz: (1’03”) Roma perdeu a Fé, meus caros amigos. (1’07”) Roma está na apostasia. (1’14”) Não é uma maneira de dizer, não são palavras ao vento as que vos digo... é a verdade... (1’17”) Roma está na apostasia... (um longo e pesado silêncio)”.

(*) Para evitar que “desapareça”, como aconteceu com outro vídeo, com legendas em português, eu “baixei” do Youtube. 

Não deveria, mas é fato que Roma perdeu a Fé! ROMA NÃO É CATÓLICA! O Venerável Fundador da FSSPX foi CLARÍSSIMO. E, pelo visto, Roma ainda não recuperou a Fé porque as coisas lá, hoje, estão bem piores que em 1987. Ou vão negar isso também?

A grande verdade, porém, é que Bento XVI é PIOR que Francisco, porque este é claramente um apóstata (10), enquanto Bento, que passará à História como um moderado, um conservador, um “tradicionalista”, é um Alter Pilatos: um liberal. Só os tolos não percebem que, tanto o levantamento das excomunhões quanto o indulto (sic) da missa “extraordinária”, são as armadilhas que ele usou para apanhar os tolos, os vaidosos, os que já se cansaram de poucas décadas de combate. Parece que o prato cheio e a cama quente pesam mais que a defesa da Verdade.  


E o que é a Verdade?, perguntariam eles candidamente.  

Giulia d'Amore  

____________________________
Notas: 
1. Amei esse termo!!! Good job, Mons. Williamson!
2. Pessoa! Leia a Pascendi!!! A Fé é mais importante do que a Missa!!! 

3. E quem disse que um acordo precisa ser escrito? E quem disse que já não está por escrito? Pelos frutos se reconhece a árvore! Não veem as visitinhas que trocam os felleistas e os modernistas? 
4. S. Mateus 25,1-13.
5. Roma e a Resistência, é de se supor...
6. Não é o servo maior que o Senhor. Qual a surpresa nisso?
7. O “papa” preferido das comunidades Ecclesia Dei e toda sorte de pseudo-tradicionalistas. Sedevacantistas ou não.
8. Pesquisem nossa OPERAÇÃO MEMÓRIA: farfalline.blogspot.com.br/search/label/Operação Memória.
9. antes das excomunhões!!!
10. NINGUÉM, sendo ou não sedevacantista, pode fazer de conta que ele não diz heresias. 


  
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