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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Domingo da Septuagésima

Para auxiliar os que estão longe da Missa por motivos alheios à sua vontade. isto não supre a Missa, mas consola e instrui. Lembrem-se que devemos santificar os Domingos e Dias Santos.


DOMINGA DE SEPTUAGÉSIMA



  

Assim se chama a primeira das três [domingas] que precedem a Quadragésima ou Quaresma.  Desde hoje até a Páscoa, suprime a Igreja as Aleluias, o Gloria e outros cânticos de alegria, que pouco diriam com o tempo da penitência e do luto.  

Septuagésima. Liturgia. Sermão.
Sexagésima. Liturgia e Sermão.
Quinquagésima. Liturgia e Sermão
  



LEITURAS E COMENTÁRIOS





Intróito — Cercaram-me gemidos de morte: cingiram-me dores de inferno: e na minha angústia invoquei o Senhor, e de seu santo templo ouviu a minha prece (S. 17). Eu vos amo, Senhor, minha fortaleza, Senhor, que sois meu refúgio e meu libertador. V. Glória etc.

Coleta — Senhor, nos vos suplicamos que ouçais clemente as preces do vosso povo, afim de que, justamente afligidos por nossos pecados, deles fiquemos livres, por vossa misericórdia, para a glória de vosso santo nome. Por N.S.J.C...  

Epístola (I Cor. 9,24-27 e 10,1-5) — Irmãos: Não sabeis que os que correm no circo, todos correm em verdade, mas só um leva o prêmio? Correi, pois, de tal maneira que o alcanceis. Todo o que luta por prêmio de tudo se abstém. E eles, em verdade, o fazem só para receber uma coroa corruptível, e nós, uma incorruptível. Eu, pois, assim corro, não como ao acaso; assim combato, não como ferindo o ar: antes castigo meu corpo, e o reduzo à servidão, para que não suceda que, pregando aos outros, eu mesmo fique reprovado. Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais todos estiveram debaixo da nuvem, e todos passaram o mar, e todos, em Moisés, na nuvem e no mar, foram batizados, e todos comeram o mesmo manjar espiritual, e beberam a mesma bebida espiritual (porque bebiam da pedra espiritual que os seguia, e a pedra era Cristo), mas da maior parte deles não se agradou Deus. Deo gratias.
COMENTÁRIO DE GOFFINÉ: Tudo são espantos, repugnâncias, desalentos, logo que se trata de viver conforme o Evangelho. Promete-nos Deus glória pura e perene, coroa preciosa, que não murcha, plena felicidade, superabundante e perfeita, isso tudo por preço de alguns dias, de algumas horas, de alguns instantes de mortificação. Nem assim! Traz cada idade suas desculpas; a todos falta saúde, um por moço e delicado, outro por velho ou muito ocupado; nenhum pode com o jejum e a abstinência.

E, se com tantas razões não chegarem nossos merecimentos para a celestial coroa, se a perdermos para sempre?... Vamos com Deus, irmãos, e roguemos-Lhe a pureza de intenção, o desapego de todo o criado, a sobriedade que nos ensina o Apóstolo, com a qual usemos das coisas terrestres como quem não usa.

Jejum bendito, que sujeita à alma os sentidos na privação do supérfluo! Santa abstinência, que dá por alimento à alma a divina vontade, com desprezo da nossa! Este pão do divino Mestre, superior a todas as substâncias, sacia todos os desejos, verdadeiro maná do Céu caído, antegozo das eternas delícias. Aparelhemo-nos para recebê-lO, privando-nos, na medida de nossas forças, do pão material do corpo.

Evangelho (Mat. 20,1-16) — Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: O reino dos céus é semelhante a um pai de família que, ao romper da manhã, saiu a contratar trabalhadores para sua vinha. E, feito com os operários o ajuste de um dinheiro [danário] por dia, mandou-os para a sua vinha. Saindo de novo, quase à hora terceira, viu alguns outros que estavam na praça desocupados, e lhes disse: Ide, vós também, para a minha vinha e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram. Outra vez saiu, à hora sexta e nona, e fez o mesmo. Enfim, à undécima hora, tornou a sair e achou outros que estavam por ali e lhes disse: Por que estais aqui todo o dia ociosos? Responderam-lhe: Porque ninguém nos contratou. Disse-lhes: Ide vós também para a minha vinha. Porém, chegando a tarde, o senhor da vinha disse a seu mordomo: chama os trabalhadores e paga-lhes o jornal [diária], começando dos últimos até os primeiros. Aproximando-se, pois, os que tinham vindo à undécima hora, recebeu cada qual o seu dinheiro. E, vindos também os primeiros, julgaram que haviam de receber mais. Receberam, porém, igualmente um dinheiro, e, ao recebê-lo, murmuravam contra o pai de família, dizendo: Estes últimos trabalharam só uma hora, e os igualastes a nós que suportamos o peso do dia e do calor. Mas ele, respondendo a um deles, disse: Amigo, não te faço injúria; por ventura não combinaste comigo um dinheiro? Toma o que é teu e vai-te em paz, pois quero dar a este último tanto quanto a ti. Acaso não me é permitido fazer o que quero? Ou tu me olhas com maus olhos porque sou bom? Assim, os últimos serão os primeiros, e os primeiros serão os últimos, porque muitos são os chamados e poucos, os escolhidos. Laus tibe Christe.
COMENTÁRIO DO GOFFINÉ: O pai de família é Deus, Nosso Senhor, que, logo no primeiro uso da razão, como na alvorada da nossa vida, convida-nos a trabalhar na Sua vinha, isso é, a cultivar em nossas almas as evangélicas virtudes; o jornal (diária) que nos promete é a glória no fim desta vida, esta vida que é um dia apenas, comparada com a eternidade.

Poucos têm a fortuna de cuidar na salvação logo que estão no caso de fazê-lo, como devemos em todas as idades. Quer o Salvador ver-nos salvos a todos, e dignou-se animar a confiança dos mais insígnes pecadores, ainda que chegados à hora derradeira, depois de envelhecidos no esquecimento de Deus, no desprezo de Sua lei. Ensina-lhes esta parábola que não há desesperar nunca da divina misericórdia. Verdade é que são raras essas conversões ao anoitecer; muito mais duvidosas, senão quiméricas para quem se obstinasse no pecado com a presunção de converter-se no fim da vida; ainda, porém, que chegada a tarde, há tempo para ganhar a recompensa, em trabalhando deveras na última hora. Deus não atende tanto ao nosso trabalho, como ao fervor com que o fazemos.

Trabalhemos na vinha do Senhor, por outra, cultivemos em nossas almas as virtudes, extirpemos-lhe os vícios. Para o que devemos empregar a oração, a mortificação dos sentidos, a lição espiritual, a palavra de Deus, a frequência dos sacramentos, os salutares avisos do diretor, as boas resoluções tomadas pela manhã e à tarde no exame de consciência, a meditação dos novíssimos, o culto especial de algum santo notável por ter vencido algum vício nosso ou praticado a virtude a este oposta, sem descurarmos o jejum a esmola e outras boas obras.

Murmuravam os obreiros da vinha, ao verem o dinheiro dos últimos chegados... abafemos prontamente os sentimentos de egoísmo, de ciúme ou de inveja.

Foram chamados todos os Judeus (na Escritura Sagrada, vale frequentemente por "todos" a palavra "muitos" - nota do original), poucos, porém, os escolhidos, porque não corresponderam à sua vocação; e, como só no fim do mundo entrarão no grêmio da Igreja, por isso, embora chamados os primeiros, serão os derradeiros. Nós, que somos chamados todos, cuidemos não diga conosco, por nossa culpa, a sentença dos Judeus: muitos chamados, poucos escolhidos.

Ofertório — É bom louvar o Senhor, e cantar a glória de vosso nome, ó Altíssimo.

Secreta — Aceitais, Senhor, nos vo-lo pedimos, nossas ofertas e orações, purificai-nos por esses mistérios celestes, e atendei benignamente às nossas súplicas. Por N.S.J.C...

Comunhão — Senhor, fazei resplandecer vossa face sobre vosso servo, e salvai-me em vossa misericórdia. Senhor, não permitais que me envergonhe por ter invocado o vosso nome.

Postcomunhão — Fazei, Senhor, que vossos dons fortaleçam vossos fiéis e lhes inspirem o desejo de recebê-los de novo e sejam seus desejos sempre satisfeitos.Por N.S.J.C...

Retirado de: Goffiné. Manual do Cristão. Rio de Janeiro. 1944. Sacristia do Colégio da Imaculada, pp. 326-330.

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