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sábado, 27 de agosto de 2016

A "RESSURREIÇÃO" DOS CRISTÃOS DO JAPÃO - A Descoberta dos Padres

Fato ocorrido em 1865, depois de séculos de atroz perseguição religiosa no País do Sol Nascente, que executou e torturou por volta de trezentos mil católicos em séculos de proibição oficial do cristianismo em terras japonesas.
Nagasaki,26martires-digitalizado-28
 “Aonde se encontra a imagem de Santa Maria?” 
No altar lateral, à direita de quem adentra a catedral de Urakami, na cidade de Nagasaki, Japão, se encontra uma imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus. É obra de um artista chamado Rafael feita em 1860. Embora possa não ser grande o seu valor artístico, é imensa a sua importância histórica.
 
Dentre os visitantes da catedral havia agricultores Cristãos da Vila de Urakami que sob a perseguição de 250 anos persistiram na transmissão da fé por 7 gerações. E eles viram essa imagem…

sábado, 23 de abril de 2016

23 de abril: São Jorge, Mártir

23 de abril

São Jorge 

Grande Mártir de Cristo e Carmelita (*)



CLIQUE PARA VER MAIS IMAGENS
Promete Jesus Cristo, em São Mateus, que, quem O confessar e não se envergonhar d'Ele na Terra, Ele, da mesma forma, não se envergonhará dele no Céus, mas o confessará diante dos Anjos Santos e o louvará na presença do Pai Eterno pelos serviços recebidos, e rogará ao Pai que lhe renda o mérito [1]. Isto é que convém a todos os Mártires. Todos confessaram Jesus Cristo em Terra, e não se envergonharam de confessar por Deus um que morreu crucificado. Mas, particularmente, isto vem muito a propósito de São Jorge, Cavaleiro Ilustríssimo, o qual, encontrando-se na presença de Diocleciano, e de todo o Senado Romano, onde se discutia se era coisa conveniente perseguir Cristãos e apagar e suprimir o Nome de Cristo de sobre a Terra, e, concordando todos que assim se fizesse, ele somente tomou a defesa da honra de Deus contra todos, e confessou que Jesus Cristo é verdadeiro Deus, e lamentou o Decreto e a deliberação que aí havia sido feita, pelo qual veio a perder a vida com tormentos atrozes e cruéis. A Vida e Martírio deste Santo foi escrita por Simeão Metafraste e por Pasicrate, familiar [2] do próprio Santo, o qual se encontrava presente a toda coisa. Daquilo que dizem estes dois, teceremos uma guirlanda, para que aqueles que desejam padecer por Jesus Cristo, a coloquem em suas próprias cabeças, vendo as muitas paixões [3] e crudelíssimos tormentos que São Jorge sofreu.   
[1] Mat. 10,32 e Luc. 12,8. 
[2] Categoria de servo. 
[3] Sofrimentos.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

SANTOS QUARENTA MÁRTIRES DE INGLATERRA, ESCÓCIA E GALES

A história destes mártires é muito atual e nos serve de exemplo e estímulo para nós mesmos sermos mártires da atualidade. Há vários tipos de martírios, e o martírio da ridicularização parece ser o que mais atinge os católicos ocidentais, muitos dos quais sucumbem à pressão e preferem não falar de Fé, ou não defender a honra de Deus e da Igreja apenas para não criar constrangimentos ou parecer piegas. Temos um gravíssimo exemplo disso na pessoa de Francisco/Bergoglio, quando "preferiu" dar uma benção silenciosa para não ofender os jornalistas presentes que não eram católicos. Lembram? Gravíssimo pela qualidade da Pessoa que ele representa. Mas não nos enganemos, o martírio real está à nossa porta, com as políticas públicas do governo marxista que tomou o poder no Brasil, que defende e promove pretensos "direitos das minorias" que se opõem clara e violentamente aos direitos de Deus. No Congresso, já tramitam projetos de lei que pretendem "criminalizar o homofobia" (ou seja, por na cadeia qualquer pessoa que diga que homossexualismo é pecado), liberar o aborto em qualquer caso, permitir a eutanasia, reconhecer o direito dos pedófilos ao "amor da forma como eles o concebem", com a obrigatoriedade do estudo do Islã e do marxismo nas escolas públicas, e todo tipo de atrocidade moral que visa destruir a sociedade cristã ocidental. Chegarão tempos em que não poderemos mais ficar confortavelmente sentados atrás de um computador e teremos que ir à arena, enfrentar os leões.  

Que os mártires ingleses nos sirvam de modelo para defendermos a Fé Católica daqueles que pretensamente tem o poder de, "legalmente", nos tirar a liberdade e, ilegalmente, nos tirar a vida.  


SANTOS QUARENTA MÁRTIRES DE INGLATERRA, ESCÓCIA E GALES


Século XVI-XVII  


A história das perseguições anticatólicas em Inglaterra, Escócia e Gales começa em 1535 e vai até 1681; o primeiro a desencadeá-la foi, como se sabe, o rei Henrique VIII, que provocou o cima da Inglaterra com a separação da igreja anglicana de Roma.

Além dele, artífices mais ou menos cruéis foram também os seus sucessores Eduardo VI (1547-1553), a terrível Elisabeth I, a ‘rainha virgem’ († 1603), James I Stuart, Carlos I, Oliver Cromwell, Carlos II Stuart


Em 150 anos de perseguições, morreram milhares de católicos ingleses, pertencentes a todas as classes sociais, testemunhando sua adesão à fé católica e ao papa e recusando os juramentos de fidelidade ao rei, novo chefe da religião de Estado.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

MARTÍRIO ATUAL NA NIGÉRIA: Menina Católica de 15 anos é apedrejada!

MÁRTIRES NIGERIANAS 


Meninas apresentadas no vídeo do Boko Haram
afirmando que se converteram ao Islã
Nossas irmãs na Fé - almas que se perdem?

Era para ser um dia de descanso para mim, pois minhas mãos doem particularmente hoje, sobretudo a esquerda, mas não poderia me furtar de publicar este vídeo que eu assisti na íntegra e revi para marcar o tempo, conforme verão a seguir.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

MARTÍRIO ATUAL - República Centro-Africana: massacre numa igreja católica

imagine ilustrativa 
não se refere ao ataque do artigo
Enquanto Francisco confraterniza com os inimigos de Cristo - sionistas e muçulmanos, estranhamente amigos - os filhos espirituais do Bispo de Roma continuam morrendo como moscas nas mãos dos muçulmanos. Todos os dias, são noticiados atos de terror perpetrados contra cristãos "de todas as denominações", mais particularmente CATÓLICOS. A mídia tem pruridos para usar este termo, generaliza para "cristãos", para ser politicamente correto e não enfatizar a CRISTANOFOBIA.

"Na República Centro-Africana retorna o medo. Depois de um período de relativa paz, na tarde desta quarta-feira, 28, homens armados, possivelmente pertencentes aos ex-rebeldes muçulmanos Selèka, atacaram com granadas a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na periferia de Bangui, a capital, matando dezenas de pessoas, talvez sessenta, entre as quais também um sacerdote. Algumas pessoas teriam sido feitas reféns. Sobre a situação, Rádio Vaticano conversou com o sacerdote centro-africano, Mathieu Bondobo, atualmente em Roma:

Esta notícia é muito triste e grave. No início, sempre dissemos que este conflito é político, e não é interreligioso; mas o facto de atacar assim uma paróquia, de modo preciso, nos dá medo, porque é um dado forte para dizer que o conflito está a tornar-se cada vez mais interreligioso. E isso também nos ajuda a dizer que nós confissões religiosas devemos abrir os olhos para não sermos manipulados pelos políticos, porque basta pouco para cair nessa armadilha! Este povo sempre viveu junto com as várias confissões religiosas, e por isso, não é agora que podemos começar a fazer a guerra. No entanto, devemos estar preparados e atentos para evitar essas armadilhas. Repito novamente, com o que aconteceu, basta pouco para que nasça de novo a vingança nos corações das pessoas ...

Por que esse ataque?

Eu não tenho uma ideia clara sobre as razões, sobre as causas exactas deste ataque. Mas é preciso dizer que esta paróquia - Nossa Senhora de Fátima - está localizada numa área muito próxima de um bairro onde já havia rumores de que alguns dos rebeldes se tivessem infiltrado, e que estariam na área. E então uma paróquia muito periférica é uma área um pouco de fogo, e portanto, basta pouco para ataques deste tipo.

Qual é o papel da Igreja nesta situação e o que fazem as paróquias em Bangui, em particular?

Digamos que desde quando este conflito começou, a Igreja Católica sempre fez muito [??????????????????????????]: a Igreja Católica é a favor da paz ... E, portanto, esta paróquia de Nossa Senhora de Fátima, como todas as paróquias da capital, Bangui, tornou-se um local de acolhimento. Assim, todas as pessoas que já não se sentem seguras encontraram refúgio dentro da igreja: este é o facto grave. E então, esta igreja - como todas as outras paróquias da capital - acolhe tantas pessoas, mas as igrejas não estão protegidas! E aqui eu quero fazer um apelo às instituições internacionais, para abrirem os olhos: uma paróquia em favor da paz que acolhe tantas pessoas e que não é protegida ... não é normal! E assim, entre as vítimas há tantas pessoas – na maioria cristãs [um padre politicamente correto!!!], é claro, mas também todas as outras pessoas – que no seu bairro não encontraram segurança e que se refugiaram no seu interior."


Fonte: http://pt.radiovaticana.va/por/m_articolo.asp?c=803342.
 


Ajude o apostolado do Rev. Pe. Cardozo, adquirindo alguns dos itens do Edições Cristo Rei, encomendando Missas (consulte a espórtula diretamente com o rev. Padre), ou fazendo uma doação aqui:



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terça-feira, 3 de junho de 2014

Histórias de Mártiro: São Sebastião e seus companheiros mártires

20 de janeiro

São Sebastião, Mártir



Dois cristãos diante dos juízes
S. Marcos e S. Marceliano (de verde) e
São Sebastião que os exorta.
by Niccoló Semitecolo
Catedral de São Sebastião - Pádua
O imperador Carino vivia ainda, quando dois irmãos gêmeos, Marcos e Marceliano, foram aprisionados em Roma. Um cristão, criado nos cargos militares, ia frequentemente visitá-los. Era Sebastião, nascido em Narbona, na Gália, mas criado em Milão, de onde era originária a família. A princípio, resolvera não encetar a carreira das armas; o desejo de servir os irmãos nas perseguições que sofriam levara a melhor contra o pendor. Aceitou, portanto, um posto, e fez-se amar dos soldados e de todos. Sob as vestes militares, dedicava-se incessantemente às boas obras do cristão, conservando todo o segredo possível. Por Jesus Cristo não tinha medo de perder nem a vida nem os bens; mas o segredo lhe proporcionava mais meios de animar os cristãos que sucumbiam sob a violência dos tormentos, e de garantir para Deus as almas que o demônio pretendia raptar.

Visitava todos os dias os dois irmãos Marcos e Marceliano, os quais padeceram com constância as vergastadas que os  dilaceravam, e foram condenados a ter decepada a cabeça.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Suicídio e martírio

Nos últimos dias de agosto, como se não bastassem os acontecimentos desse mês que nos pareceu ter trezentos dias, correu entre nós um boato que nos deixou sacudidos entre o gáudio e a tristeza: as irmãzinhas do Père Foucald, que se achavam no sertão de Goiás, vivendo entre os índios o obscuro esplendor da virgindade e da paciência, como Santa Rosa de Lima, teriam sido trucidadas pelos Tapirapés ou por seus ferozes inimigos. A morte horrível das duas moças, cujas irmãs tantas vezes visitamos na casinha do morro de São Carlos, parecia-nos um sinal do céu, uma réplica que o sertão do Brasil dirigia à capital do Brasil, nesse diálogo de violências que nos encheu o mês de agosto, uma réplica de Deus a nos dizer que seu pendão orvalhara a nossa terra com o sangue dos mártires...

Ora, revolvia eu esses pensamentos de tristeza e de júbilo, quando ouvi alguém dizer, com pena das moças, que aquela missão em Goiás era um suicídio. Lembrei-me que dias atrás ouvira dizer, de um homem que se matou, que era um mártir. E quedei-me a pensar que a desordem política e econômica que nos infelicitara era ainda maior do que supunha, a julgar por essa desordem do vocabulário. Admito que aproximem o suicídio do martírio. Há realmente entre os dois casos um ponto de contato: ambos evidenciam certo desdém pela vida. Mas esse ponto de contato marca oposição e não semelhança: suicídio e martírio opõem-se com dois ângulos de vértice comum. “Obviously a suicide is the opposite of a martyr”, diz Chesterton. E acrescenta: “O mártir é um homem que de tal modo cuida de uma coisa exterior que chega a esquecer-se de cuidar da própria vida. O suicida é um homem que de tal modo despreza todas as coisas que deseja exterminá-las”. E ainda: “O suicídio não é só um pecado, é o pecado. É o definitivo e absoluto mal, a recusa total de interesse pela existência, a recusa de cumprir o pacto de lealdade com a vida. O homem que mata um homem mata um homem. O homem que se mata, mata todos os homens. De certo modo, e na medida que está ao seu alcance. Ele passa uma esponja em todo o universo. Seu ato (considerado simbolicamente) é pior que o estupro e a destruição por dinamite, porque destrói todos os edifícios e insulta todas as mulheres. O gatuno tem grande interesse por pedras preciosas. O suicida não: e este é o seu crime. Ele não se deixa tentar, nem pelas coruscantes pedrarias da Cidade dos Céus. O gatuno homenageia as coisas que rouba, embora seja descortês com o seu dono; o suicida, ao contrário, injuria as coisas, uma por uma, até por não querer roubá-las. Profana as flores dos bosques com a recusa de viver, ao menos por amor delas. E assim, não há em todo universo uma criatura, ínfima que seja, para a qual a morte do suicida não soa como um escárnio. Quando um homem se enforca numa árvore, as folhas deveriam cair em sinal de reprovação, e as aves deveriam abandonar seus ninhos em sinal de indignado protesto, porque cada folha e cada pássaro sofreu uma afronta pessoal”.

Há coisas terrivelmente desiguais que se assemelham que tem um ponto em comum. O fariseu se assemelha ao piedoso. O impostor que distribui copos de leite em vésperas de eleição tem um ponto comum com o caridoso que visita os pobres. Assim também o suicida e o mártir. Encontram-se, mas o ponto de encontro é um cruzamento, um sinal de contradição. E o cristianismo que trouxe um novo gume para separar o bem do mal nas suas mais terríveis aderências, marcou sempre com ênfase, com exagero que toma às vezes formas espetaculares e chocantes, o abismo que separa o dócil testemunho cristão do insolente pagão. O mártir, o verdadeiro mártir, não dá seu sangue por achar que a vida não vale a pena ser vivida, não se entrega ao carrasco por desgosto ou por enfado. Perpétua e Felicidade são moças cheias de vida e de alegria. Gostam de flores e de frutos. Cantam e riem. Perpétua tem um filhinho recém-nascido; é moça; é rica. Mas não pode fazer o que dela exige o tribunal pagão: não pode renegar seu grande amor, seu Senhor e seu Deus. Não pode pronunciar uma palavra de negação e fazer um gesto de idolatria. Ela é testemunha de Cristo. Sê-lo-á até o sangue, com um gesto que faça ou palavra que diga os juízes mandam-na embora com prazer. Mas Perpétua, amando a vida, não pode renegar o Autor da vida. Se cobram tão alto preço por seu testemunho ela o pagará, aproximando-se mais d’Aquele que por ela pagou preço ainda mais alto. Dará ao Pai do céu seu rubro sangue, como ao filhinho da terra deu seu níveo leite — com alegria e com amor.

Na verdade, o mártir não despreza a vida. Ao contrário, valoriza-se de tal modo que a torna digna de ser oferecida a um Deus. Martírio é oblação, oferecimento, dádiva; suicídio é subtração e recusa. O mártir é testemunha de Cristo; o suicida será testemunha de Judas.

No sentido estrito, martírio é testemunho de fé com preço de vida. Não constitui vocação universal, a não ser que se alargue a significação do termo, conforme a passagem do Evangelho onde o Senhor nos diz: “sereis minhas testemunhas”, que em grego equivale a dizer: sereis meus mártires. A via normal de santificação é uma valorização sobrenatural de todos os atos da vida, e, por conseguinte, uma supervalorização das pequenas coisas quotidianas. O martírio será uma especial e extraordinária condensação, uma espécie de resumo densíssimo, que Deus exige de alguns que Ele mesmo designa. Por causa da singularidade dessa vocação, e para bem marcar sua procedência sobrenatural a tradição cristã que sempre teve horror ao suicídio, manifestou repetidamente sua aversão à temeridade e à imprudência. Cipriano que mais tarde terá glorioso martírio respondendo à acusação que lhe fizeram de fugir à perseguição, ensina que o autêntico testemunho de sangue é um dom de Deus. Adverte contra o que também Tertuliano chamava a “jactatio martyrii” e escreve que “a disciplina proíbe entregar-se por si mesmo” (Ep. LXXXIII, 2).

São Gregório Nazianzeno (Or. XLIII in laudem Basilii) ensina também que o cristão não deve expor-se à perseguição tanto para poupar um crime aos infiéis como por considerar sua própria fraqueza. Na mesma linha se encontra a advertência contida na Carta Circular à Igreja de Smirna onde Santo Irineu conta o martírio de São Policarpo (A Ordem, Outubro de 1941). Depois de louvar Germânico, diz assim a epistola: “Um apenas, chamado Quinto, que era frígio e recentemente chegado da Frigia ao ver as feras acovardou-se. Este, justamente, tinha desafiado espontaneamente o poder público e incitado outros a fazerem o mesmo. E, não resistindo às instâncias repetidas do procônsul, fez juramento e ofereceu sacrifício aos ídolos. Eis porque, irmãos, não louvamos aqueles que se entregam espontaneamente, de mais a mais, não é isso que ensina o Evangelho (cf. Mat. 10-23; Jo. 8-59; 10-39).

Por esses exemplos, que poderíamos multiplicar, vê-se bem o cuidado que a tradição católica teve nos dias mais difíceis para esclarecer uma nítida diferenciação entre o manso e humilde mártir e o voluntarioso ou fanático que, por si mesmo, ou até por virtude natural, corre ao encontro do perigo. Por mais forte razão evidencia-se o abismo que separa o suicida do mártir.

Há exemplos de temeridade e de aparente suicídio, como o de Sansão que morre com seus inimigos; e até exemplos de virgens mártires que preferiram a morte à perda da virgindade, como Santa Pelágia e Santa Sofrônia. Julgada boa a intenção dessas virgens, nem por isso a tradição católica reprova com menos insistência a temeridade. Santo Agostinho, no Livro I da Cidade de Deus, tece longos comentários em torno do suicídio, e entre outros escolhe o exemplo da pobre dama Lucrécia da antiga Roma. Profanada no corpo pela luxúria do filho de Tarquínio, ela revelou o fato a seu marido Colatino e a seu parente Brutus, exigindo deles um julgamento de vingança. Mas não esperou a punição do criminoso e matou-se. Aos que exaltavam a virtude de Lucrécia, Santo Agostinho responde dizendo que a casta e inocente Lucrécia foi assassinada. “Que castigo vossa severa justiça reserva então para o assassino? Mas esse assassino é Lucrécia, essa tão enaltecida Lucrécia; foi ela que derramou o sangue inocente da virtuosa e casta Lucrécia.

Na Cristandade medieval o horror ao suicídio toma formas que podemos julgar brutais, mas que revelam o grau de aversão por essa prática tão afastada da moral cristã. A memória do suicida era proposta à execração e o seu cadáver era arrastado pelas ruas e depois pendurado pelos pés. Na Inglaterra o suicídio era considerado uma felonia. O cadáver era deixado sem sepultura “at the cross-roads and a stake driven through the body”. Os bens do suicida eram confiscados em proveito da Coroa. Na França, conforme as leis de Luís XI de 1270, art. 88, deviam também ser confiscados os bens do suicida: “Si il avenait que aulcun hons se pendist, ou noiast, ou s´occist em alcune manière, si müeble seraient au baron et aussi de la fame”. O artigo 586 do antigo costume bretão diz que “si aulcun se tue à son escient, Il doit être pendu et trainé comme meurtrier”.

Eram sem dúvida brutais os legisladores da Idade Média, mas essa brutalidade serve para mostrar o horror que uma civilização cristã tem pela insolência de quem usurpa um direito de Deus. Convém notar, entretanto, que a moral cristã, embora sem aquelas violentas manifestações exteriores, guarda a mesma proporção que tinha na Idade Média. O suicídio é apontado como um dos mais graves pecados que um homem pode cometer. Esse juízo, evidentemente, versa sobre o dado objetivo e exterior deste. O julgamento em última instância que supõe o conhecimento das disposições interiores pertence a Deus. Pode acontecer que o suicida se arrependa no seu último instante, como foi revelado num caso especial ao Cura d’Ars. Pode ser, e esse deve ser o caso mais frequente: que o suicida seja um louco, um doente, e portanto, um irresponsável. Essa é a hipótese mais favorável a tamanho desatino, e o melhor que se pode dizer de um suicida, nessa suposição é que morreu de doença como morreria de um infarto. Glória nunca há em se matar. Ou fica nulo o ato, sem nenhum teor moral, ou fica terrivelmente negativo, o mais negativo dos atos humanos.

*

O boato da morte das petites soeurs foi desmentido. Elas estão vivas e continuam o incruento testemunho entre os bons e caluniados Tapirapés. Dispostas, sem dúvida, a imitar o Cristo na cruz, elas continuam a imitá-lo obscuramente na Sua vida escondida em Nazaré.

Gustavo Corção – Diário de Notícias, 12 de setembro de 1954.



Visto em: http://permanencia.org.br/drupal/node/1088.
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Quer ouvir como canta um mártir? Assista a este vídeo de seis minutinhos!

Eu já tinha lido esta notícia, à época, e penso que tenha encaminhado aos meus contatos por causa do alto grau de heroísmo deste sacerdote em defesa da vida humana desde a concepção. Hoje, recebi de novo o mesmo vídeo - em inglês, legendado em espanhol, com a triste notícia de seu falecimento, a 16 de maio de 2012. Preciso prestar esta homenagem e divulgar esta história, não para glória dele - que já provou que não precisa - mas para a glória de Deus e o bem das almas. A luta contra o aborto é a luta contra Satanás. 

Que Deus tenha acolhido este bravo sacerdote entre os Seus. 

Giulia.


O Padre NORMAN WESLIN foi preso em por defender a vida



foi preso em 2009 por ordem da Universidade Notre Dame, dirigida pela Congregação dos Padres Oblatos da Santa Cruz, quando DEFENDIA A VIDA com um grupo de 88 pessoas,
e foi preso duas vezes nessa universidade, em dias seguidos!

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

JOVEM SÍRIO É DECAPITADO E TEM A CRUZ CRAVADA NO CORAÇÃO

Militantes islamistas mataram e decapitaram um jovem cristão, ferindo gravemente outro. O episódio, que ocorreu no último dia 8 de janeiro, foi informado à Fides somente agora por um padre da diocese de Homs.

Os dois homens, Firas Nader (29 anos) e Fadi Matanius Mattah (34 anos), iam de carro de Homs ao vilarejo cristão de Marmatira, quando um grupo de cinco jihadistas armados interceptou o veículo e abriu fogo. Uma vez chegando ao carro, os milicianos, constatando que o mais velho portava uma cruz no pescoço, o decapitaram, cravando a cruz em seu coração. Em seguida eles se apoderaram do dinheiro e dos documentos, deixando o mais jovem jogado no chão, ferido, crendo que ele estava morto. Esse último, testemunha ocular da cena, conseguiu em seguida se colocar a salvo, chegando a pé à pequena cidade de Almshtaeih, antes de ser levado para o hospital de Tartus.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Martírio atual

"Rezemos, façamos penitências, jejuns, nos ofereçamos em sacrifício pelos nossos irmãos perseguidos no Egito!" (do G+)

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sexta-feira, 15 de março de 2013

PE. PINAUD: A ERUPÇÃO DA MONTANHA PELADA

Publicamos um escrito do Pe. Nicolas Pinaud, sobre a erupção do vulcão do Monte Pelée, na Martinica, um departamento ultramarino insular francês no Caribe. A antiga capital, São Pedro (Saint-Pierre), ficou mundialmente famosa após a grande erupção vulcânica de 1902, no Monte Pelée, e que causou entre 30.000 e 40.000 mortos. A expulsão de cinzas vulcânicas com temperaturas de cerca de 300ºC, seguidas das correntes de lava atingindo uma temperatura de 1000ºC, cobriram e destruíram a cidade de São Pedro, ao longo de 20km, num período de 3 minutos. Para se ter uma ideia da força deste vulcão é de salientar que conseguiu expelir pedras do tamanho de uma casa. 

Historicamente, a primeira erupção vulcânica registrada na montanha Pelée ocorreu por volta do ano 300 e provocou a interrupção do povoamento pré-colombiano da Martinica. O evento de 1902 foi um marco nos estudos vulcânicos. Tratava-se de um novo tipo de erupção, designada desde então como "peleana". 

Houve dois sobreviventes - Louis-Auguste Cyparis, um prisioneiro que se encontrava em uma cela solitária, cujas paredes espessas funcionaram como uma proteção, e Léon Compère-Léandre, um sapateiro que vivia na periferia da cidade. Outras fontes citam também uma menina, Havivra Da Ifrile. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

CURTA: Com uma mão tomo chá e com a outra mato...

NOTÍCIAS DO MUNDO

(se DICI pode, porque o Pale Ideas não?)

Um grupo de católicos ativistas de direitos humanos poderia ser sentenciado à pena de morte. Em 6 de janeiro, seus membros irão a julgamento por subversão, acusados de exporem na Internet a corrupção no partido comunista e no governo (Cf. aqui).

Enquanto isso, BXVI recebe o Secretário Geral do Partido Comunista Vietnamita, em "clima de cordialidade", como enfatizado pela nota oficial vaticana (Cf. aqui).

Bom, em primeiro lugar, quando li a notícia, imaginei que se tratasse de mais mártires gloriosos pela causa da Fé. Mas ativista dos direitos humanos não pode ser católico, então há algo de errado nisso. Talvez, conjectura minha, quando a coisa apertou, o grupo de jovens se lembrou de ser católico... e apelou para isso.

De qualquer maneira, além desse grupo parece que há mais pessoas correndo esse risco, ativistas ou não. E Bento XVI toma chá com o representante da mão que vai executá-los? Francamente, eu não compreendo como isso seja possível.



sábado, 11 de agosto de 2012

A HISTÓRIA DE SANTA FILOMENA

Pintura de Santa Filomena
solicitada por São João Maria Vianney,
*santuário de Ars, França.
São João Maria Vianney relatava que a representação era conforme a aparência exata de Santa Filomena, que também apareceu ao sacerdote. O Santo Cura d’Ars, patrono de todos os párocos, foi grande devoto e amigo da santa.

Em 1843, agonizante já desacreditado pelos médicos, curou-se por intercessão da pequena santinha, como carinhosamente a chamava. A seus pés, os instrumentos de seu suplício.

Três pessoas, desconhecidas entre si e vivendo em três lugares distintos na Itália, tiveram o que parecia ser uma revelação privada feita a eles sobre a vida de Santa Filomena. Comparados, quando vieram a ser conhecidos, estes três relatos se confirmaram idênticos, a menos em diferentes níveis de detalhes. O mais famoso e circunstanciado dos três relatos é aquele feito pela irmã Maria Luísa de Jesus, fundadora das oblatas de Nossa Senhora das Dores, e que na época da revelação pertencia à ordem terceira dominicana.

No dia 3 de agosto de 1833, esta irmã estava rezando depois de receber a comunhão, diante de uma pequena estátua que representava Santa Filomena, quando sentiu um grande desejo de saber o dia exato do martírio da santa. Isto porque, afinal de contas, 10 de agosto era apenas o dia em que as relíquias de Filomena chegaram à cidade de Mugnano.

Se por um lado este era um grande dia para a cidade, não era porém tão interessante àqueles que viviam fora de Mugnano. Este pensamento sempre lhe ocorria, mas naquele momento o desejo preenchia completamente o seu coração.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

A ONU na Nigéria

Da Itália, uma iniciativa para tentar parar os ataques islâmicos a igrejas e fieis cristãos na Nigéria. Mesmo se tratando de um pedido movido, aparentemente, por questões meramente humanitárias, como o direito à crença de livre escolha tanto ufanado, não deixa de chamar a nossa atenção e de levar-nos a indagar onde está o Brasil nisso tudo... Um Governo que alardeia a defesa combativa dos direitos do homem se cala diante da morte silenciosa e quase despercebida de milhares de seres humanos. Os novos mártires, os mártires da atualidade. Talvez se se tratasse de petróleo... Se já não lhes interessa obedecer à Lei de Deus, que obedeçam e defendam as leis que fizeram para si: o direito de rezar é um direito básico, como se alimentar, se agasalhar e estudar. Não queriam a liberdade religiosa? Que a defendam agora!Ou só vale para os não-cristãos?
Os signatários da moção são políticos italiano ligados ao Partido Il Popolo della Libertà, de Silvio Berlusconi; coloquei entre parênteses informações acerca de cada um deles. 


EPPUR SI MUOVE...


Três pequenas mulheres, Eugenia Roccella, Souad Sbai, Fiamma Nirenstein, decidiram não virar a o rosto para o outro lado, de romper o silêncio do Ocidente diante da chacina de cristãos na África. São as primeiras signatárias de uma moção apresentada sexta-feira à Câmara para que o Governo Italiano tome parte ativa junto à ONU para que forças de interposição sejam enviadas à Nigéria, para proteger as Igrejas cirstãs e seus fieis. Eis o texto:

A Câmara, tendo-se como premissa que: a matança de homens, mulheres e crianças em oração, por parte de fundamentalistas islâmicos, repugna à consciência de cada pessoa de boa vontade e constitui a mais elementar e evidente violação de cada direito do homem: "todo indivíduo tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; tal direito inclui a liberdade de mudar religião ou credo, e a liberdade de manifestar, isoladamente ou em comum, e seja em público que em privado, a própria religião ou o próprio credo no ensino, nas práticas, no culto e na observância dos ritos"; nenhum País que se diga civil pode permanecer indiferente ao massacre de inocentes, que se tornaram alvos de assassinos organizados apenas porque pertencentes a um credo religioso. Não obstante isso, nos últimos tempos temos assistido, impotentes, à matança sistemática de cristãos nigerianos, vítimas de ataques visando sobretudo as igrejas onde pessoas desarmadas vão rezar, e que, então, todo domingo se tornam alvo fácil de um terrorismo feroz e implacável; segundo o Osservatorio della Libertà Religiosa, os mortos em 2012 são mais de 600 [só na Nigéria], e aqueles mortos nos últimos 10 anos ultrapassam os 10.000: é necessário, mais do que tudo, reconhecer que o massacre dos cristãos em ação é uma grande emergência humanitária que deve ser enfrentada com instrumentos adequados; a impunidade com que os terroristas parecem atuar também confirma a sua força e poder aos olhos do mundo, e se corre o risco de suscitar iniciativas análogas por parte de outros grupos organizados, levando o massacre a outros territórios onde opera o terrorismo islâmico, em nome do ódio para com os cristãos e o Ocidente, identificado com a civilização judaico-cristã; deve-se por um fim a estas ações terroristas, pelo bem não somente da Nigéria, mas da inteira comunidade humana, que é sempre ameaçada em sua totalidade mesmo quando apenas uma parte dela seja diretamente atingida, com formas de violência como aquelas a que assistimos de forma constante em Nigéria; é necessário que à violência se responda com iniciativas concretas e eficazes, que parem as mãos assassinas, e sejam dissuasivas para quem quer alimente a intenção de acompanhar e apoiar os terroristas; servem iniciativas de solidariedade internacional em apoio ao Governo nigeriano, desde a cooperação bilateral até a uma possível intervenção dos boinas azuis. Nunca uma missão poderia ser mais humanitária do que esta: tropas de paz para rezar em paz, demonstrando que o primeiro interesse das nações é a defesa da liberdade de consciência, de pensamento, e de culto. Empenha o Governo Italiano: - a tornar-se ativo junto à ONU, para que forças de interposição sejam enviadas à Nigeria, em coordenação com o Governo nigeriano, para a proteção das Igrejas cristãs e os fieis; - de fato as condenações internacionais expressas pela Europa, EUA e outros países não surtiram efeitos, permanecendo letra morta. Somente uma mobilização internacional determinada a defender fisicamente as vítimas da perseguição contém as premissas para obter algum resultado concreto. 
Primeiras signatárias: Eugenia Roccella [1953 - jornalista e política italiana], Souad Sbai [1961 - jornalista e política italiana de origem marroquina], Fiamma Nirenstein [1945 - jornalista, escritora e política italiana]. Também subscreveram a moção: Isabella Bertolini [1963 - política italiana], Mara Carfagna [1975 - artista e política italiana], Manlio Contento [1958 - advogado e político italiano], Sabrina De Camillis [1969 - política italiana], Maurizio Del Tenno [1973 - político e empreendedor italiano], Domenico Di Virgilio [1939 - médico e político italiano], Maurizio Leo [1955 - advogado, editor de jornal e político italiano], Ugo Lisi [1967 - advogado e político italiano], Beatrice Lorenzin [1971 - política italiana], Alfredo Mantovano [1958 - político e magistrado italiano], Giorgia Meloni [1977- jornalista e política italiana], Alessandro Saro Alfonso Pagano [ecônomo e político italiano], Antonio Palmieri [1961 - filósofo e político italiano], Giuseppe Palumbo[1940 - médico, professor e político italiano], Fabio Rampelli [1964 - arquiteto e político italiano], Maurizio Scelli [1961 - advogado e político italiano], Gabriele Toccafondi [1972 - político italiano].

Fonte: http://lomosalvatico.wordpress.com/2012/07/14/eppur-si-muove/
Tradução: Giulia d'Amore


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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Santa Filomena di Roma - Martire (em italiano)

Santa Filomena di Roma - Martire 


11 agosto

Patronato: S. Severino, Marche
Etimologia: Filomena = figlia della luce
Emblema: Palma

 

http://sacragaleria.blogspot.com/2014/11/santa-filomena.html
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E’ una delle sante più controverse dell’agiografia cristiana. Si parte dalla scoperta di tre tegole di terracotta con su dipinta la scritta "Pax tecum Filomena", trovate nel cimitero di Priscilla, che ricoprivano i suoi resti mortali affiancati da un’ampolla cimiteriale; e si prosegue con una "Rivelazione" scritta da suor Maria Luisa di Gesù, terziaria domenicana di Napoli (1799-1875) la quale chiese alla santa di rivelare la sua storia e martirio durante le sue visioni. Questa "rivelazione" ebbe l’approvazione della Chiesa (S. Uffizio, 21 dicembre 1833). Secondo questa, Filomena era figlia di un re della Grecia che insieme alla moglie si era convertito al cristianesimo, nacque il 10 gennaio e verso i 13 anni consacrò con voto la sua castità verginale.

In quel periodo l’imperatore Diocleziano dichiarò guerra a suo padre ingiustamente, il quale si portò a Roma con la sua famiglia per trattare una pace. Qui subentra la parte più, diciamo, fantasiosa della "rivelazione".

L’imperatore se ne innamora e al suo rifiuto la sottopone ad una serie di tormenti: flagellazione con guarigione angelica, annegamento con rottura dell’ancora, saettamento con deviazione delle frecce e infine decapitazione finale alle tre del pomeriggio. Due ancore, tre frecce, una palma e un fiore sono simboli che erano raffigurati sulle tegole del cimitero di Priscilla e furono interpretati come simboli del martirio.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Cristeros - a perseguição que a mídia esconde

GUERRA CRISTERA - a perseguição aos Cristãos no Mexico, de 1926 a 1929. 


A guerra dos Cristeros


“No dia 31 de Julho de 1926, alguns homens fizeram com que Nosso Senhor se ausentasse de seus templos, de seus altares, dos lugares dos católicos, mas outros homens fizeram com que voltasse; estes homens não viram que o governo tinha muitos soldados, muito armamento e muito dinheiro para fazer-lhes a guerra; isto eles não viram, o que viram foi defender seu Deus, sua Religião, sua Mãe, que é a Santa Igreja, isto é o que eles viram. A estes homens não importou deixar suas casas, seus pais, seus filhos, suas esposas e tudo o que possuíam; foram aos campos de batalha procurar Deus Nosso Senhor. Os rios, as montanhas, os montes, as colinas são as testemunhas de que aqueles homens falaram a Deus Nosso Senhor com o Santo Nome de Viva Cristo Rei, Viva a Santíssima Virgem de Guadalupe, Viva o México. Os mesmos lugares são o testemunho de que aqueles homens regaram o solo com seu sangue e, não contentes com isto, deram mesmo suas vidas para que Deus Nosso Senhor voltasse. E vendo Deus Nosso Senhor que aqueles homens realmente o procuravam, se dignou vir outra vez a seus templos, a seus altares, aos lugares dos católicos como estamos vendo agora, e recomendou aos jovens de hoje que, se no futuro aparecer novamente o problema, não se esqueçam do exemplo que nos deixaram nossos antepassados” (carta de Francisco Campos, Santiago Bayacora, Durango). 

Capítulo 1

A Premeditação — 31 de julho a 31 de dezembro de 1926 

31 de Julho; Último Dia de Cultos.

“Desde o dia em que o Episcopado anunciou sua decisão de suspender o culto público, começou a aparecer gente para colocar em ordem suas consciências, apesar de ser tempo de cultivo na lavoura. Cada dia que passava, aumentava a aglomeração de gente nas povoações, de todos os ranchos vizinhos acudia gente, em todos os semblantes se via a inquietação, em todos os olhos se via a tristeza, e das bocas só saía a pergunta: A que se deve isto? Por que fecham as igrejas, o que está acontecendo? E só se respondia: Quem sabe? Eu não sei. Em uma paróquia havia três sacerdotes, mas foram insuficientes para confessar tanta gente, não tinham tempo nem descanso para tomar seus alimentos, passavam os dias desde muito cedo até altas horas de noite sentados nos confessionários, mas não lhes foi possível confessar aquela multidão. Os dias e as horas transcorriam e passavam e se dissipavam. E a gente cabisbaixa e pensativa, que não acatava e não aceitava, decidia (sic) que não estava de acordo com aquela lei dada a conhecer e executada tão de repente; havia caído como um raio em todos os corações e em todas as mentes... Mas não havia remédio, tinham de obedecer. Mas não era somente isto: a lei arbitrária ditada por Plutarco Elías Calles não terminava com fechar os templos, mas que Deus tinha de sair dali, apesar de Ele ter dito: ‘Estarei convosco até a consumação dos séculos’. Esta promessa tinha de ser quebrada, Ele tinha de ir para as matas, Ele tinha de abandonar sua casa, assim como Ele um dia expulsou os mercadores do templo dizendo-lhes: ‘Minha casa é casa de oração’, mas um dia teve de deixá-la e fugir como um criminoso porque Calles o havia ordenado. Fechou-se o templo, o sacrário ficou deserto, ficou vazio, Deus já não está aí, foi-se para ser hóspede de quem queria dar-lhe pousada mesmo temendo ser prejudicado pelo governo; já não se ouvia o badalar dos sinos que chamam o pecador para que vá fazer sua oração. Só nos restava um consolo: que a porta do templo estava aberta e os fiéis, de tarde, iam rezar o Rosário e chorar suas culpas. O povo estava de luto, acabara-se a alegria, já não havia bem-estar nem tranqüilidade, o coração se sentia oprimido, e para completar tudo isso o governo proibiu reunião na rua como acontece se uma pessoa fica de pé diante de outra, pois isto era um delito grave” 1.

“Neste dia haveria missa solene às 12 horas da noite, e, desde que terminou o exercício vespertino, a nave do templo era materialmente insuficiente para a imensa multidão de fiéis. As visitas de joelhos, desde a porta até o altar, sucediam-se. Ninguém queria ver chegado aquele momento tão doloroso, mas Deus permitiu que assim fosse. Às 11:30h, os sinos com um alegre repicar, ou então com lúgubre canto, chamam para a missa. A Adoração Noturna, as associações piedosas e os agrupamentos católico-sociais, com seus contingentes e respectivas bandeiras, fizeram ato de presença com todos os fiéis. Às 12 em ponto foi feita a Exposição do Santíssimo, e, na seqüência, começou a Santa Missa. Depois do Evangelho, nosso querido Pe. González ocupou o púlpito... Logo que ele apareceu na tribuna, começou o pranto de todo o povo reunido aos pés de Jesus Hóstia. As palavras do padre, também cheias de dor, eram interrompidas... A missa continuou, e nela houve comunhão geral, e, terminado o Santo Sacrifício, nos foi dada a bênção com o Ostensório... Finalmente, o padre, sem os paramentos, ajoelhou-se ao pé do altar, com os olhos fixos na imagem do senhor das Misericórdias, despediu-se d’Ele e saiu misturado com os fiéis; Cristo e seu Ministro tinham ido embora.” 2  

"Mas naquele dia já não havia alegria, já não havia tranqüilidade, sentia-se algo estranho, todos os ânimos exaltados, exclamações de dor. Valha-nos Deus! Que nos irá acontecer? Certamente é o fim do mundo, diziam outros, e também outros diziam que são nossos pecados, que é isto e nada mais, e por todas as ruas se viam como multidões quando se pressente que vai chover. Muita surpresa causava ver pessoas que viviam afastadas dos sacramentos procurar o confessor para receber o perdão de seus pecados, outros, que viviam amasiados, pedindo que fossem unidos pelo matrimônio como Deus manda, e grande quantidade de batismos. Por fim foi rezado o rosário com grande fervor, com um eloqüente sermão, e depois o Santo Sacrifício da missa, pois era meia-noite, nem a igreja se fechou porque tantos fiéis acudiam aos sacramentos... não houve quem dormisse nessa inesquecível noite, comentando o futuro... Terminada a missa foi dada como despedida a bênção com o Santíssimo Sacramento, ficando tudo escuro. Meu Deus! Como descrever esta tremenda hora? Meus nervos se crispam, minha mão treme ao descrever o que se via e o que se ouvia. Acabava de se retirar o pai, e seus filhos... ficamos órfãos... Ficou aquele santo lugar como um mar de lágrimas; no meio das trevas saía a gente... repercutindo nas abóbadas todos os ais de dor que saíam de todas as bocas... ao sair em meio de tanta confusão tinham medo, porque gente em todos os lados gritava ‘o diabo, o diabo’...” 3  
      

24 de Julho de 1926: O Episcopado mal havia decretado a suspensão 
do culto público em todo o México. Esta medida, inaudita na história da
Igreja Universal, serviu para dar impulso à reação de 31 de Julho.  De 24
a 31 de Julho, dia e noite, filas enormes formavam-se nas portas das igrejas,
como na foto acima, tirada em frente da Catedral do México. Centenas de 
milhares de confissões, milhares de batismos e casamentos foram aqui 
administrados. Nestes dias de confusão, suplicavam os fiéis pela benção
de Jesus Sacramentado.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Martirio silencioso de Bagdá

Carta de duas Pequenas Irmãs de Bagdá

Eu encontrei no Blog do Marco Tosatti esta carta impressionante de Bagdá escrita por duas Pequenas Irmãs (ordem religiosa), testemunhas oculares do efeito do massacre islâmico perpetrado contra a comunidade sírio-católica (aqui a notícia de 31 de outubro pela agência AsiaNews). Parece-nos mesmo ler os documentos do segundo ou terceiro século da era cristã, que testemunham para nós o martírio dos primeiros cristãos. 

Essa carta, na sua clareza terrível, não pode não nos comover e deveria incentivar o Santo Padre, uma vez verificados os fatos, a declarar, logo, mártires da Fé e santos da Igreja católica estes irmãos siríacos que mesclaram seu sangue com aquele do sacrifício redentor que estavam celebrando.
Leiam e rezem:

Caros irmãos e irmãs em qualquer lugar,

Queremos começar esta carta agradecendo a todos por todas as mensagens de comunhão e de solidariedade que temos recebido. Há muitos desastres naturais neste momento no mundo que fazem muito mais vítimas do que aqui, mas a causa não é o ódio, e isso faz toda a diferença. Nossa igreja está habituada a golpes duros, mas é a primeira vez que recebeu um tão violento e selvagem, e, mais importante, é a primeira vez que isso acontece no interior de uma igreja, geralmente eles explodem bombas nos pátios das igrejas. A igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é uma das três Igrejas sírio-católicas em Bagdá, a maioria daqueles que a frequentam são cristãos de rito siríaco original de Mossul ou de três aldeias siríaco-cristãs próximas de Mossul: Qaragosh de onde se originam as nossas irmãs Virgin Hanan e Rajah Nour; Bartolla e Bashiqa de onde vem Mariam Farah. Graças a Deus, nenhuma delas teve familiares mortos ou feridos gravemente.

A igreja foi tomada de assalto domingo dia 31 de outubro, após o meio dia, logo após a homilia do Padre Tha'er que celebrava a Missa. Padre Wasim, quem é filho de uma prima da irmã Lamia, confessava no fundo da igreja; padre Rafael estava no coro. Os agressores eram pessoas muito jovens (14-15 anos), sem máscaras, armados com metralhadoras e granadas e usando um cinturão de explosivos. Eles imediatamente abriram fogo, matando Padre Wasim que estava tentando fechar a porta da igreja, em seguida começaram a atirar a esmo, depois de ordenar as pessoas para se jogarem no chão, não se mover e não gritar. Alguns foram capazes de enviar mensagens com o telefone, mas depois os assaltantes estavam atirando em todos que viam usando o celular. Padre Tha'er, que continuava a celebrar, foi morto no altar, em suas vestimentas, seu irmão e sua mãe também foram mortos. Após aconteceu o massacre, não podemos contar tudo o que as pessoas nos disseram, até mesmo as crianças que choravam foram mortas. Algumas pessoas se refugiaram na sacristia e colocaram barricadas na porta, mas os atacantes subiram no telhado da igreja e lançaram granadas pelas janelas da sacristia, que estão no alto.

Tudo isso sugere que foi um ataque bem elaborado, e que tiveram ajuda de fora; como eles podiam forçar a barreira da polícia (na estrada que vai à igreja) e conhecer o caminho para chegar ao terraço, etc.? Eles metralharam também o equipamento de ar condicionado para que o gás, saindo, sufocasse aqueles que estavam perto. Eles metralharam a cruz, rindo e dizendo às pessoas: "Diga a Ele para salvar vocês". Então lançaram o apelo à oração: "Allau akbar, la ilah illa allahu…", e, finalmente, quando o exército estava prestes a entrar, se explodiram. O exército e a ajuda demoraram cerca de duas horas para chegar, assim como os americanos que sobrevoam de helicóptero, mas o exército não é treinado para lidar com estas situações, e não sabiam o que fazer. Porque levaram tanto tempo para chegar? Tudo estava acabado por volta das 10h30 - 11h da noite, durou muito e achamos que muitas pessoas morreram devido à perda de sangue e ferimentos. Após, os feridos foram levados a diferentes hospitais e os mortos ao necrotério.

As pessoas começaram a chegar para saber o que tinha acontecido e obter notícias de parentes, mas o acesso à igreja era proibido e as pessoas começaram a andar de hospital em hospital em busca de seus entes queridos. Temos visto pessoas que foram à procura de alguém até 4 horas da manhã para finalmente encontrar no necrotério. No dia seguinte, houve as exéquias na igreja caldeia próxima, a igreja estava cheia, era impressionante, havia quinze caixões alinhados no coro, as outras vítimas foram enterradas em seus povoados ou separadamente, conforme o caso. Havia representantes de todas as comunidades cristãs, do Governo, o nosso Patriarca falou, assim como o porta-voz do governo e um religioso, chefe de um partido islâmico, Moammar el Hakim. A oração foi realizada com grande dignidade e sem manifestações ruidosas. Padre Saad, responsável por essa igreja, ajudou as pessoas a rezar conforme chegavam, antes da cerimônia começar. Os dois jovens sacerdotes foram enterrados em sua igreja devastada. Há um cemitério sob a igreja, e antes de enterrá-los passaram os caixões pela igreja para que pudéssemos dizer-lhes adeus.

No início não sabíamos nada das vítimas, não conhecíamos ninguém diretamente, exceto Padre Raphael, um padre idoso; nós fomos ao hospital para visitá-lo e visitar os feridos que estavam lá. Eram as famílias que nos acompanharam de sala em sala, bem como as pessoas dos hospital que nos apontavam os feridos. Por acaso eram todos mulheres ou meninas, com ferimentos a bala, não era como uma explosão em que pode acontecer de perder um braço ou uma perna. Ficamos do lado delas, sem falar muito, eram elas que falavam ou suas famílias, cada uma revivia sua historia e a contava. Desde o começo do ataque que houve no domingo, na missa, membros de uma mesma família foram feridos ou mortos, alguns para proteger seus filhos. Impressionou-nos muito a calma e a fé deles enquanto contavam os eventos, nós sentíamos que eram pessoas que tinham vindo de outro mundo e que naquele momento lá (do ataque) nada importava mais do que o encontro bem próximo com o Senhor, não pensavam em nada mais, apenas rezavam, e isso durou cinco horas.

Na sexta-feira após o almoço, os jovens de muitas paróquias vieram para ajudar a varrer os restos e limpar um pouco, e, no domingo seguinte, 7 de novembro, todos os sacerdotes siríacos e caldeus de Bagdá que estavam disponíveis celebraram a Missa na igreja vazia e devastada sobre um altar improvisado; havia poucas pessoas, porque esta Missa não fora anunciada. Nós não fomos porque não sabíamos. Foi muito comovente. Houve um assombro de fé e de determinação, especialmente nos sacerdotes que restam em Bagdá e que dizem: querem nos caçar e exterminar, mas nós estamos aqui e aqui permaneceremos, depois de 14 séculos vocês não pode acabar com a gente. A história dos cristãos no Iraque é uma longa história de perseguição, de martírios, de cristãos expulsos e mandados embora. Pense na frase do Salmo 69: "Mais numerosos que os cabelos da cabeça são aqueles que me odeiam sem causa" e nós pensamos especialmente de Jesus, odiado sem razão alguma, enquanto passava e fazia o bem. Finalizamos esta carta com o grito de uma criança de três anos que viu matarem o pai e gritava: "chega, chega" antes de ser morto também. Sim, verdadeiramente com o nosso povo clamamos: basta.

Vossa irmãzinhas de Bagdá, Alice e Martina.

Fonte: Cantuale Antonianum
Tradução: Giulia d'Amore di Ugento

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