Seja-te a cruz um gozo, mesmo em tempo de perseguição
Toda ação de Cristo é glória da Igreja Católica. Contudo, a glória das glórias é a cruz. Paulo, muito bem instruído, disse: “Longe de mim gloriar-me a não ser na cruz de Cristo”[1].
Foi uma coisa digna de admiração que Ele tenha recuperado a vista àquele cego de nascença em Siloé[2]. Mas o que é isto em vista dos cegos do mundo inteiro? Foi estupendo e acima das forças da natureza ressuscitar Lázaro após quatro dias de morto[3]. Mas a um só foi dada essa graça; e os outros todos, em toda a Terra, mortos pelo pecado? Foi maravilhoso alimentar com cinco pães, qual fonte, a cinco mil homens[4]. Mas e aqueles que, em toda a parte, sofrem a fome da ignorância? Foi magnífico libertar a mulher ligada há dezoito anos por Satanás[5]; mas o que é isto se considerarmos a todos nós, presos pelas cadeias de nossos pecados?
Pois bem, a glória da cruz encheu de luz os que estavam cegos pela ignorância, libertou os cativos do pecado, remiu o Universo inteiro.
Não nos envergonhemos da Cruz do Salvador. Muito pelo contrário, dela tiremos glória. Pois a palavra da “cruz” é escândalo para os judeus e loucura para os gentios; para nós, no entanto, é salvação[6]. Para aqueles que se perdem, é loucura[7]; para nós, que fomos salvos, é força de Deus. Não era um simples homem quem por nós morria; era o Filho de Deus feito homem.
Outrora, o cordeiro, morto segundo a instituição mosaica, afastava para longe o devastador. Porém, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, não poderá muito mais libertar dos pecados? O sangue de um cordeiro irracional manifestava a salvação. Sendo assim, não trará muito maior salvação o sangue do Unigênito?
O Cordeiro não entregou a vida coagido, nem foi imolado à força, mas por Sua plena vontade. Ouve o que Ele disse: Tenho o poder de entregar minha vida; e tenho o poder de retomá-la[8]. Chegou, portanto, com toda a liberdade à Paixão, alegre com a excelente obra, jubiloso pela coroa, felicitando-Se com a salvação do homem. Não Se envergonhou da Cruz pois trazia a salvação para o mundo. Não era um homem qualquer Aquele que padecia, era o Deus encarnado a combater pelo prêmio da obediência.



















