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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

CATEDRAIS CATÓLICAS: a Basílica de Santa Maria de Cracóvia, Polônia

A Basílica de Santa Maria (em polonês Kościół Mariacki) surge no centro histórico (Stare Miasto, ou "cidade velha") de Cracóvia, na Polônia, no lado oriental da grande Praça do Mercado (Rynek Główny, ou "Praça Grande"). É famosa por seu retábulo que retrata cenas da vida da Virgem Maria e também pela trombeta que soa a cada hora do topo da Basílica e pela triste rivalidade de dois irmãos na construção das torres, que culminou em uma tragédia.  

Esta joia do gótico polonês foi completada no século 14. Segundo o cronista Jan Długosz, a primeira igreja paroquial na Praça Grande foi erigida entre 1221-1222 pelo bispo de Cracóvia, Iwo Odrowążcom o presbitério virado para o leste, como era comum à época. Após sua destruição durante as invasões dos Tártaros, a igreja atual foi edificada em estilo gótico sobre a igreja precedente, de forma divergente da nova orientação da praça, em relação à qual se apresenta oblíqua.  


Esta Catedral lembra vagamente outra Catedral deslumbrante: a Sainte Chapelle de Paris: veja aqui

A igreja foi completamente reconstruída, em estilo gótico, sob o reinado de Casimiro III o Grande, entre 1355 e 1365, por iniciativa dos vizinhos de Cracóvia para rivalizar com a catedral de Wawel, com substanciais aportes do restaurador Mikołaj Wierzynek. O corpo principal da igreja foi terminado entre 1395–1397, quando foi construída a nova abóboda pelo maestro Nicolás Werhner de Praga. Contudo, a abóboda sobre o presbitério desabou em 1442, por causa de um terremoto, que nunca antes nem depois ocorrera em Cracovia. Na primeira metade do século XV, se acrescentaram as capelas laterias. A maioria delas foram obra do maestro Franciszek Wiechoń. Ao mesmo tempos foram erguidas as torres quadradas, acabadas entre os anos 1400 e 1406. No decorrer dos séculos, houve várias modificações que com a influência e vários estilos, até ao Art Nouveau, coexistindo harmoniosamente no interior do edifício. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Origem da festa de Carnaval

No século XII, a festa nasce, de fato, por causa de procissões litúrgicas públicas, as rogações, que têm o escopo de afastar calamidades e desgraças. São cortejos durante os quais o povo festivo lança frutas e doces na boca de uma grande serpente de palha. (...)

O Carnaval, portanto, como festa que precede e se contrapões à Quaresma, nasce na Idade Média. Mas, mesmo sendo uma produção medieval não ligada diretamente às cerimônias da Antiguidade, tem muitas coisas em comum com algumas destas: o uso das máscaras e as fantasias, os excessos alimentares, sexuais e de comportamento, até à representação teatral de embates físicos, como as “batalhazinhas”. Alguns caracteres da celebração do Carnaval se encontram em comemorações muito antigas, como as dionisíacas gregas ou as saturnálias romana, caracterizadas por uma temporária liberação das obrigações sociais e das hierarquias, que permitem a brincadeira e a dissolução dos costumes. Nas miniaturas de Roman de Fauvel, uma obra satírica em versos composta entre 1310 e 1314 por Gervais du Bus, o comportamento barulhento de um grupo de festeiros dá exatamente esta impressão.

domingo, 24 de janeiro de 2016

O TEMPO MEDIEVAL



O tempo é um fragmento da eternidade. Portanto, pertence a Deus. E, por conseguinte, à sua Igreja. O sol dita o ritmo das horas com o alternar-se dos anos e das estações, do dia e da noite. Aquele “branco manto de igrejas” que, como escreveu Roberto, o Glabro, recobriu de repente a Europa a partir do ano Mil, envolve também a vida cotidiana do homem medieval (na foto acima, o relógio da catedral de Wells).

As festas litúrgicas marcam o passar dos vários períodos do ano. Assim, os sinos, entre o amanhecer e o pôr-do-sol, sinalizam aos fiéis os ordenados fragmentos que compõem o dia, interrompido e recomposto três vezes pelo Ângelus, a prece católica que recorda o mistério da Encarnação.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Um pouco de arte: Iconografia e Simbologia na Arte Cristã

"Paraíso", de Giusto de' Menabuoi,
no Batistério do Duomo de Pádua.
CLIQUE PARA AMPLIAR



Iconografia e Simbologia na Arte Cristã



No século XIV, influenciados pela Divina Comédia de Dante, os artistas começaram a criar imagens do Paraíso como uma sequência de círculos concêntricos, também chamados de coros celestes, rodeando o núcleo que contém Jesus, o qual é representado dentro de um escudo dourado, assistido por um Serafim - os anjos que estão mais próximos d'Ele. Abaixo do Filho, no centro das hostes celestes, está uma grande figura de Maria coroada no interior de uma mandorla dourada [1]. Está em posição orante, confirmando a sua aceitação do plano redentor de Deus, no instante em que foi escolhida para ser parte do plano divino d'Ele.

Imagens do Reino Celeste começam a aparecer na Idade Média em conexão com o Juízo Final, e são um tema frequente em afrescos decorando interiores de cúpulas, ábsides das abóbadas e a parede fundeira de igrejas e capelas. Enquanto que as imagens iniciais representavam um maravilhoso jardim rodeado por uma exuberante vegetação, os posteriores sublinham a paz e a harmonia de um mundo povoado pelas almas dos eleitos. A rígida hierarquia de Anjos e Santos e a perfeita simetria das composições são destinadas a transmitir o sentido de serenidade, intrínseco aos lugares sagrados.  


por Sara Almeida Rocha 
Iconografia e Simbologia na Arte Cristã - Facebook.  

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Nota do blog:
1 - "mandorla" (amêndoa, em italiano), ou "vesica pescis" (víscera de peixe, em latim), é a auréola oval que envolve normalmente uma representação de Jesus Cristo. Este símbolo ogival é obtido de dois círculos de mesmo raio que se interseccionam de tal modo que o centro de cada círculo se encontra na circunferência do outro. Elemento decorativo conhecido nas antigas civilizações asiáticas e africanas, como a indiana e a da Mesopotâmia, passa ao Cristianismo como referência a Cristo, evidenciado no "ichthys", o símbolo de um peixe estilizado, formado justamente por duas curvas que partem do mesmo ponto, à esquerda (a cabeça), e se cruzam, então, à direita (a cauda). Na sucessiva elaboração da iconografia cristã, a mandorla é associada à figura do Cristo ou da Virgem em Majestade, e representada em muitas iluminuras e esculturas da Idade Média, e também nos afrescos ou em mosaicos. Nesse contexto, é um elemento decorativo românico-gótico, utilizado para ressaltar a figura sacra representada em seu interior, muitas vezes rodeada externamente por outros sujeitos sacros. Possui dupla valência: 

1. aludindo ao fruto da amêndoa - e à semente em geral - é claro símbolo de Vida e, portanto, natural atributo d'Aquele que é "Caminho, Verdade e Vida";

2. como intersecção de dois círculos, representa a comunicação entre dois mundos, duas dimensões diferentes, ou seja, o plano material e o plano espiritual, o humano e o divino. Jesus, Verbo de Deus, fazendo-se homem, se torna o único Mediador entre duas realidades, o único Pontífice entre o terrestre e o celeste, e como tal é representado no interior da intersecção. A confirmar isso, em algumas miniaturas do período Carolíngio e Otoniano, os dois círculos vinham representados ao redor de Cristo, mas em vertical.




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A página do Facebook acima mencionada se tornará uma "velha conhecida nossa", pois pretendo haurir dessa fonte mais vezes, porque traz informações interessantes e valiosas sobre Arte Sacra, que é o que nos interessa!  

E na esteira dessa informação, que traz estampada uma belíssima obra de Giusto de' Menabuoi, resolvi fazer minhas próprias pesquisas e trazer as imagens do interior do Batistério do Duomo de Pádua, de uma riqueza ímpar. Enjoy yourself



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O Batistério da Catedral, dedicado a São João Batista, está localizado ao lado do Duomo (Catedral) de Pádua. Conserva em seu interior um dos mais importantes ciclos de afresco (1375-1376) do século XIV, obra prima de Giusto de' Menabuoi, um pintor italiano da escola de Giotto (embora não haja certeza documental) do começo do Renascimento, nascido em Florença. Na Lombardia, executou o afresco da Última Ceia, na Abadia de Viboldone (Milão). Depois, se mudou para Pádua, onde completou os afrescos da Igreja de Eremitani, da Basílica de Santo Antonio de Pádua e, mais importante, o Batistério da Catedral de Pádua, em 1376. Morreu também em Pádua.   


AS OBRAS DENTRO DO BATISTÉRIO

 clique nas imagens para ampliá-las 



quinta-feira, 19 de novembro de 2015

O ideal da Cavalaria em ação nas Cruzadas

O ideal da Cavalaria em ação nas Cruzadas



O bispo Adhemar de Monteil leva a Santa Lança
na vitória libertadora de Antioquia
Nascida da união de dois anelos aparentemente contraditórios — a caridade cristã e a força do guerreiro — a Cavalaria deixou na História um sulco prateado que ninguém conseguiu apagar.

Num mundo que surgia das ruínas do paganismo romano, lançou um raio de beleza ideal e criou condições para a maior epopeia que os séculos viram: as Cruzadas.

O cavaleiro nasceu na Igreja Católica e formou-se na sagrada doutrina do Mestre da Galileia, que ele aprendeu a admirar nos coloridos vitrais e nas serenas imagens das catedrais medievais. Em sua alma trazia impressa a aprazível, bondosa e suave imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

IDADE MÉDIA: Os escolásticos medievais fundaram a economia científica

Os escolásticos medievais fundaram a economia científica  

.
Um dado muito pouco conhecido é que a Igreja inspirou o pensamento econômico na Idade Média.

Até então os homens não tinham racionalizado os sistemas econômicos.

Alguns grandes pensadores como Aristóteles trataram de alguns problemas muito básicos da atividade econômica.

Porém, a imensa maioria dos homens e as civilizações antigas tocavam a vida econômica em função da agricultura, o artesanato, o comércio e o intercâmbio básico, e não raciocinavam sobre isso.

Para eles, a economia era o que a palavra significa ao pé da letra: as "regras da casa" ou "administração doméstica" (de 'eco' = casa e 'nomos' = regras ou costumes).

Joseph Schumpeter, um dos mais importantes economistas da primeira metade do século XX, em sua History of Economic Analysis (1954), disse dos escolásticos (a escola teológica que unificou a linguagem e a formulação dos conceitos na Idade Média)
:  
“Foram eles os que chegaram, mais perto do que qualquer outro grupo, a serem os ‘fundadores’ da economia científica”.

Jean Buridan (1300-1358), reitor da Universidade de Paris, deu importantes contribuições à moderna teoria da moeda.

Nicolas Oresme (1325-1382), aluno de Buridan e padre fundador da economia monetária, estudou com prioridade os efeitos destrutivos da inflação.

Martín de Azpilcueta (1493-1586), escolástico tardio, escreveu sobre a carestia provocada pelo aumento de meio circulante (moeda)

 

Em bispados e abadias se começou a raciocinar
sobre a boa ordenação das atividades humanas.
Foto: abadia de Fontenay, França
O Cardeal Caietano (1468-1534) justificou moralmente o comércio internacional.

Ele também demonstrou como a expectativa sobre o valor futuro da moeda afeta o presente do mercado. Algo relacionado com os modernos mercados futuros.

Para Murray Rothbard, economista americano da Escola Austríaca do século XX, “o Cardeal Caietano, um príncipe da Igreja do século XVI, pode ser considerado o fundador da teoria da expectativa em economia".

O franciscano Jean Olivi (1248-1298) foi o primeiro a propor uma teoria do valor subjetivo, e mostrou que o "justo preço" emerge da interação entre compradores e vendedores no mercado.

Um século e meio depois, São Bernardino de Siena, o maior pensador econômico da Idade Média, consagrou esta teoria.  


por Santiago Fernandez


 
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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

ARTE CATOLICA: O CARÁTER ESSENCIAL DO GÓTICO

Para muitos de nossos contemporâneos, o caráter essencial do estilo gótico reside no emprego da ogiva. A ogiva foi empregada no Oriente, mas a encontraremos em diversos outros lugares, e nada se opõe a que ela tenha nascido espontaneamente na França. Em todo caso, a estrutura dos monumentos góticos é bem diferente daquelas dos edifícios árabes. Por outro lado, ela não é essencialmente a arte gótica. É verdade que nenhum sistema da arquitetura fez uso tão aberto e, sobretudo, tão judicioso deste elemento: o arco quebrado, sendo o mais poderoso e, por consequência, o mais econômico de todos os arcos, impunha seu emprego na construção de edifícios que tendiam a realizar a suprema riqueza das formas no meio de uma grande penúria de meios econômicos.

Mas o arco quebrado não gerou o gótico; em vão perceberemos ogivas nos pesados monumentos da Renascença; eles não seriam góticos por isso.

O gótico não é subserviente à ogiva: ele admite todos os demais arcos, o semi-circular, o abatido, o arco asa de padeiro e mesmo o arco em ferradura, se bem que este aqui seja um absurdo em seu princípio e de um efeito ridículo. Tomemos, por exemplo, Saint-Eustache de Paris, tirando o portal, que é uma infâmia moderna, observemos o corpo da igreja. Ali se procurará em vão o traço da ogiva: as grandes baies[1] laterais são arcos abatidos com reforços, como os do gótico flamejante. Todo o resto está em semi-circulares graciosos, sobretudo no coroamento dos pilares de uma maravilhosa leveza que suportam uma rica abóbada. Quem poderia duvidar por um instante que tudo isso não seja gótico?

Em Saint-Sulpice, tirando o portal, que tem somente o mérito de ser monumental, apesar da infeliz fisionomia das torres, o corpo do edifício, em belo semi-circulo, é uma construção do sistema gótico, como o plano primitivo da própria igreja, que lhe dá sua leveza de construção e sua perfeita adaptação ao serviço. Em Saint-Nicolas-des-Champs, há outra coisa: o ante-corpo é ogival, mas o coro e a abside são em semi-circulo com colunas unidas ou embutidas. Isso não impede o monumento de ser gótico em seu conjunto.

A ogiva é, portanto, uma característica do estilo gótico. O plano geral da catedral com sua alta e longa nave, seus corredores e suas capelas tão favoráveis ao exercício do culto e ao desenvolvimento do sentimento religioso, é um dos méritos dos edifícios góticos. Notre-Dame não serviu de modelo para a maior parte das outras catedrais. Há exceções. No início, não se faziam capelas laterais; o Midi possui belíssimas catedrais sem corredores, a de Beauvais é um segmento em círculo: Essas diferenças não suprimem o caráter gótico da obra. É verdade, portanto, que o gótico levou à mais alta perfeição o plano da catedral, mas ele recebeu do românico tal princípio, e por isso ele achega ao bizantino.

Uma igreja românica ou bizantina, grega ou romana, pode adotar o plano das catedrais góticas: o Sagrado-Coração de Montmartre será uma prova desta verdade.

Uma característica mais especial, e que o gótico inventou, é o arcobotante, que é tão somente um membro, mas personificado em um novo sistema. O contraforte das igrejas românicas, esse pilar massivo engajado na parte exterior da muralha, bastaria para manter construções de uma elevação medíocre; contudo, para resistir à pressão proveniente da prodigiosa elevação das abóbadas da nave gótica que ele apoiava, o contraforte deveria tomar uma grande distância, se constituindo em massas enormes, deselegantes, cujo peso teria contrastado com o aspecto elegante e leve do edifício; eles teriam terminado, diz Viollet-Leduc, por custar mais caro que o próprio edifício. Essa combinação engenhosa (arcobotante) deve ser vista como a obra-prima da arte nova: ela é de tal poder que, se ela não fosse sabiamente manejada, ela produziria a ruína em sentido inverso e lançaria o muro no interior, no coro e na nave; seu emprego exigia, portanto, uma grande habilidade, bem como a perfeita apreciação das leis do equilíbrio. Entretanto, é preciso notar que o arcobotante só era um expediente, pouco constituindo o caráter essencial do estilo.

A construção desses membros é muito custosa, bem como sua manutenção. Além disso, eles encobrem o entorno da construção, e até mesmo servem como separação das capelas laterais. Disso, perguntamos: qual é então o caráter essencial do gótico? Residiria ele, por acaso, nos ornamentos graciosos dos decoradores? Contudo, esses ornamentos vieram de todas as partes: do grego, do árabe, do romano e da imaginação frequentemente licenciosa dos artistas. O suporte é redondo, quadrado, em losango, entrelaçado; os capitéis são planos, cúbicos, cilíndricos; os baixos relevos de todas os tipos, ou podem não existir; as nervuras, a pedra angular, os tímpanos[2], as gárgulas, tomando as formas mais bizarras. Mas o que importa? É outra coisa que dá ao estilo gótico o aspecto elegante e grave, leve e solene, que faz dele o tipo sem rival do monumento religioso.

O caráter incontestável do estilo gótico reside nos procedimentos de sua estrutura, em seu próprio princípio: é o equilíbrio artificial resultante da oposição calculada das forças e dos elementos. Qualquer que seja o tipo da abóbada, ogiva ou semi-círculo; a forma dos suportes interiores e exteriores, coluna ou pilar, o equilíbrio calculado é seu meio, e a tal ponto que as abóbadas e os membros suportados reforcem os suportes que os sustentam.

É por aí que o estilo gótico obtém sua ousadia inacreditável, sua leveza, sua superioridade. Os outros estilos originaram este princípio de construção, e quando eles o adotaram, a partir de então, eles praticaram o gótico sem sabê-lo.

A proporção do vácuo é realmente considerável, a nave e o coro tão elevados, os suportes tão reduzidos à sua mais simples expressão. O romano exagerou a largura, o gótico buscou a elevação; em um, a impulsão religiosa está em proporção com a massa de materiais e do peso dos membros; em outro, o efeito religioso cresce em razão de sua graça e de sua leveza.

No gótico, tudo concorre para levar ao extremo o sentimento de respeito e de entusiasmo divino. É verdade que o que chamamos de a arte do triunfo vê-se ali de certa maneira. Contudo, não é esse um dos méritos do estilo grego?

Esse não é o único ponto de contato do grego e do gótico. Essas longas colunatas que, saindo do solo nu, parecem querer escalar o céu, essas grandes aberturas e mil outros artifícios engenhosos desenvolvem a admiração e geram as sensações mais elevadas. Nenhuma proporção entre o conjunto e os acessórios consagrados ao serviço é resultado da ignorância, ou do desprezo pela harmonia; ao contrário, tudo isso é sabiamente calculado.

O arquiteto fez duas partes de sua obra: uma, a parte inspirada pelo sentimento divino, tem por objeto levar ao extremo a proporção do vácuo e de elevá-lo ao céu. A outra, que é a porção humana, se apropria absolutamente nas necessidades diárias.

Deus e o homem estão, assim, constantemente em presença: a fé pode fazer seu ato de humildade diante o símbolo material do poder superior ao qual ela rende homenagem: é um hino silencioso à glória do Eterno.

Tudo o que está a serviço do homem se mede por sua escala de proporções: as grades e os pontos de apoio, os altares e as bacias de água benta, as escadas e as próprias portas de serviço não ultrapassam as dimensões que lhe são dadas em edifícios privados. Rendido à essas impressões habituais, o espectador as compara aos membros essenciais do monumento, ele os acha imensos, gigantescos, e se vê confundido em sua pequenez, na presença de um conjunto tão imponente. Quando entrardes por uma porta de três metros de elevação, sob uma abóbada que sobe à trinta metros, será difícil não se surpreender.

CASTAING, Alph. Le style gothique, ses origines, sa supériorité matérielle et morale. Tradução de: Robson Carvalho. Revue du monde catholique, 1er novembre 1886.

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[1] Baies, fr.: abertura que se deixa nas paredes para ali colocar uma porta ou uma janela, ou qualquer outro objeto.

[2] Tímpanos: espaço geralmente triangular ou em arco, liso ou ornado com esculturas, limitado pelos três lados do frontão.

visto em: http://catolicosribeiraopreto.wordpress.com/2013/11/27/o-carater-essencial-do-gotico/.
 

Vide também:

  1. http://farfalline.blogspot.com.br/2013/08/as-caracteristicas-do-estilo-gotico-na.html 
  2. http://farfalline.blogspot.com.br/2013/11/arte-catolica-sainte-chapelle-de-paris.html
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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

ARTE CATÓLICA: A Sainte Chapelle de Paris, um relicário de luzes e fé

Vamos fazer uma pequena viagem pela arte religiosa católica, com ênfase na arquitetura. Começamos, hoje, pela estonteante 


Sainte Chapelle, em Paris. 



Luis IX, dito São Luis, Rei da França
by Emile Signol
A Sainte Chapelle é uma capela gótica situada na Ilha de la Cité em Paris, construída no século XIII por São Luís (IX) de França - que liderou a Sétima e Cruzada e também a Oitava, onde veio a falecer - para servir de capela do palácio real e guardar as preciosas relíquias que trouxera do Oriente: Coroa de Espinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo, obtida do imperador latino de Constantinopla, Balduíno II. A Coroa atualmente se encontra na Catedral de Notre Dame. Foi projetada em 1241, iniciada em 1246 e concluída muito rapidamente, sendo consagrada em abril de 1248. O restante do palácio desapareceu completamente, sendo substituído pelo atual Palácio da Justiça. Depois de terminada, a Sainte Chapelle recebeu as relíquias citadas e também, entre outras relíquias, um fragmento da Vera Cruz e, desta forma, o edifício tornou-se um precioso relicário. A ideia de uma capela palaciana se baseou na Igreja da Virgem de Pharos, anexa ao Grande Palácio de Constantinopla. Consiste de duas capelas sobrepostas, a inferior reservada aos funcionários e moradores do palácio, e a superior para a família real. A primeira é constituída de uma navata, por um teto com voltas cruzadas e por inúmeras pequenas esculturas e pinturas que revestem toda a superfície. Na segunda capela, pode-se ficar literalmente encantados pela elegância e a fineza dos vitrais coloridos, que representam cenas bíblicas, como do Apocalipse. 

Os aspectos mais belos e notáveis da construção, considerados os melhores do seu gênero em todo o mundo, são mesmos os seus vitrais emoldurados por um delicado trabalho em pedra, com rosáceas acrescentadas à capela superior no século XV. Não existe nenhuma menção direta ao arquiteto, mas o nome de Pierre de Montreuil, que reconstruiu a abside da Abadia Real de Saint-Denis e completou a fachada de Notre Dame, é por vezes associado ao projeto. 

Durante a Revolução Francesa a capela foi transformada em escritório administrativo e os vitrais foram tapados com enormes armários. A sua beleza oculta foi assim inadvertidamente preservada do vandalismo que sofreu em outras partes, tendo sido destruídos os assentos do coro e o painel do altar principal, o pináculo do texto foi derrubado, e muitas das suas relíquias dispersas. No século XIX, Viollet-le-Duc restaurou a Sainte Chapelle, e o pináculo atual é obra sua.


FOTOS: 


Todas podem ser ampliada para apreciar melhor.

A preciosa Relíquia da Coroa de Espinhos

Vista da Sainte Chapelle (à direita)

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Lenda Negra e outros contos: O papel da mulher na Idade Média

Lenda Negra e outros contos (II)

Os falsos mitos sobre a Idade Média refutados um a um



Branca de Castela reinando

O PAPEL DA MULHER NA IDADE MÉDIA


Há quem pense que na Idade Média o papel da mulher era o de submissão total e completo ostracismo. Há quem cogite que se pensava que a alma da mulher não era imortal - afirmação gratuitamente preconceituosa e contraditória (se a alma é espiritual e imortal, como a alma feminina não seria? Seria uma alma mortal?). Como a Igreja seria hostil a esses seres sem alma, mas durante séculos batizou, confessou e ministrou a Eucaristia a essas criaturas? Não é estranho que os primeiros mártires cristãos tenham sido mulheres (Santas Agnes, Cecília, Ágata etc.)? Como venerar a Virgem Maria como cheia de graça e considerá-la desalmada? A historiografia contemporânea simplesmente apagou a mulher medieval.  



Hilda de Whitby
Por exemplo, no plano social. Dentro dessa perspectiva desapareceram da história personagens como Hilda de Whitby, que no século VII fundou sete mosteiros e conventos, ou quem sabe a religiosa alemã Rosvita de Gandersheim, autora de dezenas de peças de teatro. Em Bizâncio, numerosas eram as mulheres na universidade. Anna Comnena fundou em 1083 uma nova escola de medicina onde lecionou por vários anos. Leonor da Aquitânia, enquanto rainha, desempenhou um importante papel político na Inglaterra e fundou instituições religiosas e educadoras.


Nos tempos feudais a rainha era coroada como o rei, geralmente em Rheims ou, por vezes, em outras catedrais. A coroação da rainha era tão prestigiada quanto a do Rei. A última rainha a ser coroada foi Maria de Medicis, em 1610, na cidade de Paris. Algumas rainhas medievais desempenharam amplas funções, dominando a sua época; tais foram Leonor de Aquitânia (+1204) e Branca de Castela (+1252); no caso de ausência, da doença ou da morte do rei, exerciam poder incontestado, tendo a sua chancelaria, as suas armas e o seu campo de atividade pessoal. Verdade é que a jovem era dada em casamento pelos pais sem que tivesse livre escolha do seu futuro consorte. Todavia observe-se que também o rapaz era assim tratado; por conseguinte, homens e mulheres eram sujeitos ao mesmo regime. 

A mulher na Igreja 

Precisamente por causa da valorização prestada pela Igreja à mulher, várias figuras femininas desempenharam notável papel na Igreja medieval. Certas abadessas, por exemplo, eram autênticos senhores feudais, cujas funções eram respeitadas como as dos outros senhores; administravam vastos territórios como aldeias, paróquias; algumas usavam báculo, como o bispo... 

Seja mencionada, entre outras, a abadessa Heloisa, do mosteiro do Paráclito, em meados do século XII: recebia o dízimo de uma vinha, tinha direito a foros sobre feno ou trigo, explorava uma granja...Ela mesma ensinava grego e hebraico às monjas, o que vem mostrar o nível de instrução das religiosas deste tempo, que às vezes rivalizavam com os monges mais letrados. 

S. Hildegard de Bingen

Pena faltar estudos mais sérios sobre o tema... É surpreendente ainda notar que a enciclopédia mais conhecida no século XII se deve a uma mulher, ou seja, à abadessa Herrad de Landsberg. Tem o título “Hortus Deliciarum” (Jardim das Delícias) e fornece as informações mais seguras sobre as técnicas do seu tempo. Algo de semelhante se encontra nas obras de S. Hildegarda de Bingen.


Gertrudes de Helfta, no século XIII conta-nos como se sentiu feliz ao passar do estado de “romancista” ao de “teóloga”. Conforme Pedro, o Venerável, ela, em sua juventude, não sendo freira e não querendo entrar num convento, procurava, todavia, estudos muito áridos, ao invés de se contentar com a vida mais frívola de uma jovem.


Ao percorrer o ciclo de estudos preparatórios ela galgara o ciclo superior, como se fazia na Universidade. Veio da abadia feminina de Gandersheim um manuscrito do século X contendo seis comédias, em prosa rimada, imitação de Terêncio, e que são atribuídas à famosa abadessa Rosvita, da qual, há muito tempo, conhecemos a influência sobre o desenvolvimento literário nos países germânicos.


Estas comédias, provavelmente representadas pelas religiosas, são, do ponto de vista da história dramática, consideradas como prova de uma tradição escolar que terá contribuído para o teatro da Idade Média.


Mulheres líderes 


Joana d’Arc dedica suas armas à Virgem
by Laure de Châtillon (1826-1908)

Algo inédito e que nos dias de hoje - tão democráticos - jamais aconteceria:


No século XII, Robert d'Arbrissel, um dos maiores pregadores de todos os tempos resolveu fixar a multidão de seguidores seus na região de Fontevrault. Para isso ele criou um convento feminino, um masculino e entre os dois uma Igreja que seria o único local aonde os monges e as monjas poderiam se encontrar. Ora, este mosteiro duplo foi colocado sob a autoridade, não de um abade, mas de uma abadessa. Esta, por vontade do fundador, devia ser viúva, tendo tido a experiência do casamento. Para completar, a primeira abadessa que presidiu os destinos da Ordem de Fontevrault, Petronila de Chemillé, tinha 22 anos.


No período feudal o lugar da mulher na Igreja apresentou algumas diferenças daquele ocupado pelo homem, mas este foi um lugar iminente, que simboliza, por outro lado, perfeitamente o culto, insigne também, prestado à Virgem Maria entre os santos. E não é curioso como a época termine por uma figura de mulher - Joana D'Arc, que seja dito de passagem, não poderia, jamais, nos séculos seguintes obter a audiência do rei, sendo ela mulher, plebeia e ignorante, conseguindo mesmo assim suscitar a confiança que conseguiu, afinal. Pobre Joana D'Arc! Recentemente Luc Besson fez um filme[¹] de S. Joana D'Arc digna dos melhores hospícios, completamente esquizofrênica e que confundia sua vingança pessoal com o que seria a voz de Deus. Sem comentários.

 

A mulher comum 

Rosvita de Gandersheim

Faltaria falar das mulheres comuns, camponesas ou citadinas, mães de família ou trabalhadoras. A questão é muito extensa, e os exemplos podem chegar através de diversas fontes como documentos ou mil outros detalhes colhidos ao acaso e que mostram homens e mulheres através dos menores atos de suas existências. Através de documentos, pôde-se constatar a existência de cabeleireiras, salineiras (comércio do sal), moleiras, castelãs, mulheres de cruzados, viúvas de agricultores, etc. É por documentos deste gênero que se pode, peça por peça, reconstituir, como em um mosaico, a história real - muito diferente dos romances de cavalaria ou de fontes literárias que apresentam a mulher como um ser frágil, ideal e quase angélico - ou diabólico - mas que não tinha voz nem vez. Existem documentos demonstrando como em muitos locais, mulheres e homens votavam em assembleias urbanas ou comunas rurais. Ouve um caso curioso: Gaillardine de Fréchou foi uma mulher e a única pessoa que, diante da proposta de um arrendamento aos habitantes de Cauterets, nos Pirineus, pela Abadia de Saint Savin, votou pelo Não, quando a cidade inteira votou pelo Sim. Nas atas dos notários é muito frequente ver uma mulher casada agir por si mesma, abrir, por exemplo, uma loja ou uma venda, e isto sem ser obrigada a apresentar uma autorização do marido. Enfim, os registros de impostos, desde que foram conservados, como é o caso de Paris, no fim do século XIII, mostram multidão de mulheres exercendo funções: professora, médica, boticária, estucadora, tintureira, copista, miniaturista, encadernadora, etc.

Extraído de “O mito da Idade Média” e “Idade Média ‒ o que não nos ensinaram”, ambos de Régine Pernoud. 


Ehret die Frauen (Women's worth)
tapeceria de Marianne Stokes

[¹] NdEª.: Os filmes foram vários:
  • Jeanne d'Arc (1899), filme de Georges Méliès (1899)
  • Joan the Woman, filme de Cecil B. de Mille (1917)
  • A Paixão de Joana d'Arc, filme de 1928
  • Joan of Arc, filme com Ingrid Bergman (1948)
  • Giovanna d'Arco al rogo, filme de Roberto Rossellini (1954)
  • Saint Joan, filme (1957) com Jean Seberg
  • Procès de Jeanne d'Arc, filme francês de 1962
  • Jeanne d'Arc, filme com Milla Jovovich (1999)

Nota do blog Pale Ideas: Os links são na maioria do Wikipedia, com o tempo irei substitui-los por outros mais fidedignos. Não informei os links dos filmes, porque não valem a pena. Os textos são dos links abaixo; as imagens, da web.
Fontes:


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Lenda Negra e outros contos: Os falsos mitos sobre a Idade Média refutados um a um

Lenda Negra e outros contos

Os falsos mitos sobre a Idade Média refutados um a um



PRIMEIRO MITO
Uma sociedade concebida segundo os princípios católicos é utopia.

REFUTAÇÃO
A Civilização Cristã existiu. Atestam-no os Documentos Pontifícios, os documentos medievais e estudos credenciados de autores contemporâneos, além dos legados culturais indestrutíveis, dos quais até hoje recebemos a salutar influência.

DOCUMENTAÇÃO
Da Idade Média, a despeito desta ou daquela falha, Leão XIII escreveu com eloquência: “Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e a sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos Príncipes e à proteção legítima dos Magistrados. Então o Sacerdócio e o Império estavam ligados entre si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer” (Encíclica Immortale Dei, de 1/XI/1885).
Assim, a Civilização Cristã não é uma utopia. É algo de realizável, e que em determinada época se realizou efetivamente. Algo que durou, de certo modo, mesmo depois da Idade Média, a tal ponto que o Papa São Pio X pôde escrever: “A civilização não mais está para ser inventada, nem a cidade nova para ser construída nas nuvens. Ela existiu, ela existe: é a Civilização Cristã, a cidade católica. Trata-se apenas de instaurá-la e restaurá-la sem cessar, sobre seus fundamentos naturais e divinos, contra os ataques sempre renascentes da utopia malsã, da revolta e da impiedade” (Carta Apostólica Notre Charge Apostolique).
A refutação dos mitos que vêm em seguida dará a documentação medieval e a dos autores contemporâneos, que atestam claramente que a Idade Média foi a Era Cristã de que falam os Pontífices.


SEGUNDO MITO
Na Idade Média o regime era de opressão.
Diz ainda este mito falso: O senhor extorquia o vassalo, que por sua vez extorquia os que lhe eram inferiores. A base dessa opressão era o vínculo feudal. Os inferiores só obedeciam por medo. Portanto, era uma ordem de coisas odiável, uma cascata de opressão e de desprezo.

REFUTAÇÃO
A Idade Média foi uma época de harmonia social, porque os homens estabeleceram suas relações no vínculo proteção-serviço. Era uma gradação de mútuo respeito e estima. Portanto, uma ordem de coisas justa e desejável.

DOCUMENTAÇÃO
1 – Documentos medievais mostrando a harmonia entre o senhor e o vassalo
Monumento a El Cid
POEMA DE “EL CID” (de aproximadamente 1300, com o texto estabelecido por Ramón Menendez Pidal, Edição 1969):
El Cid pensa em dormir em certo lugar, e fala aos vassalos: “Dijoles a todo como ha pensado trasnochar; y todos, buenos vasallos, lo aceptan de voluntad; Pues lo que manda el señor, dispuestos a hacer están”.
Mio Cid Rodrigo Diaz a Alcácer tiene vendido; Y asi pagó a sus vasallos que en la lucha le han seguido. Lo mismo a los caballeros que a los peones, hizo ricos; Ya no queda ni uno pobre de cuantos le hacen servicio. Aquel que a buen señor sierve, siempre vive em paraíso”.
El Cid expõe a seus cavaleiros o plano de batalha para defender Valencia: “Oídme, mis caballeros: ... Cerca del amanecer, armados estad; El obispo don Jerónimo la absolución nos dará; Y despues de oir su Misa, dispuestos a cabalgar, a atacarlos nos iremos, de otro modo no será; En el nombre de Santiago y del Señor celestial. Más vale que los venzamos que ellos nos cojan el pan; Entonces dijeron todos: ‘Con amor y voluntad’”.

CHANSON DE ROLAND (o mais famoso poema épico medieval, surgido entre 1090 e 1180):
Na batalha de Roncevaux, Roland incentiva seus guerreiros à luta: “Pelo seu senhor cada um deve sofrer grandes males, suportar os grandes frios e os grandes calores, e deve perder o sangue e a carne. Golpeia cada um com sua lança e eu com Durendal, minha boa espada que o Rei me deu. Se eu aqui morrer, que o futuro possa dizer que ela foi de um nobre vassalo”.
O Arcebispo Turpin, par de Carlos Magno: “Do outro lado está o Arcebispo Turpin. Ele esporeia seu cavalo e sobe uma elevação. Chama os franceses e lhes faz um sermão: ‘Senhores Barões, Carlos nos colocou aqui. Devemos morrer bem por nosso Rei’”.
Quando um sarraceno ofende Carlos Magno, dizendo que não é um bom senhor, Roland lhe retruca, antes de dar-lhe a morte: “Vil pagão, mentiste! Carlos, meu senhor, nos protege sempre”.
Pranto de Carlos Magno ao encontrar Roland, seu predileto, morto no campo de batalha: “Amigo Roland, Deus te levou ... Nunca se viu sobre a Terra um cavaleiro tão lutador. Minha honra está profundamente abatida. Amigo Roland, Deus ponha tua alma nas flores do paraíso, entre os gloriosos! Jamais terei mais o sustento de minha honra: não creio mais ter sobre a Terra um só amigo; se tenho parentes, nenhum é tão bravo ... Quem guiará meus exércitos tão vigorosamente, quando está morto aquele que sempre foi o seu chefe? Ó França, como ficastes deserta! Meu luto é tão carregado, que eu queria não existir mais. Roland, quem te matou devastou a França ... Tenho um luto tão grande pelos cavaleiros que por mim morreram, que desejaria não viver mais”.
Carlos Magno conclama os francos à vingança do direito ultrajado: “Barões, eu vos amo e tenho fé em vós. Por mim fizestes tantas batalhas, tantas conquistas de reinos e destronamentos de reis. Sei que vos devo agradecer de minha pessoa, em terras, em riquezas. Vingai vossos filhos, vossos irmãos e vossos herdeiros, que naquela noite pereceram em Roncevaux. Vós bem sabeis que contra os pagãos o direito é por mim”.

2 – Autores modernos
A imagem medieval de pobreza, a realeza e a vontade divina estão ilustradas em uma ‘Vida de Eduardo o Confessor’, do século XIII. Esta história narra que ‘Gilla Michael’, um paralítico inglês, foi a Roma em busca de remédio, mas (o sucessor de) São Pedro lhe disse que ficaria curado se o rei Eduardo da Inglaterra o levasse em suas costas desde a Westminster Hall até a Abadia de Westminster. O virtuoso monarca consentiu. Pelo caminho o paralítico sentiu que ‘se lhe afrouxavam os nervos e se lhe estiravam as pernas’. O sangue de suas chagas corria pelas vestiduras reais, mas o rei o levou até o altar da abadia. Ali ficou curado, começou a andar e pendurou suas muletas, como lembrança do milagre” (Chr. Brooke, professor de História Medieval na Universidade de Liverpool, in “La Baja Edad Media”, Ed. Labor, Barcelona, 1968, p. 32).
E como as noções de fraqueza e de poder são sempre relativas, vê-se, em muitos casos, o mesmo homem fazer-se simultaneamente dependente de um mais forte e protetor dos mais humildes. Assim se começa a construir um vasto sistema de relações pessoais, cujos fios entrecruzados corriam de um andar a outro do edifício social” (Marc Bloch, professor na Universidade de Sorbonne, in “La Société Féodale”, Ed. Albin Michel, Paris, 1970, p. 213).
O prestígio real é muito vivo. No fundo dos bosques mais distantes, o último dos camponeses sabe que existe o rei ... ungido com óleos santos, consagrado ... e que está encarregado de manter em todo o território do reino a paz e a justiça” (Georges Duby, grande historiador moderno, in “Histoire de la Civilisation Française” – trad. castellana – Fundo de Cultura Económica, México, 1958, p. 20).
Um homem, prescrito, entre 925 e 935, na Inglaterra, não tinha senhor? Se se constata essa situação negra, sujeita a sanções legais, sua família deverá designar-lhe um senhor. Ela não quer ou não pode? Então ele será considerado fora da lei, e quem o encontrar poderá matá-lo, como a um bandido” (Marc Bloch, op. cit., p. 259).


TERCEIRO MITO
A Igreja é o ópio do povo. Ela manteve o regime feudal para fruir de vantagens mesquinhas.

REFUTAÇÃO
A Igreja converteu os bárbaros e, pela ação da graça, foi infundindo neles os princípios sobrenaturais que mandam cada qual ocupar o lugar que lhe é devido na hierarquia social. Juntamente com isso, pregou aos fortes a caridade, e aos humildes, submissão.

DOCUMENTAÇÃO
1 – A vassalagem medieval tinha o beneplácito da Igreja, sendo considerada altamente virtuosa
Tomando o lugar da antiga atitude de mãos estendidas dos orantes, o gesto de mãos postas, imitado da commendise (cerimônia em que o vassalo prestava juramento de fidelidade ou ‘homenagem’ a seu suserano), torna-se por excelência o gesto da prece, em toda a catolicidade” (Marc Bloch, op. cit. p. 328).
A linguagem usual acabará por denominar correntemente ‘vassalagem’ a mais bela das virtudes que uma sociedade perpetuamente em armas pôde reconhecer, isto é, a bravura” (Marc Bloch, op. cit. p. 231).

2 – A Igreja eliminou gradualmente os restos de barbárie, que davam aos medievais um caráter altamente belicoso
Os dirigentes da Igreja quiseram fazer reinar na Terra a Paz de Deus. O movimento, iniciado no começo do século XI, tinha como meta circunscrever a violência”.
Para eliminar as guerras fratricidas entre os cristãos, foram colocados sob proteção as igrejas e os terrenos que as cercavam; depois, alguns dias da semana consagrados à prece ou à penitência, as datas litúrgicas, a Quaresma; os clérigos e todos que eram inofensivos e vulneráveis; os comerciantes e a multidão de camponeses”.
Pela incitação dos bispos, os cavaleiros juravam sobre as relíquias a respeitar a codificação da guerra privada feita pela Igreja, e a negar sua amizade e perseguir a quem a desrespeitasse” (Georges Duby, op. cit., p. 57).

3 – O nobre, para ser reconhecido, deveria ser capaz de grandes virtudes
O Príncipe concede e doa anéis a seus súditos; o nobre deve ser clemente, quer dizer, amigo das dádivas” (Friedrich Herr, professor em Viena, in “Historia de la Civilización Occidental”, Ed. Labor, Barcelona, 1966, p. 112).
Naquela época, dar presentes era um gesto essencial; nobre é aquele que dá a seus amigos” (Georges Duby, op. cit., p. 16)


QUARTO MITO
Na Idade Média havia regime de escravidão

REFUTAÇÃO
Antes da Idade Média, todos os povos admitiam a escravidão mais completa. A Idade Média, sob o signo do Cristianismo, foi atenuando cada vez mais a ideia de escravidão do Direito Romano, e ao final do período praticamente não havia mais nenhuma forma de escravidão.

DOCUMENTAÇÃO
1 – Significado do termo “servo”
(...)'Servo’, na Idade Média, não tem o significado que a linguagem corrente dá à palavra em nossos dias. ‘Servir’ ou, como também se dizia, ‘ajudar’, ‘proteger’; é nestes termos muito simples que os mais antigos textos resumiam as obrigações recíprocas do vassalo e seu chefe. O liame jamais foi tão forte quanto no tempo em que os efeitos eram expressos de maneira mais vaga, e, em consequência, a mais compreensiva” (Marc Bloch, op. cit., p. 309).
O termo ‘servo’ seguiu sendo corrente, mas designava outra coisa: servo era o ‘homem’ de alguém, isto é, o vassalo” (Georges Duby, op. cit., p. 43).
Os escravos, os servos, como lhes chamam os dialetos vulgares, são só uma minoria entre os camponeses, por volta do ano 1000” (Georges Duby, op. cit., p. 16).
Com frequência um camponês livre se colocava voluntariamente em mãos de um senhor ... com o único fim de obter dele uma proteção jurídica e econômica, e gozar deste modo de uma segurança maior. Este processo continuou nos séculos seguintes” (Gerd Betz, professor em Brunswick, in “Historia de la Civilización Occidental”, Ed. Labor, Barcelona, 1966, p. 147).
A onipotência aparente do senhor feudal tinha um limite: o costume, isto é, o conjunto dos usos antigos guardados na memória coletiva. Era um direito fluido, porque não era fixado por um texto escrito; era conhecido interrogando-se os mais velhos do povo, mas apesar disso se impunha a todos como uma legislação intocável” (Georges Duby, “Histoire de la Civilization Française”, p. 41). Mais sobre o Direito.

2 – A Igreja eliminou na Cristandade medieval a escravidão pagã
Iniciemos com uma interessante distinção de Paul Allard. Existiam dois tipos de escravidão: a das pessoas e a do trabalho. Segundo esse autor, a abolição da escravidão das pessoas já era uma obra “quase inteiramente terminada, ou pelo menos inteiramente preparada, antes da segunda metade do século VI”, ou seja, no início da Idade Média.
Da escravidão não restou senão uma coisa: a obrigação de trabalhar para outros. Mas pouco a pouco também esta obrigação se transformou em uma regra fixa: o servo tornou-se senhor de seu trabalho, com a condição de ceder uma parte do ganho em benefício de seu senhor. Esta transformação não se consumou de modo uniforme: em alguns lugares veio rapidamente, e parece já estar estabelecida desde o século V; em outros, não se pode assinalar com certeza antes do século XI ou XII ... Pode-se ainda constatar (na Itália e na Espanha) a presença de alguns escravos depois do século XIV; mas são fatos excepcionais, isolados, que não contradizem os resultados gerais por nós expostos” (Paul Allard, “Gli Schiavi Cristiani”, Libreria Editrice Fiorentina, 1916).
Por seu livro, Paul Allard recebeu de Mons. Nocelle a seguinte carta, escrita a mando de Pio IX: “Entre os numerosos benefícios que as sociedades humanas receberam da Religião Católica, é justo citar as transformações que trouxe à desventurada condição dos escravos, que por sua influência foi primeiramente mitigada, e depois pouco a pouco destruída e abolida. E é por isso que S.S. Pio IX viu com prazer que V. Sa., em seu livro sobre os 'Escravos Cristãos', pôs às claras esse grande fato, e tributou à Igreja os louvores que lhe são devidos nesse ponto”.
Depois do ano mil, a França medieval — salvo em suas fronteiras meridionais, em contato com o Islã, onde subsistia por toda a Idade Média um comércio de escravos alimentado pela pirataria — já não conheceu a servidão à maneira antiga, que rebaixava os homens à condição de animais” (Georges Duby, op. cit., p. 42).
É indiscutível que a difusão das concepções cristãs ... fez com que se reconhecessem os direitos familiares dos servos” (Georges Duby, op. cit., p. 16).
O cuidado pela salvação, particularmente agudo nas proximidades da morte, inclinava (os senhores) a ouvir a voz da Igreja, que, se não se levantava contra a servidão em si, fazia da libertação do escravo cristão uma obra de piedade por excelência” (Marc Bloch, “La Société Féodale”, p. 360).

3 – O trabalho manual foi altamente dignificado
Por outro lado, concede-se ao trabalho manual muito mais valor, devido à orientação religiosa determinada pelo Cristianismo. Desde São Bento de Nursia o trabalho manual é um elemento essencial das regras monásticas” (Friedrich Heer, in “Historia de la Cultura Occidental”, p. 114). Mais.


QUINTO MITO
A Idade Média foi a “noite de mil anos”, em que a cultura desapareceu.

REFUTAÇÃO
A Idade Média foi uma época de grande progresso cultural. As grandes sumas, e as obras de arte que ainda permanecem insuperadas, o atestam.

1 – Progresso geral
No segundo terço do século XI começou um progresso acelerado. Foi uma fermentação de tudo; floração um tanto desordenada, audácia criadora, tal foi o tom do século XII. De um século XII que a meu juízo começa a 1070 e se encerra por volta de 1180, e do qual seria umbral a igreja abacial de Trindade de Caen, e por fim o coro de Notre Dame de Paris, pedras milenares admiráveis. De um século que formou a versão do autor de Roland, para concluir com a morte de Chrétien de Troyes, com o nascimento de Francisco de Assis. Do século de Abelardo e de São Bernardo de Claraval. Do grande século XII, o mais fecundo da Idade Média” (Georges Duby, op. cit., p. 63).

2 – Floração de escolas e Universidades
Oxford
Em sua corte de Aix-la-Chapelle, Carlos Magno fundou a “Scholla Palatina”, e ele mesmo participou das aulas como aluno. No ano 787, dispôs que se instalassem escolas em todos os mosteiros e cabidos. Posteriormente tal disposição foi ampliada” (Friedrich Heer, op. cit., p. 117).
Sobre as escolas.
As escolas monásticas medievais são a base e a origem de todas as escolas do Ocidente, principalmente universidades e escolas superiores”. E o autor cita as principais universidades do tempo, sua data de fundação e sua especialidade: Sorbonne, de Paris (1256, teologia), Bolonha (século XI, jurisprudência), Salerno (medicina). (Gerd Betz, “Historia de la Civilización Occidental”, Ed. Labor, Barcelona, 1966, pp. 153, 154). Mais sobre Universidades.
Com Carlos Magno e seus sucessores, os mosteiros haviam atingido uma posição única de predomínio intelectual, espiritual e artístico. Eram os únicos que proporcionavam mestres, escribas e diplomatas; eram os únicos que alimentavam a erudição, conservando intactos não só os textos da Bíblia e dos primeiros Padres, mas também grande parte da cultura do mundo clássico” (George Zarnecki, professor de História da Arte na Universidade de Londres, “La Apostación de las Ordenes”, in “La Baja Edad Media”, Ed. Labor, Barcelona, 1968, p. 63). Mais sobre as escolas.

3 – Na Idade Média surgiram os primeiros hospitais
A Idade Média se caracterizou, entre outras coisas, pelo “... aparecimento dos hospitais, que adquiriram sua função atual com a fundação da Ordem de São João de Jerusalém (hoje Ordem de Malta) em 1099” (Friedrich Heer, “Wachau”, in “Historia de la Cultura Occidental”, ed. Labor, 1966, p. 193). Leia mais sobre os hospitais.

4 – Desenvolvimento da música
Antifonário franciscano
O Papa S. Gregório Magno deu aos cantos eclesiásticos romanos sua forma e ordenação definitivas (cerca do ano 600). No século VIII o anglo-saxão Bonifácio (672-674) e Pepino III (714-768) introduziram o canto coral gregoriano nos conventos; sua continuidade foi assegurada com a “Schola Cantorum” de Metz” (Friedrich Heer, op. cit., p. 123).
Os instrumentos da época carolíngia são: órgão portátil, flautas, gaitas, ‘chirímias’, trompetes e clarins; a lira, a cítara e a harpa; os címbalos, pratos e tímpanos. A partir de 860 se introduz também um instrumento de corda de pequeno tamanho, a viella” (Friedrich Heer, op. cit., p. 123).


SEXTO MITO
Na Idade Média a ciência ficou estagnada, e não houve progresso técnico.

REFUTAÇÃO
A Idade Média conheceu um florescimento científico e técnico muito acentuado.

DOCUMENTAÇÃO
1 – Conhecimentos técnicos em geral
• O manual “Schedula diversarum artium” (século XI), do monge Teófilo Presbítero, consigna importantes inventos e conhecimentos técnicos nos ramos de preparação de tintas, pintura, trabalhos de metal, produção de cristal, vitrais, construção de órgãos, trabalhos em marfim, com pedras preciosas e pérolas.
• O
Hortus Deliciarum, da abadessa Herrad de Landsberg (1160), traz numerosas descrições de todo o aparelhamento técnico que possibilitou a construção das magníficas catedrais. Saiba como a Igreja promoveu a ciência logicamente sistematizada e como floresceram ciências como a mecânica, as matemáticas, a física e a astronomia
Alguns dos progressos da época: Moinhos de vento; rodas hidráulicas; fundição de sinos; relógios; relógios com figuras móveis; roca e carretilha para fiação; carvão de pedra e sua utilização em forjas; exploração do carvão na Inglaterra e no Ruhr (Alemanha); serraria automática movida a água corrente (Cfr. Gerd Betz, “Historia de la Civilización Occidental”, p. 150).

2 – Descobertas químicas durante a Idade Média
Antes do ano 1000 já se fabricava o álcool destilado do vinho. Nos séculos XII e XIII descobriu-se: amoníaco, ácido nítrico, ácido sulfúrico, alúmen. Estes elementos acarretaram grandes progressos na produção de extratos alcoólicos, tinturas, corantes, no polimento, na produção de cristais em cores (Cfr. Friedrich Heer, “Historia de la Civilización Occidental”, p. 183). Veja descobertas medievais surpreendentes
A razão desta evolução da técnica reside na tendência a uma atividade relacionada com a natureza e condicionada pela piedade religiosa, com a consequente afirmação do trabalho corporal e o desaparecimento das antigas formas de escravidão” (Friedrich Heer, op. cit., p. 115). Veja sobre a tecnologia e o copyright na Idade Média.

3 – Outras inovações importantes
Imperador Carlo Magno
O trabalho animal, até então mal aproveitado, é levado ao máximo desenvolvimento por meio de uma série de inventos. Por exemplo, o uso de coleiras nas guarnições para os cavalos, que multiplica por quatro a força de tração dos animais” (Friedrich Heer, op. cit., p. 115). Veja mais.
Desde a época de Carlos Magno, vão ganhando terreno as construções de pedra: a maior revolução técnica na arquitetura, cuja importância se faz sentir durante um milênio” (Friedrich Heer, op. cit., p. 112).
No tempo de São Francisco, ‘a atividade mercantil estava promovendo a prosperidade da Europa e desenvolvendo em todos os sentidos a capacidade das cidades’ (Christopher Brooke, professor de História Medieval na Universidade de Liverpool, “Estructura de la Sociedad Medieval”, in “La Baja Edad Media”, ed. Labor, Barcelona, 1968, p. 39).
Nos anos 1000 começa a difundir-se o uso do moinho de grãos movido por água corrente e construído pelos senhores, melhoramento considerável que economiza grande parte do tempo que se empregava em moer o trigo entre pedras” (Georges Duby, “Historia de la Civilización Francesa”, p. 15).

4 – Transformação agrícola que mudou a face da Europa
A expansão agrícola dos séculos XI e XII parece ter sido o único grande rejuvenescimento do conjunto das práticas camponesas que atingiu os campos franceses, desde a época neolítica até a ‘revolução agrícola’ dos tempos modernos” (Georges Duby, op. cit., p. 63).
O cultivo da vinha na França, Áustria e região do Reno e Mosela deve muitíssimo aos monges. Até o século XIX e quase até nossos dias, muitas propriedades rurais foram exploradas segundo os princípios estabelecidos pelos monges medievais” (Gerd Bertz, in “Historia de la Civilización Occidental”, p. 143).
Os campos da abadia de Cluny, situados na vanguarda do progresso, em meados do século XII, davam uma colheita seis vezes maior do que os grãos semeados nos melhores terrenos ... Foi uma renovação fundamental, que mudou profundamente todas as maneiras de viver, posto que graças a ela o camponês tirava de uma terra menos extensa, em igual tempo, com menos esforço, mais alimentos” (Georges Duby, op. cit., p. 66).
“Entre o ano 1000 e as proximidades do século XII esse prodigioso esforço, esses inumeráveis golpes de machados e enxadas dados por gerações de pioneiros, esses diques contra inundações, todas as queimas dos matagais, todas essas plantações de novas vinhas, deram aos campos da França uma nova fisionomia — a que conhecemos” (Georges Duby, op. cit., p. 70).

Nota do blog Pale Ideas: Os links são na maioria do Wikipedia, com o tempo irei substitui-los por outros mais fidedignos. Os textos são dos links abaixo; as imagens, da web.


Fontes:




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