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segunda-feira, 9 de julho de 2018

O que é uma catedral?

Festa da dedicação de uma catedral, festa da Igreja. O que é uma catedral?


Uma catedral é fruto de um desejo momentâneo ou é algo que se pode realizar pela vontade? [...] Com toda a certeza, as igrejas que herdamos não resultam apenas da gestão de capitais, nem são uma pura criação do gênio; são fruto do martírio, de grandes feitos e de sofrimentos. As suas fundações são muito profundas; elas assentam sobre a pregação dos Apóstolos, sobre a confissão da Fé dos Santos, e sobre as primeiras conquistas do Evangelho no nosso País. Tudo o que é nobre na sua arquitetura, que cativa os olhos e chega ao coração, não é um puro resultado da imaginação dos homens, é um dom de Deus, é uma obra espiritual.

A cruz assenta sempre no risco e no sofrimento, é sempre regada com lágrimas e sangue. Em parte alguma cria raízes e dá fruto se a pregação não for acompanhada de renúncia. Os detentores do poder podem fazer um decreto, favorecer uma religião, mas não a podem estabelecer, podem apenas impô-la. Só a Igreja pode estabelecer a Igreja. Só os Santos, os homens mortificados, os pregadores da retidão, os confessores da Verdade, podem criar uma verdadeira casa para a Verdade.

É por isso que os templos de Deus são também os monumentos dos Seus Santos. [...] A sua simplicidade, a sua grandeza, a sua solidez, a sua graça e a sua beleza não fazem senão recordar a paciência e a pureza, a coragem e a doçura, a caridade e a fé daqueles que não adoraram a Deus apenas nas montanhas e nos desertos; eles sofreram, mas não em vão, porque outros herdaram os frutos do seu sofrimento (cf Jo 4, 38). Efetivamente, a longo prazo, a sua palavra deu fruto; fez-se Igreja, esta catedral onde a Palavra vive desde há muito tempo. [...] Felizes os que entram nesta relação de comunhão com os Santos do passado e com a Igreja universal. [...] Felizes os que, entrando nesta igreja, penetram de coração no Céu.


Comentário ao Evangelho do dia feito por John Henry Newman (1801-1890, presbítero, fundador de comunidade religiosa, teólogo), PPS, vol 6, n° 19. 



A Sainte Chapelle de Paris
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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

CATEDRAIS CATÓLICAS: a Basílica de Santa Maria de Cracóvia, Polônia

A Basílica de Santa Maria (em polonês Kościół Mariacki) surge no centro histórico (Stare Miasto, ou "cidade velha") de Cracóvia, na Polônia, no lado oriental da grande Praça do Mercado (Rynek Główny, ou "Praça Grande"). É famosa por seu retábulo que retrata cenas da vida da Virgem Maria e também pela trombeta que soa a cada hora do topo da Basílica e pela triste rivalidade de dois irmãos na construção das torres, que culminou em uma tragédia.  

Esta joia do gótico polonês foi completada no século 14. Segundo o cronista Jan Długosz, a primeira igreja paroquial na Praça Grande foi erigida entre 1221-1222 pelo bispo de Cracóvia, Iwo Odrowążcom o presbitério virado para o leste, como era comum à época. Após sua destruição durante as invasões dos Tártaros, a igreja atual foi edificada em estilo gótico sobre a igreja precedente, de forma divergente da nova orientação da praça, em relação à qual se apresenta oblíqua.  


Esta Catedral lembra vagamente outra Catedral deslumbrante: a Sainte Chapelle de Paris: veja aqui

A igreja foi completamente reconstruída, em estilo gótico, sob o reinado de Casimiro III o Grande, entre 1355 e 1365, por iniciativa dos vizinhos de Cracóvia para rivalizar com a catedral de Wawel, com substanciais aportes do restaurador Mikołaj Wierzynek. O corpo principal da igreja foi terminado entre 1395–1397, quando foi construída a nova abóboda pelo maestro Nicolás Werhner de Praga. Contudo, a abóboda sobre o presbitério desabou em 1442, por causa de um terremoto, que nunca antes nem depois ocorrera em Cracovia. Na primeira metade do século XV, se acrescentaram as capelas laterias. A maioria delas foram obra do maestro Franciszek Wiechoń. Ao mesmo tempos foram erguidas as torres quadradas, acabadas entre os anos 1400 e 1406. No decorrer dos séculos, houve várias modificações que com a influência e vários estilos, até ao Art Nouveau, coexistindo harmoniosamente no interior do edifício. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

ARTE CATOLICA: O CARÁTER ESSENCIAL DO GÓTICO

Para muitos de nossos contemporâneos, o caráter essencial do estilo gótico reside no emprego da ogiva. A ogiva foi empregada no Oriente, mas a encontraremos em diversos outros lugares, e nada se opõe a que ela tenha nascido espontaneamente na França. Em todo caso, a estrutura dos monumentos góticos é bem diferente daquelas dos edifícios árabes. Por outro lado, ela não é essencialmente a arte gótica. É verdade que nenhum sistema da arquitetura fez uso tão aberto e, sobretudo, tão judicioso deste elemento: o arco quebrado, sendo o mais poderoso e, por consequência, o mais econômico de todos os arcos, impunha seu emprego na construção de edifícios que tendiam a realizar a suprema riqueza das formas no meio de uma grande penúria de meios econômicos.

Mas o arco quebrado não gerou o gótico; em vão perceberemos ogivas nos pesados monumentos da Renascença; eles não seriam góticos por isso.

O gótico não é subserviente à ogiva: ele admite todos os demais arcos, o semi-circular, o abatido, o arco asa de padeiro e mesmo o arco em ferradura, se bem que este aqui seja um absurdo em seu princípio e de um efeito ridículo. Tomemos, por exemplo, Saint-Eustache de Paris, tirando o portal, que é uma infâmia moderna, observemos o corpo da igreja. Ali se procurará em vão o traço da ogiva: as grandes baies[1] laterais são arcos abatidos com reforços, como os do gótico flamejante. Todo o resto está em semi-circulares graciosos, sobretudo no coroamento dos pilares de uma maravilhosa leveza que suportam uma rica abóbada. Quem poderia duvidar por um instante que tudo isso não seja gótico?

Em Saint-Sulpice, tirando o portal, que tem somente o mérito de ser monumental, apesar da infeliz fisionomia das torres, o corpo do edifício, em belo semi-circulo, é uma construção do sistema gótico, como o plano primitivo da própria igreja, que lhe dá sua leveza de construção e sua perfeita adaptação ao serviço. Em Saint-Nicolas-des-Champs, há outra coisa: o ante-corpo é ogival, mas o coro e a abside são em semi-circulo com colunas unidas ou embutidas. Isso não impede o monumento de ser gótico em seu conjunto.

A ogiva é, portanto, uma característica do estilo gótico. O plano geral da catedral com sua alta e longa nave, seus corredores e suas capelas tão favoráveis ao exercício do culto e ao desenvolvimento do sentimento religioso, é um dos méritos dos edifícios góticos. Notre-Dame não serviu de modelo para a maior parte das outras catedrais. Há exceções. No início, não se faziam capelas laterais; o Midi possui belíssimas catedrais sem corredores, a de Beauvais é um segmento em círculo: Essas diferenças não suprimem o caráter gótico da obra. É verdade, portanto, que o gótico levou à mais alta perfeição o plano da catedral, mas ele recebeu do românico tal princípio, e por isso ele achega ao bizantino.

Uma igreja românica ou bizantina, grega ou romana, pode adotar o plano das catedrais góticas: o Sagrado-Coração de Montmartre será uma prova desta verdade.

Uma característica mais especial, e que o gótico inventou, é o arcobotante, que é tão somente um membro, mas personificado em um novo sistema. O contraforte das igrejas românicas, esse pilar massivo engajado na parte exterior da muralha, bastaria para manter construções de uma elevação medíocre; contudo, para resistir à pressão proveniente da prodigiosa elevação das abóbadas da nave gótica que ele apoiava, o contraforte deveria tomar uma grande distância, se constituindo em massas enormes, deselegantes, cujo peso teria contrastado com o aspecto elegante e leve do edifício; eles teriam terminado, diz Viollet-Leduc, por custar mais caro que o próprio edifício. Essa combinação engenhosa (arcobotante) deve ser vista como a obra-prima da arte nova: ela é de tal poder que, se ela não fosse sabiamente manejada, ela produziria a ruína em sentido inverso e lançaria o muro no interior, no coro e na nave; seu emprego exigia, portanto, uma grande habilidade, bem como a perfeita apreciação das leis do equilíbrio. Entretanto, é preciso notar que o arcobotante só era um expediente, pouco constituindo o caráter essencial do estilo.

A construção desses membros é muito custosa, bem como sua manutenção. Além disso, eles encobrem o entorno da construção, e até mesmo servem como separação das capelas laterais. Disso, perguntamos: qual é então o caráter essencial do gótico? Residiria ele, por acaso, nos ornamentos graciosos dos decoradores? Contudo, esses ornamentos vieram de todas as partes: do grego, do árabe, do romano e da imaginação frequentemente licenciosa dos artistas. O suporte é redondo, quadrado, em losango, entrelaçado; os capitéis são planos, cúbicos, cilíndricos; os baixos relevos de todas os tipos, ou podem não existir; as nervuras, a pedra angular, os tímpanos[2], as gárgulas, tomando as formas mais bizarras. Mas o que importa? É outra coisa que dá ao estilo gótico o aspecto elegante e grave, leve e solene, que faz dele o tipo sem rival do monumento religioso.

O caráter incontestável do estilo gótico reside nos procedimentos de sua estrutura, em seu próprio princípio: é o equilíbrio artificial resultante da oposição calculada das forças e dos elementos. Qualquer que seja o tipo da abóbada, ogiva ou semi-círculo; a forma dos suportes interiores e exteriores, coluna ou pilar, o equilíbrio calculado é seu meio, e a tal ponto que as abóbadas e os membros suportados reforcem os suportes que os sustentam.

É por aí que o estilo gótico obtém sua ousadia inacreditável, sua leveza, sua superioridade. Os outros estilos originaram este princípio de construção, e quando eles o adotaram, a partir de então, eles praticaram o gótico sem sabê-lo.

A proporção do vácuo é realmente considerável, a nave e o coro tão elevados, os suportes tão reduzidos à sua mais simples expressão. O romano exagerou a largura, o gótico buscou a elevação; em um, a impulsão religiosa está em proporção com a massa de materiais e do peso dos membros; em outro, o efeito religioso cresce em razão de sua graça e de sua leveza.

No gótico, tudo concorre para levar ao extremo o sentimento de respeito e de entusiasmo divino. É verdade que o que chamamos de a arte do triunfo vê-se ali de certa maneira. Contudo, não é esse um dos méritos do estilo grego?

Esse não é o único ponto de contato do grego e do gótico. Essas longas colunatas que, saindo do solo nu, parecem querer escalar o céu, essas grandes aberturas e mil outros artifícios engenhosos desenvolvem a admiração e geram as sensações mais elevadas. Nenhuma proporção entre o conjunto e os acessórios consagrados ao serviço é resultado da ignorância, ou do desprezo pela harmonia; ao contrário, tudo isso é sabiamente calculado.

O arquiteto fez duas partes de sua obra: uma, a parte inspirada pelo sentimento divino, tem por objeto levar ao extremo a proporção do vácuo e de elevá-lo ao céu. A outra, que é a porção humana, se apropria absolutamente nas necessidades diárias.

Deus e o homem estão, assim, constantemente em presença: a fé pode fazer seu ato de humildade diante o símbolo material do poder superior ao qual ela rende homenagem: é um hino silencioso à glória do Eterno.

Tudo o que está a serviço do homem se mede por sua escala de proporções: as grades e os pontos de apoio, os altares e as bacias de água benta, as escadas e as próprias portas de serviço não ultrapassam as dimensões que lhe são dadas em edifícios privados. Rendido à essas impressões habituais, o espectador as compara aos membros essenciais do monumento, ele os acha imensos, gigantescos, e se vê confundido em sua pequenez, na presença de um conjunto tão imponente. Quando entrardes por uma porta de três metros de elevação, sob uma abóbada que sobe à trinta metros, será difícil não se surpreender.

CASTAING, Alph. Le style gothique, ses origines, sa supériorité matérielle et morale. Tradução de: Robson Carvalho. Revue du monde catholique, 1er novembre 1886.

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[1] Baies, fr.: abertura que se deixa nas paredes para ali colocar uma porta ou uma janela, ou qualquer outro objeto.

[2] Tímpanos: espaço geralmente triangular ou em arco, liso ou ornado com esculturas, limitado pelos três lados do frontão.

visto em: http://catolicosribeiraopreto.wordpress.com/2013/11/27/o-carater-essencial-do-gotico/.
 

Vide também:

  1. http://farfalline.blogspot.com.br/2013/08/as-caracteristicas-do-estilo-gotico-na.html 
  2. http://farfalline.blogspot.com.br/2013/11/arte-catolica-sainte-chapelle-de-paris.html
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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

ARTE CATÓLICA: A Sainte Chapelle de Paris, um relicário de luzes e fé

Vamos fazer uma pequena viagem pela arte religiosa católica, com ênfase na arquitetura. Começamos, hoje, pela estonteante 


Sainte Chapelle, em Paris. 



Luis IX, dito São Luis, Rei da França
by Emile Signol
A Sainte Chapelle é uma capela gótica situada na Ilha de la Cité em Paris, construída no século XIII por São Luís (IX) de França - que liderou a Sétima e Cruzada e também a Oitava, onde veio a falecer - para servir de capela do palácio real e guardar as preciosas relíquias que trouxera do Oriente: Coroa de Espinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo, obtida do imperador latino de Constantinopla, Balduíno II. A Coroa atualmente se encontra na Catedral de Notre Dame. Foi projetada em 1241, iniciada em 1246 e concluída muito rapidamente, sendo consagrada em abril de 1248. O restante do palácio desapareceu completamente, sendo substituído pelo atual Palácio da Justiça. Depois de terminada, a Sainte Chapelle recebeu as relíquias citadas e também, entre outras relíquias, um fragmento da Vera Cruz e, desta forma, o edifício tornou-se um precioso relicário. A ideia de uma capela palaciana se baseou na Igreja da Virgem de Pharos, anexa ao Grande Palácio de Constantinopla. Consiste de duas capelas sobrepostas, a inferior reservada aos funcionários e moradores do palácio, e a superior para a família real. A primeira é constituída de uma navata, por um teto com voltas cruzadas e por inúmeras pequenas esculturas e pinturas que revestem toda a superfície. Na segunda capela, pode-se ficar literalmente encantados pela elegância e a fineza dos vitrais coloridos, que representam cenas bíblicas, como do Apocalipse. 

Os aspectos mais belos e notáveis da construção, considerados os melhores do seu gênero em todo o mundo, são mesmos os seus vitrais emoldurados por um delicado trabalho em pedra, com rosáceas acrescentadas à capela superior no século XV. Não existe nenhuma menção direta ao arquiteto, mas o nome de Pierre de Montreuil, que reconstruiu a abside da Abadia Real de Saint-Denis e completou a fachada de Notre Dame, é por vezes associado ao projeto. 

Durante a Revolução Francesa a capela foi transformada em escritório administrativo e os vitrais foram tapados com enormes armários. A sua beleza oculta foi assim inadvertidamente preservada do vandalismo que sofreu em outras partes, tendo sido destruídos os assentos do coro e o painel do altar principal, o pináculo do texto foi derrubado, e muitas das suas relíquias dispersas. No século XIX, Viollet-le-Duc restaurou a Sainte Chapelle, e o pináculo atual é obra sua.


FOTOS: 


Todas podem ser ampliada para apreciar melhor.

A preciosa Relíquia da Coroa de Espinhos

Vista da Sainte Chapelle (à direita)

domingo, 24 de fevereiro de 2013

CATEDRAIS CATÓLICAS: A Catedral de Barcelona

Catedral de Barcelona: do martírio de Santa Eulália, passando pela glória de Lepanto, até os dias de hoje

 

Fachada neogótica
da Catedral de Barcelona
A Catedral de Barcelona, na Espanha, está dedicada à Santa Cruz e a Santa Eulália, donzela martirizada pelos romanos.

A catedral foi construída do século XIII ao XV sobre a antiga catedral românica.

Essa, por sua vez, havia sido edificada sobre uma igreja da época visigótica, a qual o fora sobre uma basílica paleocristã.

Situada na altura da cidade, a catedral de alguma maneira a puxa para cima.

No seu martírio, Santa Eulália foi exposta nua no fórum da cidade, mas milagrosamente – pois era primavera – uma nevasca cobriu a sua nudez.

Enfurecidas, as autoridades romanas meteram-na em um barril com vidros quebrados e cravos, e o jogaram ladeira abaixo (na rua Baixada de Santa Eulália, ou encosta de Santa Eulália).


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