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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Da caridade fraterna

Caridade Fraterna 


Social por natureza, o homem sente necessidade de amar a seu semelhante. Sem isto, a vida em sociedade seria intolerável. Sem isto, a vida em sociedade seria intolerável.
A unidade da espécie humana nos obriga a este amor: somos todos irmãos.
Outra fraternidade ainda mais estreita é a dos filhos de Deus e membros do Corpo de que Cristo é a cabeça e o primogênito entre muitos irmãos (Rom. 8, 29).

Amor do próximo
s1. A lei mosaica mandava: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo” (Lv. 19, 18). Mas os judeus não compreendiam os inimigos, escravos e estrangeiros como próximos.
2. Jesus Cristo equiparou o amor do próximo ao amor de Deus (Mt. 22, 39) e lhe deu verdadeira interpretação na parábola do samaritano (Lc. 10, 25-37), estendendo a caridade a todos os homens, mesmo ao inimigos (Mt. 5, 43-45).
3. A caridade fraterna é sinal de amor a Deus.

“Se alguém disser que ama a Deus, e odiar o seu irmão, é mentiroso. Porque aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, como amará a Deus a quem não vê?” (1 Jo. 4, 20).

4. É o sinal do cristianismo. Jesus indicou o amor do próximo como o sinal para se conhecerem os seus discípulos: “Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo. 13, 35).
5. Por isto Deus exige de quem o ama que ame também o próximo (1 Jo. 4, 21). Não aceita as oferendas dos que primeiro não se reconciliarem com o seu irmão (Mt. 5, 23-24).


Por amor de Deus

1. Devemos amar ao próximo primeiramente por amor de Deus. A caridade é uma virtude sobrenatural. No próximo vemos:
a) a imagem de Deus (Gn. 1, 26);
b) um filho de Deus (Mt. 23, 9), participante da bondade divina;
c) um membro de Jesus Cristo. O próprio Jesus Cristo reputa feito a si o que foi feito ao mínimo de seus irmãos (Mt. 25, 40);
d) um nosso irmão. Fomos todos criados por Deus e remidos pelo sangue de Cristo, que nos ensinou a verdadeira fraternidade, na qual chamamos a Deus de Pai: “Padre nosso, que estais no céu”.
2. Não é caridade o que se baseia na simples compaixão natural ou em meras considerações humanas.


Amar os inimigos

1. Somos obrigados a amar até os próprios inimigos. É doutrina expressa de Jesus:
“Tendes ouvido o que foi dito: Amarás a teu próximo e odiarás a teu inimigo. Mas eu vos digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem a quem vos odeia, orai pelos que vos perseguem e caluniam” (Mt. 5, 43-44).

2. Isto fazemos:
a) não guardando ódio. “Todo o que tem ódio a seu irmão é homicida” (1 Jo. 3, 15).
b) perdoando de coração: “Se não perdoardes aos homens, também vosso Pai celeste não vos perdoará vossos pecados” (Mt. 6, 15).
c) não querendo vingar-se.
d) fazendo por eles o bem que queremos que nos façam.

3. O amor aos inimigos não é impossível. De fato:
a) Jesus fez dele um preceito: “Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos” (Mt. 5, 44). E ele não nos iria dar um preceito impossível.
b) Deu-nos o exemplo, perdoando a seus algozes (Lc. 23. 34), o que tem sido seguido pelos santos: Sto. Estêvão (At. 7, 59), São João Gualberto (dia 12 de julho), Santa Joana de Chantal (21 de agosto).



ORDEM NA CARIDADE

1. Há na caridade uma ordem de pessoas. Se devemos amar o próximo como a nós mesmos, somos o padrão de nosso amor ao próximo. A caridade bem ordenada começa por si mesma.

A ordem de pessoas é a seguinte: cônjuge, filhos, pais, irmãos, parentes, amigos, benfeitores, correligionários (Gl. 6, 10), conhecidos, concidadãos, estrangeiros.

2. Há uma ordem de necessidade: espiritual e corporal. Mesmo em nós, amar de preferência o que vale mais.
A salvação vale mais do que a vida – e somos obrigados a dar a vida pela salvação eterna.
A alma vale mais do que o corpo: “Se o teu olho te escandaliza, arranca-o e lança-o fora” (Mt. 5, 29).
A virtude vale mais do que o saber – e devemos afastar-nos dos conhecimentos nocivos à virtude.
A honra vale mais do que a saúde – e importa guardar aquela, mesmo com detrimento desta.
O dever vale mais do que o prazer – e devemos abandonar os divertimentos que impedem o cumprimento dos deveres.
Assim, daremos aos valores espirituais tanto maior cuidado quanto o espírito é superior ao corpo.

3. No amor ao próximo respeitaremos do mesmo modo a hierarquia de valores.
a) A salvação de uma alma prevalece sobre qualquer necessidade temporal nossa ou alheia. (Em que casos se pode dar isto?).
b) Para salvar uma vida, somos obrigados a sacrifícios mais ou menos importantes. Mas não somos obrigados a expor a própria vida para salvar a de outrem.
c) Devemos preferir as obras de caridade espirituais, que são entre nós, infelizmente, as mais desprezadas. (A que obras de caridade espiritual v. se pode dedicar?).
Às vezes, porém, somos obrigados a começar pelo corpo para chegarmos aos cuidados espirituais que, na intenção, são os primeiros. “É inútil pregar conformidade e resignação a homens famintos” (Troniolo). As Conferências Vicentinas, cuja finalidade é espiritual, começam sempre pelo socorro material.

4. É contra a caridade para conosco expor-nos a perigo grave de pecar, em benefício espiritual do próximo. (Que pensar de certos jovens que vão para os bailes dançar para fazer Ação Católica?).

5. A caridade espiritual é de todas a primeira. A caridade consiste no amor de Deus, isto é, no estado de graça. Então a caridade conosco é nos mantermos no estado de graça, empregando para isto os meios. Com o próximo, a caridade é levá-lo à graça divina, usando igualmente dos meios aptos.

6. Na própria necessidade há uma ordem. Podemos achar-nos em necessidade extrema, grave ou comum.


Qualidades da caridade

1. Sobrenatural, para ser caridade. Vemos no próximo um filho de Deus, em membro de Jesus Cristo.

2. Operosa. Virtude de obras e não apenas de afetos. Se é verdade que as obras sem amor não são caridade, também os afetos só não bastam.
“Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem do alimento quotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e saciai-vos; porém não lhes derdes as coisas necessárias ao corpo, de que lhes aproveitará?” (Tgo. 2, 15-16).

3. Universal, não só enquanto atinge a todos os homens, mas também enquanto envolve todos os atos e anima todas as virtudes cristãs, que sem ela nada valem.
“Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, se não tiver caridade, sou como um bronze que soa ou como um címbalo que tine” (1 Cor. 13, 1). (Ver o elogio da caridade feito por S. Paulo em 1 Cor. cap. 13.).


Para viver a doutrina

1. A verdadeira caridade quer o maior bem do próximo. No entanto, dizer mal do próximo, zombar, divulgar seus defeitos e faltas, não socorrê-lo nas necessidades espirituais, não ajudá-lo a sair do pecado ou das ocasiões perigosas – são faltas de todo dia. O meu amor ao próximo deve tomar novo incremento.

2. Toda gente se queixa da grande miséria espiritual do mundo moderno. Há no meio em que vivo indícios desta miséria? (Examinar e determinar). E eu tenho o dever de minorá-la. Converter a uns para a prática da Religião, chamar outros para a frequência dos Sacramentos, cuidar de que todos vivam na graça divina – eis a missão da Ação Católica. Como poderei eu fazer isto? (Responder de modo prático, que encaminhe à ação).

3. A verdadeira caridade fraterna é fazer o próximo viver na graça santificante. Ora, há milhões de almas que nem conhecem o verdadeiro Deus. Que faço pelas Missões? Os missionários fazem um trabalho sobrenatural, mas precisam também de meios humanos para tratarem da conversão dos pagãos. Que posso eu fazer para ajudar aos missionários? (Responder de modo prático, que leve à ação).

4. Ao nosso lado há hereges – protestantes e espíritas. Afastados da verdadeira fé, errando o caminho da salvação. Sou obrigado a amá-los, interessando-me pela sua conversão e salvação. Tenho feito isto? Que posso fazer neste sentido? (Responder). Há um apostolado de preservação contra essas heresias: advertir os incautos contra as sessões, remédios e enganos do espiritismo; contra a propaganda (livros, revistas, pregações) protestante.

5. É a caridade uma das virtudes mais fáceis de praticar, desde que a tenhamos no coração. Não faltam ocasiões.
Em vez de palavras ásperas, palavras bondosas; em vez de zombarias que desagradam, um trato amável; em vez de rixas, união com todos; em vez de rivalidades, que provocam discórdias, humildade, que desfaz competições; em vez de maledicências e juízos temerários, dizer e pensar bem de todos. Há uma infinidade de pequenos serviços, há muitas ocasiões de proporcionar alegria, há inúmeros meios de mostrar gentileza que uma pessoa caridosa pode e sabe aproveitar.

6. É o amor aos inimigos um dos mais difíceis preceitos da caridade cristã. Longe de ser fraqueza, como pensa o mundo, é prova de grande valor moral. Sinal de força é o homem vencer-se, dominar os seus baixos instintos. A melhor prova de que isto é mais heroísmo do que fraqueza, é que muitos são capazes de odiar e vingar-se, poucos de perdoar e amar. Mas somos cristãos para seguir e imitar a Jesus Cristo.

7. Se somos obrigados a amar a todos, devemos no entanto respeitar a ordem na caridade. Nesta ordem há um ponto que devemos salientar: é a solidariedade dos católicos.
Preferir o médico, o advogado, o comerciante, o operário, etc., que comungam da mesma fé conosco é recomendação do próprio São Paulo: “Façamos o bem a todos, mas principalmente aos irmãos na fé” (Gl. 6, 10). (Que mal pode fazer numa família um médico sem religião?).
A preferência aos colégios e professores católicos é uma imposição da Igreja, por causa dos perigos que os anticatólicos trazem à fé.

8. Nunca nos devemos expor a perigo de pecar, mesmo para cuidar da salvação do próximo. Se a companhia de certo amigo me faz mal (mesmo que eu lhe faça algum bem), devo deixá-la. Se frequentando certo divertimento corro perigo espiritual, devo abandoná-lo ainda que a minha presença evite alguns males. Se uma leitura me prejudica moralmente, ainda que me ilustre o espírito, sou obrigado a abandoná-la.



OBRAS DE CARIDADE

Santa Isabel da Hungria

A prova da caridade são as obras. Não é com meros sentimentos nem com palavras que haveremos de socorrer e assistir a nossos irmãos nas suas múltiplas necessidades.

Importa conhecer essas necessidades. Assim atenderemos a cada qual segundo o seu valor, orientando nossas ações para a suprema preocupação da caridade, que é o amor de Deus, sem nos esquecermos de que muitas vezes é o corpo o melhor caminho para atingirmos as almas.


Obras de misericórdia

1. As CORPORAIS são:

1º dar de comer a quem tem fome: “Tive fome e me destes de comer” (Mt. 25, 35).
A viúva dá a Elias o último punhado de farinha que lhe resta, e Deus a recompensa com fartura (3 Reg. 17, 12-16). S. Domingos (4 de agosto) dá aos pobres os últimos pães que havia no convento. Ainda criança, Santa Rosa de Viterbo (4 de setembro) dava aos pobres o pão da merenda.

2º dar de beber a quem tem sede: “Tive sede e me destes de beber” (Mt. 25, 35).
“E todo o que der a beber a um daqueles pequeninos um copo d’água fria, por ser meu discípulo, na verdade vos digo que não perderá a sua recompensa” (Mt. 10, 42). Rebeca dá de beber ao servo e aos camelos de Abraão (Gn. 24, 15-20).

3º Vestir os nus: “Estava nu, e me vestistes” (Mt. 25, 36).
Tobias dava roupas aos seus parentes pobres (Tb. 1, 20). S. Martinho corta a metade do manto para dar a um pobre, e à noite Jesus lhe aparece vestido naquele manto (11 de novembro).

4º Remir os cativos.
S. Felix de Valois (20 de novembro) funda a Ordem dos Trinitários para a remissão dos cativos.

5º Visitar os enfermos e encarcerados: “Estava enfermo, e me visitastes; no cárcere, e viestes ver-me” (Mt. 25, 36).
S. João de Deus funda uma Ordem para cuidar dos enfermos (8 de março). Os hospitais católicos. S. Tomás de Vilanova com o dinheiro que lhe davam, ainda criança, comprava ovos para levar aos doentes (23 de setembro).

6º Dar pousada aos peregrinos: “Era peregrino, e me acolhestes” (Mt. 25, 35).
S. Paulo manda não esquecermos a hospitalidade (Hb. 13, 16). A Regra de São Bento manda hospedar no mosteiro os peregrinos. Raquel hospeda Tobias com alegria (Tb. 7, 1).

7º Sepultar os mortos.
Tobias enterra os mortos, com sacrifícios ousados (Tb. 2, 3-9). Davi felicita os que sepultaram a Saul (2 Reg. 2, 5). José de Arimatéia sepulta a Jesus (Mt. 22, 60). Os cemitérios paroquiais. As encomendações. Acompanhar os enterros, por espírito de caridade.


2. As ESPIRITUAIS são:

1º Dar bom conselho.
S. João Batista aconselha Herodes a abandonar o pecado (Mc. 6, 18). Por uma boa conversa se pode levar uma alma a Jesus. (Ver Jo. 1, 40-51; 4, 39-42). (Que oportunidades lhe aparecem para dar bons conselhos?).

2º Ensinar aos ignorantes. Jesus manda aos apóstolos: “Ide e ensinai” (Mt. 28, 19).
Os pregadores e catequistas. As Congregações ensinantes. As Missões entre os infiéis.

3º Corrigir os que erram: “Se teu irmão pecar contra ti, corrige-o” (Mt. 18, 15). Natan corrige a Davi, quando este pecou (2 Reg, 12, 7-12).

4º Consolar os aflitos: “Vinde a mim todos os que trabalhais e estais sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt. 11, 28).
(Procurar passagens do Evangelho em que Jesus consola os que sofrem). “Visitar os órfãos e viúvas nas suas tribulações” (Tgo. 1, 27). S. Camilo de Lelis funda uma Ordem para socorrer os moribundos (18 de julho).

5º Perdoar as injúrias: “Perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém” (Mc. 11, 25).
Generosidade de Davi para com Saul (1 Reg. 24, 4-8 e 26, 6-12). E os nossos interesses estão em jogo: “Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores”...

6º Sofrer com paciência as fraquezas do próximo.
A paciência nos é necessária (Hb. 10, 36) e precisamos revestir-nos dela (Col. 3, 12) para suportarmos os outros – mesmo porque precisamos também ser tolerados por eles: “com paciência, suportando-vos uns aos outros por caridade” (Ef. 4, 2). (Quais as fraquezas do próximo que mais me custa suportar? Como fazer para vencer-me?).

7º Orar pelos vivos e defuntos.
Abraão pede a Deus pelos habitantes de Sodoma (Gn. 18, 22-32). Moisés pede pelos israelitas (Ex. 32, 11-14). Jesus reza por São Pedro (Lc. 22, 32), pela Igreja (Jo. 17, 20-26). Judas Macabeu ora pelos soldados mortos (Mac. 12, 42-46). – Lição da Missa de aniversário dos defuntos. O rosário e a conversão dos albigenses.


A esmola

1. A esmola envolve grande parte das obras de caridade corporal. É em si mesma um preceito da lei natural.

2. É um preceito da lei divina. E não simples conselho. É obrigação, que pode ser grave, mesmo gravíssima, ainda com grande incômodo e dano de quem dá.
O mau rico foi condenado ao inferno por negar a Lázaro os seus sobejos (Lc. 16, 19-23). E no dia do juízo muitos serão por isto condenados: “Afastai-vos de mim, malditos...porque tive fome e não me destes de comer” (Mt. 25, 41). Na Lei Antiga já tinha sido mandado por Deus: “Eu te ordeno que abras a mão a teu irmão necessitado e pobre” (Deut. 15, 11).

3. A doutrina da Igreja tem sido constante a este respeito.
S. Jerônimo adverte que o supérfluo não nos pertence. S. Agostinho diz mesmo: “O supérfluo do rico é necessário ao pobre; retém o alheio quem o retém”. S. Ambrósio increpa os ricos: “Um homem pede pão, e teu cavalo tem arreios de ouro!”


Regras da esmola

1. Regra geral: A esmola deve ser de acordo com a condição de quem dá e a necessidade de quem pede. Simples na teoria, é regra bem difícil na prática:
a) Somos obrigados a dar do supérfluo. O supérfluo é o que sobra do necessário à nossa existência (alimento, roupa, habitação) e ao nosso estado ou condição social (empregados, hóspedes, visitas, decência condigna).
b) A necessidade de quem pede pode ser:
1) extrema: morre, se não for socorrido;
2) grave: corre um grande perigo corporal ou moral;
3) comum: a dos mendigos em geral.

2. Regras particulares:

1ª Na extrema necessidade somos obrigados a dar o suficiente para socorrer a pessoa no momento, mesmo tirando do necessário ao nosso estado;

2ª Na necessidade grave somos obrigados a dar do mesmo modo, mas não com grave detrimento nosso;

3ª Na necessidade comum, só do supérfluo somos obrigados a dar, e não a todos os necessitados.


3. Como se deve dar:

a) Por amor de Deus, vendo a Jesus no próximo: “Quantas vezes fizestes ao menor dos meus irmãos, a mim foi que fizestes” (Mt. 25, 40). Somente feita por amor de Deus, a esmola é caridade.

b) Por amor do próximo e, portanto, sem humilhar quem pede, sem se mostrar aborrecido em dar; sem constrangimento, mas com prontidão (2 Cor. 9, 7), sem ostentação (Mt. 6, 3). O modo de dar, às vezes, é mais caridade do que a esmola. Dando esmola por amor, teremos cuidado de não favorecer o vício, como nos adverte São Vicente de Paulo.

c) Com generosidade. Há pessoas que nunca têm supérfluo... Guardam tudo com ambição crescente. Mas, na verdade, a melhor esmola é a que sai do nosso necessário, como o óbolo da viúva, louvado de Jesus (Mc. 12, 43-44).


Para viver a doutrina

1. Tudo o que fizermos aos nossos irmãos, com os olhos na terra, na terra há de ficar. “Já receberam a sua recompensa”, disse Jesus (Mt. 6, 2). Tenhamos sempre em mira o amor de Deus, para encontrarmos tudo na eternidade.

2. É de muito valor a caridade corporal. Cristo mesmo a exerceu tantas vezes, curando enfermos, saciando famintos. A Igreja, em todos os tempos, se tem preocupado das necessidades corporais dos homens. Nisto ninguém lhe leva a palma.

3. Quando se trata de obras difíceis, contínuas, humildes, ninguém lhes mete ombros senão só os bons filhos da Igreja. Hospitais, leprosários, orfanatos, creches, etc., obras penosas, são mantidas por instituições eclesiásticas. Das mais notáveis invenções da caridade cristã são as Conferências Vicentinas, com sua visita semanal à casa dos pobres. E tudo feito em silêncio, por amor de Deus e do próximo.

4. Há obras de caridade corporal que todos podemos fazer com facilidade.
Uma pequena esmola, dar roupas usadas, visitar os doentes mesmo desconhecidos de um hospital, um pequeno serviço – são ações acessíveis a qualquer de nós. E não nos faltará ocasião. (Que obras de misericórdia corporal pode v. fazer?).

5. Mas as obras espirituais são muito mais importantes. Veremos o nosso irmão errar? Temos o dever de impedir o pecado, afastando-o da ocasião próxima. É a correção fraterna ocasião frequente de muitos benefícios espirituais ao próximo. (Que ocasião tem v. de praticá-la?).

6. Obra que merece grande dedicação é a instrução religiosa das crianças e das pessoas mais abandonadas. Muitos se perdem no protestantismo e no espiritismo, ou não praticam a Religião, ou a misturam com superstições, por não conhecerem o Catecismo. Devo ajudar ao Vigário no ensino religioso. Mesmo em conversas posso esclarecer muita coisa, retificar, dando a verdadeira doutrina da Igreja. É esmola muito mais valiosa do que o dinheiro. Sem isto, muitas pessoas se perderão eternamente.

7. Há ricos mais precisados da nossa caridade do que os pobres de esmolas. Há corações aflitos, que podemos consolar com uma palavra, uma visita, um bom conselho. Num momento de dor é grande conforto sabermos que os amigos sofrem conosco, rezam por nós, não nos abandonam. E não faltam ocasiões de praticarmos esta caridade.

8. Grande caridade é rezar pelo próximo. Quantos males podemos evitar, quanto bem fazer com a oração. Temos um tesouro na assistência à santa Missa aplicada por todas as necessidades. Ouvir, ou ainda melhor, mandar celebrar a Missa pelas intenções do próximo, é grande caridade, que ainda praticamos pouco. Nesta caridade não esqueçamos principalmente as almas do purgatório e os pecadores.

9. Acostumemo-nos, desde agora, a dar do pouco que temos. Além dos outros benefícios, a prática da esmola vai corrigindo nosso demasiado apego aos bens terrenos e os excessos do nosso egoísmo. Orientemos também, desde agora, nossos donativos para as obras de caridade espirituais (Missões, Boa Imprensa, O. V. S., Bom Pastor, etc.), em geral tão desprezadas e esquecidas.



PECADOS CONTRA A CARIDADE

Assim como todo pecado é contrário ao amor de Deus, podemos também dizer que todo pecado contra o próximo viola a caridade fraterna. Mas há pecados que se orientam contra o amor do próximo, ferindo-o diretamente.

Os pecados de omissão, além, de muito frequentes, podem ser tão graves que levam até ao inferno, segundo as palavras de Jesus (Mt. 25, 42-43) e a condenação do rico avarento. Há outros pecados que estudaremos agora, com a preocupação de evitá-los, a fim de nos mantermos no amor do próximo, que é dos sinais de que vivemos na graça divina.


I. Ódio

1. Amar é querer o bem para o próximo. Odiar é querer o mal.

2. É diferente o sentimento que experimentamos contra os defeitos do próximo. "Amai os homens, e combatei os seus erros". Mas esta detestação dos defeitos não atinge as pessoas.

3. Não é ódio a antipatia natural que nos causam algumas pessoas, ou mesmo o transtorno sensível que nos inspiram pessoas cuja presença nos lembra desgostos ou males que por sua causa padecemos. São movimentos instintivos, que não constituem pecado, embora os devamos refrear por serem um perigo para a caridade.

4. O ódio, em si, é pecado mortal, pois inverte totalmente a ordem estabelecida por Deus. "Quem odeia a seu irmão é homicida, e sabeis que nenhum homicida possui em si a vida eterna." (Jo. 3, 15).

5. Constitui também uma verdadeira fonte de pecado: falseia a verdade, ora aumentando os defeitos reais, ora inventando-os; viola a justiça, negando ao próximo o que lhe é devido; favorece a calúnia, estimula à maledicência; levanta iras; fomenta rixas; estabelece discórdias entre famílias inteiras, passando, às vezes, de geração em geração; leva até ao homicídio.


II. Inveja

1. A inveja é a tristeza que se sente por causa dos bens do próximo. Toma-se a felicidade alheia como uma diminuição da própria. Daí o desejo de diminuí-la ou destruí-la, fazendo o mal ao próximo.

2. Quando o bem do próximo nos estimula, e nós queremos atingi-lo também, mas sem prejuízo a ninguém, não é inveja que sentimos. É uma legítima emulação, que leva à imitação das virtudes, muito natural, recomendada por São Paulo (Hb. 10, 24), aconselhada pela Igreja ao nos apresentar os exemplos dos santos, intimada pelo próprio Cristo, que se apresentou como nosso modelo (Mt. 11, 29).

3. Em si, é a inveja um pecado mortal, porque transtorna inteiramente a ordem da caridade, que é nos alegrarmos dos bens alheios.

4. Lamentavelmente são também as consequências da inveja.
Para diminuir o próximo, desacredita-o com maledicências e calúnias, praticando injustiças, fomentando discórdias, criando inimizades, dividindo famílias, perturbando a paz, impedindo o bem pela desunião dos bons (entre católicos). Foi a inveja que cometeu o primeiro crime do mundo (Caim: Gn. 4, 8), vendeu o irmão como escravo (José: Gn. 37, 28), inspirou a Saul a morte de Davi (1 Reg. 19, 8-10), consumou a morte do próprio Filho de Deus: "Porque sabia que o tinham entregado por inveja" (Mt. 27, 18).


III. Vingança

1. Condenada por Cristo: "Não pagueis o mal com o mal" (Mt. 5, 31), a vingança é um pecado que revela maus sentimentos e baixeza moral.

2. O verdadeiro cristão sabe perdoar as injúrias que recebe. "Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos". A parábola dos dois devedores (Mt. 18, 21-35) mostra como serão tratados os que não querem perdoar.


IV. Escândalo

1. Escândalo (no grego significa tropeço) é uma palavra, ação ou omissão que dá ao próximo ocasião de pecado.

2. Se a pessoa faz isto com a intenção de levar o próximo ao pecado, sua falta é muito grave, mais grave do que o homicídio, porque mata a alma.
"Ai daquele homem por quem vier o escândalo. Melhor seria que lhe atassem ao pescoço uma pedra de moinho e o atirassem ao fundo do mar" (Mt. 18, 7).

3. Quem dá um escândalo fica responsável por todos os pecados que se cometem por sua causa. Ainda hoje proliferam escândalos dados há séculos. (Dar exemplos históricos).

4. Um bom cristão evitará mesmo algumas ações, que são boas mas possam escandalizar o próximo. É que a caridade obriga a evitar a ruína espiritual do próximo.


Para viver a doutrina

1. Tratemos com caridade as pessoas antipáticas, e estaremos praticando a caridade, melhor do que se as simpatizássemos.

2. Evitemos as pessoas cuja amizade não nos convém, cuja convivência nos é prejudicial. Isto não é inimizade, é prudência.

3. Pessoas elevadas gostam de ver a prosperidade alheia, e de ajudar o próximo em suas dificuldades. Dá mostra de nobreza quem se alegra com as boas notas dos colegas, a fortuna dos amigos, a prosperidade dos outros.

4. Em geral, é nossa ambição, vaidade, excessivo amor-próprio, desejo de louvor etc., a verdadeira causa da inveja. Sofreássemos as paixões, moderando-nos, e sentiríamos o direito que têm os outros de ser felizes. E seríamos nós muito mais felizes. Porque o invejoso é realmente infeliz: sofre de sua própria desgraça e da felicidade dos outros...

5. Acostumemo-nos a perdoar o que sofremos. O perdão é o melhor sinal de que amamos a Deus no próximo. Ordena Jesus que nos reconciliemos sem demora. (Mt. 5, 25). O perdão eleva os homens como elevou a José diante dos próprios irmãos que o venderam.

6. Levando uma boa vida cristã, evitarei facilmente qualquer escândalo ao próximo. E nisto eu serei bastante cuidadoso, porque o mau exemplo de um católico recai também sobre a Igreja, que os ímpios frequentemente acusam por causa dos erros individuais. Brilhem nossas boas obras diante dos homens para que Deus seja por todos glorificado (Mt. 5, 16).

7. Entre os jovens são, infelizmente, muito comuns conversas, cantigas e anedotas más, fonte, quase sempre, de graves ruínas. Não somente devemos evitá-las, mas impedir que outros as tenham. Às vezes, uma atitude séria basta. Outras vezes, é preciso dizer expressamente nosso desagrado, ou mesmo retirar-nos – sem nenhum receio de desagradar.

8. Pior que Herodes, o matador dos inocentes, é quem escandaliza as crianças, porque lhes tira a vida sobrenatural. No entanto, por minhas palavras, meu procedimento, eu posso em casa, no colégio ou na sociedade, escandalizar meus irmãos menores ou outras crianças. (De que maneira?). Muito cuidado, pois.

9. Para quem ama a Deus e quer a salvação do próximo, não escandalizar é pouco. Mesmo o apostolado do bom exemplo não basta. Desenvolverei um apostolado mais ativo, no meio em que vivo, a fim de afastar meus companheiros do pecado e conseguir que permaneçam no estado de graça. (Como há de ser este apostolado?).

(O Caminho da Vida, pelo Pe. Álvaro Negromonte. 15ª edição).

Fonte: web.
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