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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Histórias de conversão III: Do Islã à Tradição Católica


Do Islã à Tradição Católica


Je suis algérienne, née en Algérie. Faut-il y voir un signe du destin ? Moi, alors musulmane, je vins au monde dans une maternité tenue par les Soeurs Blanches encore présentes en Algérie à cette époque – peu après l'indépendance. (1)

Naïma-Christine Benammar: uma cabila (2) muçulmana convertida ao Catolicismo

Meninas cabilas - Argélia
Nasci na Argélia e cheguei à França aos quatro anos de idade. Vivi aqui por dez anos e depois voltei, com a minha família, a meu país de origem, onde permaneci por mais 20 anos, antes de retornar para a França. A minha experiência argelina me marcou profundamente. Queria por um fim nisso e viver uma nova vida. Eu vivi sob o punho de ferro do Islã e tive que suportar um matrimônio arranjado.

No entanto, eu não me esqueci daqueles anos e mantive os laços com minha família.

Durante este período da minha vida, não sentia nenhum interesse pela religião. Meu pai não era muito praticante, e não me lembro de tê-lo visto rezar. Vivíamos o Islã como uma soma de tradições, de relevância social apenas. Observávamos o jejum do Ramadã, celebrávamos as festas, mas não havia uma particular devoção. Claro, eu acreditava em Deus, mas o Deus do Islã me parecia duro.

Quando era criança, na França, havia notado que alguns dos meus colegas franceses iam ao catecismo. A coisa me deixava curiosa, mas não passou disto. Eu fazia a meu pai perguntas sobre Jesus, mas ele me respondia simplesmente: "Os cristãos erram, eles estão enganados".

Uma amizade benéfica

Meu contato real com o Cristianismo começou em 2000, ao alvorecer do novo milênio. Eu conheci um homem com quem fiz amizade. O acaso, ou melhor, a Providência, fez com que ele fosse um católico praticante. Foi uma daquelas amizades com as quais se pode falar abertamente sobre tudo: de religião, mas também de política, da monarquia, da república, ou outras coisas. Essas conversas, no início, eram para mim um pouco difíceis. Sob certos aspectos, eu estava perplexa, porque não estava preparada para isso. Curiosamente, notei que sobre o Islã o meu amigo sabia mais do que eu.

Meu amigo mostrava grande paciência, e com o tempo comecei a refletir. Aconteceu-me, no início, de não ficar feliz, mas ofendida, quando meu amigo criticava, às vezes duramente, o Islã. Em várias ocasiões, me vi defendendo a religião da minha família.

Infelizmente, nossas diferenças levaram a um ruptura que durou bem dois anos. Enquanto isso, continuei refletindo e me interessei cada vez mais pelo Cristianismo. Eu li e me documentei. Procurei entender os Evangelhos. Fui à biblioteca da cidade onde morava e encontrei um livro do professor Barbet (3) sobre o Santo Sudário que me chamou a atenção.

Pouco a pouco, foi nascendo em mim o desejo de pedir o batismo. Eu queria, então, falar com quem havia guiado meus primeiros passos em matéria religiosa. Nossa amizade foi retomada quando eu lhe disse, por carta, que queria ser batizada.

Ele constatou que eu havia feito grandes progressos, e mais tarde me confidenciou que havia esquecido nossas diferenças passadas.

Naturalmente, foi ele o meu padrinho de batismo. Foram momentos de alegria indescritível e de grande emoção. Eu havia feito meu caminho sozinha e havia atingido apenas um pequeno cume. Eu estava descobrindo a mensagem de amor de Cristo, o conceito de sacrifício, me sentia leve e os anjos do céu me sustentavam.

A família e a conversão

Eu ainda morava com minha família, na casa de uma irmã. A minha conversão havia me mudado, e isso era visível. No início, ninguém me levou a sério, depois houve reações. Uma de minhas irmãs reagia com vaias bastante benignas, a outra parecia bastante indiferente.

Meu cunhado, o marido de minha irmã, muçulmano muito observante, não gostou nada. Considerava-me impura, e proibia a sua filha de três anos, minha sobrinha, de chegar perto de mim.

Começou a me perseguir: destruía e jogava fora meus terços e até me agrediu fisicamente. Eu, no entanto, não me deixava intimidar e, um dia, por reação, joguei fora o seu Corão. Desnecessário dizer que o ambiente era muito tenso.

Eu segui as lições de catequese na minha paróquia suburbana por dois anos. Quando recebi o batismo, no entanto, eu já ia, há quatro ou cinco meses, a Missa em Saint-Nicolas-du-Chardonnet (4). O meu padrinho a frequentava regularmente e um dia quis me fazer descobrir a Missa de São Pio V. "Quem sabe o que você dirá dela!", havia dito. Quanto a mim, eu queria ver mais de perto aqueles que são chamados de ‘fundamentalistas’. Mas não vi nenhum barbudo com um kami (5). Fiquei particularmente impressionada pela beleza da liturgia. A música me fascinou imediatamente e fiquei particularmente tocada pela graça dos paramentos e pelo esplendor da Missa dominical. Notei também a devoção dos numerosos fiéis que vêm de todas as raças e de todas os ambientes.

Em comparação, a minha igreja suburbana, com sua liturgia simplificada, parecia muito chata. A assembleias dos fiéis, assim como a prática religiosa, pareciam demais com pequenas reuniões de família, sem horizonte, sem grandeza. Além disso, meu padrinho fora negativamente tocado pelas palavras do sacerdote, que pareciam pouco conformes com a doutrina católica, como quando, um dia, me disse: “enquanto não é batizada, você não é pecadora". Isso me pareceu estranho e até mesmo chocante.

Por isso agora eu vou a Saint-Nicolas, porque as pessoas que, como eu, passaram por experiências dolorosas, precisam ouvir e experimentar palavras fortes. Quem faz o grande passo de mudar de religião não gosta de tibieza. Em Saint-Nicolas, as homilias são claras e diretas, sem ambiguidades e fazem uma boa impressão. Então, quando chegou a hora de fazer a Crisma, escolhi naturalmente a igreja onde a Tradição é viva e resplandece em toda sua glória. Agora vou à Missa, participo das procissões, faço a peregrinação aChartres (6), vou a Lourdes (7). Eu vivo a minha Fé na alegria e no recolhimento. Eu sou católica.

Fonte: Je me suisconvertie à Saint-Nicolas du Chardonnet – ed. Clovis 2009

Tradução: Giulia d'Amore di Ugento


Notas:
1. NdTª.: "Sou argelina, nascida na Argélia. Terá sido um sinal do destino? Eu, então muçulmana, nasci em uma maternidade dirigida pelas Soeurs Blanches, ainda está presente na Argélia à época - logo após a independência". 
2. Povo berbere que vive na Argélia.
3. NdTª.: Pierre Barbet, físico, cirurgião e escritor francês, por vinte anos fez uma série de estudos e pesquisa sobre o Santo Sudário, escrevendo ‘Doctor at Calvary: The Passion of Our Lord Jesus Christ As Described by a Surgeon’ (Médico no Calvário: A Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, como descrito por um cirurgião). 1936. Nova Iorque.
4. A igreja, em Paris, da Fraternidade São Pio X.
5. Túnica branca que os muçulmanos usam para ir à mesquita e que alguns, por fanatismo, usam permanente.
6. NdTª.: Chartres é uma cidade francesa do departamento de Eure-et-Loir. A cidade é famosa pela Catedral, a Abadia de São Pedro, que é considerada a mais bela catedral gótica da França.
7. NdTª.: Lourdes é uma cidade francesa situada no departamento dos Altos Pirenéus. Em Lourdes, numa pequena gruta junto ao riacho Gave de Pau, a Virgem Maria apareceu algumas vezes a uma menina de nome Bernadette Soubirous. O rio Gave de Pau é um rio alimentado por várias fontes, e a nascente de Lourdes é considerada miraculosa.

As Sœurs Blanches - Argélia

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2 comentários:

  1. Então, aguarde, dia 21 publico outra história de conversão tão bela e interessane quanto esta. Mas supreendente pelo sujeito. Seja benvindo!

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