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domingo, 16 de outubro de 2011

NOSSA SENHORA DO BRASIL

MADONNA DEL BRASILE

por Giulia d'Amore



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Poucas são as Nações que são honrada dando seus seus nomes a títulos de Nossa Senhora: Nossa Senhora da Áustria, de Luxemburgo, do Líbano, do Brasil... Pois quis Ela conceder à nossa Pátria um acrés­cimo de bondade, em relação aos incontáveis favores espargidos sobre o Brasil, enquanto sua Padroeira, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. 

É digno de nota ter o título Nossa Senhora do Brasil surgido informalmente no seio de uma população longínqua, que sempre se distinguiu por sua singular devoção mariana. Foi o povo napolitano que começou a invocar Madonna del Brasile, na primeira metade do século XIX, quando a grande imigração italiana não havia sequer começado.



A escultura de 1,5 m, talhada em madeira, era considerada muito original porque a Virgem apresentava traços indígenas e o menino parecia um mestiço. Ambos exibiam os seus corações, feitos em ouro e cercados por raios luminosos, como símbolo de amor. Para vários críticos de arte, o estilo da imagem indicava que ela havia sido esculpida no Brasil, talvez por um dos nossos primeiros missionários jesuitas, sob a orientação do Bem-Aventurado Pe. José de Anchieta, o Apóstolo do Brasil, que, como Provincial da Companhia de Jesus fundou, no Estado do Espírito Santo, a primeira capela dedicada ao Sagrado Coração de Jesus. Posteriormente, de visita a Pernambuco, teria deixado a imagem de Nossa Senhora dos Divinos Corações, como era então chamada, numa das aldeias de indígenas catequizados. Sabe-se que, em 1610, a imagem de Nossa Senhora do Brasil já era venerada pelos índios em Pernambuco, no Nordeste Brasileiro, com aquele nome de Nossa Senhora dos Divinos Corações. Permaneceu nessa aldeia até 1630, quando desapareceu por algum tempo, para escapar da sanha iconoclasta dos invasores holandeses calvinistas. E quase um século depois, em 1710, a imagem chegou aos cuidados dos padres capuchinhos vindos da Itália, que a entronizaram em 1725, quando foi escolhida, segundo documentos fidedignos, para padroeira da Prefeitura Apostólica dos Missionários Capuchinhos em Pernambuco, tendo seu altar na Igreja de Nossa Senhora da Penha de França, em Recife, pertencente à Ordem dos Frades Capuchinhos



Madonna del Brasile
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Entre os missionários capuchinhos havia um frade napolitano, Frei Joaquim d'Afragola, que dedicava especial devoção à Nossa Senhora dos Divinos Corações. Em 1828, ele e seus companheiros foram ameaçados de repatriação por grupos de nacionalistas brasileiros que, depois da Independência do Brasil em 1822, não queriam estrangeiros no país. Havia também ameaças de profanações nas igrejas católicas. Quatro anos mais tarde, foi profanada a igreja que teria abrigado a imagem, caso a previdente atitude de Frei Afrágola não tivesse sido tomada. O frei e seus companheiros para proteger a imagem por eles venerada decidiram enviá-la, secretamente, com todos os seus adornos, para Nápoles, onde havia um grande convento, pertencente à Ordem dos Capuchinhos, no qual estava a Igreja de Santo Efrém, o Novo. A imagem foi entronizada em 1829.

Em Nápoles, entretanto, por não terem o dinheiro do imposto, os frades capuchinhos não puderam retirar a desconhecida encomenda. A imagem tinha chegado sem aviso específico, em meio a outros objetos que tornavam a caixa muito pesada. Os guardas aduaneiros, então, curiosos, romperam a cinta que envolvia a caixa e ficaram admirados ao descobrir uma bela efígie de Nossa Senhora, que enviaram prontamente ao seu destino, o Convento de Santo Efrém, o Novo. Impressionados com a notável perfeição dá escultura, aqueles religiosos resolveram expô-la à veneração dos fiéis, na própria igreja de Santo Efrém, o Novo.


Em Nápoles, as manifestações sobrenaturais da prodigiosa imagem de Nossa Senhora dos Divinos Corações tiveram seu início logo após sua chegada. O atendimento às preces diárias dos napolitanos que frequentavam a Igreja de Santo Efrém, o Novo, levou-os a dirigir orações, render ações de graça e dedicar cada vez mais, especial devoção à virgem originária do Brasil. Os títulos de Madonna del Brasile e Virgem Mãe de Deus Brasileira afirmaram-se em Nápoles como reconhecimento aos muitos milagres atribuídos à Santa que procedia do Brasil. A nova devoção difundiu-se em pouco tempo, tornando-se patentes numerosas graças obtidas através da artística imagem. Por exemplo, a cessação da então terrível epidemia de cólera (cholera morbus) e numerosas curas. 


Na noite do dia 21 para 22 de fevereiro de 1840, um violento incêndio destruiu a maior parte da Igreja de Santo Efrém, o Novo, inclusive o riquíssimo altar onde estava a imagem da Madonna del Brasile. No entanto, ela, com seu leve vestido branco e seu manto azul todo bordado em relevo, escapou ilesa do violento fogo que deixou apenas algumas marcas chamuscadas no rosto do Santo Menino, enquanto destroçava tudo à sua volta. O prodígio espalhou-se pela cidade. Foi providenciada a imediata reconstrução da igreja, e, durante todo o período das obras, a imagem continuou a ser visitada por milhares de peregrinos. Devido aos inúmeros milagres que se multiplicavam a cada dia e ao milagre do incêndio, o Vaticano recomendou à diocese local que coroasse a Santa com o título oficial de Nossa Senhora do Brasil, passando a ser assim oficialmente conhecida na Europa. 


Em 1867, devido à transformação do convento onde ficava a igreja de Santo Efrém, o Novo em cárcere, a imagem foi conduzida para a igreja de Santo Efrém, o Velho, onde até hoje é devotamente venerada pelos napolitanos.Tudo o que acima foi narrado era quase desconhecido entre nós. Em 1923, porém, o Bispo brasileiro Dom Frederico Benício de Souza Costa, passando por Nápoles, inteirou-se da história da Madonna del Brasile, para divulgá-la largamente quando voltou ao País. A surpresa para o senhor Bispo foi grande, e ele logo se empenhou para conseguir a transladação para o Brasil da milagrosa imagem que aqui fora esculpida e aqui fora reverenciada, embora sob outro título. Várias campanhas foram feitas, pelos meios diplomáticos e jornalísticos, mas nada foi conseguido nesse sentido. A imagem original, apesar de diversas tentativas feitas para obter seu retorno ao Brasil, continua em Nápoles.



DEVOÇÃO

A imagem original de Nossa Senhora do Brasil, conhecida como Madonna dei Sacri Cuori é venerada atualmente na Paróquia dos Santos Efebo e Fortunato na cidade de Nápoles, localizada na Piazza Sant'Efrem, il Vecchio. No Brasil, há cinco locais de culto dedicados a Nossa Senhora do Brasil
  1. a Igreja do Bairro da Urca no Rio de Janeiro
  2. a Paróquia do Jardim América em São Paulo 
  3. a Paróquia do Jardim Brasil em Americana-SP e 
  4. a Paróquia do Bairro São Deoclécio em São José do Rio Preto-SP
  5. a capela pertencente a Paróquia de Santo Antônio da Granja Vianna em Cotia-SP.



IGREJA DO BAIRRO DA URCA NO RIO DE JANEIRO

No Brasil a primeira Igreja Matriz de Nossa Senhora do Brasil está localizada no bairro da Urca no Rio de Janeiro, na paróquia de mesma titularidade. Esta imagem da Mãe de Jesus foi entronizada no local, no mesmo dia da fundação da cidade do Rio de Janeiro, onde, em 1565, Estácio de Sá fundara um arraial entre os morros Cara de Cão e o Pão de Açúcar. Foi só no inicio do século XX, na década dos anos 20, que esta região tornou-se o aprazível bairro da Urca, para o qual as autoridades eclesiásticas recomendaram a criação de uma paróquia. Esta recomendação coincidiu com o inicio da devoção em nosso País da Nossa Senhora do Brasil. O conhecimento da existência da imagem, a força e variedade de seus milagres e o prestígio de sua coroação, com o reconhecimento do Vaticano, propiciaram a idéia de que fosse construída uma igreja Matriz em sua honra no Rio de Janeiro.

No dia primeiro de janeiro de 1930, no terreno recebido pela Igreja Católica como doação, foi colocada a pedra fundamental da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Brasil, a primeira no País a reverenciar a Virgem Mãe de Deus brasileira. A sua construção foi concluída em 17 de setembro de 1933 e em 8 de setembro de 1934 foi criada a paróquia de Nossa Senhora do Brasil.

As 3 imagens de Nossa Senhora do Brasil
  • No altar-mor - A primitiva imagem da Madonna del Brasile, que está na Igreja de Santo Efrém, o Velho, é uma "imagem de roca", como são chamados os santos feitos de madeira e recobertos com vestes de tecido. Tanto o seu vestido branco, como o longo manto azul, que desce de sua cabeça, são ricamente ornados com preciosos bordados, bem como a vestimenta do Menino Jesus, completados pelas jóias que simbolizam seus corações expostos. A imagem que está no nicho do altar-mor, na Urca, modelada com traços de extrema delicadeza e rica em detalhes de ornamento, reproduz com fidelidade, a não ser quanto às fisionomias de Maria e de Jesus, o aspecto da santa que está em Nápoles. Trazendo no braço esquerdo o Menino Jesus, a Madonna estende a mão direita na direção de quem a contempla, gesto que é acompanhado pela ternura de seu olhar. Esta imagem foi doada à igreja no momento de sua inauguração.
  • Na cripta - a nova imagem de Nossa Senhora do Brasil que está na entrada da cripta representa uma outra concepção iconográfica dada a essa invocação da Virgem Maria. Da antiga "imagem de roca" enviada para Nápoles pelos frades capuchinhos, conservou a posição: em pé, sustentando no braço esquerdo o Menino Jesus e tendo a mão direita estendida para a Humanidade. Além da exuberância das curvas em movimento e da roupagem vistosa do estilo barroco, que a tornam bem diferente da primitiva imagem, há, para definir a nacionalidade, a brasileirice de seus traços fisionômicos, o mapa do Brasil que recobre o globo terrestre onde se apóia e as características étnicas formadoras do povo brasileiro, evidenciadas nos anjos que a cercam. Esta nova imagem foi encomendada pelo pároco, Cônego Antônio José de Moraes, em 1997, para marcar a presença da padroeira na cripta, que havia sido restabelecida como capela - obra modernista de gosto discutível e conceito "liberacionista".
  • Uma outra imagem de Nossa Senhora do Brasil, totalmente branca, do lado de fora da igreja, preside a decoração da torre.





PARÓQUIA DO JARDIM AMÉRICA EM SÃO PAULO

Criada a Paróquia do Jardim América em 1940, por Dom José Gaspar de Affonseca e Silva, segundo Arcebispo de São Paulo, foi-lhe dada como Padroeira Nossa Senhora do Brasil, sendo nomeado primeiro pároco, Mons. João Batista de Carvalho (1940-1960).

No aristocrático bairro do Jardim América, esquina da Avenida Brasil com a Rua Colômbia, ergue-se um das mais elegantes igrejas de São Paulo. Inspirada nas igrejas coloniais mineiras, o interior da Igreja Nossa Senhora do Brasil é uma somatória de todos eles, mas recorda também as belas igrejas de Portugal. Seus painéis de pastilha cerâmica lembram a Igreja de São Basílio de Moscou. No seu interior, admira-se o altar-mor de madeira entalhada que pertenceu à Igreja de Sant'Ana de Mogi das Cruzes, com data estimada de 1740, segundo o escritor francês Germain Bazin, na obra L'Architecture Religieuse Baroque au Brésil.
No nicho do altar-mor está a imagem de Nossa Senhora do Brasil, Virgem com feições índias, tendo ao colo o Menino-Deus e ostentando cada um, ao peito, um coração. A definição da decoração dos interiores coube inteiramente a Antônio Paim Vieira, pintor e ceramista atuante desde as primeiras décadas do século. É sua a pintura do teto da capela-mor que mostra o céu estrelado como no dia de Natividade de Maria, festa da padroeira, celebrada no dia oito de novembro. Ao centro, a Virgem e o Menino.

 
A Capela foi inagurada em 1958. Iluminado à noite, o belo conjunto de arquitetura religiosa impressiona os que passam pela região. O detalhe dos azulejos da Via Sacra, pintados quadro por quadro, em tom azul e fundo branco, iguala ou supera a Via Sacra da Igreja de São João Maria Vianney, na Lapa, São Paulo. Oito estátuas ornamentam o tablado abrangido pelo semi-círculo formado pelos dois pórticos frontais: de São João Batista e São João Evangelista, São Pedro e São Paulo, Sant'Ana com Nossa Senhora Menina e São José, Santa Isabel e São Joaquim.  No interior da Igreja encontra-se a Capela da Ordem de Malta. O teto da igreja é decorado com reproduções de pinturas da Capela Sistina, no Vaticano, obras de extremo valor artístico e histórico. 


 
O Pe. Afonso de Moraes Passos, além de construir fortíssima superestrutura de aço no teto, de colocar o lindíssimo piso e de edificar o altar policrômico da Virgem, edificou a primeira capela do Santíssimo no altar de São José. Seu sucessor, o Cônego Leme, deslocou mundanamente o altar do Santíssimo para onde se encontra hoje, edificando para tanto o altar protestante voltado para o povo. 



Fontes: Rio de Janeiro-dailyphoto, Páginas Marianas, Paróquia Nossa Senhora do Brasil/Rio, Paróquia Nossa Senhora do Brasil - Jardim América, Revista Catolicismo




Editado em 21/10/2011:



Li este comentário no blog A Hora de Maria e resolvi acrescentar ao artigo, tendo em vista a relevância da informação:
Giovani Ballione disse...
Quanto a imagem ter sido esculpida no Brasil, talvez por indicações de José de Anchieta, há em Itanhaém, SP, uma imagem da Imaculada Conceição e também uma de Nossa Senhora da Divina Providencia muito parecidas com esta imagem. A imagem da Imaculada encontra-se na Matriz de Santa Ana, construída por Anchieta e a Senhora da Providência no antigo e já em ruínas Mosteiro de Nossa Senhora da Conceição.



Editado em 16/07/2018: 
Murielton Faria: 
Prezados amigos do blog  Pale Ideas, boa tarde! Gostaria de observar que no post "Nossa Senhora do Brasil" a imagem usada para ilustrar o tópico "IGREJA DO BAIRRO DA URCA NO RIO DE JANEIRO", é na verdade da Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, localizada no bairro da Glória, que é quase que vizinho ao bairro da Urca, onde está localizada a paróquia de Nossa Senhora do Brasil.
Atenciosamente,...

Grata. Coletei a imagem no Google, devo ter me enganado. Corrigi.  
 
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