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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Desfazendo as ilusões - escorregão do IBP



Rev. Pe. Patrick de La Rocque
Prior de Saint-Louis de Nantes



Megabug no Metablog?[1]



Pe. Guillaume de Tanoüarn
Teria o Rev. Pe. de Tanoäurn feito uma enorme asneira em seu ‘Metablog’?

O assunto é, de qualquer maneira, cheio de significado. Enquanto que o Rev. Pe. de Cacqueray publicava, em 12 de setembro passado, uma declaração tão forte quanto teológica, denunciando a próxima reunião de Assis, seu ex-confrade, hoje um dos membros fundadores do Instituto do Bom Pastor, se viu obrigado a correr em socorro de Assis tido 2011, por hora incriticável, em sua opinião.

O argumento utilizado é o mais clássico. Sob o pretexto de que a virtude da religião - como qualquer virtude moral – tem uma dupla dimensão natural e sobrenatural, o Pe. de Tanoüarn acredita poder fazer uma distinção entre as religiões, que seriam naturalmente boas porque conformes à natureza do coração humano, e a religião católica, a única que é salutar, porque a única sobrenatural. Em apoio a esta distinção é citada, sem maiores esclarecimentos, a altíssima autoridade de São Tomás de Aquino, em sua questão 81 do Ia-IIæ. Portanto, uma reunião inter-religiosa seria má se ela causar a confusão dessas duas ordens (= Assis 1986), boa se ela respeitar a distinção (= Assis 2011) ou até mesmo necessária, nas palavras do nosso blogueiro:

Quando o Papa exorta as religiões a se conceberem a si próprias como um serviço de paz e não como um aval à violência, ele cumpre um gesto importante e legítimo. Ele exorta as religiões a se ajustarem à virtude natural de religião, sem cair nos excessos que muitas vezes o instinto religioso produz no homem”.

Tal raciocínio, ouvido repetidas vezes na boca dos defensores do diálogo inter-religioso versão Vaticano II, deve ser vigorosamente rejeitado, e por três razões:

1) Contém, em primeiro lugar, um sofisma dos mais grosseiros. Não se pode, de fato, dizer que uma religião é boa, mesmo que naturalmente, só porque ela exprime o sentimento religioso natural ao homem: seria puro subjetivismo. Também é necessário que essa religião se dirija ao único verdadeiro Deus, como diz São Tomás em sua questão 81 (art. 3). Como, então, o Rev. Pe. Tanouärn pode sugerir que as religiões convocadas por Bento XVI se enquadram na definição de religião natural, quando se considera que muitas delas são politeístas, ou ainda recusam a existência de qualquer Deus pessoal? Podemos mesmo dizer que a religião muçulmana se dirige efetivamente ao único e verdadeiro Deus? Longe de exercer a virtude natural da religião, essas falsas religiões a corrompem.

2) Além disso, o argumento não se limita a distinguir a ordem natural da ordem sobrenatural - o que é clássico - mas separa essas duas ordens, o que é inaceitável. É, de fato, impossível fazer um ato de virtude de religião que seja puramente natural, porque cada homem in concreto é colocado em um contexto sobrenatural: é um fato que o homem - cada homem -, pecador em Adão, não tem mais acesso a Deus por si mesmo, mas apenas através de nosso Senhor Jesus Cristo, que se fez a nossa reconciliação com Deus (Rm 5,10-11, 2Cor 5,18-20; Ef 2,16, Col 1,20-22 etc.). Portanto, o ato de religião puramente natural se torna impossível in concreto.

3) Finalmente, e lá não há qualquer razão, é precisamente a falácia desse argumento que levou o Papa Pio XI a condenar, em sua encíclica Mortalium Animos, estes encontros inter-religiosos:

Sem dúvida, estes esforços não podem, de nenhum modo, ser aprovados pelos católicos, pois eles se fundamentam na falsa opinião dos que julgam que quaisquer religiões são, mais ou menos, boas e louváveis, pois, embora não de uma única maneira, elas alargam e significam de modo igual aquele sentido ingênito e nativo em nós, pelo qual somos levados para Deus e reconhecemos obsequiosamente o seu império. Erram e estão enganados, portanto, os que possuem esta opinião...”.

Que o padre de Tanouärn endosse estes argumentos repisados - e condenados – é preocupante. Nós já tínhamos visto, há pouco, o superior do Instituto do Bom Pastor considerar conveniente a assistência de seus sacerdotes às Missas Novas celebradas pelo Bispo[2]. Eis agora este mesmo Instituto assumir os argumentos condenados da nova teologia.

Quousque Domine? Senhor, tende piedade destes confrades que amávamos.

Padre Patrick de La Rocque

Extraído de L’Hermine spécial Assise (Outubro de 2011).


Fonte: La Porte Latine.
Tradução: Giulia d'Amore di Ugento





[1] NdTª: Trocadilho: megabug = ‘grande erro’. Para além da terminologia da informática, aqui se ressalta um grande erro doutrinal.
[2] Rev. Padre Laguérie, entrevista de 30/07/11, no site Disputationes Theologicæ (dos padres do IBP): “Lhes é [aos sacerdotes do IBP] particularmente conveniente, conforme as exigências demonstradas do bem comum, aceitar os convites dos bispos de estarem presentes nos momentos significativos da vida da diocese, por exemplo nas missas de ordenações e crismais que reúnem em torno de seu bispo os sacerdotes da igreja local [...]” (IBP Disputationes Theologicæ, 30 de julho de 2011).

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