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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Non nobis Domine...



Non nobis Domine, non nobis, sed nomini tuo da gloriam” (Salmo 113,9) é latim e significa: “Não a nós, ó Senhor, não a nós, mas ao teu nome dai a glória”.

É uma pequena oração de agradecimento e, também, uma expressão de sincera humildade, quando se recusa agradecimentos por ter feito a própria obrigação ou por ter feito algo a serviço de ou por amor a Deus.  


Por séculos, foi o brado dos Cavaleiros templários do “Ordo Templi. Como parte do Salmo 113 (“In Exitu Israel”) também foi recitado liturgicamente, como parte da Vigília Pascal: o celebrante ajoelha, em um gesto de auto-humilhação, quando chega a este versículo. Segundo a lenda, Henry V ordenou que fosse recitado junto com o “Te Deum”, em ação de graças pela vitória inglesa na batalha de Agincourt, em 1415. Jean Mouton (c. 1459-1522) compôs um moteto para um texto que começa com o “Non nobis” para celebrar o nascimento de uma filha de Louis XII e Anne da Bretanha, em 1510.  




No Salmo 113 (“In Exitu Israel”), Davi canta a saída de Israel do Egito. O início do Salmo, antigamente, era cantado ao transportar o corpo de um defunto até o local sacro, quase a indicar, alegoricamente, a mística viagem do cristão, prefigurado pelos Hebreus, até à Jerusalém Celeste. Dante o faz cantar em coro às almas que alcançam as praias do Purgatório (in Pg II 46-48: “... ‘In exitu Isräel de Aegypto’ / cantavan tutti insieme ad una voce / con quanto di quel salmo è poscia scripto”.  


SALMO 113,9 e ss.

Non nobis Domine non nobis sed nomini tuo da gloriam
super misericordia tua et veritate tua nequando dicant gentes ubi est Deus eorum
Deus autem noster in cælo omnia quæcumque voluit fecit
simulacra gentium argentum et aurum opera manuum hominum
os habent et non loquentur oculos habent et non videbunt
aures habent et non audient nares habent et non odorabuntur
manus habent et non palpabunt pedes habent et non ambulabunt non clamabunt in gutture suo
similes illis fiant qui faciunt ea et omnes qui confidunt in eis
domus Israël speravit in Domino adiutor eorum et protector eorum est
domus Aaron speravit in Domino adiutor eorum et protector eorum est
qui timent Dominum speraverunt in Domino adiutor eorum et protector eorum est
Dominus memor fuit nostri et benedixit nobis benedixit domui Israël benedixit domui Aaron
benedixit omnibus qui timent Dominum pusillis cum majoribus
adiciat Dominus super vos super vos et super filios vestros
benedicti vos Domino qui fecit cælum et terram
cælum cæli Domino terram autem dedit filiis hominum
non mortui laudabunt te Domine neque omnes qui descendunt in infernum
sed nos qui vivimus benedicimus Domino ex hoc nunc et usque in sæculum


EM PORTUGUÊS:

Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao vosso nome dai glória, por amor de vossa misericórdia e fidelidade.
Por que diriam as nações pagãs: Onde está o Deus deles?
Nosso Deus está nos céus; ele faz tudo o que lhe apraz.
Quanto a seus ídolos de ouro e prata, são eles simples obras da mão dos homens.
Têm boca, mas não falam, olhos e não podem ver,
têm ouvidos, mas não ouvem, nariz e não podem cheirar.
Têm mãos, mas não apalpam, pés e não podem andar, sua garganta não emite som algum.
Semelhantes a eles sejam os que os fabricam e quantos neles põem sua confiança.
Mas Israel, ao contrário, confia no Senhor: ele é o seu amparo e o seu escudo.
Aarão confia no Senhor: ele é o seu amparo e o seu escudo.
Confiam no Senhor os que temem o Senhor: ele é o seu amparo e o seu escudo.
O Senhor se lembra de nós e nos dará a sua bênção; abençoará a casa de Israel, abençoará a casa de Aarão,
abençoará aos que temem ao Senhor, os pequenos como os grandes.
O Senhor há de vos multiplicar, vós e vossos filhos.
Sede os benditos do Senhor, que fez o céu e a terra.
O céu é o céu do Senhor, mas a terra ele a deu aos filhos de Adão.
Não são os mortos que louvam o Senhor, nem nenhum daqueles que descem aos lugares infernais.
Mas somos nós que bendizemos ao Senhor agora e para sempre.

Fontes:


Tradução e pesquisa: Giulia d'Amore.

 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

O uso do latim no Ofício Eclesiástico

Razões que a Igreja tem e teve desde seu princípio para, no Ofício Eclesiástico, não usar das línguas vulgares


(…) as muitas razões que a Igreja Católica tem e teve desde seu princípio para no Ofício Eclesiástico, como também nas Escrituras Divinas, na Missa e nas formas dos Sacramentos não usar das línguas vulgares, senão da latina, se reduzem principalmente a duas: a primeira, pela majestade das coisas Sagradas e culto divino, que nos ouvidos e entendimentos dos rudes podia perder parte da reverência e estimação, e ficar exposto a muitas interpretações, não só indignas, mas erradas. A segunda, porque sendo a Igreja Católica uma só, também convinha que a língua de que usasse em tôdas as partes do mundo fôsse assim mesmo uma, e essa a mais comum e universal, qual é a latina(…).

(…) É doutrina de São Paulo que sempre se deve escolher o melhor: Aemulamini charismata meliora (1). E não era necessário para isso a sua autoridade, porque assim o ensina a prudência e ditame natural da razão. Quando a escolha é entre o mal e o bem, há-se de escolher o bem, e deixar-se o mal; mas quando é entre o bom e o melhor – como a nossa – há-se de escolher o melhor, e deixar-se o bom. Esta verdade, ditada pela natureza e canonizada pela fé, é a que eu pretendi persuadir em todo êste discurso. Rezar o Breviário, ainda que se não entenda, sempre é bom, porque é de religião e culto divino, e modo de honrar, venerar e louvar a Deus.

(1) Aspirai aos melhores dons (1 Cor 12,31).


Trecho do Sermão XXII do Padre Antônio Vieira – Editora das Américas

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Latim: estudar ou não estudar?

Por que (não) estudar latim hoje?Se a língua latina é considerada a mãe da língua portuguesa e de outras línguas ocidentais, será que seu estudo não seria importante ainda hoje?
por Francisco Edmar Cialdine Arruda





Qual a importância do latim hoje? Por que estudá-lo? Essas são as perguntas que geralmente nós nos fazemos tão logo entramos na primeira aula de latim da faculdade. Motivados pelo medo de alguns veteranos, às vezes chegamos até a negar a importância da disciplina com tais questionamentos. É claro que, muitas vezes, esse temor é corroborado quando somos obrigados a decorar listas e mais listas de desinências de casos, conjugações e etc., todavia, deixar de lado a língua que não só deu origem ao português e demais línguas neolatinas, como também influenciou tantas outras, é deixar de lado a oportunidade de entender, historicamente, como todas essas línguas se relacionam e se transformam. Foi pensando nisso que resolvi escrever esta apologia ao ensino de latim.

O latim nosso de cada dia

Ao contrário do que muitos possam pensar, o latim não é uma língua morta. Ele está mais vivo do que nunca. Não só vivo nas línguas neolatinas, mas em seu uso propriamente dito. Utilizamos a língua latina em algumas situações de nosso dia a dia. Deixamos o curriculum vitae nas empresas para conseguir emprego, fazemos cursos de pós-graduação lato sensu ou stricto sensu, nossa universidade pode estar localizada em diferentes campi etc. Esses são apenas alguns exemplos de expressões latinas comuns ao nosso cotidiano. É claro que sua influência se estende a outras línguas, por exemplo - ou melhor e.g.: em latim, temos a palavra dominus, que significa "senhor". A partir dessa palavra vieram as palavras "dominar", "condomínio" e o dia dedicado ao Senhor ("domingo"). Note que, há alguns séculos, tínhamos o título de "dom" (Dom Manuel, Dom Pedro I etc.), que caiu em desuso em português - porém, permanece em espanhol. O nome original do seu Madruga, famoso personagem do seriado de TV "Chaves", é, na verdade don Ramón. Temos o resquício dessa palavra apenas em seu feminino "dona" e seu diminutivo "donzela" (que veio de dominicella).

Se formos falar de língua inglesa, os exemplos não são menores. Apenas para citar alguns, temos university, que significa "universidade" - ambas as palavras vieram do latim universitas, isto é, o "universo", a "totalidade das coisas"; e não é essa a ideia de universidade? Outro exemplo curioso: o verbo to delete chegou ao português como "deletar", isto é, apagar algo que foi digitado no computador. Mas o verbo inglês tem origem latina: delere, "destruir" (incrivelmente, a segunda pessoa do plural do imperativo é delete). Então eu deixo a pergunta: será que Kaiser (imperador em alemão) e czar (imperador em russo) têm alguma relação com o império dos césares romanos? (Só para dar uma dica, César se escreve Caeser em latim e uma possível pronúncia é "cáisser").
Curiosidade:
Deixar de lado a língua que não só deu origem ao português e demais línguas neolatinas, como também influenciou tantas outras, é deixar de lado a oportunidade de entender como todas essas línguas se relacionam e se transformam

Voltando para nossa língua, conhecer latim nos faz raciocinar sobre os sentidos das palavras. Observe: a palavra latina para água é aqua, daí a natação ser um esporte aquático, os seus peixes ficarem em um aquário. Então eu pergunto o que seria aquicultura? Você pode até nem saber ao certo, mas fará uma ideia.

Podemos também falar sobre o que algumas gramáticas chamam de irregularidades da língua e perceber que elas têm explicação na sua história. Uma grande pedra no sapato dos alunos é o plural de palavras terminadas em "-ão". Na verdade, a irregularidade está em conhecer a origem dos três possíveis plurais ("-ãos", "-ões", "-ães"). O plural de "nação" é "nações" porque veio do latim, natione; em "pão" (pane), temos "pães", mas "cristãos" para "cristão" (christianu).

O latim está tão vivo que ainda hoje ele ajuda a criar neologismos. Além do exemplo de "deletar", podemos citar mais esse: "marinheiro", em latim, é nauta - daí o porquê do adjetivo náutico para coisas ligadas à marinha. De nauta teremos "astronauta" ou "cosmonauta", o navegante dos astros ou dos cosmos. Por isso dizemos que quem navega na Internet é internauta.

Voltando para nossa língua, conhecer latim nos faz raciocinar sobre os sentidos das palavras. Observe: a palavra latina para água é aqua, daí a natação ser um esporte aquático, os seus peixes ficarem em um aquário. Então eu pergunto o que seria aquicultura? Você pode até nem saber ao certo, mas fará uma ideia.

Podemos também falar sobre o que algumas gramáticas chamam de irregularidades da língua e perceber que elas têm explicação na sua história. Uma grande pedra no sapato dos alunos é o plural de palavras terminadas em "-ão". Na verdade, a irregularidade está em conhecer a origem dos três possíveis plurais ("-ãos", "-ões", "-ães"). O plural de "nação" é "nações" porque veio do latim, natione; em "pão" (pane), temos "pães", mas "cristãos" para "cristão" (christianu).
O latim está tão vivo que ainda hoje ele ajuda a criar neologismos. Além do exemplo de "deletar", podemos citar mais esse: "marinheiro", em latim, é nauta - daí o porquê do adjetivo náutico para coisas ligadas à marinha. De nauta teremos "astronauta" ou "cosmonauta", o navegante dos astros ou dos cosmos. Por isso dizemos que quem navega na Internet é internauta.

A importância do latim

A despeito de tudo isso há as questões culturais que circundam a língua. "Velho" em latim é senex. Em Roma, surgiu uma instituição que era composta pelos mais velhos, tidos como mais sábios - o membro dessa instituição era conhecido como senator. Temos, então, a origem do senado em Roma.
Outro detalhe, o latim é uma língua muito precisa por conta de seus casos e declinações, de modo que ela foi muito utilizada nas ciências e, principalmente, no Direito. Ainda hoje, em alguns países da Europa, é possível escrever uma tese em latim. De igual modo, a língua oficial da Igreja Católica Apostólica Romana  é o latim. Perceba que o latim é um ponto em comum entre a Ciência e a Igreja.
Não podemos também esquecer que o latim está vivo também nas músicas. Temos desde cantos religiosos (canto gregoriano), óperas "profanas" (como trechos de Carmina Burana) e até de bandas de heavy metal que fazem músicas em latim (vide box).

Por fim, cabe-nos agora hipotetizar sobre as razões que levam a língua latina a ser considerada persona non grata dos cursos de Letras. O primeiro motivo, certamente, é a ausência de metodologias de ensino que ultrapassem os tradicionais e extensos exercícios de declinação e conjugação. Os alunos muitas vezes se veem obrigados a decorar listas e mais listas de terminações sem compreenderem como aquele conteúdo pode contribuir com a formação de um professor de língua portuguesa. De fato, apesar de o latim contribuir para a solidificação profissional do aluno e mesmo para o aprendizado de outras disciplinas da grade curricular, não raro a língua latina é estudada sincronicamente isolada. A língua latina pode fornecer bases sólidas para estudos históricos da língua, estudos de análise sintática, estudos literários e de crítica literária e até mesmo estudos sociolinguísticos - desde que o professor de latim apresente ao aluno essas relações interdisciplinares. De igual modo, outras disciplinas podem contribuir para o desenvolvimento dos estudos clássicos. Um exemplo seria as contribuições possíveis que as novas teorias de ensino e aprendizagem de língua, desenvolvidas no campo da Linguística aplicada, podem oferecer. Esse campo tem crescido muito - mas apenas em nível de línguas modernas. Também a Lexicografia moderna, hoje voltada para a sala de aula, poderia oferecer ferramentas metodológicas para a produção de dicionários acessíveis ao grande público. Essas ideias, inclusive, poderiam ajudar a combater a crença negativa  de que não há nenhum caráter científico nos estudos clássicos.

Outra barreira para o sucesso do ensino do latim nos cursos superiores é a acessibilidade ao material didático. O pouco material existente em língua portuguesa é raro, caro e feito em uma linguagem imprópria para iniciantes. Muitos deles datam de décadas atrás, quando os estudos clássicos eram comuns nas escolas. É claro que, se o aluno lê em outras línguas, as opções se ampliam - na verdade, há uma considerável gama de material em alemão, francês ou mesmo inglês.

De modo geral, são essas barreiras que acabam por difamar o ensino do latim nas faculdades. Por outro lado, é a existência de tais barreiras e a possibilidade de superá-las que tornam esse campo de estudos um ambiente fértil de pesquisa.

MEMÓRIA:
Crença negativa: Para promover o latim, o Papa Paulo VI criou, quando ainda era subsecretário do Vaticano, a fundação Opus fundatum "Latinitas", que, durante o seu papado, em 1976, foi elevada a instituição. A fundação tem a tarefa de favorecer o estudo do latim clássico, eclesiástico e medieval, além de estimular seu uso na literatura. Confira em Vaticano.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Latim é a última moda na Iglaterra!

Na Inglaterra o boom do latim



Na Inglaterra explode o interesse pelo latim. O número dos estudantes que no começo deste ano [2011] escolheram como matéria a língua de Cícero conheceu um incremento impressionante.

O ministro da Educação Gove se atreveu a declarar que "o que estamos assistindo é o maior revival do latim desde os tempos da conquista de Júlio Giulio Cesar".
Entre os mais entusiastas promotores do ensino das línguas clássicas está o excêntrico e popularíssimo prefeito de Londres, o conservador Boris Johnson, que constituiu um grupo de sessenta voluntários com o encargo específico de ensinar o latim nas escolas primárias estatais.

Haveria muito que dizer sobre este fenômeno. Mas há uma observação que eu gostaria muito de fazer. O latim foi, até a revolução do final dos anos sessenta (uso o termo revolução propositalmente), a língua da liturgia católica. Paolo VI achou por bem abandoná-lo para aproximar a Igreja ao mundo moderno, para favorecer "a participação do povo, deste povo moderno cheio de palavra clara, inteligível, traduzível em sua conversação profana" (Alocução na audiência geral dos fieis, em 26 de Novembro de 1969).

Hoje, Anno Domini 2011, frotas de adolescentes na moderna e secularizada sociedade britânica fazem fila para inscrever-se às lições de latim. Nisso, Paolo VI não foi certamente profeta.

Giorgio Roversi - 09/11/11

Fonte: Bregwin 
Tradução: Giulia d'Amore di Ugento

domingo, 12 de junho de 2011

DOMÍNICA PENTECOSTES




DOMÍNICA PENTECOSTES




ALLELÚIA 

Allelúia, allelúia. Ps. 103, 30 - Emítte Spíritum tuum, et creabúntur, et renovábis fáciem terræ. Allelúia. (genufléctitur) Veni, Sancte Spíritus, reple tuórum corda fidélium: et tui amóris in eis ignem accénde.   

Aleluia, aleluia. Sal. 103, 30 - Manda o teu Espírito, e serão criados, e será renovada a face da terra. Aleluia. (de joelhos) Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis: e acendei neles o fogo do Vosso amore.

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