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segunda-feira, 4 de abril de 2016

São Tomás de Aquino: O modo de estudar

O modo de estudar


“Já que me pediste, frei João ‒ irmão, para mim, caríssimo em Cristo ‒, que te indicasse o modo como se deve proceder para ir adquirindo o tesouro do conhecimento, devo dar-te a seguinte indicação: deves optar pelos riachos e não por entrar imediatamente no mar, pois o difícil deve ser atingido a partir do fácil. E, assim, eis o que te aconselho sobre como deve ser tua vida:

1. Exorto-te a ser tardo para falar e lento para ir ao locutório.

2. Abraça a pureza de consciência.

3. Não deixes de aplicar-te à oração.

4. Ama frequentar tua cela, se queres ser conduzido à adega do vinho da sabedoria.

5. Mostra-te amável com todos, ou, pelo menos, esforça-te nesse sentido; mas, com ninguém permitas excesso de familiaridades, pois a excessiva familiaridade produz o desprezo e suscita ocasiões de atraso no estudo.

6. Não te metas em questões e ditos mundanos.

7. Evita, sobretudo, a dispersão intelectual.

“8. Não descuides do seguimento do exemplo dos homens santos e honrados.

9. Não atentes a quem disse, mas ao que é dito com razão e isto, confia-o à memória.

10. Faz por entender o que lês e por certificar-te do que for duvidoso.

11. Esforça-te por abastecer o depósito de tua mente, como quem anseia por encher o máximo possível um cântaro.

12. Não busques o que está acima de teu alcance.

13. Segue as pegadas daquele santo Domingos que, enquanto teve vida, produziu folhas, flores e frutos na vinha do Senhor dos exércitos.

Se seguires estes conselhos, poderás atingir o que queres.”

Santo Tomás de Aquino



terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

MEIA HORA MENOS

MEIA HORA MENOS


- Como vão seus estudos? - perguntou um sacerdote a seu antigo aluno.

- Muito mal! Estudo o mais que posso e sempre tiro notas baixas.

- Estude meia hora menos - disse-lhe o antigo mestre - e empregue essa meia hora em pedir a Nossa Senhora que o ajude.

O rapaz seguiu o conselho, e após algumas semanas começou a progredir nos estudos, obtendo qualificação honorífica.

(Tesouros de Exemplos, Padre Francisco Alves, 1958)

Louvado seja N.S. Jesus Cristo!
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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Os nomes de Satanás

OS NOMES DE SATANÁS


Card. Jorge Medina Estévez
A influência e a presença de Satanás na realidade cotidiana são um dos aspectos mais descurados hoje em dia. É necessário lembrar as noções sobre quem seja e como aja entre nós. Alguns dos qualificativos com os quais as Sagradas Escrituras assinalam-no nos servem a este propósito.

Frequentemente, no uso bíblico, o nome dado a uma pessoa tem a ver com as suas características e seu agir. No Novo Testamento, se encontram pelo menos 160 referências a Satanás, sob diversas denominações. A mais usada é demônio, que resulta uma centena de vezes. O nome diabo aparece não menos de 36 vezes e outras tantas vezes aparece o de Satanás.

A abundância destes “nomes” significa que o tema não é banal e que o Espírito Santo, ao inspirar os livros sagrados, quis que os cristãos de todos os tempos tivessem presente tanto a realidade como a ação, ambas nefastas, do Maligno [...].

O GRANDE ADVERSÁRIO DA SALVAÇÃO HUMANA.


Tomamos como exemplo alguns destes “nomes” de Satanás.

“Satanás”.
“Satanás” mesmo significa “adversário”, “inimigo”, “acusador”. O Maligno é adversário porque se opõe aos projetos de Deus, porque é aquele que busca subverter a boa ordem posta pelo Criador em sua obra, em particular no que diz respeito aos desenhos de salvação pela humanidade caída com o pecado, mas redimida pela ação salvífica de Deus que se fez homem, Jesus Cristo Nosso Senhor. No livro de Jó, Satanás desencadeia contra ele todo tipo de desgraças com a intenção de induzi-lo a rebelar-se contra Deus e os seus desígnios, sem consegui-lo (Gb. 1,6 ss).

“Diabo”.
“Diabo” é uma palavra de conteúdo similar a “Satanás”, isto é, “acusador”, “detrator”, alguém que “se coloca de transverso”, que “perturba”, que nos faz tropeçar. As Sagradas Escrituras lhe atribuem encrencas e doenças, algumas das quais hoje se identificam com doenças psíquicas ou neurológicas.

“Legião”.
Legião é o nome que davam a si mesmos os diabos que possuíam o endemoninhado de Gérasa e assim queriam dizer que eram muitos (Mc. 5,9). Também em outros textos do Novo Testamento se faz referência à pluralidade dos espíritos malignos.

“Príncipe e deus deste mundo”.
“Príncipe deste mundo”, citato em Marcos, Luca e Mateus, é uma expressão alusiva ao poder que o demônio exercita sobre a sociedade, permeando-a com anti-valores e obtendo que os homens rejeitem os desenhos divinos e construam as relações sociais prescindindo de Deus e também contrariando a Sua vontade.
Este “nome” se relaciona à afirmação de S. João que “todo o mundo jaz sob o poder do Maligno” (1Jo. 5,19) e é próxima à expressão: “deus deste mundo” (2Cor. 4,4), a qual quer dizer que Satanás consegue encontrar homens que substituem Deus por outras realidades, de onde surgem as diversas formas de idolatria que escravizam a humanidade.
Esta expressão usada em S. Paulo, “deus deste mundo”, sugere o altíssimo grau de nefasta influência que Satanás exercita sobre a comunidade humana, a qual, em diversas formas, aceita e rende culto a anti-valores, ou seja, a condutas contrastantes com a verdade da natureza humana e com a vontade de Deus.
Esta influência pode chegar, e de fato chegou, a desencadear a violenta perseguição aos cristãos, exigindo deles a apostasia como preço para poder conservar a vida corporal. Hoje em dia, com o pretexto de evitar qualquer discriminação, se pretende que a Igreja reconheça como legítimas e morais condutas que contradizem o Evangelho [...].
As estratégias diabólicas fazem com que esta submissão não se manifeste sempre em modo explicito, mas frequentemente através de opções anti-evangélicas justificadas com argumentos capciosos, nos quais, obviamente, estão ausentes seja Deus que a Sua divina vontade. [...] Todavia Satanás continua pretendo adoração por via da adesão a tudo o que representa desprezo e negação do próprio Deus e de Sua vontade. E chega até a induzir alguns à extrema perversão de render-lhe tributos como se fosse Deus, nos cultos satânicos.

“Mentiroso e tentador”.
Mentiroso, “nome” presente em João 8,44 e 1Jo. 2,22, refere-se, se pode dizer, à característica mais típica do agir do diabo. E é sublinhada de forma enfática pelo “nome” “Pai da Mentira” (João 8,44).
Há duas ocasiões em que Satanás age como o grande mentiroso: quando tenta os primeiros pais no jardim do Éden, lhes sugerindo que Deus é um trapaceiro e um invejoso (cf. Gn. 3,1ss) e quando tenta o próprio Jesus, oferecendo-lhe o que não lhe pertence em troca de um tributo de homenagem e adoração (cf. Mt. 4,1 ss; Mc. 1,12ss; Lc. 4,1-13)
Esta característica do diabo (e dos diabos) explica a razão profunda de sua aversão a Jesus Cristo: o Senhor da Verdade (João 14,6). A mentira é próxima da confusão, do engano, do culto das aparências.

Tentador (presente em Mt. 4,3 e 1Ts. 3,5) é um qualificativo que descreve a ação permanente dos espíritos malignos, isto é, induzir os homens, em geral, através do engano e da mentira, a afastar-se do caminho de Deus. De uma forma ou de outra, o demônio oferece felicidade lá onde não se pode encontrá-la [...].
Dois textos do Novo Testamento são instrutivos sobre o “tentador”: aquele no qual São Pedro o apresenta “como um leão a rugir, procurando a quem devorar” e aquele de S. Paulo, quando descreve, na Carta aos Efésios, a vida cristão como luta contra as insídias do diabo (6,10ss).
Mesmo que a tentação seja um fato frequente na existência humana, e provém direta ou indiretamente do Maligno, “Deus é fiel – nos diz S. Paulo - e não permitirá que sejais tentados além de vossas forças, mas com a tentação vos dará também meios de suportá-la e de sair dela” (1Cor. 10,13).
[...] No caso de Satanás, a tentação é a tentativa de nos induzir ao pecado, isto é, fazer com que o home se rebele a Deus. A incrível audácia de Satanás o levou a tentar o próprio Jesus Cristo. Mas nem todas as tentações provêm diretamente do demônio. Algumas procedem do ambiente que nos cerca, daquilo que em diversas passagens do Novo Testamento é denominado “o mundo”, na medida em que está sob a influência de Satanás. Outras provêm de nossa própria natureza ferida e enfraquecida pelo pecado; outras ainda têm origem em pessoas que, com maior ou menor consciência, nos induzem a pecar com os seus mais exemplos ou servem de cúmplices à nossas atividades pecaminosas.

“Eu venci o mundo”.
Este percurso por alguns dos “nomes” que a Palavra de Deus dá ao demônio é instrutivo porque nos permite de descobrir as características do ser diabólico e do seu agir. Quem, depois de ler estes textos das Sagradas Escrituras, poderia colocar em dúvida a existência dos espíritos malignos e de sua nefasta ação sobre os homens?
Levamos em conta as palavras do próprio Jesus: “Simão, Simão! Eis, Satanás vos procurou para vos peneirar como o trigo; mas eu rezei por ti, para que a tua Fé não desfaleça; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Lc. 22,31-32). Palavras de uma severa advertência, mas, ao mesmo tempo, de confiança na definitiva vitória do Senhor e de sua graça.

Completamos estas palavras com as de S. Pedro supracitadas: “Sede sóbrios e vigilantes! Eis que o vosso inimigo, o diabo, vos rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar! Resisti-lhe, firmes na fé, sabendo que a mesma espécie de sofrimento atinge os vossos irmãos espalhados pelo mundo (...) [e] o Deus de toda a graça, aquele que vos chamou para a sua glória eterna em Cristo, vos restaurará, vos firmará, vos fortalecerá e vos tornará inabaláveis” (1Pedro 5,8-10).

Não nos esqueçamos, então, das palavras do Apocalipse que nos ensinam que o demônio, depois do infrutífero ataque contra a misteriosa Mulher e seu Menino, “foi então guerrear contra o resto dos seus descendentes, os que observam os mandamentos de Deus e possuem o Testemunho de Jesus” (Ap. 12,17). Todavia, o triunfo pertence a Jesus: “Mas tende confiança, eu venci o mundo!” (João 16,33).

card. Jorge Medina Estévez¹, extraído de Radici cristiane n.66 luglio 2011

Fonte: MessaInLatino
Tradução: Giulia d’Amore di Ugento

¹ Jorge Arturo Medina Estévez é um cardeal chileno, aposentado e presidente emérito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Latim: estudar ou não estudar?

Por que (não) estudar latim hoje?Se a língua latina é considerada a mãe da língua portuguesa e de outras línguas ocidentais, será que seu estudo não seria importante ainda hoje?
por Francisco Edmar Cialdine Arruda





Qual a importância do latim hoje? Por que estudá-lo? Essas são as perguntas que geralmente nós nos fazemos tão logo entramos na primeira aula de latim da faculdade. Motivados pelo medo de alguns veteranos, às vezes chegamos até a negar a importância da disciplina com tais questionamentos. É claro que, muitas vezes, esse temor é corroborado quando somos obrigados a decorar listas e mais listas de desinências de casos, conjugações e etc., todavia, deixar de lado a língua que não só deu origem ao português e demais línguas neolatinas, como também influenciou tantas outras, é deixar de lado a oportunidade de entender, historicamente, como todas essas línguas se relacionam e se transformam. Foi pensando nisso que resolvi escrever esta apologia ao ensino de latim.

O latim nosso de cada dia

Ao contrário do que muitos possam pensar, o latim não é uma língua morta. Ele está mais vivo do que nunca. Não só vivo nas línguas neolatinas, mas em seu uso propriamente dito. Utilizamos a língua latina em algumas situações de nosso dia a dia. Deixamos o curriculum vitae nas empresas para conseguir emprego, fazemos cursos de pós-graduação lato sensu ou stricto sensu, nossa universidade pode estar localizada em diferentes campi etc. Esses são apenas alguns exemplos de expressões latinas comuns ao nosso cotidiano. É claro que sua influência se estende a outras línguas, por exemplo - ou melhor e.g.: em latim, temos a palavra dominus, que significa "senhor". A partir dessa palavra vieram as palavras "dominar", "condomínio" e o dia dedicado ao Senhor ("domingo"). Note que, há alguns séculos, tínhamos o título de "dom" (Dom Manuel, Dom Pedro I etc.), que caiu em desuso em português - porém, permanece em espanhol. O nome original do seu Madruga, famoso personagem do seriado de TV "Chaves", é, na verdade don Ramón. Temos o resquício dessa palavra apenas em seu feminino "dona" e seu diminutivo "donzela" (que veio de dominicella).

Se formos falar de língua inglesa, os exemplos não são menores. Apenas para citar alguns, temos university, que significa "universidade" - ambas as palavras vieram do latim universitas, isto é, o "universo", a "totalidade das coisas"; e não é essa a ideia de universidade? Outro exemplo curioso: o verbo to delete chegou ao português como "deletar", isto é, apagar algo que foi digitado no computador. Mas o verbo inglês tem origem latina: delere, "destruir" (incrivelmente, a segunda pessoa do plural do imperativo é delete). Então eu deixo a pergunta: será que Kaiser (imperador em alemão) e czar (imperador em russo) têm alguma relação com o império dos césares romanos? (Só para dar uma dica, César se escreve Caeser em latim e uma possível pronúncia é "cáisser").
Curiosidade:
Deixar de lado a língua que não só deu origem ao português e demais línguas neolatinas, como também influenciou tantas outras, é deixar de lado a oportunidade de entender como todas essas línguas se relacionam e se transformam

Voltando para nossa língua, conhecer latim nos faz raciocinar sobre os sentidos das palavras. Observe: a palavra latina para água é aqua, daí a natação ser um esporte aquático, os seus peixes ficarem em um aquário. Então eu pergunto o que seria aquicultura? Você pode até nem saber ao certo, mas fará uma ideia.

Podemos também falar sobre o que algumas gramáticas chamam de irregularidades da língua e perceber que elas têm explicação na sua história. Uma grande pedra no sapato dos alunos é o plural de palavras terminadas em "-ão". Na verdade, a irregularidade está em conhecer a origem dos três possíveis plurais ("-ãos", "-ões", "-ães"). O plural de "nação" é "nações" porque veio do latim, natione; em "pão" (pane), temos "pães", mas "cristãos" para "cristão" (christianu).

O latim está tão vivo que ainda hoje ele ajuda a criar neologismos. Além do exemplo de "deletar", podemos citar mais esse: "marinheiro", em latim, é nauta - daí o porquê do adjetivo náutico para coisas ligadas à marinha. De nauta teremos "astronauta" ou "cosmonauta", o navegante dos astros ou dos cosmos. Por isso dizemos que quem navega na Internet é internauta.

Voltando para nossa língua, conhecer latim nos faz raciocinar sobre os sentidos das palavras. Observe: a palavra latina para água é aqua, daí a natação ser um esporte aquático, os seus peixes ficarem em um aquário. Então eu pergunto o que seria aquicultura? Você pode até nem saber ao certo, mas fará uma ideia.

Podemos também falar sobre o que algumas gramáticas chamam de irregularidades da língua e perceber que elas têm explicação na sua história. Uma grande pedra no sapato dos alunos é o plural de palavras terminadas em "-ão". Na verdade, a irregularidade está em conhecer a origem dos três possíveis plurais ("-ãos", "-ões", "-ães"). O plural de "nação" é "nações" porque veio do latim, natione; em "pão" (pane), temos "pães", mas "cristãos" para "cristão" (christianu).
O latim está tão vivo que ainda hoje ele ajuda a criar neologismos. Além do exemplo de "deletar", podemos citar mais esse: "marinheiro", em latim, é nauta - daí o porquê do adjetivo náutico para coisas ligadas à marinha. De nauta teremos "astronauta" ou "cosmonauta", o navegante dos astros ou dos cosmos. Por isso dizemos que quem navega na Internet é internauta.

A importância do latim

A despeito de tudo isso há as questões culturais que circundam a língua. "Velho" em latim é senex. Em Roma, surgiu uma instituição que era composta pelos mais velhos, tidos como mais sábios - o membro dessa instituição era conhecido como senator. Temos, então, a origem do senado em Roma.
Outro detalhe, o latim é uma língua muito precisa por conta de seus casos e declinações, de modo que ela foi muito utilizada nas ciências e, principalmente, no Direito. Ainda hoje, em alguns países da Europa, é possível escrever uma tese em latim. De igual modo, a língua oficial da Igreja Católica Apostólica Romana  é o latim. Perceba que o latim é um ponto em comum entre a Ciência e a Igreja.
Não podemos também esquecer que o latim está vivo também nas músicas. Temos desde cantos religiosos (canto gregoriano), óperas "profanas" (como trechos de Carmina Burana) e até de bandas de heavy metal que fazem músicas em latim (vide box).

Por fim, cabe-nos agora hipotetizar sobre as razões que levam a língua latina a ser considerada persona non grata dos cursos de Letras. O primeiro motivo, certamente, é a ausência de metodologias de ensino que ultrapassem os tradicionais e extensos exercícios de declinação e conjugação. Os alunos muitas vezes se veem obrigados a decorar listas e mais listas de terminações sem compreenderem como aquele conteúdo pode contribuir com a formação de um professor de língua portuguesa. De fato, apesar de o latim contribuir para a solidificação profissional do aluno e mesmo para o aprendizado de outras disciplinas da grade curricular, não raro a língua latina é estudada sincronicamente isolada. A língua latina pode fornecer bases sólidas para estudos históricos da língua, estudos de análise sintática, estudos literários e de crítica literária e até mesmo estudos sociolinguísticos - desde que o professor de latim apresente ao aluno essas relações interdisciplinares. De igual modo, outras disciplinas podem contribuir para o desenvolvimento dos estudos clássicos. Um exemplo seria as contribuições possíveis que as novas teorias de ensino e aprendizagem de língua, desenvolvidas no campo da Linguística aplicada, podem oferecer. Esse campo tem crescido muito - mas apenas em nível de línguas modernas. Também a Lexicografia moderna, hoje voltada para a sala de aula, poderia oferecer ferramentas metodológicas para a produção de dicionários acessíveis ao grande público. Essas ideias, inclusive, poderiam ajudar a combater a crença negativa  de que não há nenhum caráter científico nos estudos clássicos.

Outra barreira para o sucesso do ensino do latim nos cursos superiores é a acessibilidade ao material didático. O pouco material existente em língua portuguesa é raro, caro e feito em uma linguagem imprópria para iniciantes. Muitos deles datam de décadas atrás, quando os estudos clássicos eram comuns nas escolas. É claro que, se o aluno lê em outras línguas, as opções se ampliam - na verdade, há uma considerável gama de material em alemão, francês ou mesmo inglês.

De modo geral, são essas barreiras que acabam por difamar o ensino do latim nas faculdades. Por outro lado, é a existência de tais barreiras e a possibilidade de superá-las que tornam esse campo de estudos um ambiente fértil de pesquisa.

MEMÓRIA:
Crença negativa: Para promover o latim, o Papa Paulo VI criou, quando ainda era subsecretário do Vaticano, a fundação Opus fundatum "Latinitas", que, durante o seu papado, em 1976, foi elevada a instituição. A fundação tem a tarefa de favorecer o estudo do latim clássico, eclesiástico e medieval, além de estimular seu uso na literatura. Confira em Vaticano.

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