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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Um padre responde à carta do Bispo Fellay aos amigos e benfeitores

Para reflexão. Se o padre mantém o anonimato é por razões que ele acha necessárias. Provavelmente, continua na Neo-FSSPX. Pouco importa, o que vale é refletirmos sobre os fatos. Façam uso da razão!




Um padre responde à carta do Bispo Fellay aos amigos e benfeitores


Em 15 de abril veio a público o texto do Bispo Fellay que logo depois apareceria na Carta aos amigos e benfeitores da Fraternidade. Se considerado isoladamente, esse texto é particularmente forte, pois consiste principalmente de citações do Arcebispo Lefebvre. O Bispo Fellay reconheceu a “análise atual” de nosso fundador, que ainda é “o fio condutor de sua ação e posição doutrinal” na Fraternidade. “Sua muito justa percepção, teológica e prática, continua a ser válida.” A profissão de fé que abre o famoso discurso de 21 de novembro de 1974 “é também a de todos os membros da Fraternidade.” Enfim, “atualmente, seguindo a mesma linha, só podemos repetir o que o Arcebispo Lefebvre e depois dele o Pe. Schmidberger afirmaram. Todos os erros que eles denunciaram nós denunciamos.” Pronto, que isso sirva para acalmar os mais desconfiados!

Mas... se esse texto é analisado não como um texto isolado, mas no atual contexto da Tradição, não se pode deixar de perguntar: Pode-se acreditar no Bispo Fellay? Ou mais precisamente, deve-se acreditar no Bispo Fellay em sua declaração de 15 de abril de 2012 ou em sua carta de 15 de abril de 2013? De um 15 de abril ao outro, o contraste é impressionante. “A análise de Monsenhor Lefebvre” está realmente sendo “o fio condutor da ação e posição doutrinal” do Superior Geral da Sociedade em 2012? “A situação da Igreja está praticamente inalterada” na Páscoa de 2013: não é isso o que lemos no editorial de Cor Unum de março de 2012.

Então como é que se deve entender o texto de abril passado? Não podemos temer que esta mudança para a direita se destina a confirmar e pôr para dormir os que ainda resistem à política de união com Roma? Para que se possa acreditar no Bispo Fellay, três condições são necessárias:

1. Um sincero e inequívoco “mea culpa”: O Bispo Fellay reconheceu que “a Fraternidade encontrou-se em uma posição delicada (que eufemismo!) durante grande parte de 2012” (e hoje?). Mas imediatamente explicou que as dificuldades vieram das “exigências” e “falta de clareza” de Roma. O Superior Geral e a Casa Geral não teriam nada a ver com isso? É indispensável que o Bispo Fellay explicitamente se retrate de certos escritos e eventos do ano passado: entre muitos outros, simplesmente citaremos a vergonhosa resposta de 14 de abril aos três bispos, a escandalosa declaração do dia 15, a dolorosa declaração do Capítulo Geral, as odiosas sanções que caíram sobre um bispo, padres (exilados ou expulsos) e religiosos (atraso de ordenações)...

2. A reafirmação solene, em declaração dirigida simultaneamente à Santa Sé e a todos os bispos, padres e fiéis da Tradição, do princípio: “nenhum acordo prático sem acordo doutrinal”. Cuidadosamente especificando o significado das palavras para evitar qualquer ambigüidade e garantir que ninguém imagine que haveria "acordo doutrinal" pelo simples fato de que Roma nos aceita como somos.

3. A crítica firme e pública da Roma de hoje e de seu atual papa. O Arcebispo Lefebvre não se alegrava de denunciar os erros, mas não hesitava atacar, com respeito mas vigorosamente, os instigadores de erros, não apenas os bispos, mas até mesmo o papa. Na conclusão de seu texto, o Bispo Fellay parece quieta e timidamente criticar (sem ousar nomeá-lo) o papa Francisco, mas não denuncia os inúmeros escândalos que marcaram as primeiras semanas de seu pontificado. E DICI nos traz de volta a história de Enéias e Pio, uma tentativa de comparação pelo Pe. Celier em relação a Bento XVI em 2005. Depois de oito anos, o número dos que usam “óculos cor-de-rosa” aumentou dramaticamente.

Concluímos propondo em alta voz o que muitos padres e fiéis pensam em silêncio: quando um Superior coloca um trabalho que lhe foi confiado em tão grande perigo, é conveniente que, após reconhecer seus erros, ele renuncie ao cargo. Essa é pelo menos uma “condição desejável” para salvar a pequena parte ainda saudável na Fraternidade [de São Pio X]. Talvez até mesmo uma "condição sine qua non”.

Original em francês: http://www.lasapiniere.info/dun-15-avril-a-lautre-mgr-fellay-est-il-credible/
Visto em: http://speminaliumnunquam.blogspot.com.br/2013/09/um-padre-responde-carta-do-bispo-fellay.html.

Não revisado pelo Pale Ideas. Grifo nosso.

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