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terça-feira, 16 de julho de 2013

Aparição de Nossa Senhora do Carmo - 16 de julho de 1251

Pelo ano de 1222, dois cruzados ingleses levaram para a Inglaterra alguns Carmelitas que habitavam o Monte Carmelo. Um homem penitente, austero, logo se uniu a eles. Era Simão Stock[1] . Consta que tivesse ele recebido um aviso de Nossa Senhora que viriam da Palestina Monges devotos de Maria e que deveria unir-se a eles. Vieram depois tantos Carmelitas para a Europa que foi preciso nomear um Superior Geral para os mesmos. Em 1245, foi ele [Stock] eleito para desempenhar este cargo. Encontrou dificuldades quase insuperáveis. Mandou que os Carmelitas estudassem: isto gerou uma discórdia interna, pois não queriam os mais velhos que contemplativos estudassem. O clero secular revoltou-se contra eles e pediu a Roma sua supressão. Diante de tanta oposição, Simão Stock, com seus 90 anos, retirou-se para o mosteiro de Cambridge, no Ducado de Kent, e pediu a proteção de Maria. Rezava ele em sua cela quando viu um clarão, na noite de 16 de julho de 1251. Rodeada de anjos, Maria Santíssima entregou-lhe o Escapulário, dizendo-lhe: “Recebe, filho queridíssimo, este Escapulário de tua Ordem: isto será para ti e todos os Carmelitas um privilégio. Quem morrer revestido dele não sofrerá o fogo eterno”.


Desde aquele 16 de julho de 1251, Nossa Senhora do Carmo jamais deixou de amparar seus devotos, revestidos do Escapulário.


Passaram sete séculos, milhões de cristãos trouxeram o Escapulário de Maria.

É verdade que aqui e acolá surgem vozes, negando a aparição e, por consequência, a devoção devida a Maria.

John Haffert[2] , em seu livro, fez questão de documentar a historicidade do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. E o maior inimigo do Escapulário do Carmo foi o anglicano[3]  Launoy[4] , dizendo ser uma lenda. O livro de Launoy foi colocado no Índice dos Livros Proibidos (Index[5]). O Papa Bento XIV[6] , um dos mais sábios teólogos de todos os tempos, não se limitou apenas a condenar[7] Launoy, mas disse claramente[8] que só um desprezador da Religião podia negar a autenticidade da Visão do Escapulário. Apesar disto, o livro de Launoy continuou a ser citado, e as dúvidas persistiram.

Foi devido a tais ataques que se fez um estudo mais apurado e se descobriu o livro denominado “Viridarium”[9] , escrito em 1398[10]  por Frei João Grossi, Superior Geral dos Carmelitas. Era um homem santo e letrado, célebre na Igreja pela atividade exercida para terminar com o Grande Cisma do Ocidente[11]. Consultou os companheiros que conviveram com S. Simão Stock. Apresenta ele um Catálogo dos santos Carmelitas, dizendo que o nono é S. Simão Stock, o sexto Superior Geral da Ordem. Descreveu como aconteceu a Aparição, a 16 de julho de 1251. Contou que São Simão Stock morreu em Bordeaux, na França, quando visitava a Província de Vascônia em 1261. Assim registra sobre a Aparição:

“Simão Stock suplicava a Virgem gloriosa, Mãe de Deus, patrona da Ordem, de dotar de algum privilégio os Frades que levam o Seu nome. E um dia, enquanto recitava devotamente uma oração, a gloriosa Virgem Maria Mãe de Deus lhe apareceu, acompanhada por uma multidão de anjos, e, trazendo na mão o escapulário da Ordem, lhe disse: 'Eis o privilégio que concedo a ti e a todos os filhos do Carmelo. Quem morrer revestido deste hábito será salvo'.”

Infelizmente, a biblioteca de Bordeaux foi queimada um século depois da Aparição de Nossa Senhora do Carmo, por funcionários municipais, por causa de uma peste, com medo da propagação do contágio. Para completar, Henrique VIII[12] , rei da Inglaterra, ao se separar de Roma e fundar a seita anglicana, mandou arrasar as bibliotecas católicas.

Um carmelita contemporâneo de São Simão Stock, que vivia na Palestina, escreveu um livro intitulado: “Chronica de multiplicatione Religionis Carmelitarum per Provinciais Syriae et Europae; et de perditione Monasteriorum Terrae Sanctae”[13]. Nesta obra, contava as terríveis perseguições e dissenções que arruinavam a Ordem do Carmo, antes da Aparição de Nossa Senhora. Opinava ele que eram fomentadas por Satanás. Declarava ele que a Santíssima Virgem apareceu ao Prior Geral, São Simão Stock e que, após a Visão de Nossa Senhora do Carmo, o Papa[14]  não só aprovara a Ordem, mas ordenara que se empregassem censuras eclesiásticas contra todo aquele que, daí em diante, fosse contra os Carmelitas. O Papa mandou cartas a todos os Arcebispos e Bispos, exortando-os a tratar com mais caridade e consideração os seus amados irmãos Carmelitas e permitissem a construção de mosteiros adequados.

Um ano depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, o Rei da França, Henrique III[15] , em 1252, publicou diplomas de proteção real à Ordem recentemente transplantada para o seu reino.

Enfim, já centenário, chegando a Bordeaux, na França, quando se dirigia a Tolouse para o Capítulo Geral da Ordem, entregou sua alma a Deus, a 16 de maio de 1265[16] . De sua tumba saíram raios de luz durante 15 dias depois de sepultado, o que levou os religiosos a comunicarem o portento ao Bispo. Este chegou ao túmulo, acompanhado do clero e de muito povo. Tendo constatado o fenômeno, mandou que se abrisse o sepulcro, aparecendo o corpo do santo emitindo raios de luz e exalando delicada fragrância. Por volta do ano 1276, o culto a Simão Stock foi confirmado para o convento de Bordeaux, pela autoridade da Santa Sé, e mais tarde para os de toda a Ordem carmelitana.

Um ano após a morte de São Simão Stock, o Papa Urbano IV[17]  concedeu privilégios aos membros que compunham a Confraria do Carmo. Ora, o Papa só dá privilégios a associações bem constituídas.

Quinze anos depois da morte de S. Simão Stock (ocorrida em 1261), foi sepultado em Arezzo, a 10 de janeiro de 1276, o Papa Gregório X[18] , que governou a Igreja, desde 1271. Consta que antes de ser Papa usava o Escapulário. Em 1830, quando foi exumado seu corpo para ser colocado num relicário de prata, foi encontrado intacto o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, de seda de carmezim, com precioso bordado a ouro, como convinha ao Papa. Encontra-se, hoje, no museu de Arezzo, como um dos tesouros. Este é o primeiro Escapulário pequeno conhecido na História.

Em 1820, numa Assembleia, em Florença, Itália, os 40 Carmelitas reunidos falam do Escapulário, ocorrendo o mesmo, em julho de 1287, em Montpelier, França.

As constituições de 1324, 1357 e 1369 dizem que o Escapulário é o hábito especial da Ordem e que os Carmelitas devem usá-lo.

Diante disto, John Haffert diz: “Conclui-se, portanto, que a Aparição da Santíssima Virgem a S. Simão Stock é, historicamente, certíssima”. Uma vez demonstrada a historicidade da Aparição de Nossa Senhora do Carmo, John Haffert analisa o cumprimento da Promessa de Maria, através dos sete séculos. Conta ele fatos e mais fatos ocorridos com o que, na vida, trouxeram o Escapulário de Nossa Senhora.
Houve vários Papas que eram devotos do Escapulário, tais como Inocêncio IV, João XXII, Alexandre V, Bento XIV, Pio VI, Clemente VII, Urbano VII, Nicolau V, Xisto IV, Clemente VII, Paulo III, São Pio V, Leão XI, Alexandre VII, Pio IX, Leão XIII, São Pio X, Bento XV, o Pio XI e Pio XII. Além de usarem o Escapulário, estes Papas estimularam e aconselharam os católicos a usá-lo e premiaram esta devoção, aprovando os seus privilégios e cumulando de favores as Confrarias do Carmo.

A devoção dos Papas: Bento XV o pontífice da paz, chamou o Escapulário de a “arma dos cristãos” e aconselhava aos seminaristas que o usassem. Pio IX gravou em seu cálice a seguinte inscrição: “Pio IX, confrade Carmelita”. Leão XIII, pouco antes de morrer, disse aos que o cercavam: “Façamos agora a Novena da Virgem do Carmo e depois morreremos”. Pio XI escrevia, em 1262, ao Geral dos Carmelitas: “Aprendi a conhecer e a amar a Virgem do Carmo nos braços de minha mãe, nos primeiros dias de minha infância”. Pio XII afirmava: “É certamente o Sagrado Escapulário do Carmo, como veste Mariana, sinal e garantia da proteção e salvação ao Escapulário com que estavam revestidos. Quantos, nos perigos do corpo e da alma, sentiram a proteção Materna de Maria”.

Houve também inúmeros santos que usaram o Escapulário, como, por exemplo, Santo Afonso de Ligório, São Pedro Claver, São Carlos Borromeu, São Francisco de Sales, São João Maria Batista Vianney, Beato Batista Mantovano, São Pompílio Pirrotti, São João Bosco, Santa Teresa de Ávila, Santa Terezinha do Menino Jesus, São João da Cruz, Santa Maria de Jesus e Santa Teresa Benedita da Cruz, entre muitos. 

Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós! 
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Notas da edição:
1  Simon Stock (Aylesford, 1165 c.– Bordeaux, 16 de maio de 1265) foi um religioso inglês pertencente à Ordem dos Carmelitas Descalços, da qual foi Superior Geral e é seu Santo protetor. Compôs a oração Flos Carmeli: “Flos Carmeli, Vitis florigera, Splendor Coeli, Virgo puerpera, Singularis; Mater mitis, sede viri nescia. Carmelitis da privilegia, Stella maris!” (Flor do Carmelo, vide florífera, Esplendor do Céu, Virgem incomparável, Singular! Ó Mãe amável e sempre virgem, dai aos Carmelitas os privilégios de vossa proteção, Estrela do Mar!). Cf. Página Oriente.
2  John Mathias Haffert. Autor do livro “Maria na sua Promessa do Escapulário”, entrevistou a Irmã Carmelita Lúcia, a vidente de Fátima ainda viva, e perguntou por que na última Aparição Nossa Senhora segurava o escapulário na mão. Irmã Lúcia respondeu simplesmente: “É que Nossa Senhora quer que todos usem o Escapulário”. Monsenhor Fulton J. Sheen, Bispo Auxiliar de Nova Iorque, a 16 de maio de 1940, prefaciou o livro de John Haffert, onde diz: “Este livro ocupa-se de um dos títulos mais gloriosos de Maria, a Mãe do Escapulário do Monte Carmelo. O Escapulário contém o testemunho de proteção de Maria contra as revoltas da carne provenientes da queda de nossos primeiros pais e a influência de Maria, como Medianeira de todas as Graças. Se ao menos uma só alma que, de outro modo, não tivesse possibilidade de chegar ao conhecimento de Maria e de seu Escapulário, vier a conhecê-la e amá-la por meio deste livro, tenho a certeza que John Haffert dará por bem empregado seu tempo”. O livro é dividido em 16 capítulos, com 280 páginas. Cf. sobre Haffert: http://en.wikipedia.org/wiki/John_Haffert.
Cf. http://farfalline.blogspot.com.br/2013/07/neo-igreja-se-bergoglio-esta-certo-leao.html.
4  Provavelmente, Matthieu de Launoy.
5  Cf. http://farfalline.blogspot.com.br/2013/06/abolicao-do-index-librorum-prohibitorum.html.
6  Papa Bento XIV, nascido Prospero Lorenzo Lambertini, foi Papa de 17 de agosto de 1745 até sua morte. Foi eleito com 50 votos entre 51 votantes do longuíssimo conclave de 1745. Bento XIV colocou no Índex livros como o “Esprit des lois” de Montesquieu. Pela bula “Providas romanorum”, de 1751, condenou a Maçonaria. Condenou também o movimento iluminista, pois seus fautores eram deístas, ateus e materialistas. Na “Ata Santorum”, fez uma relação de todos os santos canonizados. Este esclarecido Papa instituiu as academias de liturgia, história dos concílios, arqueologia e história da Igreja e protegeu de modo geral os estudiosos, tendo reformado a Universidade de Roma e providenciado obras de restauro de diversos monumentos, como o Coliseu de Roma, depois que conseguiu fazer cessar a sua nefasta e contínua demolição, declarando-o sagrado por ter sido um lugar onde se derramou o sangue de muitos mártires cristãos. No Brasil, fundou os Bispados de São Paulo e de Mariana em 1745, e proibiu, sob pena de excomunhão, que se escravizassem os índios. O seu corpo foi sepultado na basílica de São Pedro.
7  Portanto, não foram poucos os Papas católicos que condenaram a heresia anglicana que o Concílio modernista tanto louva e defende.
8  Isso é “sim sim, não não”.
9  Cf. http://www.santamariadelcarmine.net/p/page.php?16. Décimo parágrafo.
10  Há várias datas, mas foi escrito entre 1398 e 1430.
11 Cf. http://rainhaddosmartires.blogspot.com.br/2013/02/o-grande-cisma-ocidental-e-o-que-ele.html.
12  Cf. http://farfalline.blogspot.com.br/2013/01/reflexao-o-crime-dos-protestantes.html.
13  De Gulielmus de Sanvicu. O opúsculo é conservado em muitos códigos e foi publicado inúmeras vezes.
14  Trata-se do Papa Inocêncio IV. 180º Papa (de 1243 a 1254), foi eleito em Anagni, em 28 de junho de 1243, após dois anos de sede vacante. De nome Sinibaldo Fieschi, Inocêncio IV era genovês. Foi considerado um dos melhores juristas da época e um papa enérgico e hábil. A crença na responsabilidade universal da Igreja impeliu-o a evangelizar o Oriente e a tentar a unificação das Igrejas Cristãs, fortalecendo a Inquisição. Instituiu a festa da Visitação. Preparou a Sétima Cruzada, com Luís IX, rei da França. Morreu subitamente em Nápoles, no dia 7 de dezembro de 1254.
15  Talvez se trate de Henrique III da Inglaterra, que viveu de 1207 a 1272, uma vez que o homônimo rei francês veio a nascer somente em 1551, trezentos anos depois e cuja biografia não o recomenda como um rei religioso. A História teve oito Henriques III, apenas o inglês é contemporâneo da Aparição de Nossa Senhora.
16  Há divergências históricas sobre a data da morte do santo. Fala-se em 1261 e 1265.
17  Papa Urbano IV, nascido como Jacques Pantaléon, foi Papa de 29 de agosto de 1261 ate a data da sua morte. Encontrava-se em Viterbo, onde procurava ajudar os Cristãos perseguidos no Oriente, quando Alexandre morreu. Depois de sede vacante por três meses, Pantaléon foi escolhido para o suceder, a 29 de Agosto de 1261, adotando o nome de Urbano. Como Papa, empenhou-se, sem sucesso, em levantar uma nova cruzada, em nome da sua antiga diocese de Jerusalém. Urbano morreria em Perúgia, a 15 de Agosto de 1264. Instituiu a festividade de Corpus Christi, no ano da sua morte.
18  Papa Gregório X, nascido Teobaldo Visconti, OCist, foi Papa entre 1271 e 1276. O conclave que o elegeu foi o mais longo da história da Igreja, durando quase três anos. Teobald Visconti foi monge da Ordem Cisterciense. Foi amigo de São Tomás de Aquino e conselheiro dos reis da Inglaterra e da França. Foi em sua eleição qye surgiu o termo "Conclave" (com chave). À chegada a Roma o seu primeiro ato foi reunir um concílio que teve lugar em Lyon em 1274 que debateu o Cisma da Páscoa, a condição da Terra Santa, e os abusos da Igreja Católica. Foi no regresso de uma das sessões do concílio que faleceu, em Arezzo. A Gregório X se deve a Bula “Ubi Periculum”, subsequentemente incorporada no Código de Direito Canónico, que continua a regular os conclaves para a eleição papal. Foi beatificado em 1713.
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2 comentários:

  1. Sou Católico com muito Amor Sou o que Sou por Nossa Senhora Minha Mãe e Mãe de Meus Filhos . Com Nossa Senhora me Sinto amparada e ela que sempre me mostra o caminho a trilhar foi maria que Ensinou a amar se filho Jesus.todas marias são a Mesma Mãezinha .Amo-a

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    1. De fato, Nossa Senhora tem vários títulos, mas é apenas uma, que veneramos por ser Mãe de Deus e pq Cristo no-la deu como Mãe antes de morrer na Cruz por nós. Reze diariamente o TERÇO MARIANO pq Ela mesma pediu em Fátima que o fizéssemos, para nosso bem e de nosso próximo.

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