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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Exame de Consciência dum Cristão Medíocre

Exame de Consciência dum Cristão Medíocre

Jacques Debout
Da omissão em si mesma

Eu acuso-me de ter omitido os meus pecados de omissão; de me ter contentado com o mal que não cometi para levar comigo na eternidade; de ter considerado a moral cristã unicamente como uma mortificação e não como uma vida, como uma mutilação e não como uma expansão, como um travão e não como um impulso de progresso, como um muro de resguardo e não como um trampolim.

Eu acuso-me de ter olhado o bem a fazer como um dever bastante impreciso, preferencialmente facultativo e depressa cumprido, de me ter persuadido que a cólera eterna de Deus era unicamente provocada pela impiedade e pelos pecados contra a santa virtude; de ter batizado como bom Cristão um senhor que vai à Missa ao Domingo, cumpre o preceito pascal e de maneira nenhuma dá ocasião a que falem dele; de ter considerado excelente Cristão o senhor que recebe o clero à sua mesa e leva um círio na procissão, e de cristão, como eram necessários muitos, aquele senhor que, dentro de casa, protesta ruidosamente contra os inimigos da ordem e da sã doutrina.

A omissão de adorar na oração

Eu acuso-me de ter olvidado que a oração é uma adoração, de não ter compreendido que é necessário que o Nome de Deus seja santificado, que o Seu Reino chegue, e que a Sua vontade seja cumprida antes que Ele nos conceda, ou melhor, a fim de que Ele nos conceda o nosso pão.

Eu acuso-me de ter inquietado a Deus com os meus interesses, sem previamente eu me ter ocupado dos Seus.

Eu acuso-me de ter invocado a Deus à maneira dos pagãos, unicamente para obter êxitos e curas, sobretudo quando, encontrando-se esgotados os meios humanos, a intervenção sobrenatural surgia, ou como um trunfo a mais no jogo, ou como a última carta a jogar.

A oração pela sua alma

Eu acuso-me, portanto, de não ter possuído o cuidado da minha beleza sobrenatural; de não ter solicitado a Deus esta delicadeza, este esmero espiritual, o qual constitui a forma requintada do Amor Divino; acuso-me de apenas haver solicitado a Graça da Salvação, e não a graça para ser belo e bom segundo a beleza e a bondade Divinas, vivendo a Sua Vida sobrenatural; acuso-me de não haver visto na Graça senão um para-raios e não a veste nupcial, apenas uma garantia e não um valor positivo.

Eu acuso-me de não ter deplorado a minha impureza senão como um perigo e não como uma vilania; o meu egoísmo apenas como erro de cálculo e não como uma enfermidade; o meu orgulho como uma desordem e não como uma deformidade.

Acerca do valor da oração

Eu acuso-me de não haver acreditado profundamente no poder da oração; de nela não ter acreditado senão à força de nervos, sob a pressão da angústia e como um meio desesperado; de ter rezado sem fervor e simplesmente para não perder Deus, último recurso, assim eu me possa fiar nos meus recursos, nos meus cálculos, nas mi­nhas oportunidades.

Eu acuso-me de ter procurado a Providência quase unicamente na minha própria atividade; de não haver compreendido que a minha ação, para ser forte, feliz e útil, tem necessidade que o Senhor edifique o lar e guarde a cidade; eu acuso-me de não ter compreendido que aqueles que rezam obram mais pelo mundo do que aqueles que trabalham, e que Josué fraqueja no combate quando esmorecem na oração os braços erguidos de Moisés.

Eu acuso-me de nunca me ter acusado de ignorância religiosa, de nem dela me desculpar, a tal ponto esta ignorância me parece normal; acuso-me de ter sido levado a pensar que a docilidade me dispensava da ciência, que esta pobreza de espírito predispunha para o Reino de Deus e que seria perigoso ultrapassar a Fé do carvoeiro.

Eu acuso-me de me ter completamente desinteressado da Doutrina Cristã, sob pretexto de assim nela mais respeitar os mistérios e o carácter sagrado; de ter sido, aliás, persuadido que o dever é de essência exclusivamente prática; que no domínio intelectual não existe outra obrigação senão obedecer; que para ser um bom Cristão é necessário observar os Mandamentos de Deus, bem como os da Santa Igreja, que é suficiente recitar o Símbolo dos Apóstolos, e mesmo de saber responder ‘Amém’.

Jacques Debout  

Fonte: Revista “Semper” – Priorado da FSSPX em Lisboa, Portugal. 


* Jaques Debout, cujo nome canônio é René Roblot, 1872-1939, foi um religioso e um homem de letras francês. Ele também usou o pseudônimo de John St. Clair.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Quando os Sacerdotes são Castigo de Deus


São João Eudes
O maior sinal da ira de Deus sobre um povo e a mais terrível punição que sobre ele pode descarregar neste mundo é permitir que, em castigo dos seus crimes, venha a cair nas mãos de pastores que mais o são de nome do que de fato, que mais exercitam contra ele a crueldade de lobos famintos que a caridade de solícitos pastores, e que, em lugar de o alimentar cuidadosamente, o dilacera e devora com crueldade; que, em vez de levar o povo a Deus, o vende a Satanás; que em lugar de o encaminhar para o Céu, o arrasta com eles para o inferno; e, em vez de serem o sal da terra e a luz do mundo, são o seu veneno e as suas trevas.

Porque nós, sacerdotes e pastores, disse São Gregório, o grande, seremos condenados diante de Deus como "assassinos das almas que, todos os dias, vão para a morte eterna pelo nosso silêncio e nossa negligência". Diz também este mesmo Santo: “Nada há que tanto ultraje a Nosso Senhor (e, por conseguinte, que mais provoque a Sua ira e atraia mais maldições sobre os pastores e sobre o rebanho, sobre os sacerdotes e sobre o povo) como os exemplos de uma vida depravada dados por quem Ele estabeleceu para correção dos demais; quando pecam os que devem reprimir pecados"; quando os sacerdotes não cuidam da salvação das almas, quando não se preocupam mais do que em satisfazer as suas inclinações, quando todas as suas afeições terminam em coisas da terra; quando se alimentam com avidez da vã estima dos homens; quando para satisfazerem as suas ambições abandonam os trabalhos de Deus para se entregarem aos do mundo; quando, ocupando um lugar de santidade, se ocupam de questões terrenas e profanas e não mais pregam a verdadeira fé, a única que indica O Caminho, A Verdade e A Vida.

Quando Deus permite que isto suceda é prova muito certa de que está encolerizado contra o seu povo, sendo este o maior castigo que lhe pode enviar neste mundo.1 Por isso Nosso Senhor diz incessantemente a todos os católicos: "Convertei-vos a Mim e dar-vos-ei pastores segundo o Meu Coração". Daqui resulta muito claramente que o desregramento da vida dos pastores é um castigo pelos pecados do povo; e que, pelo contrário, pela imensa maioria do clero mundial, a começar pela reforma litúrgica que subverteu com dano incomensurável o Santo Sacrifício da Missa?... (N. do T.) o maior efeito da misericórdia de Deus dirigido ao Seu povo e a mais preciosa graça que pode outorgar-lhe é dar-lhe sacerdotes segundo o Seu Coração, que não buscam mais do que a Sua glória e a eterna salvação das almas.


São João de Eudes

 Fonte: Revista “Semper” – Priorado da FSSPX em Lisboa, Portugal.




[1] Porém, este castigo torna-se ainda mais severo quando o povo anestesiado pelo Príncipe das Trevas já não consegue entender que os pastores, sejam eles sacerdotes ou cardeais, em vez de o conduzir para Deus, o está arrastando para a condenação eterna. O tempo actual é prova irrefutável deste estado de coisas. Quantos são os católicos que se aperceberam de que até o próprio João Paulo II foi proferindo muitas e gravíssimas heresias completamente contrárias à imutável doutrina instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo - e destes, quantos são os que recusam aceitar todas as novas (e falsas) doutrinas propagadas

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Boletim da Confraria da Sagrada Família A. II N. 17

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Boletins da Confraria da Sagrada Família A. II
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BOLETIM MENSAL DA

Confraria da
Sagrada
Família



Capela Nossa Senhora da Conceição – Niterói/RJ

Ano II – N. 17 – Novembro de 2011

Morte e canonização de São Pio X


Neste mês de novembro, quando meditamos especialmente sobre a morte, meditaremos sobre a morte do São Pio X, sobre quem nos dedicamos ao longo deste ano, com sua consequente canonização.

A I Guerra Mundial

Em 1912, ao estalar a guerra na Líbia e, depois, nos Estados Balcânicos, o Papa São Pio X percebeu que aqueles eram os inícios de uma guerra desapiedada que logo começaria, a qual ele costumava chamar "il guerrone". Foi a 1ª Guerra Mundial. Falava a respeito com grande tristeza, manifestou-a veladamente a alguns, em especial ao Secretário de Estado, e profetizava que seu início seria em 1914. Em maio daquele ano, um embaixador americano foi chamado de volta ao seu país e, antes de regressar à sua pátria, foi recebido em audiência de despedida pelo Pontífice, que lhe disse: "Feliz de vós que não presenciareis a guerra que em breve há de estalar". E infelizmente sucedeu o que ele previa. Com um incidente ocorrido contra um nobre austríaco se acendeu a faísca do incêndio mundial.

São Pio X se afligia com o pensamento da cruel carnificina por causa dos novos recursos de guerra. Com seu profundo olhar via que também outras nações, inclusive a Itália, se lançariam à luta fratricida. Via sacerdotes e seminaristas sobre o campo de batalha, expostos a mil perigos. Via os povos abandonados e sem pastor, e com grande mágoa exclamava: "Pobres filhos meus, esta é a última prova que o Senhor me envia! De bom grado sacrificaria a minha vida para conjurar este tremendo açoite!" Sua dor foi em aumento quando recebeu os seminaristas dos Colégios Estrangeiros de Roma antes de partirem para suas respectivas nações chamados por seus países para servirem como soldados na guerra, pensando que aqueles jovens clérigos, arrancados da vida eclesiástica, do recíproco amor fraterno, empunhariam as armas para talvez matar-se uns aos outros.

Passava o dia e as noites em oração, triste e choroso. Imediatamente divulgou-se, com um relâmpago, em Roma e em todo o mundo, a triste notícia de que São Pio X estava gravemente enfermo, quase no fim de sua vida. Cardeais acudiam continuamente ao seu leito, onde, inteiramente resignado com a vontade de Deus, abençoava os assistentes, persignava-se frequentemente, até que o permitiam suas forças, e dirigia devotas jaculatórias a Jesus, à Mãe Celestial e aos Santos, oferecendo ao Senhor seus sofrimentos e sua existência.

Entretanto o estado de saúde do Papa agravava-se sempre mais, porém jamais saía de seus lábios o menor lamento. Foram-lhe administrados os últimos Sacramentos pelo Bispo Sacristão do Vaticano, e os recebeu com admirável piedade e devoção. Tinha já perdido a fala, mas conservara a lucidez da inteligência, compreendia tudo, apertando com grande afeto a mão daqueles que a beijavam e pediam benção apostólica, dirigindo-lhes afáveis sorrisos.

Os poucos membros da Corte Pontifícia que tiveram a ocasião de estar à cabeceira de Pio X agonizante lembram o supremo instante em que o Papa, tomando entre as suas, as mãos do Secretário de Estado, Cardeal Merry del Val, e apertando-as fortemente, pregou nele o seu olhar durante alguns instantes. Naquele quarto reinava o mais profundo silêncio, interrompido apenas pelo sacerdote que recitava as preces dos moribundos e o soluço dos demais circunstantes. Às 1:15 da manhã do dia 20 de agosto de 1914, Pio X entregava a sua santa alma a Deus.

O testamento de Pio X é o de um santo. Começa com uma invocação à Santíssima Trindade, seguindo-lhe um ato de confiança na Divina Misericórdia. Depois pede à Santa Sé que assegure, com uma pobre pensão, o sustento das suas irmãs, que o acompanharam por toda a vida.

Dá também disposições sobre os seus funerais, que manda sejam o mais simples que o rito consinta; quer que seu corpo não seja embalsamado e seja sepultado nos subterrâneos da Basílica Vaticana.

A imprensa, mesmo inimiga, elogiou a simplicidade, o espírito de humildade e a santidade que emanam desse testamento. Escrevia um periódico liberal: "Este é verdadeiramente um documento humano de suma importância; jamais se viu maior simplicidade em um ato Pontifício de tal natureza. Para encontrar algo semelhante é preciso retroceder até os primeiros séculos do cristianismo, quando o diácono Lourenço, convidado a entregar os tesouros da Igreja, indicava os mendigos que pediam nos umbrais da porta do templo. Nem mesmo os Pontífices mais humildes e modestos jamais sonharam com tal austeridade de vida para os seus parentes, jamais chegaram a limitar de tal forma as doações e liberalidades para sua família. O que Pio X deixa para as suas irmãs representa apenas o alimento e o agasalho, e isto não só é concedido em forma dubitativa, mas também fica subordinado à aprovação de seu Sucessor, com reconhecimento explícito e absoluto de que pertence inteiramente à Igreja, que ele de nada pode dispor, nem sequer daquilo que havia recebido para a sua família; também para isso pede o consentimento da Santa Sé".

Desde o falecimento de São Pio X, a devoção e afluência ao seu sepulcro é sempre crescente e contínua. Todos os dias, ao redor daquele modesto sepulcro, sacerdotes de todas as nações celebram a Santa Missa. No dia 20 de cada mês, o Cardeal Merry del Val celebrava a Missa naquela gruta e distribuía a Comunhão a uma multidão de devotos de São Pio X.


Os milagres e a canonização de São Pio X

Não basta à Igreja, para a canonização, que se tenha a fama de santidade entre o povo; é preciso a confirmação dessa santidade com sinais exteriores — milagres — que manifestem a intervenção divina, e estes não faltaram a São Pio X em vida nem depois da sua morte. Entre muitos, vejamos dois milagres obrados pelo nosso santo. O primeiro milagre que consideramos foi obrado ainda em vida. O cônsul belga, Carlos Dubois, sofria imensamente e havia muito tempo de uma grave doença sanguínea. Tinha recorrido a muitos médicos e remédios, sem alcançar o mínimo resultado. Em 1912, a sua esposa, senhora Dubois, não sabendo já o que fazer, decide acudir a São Pio X. O Papa levanta os olhos ao céu, reza brevemente e depois diz à senhora: "Sereis ouvida naquilo que pedistes; confiança, confiança, sempre confiança em Deus", e lhe deu a benção. Voltando para casa cheia de esperanças, ela se prepara para medicar o seu marido, mas encontrou-o completamente e instantaneamente curado.

O segundo milagre que narramos consta do se processo de canonização. O advogado Francisco Balsani, de 69 anos, domiciliado em Nápoles, tinha recebido o diagnóstico da sua doença: um câncer no pulmão direito, já em estado terminal. No dia 7 de julho de 1951 começa o seu tratamento, o qual não apresenta sinais de melhora. A começo de agosto, sua febre alcançava os 40o C, anunciando de uma situação fatal. Três médicos se reúnem para discutir os meios a tomar uma vez que os remédios já não surtiam efeito, e decidem tentar uma operação. Mas dada a grave debilidade e a extrema prostração do enfermo, já não era possível.

Na noite de 23 de agosto, o pobre Balsani teve uma crise de febre, de tosse e de afogamento tão violenta que se sentiu em imediato perigo de morrer. Com um supremo impulso, dirigiu-se ao Beato Pio X, do qual tinha uma imagem junto à sua cabeceira. E então deu-se algo surpreendente: viu sentado junto ao leito ao Santo Papa Pio X, o qual dando-lhe uma pequeno tapa com a mão, disse-lhe: "Amanhã de manhã estarás curado". À primeira hora da manhã seguinte, Balsani estava perfeitamente curado.

Afirmava Balsani mais tarde: "Estou convencido de ter sido curado por milagre atribuído à intercessão do Beato Pio X".

O Papa Pio XII beatificou Pio X em 1951 e no dia 24 de maio de 1954 proferiu solenemente as palavras da canonização de São Pio X, o Papa da restauração de todas as coisas em Cristo.

DATAS A LEMBRAR:

Terça 01 - Festa de Todos os Santos
Quarta 02 - Comemoração dos fiéis defuntos
Sexta 04 - 1ª Sexta-feira do mês: Sagrado Coração de Jesus
Sábado 05 - 1º Sábado do mês: Imaculado Coração de Maria
Sábado 19 - Palestra de Dom Galarreta sobre nossa fé diante de Roma (RJ)
Domingo 20 - XXIII Domingo depois de Pentecostes
                    Crismas e aniversário da benção da Igreja e Consagração do Altar (RJ)
Domingo 27 - I Domingo do Advento
                    1ª Comunhão das crianças do Catecismo (RJ)

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O que é a vida Cristã: Mandamentos ou Virtudes?

Mandamentos ou Virtudes?

Pe. Jean Marie Salaun
Existem dois modos de considerar a vida Cristã, quer como uma série de Mandamentos, quer como uma vida virtuosa.

Para aquele que faz consistir a religião católica numa longa lista de obrigações e interditos, a vida cristã torna-se rapidamente pesada, até mesmo intolerável, e estas pessoas libertam-se dessa canga logo desde a primeira provação. É o caso de muitos católicos que, após terem recebido uma educação católica e observado mais ou menos os Mandamentos, consideram, uma vez atingida a idade adulta, que pela Fé já fizeram o suficiente, e que é tempo de recuperarem a sua liberdade e de gozarem finalmente a vida.

Mesmo se estes católicos não perderam todos a Fé, mesmo que saibam que o Decálogo está inscrito no coração de cada homem, e mesmo que reconheçam que o respeito pelos dez Mandamentos é necessário para a constituição do Bem Comum da Sociedade, nada impede que a sua Fé seja morta. Eles perderam esta Caridade que constitui a alma da vida Cristã, e não compreenderam que a nossa religião Católica é uma religião de Amor, não num sentido humanitarista, mas no sentido onde a Caridade constitui uma AMIZADE COM DEUS, como diz São Tomás.

Como prova do Seu amor, Deus Se encarnou e morreu por nós na Cruz. Mas, ai de nós, o que muitos não logram alcançar é que a amizade não pode ser verdadeira sem reciprocidade, quer dizer, não se pode dizer que se ama verdadeiramente a Deus sem Lhe querer Bem (e o Bem de Deus consiste no anúncio da Sua Glória extrínseca, proclamada pela criatura racional) e sem fazermos tudo o que está ao nosso alcance para que tal se realize.

É portanto urgente o compreender e ensinar à juventude que a vida cristã é uma vida virtuosa. Se as virtudes, que são boas disposições da alma para praticar o Bem, se não encontram solidamente ancoradas na alma das nossas crianças, é de temer que a religião não seja senão convencional, resumindo-se numa vaga oração quotidiana e numa assistência passiva à Missa dominical.

Rodolfo Papa, As Virtudes Teologais
Catedral de Sulmona (Itália)
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Rodolfo Papa, As Virtudes Cardeais
Catedral de Sulmona (Itália)
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Sem virtude, nenhuma felicidade é possível sobre a Terra. A felicidade não reside na posse dos bens temporais, nem no uso dos prazeres carnais, nem na procura das honras, porque são bens que passam, transeuntes, e que não são suficientes para cumular a nossa alma em busca do Infinito. A verdadeira felicidade encontra-se unicamente em Deus, nAquele que nós podemos alcançar pelas três Virtudes Teologais: A Fé, a Esperança e a Caridade, e por uma vida conforme à nossa natureza, quer dizer conforme à moralidade Católica, cujos fundamentos são as quatro Virtudes Cardeais: Força, Temperança, Justiça e Prudência.

Embora a aquisição duma virtude requeira a repetição de atos bons, ela necessita igualmente da ajuda de Deus e, portanto, da oração. Efetivamente, as virtudes Teologais ultrapassam as forças humanas na exata medida em que tais virtudes possuem Deus como objeto; quanto às virtudes Cardeais Sobrenaturais, seria presunção o pretender aí chegar com as nossas próprias forças, pois que a nossa humana natureza está profundamente ferida pelo pecado original. Possa esta expressão de Santo Afonso de Ligório ser melhor compreendida: Aquele que reza salva- se, aquele que não reza condena-se.

Pe. Jean Marie Salaun


Fonte: Revista “Semper” – Priorado da FSSPX em Lisboa, Portugal.

domingo, 9 de outubro de 2011

Boletim da Confraria da Sagrada Família A. II N. 16

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Boletins da Confraria da Sagrada Família A. II
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BOLETIM MENSAL DA

Confraria da
Sagrada
Família



Capela Nossa Senhora da Conceição – Niterói/RJ

Ano II – N. 16 – Outubro de 2011



são pio x e o ZELO
pelas leis da igreja e por roma


São Pio X e as leis da Igreja
O escritor inglês Chesterton dizia que, embora todos os santos tenham buscado o mesmo fim, que é Deus, cada um sublinhou com sua vida uma virtude particular e foi o antídoto oportuno para remediar os males daquele tempo. Da mesma forma, houve entre os Papas quem atendeu mais a uma coisa que a outra, segundo as necessidades da Igreja e da sociedade, conforme exigiam os diversos tempos e circunstâncias. E a São Pio X tocou de modo especial a defesa da Fé (que já vimos nos números anteriores) e a reforma das leis da Igreja.
As leis da Igreja são um reflexo da Fé e da Teologia em linguagem jurídica: a grande lei da Igreja sempre foi a salvação das almas.
O Corpo de Direito Canônico pelo qual se governava a Igreja estava constituído por um conjunto de decretos antigos. Mas estas leis, não estando bem coordenadas, facilmente eram ignoradas. Algumas delas não tinham mais razão de existir e outras já haviam sido abolidas por novas leis. Era preciso, pois, pôr em ordem a coleção dessas leis.
O Papa Pio IX tinha confiado ao Concílio Vaticano I preparar a matéria para a reforma das leis da Igreja, mas uma série de contratempos não permitiu terminar as solenes sessões destinadas para este fim.
Quando São Pio X foi eleito Papa, com profundo espírito de Fé e de juízo prático, logo no primeiro ano do seu pontificado, com o Motu proprio Arduum sane, de 1904, ordenou a tão esperada codificação do Direito Canônico. Para isto, ele constituiu uma comissão de Cardeais, mantendo-se o próprio Papa como presidente desses trabalhos, e deu princípio à tarefa, ordenando que os esquemas do trabalho em projeto fossem transmitidos aos bispos e aos superiores de Institutos religiosos, para que examinassem e fizessem as observações que julgassem oportunas.
Estavam já concluídos os primeiros três livros e o quarto já muito adiantado, quando Nosso Senhor quis chamar para si São Pio X. O Código foi publicado pelo seu sucessor, Bento XV, mas não diminuíram os méritos daquele Papa, que consagrou sua vida e energias no prosseguimento da árdua tarefa da compilação do Código.
Outra importante providência do Pontífice para a promulgação das leis da Igreja foi a publicação da Acta Apostolicae Sedis, pela qual se tornam conhecidos com clareza e prontidão todos os atos da Cúria Romana.

Roma, a Cidade Eterna
São Pio X sabia que, como Papa, ele devia cuidar de todos os fiéis católicos sobre a terra, mas especialmente era preciso um cuidado particular da diocese de Roma, da qual era Bispo. Sendo assim, ele a governava por meio do Cardeal Vigário, querendo que Roma fosse modelo para todas as demais dioceses do mundo.
Ele ordenou ao Cardeal para que visitasse a todas as paróquias, capelas, oratórios e instituições religiosas de Roma, sem exceção.
Feito isto, São Pio X voltou seus cuidados aos seminaristas. Como diretor espiritual em Treviso, como Bispo em Mântua e como Patriarca em Veneza sempre teve especial empenho pela disciplina e instrução dos seminaristas, e uma vez Pontífice, também conseguiu pô-las em vigor nos seminários de toda a Itália.
A estas providências para o clero, fez seguir outras para o povo. O crescimento de todas as cidades foi notável nos tempos modernos, e o mesmo aconteceu em Roma. Numerosos profissionais e operários chegaram de todas as partes da Itália e do exterior, de modo que a população da cidade de Roma chegou a triplicar em pouco tempo. Ainda que fossem ocupados todos os mosteiros e conventos, contudo não seriam suficientes para as necessidades espirituais da cidade.
Com os novos edifícios, não se tinha providenciado a construção de igrejas, com grave prejuízo espiritual dos fiéis. As crianças não tinham meios de aprender os primeiros rudimentos da doutrina cristã, e nem os adultos de nutrir sua vida espiritual. Além disso, multiplicaram-se os jornais anticatólicos, tabernas desmoralizadoras, a aglomeração de casas pobres, o trabalho extenuante, elementos que contribuíam para a caída moral, ódios e delitos daquele povo.
São Pio X, que compreendia o grande dano que causava este estado de coisas, quis, apesar das muitas e grandes dificuldades, prover ao bem espiritual desta multidão de filhos seus, e em grande parte conseguiu.
Construiu diversas paróquias, escolas e orfanatos em Roma e à sua volta. Prevendo, além disso, que em vários pontos, com o correr dos tempos, se multiplicariam as construções, e que o terreno aumentaria de preço e seria muito difícil adquiri-lo, comprou-o para poder erigir, quando chegasse ocasião, as necessárias paróquias, asilos e escolas.
Importantíssimo também o cuidado que se tomou pela obra da Propagação da Fé, arrancando das mãos de homens inimigos da Igreja a milhares de crianças, recolhendo-as em Institutos religiosos de Roma.

E que diríamos da beneficência privada de Pio X? Segundo o testemunho dos párocos, por cujas mãos a fazia passar, suas esmolas eram tão abundantes que lhes parecia vir das próprias mãos da Divina Providência.

Impulsionados pelo exemplo do Papa, os párocos, com o zelo digno dos maiores elogios, dedicaram-se ao ministério paroquial em todas as suas ramificações, pelo que foi reavivada a chama da fé e da caridade para com a religião dos habitantes dos arredores. Notou-se um consolador despertar religioso em todos os fiéis que começaram a frequentar mais assiduamente a igreja e assistir às funções sagradas, à pregação, aproximando-se dos santos sacramentos, especialmente da Sagrada Comunhão.
Com renovadas formas de atividade, os fervorosos católicos de Roma, a Cidade Eterna, puseram um dique às correntes subversivas que buscavam lançar ataques à Igreja.


DATAS A LEMBRAR:

Sábado 01 - 1º Sábado do mês
Domingo 02 - XVI Domingo depois de Pentecostes
Sexta-feira 07 - Nossa Senhora do Rosário (1ª Sexta-feira do mês)
Domingo 09 - XVII Domingo depois de Pentecostes

Quarta-feira 12 - Nossa Senhora Aparecida
                        Missa em Niterói às 10:00 e no Rio às 18:30

Domingo 16 - XVIII Domingo depois de Pentecostes
Domingo 23 - XIX Domingo depois de Pentecostes
Domingo 30 - Festa de Cristo Rei

Quinta-feira 31 – (Da féria)
A vigília de Todos os Santos é dia de jejum e abstinência para os membros da Ordem Terceira da Fraternidade São Pio X.


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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Boletim da Confraria da Sagrada Família A. II N. 15

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BOLETIM MENSAL DA

Confraria da
Sagrada Família

Capela Nossa Senhora da Conceição – Niterói/RJ
Ano II – N. 15 – Setembro de 2011

O canto gregoriano e a liturgia católica



Continuaremos, neste boletim, conhecendo algumas das obras realizadas por São Pio X para restaurar todas as coisas em Cristo. Veremos neste número todo o esforço que empreendeu especialmente para restaurar o canto gregoriano e a devoção católica.

 15 - Missa e coro
O Canto Gregoriano

Ainda sendo Patriarca de Veneza, São Pio X dirigiu uma carta aos fiéis, na qual dizia: “O canto e a música sacra devem levar os fiéis à devoção por meio da melodia e dispô-los a recolher com maior alegria os frutos da graça que são próprios dos Santos Mistérios solenemente celebrados. Por conseguinte, a música sacra, pela estreita união que tem com a liturgia e com os textos litúrgicos, deve participar em sumo grau das qualidades que lhes são próprias, as quais podem reduzir-se a estas três principais: a santidade, a beleza artística e a universalidade”. Por isso, o futuro Papa proibiu que nas igrejas de sua arquidiocese se tocassem músicas vulgares e profanas, por desdizerem com a santidade da igreja e com a majestade das cerimônias sagradas.
O canto litúrgico, recomendado e adotado na liturgia da Santa Igreja, foi sempre o canto gregoriano que, interpretado e executado em seu sentido genuíno, eleva o espírito e afervora a alma. Ao canto gregoriano, a Igreja associou também a música polifônica, que no século XVI chegou ao apogeu do classicismo, com Palestrina e tantos outros compositores.
Mas o canto gregoriano tinha visto um período de decadência. A música sacra foi posta à parte e foi introduzido o reprovável costume de usar a música profana e teatral nas cerimônias.
Os Papas, por meio de decretos, chamaram a atenção sobre este abuso. Poucos meses depois de eleito Papa, São Pio X procurou a restauração da música sagrada. Decretou normas sobre o tema e moveu as almas principalmente com o exemplo.
Para mostrar a grandeza do canto gregoriano, São Pio X rezou uma Missa com grande solenidade na Basílica de São Pedro por ocasião do décimo terceiro centenário de São Gregório Magno. A Missa foi cantada por um coro de mil e duzentas vozes, entre seminaristas e religiosos, que cantaram magistralmente a Missa de Angelis, com enorme admiração e edificação do imenso público que enchia a grande Basílica.
Fundou a Escola superior de Música sacra, frequentada por padres e religiosos de todas as partes do orbe católico. Voltando para as suas dioceses e mosteiros, esses padres e religiosos foram mestres de outros em canto gregoriano e música, e assim se alcançou uma verdadeira restauração da música e do canto.

A Liturgia católica

15 - BênçãoQuando São Pio X ainda era menino, viu um Cardeal que rezava atentamente o Breviário, e exclamou: “A história que o Cardeal lê sempre deve ser muito bonita”. Na sua infantil simplicidade, disse uma grande verdade, da qual se convenceu mais tarde, quando começou também para ele a obrigação de recitar o Breviário.
Quando chegou a ser Papa, esforçou-se por reordenar o Breviário e o Missal. A nova disposição de Breviário e as novas rubricas tornaram mais breve o ofício e conciliaram a recitação do Saltério e o ofício dos Santos.
Os Santos e Beatos são nossos intercessores diante de Deus; a eles recorremos para obter as graças de que temos necessidade; neles nos inspiramos para praticar aquelas virtudes que resplandeceram em sua vida; a eles tributamos, depois de Deus e da Virgem Maria, culto e veneração. São Pio X sempre foi um fervoroso devoto deles e, para obter do céu maiores benefícios, propiciou a beatificação e a canonização de Joana D’Arc, João Maria Vianney, Gabriel da Virgem Dolorosa, Geraldo Magella e muitos outros santos.
Porém, sua principal devoção depois da Eucaristia foi a da Virgem Maria. Ao se cumprirem 50 anos da proclamação do dogma da Imaculada Conceição, São Pio X infundiu devoção e fervor na alma dos católicos por meio de uma belíssima encíclica, hino à bondade, beleza e influência de Maria sobre os homens. Nesse texto, ele exortava todos os fiéis a honrarem esta benigna Mãe e a invocarem frequentemente o seu patrocínio, concedendo indulgência plenária para as cerimônias que foram celebradas por ocasião daquele acontecimento. Como lembrança, quis também que a imagem de Nossa Senhora que se venera no Vaticano fosse novamente adornada com uma preciosa coroa custeada por todo o orbe.
Quatro anos depois teve lugar o cinquentenário da aparição da Virgem Maria em Lourdes, que coincidiu com o seu jubileu sacerdotal. Sempre solícito pelo bem espiritual de seus filhos, nesta e em outras ocasiões, concedeu grande número de indulgências, promovendo assim sempre mais e mais o seu culto e devoção, e mandou que se rezassem as três Ave-Marias no final de todas as Missas.
São Pio X fez ainda muitas outras reformas no campo da Liturgia e da piedade, que não caberiam todas serem relatadas aqui.
Mas é preciso dizer que nunca cessou de corrigir os abusos introduzidos e de fazer melhoras notáveis. Dignou-se, também, conceder benignamente privilégios apostólicos, cuidando sempre da majestade das cerimônias e do decoro no templo. Por todos os seus atos, ele merece ser considerado como um dos maiores cultivadores e reformadores da Sagrada Liturgia.





DATAS A LEMBRAR:

Sexta-feira 02 - Sagrado Coração de Jesus (1ª Sexta-feira do mês)
                        Missa em Niterói às 7:30 e no Rio às 18:30
Sábado 03      - 1º Sábado do mês (Festa de São Pio X)
                        Missa em Niterói às 18:30 e no Rio às 7:30

Domingo 04   - XII Domingo depois de Pentecostes
Domingo 11   - XIII Domingo depois de Pentecostes

Quarta-feira 14 – Exaltação da Santa Cruz
Quinta-feira 15 – Nossa Senhora das Dores

Domingo 18   - XIV Domingo depois de Pentecostes

Quarta, Sexta e Sábado – Das Têmporas de Setembro*
(Dias de jejum e abstinência para os membros da Ordem Terceira da Fraternidade São Pio X)

Domingo 25   - XV Domingo depois de Pentecostes
Quinta-feira 29 – São Miguel Arcanjo


  

Capela Nossa Senhora da Conceição – Niterói/RJ

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Boletim da Confraria da Sagrada Família A. II N. 14

Se quiser receber o boletim por e-mail, escreva para sagradafamilia@capela.org.br  

Boletins da Confraria da Sagrada Família A. II
12 - 13 - 14 - 15 - 16 - 17


BOLETIM MENSAL DA
Confraria da
Sagrada Família
Capela Nossa Senhora da Conceição – Niterói/RJ
Ano II – N. 14 – Agosto de 2011

São Pio X e os estados liberais

São Pio X, logo no começo do seu Pontificado, teve que enfrentar uma grave questão, causada pela política liberal dos Estados. Antes de entrar no tema, recordemos brevemente qual deveria ser a relação normal entre a Igreja e os Estados, e o que é o liberalismo.
Um católico sabe que o maior bem do homem é conhecer a Verdade, Deus, e poder alcançá-lo livremente, ajudado por sua graça. Ao contrário, para um liberal, o maior bem do homem é a liberdade: o homem deve ser livre para escolher entre o certo ou o errado, o verdadeiro ou o falso. "Liberdade" é o sumo bem para um liberal, independente de qualquer coisa, até mesmo do bem e da verdade. No entanto, basta pensar um pouco para perceber que a possibilidade de buscar o erro ou o falso não são qualidades da liberdade, e sim defeitos seus. O homem é "livre" para buscar "livremente" o Bem e a Verdade, ou seja, Deus. Mas quando "livremente" busca o mal e o erro, mostra um defeito e mau uso da liberdade.
Passemos adiante. O erro do liberalismo não é apenas uma doutrina, senão que alcança todos os âmbitos da vida dos homens. O liberalismo alcança a economia, e dá à luz o liberalismo econômico; toca o pensamento, e temos a liberdade de imprensa, de opinião, reformas liberais, projetos liberais, etc. Enfim, quando o liberalismo toca a vida dos Estados, dá à luz o liberalismo político, ou seja, ele postula que os Estados possam escolher seus caminhos por si mesmos, independente da Igreja, da Moral, ou de qualquer limitação externa que pareça limitar sua liberdade de escolher seus destinos, sejam para buscar o bem ou o mal. A conseqüência é muito clara: o liberalismo exige a separação da Igreja e do Estado, e não consegue suportar que haja colaboração entre eles.
A relação normal entre a Igreja e o Estado católico pede uma cooperação: o Estado busca o bem comum temporal dos seus cidadãos; mas este bem comum temporal está subordinado à salvação das almas e a glória de Deus, que são os fins da Igreja, portanto, a cooperação entre eles é necessária. Por outro lado, o Estado de pensamento liberal busca a completa separação das duas ordens: os homens, em sua vida privada, até podem ser católicos, mas o Estado deve ser laico, ateu. Essa separação da Igreja e do Estado é o erro do liberalismo, pois o mesmo Deus criou aos homens, e os criou sociáveis, com a necessidade de viverem em sociedade. As leis não são independentes da Moral: também as leis devem respeitar os mandamentos divinos, promover o bem da Igreja e dispor os homens para alcançar aquele bem comum sobrenatural, que é a glória de Deus mesmo.
Essa política liberal de separação entre a Igreja e o Estado levantou dificuldades assim que São Pio X foi eleito Papa, primeiramente na França, depois em Portugal. Seguiremos aqui a história do que aconteceu na França.
O governo francês, liberal, vinha buscando algum pretexto para justificar a sua separação da Igreja, porém buscavam acusar a Igreja da responsabilidade.
No século anterior, o governo francês tinha assinado uma concordata, segundo a qual o Papa e o Presidente (ou Imperador) intervinham juntos para a nomeação dos bispos, ou seja, o governo apresentava o candidato a Roma, e o Papa aprovava ou não, caso não houvesse obstáculos para tal dignidade. A fim de encontrar um pretexto para desligar-se da Igreja, o governo francês começou a indicar padres indignos para serem bispos das dioceses vagas, e pediu a remoção de um bispo, mas com um estilo nada respeitoso. O Papa teve que recusar as nomeações, porque os candidatos não eram idôneos. Imediatamente o governo francês cortou as relações diplomáticas com a Santa Sé, e o Parlamento preparou a toda pressa a lei de separação da Igreja e do Estado. Todos os bens da Igreja passaram a pertencer ao Estado (em outras palavras, o Estado roubava tudo o que fosse da Igreja: até hoje, todas as igrejas são propriedade do Estado francês), todos os religiosos estrangeiros foram expulsos do território francês, as congregações religiosas foram dissolvidas, os religiosos e religiosas foram expulsos dos hospitais, colégios, abrigos e asilos. Bispos, padres e seminaristas foram expulsos das suas casas que passaram a pertencer ao governo, e tiveram que pedir hospitalidade nas casas particulares e a viver da caridade dos fiéis.
O Papa protestou energicamente dois dias depois da promulgação dessa iníqua lei. Com a encíclica Vehementer, do começo de 1906, o Papa condenou solenemente essa lei da separação. Por fim, o Papa exortou o clero e o povo católico francês a suportar com resignação as perseguições, confiando em Deus, de quem procede todo o socorro e todo o consolo, e também a se manterem sempre firmes na fé, na concórdia e na união com a Santa Sé. Para demonstrar ao povo francês a sua paternal benevolência, agora sem a intervenção do Estado, São Pio X consagrou pessoalmente quatorze bispos franceses. Seriam estes bispos os apóstolos da França.
Nessa ocasião, quando os católicos se viram sem igrejas (porque todas elas tinham passado a pertencer ao Estado), o Papa dirigiu aos franceses uma frase consoladora, que bem pode ser dita nos nossos dias: "Eles têm as igrejas, vocês têm a Fé".
Concluindo, pois, devemos dizer que São Pio X, corajoso defensor dos direitos da Igreja e da religião, nunca deixou de apoiar os católicos diante da injustiça dos governos liberais, mesmo quando isso custasse inúmeras penas e sacrifícios. Era o "restabelecimento de todas as coisas Cristo", seu lema, e diante de abusos de toda espécie, dava mostras da sua mansa fortaleza, que é a força do justo: "Antes quebrar do que torcer".


DATAS A LEMBRAR:

Sexta-feira 05 - Sagrado Coração de Jesus (1ª Sexta-feira do mês)
                        Missa em Niterói às 7:30 e no Rio às 18:30
Sábado 06      - Transfiguração de Nosso Senhor (1º Sábado do mês)
                        Missa em Niterói às 18:30 e no Rio às 7:30

Domingo 07   - VIII Domingo depois de Pentecostes
Quarta-feira 10 – São Lourenço (padroeiro secundário da Capela de Niterói)
                        Missa em Niterói às 19:00

Domingo 14   - IX Domingo depois de Pentecostes
Segunda-feira 15 – Assunção de Nossa Senhora
                        Missa em Niterói às 19:00 e no Rio às 7:30

Domingo 21   - X Domingo depois de Pentecostes
Segunda-feira 22 – Imaculado Coração de Maria
                        Missa em Niterói às 19:00 e no Rio às 18:30

Domingo 28   - XI Domingo depois de Pentecostes

Capela Nossa Senhora da Conceição – Niterói/RJ



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