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Feminismo: o maior inimigo da mulher
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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

DEVER DE OBEDECER – DEVER DE DESOBEDECER

DEVER DE OBEDECER – DEVER DE DESOBEDECER





Famosos Teólogos Concordam: FIÉIS DEVEM RESISTIR AOS MAUS PASTORES.

Em resposta ao grande interesse que os nossos leitores estão mostrando pela fundamentação da nossa posição de resistência contra as autoridades progressistas, citamos os mais famosos autores, os quais aconselham aos Católicos a resistirem respeitosamente às más autoridades religiosas.


Padre Francisco Suárez, S.J.

“Se [o Papa] der uma ordem contrária aos bons costumes, não deve ser obedecido; se tentar fazer alguma coisa oposta à justiça e ao bem comum, é lícito resistir-lhe; se atacar pela força, pela força deve ser repelido, com moderação adequada a uma justa defesa” (De Fide, disp. X, sec. VI, n.16, in Opera omnia, Paris: Vivès, 1958, vol. 12, p. 321).


domingo, 13 de dezembro de 2015

DOM WILLIAMSON: OBEDIÊNCIA INTELIGENTE ou A VERDADEIRA E A FALSA OBEDIÊNCIA

Resgatamos um oportuno vídeo de Mons. Williamson a respeito da obediência inteligente. Imperdível, sobretudo para aqueles que entendem que obediência é absoluta e cega.  

O vídeo é interessante também porque ensina que não devemos cultuar as autoridades e nossos superiores - o culto é devido somente a Deus! - a ponto de lhes conferir uma infalibilidade e uma incolumidade que não possuem.  

Na Terra não há ninguém isento de erro, a não ser o Papa quando fala ex cathedra e conquanto não contrarie as Escrituras, o Magistério e a Tradição bimilenares da Igreja. Abaixo dele, ninguém - repito e friso NINGUÉM! - está a salvo de errar.  E nem precisa ser teólogo para saber disto. Basta conhecer o catecismo!

Esse culto à personalidade vimos acontecer com todos os acordistas. O liberalismo se infiltrou, as ideias foram contaminadas, e poucos percebiam. Com o tempo, veio a traição. Mas os líderes haviam sido envoltos em uma redoma de cristal, içados acima da "malta", e se havia exigido "respeito" pelos serviços prestados à Tradição. Para muitos, era tarde uma reação, já haviam sido enredados! 

Contudo, Dom Williamson, sabiamente, deixa claro neste vídeo que todos podem errar, que as pessoas podem perder o juízo... 

De fato, somente um soberbo relutaria em reconhecer a verdade. Mas não se prendam a mim, vamos ouvir Sua Excelência! 




Se o vídeo não abrir, clique aqui: https://youtu.be/kZYlMs2TM20 
(não está legendado) 


Editado em 16/01/2018 para adicionar uma nove fonte do vídeo mencionado porque a fonte original e o vídeo foram removidos por algum idiota. Como tivemos a prudência de baixar o vídeo a tempo, aqui está a prova que eles querem esconder... Tontos. 


Visto em: http://associacaosantoatanasio.blogspot.com.br/2015/12/obediencia-inteligente.html. Aproveitem para ler o texto que acompanha o vídeo. É instrutivo e interessante. A verdade não é relativa. Não depende de quem a diz, de onde se diz ou se há ou não respeito. A verdade se basta.

*

terça-feira, 25 de março de 2014

ANUNCIAÇÃO DO SENHOR: SERMÃO DO REV. PADRE CARDOZO



SERMÃO DO REV. PE. ERNESTO CARDOZO:




Este vídeo (como outros) foi tornado privado por quem o publicou. O fez de forma indevida, visto que o vídeo trata de um sermão do pe. Cardozo e, em que pese possa ter sido 
gravado por quem o postou depois, continua a pertencer ao Padre. 
Quem censura este vídeo viola as leis de autoria e também a moral, 
pois trata como próprio o que não lhe pertence. Rezamos para que esta pessoa 
volte a tornar público o vídeo, pelo bem de todos. 




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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Quando resistir ao Papa é um dever

“Assim como é lícito resistir ao Pontífice que agride o corpo, da mesma forma é lícito resistir ao Papa que agride as almas ou que perturba a ordem civil, e, a fortiori, ao Papa que tentasse destruir a Igreja.” São Roberto Bellarmino.
"Se il papa comanda qualcosa che sia contrario alla morale non bisogna obbedirgli. Se prova a fare qualcosa che sia contrario alla giustizia e al bene comune, è lecito resistergli. Se egli attacca con la forza, può essere respinto con la forza, con la moderazione propria di una giusta difesa": De fide, disp. X, sect. VI, n. 16.
 

O caso singular do bispo Robert Grossateste.


Por Cristiana de Magistris | Tradução: Fratres in Unum.com * – O nome do bispo inglês Robert Grossateste (1175-1253) é quase totalmente desconhecido do mundo italiano. Para os poucos que têm alguma erudição, ele é notável por sua genialidade no campo científico, onde suas obras são consideradas de valor inestimável, a ponto de lhe terem merecido o título de "pioneiro" de um movimento científico e literário, bem como de "primeiro" matemático e físico de seu tempo.

Mas Robert Grossateste foi acima de tudo um Bispo santo, que se distinguiu por seu zelo em promover a salus animarum e por seu amor ao papado.

Mente absolutamente prodigiosa e versada não apenas em estudos científicos, mas também no literário, teológico e bíblico, Robert Grossateste tornou-se bispo de Lincoln em 1235. "Desde que fui nomeado bispo – escreveu – considero-me o pastor e guarda das almas que me comprometo a cuidar com toda a minha força, porque do rebanho que me foi confiado vou prestar estrita conta no Dia do Juízo" [1]. Seu principal objetivo era de "reformar a sociedade através da reforma do clero" [2]. A disciplina austera que exigia de seus sacerdotes era conhecida em toda a Inglaterra: renúncia à recompensa pecuniária, obrigação de residência, reverência na celebração da Santa Missa, fidelidade na recitação do Ofício Divino, educação do povo, total disponibilidade para os doentes e as crianças. Com essas regras, o bispo Inglês, além de elevar o nível das pregações e do ensino do clero, queria melhorar sua conduta moral.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Sermões do Rev. Padre Cardozo em Betim-MG



Sermões do Rev. Pe. Cardozo



Postamos dois excelentes sermões do Rev. Padre Cardozo, que foram realizados em Betim-MG, onde o padre missioneiro realiza um belo e frutuoso apostolado. Deus o abençõe e proteja no combate.

1º) Sermão sobre o Sacramento da Confissão e a "Confissão Comunitária": 

Ou clique aqui: https://youtu.be/xb-TerOCGpk


2º) Sermão sobre a Verdadeira Obediência:



terça-feira, 27 de novembro de 2012

LEFEBVRE: O Dever da Desobediência

Operação Memória: para quem ainda tem dúvida sobre o que seja a verdadeira obediência, nada melhor do que ouvir um homem de Igreja.

O DEVER DA DESOBEDIÊNCIA

Dom Marcel Lefebvre


Tendo o Reitor do Seminário de Ecône,  Padre Lorans, pedido que eu colaborasse na redação deste número da “Lettre aux Anciens”, pareceu-me útil relembrar o que escrevi em 20 de janeiro de 1978, sobre algumas objeções que nos fizeram, relativas à nossa atitude face aos problemas que a atual situação da Igreja levanta.

Uma das perguntas era: ‘Como o senhor concebe a obediência ao Papa?’ Eis a resposta dada há dez anos: “Os princípios que determinam a obediência são conhecidos e são tão conformes com a razão e com o senso comum que podemos perguntar como é que pessoas inteligentes podem afirmar que ‘preferem enganar-se com o Papa do que estar na Verdade contra ele’.".

Não é isso que nos ensinam a lei natural e o Magistério da Igreja.

A obediência supõe uma autoridade que dá uma ordem ou decreta uma lei. As autoridades humanas, mesmo sendo instituídas por Deus, apenas têm autoridade para atingir o fim determinado por Deus, e não para dele se desviarem. Quando uma autoridade usa o seu poder em oposição à lei pela qual esse poder lhe foi dado, não tem direito à obediência, e devemos desobedecer-lhe.

Essa necessidade de desobediência é aceita em relação ao pai de família que encoraja a filha a prostituir-se, ou em relação à autoridade civil que obriga os médicos a provocarem abortos e a matarem inocentes. Porém, a autoridade do Papa é aceita a qualquer preço, como se o Papa fosse infalível no seu governo e em todas as suas palavras. É desconhecer a história e ignorar o que é, na realidade, a infalibilidade.

Já São Paulo teve que dizer a São Pedro que ele "não andava direito segundo a verdade do Evangelho" (Gal. II,14). E o mesmo São Paulo encorajou os fiéis a não lhe obedecerem se lhe acontecesse pregar um Evangelho diferente daquele que lhes tinha ensinado anteriormente (Gal. I,8).

São Tomás, quando fala da correção fraterna, alude à resistência de São Paulo face a São Pedro e comenta-a assim: "Resistir na cara e em público ultrapassa a medida da correção fraterna. São Paulo não o teria feito em relação a São Pedro se não fosse de algum modo o seu igual (...). No entanto, é preciso saber que, caso se tratasse de um perigo para a Fé, os superiores deveriam ser repreendidos pelos inferiores, mesmo publicamente. Isso ressalta da maneira e da razão de agir de São Paulo em relação a São Pedro, de quem era súdito, de tal forma, diz a glosa de Santo Agostinho, que 'o próprio Chefe da Igreja mostrou aos superiores que, se por acaso lhes acontecesse abandonarem o reto caminho, aceitassem ser corrigidos pelos seus inferiores’" (S. Tomás., Sum. Theol. IIa-IIae, q. 33, art. 4, ad 2m).

O caso evocado por São Tomás não é ilusório pois aconteceu, por exemplo, em relação a João XXII. Esta Papa julgou poder afirmar que as almas dos eleitos só gozariam a visão beatífica depois do Juízo Final. Emitiu essa opinião pessoal em 1331, e, em 1332, pregou uma opinião semelhante sobre o castigo dos condenados. Queria impor essa opinião à Igreja por um decreto solene.

Mas as vivíssimas reações dos Dominicanos – principalmente os de Paris – e dos Franciscanos fizeram com que renunciasse a essa opinião em favor da tese tradicional, definida pelo seu sucessor Bento XII em 1336.

E eis o que diz o Papa Leão XIII na sua encíclica Libertas praestantissimum[1], de 20 de junho de 1888: "Suponhamos, pois, uma prescrição de um poder qualquer que estivesse em desacordo com os princípios da reta razão e com os interesses do bem público” (e, com mais razão ainda, com os princípios da Fé): “ela não teria nenhuma força de lei...". E, um pouco adiante: "Quando faltar o direito de mandar, ou quando a ordem for contrária à razão, à lei eterna, à autoridade de Deus, então é legítimo desobedecer – queremos dizer: aos homens – para obedecer a Deus." 

Ora a nossa desobediência é provocada pela necessidade de conservar a Fé Católica. As ordens que nos foram dadas exprimem claramente que o foram para nos obrigar à submissão sem reservas ao Concílio Vaticano II, às reformas pós-conciliares e às prescrições da Santa Sé, ou seja, a orientações e a atos que minam a nossa Fé e destroem a Igreja, e a isso é impossível aderirmos.

Colaborar na destruição da Igreja é atraiçoar a Igreja e Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ora, todos os teólogos dignos desse nome ensinam que, se o Papa pelos seus atos destrói a Igreja, não lhe podemos obedecer e deve ser repreendido, respeitosa mas publicamente. (Vitoria, Obras..., pp. 486-487; Suarez, De fide, disp. X, sec.VI, no. 16; São Roberto Bellarmino, De Rom. Pont., lib. II, c. 29; Cornelius a Lapide, Ad. Gal. 2, 11; etc.).

Os princípios da obediência à autoridade do Papa são os mesmos que os que ordenam as relações entre uma autoridade delegada e os seus súditos. Eles só não se aplicam à autoridade divina, que é sempre infalível e indefectível e, portanto, não supõe qualquer falha.

Na medida em que Deus comunicou a sua autoridade ao Papa, e na medida em que o Papa entende usar essa infalibilidade – cujo exercício implica em condições bem determinadas – não pode haver falha.

Mas fora desses casos, a autoridade do Papa é falível, e, por isso, os critérios que obrigam a desobediência aplicam-se aos seus atos. Não é, pois, inconcebível que haja um dever de desobediência em relação ao Papa.

A autoridade que lhe foi conferida foi-lhe conferida para fins determinados e, em definitivo, para glória da Santíssima Trindade, de Nosso Senhor Jesus Cristo, e para salvação das almas.

Tudo o que for realizado pelo Papa em oposição a esse fim não terá qualquer valor legal, nem qualquer direito à obediência e, mais ainda, obriga à desobediência para permanecer na obediência a Deus e na fidelidade à Igreja.

É o que acontece relativamente a tudo o que os últimos Papas ordenaram em nome da liberdade religiosa e do ecumenismo, desde o Concílio: todas as reformas feitas a esse respeito são desprovidas de qualquer direito e de qualquer obrigação. Os Papas usaram da sua autoridade contrariamente ao fim para o qual essa autoridade lhes foi dada. Têm, pois, direito à nossa desobediência.

A Fraternidade S. Pio X e a sua história manifestam publicamente essa necessidade de desobediência para permanecermos fiéis a Deus e à Igreja. Os anos 74-75-76 trazem à memória essa incrível disputa entre Ecône e o Vaticano, entre o Papa e eu próprio.

O resultado foi a condenação, a suspensão “a divinis”, nula de pleno direito, pois o Papa abusou tiranicamente da sua autoridade para defender suas leis contrárias ao bem da Igreja e ao bem das almas.

Esses acontecimentos são uma aplicação histórica dos princípios do dever de desobediência.

Foram motivo de afastamento de certo número de padres amigos e de alguns membros da Fraternidade que, assustados por essa condenação, não compreenderam o dever de desobediência em determinadas circunstâncias.

Ora, doze anos se passaram; oficialmente, a condenação mantém-se; as relações com o Papa são tensas, tanto mais que as consequências do ecumenismo se aproximam da apostasia, o que nos obrigou a reações veementes.

No entanto, o anúncio de uma consagração episcopal feita em 29 de junho de 1987 alvoroçou Roma, que, finalmente, decidiu aceder ao nosso pedido de uma visita apostólica e enviou, em 11 de novembro, o Cardeal Gagnon[2] e Mons. Perl[3].

Tanto quanto nos foi dado saber pelos discursos e comentários dos visitadores, o seu julgamento foi dos mais favoráveis, e o Cardeal não hesitou em assistir à Missa Pontifical de 8 de dezembro, celebrada pelo prelado suspenso “a divinis”.

Que concluir de tudo isto, a não ser que a nossa desobediência dá bons frutos, frutos reconhecidos pelos enviados da autoridade à qual desobedecemos?

E eis-nos perante novas decisões a tomar. Estamos mais do que nunca animados a dar à Fraternidade os meios de que precisa para continuar a sua obra essencial: a formação de verdadeiros padres da Santa Igreja Católica Romana, isto é, dotar-me de sucessores no Episcopado.

Roma compreende esta necessidade, mas aceitará o Papa que os bispos sejam oriundos da Tradição? Para nós não pode ser de outro modo. Qualquer outra solução seria sinal de que nos querem alinhar à Revolução Conciliar, e, nesse caso, o nosso dever de desobediência surge imediatamente.

As conversações estão em curso, e em breve conheceremos as verdadeiras intenções de Roma. Elas decidirão o futuro. Temos de continuar a rezar e a velar. Que o Espírito Santo nos guie por intercessão de Nossa Senhora de Fátima!

Ecône, 29 de março de 1988
+ Marcel Lefebvre

Fontes: Permanência e FSSPX/Brasil.

Nota da Permanência ao publicar a declaração.
Dentro do trabalho de defesa da fé que empreendemos há cinco anos aqui no site da Capela faltavam algumas explicações sobre a delicada questão da obediência ao Papa. Iniciamos hoje com algumas explicações de Dom Lefebvre num texto que tem um valor histórico extraordinário. Ele foi escrito dois meses antes da assinatura do famoso protocolo de intenções, entre o Vaticano e Dom Marcel Lefebvre, de 5 de maio de 1988 (cf. Tradição versus Vaticano, ed. Permanência, 2001). Como sempre costumamos fazer, daremos ênfase às explicações doutrinárias, aos fundamentos claros e objetivos tirados da fé católica, da prática bi-milenar da Igreja, mais do que a questões de opinião pessoal. Que nossos críticos saibam responder com argumentação tão criteriosa quanto a nossa.



[1] Noda do blog: Libertas Praestantissimum, vide aqui.
[2] Nota do blog: Édouard Gagnon (1918-2007) foi um cardeal canadense, presidente do Pontifício Conselho para a Família (1983-1990). Tornou-se cardeal em 1985, por João Paulo II.
[3] Nota do blog: Camille Perl (1938) é um prelado beneditino luxemburguês que esteve – de 2008 a 2009 – na vice-presidência da Ecclesia Dei. De sensibilidade tradicional, trabalhou para o Cardeal Paul Augustin Mayer na Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Ele assumiu o “caso da FSSPX”, em 1988, com os Cardeais e Antonio Innocenti e Angelo Felici. Ele trabalhou na preparação de documentos relacionados com a liberalização do rito tridentino, do Summorum Pontificum, com o Cardeal Castrillon Hoyos. Após a união da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei à Congregação para a Doutrina da Fé, pelo Motu Proprio "Ecclesiae unitatem", 02 de julho de 2009, o seu compromisso com dita comissão terminou. Wikipédia.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Mons. Lefebvre e a Contra-Igreja Conciliar: Contrafação da Igreja

Enquanto dom Fellay diz por aí, mais uma vez, que Mons. Lefebvre sempre quis um acordo com Roma, manipulando, novamente, as palavras do Fundador em causa própria, trazemos, aqui, as palavras do próprio Mons. Lefebvre, em uma conferência dada aos seminaristas em Ecône, em 8 de Junho de 1978 (dez anos antes das excomunhões):

Mons. Lefebvre e a Contra-Igreja Conciliar: Contrafação da Igreja

(...) Pelo contrário, penso que, no próximo encontro, ou mesmo antes do próximo encontro, se verdadeiramente me convidarem, sou eu que lhes faria perguntas: sou eu que os interrogaria, para lhes perguntar: “Que Igreja sois? De que Igreja tratamos”; eu quereria saber se trato com a Igreja Católica, ou se trato com outra Igreja, uma Contra-Igreja, uma contrafação da Igreja?... Ora, creio sinceramente que tratamos com uma contrafação da Igreja e não com a Igreja Católica. Por quê? Por que já não ensinam a Fé Católica. Já não defendem a Fé Católica. Não só já não ensinam mais a Fé Católica e não defendem mais a Fé Católica, mas ensinam outra coisa; mas arrastam a Igreja para outra coisa que não é a Igreja Católica. Já não é mais a Igreja Católica. Estão sentados nas cadeiras dos seus predecessores, todos esses Cardeais das Congregações e todos esses Secretários que estão nessas Congregações ou na Secretaria de Estado; estão muito bem sentados onde estiveram os seus predecessores, mas não continuam os seus predecessores. Não têm a mesma Fé, nem a mesma doutrina, nem até a mesma moral que os seus predecessores. Então, não é mais possível! E, principalmente, o seu grande erro que é o ecumenismo. Ensinam o ecumenismo, que é contrário à Fé Católica!

E diria: “Que pensais dos anátemas do Concílio de Trento? Que pensais dos anátemas da Encíclica “Autorem Fidei” sobre o Concílio de Pistóia? Que pensais do “Syllabus”? Que pensais da Encíclica “Immortali Dei” do Papa Leão XIII? Que pensais da “Carta sobre o Sillon” do Papa São Pio X? Da Encíclica “Quas Primas” do Papa Pio XI, da “Mortalium Animos” do Papa Pio XI, precisamente contra o ecumenismo, contra esse falso ecumenismo? E assim por diante… Que pensais de tudo isso?”. Que me respondam! Que me digam se estão de acordo com todos esses documentos dos Papas, com todos esses documentos oficiais que definem a nossa Fé. Não se trata de quaisquer documentos, não são arengas ou conversas privadas dos Papas, são documentos oficiais emitidos pela autoridade do Papa. Então?...

Penso que se pode, que se deve mesmo crer que a Igreja está ocupada. Está ocupada por essa Contra-Igreja. Por essa Contra-Igreja que conhecemos bem e que os Papas conheceram perfeitamente, e que os Papas condenaram ao longo dos séculos. Desde há quatro séculos que a Igreja não cessa de condenar essa Contra-Igreja nascida, sobretudo, com o protestantismo, que se desenvolveu com o protestantismo e que está na origem de todos os erros modernos, que destruiu toda a filosofia e que nos arrastou para todos esses erros que bem conhecemos e os Papas condenaram: liberalismo, socialismo, comunismo, modernismo, sillonismo, e mais não digo! E disso estamos a morrer! Os Papas tudo fizeram para condená-los. E eis que os que se sentam agora nas cadeiras dos que condenaram aqueles erros estão agora praticamente de acordo com esse liberalismo e com esse ecumenismo! Não! Não podemos aceitar isso!

E quanto mais as coisas se sabem, mais percebemos que esse programa, que foi elaborado nas lojas maçónicas – todo esse programa, todos esses erros foram elaborados nas lojas maçónicas – pois bem, mais facilmente percebemos e com precisão cada vez maior que, muito simplesmente, existe uma loja maçônica no Vaticano! E que, agora, quando alguém se encontra perante um Secretário de Congregação ou um Cardeal, sentados nas cadeiras e nos gabinetes onde estiveram santos Cardeais, Cardeais que possuíam a Fé da Igreja e que defendiam a Fé da Igreja e que eram homens da Igreja, pois bem, esse alguém está perante um franco-maçon!¹ Então, trata-se da mesma coisa?
Pois bem, bradam pela mesma obediência. Sim, noutro tempo diziam-nos para obedecer à Fé, obrigavam-nos ao juramento anti-modernista, fazíamos profissões de Fé e tudo o mais, mas agora, essa gente, que Fé nos exige? Já não é mais a mesma! Agora bradam sempre: obediência, obediência, obediência! Ah! Pois, mas mesmo assim… Obediência à Igreja, sim! Obediência ao que a Igreja sempre ordenou, sim! Obediência à Fé da Igreja, sim! Mas obediência à franco-maçonaria, não! É isto, de certeza!

Ultimamente trouxeram-me documentos que parecem completamente verídicos, documentos que mostram a correspondência entre Bugnini e o grão-mestre da maçonaria, principalmente sobre a reforma litúrgica, nos quais o grão-mestre da maçonaria diz a Bugnini que aplique a reforma do famoso Rorca, o padre apóstata que tinha já predito tudo o que deviam fazer e tinha já previsto o que deviam fazer quando o Vaticano fosse ocupado pela maçonaria: "Eis o que se deve fazer". E, então, agora, o grão-mestre da franco-maçonaria diz a Bugnini para aplicar tudo isso! E o grande princípio: é preciso implantar a “naturalizatione del Incarnatione”, portanto, naturalizar a Encarnação. Logo, chega-se ao naturalismo! E é preciso aplicar os princípios da língua vernácula, da multiplicidade dos ritos, da multiplicidade da liturgia para torná-la completamente confusa e pôr a confusão em todo o lado, e provocar oposições entre os diferentes ritos.

Bugnini responde que está completamente de acordo com isso, mas que é preciso tempo. São precisos talvez dez anos, mas em dez anos conseguirá tudo e que, com a confiança que lhe concedem particularmente o Cardeal Lercarro e mesmo o Papa Paulo VI, com esta confiança que lhe concedem, está seguro de poder atingir os seus fins. E nomeia todos aqueles com quem trabalhará na Cúria Romana, todos tendo ligações com a Maçonaria, podendo assim trabalhar com eles. Mas é preciso colocar uns quantos, será preciso colocá-los nas Congregações, a fim de poderem levar o trabalho a cabo. É preciso que todas as Congregações estejam mais ou menos infiltradas e tenham núcleos dos membros da maçonaria que ele lista: fulano, sicrano, beltrano… É preciso expulsar um tal fulano, porque nos incomoda, está contra nós, então é preciso pô-lo fora. Será necessário suprimir a Congregação dos Ritos – alvitra – mas não é a Congregação dos Ritos, é a Congregação dos Sacramentos. Conseguiu suprimir a Congregação dos Sacramentos para colocá-la sob a Congregação dos Ritos, por consequência para pôr tudo sob sua autoridade. Tudo isso está dito nas cartas ao grão-mestre da maçonaria. Então, que esperais? A obediência? Ah! Não! Não nos falem de obediência!

Certamente, queremos obedecer. Somos os mais obedientes à Igreja e a tudo que sempre ensinou, sempre quis, mas não a homens que trabalham na destruição da Igreja no interior da Igreja. O inimigo está no interior da Igreja. O Papa Pio X anunciou-o. La Salette anunciou-o. Fátima anunciou-o. Tudo foi anunciado publicamente. Sabia-se que o inimigo se ia introduzir no interior da Igreja. Pois bem, ele lá está! Lá está!

E agora vêm exigir que não se façam as Ordenações! Quem exige que não se façam Ordenações? Quem exige que não se ordenem bons Padres? Quem? É o Espírito Santo ou é o Diabo? Está claro, está claro! Pode um poder normal da Igreja exigir a um Bispo que não crie bons Padres? Pode um poder normal da Igreja exigir semelhante coisa? Exigir a supressão de Seminários, que eles sabem serem bons? Sabem-no, disseram-no. Disseram que eram bons Seminários. Sabem que a doutrina que vos ensinam é a verdadeira doutrina. Sabem-no, escreveram-no, sabem-no perfeitamente. Escreveram-no no relatório dos visitadores. Os visitadores disseram-no. Escreveram um excelente relatório a favor do Seminário. Foi o que o Cardeal Garonne me disse a mim mesmo quando me pediu que fosse a Roma. Disse: "Sim, o relatório é bom. Sabemos que o Seminário é bom, etc., etc.". Então, porque fechar o Seminário? Muito simplesmente porque não queremos seguir as orientações maçônicas do ecumenismo, e todas as novas orientações que se forjaram nas lojas maçônicas. Então, querem fechar o Seminário! Pois bem, não, não é possível! Isso não provém do Espírito Santo, isso não provém da Igreja. Não é a Igreja que nos exige o encerramento do Seminário. Não é a Igreja. Não é o Papa como Papa, os que lá estão verdadeiramente como sucessores dos que lá estavam antes deles, não! É uma loja maçônica que conseguiu penetrar no interior do Vaticano e tudo trama, e que, evidentemente, nem pode cheirar-nos. É claro, é evidente. Somos um obstáculo ao seu plano, ao seu plano de destruição do Sacerdócio, de destruição da Missa, de destruição da Liturgia. É evidente!

Então, devemos obedecer? Creio na consciência diante do Bom Deus, quando me diz: "Reflete bem perante Deus, em consciência, naquilo que fazes…". Sim, refleti em tudo perante o Bom Deus. Se estou enganado, que o Bom Deus me dê a luz que mostre o meu engano, mas não o creio. Creio verdadeiramente que fazendo o que faço, ordenando os Padres que vou ordenar, creio que sirvo a Igreja. Sirvo a Igreja! Não o faria se, por um instante, pensasse que tal pudesse ser contrário ao bem da Igreja, pois bem, eu me absteria de fazer tais coisas! Seria muito grave. Mas é bem o contrário!

Enfim, os fatos são agora evidentes, as consequências dessa reforma e dessa perseguição da Igreja no interior da Igreja estão patentes a todo o mundo, cada vez é mais claro. Basta ler a Documentation catholique para nos apercebermos de como as falsas ideias estão infiltradas em documentos episcopais, em todos os documentos, em todas essas Comissões Teológicas. […] Estão cheios de erros, é um espírito falso que não é nada o Espírito da Igreja! Então, é por tudo isso que não hesitamos um instante e espero que o Bom Deus nos continue a abençoar!

[Extrato de uma conferência de Monsenhor Marcel Lefebvre aos seminaristas de Ecône, em 8 de Junho de 1978].
Grifos nossos.
Tradução: Gil Dias.

Em francês: Avec l'Immaculée



 ¹ Não estaria aqui incluído o Cardeal Ratzinger, diante do qual Monsenhor sentou-se várias vezes? O mesmo do qual, agora Papa Bento XVI, dom Fellay disse, alegremente: "Se o Papa me chama eu vou. Alías eu corro"? 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Cegos, surdos, mudos e... arrogantes!

 

Quando um doutor erra

Muitas vezes nós nos perguntamos por que alguns sacerdotes piedosos, tradicionais, bem formados, com muito mais conhecimentos do que nós, leigos, não conseguem enxergar coisas que são tão óbvias. É certo que nós nos aplicamos nos estudos, lemos os documentos dos papas pré-conciliares, estudamos os catecismos tradicionais, obras tomistas ou mesmo tratados de teologia ou filosofia. Mas jamais poderíamos supor que tenhamos uma formação que sequer se assemelhe a de uma padre tradicional. Sem contar que eles, e não nós, possuem graça de estado para defender de maneira especial a Fé. E, no entanto, é para nosso espanto que vemos estes padres tão bem formados não conseguirem enxergar os desvios que os seus superiores estão tomando, mesmo quando estes desvios são claríssimos e enormes.
Para que eu não busque uma explicação que seja minha,  de um simples leigo, evoco aqui as palavras de um gigante na defesa da Fé católica:
Contudo, eu ponho a seguinte questão: por que Deus não impede que se ensine o que ele proíbe que se escute?Porque o Senhor vosso Deus vos põe à prova, para se tornar manifesto se O amais ou não de todo o vosso coração e de toda a vossa alma”.
Assim, pois, está mais claro que a luz do sol o motivo pelo qual de vez em quando a Providência de Deus permite mestres da Igreja que preguem novos dogmas: “Porque o Senhor vosso Deus vos põe à prova”. E certamente que é uma grande prova ver um homem tido por profeta, discípulo dos profetas, doutor e testemunho da verdade, um homem sumamente amado e respeitado, que de repente se põe a introduzir a escondidas erros perniciosos. Ainda mais quando não há possibilidade de se descobrir imediatamente esse erro, visto que toma as pessoas de surpresa, já que se tem por tal homem um juízo favorável por causa de seus ensinamentos anteriores, e se resiste a condenar ao antigo mestre ao qual nos sentimos ligados pelo afeto. (Lérins, São Vicente de; Comonitório; Editora Permanência; 2009; página 34)
Dizíamos que na Igreja de Deus o erro de um mestre é uma tentação para os fiéis; e a tentação é tanto maior quanto mais douto é quem erra. (Ibidem, página 49)
Deus não extirpa imediatamente os autores de heresias para que os que são de uma virtude provada se manifestem, isto é, para se mostrar até que ponto se é tenaz, fiel e constante no amor à fé católica.  (Ibidem, página 55)
Poderiam ser mais atuais estas palavras? Deus permite a queda de doutores para provação dos fiéis. E não qualquer tipo de queda, mas até mesmo a heresia. Se amamos a Deus, continuamos crendo o que a Sua Santa Igreja sempre ensinou, e não o que um homem inventou. Não importa o quanto um varão seja ilustre, douto, eloquente, poderoso, influente. Se ele se aparta da doutrina da Igreja, nós não o seguimos. Por mais que, no passado, ele tenha ensinado corretamente, se se desvia da verdade, já não merece mais ser crido. A regra é clara: aceita-se a doutrina que vem de Deus, rejeita-se a que foi inventada pelo homem. 
Sublinhei, no texto de São Vicente, algumas palavras pelas profundas implicações psicológicas que elas trazem. O que foi dito no meu parágrafo anterior é sumamente racional. Mas nós sabemos que muitas vezes o ser humano não se move pela razão. A nossa natureza debilitada pelo pecado original acaba por inverter os valores e antepõe as potencias inferiores da alma às superiores. Muitas vezes o ser humano não quer acreditar no que está vendo. Quando se tinha um juízo favorável sobre alguém que se conhece há muito tempo, não é fácil desfazer este juízo. Ainda mais quando se está ligado pelo afeto. Imaginem um padre que conviveu longos anos com um bispo, que talvez tenha sido ordenado por ele, de quem sempre recebeu boa doutrina e bons exemplos. É difícil para este padre acreditar que o bispo tenha se desviado do caminho. E, no entanto, este padre tem a obrigação de aderir à verdade assim que ela seja conhecida. Para seu próprio bem, para o bem dos fiéis que lhe foram confiados e até mesmo para o do superior que se desviou, ao qual filialmente o padre deve se opor, e não confirmá-lo no erro com uma obediência cega.
Se algum padre ou leigo tiver tido a bravura de contrariar a ditadura estalinista e estiver lendo este texto, por favor, reflita no que acabou de ler. Não é a opinião de um simples leigo, e sim o que o grande São Vicente de Lérins já havia observado: a queda de um doutor é motivo de provação para os fiéis, mas a nossa fidelidade é à doutrina da Igreja, a qual é imutável ao longo dos séculos, e não às palavras de uma homem, que podem mudar em alguns poucos anos. Não sobreponham  sentimentos à objetividade da defesa da Fé. Não fechem os olhos: a análise objetiva das palavras de Dom Fellay e de seus assistentes diretos demonstra clara e inegavelmente que eles se apartaram daquilo que a FSSPX sempre defendeu. Pois, agora, ou eles acusam os outros bispos de enxergarem “super-heresias” no Vaticano II, ou dizem que “muitos dos erros que nós atribuíamos ao concílio, na realidade não são do concílio, mas sim do seu entendimento comum”, ou ainda que a “liberdade religiosa da Dignitatis Humanae é muito, muito limitada”, ou até mesmo que “rechaçar a oferta [de acordo prático] de Bento XVI é cair no sedevacantismo”. Ora, quem é capaz de dizer que estas afirmações não são tipicamente neo-conservadoras? E, no entanto, saíram da boca de Dom Fellay e do Pe. Niklaus Pfluger, seu primeiro assistente. Diante de tão grandes evidências, ninguém pode negar a mudança de rumo que eles querem imprimir à FSSPX. Não temos o direito de nos fazermos de cegos, surdos e mudos, não temos o direito de negar uma verdade que se nos apresenta [grifo do Pale Ideas]. O que fez a FSSPX tão temível aos inimigos da Igreja é exatamente a sua firmeza contra os erros do Concílio em uma época em que todos os outros se curvaram ao falso conceito de obediência. E, para continuar sendo útil à Igreja, ela precisa continuar sendo intransigente com o erro, como aliás, é dever de todo católico.

do Pacientes na tribulação

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quarta-feira, 4 de julho de 2012

FSSPX: Meu Manifesto!

Auxílio dos Cristãos, rogai por nós!

La Madonna Blu
Carlo Dolci

MEU MANIFESTO

Faço minhas as oportunas palavras do Abbé Eric Julien Laurent Jacqmin, aos 22 de junho de 2012: "Como todos os meus confrades na FSSPX, certamente gostaria, como fiz até agora, de obedecer a meus superiores, mas no caso atual eu tenho sérias dúvidas de que o Bem Comum seja bem servido".

Como escrevi outro dia, há um tempo para calar e outro para falar... A minha decisão já estava tomada, aguardava apenas o placet de meu diretor espiritual para tornar público, para o Bem Comum, o que na minha alma já é realidade. É o tempo de falar. 

Sei que não tenho conhecimentos doutrinais/teológicos comparáveis aos de muitos que possam estar lendo estas minhas linhas, mas faço uso da razão que meu Criador me deu quando vim a este mundo [não canso de repetir as belas palavras de Mons. Lefebvre], confiante de que a Graça e a Providência, como sempre, não me deixariam sozinha nesta hora tão grave para a nossa Fé e para a minha própria Salvação. Ainda bem que fui agraciada com um diretor espiritual sério e no estilo sim, sim, não, não... comme il faut

Não somos seres irracionais, devemos refletir sobre o que ouvimos, seja de leigo que de padre, pois a obediência cega não é virtuosa: cansei de ouvir isso a respeito do Papa dos mesmos padres que agora, porque se trata do Superior, exigem uma obediência cega, sob pena de pecado mortal, como se ele fosse possuidor de uma infalibilidade que nem o Santo Padre tem. Onde está o sim, sim, não, não? Porque dois pesos e duas medidas? Se a desobediência ao Papa se justifica em certos casos, que dirá a qualquer ser humano abaixo do Papa! Mons. Fellay, com o devido respeito, não é infalível, portanto não é pecado mortal discordar dele, sobretudo quando está trilhando um caminho que nunca foi desejado por Mons. Lefebvre. E se isso fosse pecado mortal, pecou antes o Fundador da FSSPX, como disse, muito bem, o Abbé Moulin.

Sobre o "respeito", atentar sempre à tênue linha que diferencia o "respeito devido" dos reprováveis "respeitos humanos". Sobre ser sedevacantista por non querer o acordo ou discordar do Superior, leia aqui.



"E aos escribas e locutores que pelo mundo inteiro facilmente aplicam a Dom Lefebvre o título infamante de rebelde, sem saberem o que dizem e sem conhecerem toda a largura, a altura e a profundidade da moral católica, devemos advertir que erram e pecam gravemente por excessiva presunção e consequente simplificação de tão grave problema.
O caso de Dom Lefebvre, e de todos os "integristas" que acima de tudo querem continuar a Igreja tão santamente representada por São Pio X e São Pio V, é simples; eles não podem admitir que a obra dos "desintegristas", tão variada como promíscua, lhes seja imposta em nome da obediência que tanto amam e tão tristemente vêem instalada do outro lado do abismo. Assim é difícil. Assim é impossível. Non Possumus!" (Gustavo Corção - 25.09.1976).

 

Vamos lá, qual meu posicionamento sobre o acordo ou qualquer outro eufemismo que se queira utilizar? 

 

Não pretendo, aqui, esgotar todas as razões que me levam a tomar esse posicionamento. Algumas são de foro íntimo, outras poderei fazê-lo em outra ocasião, se for o caso. Falarei do que é essencial:

Eu sou contra qualquer tipo de acordo ou diálogo com a Roma modernista ENQUANTO não se realizar a condição imposta pelo próprio Fundador da FSSPX: a prévia conversão. E por uma questão simples: antes disso... é inútil, é perda de tempo, é falar às paredes! Como temos visto.  

Dom Lefebvre não está mais entre nós, ouço dizerem... Verdade, mas não é por isso que o que ele disse também morreu, não vale mais! 

Objeta-se que hoje a situação é outra, diferente de 1988. E eu respondo que é verdade também, hoje a situação é outra: bem pior! O que mudou e no que teria melhorado a Igreja de lá para cá? Há mais escândalos hoje do que em 1988. Há também mais rebeldia e cismas hoje, e por parte dos modernistas que temem o conservadorismo do Papa. Basta ver as manifestações costumeiras no eixo Áustria-Alemanha. Basta ver as últimas nomeações para os altos escalões vaticanos feitas pelo Papa, em particular naqueles cargos que "dialogam" diretamente com a FSSPX... Em 2009, o mais novo empossado, Gerhard Ludwig Mueller, declarava para quem quisesse ouvir que os quatro bispos da FSSPX deveriam se demitir de imediato, "não mais se expressar publicamente sobre questões de política nem de política eclesiástica" e "levar uma vida exemplar como um simples sacerdote e trabalhar para reparar parte do dano que o cisma causou". Ele também recomendava que o Seminário da FSSPX de Zaitzkofen fosse fechado e que a Fraternidade "se livrasse" de pessoas como Mons. Williamson, antisemita confesso. Uma das pérolas: "Os pontos de vista" (sic) "teológicos da FSSPX desviam-se em parte da Igreja Católica"...

Alega-se, ainda, que os sujeitos do diálogo são outros, temos outro Papa... Mas o Papa de hoje, Bento XVI, era o Cardeal Ratzinger em 1988: o interlocutor de Mons. Lefebvre. Até que ponto era a vontade do Papa João Paulo II que prevalecia nas conversações? Até que ponto o Cardeal apenas obedecia ordens ou defendia a Tradição?

Prosseguindo, se pe. Moulin acerta quando diz não ser pecado mortal criticar o superior, erra quando afirma que é necessário pedir a Roma o levantamento das excomunhões dos Grandes Esquecidos. Erra porque reconhecer o levantamento é o mesmo que reconhecer as excomunhões (2+2=4): isso Mons. Lefebvre nunca fez! Pelo contrário, ele disse categoricamente que não poderia ser excluído de uma Igreja na qual nunca esteve.

E eu me pergunto, retoricamente: se ele nunca esteve "naquela" igreja por que hoje fazemos questão de entrar nela, sermos reconhecidos, regularizados, etiquetados, aprovados, em "plena comunhão"?...  "Plena comunhão"!!! Estar em plena comunhão é um absurdo linguístico tanto quanto estar meio grávida, ser muito honesto ou quase virgem! 

E se pedir o levantamento foi um erro, erro maior ainda foi se calar diante do Motu Proprio - outro pedido do nosso Superior. Um erro terrível porque, aceitar calado que a Missa de sempre É rito extraordinário significa concordar que a Missa Nova É rito ordinário, rito católico... (2+2=4) .

Mas, afinal, dialogar para estar em "plena comunhão" com qual Igreja? Na Igreja Católica (da qual nunca saímos) ou na Igreja Conciliar (na qual nunca estivemos)? Uma Igreja, esta, que congrega uma série de vertentes, da mais progressista à mais conservadora, que pouco ou nada guardam de católico - meu exemplo preferido? O "Pastor" Kiko Arguello e sua troupe. Uma Igreja que visita, saúda e abençoa Fidel, o líder comunista, assassino e abortista, excomungado por ela própria (sic). Uma Igreja que pratica o ecumenismo-de-mão-única: abre os braços a todo tipo de desvio e perversão, e persegue os tradicionalistas como fossem leprosos, estrangeiros, inimigos... Uma Igreja cujo Papa reza diante do altar do Senhor ao lado de um homem das mãos ensanguentadas de santo católico sangue e fantasiado de arcebispo de Canterbury. Oras, ou é verdade que a Igreja Anglicana tem sucessão apostólica (e ele é arcebispo e a Rainha, chefe da Igreja) ou é verdade que não a tem (e ele é um homem comum travestido de arcebispo): os dois não dá! (2+2=4). Porque, então, o Papa reza com ele? E eu, ao ver o meu Papa rezando ao lado de um herético, não posso não lembrar da heróica Santa Margareth Clitherow, que dizia a seus carrascos anglicanos que a convidavam a rezar com eles antes do seu tremendo martírio: "Eu não rezarei com vocês, e vocês não rezarão comigo. Eu não direi Amém às vossas orações, nem vocês às minhas" - Lembrem-se disso quando rezarem o Pai Nosso junto com seus 'irmãos' protestantes. O arcebispo de Canterbury de hoje tem tanto sangue católico nas mãos quando o tinha o arcebispo de então. E é com essas mãos ensanguentas que ele disse Amém às orações do Papa, diante do altar do Senhor.

Que Igreja é essa, então? E por que eu deveria entrar nela? Por quem? Sou católica, apostólica, romana, fiel à Tradição da Igreja, e não posso trair as promessas de meu Batismo e aderir à Roma modernista na esperança de que esse meu sacrifício possa convertê-la, com o tempo, com os "números"... Isso é, no mínimo, ingênuo; mas pode ser... desonesto, em alguns casos. A Fé não é feita de números, não pode ser quantificada. De fato, é lamentável perder tantas almas, mas nossa Salvação não depende de números, depende de nós, pois a Verdade está diante de nós. Não encontramos o caminho de volta à Casa Paterna nós que somos rotulados de tradicionalistas? Não foi pelo uso da razão, favorecida pela Graça, que estamos aqui? A conversão daqueles que vivem no erro não depende de números, nem de nós, nem de nossa Fé, mas da Graça de Deus e do uso da razão por parte de cada um deles...

A "experiência da Tradição" desejada por Monsenhor Lefebvre foi, para mim, um ato de caridade de seu fiel coração para com a autoridade do Papa que ele amou até a sua morte. Mas a Tradição não pode ser uma "experiência"... Não há como!

As coisas são mais simples: enquanto a Roma modernista não se converter, não há o que dialogar! E, SE ela chamar para dialogar, basta dizer-Lhe a Verdade: que ela ESTÁ no erro, sem muitos salamaleques; basta o respeito à autoridade na forma de dizê-lo, não nas intenções, porque O ERRO NÃO TEM DIREITOS.

Não é um favor que se faz a Roma, mas um dever. E, se quem tem autoridade para fazer isso não o faz, terá que se explicar a Deus, pois não se pode esperar por rodadas de colóquios doutrinais para se restabelecer a Verdade. Afinal, quem de nós sabe quando irá prestar contas ao Criador? Well, se eu tivesse tamanha responsabilidade nem dormiria enquanto não dissesse ao Papa que está no erro, pois poderia se dar que, durante a noite, minha alma fosse chamada pelo Criador, e o que eu diria a Ele?: "Sabe o que é, Senhor? Estava esperando pelo chamado de Roma... ou... Era preciso reunir os nossos teólogos com os teólogos deles, para ouvirmos as razões deles (do erro, do pecado)..." Não precisa ser muito esperto para saber a resposta dEle, não é?

Eu percebo por aí, na web, em blogs, e-mails privados e coletivos, que muitos estão calados nesta hora tão grave, entrincheirados atrás de justificações vagas (neutralidade, confiança no superior, obediência...), talvez porque seja mais fácil deixar o outro "pensar por mim", "decidir por mim"... assim não é necessário se expor para ser publicamente apontado como sedevacantista, cismático, herege.
Lembrando, apenas, que rotular o outro, diferentemente de discordar dele, É pecado mortal, como aprendi com um padre da FSSPX.
Felizmente, eu não tenho essas preocupações com rótulos porque eu sei QUEM eu sou. Eu sei o caminho que trilhei até aqui, e não foi fácil. Eu não encontrei a Tradição como quem tropeça por acaso em algo. A Tradição veio ao meu encontro, antes mesmo que eu percebesse que era por Ela que eu procurava há tanto tempo! Eu dialogo com meu Criador desde que me entendo por gente, e sempre O busquei, e durante muito tempo "algo" me "incomodou" na Missa Nova, e por causa dessa busca a que me impelia esse incômodo acabei por encontrar, graças à (boa/má) Internet, o caminho que me levou à FSSPX. Um dia escreverei um post especialmente sobre essa caminhada. 

Mas o que interessa é que não acreditei na FSSPX de imediato, como muita gente que, afoita, segue esta ou aquela voz e nem sabe quem é que fala. Sobre coisas tão importantes, não costumo ir como quem vai ao bosque pegar framboesas: busquei provas, investiguei, me cerquei de garantias, até finalmente chegar à conclusão - adesão da razão - de que a FSSPX era uma obra inspirada do Alto. Ainda é. Pude finalmente afirmar, com serenidade, que acredito no combate de Mons. Lefebvre, nos termos postos por ele e que sempre seria ABSOLUTAMENTE fiel à Fraternidade ENQUANTO a Fraternidade continuasse fiel a Mons. Lefebvre, naquele caminho, com aquelas verdades, naquele mesmo combate que Mons. Lefebvre iniciou. Um combate que, diga-se, nunca foi político, como está sendo agora.

Como tantos, eu percebo, agora, que esse caminho não é mais o mesmo. Pelo menos, não parece. E negar isso é negar o óbvio. Não conheço Mons. Fellay pessoalmente o suficiente para ousar tecer qualquer tipo de comentário acerca de seu caráter e de suas intenções. Mas, se de um lado não me é lícito julgar a pessoa, por outro lado os fatos não se discutem. E os fatos são claros.

Se o acordo, finalmente, será firmado ou não - as coisas não são como aparentam - de qualquer maneira Roma já venceu: a Fraternidade já está irremediável e definitivamente dividida. O bom - porque o Bom Deus tira de todo mal um bem - é que já começa a transparecer quem é quem: os que são fieis à Verdade, os que se deixam iludir com promessas vãs e sofismas baratos, os negligentes, os mornos, os tolos etc... A grande questão é: o que dirás ao Senhor se hoje à noite tua alma for chamada diante dEle? Que estás esperando as coisas ficarem mais claras? Que tu apenas obedeceste? Que tu és neutro? Que é lícito conviver com os erros do CVII enquanto se busca mudar as coisas apenas para estar dentro da Igreja e ter o selinho de aprovação dos modernistas?  


Aconselho a quem tiver dúvidas que leia, ou releia se já o fez algum dia, os escritos de Mons. Lefebvre, sobretudo os posteriores a 1988, em particular os de seus últimos anos. Em cada escrito dele transparece o quanto ele era direto e objetivo ao falar, "sem papas na língua", bem sim, sim, não, não! Ele não relatizava os fatos, como o fazem alguns de seus filhos espirituais, que usam de dois pesos e duas medidas com certa largueza. Tinha as ideias claras e não temia "se expor" para dizer  aquilo que precisava ser dito. Rebelde, sedevacantista, cismático, excomungado... e quanto mais ele deve ter ouvido ao longo de seu combate pela Fé! Jamais reclamou justiça e reparação para si. Não entendo por que agora a FSSPX precise reclamar uma "regularidade" dentro da Igreja Conciliar para continuar um apostolado que já ia muito bem sem isso, obrigada! A FSSPX é católica, é regular dentro da Igreja Católica (da qual nunca saiu), não é cismática nem sedevacantista, não é excomungada (nem seu fundador, seus bispos, padres ou fieis) e seus padres são padres e seus bispos são bispos da Igreja Católica, nas condições impostas pelo próprio Fundador. Não é de justiça e reparação que a FSSPX precisa hoje! É de seguir com seu apostolado, com os olhos sempre postos em direção à Roma à qual Monsenhor Lefebvre sempre foi fiel, à espera de "um sucessor de Pedro perfeitamente católico", em cujas mãos, enfim, os nossos bispos poderão "devolver a graça de vosso episcopado para que ele a confirme" (para ambas as citações vide a Carta de Mons. Marcel Lefebvre aos futuros Bispos da Fraternidade São Pio X, em 29 de agosto de 1987). Sugiro começar pelo seu testamento espiritual: A Vida Espiritual Segundo São Tomás de Aquino. Embora há quem diga que se deve começar pela "Carta Aberta aos Católicos Perplexos" (PDF), seguida  pelo "Do Liberalismo à Apostasia. A Tragédia Conciliar" (PDF). No site da FSSPX poderão encontrar outros PDFs para leitura. Qualquer um é excelente, contanto que se leia, que se estude, que se saiba o que é a Crise da Igreja, o que é o Liberalismo, e sobretudo o que o Concílio Vaticano II fez à Igreja e ao mundo. Mons. Lefebvre dizia ser importante estudar para que ninguém nos engane. Ninguém. Não sejamos reféns das palavras e "opiniões" dos outros que mencionam Monsenhor em trechos postados aqui e ali pelos blogs, descontextualizados.  Recorram à fonte. 


Por fim, registro e deixo bem claro que o fato de eu discordar do Superior não quer dizer que não reze por ele, pois rezo, assim como rezo pelo bem da Igreja, pela salvação das almas e para que seja feita a vontade dEle. Sempre a vontade dEle, nunca a minha. 


Pelos dolorosíssimos Corações de Jesus e Maria.


Campo Grande, 4 de Julho de 2012. 


Giulia d'Amore di Ugento



Ó meu Deus, creio na vossa infinita bondade; não somente nesta bondade que cobre o mundo, senão nesta bondade particular e muito pessoal que objetiva essa miserável criatura que sou eu, e que tudo dispõe para seu maior bem.

Por isso, Senhor, mesmo quando não vejo, quando não entendo, quando não sinto, creio que o estado no qual me encontro e tudo o que me ocorre é obra de Vosso amor, e com todas as forças de minha alma o prefiro a qualquer outro estado que me seria mais agradável, mas que me aproximaria menos de Vós.

Ponho-me entre vossas mãos, faça-me o que quiseres, deixando-me como único consolo o de obedecer-vos
(Ato de abandono. São Pio X).






Quero tecer um breve comentário sobre a ida de Mons. Williamson ao Capítulo: Eu iria. Mas eu não sou um Bispo obediente.

- Dom Williamson é um Bispo obediente?, diria perplexo alguém!!!

Oras, e não é? Vejamos: Dom Fellay o proibiu de ir a Albano - concordo, não foi uma proibição, mas uma ida condicionada, o que dá na mesma - e Dom Williamson não foi. Agora, Dom Fellay o proibiu de ir às ordenações de Ecône... Dom Williamson foi?

Onde está a desobediência de Dom Williamson afinal? Apenas e tão somente naquilo que é lícito e justo desobedecer: nas questões de Fé. Nas questões de Fé nossa obediência é apenas a Deus e a ninguém mais. E isso Dom Williamson tem feito. Alguém poderia discordar disso? Alguém poderia comprovar a "desobediência pela desobediência" de Dom Williamson? Creio que não.
Quem seria desobediente, então? Obviamente quem, de fato, está a desobedecer a Mons. Lefebvre, o qual pode até não estar mais entre nós, como disse um padre recentemente, mas seja pela Comunhão dos Santos, seja pelo legado que deixou, continua presente, e sua vontade, seus designíos e suas ordens continuam valendo, pois foi para isso que ele escolheu exatamente esses quatro sacerdotes para serem sagrados Bispos de Romana Igreja: além de salvar a Fé... para que continuassem a sua obra. Os quatro. Juntos. E todos os padres que ele mesmo ordenou, e os outros que ele nem chegou a conhecer e que parecem ter esquecido o que eles mesmos nos ensinaram...

Se estais condenados a ver o triunfo do mal, nunca o aplaudais; nunca digais do mal ‘isso é bom’; nunca digais da decadência ‘isso é progresso’; nunca digais da noite ‘isso é luz’; nunca digais da morte ‘isso é vida’.” Cardeal Pie de Poitiers 

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