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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

FESTA DE SÃO PEDRO AD VINCULA

1º de agosto 

FESTA DE SÃO PEDRO AD VINCULA 

clique para ver mais fotos de São Pedro e as correntes
No dia 1º de agosto, a liturgia da Igreja comemora a Festa de São Pedro ad Vincula, honrando as correntes que aprisionaram o Santo Apóstolo e o fato histórico de sua libertação do cárcere, por meio de um Anjo (Atos 12:1-19). Esta festa foi retirada do calendário e da liturgia pelos destruidores da liturgia da igreja pós-conciliar. 

A festa de São Pedro ad Vincula é celebrada no dia 1º de agosto em referimento ao Titulus Apostolorum que comemorava nesta data as correntes de São Pedro e a sua milagrosa libertação ocorrida por meio de um anjo do Senhor. É uma festa romana. É ligada à dedicação da igreja de S. Pietro in Vincoli, na colina Oppio, em Roma; basílica que foi restaurada por Sixto III às expensas da família imperial.  

No calendário litúrgico, as festas dedicadas a Cátedra de São Pedro são três: a de hoje, a de 18 de janeiro (Cathedra Romana) e a de 22 de fevereiro (Cathedra Antiochena) (Cf. A.P. FRUTAZ - E. JOSI, ad vocem Cattedra di S. Pietro, in Enciclopedia Cattolica, III, Roma, 1949, colI. 1172-1173). A festa do dia 22 de fevereiro, é relacionada ao Magistério de Pedro. Na Depositio martyrum (sec. IV), esta data é associada à comemoração do "Natale Petri de Cathedra" (cf. P. DELEHA YE, Les origines du culte des martyrs, Bruxelles, 1933, p. 263-269). S. Agostino, em seu Sermão 190, (pl 39, col. 2100) considera o dia 22 de fevereiro como a data de início do episcopado romano de Pedro. A data do dia 18 de janeiro foi introduzida pelo rito galicano (metà VI sec.). Depois do ano mil, as duas datas aparecem nos livros litúrgicos romanos (Cf. P. FRUTAZ - E. JOSI, op. cit., 1949, col. 1173). 

Atos 12:1-19

E por aquele mesmo tempo o rei Herodes estendeu as mãos sobre alguns da igreja, para os maltratar;
E matou à espada Tiago, irmão de João.
E, vendo que isso agradara aos judeus, continuou, mandando prender também a Pedro. E eram os dias dos ázimos.
E, havendo-o prendido, o encerrou na prisão, entregando-o a quatro quaternos de soldados, para que o guardassem, querendo apresentá-lo ao povo depois da páscoa.
Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a igreja fazia contínua oração por ele a Deus.
E quando Herodes estava para o fazer comparecer, nessa mesma noite estava Pedro dormindo entre dois soldados, ligado com duas cadeias, e os guardas diante da porta guardavam a prisão.
E eis que sobreveio o anjo do Senhor, e resplandeceu uma luz na prisão; e, tocando a Pedro na ilharga, o despertou, dizendo: Levanta-te depressa. E caíram-lhe das mãos as cadeias.
E disse-lhe o anjo: Cinge-te, e ata as tuas alparcas. E ele assim o fez. Disse-lhe mais: Lança às costas a tua capa, e segue-me.
E, saindo, o seguia. E não sabia que era real o que estava sendo feito pelo anjo, mas cuidava que via alguma visão.
E, quando passaram a primeira e segunda guarda, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, a qual se lhes abriu por si mesma; e, tendo saído, percorreram uma rua, e logo o anjo se apartou dele.
E Pedro, tornando a si, disse: 'Agora sei verdadeiramente que o Senhor enviou o seu anjo, e me livrou da mão de Herodes, e de tudo o que o povo dos judeus esperava'.
E, considerando ele nisto, foi à casa de Maria, mãe de João, que tinha por sobrenome Marcos, onde muitos estavam reunidos e oravam.
E, batendo Pedro à porta do pátio, uma menina chamada Rode saiu a escutar;
E, conhecendo a voz de Pedro, de gozo não abriu a porta, mas, correndo para dentro, anunciou que Pedro estava à porta.
E disseram-lhe: Estás fora de ti. Mas ela afirmava que assim era. E diziam: É o seu anjo.
Mas Pedro perseverava em bater e, quando abriram, viram-no, e se espantaram.
E acenando-lhes ele com a mão para que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tirara da prisão, e disse: Anunciai isto a Tiago e aos irmãos. E, saindo, partiu para outro lugar.
E, sendo já dia, houve não pouco alvoroço entre os soldados sobre o que seria feito de Pedro.
E, quando Herodes o procurou e o não achou, feita inquirição aos guardas, mandou-os justiçar. E, partindo da Judéia para Cesaréia, ficou ali.


Do Flos Sanctorum:  
Celebra a Santa Igreja no primeiro dia de agosto a festa das correntes do glorioso Príncipe dos Apóstolos, São Pedro, não apenas para render graças ao Senhor do benefício que nos fez ao libertar nosso Pastor das mãos de Herodes, e livrando-o das correntes com as quais era aprisionado no momento em que o queriam justiçar, mas também para honrar as próprias correntes que tocaram aquele santo corpo, e que o Apóstolo com tanta glória suportou e estimou mais que todos os tesouros do mundo e todos os milagres que fazia.

Narra São Lucas, no livro dos Atos dos Apóstolos, que o Rei Herodes chamado Agripa(1), filho de Aristóbulo, querendo comprazer aos Judeus, depois de ter mandando cortar a cabeça de São Tiago o Maior, protetor da Espanha e irmão de São João Evangelista, mandou prender São Pedro, como Chefe de todos os discípulos de Cristo Nosso Senhor, e Capitão dos outros. E por que a solenidade da Páscoa não era tempo oportuno para tirar-lhe imediatamente a vida, o mandou jogar na prisão, preso a duas correntes, e guardar por dois soldados que não saíssem de perto dele nunca, e por outros guardas às portas da prisão e da Cidade, para que humanamente não lhe pudesse fugir das mãos. Sentiu esse golpe, como era de dever, toda a Igreja: se reuniram em oração contínua e fervorosa, rogando ao Sumo Pastor que não permitisse que Seu rebanho ficasse abandonado, e sem aquele que Ele lhes havia dado por Seu Vigário, sendo (o rebanho), como era, cercado por toda parte por lobos ferozes, que pretendiam devorá-lo. Ouviu o Senhor as vozes de Seus servos, e ainda na noite precedente ao dia no qual iriam levar à morte o Beato Apóstolo, estando ele preso por duas correntes entre dois soldados, e quietissimamente dormindo, como quem soubesse estar sob a proteção de seu doce Mestre e Deus Onipotente, e que sem Sua vontade nenhuma coisa lhe podia acontecer, entrou um Anjo na prisão. Imediatamente, toda aquela escuridão resplandeceu de imensa claridade, e, acordando o Anjo a São Pedro, lhe disse que se vestisse, calçasse os sapatos e o seguisse. E, assim, livre e solto das correntes, o seguiu; e, passada a primeira e a segunda guarda, as portas da Cidade, que eram de ferro, se abriram diante deles. Estando São Pedro já em segurança, o Anjo desapareceu. E aquele que estimava antes que aquilo fosse um sonho soube que era verdade e que o Senhor o havia livrado das mãos de Herodes, e burlado havia e zombado de todos os seus conselhos e as vãs esperanças dos Judeus, e ouvido as orações dos Fiéis, e os consolados; e a ele dado a vida, para que mais uma vez e com maior fervor a empregasse em Seu serviço. 
E esta é a primeira razão pela qual esta festa se celebra.

Uma outra é por querer o Senhor engrandecer Seus servos, e magnificar e honrar as tribulações e as penas que padecem por Seu amor. Porque, como não há coisa mais agradável e aceita a Deus que padecer muitos e graves tormentos por Ele, assim distribui essas tribulações entre todos os Seus servos, dando a maior parte àqueles que Lhe são mais domésticos, como fez com o Apóstolo Pedro, permitindo que fosse afligido e aprisionado pelo Rei Herodes, para que estimasse mais aquelas correntes pelas quais estava aprisionado do que o ato de fazer caminhar o manco de nascença, sarar os enfermos, ressuscitar os mortos, e com apenas sua sombra sarar todo tipo de enfermidade.

Onde o Apóstolo São Paulo chama os Filipenses de “companheiros da sua alegria”, entendendo por “sua alegria” a de ver-se amarrado e carregado de correntes por Cristo. E querendo fortemente rogar aos Éfesos que procurassem seguir em frente na santa vocação que haviam começado, para instigá-los e movê-los mais ainda a fazê-lo, lhes disse: “considerai que eu, que estou amarrado e acorrentando por Cristo, vos rogo e vos peço isto: porque não há coisa alguma mais gloriosa para mim, nem para vós mais jubilosa que minhas correntes”. E do mesmo modo estimou São Pedro as suas, e estimam todos os Santos as correntes que padecem pelo Senhor, o qual, a guisa de bom pagador, para lhes dar ainda nesta vida presente a recompensa desta gratificação e desta glória que têm em padecer por Ele, não apenas quer que sejam honrados os corpos e os membros, os quais padeceram, mas também os instrumentos com os quais padeceram, e que os cárceres, os “granfii(*), as cruzes, as algemas, os grilhões, as correntes com os quais foram atormentados sejam tido pelos Fiéis em grandíssima veneração. Por isso, diz São João Crisóstomo em um sermão, que tem seu nome, mesmo que pareça ser mais de Proclo(2), estas preciosas palavras: “Com estas correntes, como se fossem pedras preciosas, se ornava o Apóstolo; com estas andava altivo e alegre, como se fosse ornado de uma vestimenta real, sabendo não ser menos instrumento de sua glória que de sua pena, nem mesmo de sua coroa que de seu tormento. Estas mesmas correntes tem hoje a Santa Igreja Esposa de Jesus Cristo, como uma preciosa joia para seu ornamento, e todo o povo Cristão as beija e as reverencia, e por estas estima impetrar o perdão de seus pecados”. Até aqui são palavras de São Crisóstomo.

E se vê que as correntes de São Pedro, para falar delas e deixar as outras, foram sempre tidas em grande reverência por aquilo que lemos nos “Atos” de Santo Alexandre(3) Papa e Mártir, o qual, beijando os fiéis(4) os ferros com os quais estava preso, lhes disse: “Não beijais os meus ferros, mas procurai as correntes de São Pedro, meu Senhor, e beijai-as, e tende-as em grande reverência e veneração”.  
E São Gregório Papa(5)  escreve que os Sumos Pontífices costumavam enviar, como singularíssimo dom, algumas limalhas da corrente de São Pedro incrustadas em uma chavezinha de ouro que tivesse estado sobre o sepulcro do Santo Apóstolo. O próprio São Gregório mandou uma dessas pequenas chaves a Childeberto(6), Rei da França, e lhe escreveu estas palavras: “Vos enviamos ainda as chaves de São Pedro, e nelas as limalhas de Suas correntes, para que, levando-as no pescoço, vos defendam de todos os males”. E, em outra Epístola, escrevendo a Tertiste(**), lhe diz: “Além disto, por bênção de São Pedro, vos enviamos uma chave, que esteve sobre seu santíssimo corpo, pela qual Deus operou o milagre que aqui direi”, e narra como um longobardo, rindo-se da chave, e querendo com uma faca cortá-la, para valer-se do ouro, foi assaltado por um espírito maligno, e com a mesma faca se feriu na garganta e rapidamente morreu.

A Santa Igreja não apenas quis honrar as correntes de São Pedro, como as de São Paulo, e dos outros Santos, mas instituiu ainda uma particular festa para celebrá-las; o que não faz com as correntes de alguns dos outros Santos, porque parece que esta maneira de honra devesse ser própria daquele Santo Apóstolo e Príncipe da Igreja, ao qual Deus havia dado amplíssimo poder de livrar as correntes das culpas e dos pecados de muitos.

A ocasião da instituição de tal festa foi a seguinte. Eudóxia(7), mulher do Imperador Teodósio, o Menor, foi, por sua devoção, visitar os lugares santos de Jerusalém, e lá recebeu as correntes com as quais São Pedro fora preso pelo Rei Herodes. São João Crisóstomo diz que alguns dos soldados que faziam a guarda a São Pedro, e depois se converteram, pegaram, esconderam e conservaram as correntes. Destas duas correntes que recebeu a Imperatriz Eudóxia de Juvenal(8), Bispo de Jerusalém, uma a levou a Constantinopla e a outra, como precioso tesouro, a enviou a Roma, a sua filha Eudóxia(9), que era mulher do Imperador Valentiniano III. E foi tão grande a alegria e a festa que se fez em Constantinopla e em Roma por estas correntes que, em uma Cidade e na outra, se instituiu festa particular para celebrá-las.

E em Roma ocorreu imediatamente um milagre que aumentou ainda mais a devoção às correntes. Porque, tendo Eudóxia dado ao Papa a corrente que Eudóxia sua mãe lhe havia mandado, o Sumo Pontífice mandou procurar a outra corrente com a qual o Santo Apóstolo fora preso em Roma, no tempo do Imperador Nero, e ao compará-las uma com a outra, estas se uniram e se soldaram como se uma só corrente fosse, e pelo mesmo artífice produzida. Por este milagre, e por outros que ocorreram, Eudóxia edificou um solene Templo em honra de São Pedro, que foi chamado com o Título de Eudóxia, e hoje se chama São Pedro ad Vincula, onde se custodia a mesma corrente, feita de duas correntes, como dissemos, a qual é mantida com grande reverência. E no primeiro dia de agosto, que em Roma é muito solene, acorre toda a Cidade com grande devoção para tocar e beijar e colocá-la sobre a cabeça a corrente gloriosa de São Pedro.

Aconteceu, ainda, com o correr do tempo, no ano de 969, que um Conde parente de Otão II(10), sendo Imperador em Roma, foi tentado e estranhamente atormentado pelo demônio, que ele mesmo arrancava com os dentes a própria carne, e não havia quem o pudesse conter. O Conde, por ordem do Imperador, foi conduzido ao Papa, que era João XIII(11), para que mandasse colocar no pescoço a corrente de São Pedro, porque todos os outros remédios não surtiram efeito. Ao colocar a corrente do Santo no pescoço, imediatamente amansou aquele Senhor, que estava furioso, e o demônio, fazendo-o espumar pela boca e gritar horrivelmente, o deixou livre e são, como se nada tivesse padecido. E, encontrando-se presente àquele milagre um bispo de Metz, chamado Teodorico(12), tomou a corrente para si e disse que, para que a deixasse, precisariam que lhe cortassem a mão com que a segurava, e depois de muitas disputas e discussões o Imperador solicitou ao Papa um elo da corrente com o que aquele ficou satisfeito e contente, assim como toda a gente mais devota do Santo Apóstolo, e desejosa de reverenciar aquela corrente pela qual tantas maravilhas operava o Senhor.

Rogamos Sua divina Majestade que, por intercessão de Seu glorioso Apóstolo São Pedro, nos livre das duras corrente dos nossos pecados, as quais apenas Ele pode, com seu braço poderoso, partir e quebrar. 

Das correntes de São Pedro e da instituição da presente festa escreve fundadamente o Cardeal Baronio(13), no tomo quinto de seus “Anais(14), e no “Anotações do Martirológio Romano(15), e Sigisberto(16), em seu “Crônicas” do ano do Senhor de 969. Outras coisas são referidas por outros, as quais ou são incertas ou apócrifas, e contrárias à verdade da história.

Fonte: "Flos Sanctorum, ou Vidas dos Santos", Pe. Pietro Ribadeneira, Toletano da Companhia de Jesus, 1704, Veneza, Imprimatur, pp. 501-503. PDF.  
Tradução do "Flos", notas e organização: Giulia d'Amore. 
________________________ 
Notas: 
* Está assim no original.
**  Não identifiquei este personagem.
1  Refere-se a Herodes Agripa I, cujo nome era Marcus Julius Agripa, assim chamado em homenagem ao estadista romano Marco Vespasiano Agripa. Era filho de Aristóbulo IV (descendente dos Macabéus) e Berenice, sobrinha de Herodes e sua prima. Foi casado com sua prima Cipros, com quem teve cinco filhos. Ele foi chamado de “rei Herodes” nos Atos dos Apóstolos, na Bíblia. Ele foi feito tetrarca das províncias que haviam sido governadas por Lisânias, e eventualmente terminou governando todos os domínios que haviam sido sujeitos ao seu avô Herodes, governando como rei. Ele condenou o apóstolo Tiago à morte, e colocou Pedro na prisão. Durante um festival em honra ao imperador Cláudio, ele apareceu vestido de forma magnífica, e foi louvado pela multidão como um deus. Herodes Agripa veio a morrer da mesma doença que havia afetado seu avô, Herodes. Ele reinou quatro anos como tetrarca, três anos como rei de toda a Palestina, e morreu aos cinquenta e quatro anos de idade. Após sua morte, a Palestina foi incorporada à prefeitura da Síria, fazendo parte do Império Romano (Fonte: Wikipédia).
Provavelmente, o Arcebispo São Proclo de Constantinopla, amigos e discípulo de São João Cristóstomo. No início de 429, num festival em homenagem à Theotokos (Virgem Maria), Proclo fez o seu celebrado sermão sobre a Encarnação de Jesus, que posteriormente foi inserido no começo dos atos do Concílio de Éfeso. Proclo foi citado pelo cardeal John Henry Newman por sua obra sobre a Mariologia e seu forte apoio ao dogma conciliar sobre a Theotokos (Fonte: Wikipédia).
Papa Alessandro I, sofreu o martírio por decapitação no dia 3 de maio, provavelmente de 115 ou 116. Segundo a Tradição da Igreja (do V século), e reportada no “Liber Pontificalis”, era romano de nascimento e foi Papa durante o reinado de Trajano (98-117).  Foi o primeiro Papa que não foi escolhido pelo predecessor, mas eleito pelos bispos que estavam em Roma, por indicação dos presbíteros e dos diáconos da Cidade. A ele é atribuído o cânon do “Qui Pridie”, as palavras comemorativas da instituição da Eucaristia. Dele também é o costume de benzer com água e sal as casas dos cristãos para preservá-los do maligno. Em 1855, no lugar onde uma antiga tradição dizia ter havido o martírio de Alessandro, foi descoberto uma catacumba dos santos mártires Alessandro, Eventolo e Teodolo. Segundo alguns arqueólogos, este Alessandro era o Papa e esta área funerária corresponderia a seu martírio. O historiador Duchesne discordava alegando uma confusão que teria havido no início do século VI, quando foi compilado o “Liber Pontificalis”. Parece que também Santo Irineu não menciona o seu martírio. As relíquias foram trasladadas para Frisinga, na Baviera, em 834. A corrente na qual, segundo a tradição, foi mantido preso foi levada a Lucca, por volta de 1060, na igreja de Santo Alessandro Maior pelo bispo de Lucca, Anselmo da Baggio, que se tornou Papa com o nome de Alessandro II. A memória litúrgica é celebrada no dia 3 de maio no Martirológio Romano (Fonte: Wikipédia).
Em uma “vida”, trata-se de Balbina, a filha de Quirino, um tribuno romano que recebera ordem de prender o Papa e um homem chamado Hermes, por serem cristãos. Tendo-se convertido, Quirino pediu ao Papa que sarasse a filha que tinha um tumor no pescoço. O Papa mandou trazer a filha e ambos se ajoelharam diante dele, em reverência. Vendo que Balbina beijava os elos das correntes que o prendiam, Alessandro disse-lhe a frase acima. Quirino sabia onde São Pedro havia sido detido antes do martírio, e tomando a filha a levou até lá, onde, beijando e reverenciando as correntes, foi curada. Quirino, então, libertou Alessandro e Hermes e, junto com a mulher e a filha, pediu o batismo. Papa Alessandro estabeleceu que, por causa do milagre, daquele dia em diante as correntes deviam ser veneradas, e mandou construir uma igreja dedicada ao Apóstolo São Pedro, no lugar onde estavam as correntes. Outra “vida”, conta que Quirino recebera ordem de executar Alessandro e outros dois, Evenzio e Teodolo, por ordem de Trajano. Em ambos os casos, Quirino acabou preso como cristão e martirizado por decapitação no dia 30 de março de 116. Foi sepultado nas “Catacumbas de Pretestato”, na Via Ápia. Sobre Balbina, há duas versões: na primeira, ela sofreu o martírio com o pai, na segunda, dispensou vários pedidos de casamento e, virgem, viveu como freira até sua morte, no ano de 130, quando foi martirizada (afogada ou sepultada viva) por ser cristã, sob o Imperador Adriano. Foi sepultada junto com o pai. Depois, as relíquias de ambos foram trasladadas para a igreja de Santa Balbina all’Aventino, construída em sua honra século IV. O Martirológio Romano recorda Santa Balbina no dia 31 de março e seu pai, São Quirino de Neuss, no dia 30 de março. Um documento escrito em Colônia, em 1485, informa que o corpo do mártir foi trasladado para a Alemanha em 1050, enviado pelo Papa Leão IX à abadessa Gepa, que o levou à cidade de Neuss, onde foi erigida uma basílica em seu nome em 1206, na qual o corpo do mártir ainda é custodiado.
Papa Gregório Magno, OSB, Santo e Doutor da Igreja. Foi Papa entre 3 de setembro de 590 e sua morte, em 12 de março de 604. Gregório nasceu numa rica família patrícia romana que tinha relações muito estreitas com a Igreja. Seu pai, Gordiano (Gordianus), que já havia servido como senador e prefeito urbano, era um “regionarius” na Igreja, embora quase nada se saiba sobre a função. Sua mãe, Sílvia, era bem nascida e tinha uma irmã casada, Patéria, na Sicília. Ela e duas irmãs, tias de Gregório, são veneradas como santas. O trisavô de Gregório também havia sido Papa, com o nome de Félix III, candidato do rei ostrogodo Teodorico, o Grande. A eleição de Gregório ao bispado de Roma transformou sua família na mais distinta dinastia clerical de sua época. Gregório mandara pintar retratos da família na forma de afrescos em sua casa no Monte Célio e estes foram descritos mais de 300 anos depois por João, o Diácono. Gordiano era alto, de rosto alongado, barbado e tinha olhos brilhantes. Sílvia era também alta, mas de rosto redondo, olhos azuis e semblante alegre. Pela descrição, o casal tinha também outro filho do qual não sabemos sequer o nome. Quando seu pai morreu, Gregório converteu a “villa” da família num mosteiro dedicado a Santo André. Posteriormente, depois de sua própria morte, o local seria rebatizado como San Gregório Magno al Celio. MISSA GREGORIANA: parece que Gregório nem sempre tenha sido tão complacente ou agradável em seus anos como monge. Conta-se que, certa vez, um monge moribundo confessou ter roubado três moedas de ouro. Gregório, implacável, disse-lhe que morreria sozinho e sem amigos e que depois atiraria seu corpo, com as moedas, numa pilha de esterco para apodrecer, amaldiçoando-o: “Leva teu dinheiro contigo para a perdição!”, Gregório acreditava que, mesmo no leito de morte, a punição pelos pecados cometidos deve ser severa, mas seus atos tinham por objetivo ajudar o monge a se arrepender de seus pecados. A penitência de fato ajudou o monge em seu arrependimento e, depois do incidente, Gregório ofereceu 30 missas em sua memória para ajudar sua alma antes do Juízo Final. O monge depois apareceu para seu irmão, afirmando ter sido libertado e que estava no céu. Gregório realizou uma reforma geral da liturgia da missa pré-tridentina, “removendo muitas coisas, alterando umas poucas, adicionando algumas”. Em suas cartas, Gregório afirma ter movido o Pater Noster  para logo depois do Cânon Romano, imediatamente antes da “Fração do pão”, uma posição que ainda ocupa atualmente na liturgia. A posição ocupada antes é evidente no Rito Ambrosiano. Gregório acrescentou material ao “Hanc Igitur” do Cânon e criou os “nove Kyries” (um resquício das antigas litanias que eram recitadas na missa na época) no começo da missa. Finalmente, ele reduziu o papel dos diáconos na liturgia romana. CANTO GREGORIANO: A principal forma de cantochão ocidental, padronizada no final do século IX, é creditada ao Papa Gregório Magno e, por isso, recebeu o nome de “canto gregoriano”. Esta atribuição remonta à hagiografia de Gregório escrita por João, o Diácono, em 873, quase três séculos depois de sua morte, segundo a qual o canto que leva seu nome “é o resultado da fusão de elementos romanos e francos ocorrida durante o império franco-germânico controlado por Pepino, Carlos Magno e seus sucessores”. LITERATURA: Gregório é geralmente citado como o fundador do Papado Medieval e, por isso, muitos atribuem a ele o começo da Espiritualidade Medieval. Ele é o único Papa entre os séculos V e XI cuja correspondência sobreviveu em quantidade suficiente para que se forme um corpus de seu pensamento. Entre os textos de Gregório estão: “Comentário sobre Jó” (“Magna Moralia” ou ainda como “Moralia de Jó”); “Liber regulae pastoralis” (“Livro da Regra Pastoral” ou “A Regra dos Pastores”), ou “Regula Pastoralis”; “Diálogos”  e “In Librum primum regum expositio” (“Comentário sobre I Reis”). Além de diversos sermões e cartas. PERSONAGENS BÍBLICOS: Foi São Gregório que identificou Maria Madalena com Maria de Betânia que untou os pés de Jesus com óleos preciosos. “Esta mulher, que Lucas chama de ‘pecadora’ (Lucas 7,37) e João chama de ‘Maria’ (João 12,3), eu acho que é a mesma Maria citada por Marcos, ‘da qual havia expelido sete demônios’ (Marcos 16,9)”. (Patrologia Latina, LXXVI:1239). Sua memória é no dia 12 de março.
Childeberto II, rei merovíngio da Austrásia de 575 até sua morte em 595. A Austrásia, localizada no nordeste da atual França, compreendia também partes da atual Alemanha, Bélgica e Países Baixos. Era, na Idade Média, a região compreendida entre o Reino de Reims, o país dos Francos ripuários, o vale do Rio Mosela, a região de atual Champagne e a Auvérnia. Era um reino sob o domínio da dinastia dos Merovíngios e sua capital era Metz, embora alguns dos seus reis tivessem a corte em Reims. Por isso era também chamado de Reino de Reims ou Reino de Metz.
Élia Eudócia (Aelia Eudocia Augusta) foi uma Imperatriz-consorte Romana do Oriente, esposa do Imperador Teodósio II, filha de Leôncio, um grego. Eudócia foi uma importante figura história para entender a ascensão do cristianismo nos primeiros anos do que seria o Império Bizantino. Eudócia teve três filhos com Teodósio: Licínia Eudóxia, Flácila e Arcádio. Suspeita de traição, Eudócia foi exilada em Jerusalém, onde se dedicou a obras literárias cristãs, como o Martírio de São Cipriano, além dos     “Centos homéricos”, uma série de poemas. Morreu em 20 de outubro de 460 e foi enterrada na Igreja de Santo Estêvão. A mãe do Imperador se chamava Élia Eudóxia.
Juvenal de Jerusalém foi um bispo de Jerusalém a partir de 422 d.C. Em 451 d.C., quando a Sé de Jerusalém foi reconhecida como um patriarcado pelo Concílio de Calcedônia, ele se tornou o primeiro Patriarca de Jerusalém, ocupando o cargo até a sua morte, em 458 d.C. Ele é considerado um santo em setores da Igreja Ortodoxa, mas não no ocidente. João Damasceno, pregando na festa da Assunção de Maria no Getsemani, relembra que, de acordo com a “História Eutimiana” (escrita provavelmente por Cirilo de Citópolis, no século V), Juvenal enviou para Constantinopla, em 452, por ordem do imperador Marciano e de Pulquéria, sua esposa, o “Manto da Virgem”, que estava guardado numa igreja local. A relíquia passou a ser desde então venerada na cidade, na Igreja de Santa Maria de Blaquerna. Por volta de 455, Juvenal também enviou ao Papa Leão I um fragmento da Vera Cruz.
Licínia Eudóxia foi uma Imperatriz-consorte Romana do Ocidente, filha do Imperador Romano do Oriente Teodósio II e de sua consorte Élia Eudócia. Ela foi esposa dos imperadores Valentiniano III e Petrônio Máximo.
10  Otão II (ou Oto II) foi o segundo Sacro Imperador Romano-Germânico e terceiro governante germânico da dinastia Otoniana, da Casa de Saxónia. Era filho de Otão o Grande e Adelaide da Itália. Casou-se com a princesa grega Teofânia Escleraina, sobrinha do imperador romano do oriente João I Tzimisces. Oto, algumas vezes chamado de o “Vermelho”, era um homem baixo, por natureza corajoso e impulsivo, e por treinamento um cavaleiro competente. Foi generoso com a igreja e ajudou no avanço da cristandade de várias formas.
11  O Papa João XIII exerceu o papado de 1 de outubro de 965 a 6 de setembro de 972, por exatos 6 anos, 11 meses e 5 dias. Nasceu em Roma. Foi ele que, no dia de Natal de 967, coroou Otão II, de treze anos, como imperador de Roma, em conjunto com o seu pai. João também participou nas negociações para o casamento de Otão II com a princesa bizantina Teofânia Escleraina. O casamento teve lugar em Roma e foi abençoado pelo próprio Papa a 14 de abril de 972. O Papa João XIII trabalhou intensamente nos assuntos da Igreja. No início do seu pontificado elevou Cápua ao estatuto de metropolitana, em sinal de gratidão pela ajuda prestada pelo príncipe Pandulfo. Em 969, Benevento recebeu a mesma dignidade. Confirmou decretos de sínodos realizados em Inglaterra e França. Concedeu muitos privilégios a igrejas e conventos, principalmente da Ordem de Cluny e decidiu várias questões de direito eclesiástico de vários países que a ele apelaram.
12  Não há uma biografia sobre este bispo, mas é bastante mencionado no “sequestro” de relíquias que ele enviava para a Alemanha. Esta “vida” parece confirmar a história, diante de sua “habilidade” em conseguir pelo menos um elo da santa corrente. O Imperador Oto o favoreceu várias vezes nesse sentido.
13  Venerável Cesar Cardeal Baronio, ou Caesar Baronius C.O., foi um historiador, religioso e cardeal italiano. Membro da Congregação do Oratório, seu nome é associado com a preparação dos primeiros volumes dos “Annales ecclesiastici” (a história da Igreja desde suas origens até 1198) e a revisão do Martirológio Romano (1586 - 1589). Único filho de Camillo e Porzia Febonia, pertencia a uma rica família de origem napolitana: seu nome verdadeiro era Barone, e depois para o latim Baronius, a partir do qual é derivada a forma Barônio. Em 1593, ele sucedeu a São Filipe Néri (aposentado por motivos de saúde) como Superior Geral da Congregação do Oratório, também foi escolhido pelo Papa Clemente VIII como o seu confessor pessoal e foi nomeado “protonotário apostólico” em 1595. Cardeal no ano seguinte, participou dos conclaves de 1605 (que elegeriam os papas Leão XI e Paulo V), e seu nome também foi mencionado como papável, mas sua eleição foi prejudicada pela Espanha (Baronio foi pró-francês e tinha publicado o “Tractatus de Monarchia Siciliae” contra o domínio espanhol no sul da Itália). Ele morreu em 1607 em sua cela em Santa Maria, em Vallicella, onde foi sepultado. Em 12 de janeiro de 1745 o Papa Bento XIV o proclamou Venerável.
14  “Annales Ecclesiastici a Christo nato ad annum 1198”, 12 volumes, Roma, 1588-1607. Em 1568 César Barônio, da Congregação do Oratório de Filipe Neri, começa a escrever os Anais Eclesiásticos (contra as Centúrias de Magdeburgo dos protestantes). Os “Annales” representam uma das primeiras peças reais da História da Igreja Católica, com base em uma análise crítica, cuidadosa e profunda das fontes documentais.
15  “Martyrologium Romanum, cum Notationibus Caesaris Baronii”, de 1589. Incumbido pelo Papa Gregório XIII primeiro ao Cardeal Gugliermo Sirleto. 
16  Personagem veraz, como suas “Crônicas fragmentárias”, porque mencionados por outras fontes confiáveis, mas não encontrei nenhuma biografia específica. 



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Um comentário:

  1. Eu não sabia dessa festa em honra de São Pedro. Geralmente os padres falam hoje (01/08/2014) de Santo Afonso Maria de Ligorio. Realmente, dentro da Igreja Católica existe desinformação. É por isso que tem católico indo para outras religiões. Que chato isso!!! Que Deus abençoe a todos.

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