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sábado, 9 de maio de 2015

São Gregório Nazianzeno, Bispo, Confessor e Doutor

9 de Maio 

São Gregório Nazianzeno

Bispo, Confessor e Doutor 


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Gregório nasceu de uma família nobre, em Arianzo, por volta de 330 d.C., filho de São Gregório e Santa Nonna, os quais tiveram ainda São Cesário e Santa Gorgônia, A mãe, uma santa mulher, o consagrou a Deus desde o nascimento.

Depois da primeira educação familiar, frequentou as mais célebres escolas da sua época: primeiro foi a Cesárea da Capadócia, onde estreitou amizade com Basílio, futuro Bispo daquela cidade; deteve-se, em seguida, em outras metrópoles do mundo antigo, como Alexandria do Egito e Atenas, onde reencontrou Basílio (cf. Oratio 14-24: SC 384, 146-180). Reevocando a sua amizade, Gregório escreverá mais tarde:

“Então não só eu me sentia cheio de veneração pelo meu grande Basílio, devido à seriedade dos seus costumes e à maturidade e sabedoria dos seus discursos, mas induzia a fazer o mesmo também a outros, que ainda não o conheciam... Guiava-nos a mesma ansiedade de saber... Esta era a nossa competição: não quem era o primeiro, mas quem permitisse ao outro de o ser. Parecia que tínhamos uma só alma em dois corpos” (Oratio 43, 16.20: SC 384, 154-156.164).


São palavras que representam um pouco o autorretrato desta alma nobre. Mas também se pode imaginar que este homem, que estava fortemente projetado para além dos valores terrenos, tenha sofrido muito pelas coisas deste mundo.

Tendo regressado à casa, Gregório recebeu o Batismo e orientou-se para uma vida monástica: a solidão, a meditação filosófica e espiritual fascinavam-no. Ele mesmo escreverá:

“Nada me parece maior do que isto: fazer calar os próprios sentidos, sair da carne do mundo, recolher-se em si mesmo, não se ocupar mais das coisas humanas, a não ser das que são estritamente necessárias; falar consigo mesmo e com Deus, levar uma vida que transcende as coisas visíveis; levar na alma imagens divinas sempre puras, sem misturar formas terrenas e erróneas; ser verdadeiramente um espelho imaculado de Deus e das coisas divinas, e tornar-se tal cada vez mais, tirando luz da luz...; gozar, na esperança presente, o bem futuro, e conversar com os anjos; ter já deixado a terra, mesmo estando na terra, transportado para o alto com o espírito” (Oratio 2, 7: SC 247, 96).

Como escreve na sua autobiografia (cf. Carmina [historica] 2, 1, 11 De vita sua 340-349: PG 37, 1053), recebeu a ordenação presbiteral com certa resistência, porque sabia que depois teria que ser Pastor, ocupar-se dos outros, das suas coisas, e, portanto, já não podia recolher-se só, na meditação. Contudo, aceitou esta vocação e assumiu o ministério pastoral em total obediência, aceitando, como com frequência lhe aconteceu na sua vida, ser guiado pela Providência aonde não queria ir (cf. Jo 21, 18).

Em 371, seu amigo Basílio, já Bispo de Cesárea, contra o desejo do próprio Gregório, quis consagrá-lo Bispo de Sasima, uma cidade extremamente importante da Capadócia. Mas ele, devido a várias dificuldades, nunca tomou posse dela e permaneceu na cidade de Nazianzo.

Por volta de 379, Gregório foi chamado a Constantinopla, para guiar a pequena comunidade católica fiel ao Concílio de Niceia e à Fé Trinitária. A maioria dos cristãos aderira ao Arianismo, que era “politicamente correto” e considerado pelos Imperadores útil, sob o ponto de vista político. Deste modo, ele encontrou-se em condições de minoria, circundado por hostilidades.

Na pequena igreja de Anastasis pronunciou cinco Discursos Teológicos (Orationes 27-31: SC 250, 70-343), precisamente para defender e tornar também inteligível a Fé Trinitária; a habilidade do raciocínio, que faz compreender realmente que esta é a lógica divina. E também o esplendor da forma os torna hoje fascinantes. Gregório recebeu, devido a estes discursos, o apelativo de “teólogo”. E isto porque para ele a teologia não é uma reflexão meramente humana, ou muito menos apenas o fruto de especulações complicadas, mas deriva de uma vida de oração e de santidade, de um diálogo assíduo com Deus. E precisamente assim mostra à nossa razão a realidade de Deus, o Mistério Trinitário. No silêncio contemplativo, imbuído de admiração diante das maravilhas do mistério revelado, a alma acolhe a beleza e a glória divina.

Enquanto participava do segundo Concílio Ecuménico de 381, Gregório foi eleito Bispo de Constantinopla, e assumiu a presidência do Concílio. Mas desencadeou-se imediatamente contra ele uma grande oposição, e a situação tornou-se insustentável.

Para uma alma tão sensível estas inimizades eram insuportáveis. Repetia-se o que Gregório já tinha lamentado anteriormente com palavras ardentes:

“Dividimos Cristo, nós que tanto amávamos Deus e Cristo! Mentimos uns aos outros devido à Verdade, alimentamos sentimentos de ódio devido ao Amor, dividimo-nos uns dos outros!” (Oratio 6, 3: SC 405, 128).

Chega-se assim, num clima de tensão, à sua demissão. Na catedral apinhada, Gregório pronunciou um discurso de despedida com grande afeto e dignidade (cf Oratio 42: SC 384, 48-114). Concluía a sua fervorosa intervenção com estas palavras:

“Adeus, grande cidade, amada por Cristo... Meus filhos, suplico-vos, guardai o depósito [da Fé] que vos foi confiado (cf. 1 Tm 6, 20), recordai-vos dos meus sofrimentos (cf. Cl 4, 18). Que a graça do nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos vós” (cf. Oratio 42, 27: SC 384, 112-114).

Regressou a Nazianzo, e por cerca de dois anos dedicou-se ao cuidado pastoral daquela comunidade cristã. Depois, retirou-se definitivamente em solidão na vizinha Arianzo, a sua terra natal, dedicando-se ao estudo e à vida ascética.

Nesse período compôs a maior parte da sua obra poética, sobretudo autobiográfica: o “De vita sua”, uma releitura em versos do próprio caminho humano e espiritual, um caminho exemplar de um cristão sofredor, de um homem de grande interioridade num mundo cheio de conflitos. É um homem que nos faz sentir a primazia de Deus e por isso fala também a nós, a este nosso mundo: sem Deus o homem perde a sua grandeza. Por isso, ouçamos esta voz e procuremos conhecer também nós o rosto de Deus. Numa das suas poesias escrevera, dirigindo-se a Deus: “Sê benigno, Tu, o Além de tudo” (Carmina [dogmatica] 1, 1, 29: PG 37, 508).

Em 390, Deus acolheu nos Seus braços este servo fiel, que com inteligência perspicaz O tinha defendido nos escritos, e com tanto amor O tinha cantado nas suas poesias.

“Tens uma tarefa”, diz São Gregório, “a tarefa de encontrar a verdadeira Luz, de encontrar a verdadeira altura de tua vida. E tua vida consiste em encontrar-te com Deus, de quem temos sede”. 



Visto em: http://www.veritatis.com.br/patristica/biografias/395-sao-gregorio-de-nanzianzo.
 

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