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quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Carpaccio: arte & culinária

O carpaccio é uma iguaria fina servida nas melhores festas e restaurantes mais sofisticados, e, ultimamente, começa a ser consumido também por toda parte. A origem desse prato é disputada entre duas cidades italianas: Veneza e Milão. Particularmente, estou propensa a crer mais na versão veneziana, depois explico melhor. 

Aqui as versões: 

1) De acordo com Arrigo Cipriani, atual dono do "Harry's Bar", em Veneza, o carpaccio foi inventado pelo cozinheiro do bar à época, porque uma senhora, a Condessa Amalia Nani Mocenigo, por ordem médicas, pois sofria de anemia, se via obrigada a alimentar-se de carne crua, mas não consegui engolir a carne em pedaços. Assim, pensou-se em fatiar a carne em lâminas bem finas para que a sensação desagradável fosse melhorada. O prato foi servido com um molho de mostarda, para disfarçar mais ainda o gosto. Deu certo. O carpaccio é uma delícia, com ou sem molho.
O nome se deve ao fundador e dono do "Harry's Bar" à época, Giuseppe Cipriani, que se inspirou nas telas do pintor veneziano Vittore Carpaccio, que estavam sendo expostas em Veneza à época, particularmente por causa da cor vermelho sangue que era costumeiramente usada pelo artista.


2) Outra versão é menos crível, mas é esta: o prato teria surgido no "Savini Restaurant", na famosa "Galeria Vittorio Emanuele", em Milão. Uma rica senhora, frequentadora assídua do restaurante, havia sido aconselhada a se alimentar apenas de carne crua. Naquele tempo, não era socialmente aceitável que uma mulher daquele status pedisse carne crua no restaurante mais elegante da cidade, por isso, o garçom sugeriu que ela usasse um nome diferente para isto. 
Por esta versão, o nome se deve ao fato de uma pintura de Vittore Carpaccio estar pendurada na parede do Savini naquele momento, e o garçom sugeriu, então, que carpaccio fosse um "código" para o prato, permitindo que ela pedisse aquele prato sem constrangimentos.  

Bom, está claro por que prefiro crer na versão veneziana. A milanesa é vaga e pouco crível. A veneziana possui mais elementos (críveis), como nomes, data, motivos: tanto do por que da carne crua, quanto do por que daquele nome. 

Seja como for, o carpaccio veio à luz e se eternizou. Hoje, é sinônimo do "corte", pois se refere a qualquer alimento fatiado em lâminas. 

Há outras maneiras de se comer a carne crua, como "à tartara" (basicamente carne moída e crua com molhos), ou o peixe cru, mais conhecido como "sashimi" (só o peixe) ou "sushi" (com arroz). Quem sabe falaremos nisso em outro post. 


* * *

Quem é Vittore Carpaccio


Vittore (ou Vittorio) Carpaccio (1465 — 1525/1526) nasceu em Veneza. Não se sabe nem a data nem o local exato de seu nascimento, mas que era filho de um mercador de peles de nome Pedro. O sobrenome, na realidade, seria Scarpazza ou Scarpazo, pois Carpaccio seria uma italianização das formas latinas Carpathius e Carpatio com as quais assinava suas obras. Os Scarpazo seriam oriundos da Ilha de Mazzorbo, e o ramo de onde vem Vittore teria se transferido a Veneza por volta de 1300, na paróquia de Sant'Angelo (Dorsoduro).

O primeiro documento a respeito dele que se tem é o testamento de um tio, o religioso fra' Ilario - ao século Zuane (Giovanni) Scarpazza - datado de 21 de setembro de 1472, no qual é declarado herdeiro substituto, no caso de briga entre os beneficiários originais. Supõe-se que à época do documento, Vittore tivesse ao menos quinze anos. Depois, seu nome aparece em um recibo de aluguel de 8 de agosto de 1486, no qual é descrito "de jovem idade" e informa que ainda habitava na casa paterna.

Nada se sabe também sobre sua época de aprendiz, mas a qualidade artística entre a primeira obra conhecida (
"Histórias de Santa Úrsula", de 1490, um grupo de nove telas, afixadas em quatro paredes) e seus trabalhos imediatamente posteriores resulta muito melhor, levando a crer que Carpaccio fosse à época ainda jovem e em plena formação.

A cidade de Veneza vivia naqueles anos uma extraordinária época de sucessos militares e comerciais, com uma grande riqueza e grandes encomendas artísticas, das quais Carpaccio esteve, a partir de 1490, entre os protagonistas.


Entre os séculos XV e XVI, foi um dos grandes "teleri" (teleiros = artistas que pintavam em telas de grandes dimensões), se tornando talvez a  melhor testemunha da vida, dos costumes e do aspecto extraordinários da Sereníssima (a República de Veneza) naqueles tempos. Como outros grandes mestres italianos de sua geração (Perugino, Luca Signorelli, Andrea Mantegna), depois de um período de lautos sucessos, viveu uma crise logo depois do começo do XVI século, por se recusar a assimilar os aportes revolucionários e modernos dos novos "grandes" (Leonardo da Vinci, Michelangelo, Raffaello, Giorgione e Tiziano). Viveu os últimos anos no interior, onde seu estilo ainda encontrava admiradores. 

Seu estilo é conservador, mostrando pouca influência do "Humanismo" da "Renascença", que transformou a pintura do "Renascimento" durante a época em que viveu. Influenciou-se pelo estilo de Antonello da Messina e da arte dos Países Baixos. Foi aluno de Lazzaro Bastiani, Giovanni Bellini e Antonio Vivarini, que eram chefes de um grande ateliê em Veneza.   

Em 1490, começou a pintar a famosa "Histórias de Santa Úrsula" (*), para a "Scuola di Santa Orsola", uma confraria beneficente de famílias ricas de Veneza. Durante sua vida, especializou-se em pinturas que narram cenas bíblicas. Sua obra é cheia de detalhes, em um tom quase medieval. A cor vermelho sangue é predominante em boa parte das obras. A última parte de sua vida no interior foi compartilhada pelos filhos Benedetto e Piero. Uma das últimas obras é o Cristo morto (1520), cheio de inúmeros símbolos de morte e com vários episódios fragmentados da vida de Cristo ao fundo, todos ligados ao fim da vida terrena de Cristo e à caducidade da vida humana. 

Não se sabe ao certo a data da morte também, mas, em 26 de junho de 1526, o filho Pietro, falando dele, acaba revelando que Carpaccio já havia morrido há época. 

Sua obra foi prolifera, mas, apesar da quantidade extraordinária de telas (especialmente de grandes dimensões) pintadas, talvez pelo fato de seus melhores trabalhos permanecerem em Veneza, sua arte tem sido negligenciada em comparação a outros seus contemporâneos.  


(*) Santa Ursula é comemorada no dia 21 de Outubro. Aqui a história dela: http://farfalline.blogspot.com.br/2014/10/santa-ursula-e-suas-companheiras.html



* * *  

ALGUMAS OBRAS


Clique nas imagens para ver melhor. Infelizmente, por terem sido coletadas na web, a cor nem sempre corresponde ao original e, assim, a beleza das obras acaba sendo ofuscada. 

Nascimento da Virgem

Fuga para o Egito

Morte da Virgem

Encontro dos peregrinos com o Papa Ciriaco
Histórias de Santa Ursula (6ª tela)

Encontro dos peregrinos com o Papa Ciriaco
Histórias de Santa Ursula (6ª tela)
Detalhe

Sangue do Redentor

Sonho de Santa Ursula
História de Santa Ursula (5ª tela)

São Jorge e o Dragão

A Anunciação à Virgem

Deus Pai com os anjos
atribuído recentemente a Carpaccio

Salvator Mundi

Apoteose de Santa Ursula
História de Santa Ursula (9ª e última tela)

Apresentação de Jesus no Templo

Cristo morto

São Paulo estigmatizado

Santo Agostinho em seu estúdio ou Visão de Santo Agostinho


* * * 


Texto e imagens: web
Tradução e organização: Giulia d'Amore



 
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