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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O amor venceu o aborto

DIREITO À VIDA - UMA REPARAÇÃO

A menina que eu não queria nascerá
de Isabella, 19 anos, Perugia (Itália)
26-11-2011
Publicamos o testemunho de Isabella, 19 anos, estudante de Enfermagem, que engravidou depois de um coetâneo que a deixou dizendo-lhe que não queria ser pai. Isabella corajosamente decidiu contar sua história, não um conto de fada de final feliz garantido, mas a tocante experiência de uma garota como muitas que, de repente, foi arremessada fora de sua cômoda normalidade, um acontecimento não privo de dúvidas, incertezas, medos e por isso mesmo extraordinariamente autêntica.


Parece que foi ontem. O dia em que descobri que estava grávida. O primeiro teste, a ansiedade que cresce; o segundo teste, positivo. Eu o fixava: positivo positivo. A sensação de desorientação (smarrimento) total me invade em um instante, o terror se apodera de mim, e eu, empedrada, incapaz de reagir. Descrever uma sensação dessas é difícil, quase impossível, é como uma vibração que nasce nas vísceras e se propaga por todo o corpo, um veneno letal que vem de dentro e que te consome as energias e apaga toda luz. A única coisa que eu era capaz de enxergar era a minha vida literalmente destruída, desmembrada, os meus projetos despedaçados, o futuro que estava construindo tornando-se uma utopia inalcançável. A pessoa que queria ser não existia mais, era uma recordação distante. Os meus sonhos haviam desvanecido, junto com meus 19 anos eu os havia perdido para sempre.

O simples pensamento de ter que comunicar a gravidez a meus pais me provocava um mal indescritível, a ideia de ver a decepção estampada em seus rostos e de perder a estima deles me enlouquecia, como sair desse desastre?

No entanto, a ideia de abortar me assustava muito muito mais, pensar em gélidos instrumentos entrando em mim e fazendo em pedaços um corpinho, não, não conseguiria suportar. Eu havia visto na internet algumas fotos terrificantes de fetos abortados nas primeiríssimas semanas… pequenas miniaturas de uma pessoa feita em pedaços, eu não conseguia... Dentro de mim havia uma vida concebida por engano, certamente não desejada, mas eu não iria resolver o problema daquela maneira, não iria remediar a um erro com outro erro maior e irreparável. No entanto, aquela criança realmente eu não a queria.

Contrariando minhas mais trágicas expectativas, quando, chorando e cheia de vergonha, contei a meus pais que esperava um bebê, não houve gritos nem batição de portas. Apenas silêncio, muita preocupação em seus rostos, lágrimas mal seguradas nos olhos de minha mãe e então muito muito conforto e amor. Não que o percurso tenha sido fácil, pelo contrário, mas nunca senti faltar esse amor, o de meus pais que, na confusão, me entenderam, e o de minha irmã mais velha que não me deixou sozinha nem um minuto.

Os primeiros três meses foram os mais difíceis. Muito antes da gravidez, o pai da criança, muito jovem como eu, já se mostrava instável e, o que é mais grave, mentiroso e violento. Eu era fraca e apaixonada, e não conseguia me afastar dele completamente porque às vezes acreditava em suas promessas, em suas palavras, mesmo que demostrasse desprezo por mim: “Sem mim, ficará sozinha por toda a vida”, dizia. Quando lhe disse que esperava um bebê, as reações foram alternadas. Primeiro, as explosões de ira, depois as pressões psicológicas: “na tua idade, o aborto é a única coisa inteligente a se fazer”, então as insinuações pesadas: “tem certeza que o pai sou eu?”, e aí desaparecia para voltar doce como o homem mais dócil do mundo, e eu o acolhia, toda vez na dor. No terceiro mês, desapareceu por completo, encontrara outra namorada. Sem fardos.

Foram momentos de profunda tristeza, eu sentia desprezo pela pessoa com que estive, pareceu-me muito claramente quanto ele fosse irremediavelmente vazio, superficial, gélido. Me odiava, me odiei por meses inteiros, talvez ainda me odeie por não ter-me afastado antes, porque sem ele, agora, eu teria ainda a min há vida de garota de vinte anos: os amigos, a universidade, a diversão.

No maior desconforto possível, aceitei, não sem dificuldade, falar com um sacerdote, a minha alma estava destroçada. Eu não queria aquele filho, mas sabia que nunca viveria serenamente fazendo a escolha mais ‘fácil’ e mais ‘óbvia’. Mesmo com medo e cheia de dúvidas, eu tinha clara uma coisa: eu não queria danar a minha alma realizando um ato tão terrível. Dom Fabio me tranquilizou, pois me sentia uma mãe degenerada – porque não queria matar eu aquela vida, mas desejava, esperava e, até, às vezes rezava para que eu tivesse um aborto espontâneo – mas ele me fez sentir absolutamente normal: “Este nascimento é uma graça”, dizia. Eu, para dizer a verdade, não acreditava, mas me sentia melhor.

Eu havia decidido confiar-me ao projeto de Deus, um projeto que eu não aceitava antes e ainda tenho dificuldade em compreender hoje. Era surreal, mas algum tempo antes de descobrir que estava grávida, eu estava refletindo exatamente sobre o projeto de Deus nas nossas vidas. Estava no hospital, fazendo a prática normal prevista por minha faculdade e todos os dias me deparava com pessoas que combatiam doenças devastadoras com uma força extraordinária. Sentia-me culpada, eu, porque estava bem, porque a minha vida era normalíssima, eu não tinha particulares dificuldades, porque dentro daquele hospital eu estava apenas para aprender e estudar, e não como aqueles doentes, estirada em uma cama para combater a dor e arrancar um dia à morte. Lembro-me bem que uma noite me dirigi a Deus, com uma gratidão imensa no coração, agradecendo-Lhe por esta vida tão perfeita em comparação com aquelas vidas de sofrimento. E naquela mesma noite, quando já estava na cama, perguntei-Lhe qual fosse o Seu projeto para mim, para a minha vida.

Eu não poderia imaginar que nem um mês depois a minha normalíssima vida seria virada de cabeça para baixo. Só de pensar nisso me dá vontade de rir.

Minha menina nascerá daqui a pouco mais que um mês e o admito, não sinto amor e nem afeto; me dizem que é normal, que quando ela nascer será diferente, mas ainda não sei o que fazer, não sei ainda se ficarei com ela ou se a darei em adoção. Não sei o que será melhor para mim, não sei o que será pior para ela.

Não me resta que confiar a Deus esta decisão, a enésima, esperando que me ilumine. Tanto o sei que ambas as decisões serão difíceis e dolorosas, ambas serão uma enorme renúncia. Certamente, não me arrependo de não ter abortado, teria sido antinatural porque eu entendi desde o primeiro momento que havia uma vida dentro de mim. Não ‘uma vida’ em abstrato, mas a vida de outra pessoa dentro de mim! Lembro, como fosse ontem, a primeira ecografia, quando ainda estava em tempo para abortar, e pela primeira vez eu escutei o coraçãozinho bater, eu chorei desesperadamente. Hoje, ao contrário, ironicamente, rio pensando a quem diz: “é apenas um coágulo de células”. Se for assim, deixe-o onde está e veja o que acontece. Não passa de um amontoado de células? Você diz que não é uma criança, então porque fazê-lo em pedaços? Deixe-o ficar em seu corpo, tranquilamente, tanto não está vivo, não é? Coragem, é ridículo... E, no entanto, todo dia se perdem no nada os prantos silenciosos de crianças que nunca terão uma vida porque o egoísmo da mamãe deles levou a melhor.

Estou no nono mês, ainda tenho muitas dúvidas, muitas incertezas, mas de uma coisa tenho certeza: há sempre uma alternativa ao aborto. E quem sustenta que dar o próprio filho em adoção seja um ato pior que o próprio aborto, deveria por a mão na consciência. Porque é um ato de amor, dor e sacrifício. Poderá conviver consigo mesma sabendo que aquele filho vive porque você decidiu não mata-lo. Sabendo que uma família cuidará dele com amor, e assim ele também terá uma chance nesta terra. Porque uma chance de viver você a teve e é justo que ele também a tenha. Porque uma chance a merecemos todos nós.

Fonte: La Bussola
Tradução: Giulia d'Amore di Ugento  


Leia mais sobre o aborto: http://farfalline.blogspot.com.br/p/aborto.html

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