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sexta-feira, 26 de junho de 2020

Os mistérios da água e do Sangue


Os mistérios da água e do Sangue 


Uma homilia de São Bernardino sobre o Coração rasgado, na passagem de São João (19,34): “mas um dos soldados abriu-lhe um lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água”. Do Ofício do Sagrado Coração de Jesus. 



Ex Corde scisso Ecclésia,

Christo jugáta, náscitur:

Hoc óstium arcæ in látere est

Génti ad salútem pósitum.[1] 

(Hino das Vésperas do Santíssimo Coração)[2] 



São João acrescentou: “mas um dos soldados abriu-lhe um lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água”. Ó amor que tudo desatas! Como, para a redenção nossa, abandonastes o nosso amante? De fato, para que o dilúvio do amor inundasse de todos os lados, foram rompidos sobre nós os grandes abismos; vale dizer, as profundezas[3] do Coração de Jesus, que, alcançando o íntimo, uma lança cruel não poupou. “E saiu sangue e água”. O Sangue da redenção, mas também a água correu para purificação; onde a Igreja foi formada do Lado de Cristo, para que ela saiba ser eternamente a única e amada de Cristo, e para que reconheça o quanto seja sentida a culpa pela qual saiu de tal forma o Sangue divino do Homem Deus vivo e morto. Não somos, portanto, de pouca monta, se para nós se versa o Sangue divino. 


A água literalmente não saiu misturada ao Sangue. De fato, não teria sido compreendido pelos ignorantes se tivesse saído misturada ao Sangue. E, talvez, todo o Sangue saiu daquele corpo divino em sinal de todo o amor doado; só depois saiu o humor áqueo. Isso ocorreu certamente por um grande mistério, para que primeiro saísse do mesmo Corpo o preço do resgate, e depois a água na qual está significada a multidão dos povos redimida. E visto que há muitas águas, muitos povos, todavia aqueles que pertencem à Fé Cristã formam um só povo fiel, de forma que não sejam “águas”, mas “água” que saiu do Lado de Cristo, como em 1Cor 10,17, diz o Apóstolo: “Visto que há um só Pão, nós, embora muitos, formamos um só Corpo, nós todos que participamos de um mesmo Pão. E, de novo, em Ef 4,5, diz: “Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo”. 


Porém, é de notar que o Lado de Cristo se diz “aberto” e não “ferido”: uma vez que não se pode fazer uma ferida se não em um corpo vivo. De fato, o Evangelista São João diz: “um dos soldados abriu-lhe um lado com uma lança”; para que, no Lado aberto, aprendamos o amor até a morte do seu Coração, e entremos naquele inefável amor seu, onde Ele chegou a nós. Apressemo-nos, portanto, até o seu Coração, Coração grande, Coração secreto, Coração que a tudo pensa, Coração que tudo conhece, Coração que ama, não... arde de amor; compreendamos a sua porta aberta ao menos na veemência do amor; entremos cordiformes no Secreto escondido desde a eternidade, mas agora revelado na morte quase pelo Lado aberto; pois a abertura do Lado demostra a abertura do Templo Eterno, onde é a felicidade perfeita de todos os seres. 

terça-feira, 2 de julho de 2019

Sobre a Ressurreição do Senhor



Meditação atribuída a S. Bernardo sobre a Ressurreição do Senhor  


“Maria Madalena percebeu Jesus que estava lá, mas ela não sabia que era Ele”. Que cena tocante, maravilhosa de amor e de piedade! Aquele que é buscado, que é desejado, se esconde enquanto Se manifesta. Ele Se esconde, para ser buscado com mais ardor; e, uma vez buscado, para ser encontrado com alegria; e, uma vez encontrado, para ser tomado com solicitude; e, uma vez tomado, para não ser deixado até que seja introduzido na câmara de Seu Amor para ali fazer Sua morada.

Tal é a arte da Sabedoria, quando ela se apresenta sobre toda a Terra e acha suas delícias com os filhos dos homens. “Mulher, por que choras?” Que buscas tu? Tu tens Aquele que buscas e O ignoras? Tu tens a alegria eterna e verdadeira, e tu choras? Tu tens no íntimo da alma Aquele que buscas no exterior. É verdade que ficas de fora, a chorar diante do túmulo. Tua alma é meu túmulo; não morto, mas vivo para a eternidade, Eu repouso. Tua alma é meu jardim; tiveste razão de pensar que Eu sou o jardineiro. Sou o segundo Adão, cultivo e guardo meu jardim do Paraíso. Tuas lágrimas, teu amor, teu desejo, tudo isto é minha obra; estou dentro de ti, e tu o ignoras; eis por que me buscas de fora. Eu me mostrarei também de fora, a fim de te levar para o interior, para que possas encontrar no interior o que buscas no exterior.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Os graus da humildade e os da soberba

OS DOZE GRAUS DA HUMILDADE:

I — Abster-se, por temor a Deus, a todo o momento, de qualquer pecado. 
II — Não amar a própria vontade. 
III — Submeter-se aos superiores com toda a obediência. 
IV — Abraçar, por obediência e pacientemente, as coisas ásperas e duras. 
V — Confessar os seus pecados. 
VI — Julgar-se indigno e inútil para tudo. 
VII — Reconhecer-se como o mais humilde de todos. 
VIII — Não sair da norma comum do mosteiro (*). 
IX — Esperar ser questionado para falar. 
X — Não ser de riso fácil. 
XI — Expressar-se com parcimônia e judiciosamente, sem erguer a voz. 
XII — Mostrar sempre humildade no coração e no corpo, com os olhos no chão.  



OS DOZE GRAUS DA SOBERBA: 

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A verdadeira história das Cruzadas

A verdadeira história das Cruzadas


Por Thomas F. Madden
São Bernardo de Clairvaux
Muitos historiadores têm tentado há já algum tempo esclarecer os factos em torno das Cruzadas visto que as más-concepções que são demasiado comuns. Para eles, este é um momento de ensinar sobre as Cruzadas no preciso momento em que as pessoas estão a prestar atenção.
Com a possível excepção de Umberto Eco, os estudiosos medievais não estão habituados a tanta atenção; nós temos a tendência de ser um grupo tranquilo (excepto durante as bacchanalia anuais que nós damos o nome de "International Congress on Medieval Studies" em Kalamazoo, Michigan, e logo aí), estando absorvidos a ler crónicas empoeiradas e a escrever estudos chatos e meticulosos que poucas pessoas irão ler. Imaginem, portanto, a minha surpresa quando no espaço de alguns dias após o 11 de Setembro, a Idade Média subitamente se tornou relevante.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

20 de agosto: São Bernardo de Claraval

20 de agosto 

São Bernardo

Abade e Doutor da Igreja 
+ 1153

Grande propagador da Ordem Cisterciense
Abade de Clarvaux (Claraval)


http://sacragaleria.blogspot.com/2014/07/sao-bernardo-de-claraval.html
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São Bernardo, descendente de família da alta nobreza, nasceu em 1091 no Castelo Fontaines, perto da cidade de Dijon, na Borgonha. Era filho de Tezelin e de Aleth (Alice, Isabel), da casa dos Montbar. Era o terceiro de sete irmãos, o mais querido da mãe, que, devido a um sonho misterioso, o consagrou a Deus de um modo particular, e com esmerado cuidado o enveredou para uma vida cristã toda exemplar. Dos cônegos de Chatillon recebeu seu preparo linguístico e dialético. Tinha dezenove anos, quando perdeu a mãe.

De formosura singular, inteligente e de modos cativantes, o mundo estendeu seus tentáculos, para prendê-lo nas suas malhas. Instintivamente, Bernardo recuou. Seu amor era mais nobre, mais sublime. Dizem seus biógrafos que, esperando ele pelo começo da Missa da meia-noite, na véspera do Natal, apareceu-lhe o Menino Jesus, envolto num encanto e beleza celestiais, visão esta que o fez renunciar por completo ao amor mundano. Diferente dos seus irmãos que seguiram a carreira militar, Bernardo tratou de abandonar o mundo e obter admissão na Ordem de Citeaux, havia pouco antes fundada. Em 1112, entraram ele e mais 30 companheiros, entre estes um tio e quatro amigos, além de muitos outros jovens das suas relações. Tão forte era a influência que exercia sobre o espírito dos seus amigos mais chegados que as mães e esposas procuravam dele afastar os filhos e maridos, com receio de lhes serem arrebatados.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Mães Cristãs: A mãe de S. Bernardo de Claraval

A mãe de S. Bernardo de Claraval 


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A bem-aventurada Aletha teve sete filhos que foram todos santos. O mais velho de seus filhos se chamava Guido e a este se seguiam Gerardo, Bernardo, André, Bartholomeu, Nivardo e uma filha chamada Umbelina. Os contemporâneos que pessoalmente  conheceram esta nobre família são unânimes em prestar grandes tributos de veneração a cada um de seus membros.

Eis o que diz um piedoso cronista do século XII, abade de Saint-Thierry:

"O filho mais velho de Aletha tinha um caráter grave e justo. Amado de Deus e cheio de modéstia, era dotado de uma notável inteligência que brilhava em todos os seus atos como em todas as suas palavras. Gerardo, o segundo filho, gozava da estima geral; tinha costumes simples e castos e uma rara prudência junto a uma não menos rara penetração de espírito. Bernardo, o terceiro, farol e modelo de seus irmãos, tornou-se uma forte coluna da Igreja. André, o quarto, tinha uma alma ingênua e terna, temente a Deus e infensa ao mal. Bartholomeu, na flor da idade, em saber e prudência avantajava os velhos e possuía todas as qualidades de uma vida sem mácula. Nivardo, o mais moço, preferiu os bens do céu às riquezas da terra. Umbelina, nascida em último lugar, soube fugir às atrações da vaidade mundana e chegou a ombrear em virtudes com os seus irmãos".

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

E Ele vem...

A partir de hoje, o blog entra em recesso quanto aos comentários. Há uma série de publicações programadas até a volta. Publicarei alguma notícia atual, se for o caso. 

Que a paz de Nosso Senhor desça em nossos corações neste Santo Natal, para que possamos, juntos com São Bernardo, ter um ardente desejo e um sentimento de espera confiante. 

Afinal, uma Promessa nos foi feita!


O ADVENTO DE NOSSO SENHOR JESUS TODO ANO NO NATAL...


Quanto mais é menor Jesus,
mais me parece amável

S. Bernardo de Claraval
“Costumo pensar frequentemente ao abrasador desejo que os Patriarcas tiveram da presença carnal de Cristo, e, então, dentro de mim, eu sinto humilhação e vergonha. Quase me ponho a chorar quando penso, com dor, à frieza e à indiferença desta nossa era mesquinha. Quando Ele, por graça, nos é mostrado, quem entre nós experimenta uma alegria tão imensa como aquela que inflamava os corações de nossos santos ancestrais pela promessa de Sua Encarnação? Pensem, quantos irão se alegrar por Sua natividade que nos preparamos a comemorar. Quem dera se alegrassem realmente de Seu nascimento. Mas isto acende em mim um ardente desejo e um sentimento de espera confiante”.

São Bernardo de Claraval¹ [1090-1153], "Sermone II", em “Do dever de amar a Deus e Sermões sobre o Cântico dos Cânticos”, Utet, Turim 1947, p. 77.




¹ Monge, místico, profeta, Abade, Doutor da Igreja. Varão de fogo, conselheiro de Papas e monarcas, denominado pelo Papa Inocêncio II de "muralha inexpugnável que sustenta a Igreja", São Bernardo foi também admirável arauto da Virgem Maria e um dos primeiros apóstolos da mediação universal da Mãe de Deus. Para ele, o Papa Pio XII escreveu a Encíclica “Doctor Mellifluus”, no VIII Centenário de sua morte, aos 24 de maio de 1953. Festa 20 de agosto.


**

domingo, 8 de janeiro de 2012

Domingo da Sagrada Familia: Homilia de São Bernardo Abade

Aprenda, homem, a obedecer; aprenda, terra, a submeter-se; aprenda pó a condescender  






"E estava a eles submisso" (Lc. 2,51). Quem? A quem? Deus aos homens; Deus, repito, ao qual obedecem os Principados e as Podestades, Deus era submisso a Maria; e não só a Maria, mas também a José por respeito a Maria. Admire-os, a ambos, e veja um pouco qual dos dois mereça mais o teu assombro: se o Filho, pela Sua benigníssima condescendência ou a Mãe, pela Sua sublime dignidade. De um lado o assombro, de outro o milagre. Humildade insuperável aquela de Deus que se submete a uma mulher [1]; excelência única aquela de uma mulher que comanda a Deus. Em louvor das virgens, canta-se como um privilégio o poder seguir, estas, o Cordeiro onde quer que vá (cf. Apoc. 14,4). Mas que louvores se poderiam entoar então em honra dAquela que caminha adiante do Cordeiro. 

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Vergine Madre, figlia del tuo figlio...

Reencontrei estes versos de Dante há algum tempo esquecidos...
Não me atrevi - ainda - a traduzir, pois requer tempo... e mais tempo!

Há uma versão em português pela net, mas é um pavor! Nem sei quem traduziu, mas vou dar um pequeno exemplo:

  • "Vergine Madre, figlia del tuo figlio", que seria: "Virgem Mãe, filha do teu filho" - quanta beleza e mistério!
  •  Versão na net: "Virgem Mãe, por teu Filho procriada"!!! That disgusting!

No final, uma interessante explicação que encontrei na net e de autoria desconhecida, mas divulgada por uma escola italiana: Liceo Scentifico G.B.Odierna.

Dizem que a alma nobre não precisa traduzir certos escritos humanos, de beleza e grandeza intrínsecas... confiarei nas nobres almas dos meus dois ou três leitores.


Canto xxxiii

ORAÇÃO DE SÃO bernardo À VIRGEM (ver. 1-39)


«Vergine Madre, figlia del tuo figlio,
umile e alta più che creatura,
termine fisso d'etterno consiglio,

  tu se' colei che l'umana natura
nobilitasti sì, che 'l suo fattore
non disdegnò di farsi sua fattura.

  Nel ventre tuo si raccese l'amore,
per lo cui caldo ne l'etterna pace
così è germinato questo fiore.

  Qui se' a noi meridiana face
di caritate, e giuso, intra ' mortali,
se' di speranza fontana vivace.

  Donna, se' tanto grande e tanto vali,
che qual vuol grazia e a te non ricorre
sua disianza vuol volar sanz'ali.

  La tua benignità non pur soccorre
a chi domanda, ma molte fiate
liberamente al dimandar precorre.

  In te misericordia, in te pietate,
in te magnificenza, in te s'aduna
quantunque in creatura è di bontate.

  Or questi, che da l'infima lacuna
de l'universo infin qui ha vedute
le vite spiritali ad una ad una,

  supplica a te, per grazia, di virtute
tanto, che possa con li occhi levarsi
più alto verso l'ultima salute.

  E io, che mai per mio veder non arsi
più ch'i' fo per lo suo, tutti miei prieghi
ti porgo, e priego che non sieno scarsi,

  perché tu ogne nube li disleghi
di sua mortalità co' prieghi tuoi,
sì che 'l sommo piacer li si dispieghi.

  Ancor ti priego, regina, che puoi
ciò che tu vuoli, che conservi sani,
dopo tanto veder, li affetti suoi.

  Vinca tua guardia i movimenti umani:
vedi Beatrice con quanti beati
per li miei prieghi ti chiudon le mani!».

  Li occhi da Dio diletti e venerati,
fissi ne l'orator, ne dimostraro
quanto i devoti prieghi le son grati;

  indi a l'etterno lume s'addrizzaro,
nel qual non si dee creder che s'invii
per creatura l'occhio tanto chiaro.

  E io ch'al fine di tutt'i disii
appropinquava, sì com'io dovea,
l'ardor del desiderio in me finii.

  Bernardo m'accennava, e sorridea,
perch'io guardassi suso; ma io era
già per me stesso tal qual ei volea:

  ché la mia vista, venendo sincera,
e più e più intrava per lo raggio
de l'alta luce che da sé è vera.

  Da quinci innanzi il mio veder fu maggio
che 'l parlar mostra, ch'a tal vista cede,
e cede la memoria a tanto oltraggio.

  Qual è colui che sognando vede,
che dopo 'l sogno la passione impressa
rimane, e l'altro a la mente non riede,

  cotal son io, ché quasi tutta cessa
mia visione, e ancor mi distilla
nel core il dolce che nacque da essa.

  Così la neve al sol si disigilla;
così al vento ne le foglie levi
si perdea la sentenza di Sibilla.

  O somma luce che tanto ti levi
da' concetti mortali, a la mia mente
ripresta un poco di quel che parevi,

  e fa la lingua mia tanto possente,
ch'una favilla sol de la tua gloria
possa lasciare a la futura gente;

  ché, per tornare alquanto a mia memoria
e per sonare un poco in questi versi,
più si conceperà di tua vittoria.

  Io credo, per l'acume ch'io soffersi
del vivo raggio, ch'i' sarei smarrito,
se li occhi miei da lui fossero aversi.

  E' mi ricorda ch'io fui più ardito
per questo a sostener, tanto ch'i' giunsi
l'aspetto mio col valore infinito.

  Oh abbondante grazia ond'io presunsi
ficcar lo viso per la luce etterna,
tanto che la veduta vi consunsi!

  Nel suo profondo vidi che s'interna
legato con amore in un volume,
ciò che per l'universo si squaderna:

  sustanze e accidenti e lor costume,
quasi conflati insieme, per tal modo
che ciò ch'i' dico è un semplice lume.

  La forma universal di questo nodo
credo ch'i' vidi, perché più di largo,
dicendo questo, mi sento ch'i' godo.

  Un punto solo m'è maggior letargo
che venticinque secoli a la 'mpresa,
che fé Nettuno ammirar l'ombra d'Argo.

  Così la mente mia, tutta sospesa,
mirava fissa, immobile e attenta,
e sempre di mirar faceasi accesa.

  A quella luce cotal si diventa,
che volgersi da lei per altro aspetto
è impossibil che mai si consenta;

  però che 'l ben, ch'è del volere obietto,
tutto s'accoglie in lei, e fuor di quella
è defettivo ciò ch'è lì perfetto.

  Omai sarà più corta mia favella,
pur a quel ch'io ricordo, che d'un fante
che bagni ancor la lingua a la mammella.

  Non perché più ch'un semplice sembiante
fosse nel vivo lume ch'io mirava,
che tal è sempre qual s'era davante;

  ma per la vista che s'avvalorava
in me guardando, una sola parvenza,

mutandom'io, a me si travagliava.

  Ne la profonda e chiara sussistenza
de l'alto lume parvermi tre giri
di tre colori e d'una contenenza;

  e l'un da l'altro come iri da iri
parea reflesso, e 'l terzo parea foco
che quinci e quindi igualmente si spiri.

  Oh quanto è corto il dire e come fioco
al mio concetto! e questo, a quel ch'i' vidi,
è tanto, che non basta a dicer 'poco'.

  O luce etterna che sola in te sidi,
sola t'intendi, e da te intelletta
e intendente te ami e arridi!

  Quella circulazion che sì concetta
pareva in te come lume reflesso,
da li occhi miei alquanto circunspetta,

  dentro da sé, del suo colore stesso,
mi parve pinta de la nostra effige:
per che 'l mio viso in lei tutto era messo.

  Qual è 'l geomètra che tutto s'affige
per misurar lo cerchio, e non ritrova,
pensando, quel principio ond'elli indige,

  tal era io a quella vista nova:
veder voleva come si convenne
l'imago al cerchio e come vi s'indova;

  ma non eran da ciò le proprie penne:
se non che la mia mente fu percossa
da un fulgore in che sua voglia venne.

  A l'alta fantasia qui mancò possa;
ma già volgeva il mio disio e 'l velle,
sì come rota ch'igualmente è mossa,

  l'amor che move il sole e l'altre stelle.

Dante. Divina Commedia. Paradiso. Canto XXXIII.





Decimo céu: empÍreo - Visão de Deus.


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