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terça-feira, 2 de julho de 2019

Sobre a Ressurreição do Senhor



Meditação atribuída a S. Bernardo sobre a Ressurreição do Senhor  


“Maria Madalena percebeu Jesus que estava lá, mas ela não sabia que era Ele”. Que cena tocante, maravilhosa de amor e de piedade! Aquele que é buscado, que é desejado, se esconde enquanto Se manifesta. Ele Se esconde, para ser buscado com mais ardor; e, uma vez buscado, para ser encontrado com alegria; e, uma vez encontrado, para ser tomado com solicitude; e, uma vez tomado, para não ser deixado até que seja introduzido na câmara de Seu Amor para ali fazer Sua morada.

Tal é a arte da Sabedoria, quando ela se apresenta sobre toda a Terra e acha suas delícias com os filhos dos homens. “Mulher, por que choras?” Que buscas tu? Tu tens Aquele que buscas e O ignoras? Tu tens a alegria eterna e verdadeira, e tu choras? Tu tens no íntimo da alma Aquele que buscas no exterior. É verdade que ficas de fora, a chorar diante do túmulo. Tua alma é meu túmulo; não morto, mas vivo para a eternidade, Eu repouso. Tua alma é meu jardim; tiveste razão de pensar que Eu sou o jardineiro. Sou o segundo Adão, cultivo e guardo meu jardim do Paraíso. Tuas lágrimas, teu amor, teu desejo, tudo isto é minha obra; estou dentro de ti, e tu o ignoras; eis por que me buscas de fora. Eu me mostrarei também de fora, a fim de te levar para o interior, para que possas encontrar no interior o que buscas no exterior.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Do perfeito amor de Deus



São Boaventura, Do perfeito amor de Deus 



A exemplo de São Francisco, Santa Clara e suas filhas também querem chegar ao cimo da montanha da perfeição do amor. A propósito disso, transcrevemos parte do VII capítulo (“Do perfeito amor de Deus”) de um interessantíssimo opúsculo que São Boaventura escreveu à abadessa das Irmãs do convento de Assis, sobre “A perfeição da vida”:

Não é possível excogitar um meio mais apto e mais fácil para mortificar os vícios, para progredir na graça, para atingir o auge de todas as virtudes do que a caridade. Por isso diz Próspero, no seu livro “Sobre a vida Contemplativa”: “A caridade é a vida das virtudes e a morte dos vícios”. Como a cera se derrete diante do fogo, assim os vícios perecem diante da caridade. Porque a caridade possui tanto poder que só ela fecha o Inferno, só ela abre o Céu, só ela dá a esperança da salvação, só ela nos torna dignos do amor de Deus. Tal poder possui a caridade que entre todas as virtudes só ela é chamada propriamente virtude. Quem a possui é rico, tem abundância, é feliz. [...] E diz Santo Agostinho: ‘Se a virtude conduz a uma vida bem-aventurada, eu quisera afirmar em absoluto que nada é propriamente virtude senão o sumo amor de Deus’. Sendo, por conseguinte, o amor de Deus uma virtude tão elevada, cumpre insistir em alcançá-lo acima de todas as demais virtudes; porém, não um amor qualquer, mas só aquele com que Deus é amado sobre todas as coisas e o próximo por amor de Deus. O modo de amar a teu Criador ensina-o o teu esposo no Evangelho: ‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma e de todo o teu espírito’. Repara bem, caríssima serva de Jesus Cristo, que amor o teu dileto esposo exige de ti. Quer o teu amado que ao seu amor dediques todo o teu coração, toda a tua alma, todo o teu espírito, de sorte que absolutamente ninguém, em todo o teu coração, em toda a tua alma, em todo o teu espírito, tenha parte com Ele. Que, pois, fará para amares o Senhor teu Deus realmente de todo o coração? Que quer dizer: de todo o coração? Vê como São João Crisóstomo ensina: “Amar a Deus de todo o coração significa não estar o teu coração inclinado a nenhuma outra coisa mais do que ao amor de Deus; não te comprazeres nas coisas desse mundo mais do que em Deus, nem nas honras, nem mesmo nos pais. Se, todavia, o teu coração se ocupar em alguma destas coisas, já não O amas de todo o coração”. Peço-te, serva de Cristo, não te iludas. Fica sabendo que, se amas alguma coisa, e não a amas em Deus e por Deus, já não O amas de todo o coração. Por isso diz Santo Agostinho: “Senhor, menos te ama quem ama alguma coisa Contigo”. Se amas alguma coisa que não te faz progredir no amor de Deus, não O amas de todo coração. E se, por amor de alguma coisa, negligencias aquilo que deves a Cristo, já não O amas de todo o coração. Ama, pois, o Senhor teu Deus de todo o coração.  
Não somente de todo o coração, mas também de toda a alma devemos amar a Jesus Cristo, Nosso Deus e Senhor. Que significa: de toda a alma? Vai dizê-lo Santo Agostinho: “Amar a Deus de toda a alma é amá-lO com toda a vontade, sem restrições”. Amarás, certamente, de toda a alma, se sem contradição e de boa vontade fizeres não o que tu queres, nem o que aconselha o mundo, nem o que te inspira a carne, mas aquilo que reconheceres como sendo a vontade de Deus. Amarás, de fato, a Deus de toda a tua alma quando por amor de Jesus Cristo entregares de boa vontade tua vida à morte, sendo necessário. Se nisto, porém, faltares, já não amas de toda a alma. Ama, pois, ao Senhor teu Deus de toda a tua alma, isto é, faze a tua vontade sempre em conformidade com a vontade divina. 
Entretanto, não só de todo o coração, não só de toda a alma, deves amar o teu esposo, Jesus Cristo. Ama-O também de todo o teu espírito. Que quer dizer: de todo o teu espírito? Di-lo novamente Santo Agostinho: “Amar a Deus de todo o espírito, é amá-lO com toda a memória, sem esquecimento”. 

(In “Obras Escolhidas”. p. 433-435). 
      

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Amor excessivo de Jesus Cristo para com os homens.

Nos praedicamus Chirstum crucifixum, Iudaeis quidem scandalum, gentibus autem stultitiam – "Nos pregamos a Cristo crucificado, que é de fato para os judeus escândalo e para os gentios loucura" (I Cor. 1, 23).

Sumário. O mistério da Redenção é tão sublime, que os gentios o chamavam uma loucura. Julgavam impossível que um Deus onipotente e felicíssimo se tivesse feito homem e tivesse morrido numa cruz pela salvação dos homens. Como há, pois, cristão que sabem isso pela fé, e veem um Deus tornado, por assim dizer, louco por amor dos homens, e todavia vivem sem o amar, e mesmo o ofendem e injuriam?... Se no passado nos unimos àqueles ingratos para ofender Jesus, peçamos-lhe humildemente perdão.

I. São Paulo diz que os gentios, ouvindo-o pregar de Jesus crucificado por amor dos homens, olhavam isto como uma incrível loucura. E como, diziam eles, seria possível crer que um Deus todo-poderoso, que de ninguém tinha necessidade para ser o que é, infinitamente feliz, haja querido, para salvar os homens, fazer-se homem e morrer numa cruz? Seria isto a mesma coisa, diziam eles, que crer um Deus tornado louco por amor dos homens: para os gentios uma loucura. E por isto deixavam de crer.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Em toda parte Deus dá o seu amor aos que lhe pertencem, por meio do Espírito Santo



É verdadeira caridade, é perfeito amor, o sentimento que demonstraste para com minha humilde pessoa, ó homem realmente santo, justamente abençoado e muito amado. Por intermédio de Juliano, um dos meus amigos, que regressava de Cartago, recebi tua carta. Ela trouxe até mim a luz da tua santidade; por ela, mais reconheci do que conheci a tua caridade para comigo. Porque esta caridade procede d'Aquele que, desde a origem do mundo, nos predestinou para Si; n'Ele fomos criados antes de nascer; Ele mesmo nos fez e somos Seus (Sl 99,3), Ele que fez tudo quanto havia de existir. Formados, pois, pela Sua presciência e ação, ficamos unidos antes mesmo de nos conhecermos, pelos laços da caridade, num mesmo sentimento e na unidade da Fé ou na fé da Unidade. Assim, antes ainda de nos vermos pessoalmente, já nos conhecemos por revelação do Espírito Santo.

Por isso, me felicito e me glorio no Senhor que, sendo o mesmo e único, em toda parte dá o Seu amor aos que lhe pertencem, por meio do Espírito Santo. Este amor foi derramado pelo mesmo Espírito em todo ser humano, e é semelhante à torrente impetuosa de um rio que alegra a Sua cidade. Nela fostes merecidamente colocado pela Sé Apostólica como chefe espiritual de seus cidadãos, com os nobres do seu povo (Sl 112,8). Eu também, que estava prostrado por terra, fui erguido por ela para tomar parte no mesmo ministério que o teu. Mais me alegra, porém, aquela graça que o Senhor me fez, ao preparar um lugar para mim no íntimo do teu coração e conceder-me a tua amizade. Assim, posso me gloriar com toda confiança no teu amor, que tão empenhadamente me mostraste com estes serviços, e que me obriga a corresponder com amor semelhante. 

Para que nada ignores a meu respeito, fica sabendo que fui por muito tempo um pobre pecador; e que, se fui retirado das trevas e da sombra da morte recebendo o sopro da vida, se pus as mãos no arado e comecei a carregar a Cruz do Senhor, preciso todavia do auxílio de tuas preces para perseverar até o fim. Será uma recompensa que irá juntar-se a teus méritos, se me ajudares, com esta intercessão, a carregar o meu fardo. Pois o santo que ajuda a quem trabalha, não ouso chamar-te simplesmente de irmão, será exaltado como uma grande cidade.

Enviamos à tua santidade um pão em sinal de unidade, que é também símbolo da indivisível Trindade. Digna-te aceitá-lo como uma bênção.

Das Cartas de São Paulino de Nola, Bispo e Confessor, século IV (Epist. 3 ad Alypium, 1.5.6: CSEL 29,13-14.17-18). 


quarta-feira, 20 de abril de 2016

Madame Gabrielle Lefebvre: "oh! Jesus meu, vos amo"!

"Eu quisera dizer em cada minuto,
em cada segundo, eternamente,

oh! Jesus meu, vos amo’,

e que assim eu faça dia e noite,
nos momentos difíceis
e também nos mais fervorosos
.”

 
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sábado, 9 de janeiro de 2016

Meditação: O que é amor, senão exagero?

O QUE É AMOR, SENÃO EXAGERO?




Nosso Senhor quer estabelecer em nós um amor apaixonado por Ele. Toda a virtude, todo o pensamento que não termina em uma paixão, que não acaba por converter-se em uma paixão, jamais produzirá algo grande.


O amor apenas triunfa quando se torna uma paixão vital. Sem isso, podem produzir-se atos isolados de amor, mais ou menos frequentes, mas a vida não se verá tomada por ele.


Nosso amor, para que seja uma paixão, deve sofrer as leis das paixões humanas. Falo das paixões honestas, naturalmente boas; pois as paixões são indiferentes em si mesmas, somos nós quem as tornamos más quando as dirigimos para o mal, mas depende de nós encaminhá-las para o bem.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Como, desprezando o mundo, é doce servir a Deus

Como, desprezando o mundo, é doce servir a Deus


1. A alma: De novo, Senhor, Vos falarei, e não me calarei; direi aos ouvidos de meu Deus, meu Senhor e meu Rei, que está nas alturas: Quão grande, Senhor, é a abundância da doçura que reservastes aos que Vos temem! (Sl 30,20). Mas que será para os que Vos amam e de todo o coração Vos servem? É verdadeiramente inefável a doçura da contemplação que concedeis aos que Vos amam. Nisto, particularmente, me manifestastes a doçura de Vosso amor: quando não era, Vós me criastes e quando andava longe de Vós, perdido no erro, me reconduzistes a Vos servir e me destes o preceito de Vos amar.

2. Ó fonte perene de amor, que direi de Vós? Como poderia eu esquecer-me que Vos dignastes lembrar-Vos de mim, ainda depois de depravado e perdido? Além de toda esperança, usastes de misericórdia para com Vosso servo, e acima de todo mérito me prodigalizastes Vossa graça e amizade. Com que poderei agradecer-Vos tal mercê? Porque nem a todos é dado deixar tudo, renunciar ao mundo e abraçar a vida religiosa. Será porventura mérito que eu Vos sirva, quando toda criatura tem obrigação de Vos servir? Não me deve parecer grande coisa que eu Vos sirva; antes devo considerar grande e digno de admiração que Vos digneis receber-me, pobre e indigno como sou, em Vosso serviço e associar-me aos Vossos servos prediletos.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

TRIUNFA O AMOR

Uma pausa para os corações amargurados por causa do que sai da boca do Bispo de Roma. Mantenhamos a serenidade. Deus está de olho, sempre. Cristo é o deleite de nossa alma e a Ele devemos olhar, à sua Cruz, quando estamos em desassossego, em tentação, em perigo de perder a Fé, porque o Amor dEle triunfará. 



Cum dilexisset suos qui erant in mundo, in finem dilexit eos — “Como tinha amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim” (Io. 13, 1).

Sumário. Posto que o Senhor é todo-poderoso, pode-se todavia dizer que foi vencido pelo amor. O amor levou-O a não só morrer por nós, pregado num patíbulo infame, como a instituir ainda o Santíssimo Sacramento, onde se dá a cada um sem reserva, sem interesse próprio e sempre. Mas se um Deus se dá a nós de tal modo, é de toda a justiça que nós também lhe façamos semelhante oferta; protestando que queremos servi-Lo em todas as coisas e sempre, sem aspirarmos à recompensa e unicamente para Lhe agradarmos e Lhe darmos gosto no tempo e na eternidade.

I. Nosso Deus é todo-poderoso: quem O poderá jamais vencer e subjugar? Todavia, diz São Bernardo, foi vencido e subjugado pelo seu amor para com os homens: Triumphat de Deo amor. Com efeito, o amor levou-O, não só a morrer condenado a um patíbulo infame; mas ainda a instituir o Santíssimo Sacramento da Eucaristia, no qual se dá a nós sem reserva, sem interesse próprio e sempre.

Sem reserva: Totum tibi dedit, nihil sibi reliquit. Deu-se todo, não se reservou nada — diz São Crisóstomo. E São Francisco de Sales acrescenta: “Se um príncipe enviasse a um pobre algumas iguarias de sua mesa, não haveria nisto um sinal bem distinto de afeição? Que se diria, se lhe enviasse um banquete completo? Que seria enfim, se lhe desse para sustento alguma coisa de sua própria substância? Ora, Jesus, na santa comunhão, nos dá para sustento, não só uma parte de sua substância, mas o seu corpo inteiro: Accipite et comedite: hoc est corpus meum (1) — “Tomai e comei: isto é o meu corpo”. E com o corpo dá-nos também a sua alma e a sua divindade, de modo que, na palavra do Concilio de Trento, Jesus neste dom derramou todos os tesouros de seu amor para com os homens.

domingo, 14 de abril de 2013

SÃO FRANCISCO DE ASSIS: O amor não é amado

O AMOR NÃO É AMADO


Um dia, Frei Leão, o fiel "secretário" do Poverello, sempre atento a tudo o que acontecia na vida do Pai e Irmão Francisco, o ouviu a chorar, a poucos metros desta Basílica, e, mesmo com certa dificuldade, conseguiu ouvir aquelas célebres palavras do “Estigmatizado da Verna”: “o amor não é amado”, “o amor não é amado”. Com muito respeito, como o que tem aquele que entra no santuário da mais profunda intimidade de um homem de Deus, Leão pergunta: “Porque choras, Frei Francisco?”. Francisco não responde, apenas continua a dizer: “o amor não é amado”, “o amor não é amado”…

Leão, talvez para consolá-lo, mas totalmente convencido do que dizia, interrompe o choro de Francisco e lhe diz: “Mas Francisco, não te parece que já fizeste o bastante por Jesus deixando o teu pai e a tua mãe, os teus amigos e um futuro de glória?” E Francisco responde: “Não, não é o bastante”.

“Mas Francisco” - continua dizendo Leão – “não te parece que já fizeste o bastante despindo-te de tuas vestes diante de todos, pedindo esmola pela estradas de tua [própria] cidade, abraçando um leproso... de tal forma a ser considerado um louco?”.  “Não, não é o bastante”, responde de novo Francisco.

Pela terceira vez, Leão insiste: “Francisco, não te parece suficiente sofrer como estás sofrendo por causa dos Estigmas, da rebelião dos Ministros, da enfermidade nos olhos?”. E, mais uma vez, Francisco, desta vez com voz forte, grita: “Não, não é o bastante, não é o bastante, não é o bastante!”. E conclui: “Escreva e guarde em teu coração, Frei Leão, Deus é o ‘nunca é o bastante’...”.


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Visto em:  http://www.facebook.com/notes/io-francesco/lamore-non-%C3%A8-amato/149077661801796.
Tradução: Giulia d'Amore



O POEMA


O Amor não é amado!



O camponês perguntou: Que aconteceu,
irmão, por que estás chorando?

O irmão respondeu:
Meu irmão,
o meu Senhor está na Cruz
e me perguntas por que choras?

Quisera ser neste momento
o maior oceano da terra,
para ter tudo isso de lágrimas.

Quisera que se abrissem
ao mesmo tempo todas
as comportas do mundo
e se soltassem
as cataratas
e os dilúvios
para me emprestarem
mais lágrimas.

Mas ainda que juntemos
todos os rios e mares,
não haverá lágrimas
suficientes para chorar
a dor e o amor
de meu Senhor crucificado.

Quisera ter as asas invencíveis
de uma águia para atravessar
as cordilheiras e gritar
sobre as cidades:

O Amor não é amado!
O Amor não é amado!

Como é que os homens podem amar
uns aos outros se não amam o Amor?


São Francisco de Assis (não comprovado)



Recebido por e-mail, de Thiago Maria 
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Fonte: http://precantur.blogspot.com/2013/04/o-amor-nao-e-amado.html.


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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

LIGÓRIO: o pecado de Adão e o amor de Deus

O pecado de Adão e o amor de Deus para com os homens.


Et nume quid mihi est hic, dicit Dominus, quioniam ablatus est populus meus gratis? – "E agora, que tenho Eu que fazer aqui, diz o Senhor, visto ter sido levado sem nenhuma razão o meu povo?" (Isa. 52, 5.)

Sumário. Peca Adão, nosso primeiro pai, e em castigo de seu pecado é expulso do paraíso terrestre com toda a sua descendência condenado a uma vida de misérias e excluído para sempre do céu. O Senhor, porém, teve compaixão dele, e como se a sua beatitude dependesse da dos homens, e ele não pudesse ser feliz sem estes, resolveu a todo o custo salvá-los. Ó incompreensível amor de Deus! Mas, como é que nós lhe temos correspondido?

I. Adão, nosso primeiro pai, peca; desagradecido por tantos benefícios recebidos, revolta-se contra Deus, transgredindo o preceito de não comer da árvore proibida. Por esse motivo vê-se Deus constrangido a expulsá-lo agora do paraíso terrestre e a privar no futuro, tanto Adão como todos os descendentes deste revoltoso, do paraíso celeste e eterno, que lhes havia preparado para depois desta vida temporal. Eis, pois, todos os homens condenados a uma vida de trabalhos e misérias, e para sempre excluídos do céu. O demônio tem poder sobre eles, e incalculáveis são os estragos que o inferno continuamente faz.

Vendo, porém, o Senhor os homens reduzidos a tão mísero estado, compadeceu-se deles. Mas, como nos dá a entender o profeta Isaías, parece que Deus, por assim dizer, se lamenta e se aflige, dizendo: Et nunc quid mihi est hic, quoniam ablatus est populus meus grátis? – "E agora, que tenho Eu que fazer aqui, visto ter sido levado sem nenhuma razão o meu povo?" Como se quisesse dizer: que me restou de delícia no paraíso, uma vez que perdi os homens que eram as minhas delícias? Mas, não; quero a todo o custo salvá-los; venha, por isso, um redentor, que em lugar do homem satisfaça à minha justiça e assim o redima da morte eterna.

Mas, meu Senhor, tendes no céu tantos serafins e tantos anjos, e de tal modo Vos aflige o terdes perdido os homens? Que precisão tendes Vós, tanto dos anjos como dos homens, para a perfeição de vossa beatitude? Sempre tendes sido e sempre sois felicíssimo em Vós mesmo: que poderá amais faltar à vossa felicidade que é infinita? – Tudo isso é verdade (assim o faz responder o cardeal Hugo), mas, perdido o homem, afigura-se-me ter perdido tudo, porquanto as minhas delícias eram estar com os homens; agora perdi os homens, e os infelizes estão condenados a viver para sempre longe de mim. – Ó amor imenso de Deus! Ó amor incompreensível! Ó amor infinito!

II. Ó meu Senhor, como é possível que, depois de terdes reparado, com a morte do vosso divino Filho, os danos causados pelo pecado, tenha eu tornado tantas vezes a renová-los voluntariamente, com as ofensas que Vos tenho feito? Vós me salvastes à custa de tamanhos sacrifícios, e eu tão repetidas vezes tenho querido perder-me, perdendo-Vos, a Vós, Bem infinito. Inspirai-me, porém, confiança à vossa palavra, que, se o pecador se converter a Vós, não Vos recusareis a abraçá-lo: Convertimini ad me et convertar ad vos (1) – "Convertei-vos a mim e eu me converterei a vós." Vede, Senhor, que sou um daqueles rebeldes, um ingrato e traidor que por mais de uma vez Vos voltei as costas e Vos expulsei da minha alma. Pesa-me de todo o coração de Vos haver assim ofendido e desprezado a vossa graça. Pesa-me, e amo-Vos acima de todas as coisas. A porta do meu coração já está aberta para Vós: entrai nele, mas entrai para nunca mais Vos retirardes. Sei que nunca Vos retirareis, se eu não tornar a expulsar-Vos. Eis ai o que me faz medo, eis aí também a graça que espero pedir-Vos sempre; deixai-me morrer antes que venha a cometer para convosco semelhante nova e maior ingratidão.

Jesus, meu caro Redentor, pelas ofensas que Vos tenho feito mereceria não mais poder amar-Vos; mas pelos vossos méritos, peço-Vos o dom do vosso santo amor. Por isso fazei com que eu conheça o grande bem que sois, o amor que me tendes dedicado e quanto tendes feito para me obrigar a Vos amar. Ah! Meu Deus e Salvador meu, que eu não viva doravante tão ingrato à vossa tão grande bondade. Não quero separar-me mais de Vós, meu Jesus, basta de pecados. É justo que eu empregue os anos de vida que me restam inteiramente em Vos amar e dar-Vos gosto. Jesus meu, Jesus meu, ajudai-me; ajudai um pecador que Vos quer amar. – Ó Maria, minha Mãe, vós podeis tudo para com Jesus, visto que sois sua Mãe, dizei-lhe que me perdoe; dizei-lhe que me prenda com os laços do seu santo amor. Vós sois a minha esperança; confio em vós. (*III 667.)

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1. Zach. 1, 3.

(LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 10-12.)

Fonte: São Pio V 

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