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terça-feira, 4 de junho de 2019

Do perfeito amor de Deus



São Boaventura, Do perfeito amor de Deus 



A exemplo de São Francisco, Santa Clara e suas filhas também querem chegar ao cimo da montanha da perfeição do amor. A propósito disso, transcrevemos parte do VII capítulo (“Do perfeito amor de Deus”) de um interessantíssimo opúsculo que São Boaventura escreveu à abadessa das Irmãs do convento de Assis, sobre “A perfeição da vida”:

Não é possível excogitar um meio mais apto e mais fácil para mortificar os vícios, para progredir na graça, para atingir o auge de todas as virtudes do que a caridade. Por isso diz Próspero, no seu livro “Sobre a vida Contemplativa”: “A caridade é a vida das virtudes e a morte dos vícios”. Como a cera se derrete diante do fogo, assim os vícios perecem diante da caridade. Porque a caridade possui tanto poder que só ela fecha o Inferno, só ela abre o Céu, só ela dá a esperança da salvação, só ela nos torna dignos do amor de Deus. Tal poder possui a caridade que entre todas as virtudes só ela é chamada propriamente virtude. Quem a possui é rico, tem abundância, é feliz. [...] E diz Santo Agostinho: ‘Se a virtude conduz a uma vida bem-aventurada, eu quisera afirmar em absoluto que nada é propriamente virtude senão o sumo amor de Deus’. Sendo, por conseguinte, o amor de Deus uma virtude tão elevada, cumpre insistir em alcançá-lo acima de todas as demais virtudes; porém, não um amor qualquer, mas só aquele com que Deus é amado sobre todas as coisas e o próximo por amor de Deus. O modo de amar a teu Criador ensina-o o teu esposo no Evangelho: ‘Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma e de todo o teu espírito’. Repara bem, caríssima serva de Jesus Cristo, que amor o teu dileto esposo exige de ti. Quer o teu amado que ao seu amor dediques todo o teu coração, toda a tua alma, todo o teu espírito, de sorte que absolutamente ninguém, em todo o teu coração, em toda a tua alma, em todo o teu espírito, tenha parte com Ele. Que, pois, fará para amares o Senhor teu Deus realmente de todo o coração? Que quer dizer: de todo o coração? Vê como São João Crisóstomo ensina: “Amar a Deus de todo o coração significa não estar o teu coração inclinado a nenhuma outra coisa mais do que ao amor de Deus; não te comprazeres nas coisas desse mundo mais do que em Deus, nem nas honras, nem mesmo nos pais. Se, todavia, o teu coração se ocupar em alguma destas coisas, já não O amas de todo o coração”. Peço-te, serva de Cristo, não te iludas. Fica sabendo que, se amas alguma coisa, e não a amas em Deus e por Deus, já não O amas de todo o coração. Por isso diz Santo Agostinho: “Senhor, menos te ama quem ama alguma coisa Contigo”. Se amas alguma coisa que não te faz progredir no amor de Deus, não O amas de todo coração. E se, por amor de alguma coisa, negligencias aquilo que deves a Cristo, já não O amas de todo o coração. Ama, pois, o Senhor teu Deus de todo o coração.  
Não somente de todo o coração, mas também de toda a alma devemos amar a Jesus Cristo, Nosso Deus e Senhor. Que significa: de toda a alma? Vai dizê-lo Santo Agostinho: “Amar a Deus de toda a alma é amá-lO com toda a vontade, sem restrições”. Amarás, certamente, de toda a alma, se sem contradição e de boa vontade fizeres não o que tu queres, nem o que aconselha o mundo, nem o que te inspira a carne, mas aquilo que reconheceres como sendo a vontade de Deus. Amarás, de fato, a Deus de toda a tua alma quando por amor de Jesus Cristo entregares de boa vontade tua vida à morte, sendo necessário. Se nisto, porém, faltares, já não amas de toda a alma. Ama, pois, ao Senhor teu Deus de toda a tua alma, isto é, faze a tua vontade sempre em conformidade com a vontade divina. 
Entretanto, não só de todo o coração, não só de toda a alma, deves amar o teu esposo, Jesus Cristo. Ama-O também de todo o teu espírito. Que quer dizer: de todo o teu espírito? Di-lo novamente Santo Agostinho: “Amar a Deus de todo o espírito, é amá-lO com toda a memória, sem esquecimento”. 

(In “Obras Escolhidas”. p. 433-435). 
      

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

São Boaventura de Bagnoreggio - pensamentos

PENSAMENTOS DE SÃO BOAVENTURA DE BAGNOREGGIO


"Veio sobre ela (Maria) o Espírito Santo como fogo divino que inflamou sua mente e santificou sua carne, conferindo-lhe uma pureza perfeitíssima... Oh, se tu fosses capaz de sentir, de algum modo, qual e quão grande foi o incêndio que desceu do céu, que refrigério se produziu... "

"A abundância dos bens temporais é um empecilho para a alma, impedindo-a de voar para Deus".

"Mais segura e humilde está a alma no ouvido do que na língua".

"A ciência que por amor da virtude se despreza, pela virtude se adquire melhor".

"Se eu nada mais puder fazer, meu Jesus, procurarei vossas chagas e aí permanecerei".

"Se o meu Redentor, por causa de meus pecados; me atirasse longe de Si, lançar-me-ia aos pés de sua Mãe e, prostrado, não me levantaria enquanto Ela não me obtivesse o perdão. Ela não deixaria de fazer violência ao Coração de Jesus para que me perdoe".

"Se quereis progredir no amor de Deus, meditai todos os dias na paixão do Senhor".

"Interroga a graça, não a doutrina; o desejo, não o intelecto; o gemido da oração, não o estudo do que vê; o esposo, não o mestre; Deus, não o homem; a fuligem não a clareza; não a luz, mas aquele fogo que tudo penetra com sua chama e reporta a Deus com excessivas unções e com ardentíssimos afetos".

"A Missa é a obra na qual Deus coloca sob os nossos olhos todo o amor que ele nos teve: é de certo modo, a síntese de todos os benefícios que ele nos fez".

"Ó Jesus, trespassaram vosso lado para nos abrir uma porta; feriram vosso coração para nos abrir nessa sagrada vinha, um asilo seguro de toda perturbação externa".

"Não basta a leitura sem a unção, não basta a especulação sem a devoção, não basta a pesquisa sem maravilhar-se; não basta a circunspecção sem o júbilo, o trabalho sem a piedade, a ciência sem a caridade, a inteligência sem a humildade, o estudo sem a graça".

"Cada sacerdote no altar deveria ser inteiramente identificado com Nossa Senhora, porque como por meio dela é que nos foi dado este Santíssimo Corpo, assim é pelas mãos dela que Ele deve ser oferecido a nós".

"Todas as coisas criadas são sombras, ecos, imagens ou semelhanças de Deus, que é a Causa Primeira de todas as coisas"

"Já que toda a natureza divina esteve nas entranhas da Santíssima Virgem, não duvido dizer que em toda distribuição de graças tem certa jurisdição essa Virgem, de cujas entranhas como de um oceano da divindade, emanam os rios de todas as graças"

"Pela oração se obtém todos os bens e a libertação de todos os males".

"Assim como o rei julgaria traidor o capitão, que sitiado em uma praça, não lhe pedisse socorro, assim Deus considera traidor aquele que, vendo-se assaltado pelas tentações, a Ele não recorresse pedindo auxílio".

"Em um dia ganha o homem, pela oração, mais do que vale o mundo".

"Às vezes, se obtém mais depressa com uma breve oração, o que dificilmente se alcançaria com boas obras"

"Assim como nunca cessa a luta, assim também nunca devemos deixar de pedir a misericórdia divina, para não sermos vencidos".

"Quem não se ilumina com o esplendor de coisas tão grandes como o mundo e as coisas criadas, é cego. Quem com todas essas coisas não se põe a louvar a Deus, é mudo. Quem, a partir de indícios tão evidentes, não volta a mente para Deus, que é o primeiro princípio, é tolo"

"A oração é conversão da alma a Deus. Queres saber como hás de converter tua alma a Deus? Pois então ouve. Quando estás a orar deves recolher-te todo em ti mesmo e entrar com o Amado no aposento do teu coração e ali permanecer a sós com o Só, esquecido de todas as coisas exteriores e erguer-te acima de ti mesmo com todo o coração, com toda a alma, com todo afeto, com todo desejo, com toda devoção. E não hás de afrouxar o espírito de oração, mas por longo tempo hás de subir para o alto, por meio do ardor da devoção, até entrares no tabernáculo admirável, até a casa de Deus. E ali, visto de algum modo o teu Esposo com os olhos da alma e tendo saboreado de certa maneira a suavidade do Senhor e a grande afluência de sua doçura, cai nos seus braços e com os lábios fechados oscula-o com beijos de íntima devoção a fim de que, de todo alheado de ti mesmo, totalmente arrebatado ao céu, transformado todo em Cristo, não possas deter teu espírito, mas que digas, exclamando com o profeta Davi: 'Recusou a minha alma consolar-se, lembrei-me de Deus e me deleitei'".

"É pobre quando nasce, mais pobre durante a vida, pobre em extremo quando morre sobre a cruz".

"Morramos, pois, e entremos nas trevas; imponhamos silêncio às solicitudes, às concupiscências aos fantasmas; passemos com Cristo crucificado deste mundo ao Pai".

"Segundo os seis graus da ascenção a Deus, são as seis potências da alma, pelas quais ascendemos do último ao sumo, do exterior ao interior, do transitório ao eterno: os sentidos, a imaginação, a razão, o entendimento, a inteligência e o ápice da mente, ou a centelha da consciência. Esses graus, nós os temos em nós, plantados na natureza, deformados pela culpa, reformados pela graça, e devemos purificá-los com a justiça, praticá-los com a ciência, aperfeiçoá-los com a sabedoria".

"Quando uma alma olha para Deus toda a natureza lhe parece insignificante".

"O puríssimo Coração de Maria foi o Horto e Paraíso do Espírito Santo, jardim de delícias em que viceja toda a sorte de flores e se aspira toda a fragrância das virtudes... Ó Coração de amor, porque te converteste em esfera de dor? Contemplo, Senhora, o Teu Coração e nele vejo, não o coração mas a mirra, o absinto e o fel! Ó vulnerada Senhora, fere também os nossos corações! Porque não possuo ao menos o Teu Coração, para que, aonde quer que eu vá, Te veja sempre crucificada com Teu Filho!"

"A santa Missa tem tantas maravilhas quantas são as gotas de água no oceano, os grãozinhos de poeira no ar, as estrelas no firmamento, e os Anjos no céu. Nela se operam, quotidianamente, tantos mistérios que não sei se, em tempo algum, a mão onipotente de Deus fez obra melhor e mais sublime".

“Maria foi verdadeiramente forte e terna, doce e rigorosa ao mesmo tempo, rígida consigo mesma, pródiga para conosco! É, pois, a Ela que devemos amar e venerar acima de todas as coisas, em segundo lugar, após levarmos nosso amor à suprema Trindade e a seu Santíssimo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, cujo mistério divino não pode ser expressado por língua alguma”.

“Deus não comunica vida à alma nem a ela se une (...) a não ser que ela se aqueça com o desejo da pátria celeste e do próprio Amado”.

“Não devemos duvidar do fato de que a bem-aventurada Mãe e Virgem Maria, possuidora de um coração vigoroso e determinação sempre constante, desejava dar seu Filho para a salvação do gênero humano, de tal forma que a Mãe viveu, em tudo, conforme o Pai”.

Fonte: http://coracaomistico.blogspot.com.br/2007/12/so-boaventura.html.



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domingo, 20 de julho de 2014

Oração de São Boaventura de Bagnoreggio para a Santa Comunhão

Oração de São Boaventura de Bagnoreggio para a Santa Comunhão



Feri, ó dulcíssimo Senhor Jesus, o mais íntimo e profundo de meu ser com o dardo suavíssimo e salutar do Vosso amor, com aquela verdadeira, inalterável, santíssima e apostólica caridade, a fim de que a minha alma se enlanguesça com o único desejo de sempre crescer em vosso amor.

Que eu vos ame intensamente, que desfaleça nos vossos átrios e deseje dissolver-me em vós e ser um convosco.

Que minha alma tenha fome de Vós, ó Pão dos Anjos, alimento das almas santas, Pão nosso de cada dia, supersubstancial, que tem toda doçura e sabor, e todo deleite de suavidade. Ó Vós a Quem os Anjos desejam contemplar!

segunda-feira, 14 de julho de 2014

14 de julho: S. Boaventura, Bispo, Confessor e Doutor

14 DE JULHO

SÃO BOAVENTURA 

Doctor Seraphicus 
Bispo, Confessor e Doutor


http://sacragaleria.blogspot.com.br/2014/06/sao-boaventura.html
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Boaventura nasceu em 1218, em Bagnoreggio, no centro da Itália, com o nome de Giovanni Fidanza. Pertenceu à Ordem dos Frades Menores e foi cardeal de Albano. 

Certa vez Boaventura, ao ficar muito doente, recebeu a cura por meio de uma oração feita por São Francisco de Assis, que percebendo a graça tomou-o nos braços e disse: “Ó, boa ventura!”

Entrou na Ordem Franciscana e pelo estudo e oração exerceu sua vocação franciscana e o Sacerdócio na santidade, ao ponto do seu mestre qualificá-lo assim: “Parece que o pecado original nele não achou lugar”.

São Boaventura, antes de se destacar como Santo bispo, já chamava - sem querer - a atenção pela sua cultura e ciência teológica; por isso, ao lado de Santo Alberto Magno e Santo Tomás de Aquino, caracterizou o Século XIII como o tempo de sínteses teológicas. 

Certa vez um frei lhe perguntou se poderia salvar-se, já que desconhecia a ciência teológica; a resposta do Santo não foi outra:


“Se Deus dá ao homem somente a graça de poder amá-lO, isso basta... Uma simples velhinha poderá amar a Deus mais que um professor de teologia”.

O Doutor Seráfico assumiu muitas responsabilidades, tais como ministro geral da Ordem Franciscana e como bispo. Feito cardeal, teve então que aceitar a consagração episcopal que antes, por humildade, tinha recusado. Recebeu do Papa Gregório X a missão de preparar o Segundo Concílio de Lyon.


terça-feira, 12 de novembro de 2013

REFLEXÃO: A DIREÇÃO DA ALMA

A DIREÇÃO DA ALMA


(...)

IV

Ora, para conservar em ti este espírito de temor, de dor e de desejo, exerce-te externamente numa perfeita modéstia, justiça e piedade, afim de que, segundo escreve o Apóstolo, "renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivas sóbria, justa e piedosamente neste século" (Tito, 2, 12).

1. - Exerce-te numa perfeita modéstia para que, segundo a doutrina do Apóstolo, "a tua modéstia seja conhecida por todos os homens" (Phil. 4, 5). Exerce-te primeiro na modéstia da parcimônia no comer e vestir, no dormir e vigiar, no recreio e no trabalho, não excedendo a medida em coisa alguma.

Depois, exerce-te na modéstia da disciplina, com moderação no silêncio e no falar, na tristeza e na alegria, na clemência e no rigor, conforme as circunstâncias o exigem, e a sã razão o prescreve.

Finalmente, exerce-te na modéstia da civilidade, regulando, ordenando e compondo as ações, os movimentos, os gestos, as vestes, os membros e os sentidos, conforme o requer a educação moral e o costume na ordem, para que merecidamente pertenças ao número daqueles aos quais o Apóstolo diz: "Faça-se tudo entre vós com decência e ordem" (I Cor. 14, 40).


2. - Exerce-te também na justiça para que te sejam aplicáveis as palavras do Profeta: "Reina por meio da verdade, da mansidão e da justiça" (Ps. 44, 5).

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